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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por mês: dezembro 2019

dez 31

EDITORIAL DA SEMANA: “O SENHOR ESTEJA CONVOSCO”

O SENHOR ESTEJA CONVOSCO

 O QUE DESEJAR PARA O ANO NOVO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Ao final de todos os anos, nas proximidades do dia 31 de dezembro, temos o hábito de desejar “Feliz Ano Novo” para amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos e, dependendo do que bebemos, até para os cães da rua! É um verdadeiro festival de “Feliz Ano Novo” pra lá e pra cá, o tempo todo, o que dura alguns dias e, em muitos casos, pelo menos umas duas semanas.

Pois bem, ao fim e ao cabo de tudo isso, de toda esta “cultura” festiva, o que realmente fica gravado em nossas mentes e corações é o simples fato de que, de uma hora para outra, saímos de um ano determinado pelo calendário e entramos em outro, sempre com a fantástica expectativa de que, no embalo da passagem da meia-noite de um dia para o outro, tudo poderá ser muito melhor. Dessa forma, além do já falado “Feliz Ano Novo”, desejamos um coquetel de outras boas coisas, como saúde, paz, harmonia, dinheiro, amor, realizações, sucesso nos negócios e empreendimentos e tudo o mais que nos vem à memória em cada encontro durante os tais dias.

Entretanto, o que deveríamos desejar para nós mesmos e para cada um dos nossos semelhantes, próximos ou distantes, é uma maior e mais promissora vida com Deus, Senhor da vida e fonte de todas as benesses que, do fundo dos nossos corações, realmente, necessitamos e sabemos serem necessitados todos os seres vivos, sem exceção. Na liturgia católica ouvimos o sacerdote pronunciar o famoso “O Senhor esteja convosco”, e todos respondem a uma só voz, “Ele está no meio de nós”. É justamente este desejo e este voto que deveríamos destacar, não apenas na passagem do dia 31 de dezembro para o 1º de janeiro, mas, no raiar de todos os Sóis e na virada de todas as noites. Porque, desejar a presença do Senhor no meio de nós é, acima de tudo, desejar o bem maior para nós e para os nossos semelhantes.

Porém, se pararmos para uma análise fria dos acontecimentos, vamos perceber que poucos são os que, em verdade, valem-se da virada do ano para saldar e prestar culto à divindade, independentemente da profissão da fé expressada. Datas como, por exemplo, a Páscoa, o Natal e o Ano Novo há muito perderam o seu real significado e tornaram-se um dado estatístico relevante para que o capitalismo possa avaliar o seu desempenho, com a queda vertiginosa ou com a fantástica ascensão das vendas e dos lucros. Nas citadas épocas, efetivamente, o que desponta são os presentes, os assados, as bebidas, as reuniões em torno da mesa, do bar ou de casa, ou da churrasqueira sem que, sequer, o nome de Deus seja pronunciado.

Não posso deixar passar despercebido o seguinte fato: assistindo ao telejornal da tarde, do dia 30 de dezembro, a âncora da TV chama ao ar uma repórter para, ao vivo, entrevistar passageiros na Rodoviária Novo Rio (Rio de Janeiro), para investigar os preparativos de viagens de algumas famílias por ali acomodadas, aguardando a hora de seus embarques. Ao falar com uma família numerosa, logo, logo descobre que estão a caminho de cidade do interior de Minas Gerais; outra família, com seis ou sete membros, está aguardando a saída do ônibus para uma cidade situada em um estado nordestino. Depois de falar com mais uns dois ou três grupos de viajantes, a repórter dirige-se a uma senhora e pergunta para onde está indo: “para a cidade de Raposo, no interior do Rio de Janeiro”, diz a senhora. “Ah, que bom!” exclama a repórter que, não satisfeita, pergunta: “a senhora está indo com quem?”, e a senhora, humildemente responde: “Eu e Deus”. A repórter, achando a maior graça do mundo, admira-se da resposta e encaixa: “Ah, vai sozinha?”. Ou seja, ir com Deus é o mesmo que estar sozinha. Num primeiro momento, a gente até acha graça da estupidez. Mas, depois de certo tempo, é de se perceber que não se trata de estupidez não. Trata-se, na verdade, de culto à ignorância. Uma ignorância que impera no seio de muitas sociedades para as quais, Deus é uma questão íntima e pessoal, que não tem nada a ver com a coletividade.

Está distante de muitos de nós o conhecimento, e até mesmo a aceitação, de que não existe um Deus de Israel, dos palestinos, dos católicos ou dos evangélicos, mas, que, existe apenas um Deus da vida, que é o Deus de todos nós, a quem devemos estar sempre unidos e por quem devemos sempre clamar pela presença e pela ação, individual e coletiva.

Desta forma, se nos derradeiros dias de um ano, de qualquer ano, passássemos a dizer para cada um dos nossos amigos, parentes, colegas, vizinhos, ou até mesmo para os cães da rua, “O Senhor esteja contigo”, certamente estaríamos fazendo votos muito mais profundos, verdadeiros e eficazes porque não existe um bem maior do que Deus e, desejá-Lo, tanto para nós mesmos como para a vida dos nossos semelhantes é, mais do que qualquer outra expressão de felicidade, desejar todo o bem, de forma absoluta e plena, de onde decorre tudo o mais que, por convenção, repetidamente desejamos a cada final de ano.

É verdade que, nos dias de hoje, falar o nome de Deus significa pedir para ser rotulado e, por este razão, muitas pessoas preferem deixar Deus, vamos dizer, meio de lado, para não serem rotuladas disso ou daquilo. Mas, não devemos ter medo de rótulos e, se realmente amamos os nossos amigos, familiares, vizinhos, colegas e outros menos próximos, nada de melhor podemos lhes desejar que não seja a vivência com Deus e em Deus. Não existe melhor voto, ou melhor desejo para quem amamos do que este: “O Senhor esteja contigo” porque, de fato, Ele está no meio de nós.  E está no meio de nós, sem se importar com quem nós somos de verdade, com o que fazemos, pensamos ou falamos. Sem se importar se cremos Nele ou não, se temos religião ou não. Ele está no meio de nós porque, mais do que a tudo Ele nos ama de verdade.

Por tais razões, convido o leitor e a leitora para, se realmente ama seus amigos, familiares e pessoas mais próximas, mudar o discurso deste final de ano, deixando de ficar repetindo as mesmas palavras dos anos anteriores para, finalmente, fazer um grande e estupendo voto: “O Senhor esteja contigo!”

Eis o que desejo para ti no Ano Novo que se aproxima: “Que o Senhor esteja contigo” e que, assim, todas as dádivas e bençãos dos céus caiam sobre a tua cabeça e penetrem no fundo do teu ser, para que possas conhecer, em verdade e em realidade, a plena e abundante felicidade, de modo a que, talvez pela primeira vez na vida, possas perceber e usufruir a chegada de um verdadeiro Ano Novo, o Ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

dez 28

ESPECIAL DE NATAL: NASCEU MAIS UM FRANCISCO

UM NOVO FRANCISCO

CADA ÉPOCA TEM O SEU PRÓPRIO FRANCISCO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Eu não sei dizer de onde vem o nome “Francisco”, qual é a raiz etimológica nem qual o verdadeiro significado do nome, mas, para nós, católicos, o nome “Francisco” sempre nos remete ao Pobre de Assis que, com seu jeito simples e humilde, extraordinariamente apaixonado por Jesus, deixou-nos o carisma preservado por seus seguidores, espalhados pelo mundo todo, nas diversas ordens franciscanas que existem.

Coincidência ou não, nossas experiências com pessoas com esse nome são bastante positivas. Quem não conhece um Francisco? Um seu Francisco? Ou, como no meu caso, até uma Francisca? São pessoas que, impreterivelmente, não apenas remetem-nos ao Francisco de Assis, mas que, quase sempre, vivem de forma bastante semelhante ao filho mais famoso da histórica cidade de Assis, na Itália.

Nestes últimos anos temos vivido, de forma global, a experiência bastante positiva com o Papa Francisco, que chegou entre nós em meio a discórdias, dúvidas, erros e porque não dizer, até mesmo uma certa tristeza em decorrência direta de tudo o que passava no interior da Igreja de Roma naqueles dias difíceis. Pois o Papa Francisco, que adotou este nome com o propósito de fazer-se pobre com os pobres e humilde com os humildes, tem sido para o mundo civilizado uma das pouquíssimas vozes sensatas e coerentes com a mensagem do Evangelho de Cristo. De fato, o Papa Francisco, onde reinava a discórdia, procurou levar a união; onde pairavam sérias e consistentes dúvidas, levou a fé; onde dominava o erro, procurou lançar luzes sobre a verdade e, em meio à tristeza, lutou, e tem lutado, pela prevalência da alegria.

Pois bem, nestes últimos dias de dezembro de 2019, eis que chega ao mundo um novo Francisco, filho do casal Robson e Carolina que, atualmente, residem em Juiz de Fora-MG. Por tudo o que foi dito acima acerca das particularidades e singularidades que envolvem todos os “Franciscos”, é de se supor, e dispensa maiores comentários, que os pais de Francisco são o fruto bom do qual brota mais uma semente que, certamente, florirá diante de um mundo tão caótico quanto sempre foi, mas que sempre acolhe todos os enviados pelo Altíssimo, sempre com a redobrada esperança de que, com quem chega, tudo será muito melhor.

Este “novo” Francisco, porém, chega trazendo não apenas a força genética humana, mas, e, sobretudo, a força genética de uma espiritualidade cuja origem remonta ao nascimento de Francisco de Assis. De Francisco, deste mesmo que está chegando ao mundo, espera-se que viva no amor, no perdão, na união, na fé, na verdade, na esperança, na alegria e na luz, consolando seus pais e irmãos, em sentido amplo; compreendendo mais do que sendo compreendido; amando mais do que será amado; dando mais do que receberá e perdoando mais do que poderá ser perdoado, de modo que, para ele, a vida seja sempre eterna, independentemente do plano em que esteja inserido.

Deste novo Francisco espera-se, ainda com mais pujança, uma vida repleta de civilidade, de respeito, de amor, de tolerância, de humildade, de seriedade, de responsabilidade, todos, atributos dos quais o mundo está altamente carente. Principalmente, este mundo das primeiras décadas do século XXI. Que o Francisco que está chegando entre nós, quase mil anos depois do Francisco de Assis, e, independentemente do mundo que encontrará, carregue na alma o carisma, a força e o vigor daquele que, um dia, despiu-se de todas as mazelas do mundo para viver o Evangelho de Cristo em toda a sua radicalidade.

Sabendo de todas as virtudes que certamente coroarão a vida deste nosso “novo” Francisco, só me resta recordar aos pais a imensurável graça de terem sido escolhidos como guardiões, assim como Maria e José, do menino que vem para se destacar entre seus contemporâneos. Um menino que, a exemplo daquele cujo nascimento acabamos de celebrar no Natal, viva em função de toda a herança genética e espiritual da qual é digno herdeiro.

Que o pequeno Francisco, ao abrir os olhos pela primeira vez, lance muita luz ao seu redor e que, em seu primeiro sorriso, consiga atingir todas as mentes e todos os corações que o circundarem, de modo a que, dele, emanem todas as virtudes que somente Deus, em toda a sua glória, pode dispensar a nós, pobres mortais.

Seja bem-vindo Francisco e que, quando for um sexagenário como eu, você abra as portas para os novos Franciscos que por aqui chegarão, também, porque, consoante o título deste texto, “cada época tem o seu próprio Francisco”. Que seja sussurrada para Francisco esta linda e profética oração:

“Onde houver ódio, que você leve o amor. Onde houver ofensa, que você leve o perdão. Onde houver discórdia, que você leve a união. Onde houver dúvidas, que você leve a fé. Onde houver erro, que você leve a verdade. Onde houver desespero, que você leve a esperança. Onde houver tristeza, que você leve a alegria. Onde houver trevas, que você leve a luz.

Ó Mestre, fazei que este nosso Francisco procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo, que se vive para a vida eterna.”

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

dez 25

HOJE NASCEU PARA A NÓS A SALVAÇÃO! HOSANA NO MAIS ALTO DOS CÉUS

DIA DO NATAL

MISSA DO NATAL DO SENHOR – 25/12/2019

1Mas tu, Belém-Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.2Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.3Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra. 4E assim será a paz.” (Mq 5, 1-4)

PRIMEIRA LEITURA:

LEITURA DO LIVRO DO PROFETA ISAÍAS – (Is 52,7-10) –

7Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: “Reina teu Deus!” 8Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião. 9Alegrai-vos e exultai ao mesmo tempo, ó ruínas de Jerusalém; o Senhor consolou seu povo e resgatou Jerusalém. 10O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus.     

– Palavra do Senhor.     

– Graças a Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 97(98)

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. 

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

2. O Senhor fez conhecer a salvação, / e às nações, sua justiça; / recordou o seu amor sempre fiel / pela casa de Israel. 

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

3. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus. / Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / alegrai-vos e exultai! 

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

4. Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa / e da cítara suave! / Aclamai, com os clarins e as trombetas, / ao Senhor, o nosso rei!

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

SEGUNDA LEITURA:

LEITURA DA CARTA AOS HEBREUS – (Hb 1,1-6)

1Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus outrora aos nossos pais pelos profetas; 2nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo. 3Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. 4Ele foi colocado tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles. 5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”? Ou ainda: “Eu serei para ele um Pai, e ele será para mim um filho”? 6Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo, Deus diz: “Todos os anjos devem adorá-lo!”.    

 – Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Jo 1,1-18 ou 1-5.9-14

O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São João.

— Glória a vós, Senhor.

[1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.] 6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9daquele que [era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10A Palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela –, mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12Mas, a todos os que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade.] 15Dele João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim”. 16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18A Deus ninguém jamais viu. Mas o unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.                

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor. 

“Desejamos a todos os nossos leitores e leitoras um Feliz Natal, cheio de todas as bençãos dos céus. Que o menino-Deus esteja em cada lar, em cada coração e cada vida e que a Luz de Belém brilhe nas vidas de todos nós”

 

RETORNAREMOS COM NOSSAS PUBLICAÇÕES A PARTIR DE 01 FEVEREIRO DE 2020

dez 25

ROSAS PARA MARIA – PARTE V

ROSAS PARA MARIA

 ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE V -

– Meu amor, você estava presente quando eu expliquei. Um bilhete também foi enviado para casa. Você é uma menina tão inteligente, tão esperta, deveria confiar mais em si mesma. Não dê ouvidos para o que os outros dizem. Você é capaz de entender as coisas, é capaz de fazer suas próprias escolhas! Acredite!

Maria Vai Com As Outras saiu pensativa da conversa. De fato, aquela festa tinha sido uma lição e tanto! Mas parecia não ter sido a última...

Na casa de Maria Vai Com As Outras, sua mãe apreciava introduzir novos alimentos nos pratos das filhas. Ela prezava por uma alimentação saudável!

Era um sábado ensolarado, a mesa do almoço já estava posta. Nela, três novos alimentos para as meninas explorarem: brócolis, beterraba e jiló.

– Eu já provei os três anos atrás e não quero saber deles. Estou fora! Vou almoçar na casa da Gabi! – esbravejou Cris, a filha mais velha.

– Ah, mas não vai mesmo! Volte aqui, mocinha! Como você já experimentou os três, comerá um pouquinho de cada um! Quero ver o seu prato bem colorido!

Emburrada, Cris não teve opção. Tratou de voltar à mesa.

– Vamos lá, filhas! Agora é a vez de vocês. Cada uma pode escolher um alimento para provar!

Maria Vai Com As Outras esticou a mão para pegar a beterraba que estava cortada em rodelas na vasilha. Mas Cris logo advertiu:

– Eca! Você vai provar essa coisa? Parece que ela está sangrando, veja essa água vermelha saindo dela!

Maria Vai Com As Outras, por um minuto, se apavorou! Decidiu, então, provar os brócolis, afinal eles eram bonitos, pareciam pequenas árvores! Foi quando sua irmã caçula gritou:

– Você vai comer essa arvorezinha? Deve ser horrível! Das árvores, eu só como as frutas e só as docinhas!

Confusa, Maria Vai Com As Outras desistiu também dos brócolis. Sua mãe, perdendo a paciência com a enrolação das filhas, disse logo:

– Vamos já com isso! Cris, eu quero ver os três no seu prato! Mel, escolha um para provar! Maria Vai Com As Outras, faça o mesmo!

Pressionada, Maria Vai Com As Outras pegou rapidamente o jiló e o provou. Era amargo! Uma grande careta foi inevitável!

– Muito bem, minha filha. É assim que a gente treina o paladar! Por vezes, fazendo careta! Você havia escolhido a beterraba em primeiro lugar, ela é doce, prepararia o seu paladar para que, depois, você provasse os outros alimentos. Mas você preferiu seguir o que diziam as suas irmãs e, assim, provou do amargo em primeiro lugar. Da próxima vez, siga o seu próprio desejo e saboreie a vida do seu jeitinho!

Maria Vai Com As Outras parecia não aprender com as próprias experiências!

No recreio da escola, adorava brincar de pular corda, ora segurando a corda de um lado, ora pulando. E era boa, muito boa em pular corda!

O sino para o recreio tocou! A correria foi total! Já no pátio da escola, as opções de brincadeiras eram muitas. Maria Vai Com As Outras alcançou a corda e saiu convidando seus amigos para pularem com ela:

– Depois a gente pula corda. Vamos brincar de amarelinha agora!

– Está bem, eu vou. Mas depois vamos pular corda, não é?

– Vamos sim!

As meninas pulavam amarelinha entretidas, quando outra amiguinha chegou, convidando para brincar de boneca.

– Vamos, Maria Vai Com As Outras, depois continuamos a amarelinha!

– Mas você prometeu que, depois da amarelinha, nós iríamos pular corda.

– As bonecas são mais legais! Depois pulamos corda, vamos!

E lá se foi Maria Vai Com As Outras brincar de boneca, ainda com a corda na mão. Ao cansarem da brincadeira, Maria Vai Com As Outras disse:

– Agora, vamos pular corda! Vai ser divertido!

– Que nada! Divertido é brincar de gangorra! Vamos!

E, assim, Maria Vai Com As Outras passava seus dias. Sua voz era facilmente calada e seus desejos negligenciados. Não que os outros tivessem, realmente, alguma culpa quanto a isso. Era ela que não se ouvia. Era ela que, mesmo quando sabia o que queria, achava que não sabia.

 Em busca da quarta Maria:

 Agora que as três Marias já foram muito bem apresentadas, cada qual com sua peculiaridade, chegou a hora de sabermos como decorrem os acontecimentos que as mantêm unidas!

É dia de sol, borboletas coloridas dançam pelo ar, bem na frente da casa de Maria-Sem-Vergonha. E como ela não tem vergonha de coisa alguma, decide ir bailar com as borboletas nos jardins de toda a vizinhança!

Bem próximo dali, também faz o mesmo dia de sol, mas Maria das Dores não enxerga as borboletas coloridas. Ela prefere regar as flores do quintal com suas lágrimas de lamentação. E como ela lamenta! Lamenta o que aconteceu e lamenta o que poderia ter acontecido e não aconteceu.

Passeando por essa região, lá vem Maria Vai Com As Outras. E ela vai mesmo! De longe, avista Maria das Dores e, contente, vai ao seu encontro. Mas a alegria dura pouco, tão logo percebe o chororô de Maria das Dores, começa a chorar também!

Em meio a tanto pranto, elas avistam Maria-Sem-Vergonha dando piruetas pelo ar, bailando às gargalhadas, feito uma borboleta que acabou de descobrir que não é mais uma lagarta! Maria-Sem-Vergonha se aproxima e, num instante, contagia Maria Vai Com As Outras, que se junta a ela numa dança feliz, sob o sol do dia! Maria das Dores intensifica o seu choro ao ver tanta alegria! Maria Vai Com As Outras se reveza entre o chororô e o sacolejar de um baile com borboletas!

As três Marias crescem juntas e aprendem a sonhar juntas também! Apesar de não estudarem na mesma escola, elas passam bastante tempo juntas, pois frequentam a mesma comunidade de fé. Entre uma brincadeira e outra no pátio da igreja, as três vão crescendo em amor, amizade e graça!

Maria-Sem-Vergonha tem o desejo de se tornar artista. Ela quer cantar, dançar, passar a vida encantando as pessoas com sua arte!

Maria das Dores quer mesmo é viver de lágrimas, mas não mais de lamentações. Quer arrancar das pessoas lágrimas de emoção e de felicidade com suas poesias!

Já Maria Vai Com As Outras, esta não sabe muito bem o que quer. Ora se deslumbra com o desejo de ser artista de Maria-Sem-Vergonha, ora deseja arranjar rimas para as poesias de Maria das Dores. Ela ainda precisa descobrir o que fala alto dentro do seu próprio coração!

Bem próximo à cidadezinha onde as três Marias habitam, há uma vila onde se ostenta uma simples, mas bela igrejinha no alto da colina. É um lugar de peregrinação para os devotos de Nossa Senhora das Graças.

Quando as três Marias ouviram os relatos e a história de Nossa Senhora das Graças, ficaram absolutamente encantadas e emocionadas! Desejaram, com todo o fervor, os raios graciosos dessa Senhora que, como elas, também se chama Maria. Maria das Graças!

As férias estavam se aproximando! As três Marias iam muito bem na escola, não ficariam de recuperação, o que significa que, logo, terão dias livres para brincar e, quem sabe, até para fazer uma peregrinação!

As três Marias, ansiosas, aguardavam as férias e, enquanto esperavam, buscavam saber mais sobre Maria das Graças, a Mãe do Menino Jesus e de todos nós. Elas foram juntas até a igreja mais próxima, a comunidade onde frequentam, e pediram ao sacerdote que lhes contasse a história de Maria das Graças.

Sorridente, o sacerdote disse:

– Que maravilha é ver três crianças juntas, tendo gosto em saber sobre as coisas do alto!

– Coisas do alto, padre? Mas eu tenho medo de altura! – exclamou Maria das Dores.

– Minha querida, as coisas do alto são as coisas de Deus! E elas estão dentro do coração de cada um. Você não precisa temer as coisas de Deus, pois Deus é amor!

Maria das Dores, aliviada, deu um suspiro!

– Bem, vocês querem saber mais sobre Nossa Senhora das Graças, não é mesmo?

– Sim, padre. Como nós, ela também se chama Maria, Maria das Graças! Queremos saber tudo sobre ela! – disse Maria-Sem-Vergonha.

O sacerdote olhou bem nos olhos de Maria Vai Com As Outras, dizendo:

– Minha filha, você está tão quietinha! Você também tem curiosidade em saber quem é Maria das Graças?

– Sim, padre. Se minhas amigas querem saber, eu também quero!

– Muito bem, então vamos lá! Para vocês entenderem quem é Maria das Graças, precisam, antes, conhecer uma mocinha chamada Catarina Labouré.

– Catarina o quê, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha entre risadas.

– Labouré! Mas não se preocupem com o sobrenome, crianças! Catarina era francesa, não falava a mesma língua que nós falamos.

– Puxa, que legal, padre! Catarina era filha de Maria das Graças? – continuou Maria-Sem-Vergonha.

Maria das Dores logo exclamou:

– Claro que não! Maria das Graças é mãe de Jesus! Só de Jesus, não é padre?

– Sim, Maria das Graças é mãe de Jesus! Mas a mãe de Jesus também é a mãe de todos nós!

Confusa, Maria Vai Com As Outras decide perguntar:

– Como ela pode ser a mãe de todos nós, se nós já temos as nossas mães?

– É verdade, todos nós nascemos de uma mãe. Cada um tem a sua. Só os irmãos têm a mesma mãe. Mas há algo muito especial que preciso contar a vocês! Todos nós temos a mesma mãe no céu e dentro dos nossos corações! Jesus, quando estava morrendo na cruz, deixou a mãe dele para nós. Maria, a mãe de Jesus, é também a nossa mãe! Nós podemos falar com ela sempre que quisermos.

– Podemos, padre? Mas como ela poderá nos ouvir? – perguntou Maria das Dores.

– É muito simples, minha querida. Uma oração é sempre uma conversa. Nós podemos conversar com Maria através das nossas orações.

– Mas como ela irá nos responder? – indagou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Maria nos dá muitos sinais! Ela nos responde através da voz que sai dos nossos próprios corações. Ela também pode nos falar por meio de outras pessoas que chegam para nos dizer exatamente aquilo que precisamos ouvir. São muitos os sinais!

– E Catarina sabia que Maria das Graças também era sua mãe? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– É justamente essa história que eu quero contar para vocês. No dia 2 de maio de 1806, nasceu Catarina Labouré!

– Padre, padre! Eu nasci no mesmo dia que ela! – exclamou Maria Vai Com As Outras.

– Só não nasceu no mesmo ano, não é? Senão, você estaria aqui, conversando com a gente em forma de caveira! – disse Maria-Sem-Vergonha às gargalhadas.

Nem o padre pôde deixar de rir. Até mesmo Maria das Dores esboçou um sorriso.

– Mas vocês me deixarão contar a história ou não?

– Sim, padre! – responderam as três meninas em coro.

– Pois muito bem, continuemos. Vou dizer um nome difícil aqui, mas não é para vocês me questionarem, pois eu já disse que Catarina era francesa e a língua francesa não é como o nosso português! Catarina nasceu em Fain-lès-Moutiers, aldeia de Borgonha, na França. Catarina vivia uma vida simples no campo, junto de seus pais e de seus irmãos. Seus pais eram cristãos muito dedicados, amavam a vida simples que levavam e realizavam seu trabalho com grande alegria. Quando Catarina tinha nove anos – apenas um ano a mais do que vocês três –, sua mãe morreu.

Imediatamente, Maria das Dores pôs-se a chorar copiosamente. Maria Vai Com As Outras chorou também. Maria-Sem-Vergonha abriu o berreiro, sem vergonha alguma! O sacerdote não sabia o que fazer para conter todas aquelas lágrimas. Foi, então, que ele interrompeu o choro, dizendo:

– Acalmem-se, meninas! Eu sei que é triste perder a mãe, sobretudo quando se é tão jovem, mas não se preocupem tanto, pois Catarina encontrou uma mãe eterna!

– Uma mãe eterna? – perguntou Maria das Dores.

– Sim, uma mãe eterna! Catarina, olhando para uma imagem de Nossa Senhora, subiu em uma cadeira para poder alcançá-la e, chorando, disse: “Agora, tu serás minha mamãe”.

As três Marias, ainda com lágrimas em seus rostos, pareciam se animar com a presença dessa mãe.

CONTINUA EM 01 DE JANEIRO DE 2020

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

dez 25

REFLETINDO SOBRE O NATAL: FREI LUDOVICO GARMUS

NATAL DO SENHOR

NATAL DO SENHOR – A PALAVRA SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 52,7-10

Os confins da terra contemplaram

a salvação que vem do nosso Deus.

Os reis de Israel e de Judá não conseguiram trazer a salvação ao povo. Em consequência, o reino de Israel foi destruído pelos assírios e boa parte de sua população, levada para o exílio, ao norte da Assíria (772 a.C.). O mesmo aconteceu entre 597 e 585 a.C., com o reino de Judá, cuja população foi levada ao exílio pelo novo dominador, o rei de Babilônia. Os profetas Jeremias, Ezequiel e os autores deuteronomistas interpretam o dramático fim dos reinos de Israel e de Judá, como punição divina pelas infidelidades e crimes cometidos pelos governantes dos dois reinos. Passada uma geração no exílio, os discípulos do profeta Isaías, à luz da fé em Javé, Deus de Israel e de Judá, lêem os novos acontecimentos políticos de seu tempo: O domínio dos babilônios agonizava e um novo domínio surgia, o do Império persa. Estes profetas erguem então sua voz, em meio ao desânimo dos exilados, e levantam a bandeira da esperança. Agora, nosso Deus vai por um fim à dominação de Babilônia. Ciro, rei dos persas, será o instrumento nas mãos de Deus para punir os cruéis babilônios e executar o seu plano de salvação. Deus mesmo vai consolar o seu povo sofredor. Vai trazer seu povo de volta à sua terra e as ruínas de Jerusalém serão reconstruídas. Então, todas as nações saberão que “a salvação vem do nosso Deus”.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 97

Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.

2. SEGUNDA LEITURA: Hb 1,1-6

Deus falou-nos por meio de seu Filho.

Na revelação cristã, Deus não é um ser solitário. Deus é comunhão de três pessoas: Pai, filho e Espírito santo. Deus é Amor. É Amor que se comunica “dentro de si” mesmo. Deus é Amor que se expande para “fora” de si mesmo, enquanto cria o universo, cria todos os seres vivos de nosso planeta Terra. Cria o ser humano à sua imagem e semelhança, comunica-se com ele e o convida a entrar na comunhão de seu amor. No passado – diz o autor da Carta aos Hebreus – Deus se comunicava com seu povo por meio dos profetas. Por meio deles exortava o povo à fidelidade, à conversão e lhe anunciava a salvação. Agora, Deus se comunica conosco por meio de seu Filho, o herdeiro de todas as coisas, o criador do universo e o esplendor de sua glória. Pelo poder de sua palavra sustenta o universo e nos purifica dos pecados. Como filho de Deus, o cristão deve ser o reflexo de Cristo, que é “o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser” (v. 3). Em Jesus Cristo cumpre-se a promessa feita a Davi: “Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um filho” (2Sm 7,14). O Filho de Deus, ao assumir no seio da Virgem Maria a “carne” humana, tornou-se nosso irmão. O autor de Hebreus afirma isso muito bem: “Por isso, Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos” (2,11). Que maravilha! Deus que nos criou se fez nosso irmão! Vinde, adoremos!

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Despontou o santo dia para nós: Ó nações, vinde adorar o Senhor Deus, porque hoje grande luz brilhou na terra!

3. EVANGELHO: Jo 1,1-18

A Palavra se fez carne e habitou entre nós.

Deus é Amor, é comunicação. No passado Deus se comunicava com seu povo pelos profetas. Agora se comunica conosco pelo seu próprio Filho, a Palavra feita carne. A Palavra, no princípio, estava junto de Deus (v. 1-2), era o próprio Deus, que é amor-comunicação. Deus, que é amor-comunicação, se expande para “fora” de si mesmo como criador do universo. Por Jesus, a Palavra feita carne, tudo foi feito (v. 3) e agora são dadas a graça e a verdade (v. 17). Na Palavra estava a vida e a vida era a luz dos homens, luz que brilha em meio às trevas (v. 4-5).

Ela é a Luz que veio a este mundo. Há os que rejeitaram esta Luz (v. 5.9-11). Mas a nós que cremos e a recebemos, nos é dada a plenitude da graça (v. 16), nos é dado o poder de nos tornarmos filhos de Deus (v. 12). Tudo aconteceu porque a Palavra, o Filho de Deus, “se fez carne e habitou entre nós” (v. 14). Louvemos a nosso Deus que assumiu a fragilidade de nossa carne, para fazer em nós a sua morada!

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

dez 24

LEIA A BÍBLIA TODOS OS DIAS: LEITURAS SUGERIDAS PARA HOJE

NATAL - PREPARAÇÃO - 2

MISSA DA NOITE DE NATAL – 24/12/2019

1Mas tu, Belém-Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.2Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.3Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra. 4E assim será a paz.” (Mq 5, 1-4)

PRIMEIRA LEITURA:

LEITURA DO LIVRO DO PROFETA ISAÍAS – (Is 9,1-6) –

1O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. 2Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. 3Pois o jugo que oprimia o povo – a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais –, tu os abateste como na jornada de Madiã. 4Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas. 5Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. 6Grande será o seu reino, e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar, em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar essas coisas.   

– Palavra do Senhor.     

– Graças a Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 95(96)

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! / Cantai e bendizei seu santo nome! 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

2. Dia após dia anunciai sua salvação, † manifestai a sua glória entre as nações / e, entre os povos do universo, seus prodígios! 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

3. O céu se rejubile e exulte a terra, / aplauda o mar com o que vive em suas águas; / os campos com seus frutos rejubilem, / e exultem as florestas e as matas. 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

4. Na presença do Senhor, pois ele vem, / porque vem para julgar a terra inteira. / Governará o mundo todo com justiça, / e os povos julgará com lealdade. 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

SEGUNDA LEITURA:

LEITURA DA CARTA DE SÃO PAULO A TITO – (Tt 2,11-14)

Caríssimo, 11a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação para todos os homens. 12Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, 13aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e salvador, Jesus Cristo. 14Ele se entregou por nós para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem.    

 – Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Lc 2,1-14

O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

1Aconteceu que, naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra. 2Esse primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. 3Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade natal. 4Por ser da família e descendência de Davi, José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, 5para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. 6Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, 7e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria. 8Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho. 9Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. 10O anjo, porém, disse aos pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: 11hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. 13E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da coorte celeste. Cantavam louvores a Deus, dizendo: 14“Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.                

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor.

 

FONTE:   https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/

dez 23

EDITORIAL DA SEMANA: DECLARAR-SE COMO FILHO DE DEUS, SIGNIFICA SER DESPREZADO E ESQUECIDO NA FILA

FILHOS E FILHAS DE DEUS

SER FILHO DE DEUS, NUNCA FOI SINAL DE PRESTÍGIO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Jesus veio ao mundo, em primeiro lugar, como o Deus encarnado, dada a sua natureza eminentemente divina. Em segundo lugar, como o Filho do Deus vivo, na condição de segunda pessoa da Trindade e, por último, como verdadeiro homem, em razão da sua natureza, também, eminentemente humana. Aqui, porém, entre nós, Jesus nunca fez questão de dar qualquer relevo à natureza divina, mas, sim, e, acima de tudo, à condição de Filho de Deus ou, como preferia em muitas situações, a de Filho do Homem.

Entretanto, a leitura dos Evangelhos não deixa qualquer dúvida sobre o fato de que Jesus, na condição de filho de Deus, antes de angariar para si qualquer prestígio, fama ou glória, atraiu, sim, o ódio, a inveja, o despeito, a perseguição e, por último, a prisão, a condenação e a infame morte na cruz. Em uma sociedade judaica, que presava pelo zelo à Torá e ao culto exclusivo ao Deus de Israel, parece incrível, mas, é preciso admitir que, mesmo diante do Filho de Deus e de todas as obras que Ele operou, preferiu prendê-lo, condená-lo e matá-lo, antes de a Ele acolher com extremo amor, carinho e, por que não dizer, gratidão, ante o prêmio divino aos homens de todos os tempos e, especialmente, àqueles aos quais foi permitido ver, ouvir, falar e tocar no Mestre divino.

Ou seja, apresentar-se como filho do Altíssimo não tem significado algum perante os homens. Ora, se alguém pensa que hoje seria diferente, está redondamente enganado, porque, assim como nos dias de Pôncio Pilatos e de Caifás, respectivamente, governador da Judeia e sumo sacerdote, ainda hoje, apresentar-se como filho ou filha de Deus não tem qualquer relevância. Se, no caso de Jesus, ser filho de Deus levou-O à cruz, nos dias atuais, costuma levar à total indiferença, ao absoluto desprezo ou mesmo ao manicômio, porque, se a pessoa insistir muito na afirmação de que é, sim, filha de Deus, acabará passando por fanática religiosa, extremista, alienada e, por fim, por louca mesmo.

Não se cometa a insanidade de acreditar que as referidas exclusões denunciadas acima, são cometidas pelo povo em geral. Aquele povo que, no fundo, no fundo, desconhece até mesmo as Sagradas Escrituras. Não, não é assim! As exclusões a que nos referimos, direcionadas aos assim autoproclamados “filhos de Deus”, partem, da mesma forma como ocorrida no tempo de Jesus, de autoridades civis, eclesiásticas e pastorais. Da mesma forma como Caifás sentiu-se desprestigiado diante de um Jesus que afirmava ser o Filho do Altíssimo, inúmeros pregadores de hoje, ficam arrepiados ao ouvirem da boca do interlocutor a mesma afirmação feita por Jesus. Não se deverá aqui, declinar nomes, até porque, apesar da crucifixão já ter sido abolida entre nós, existem meios para punir severamente os que ousam apontar o dedo para os Pilatos e para os Caifás de hoje. Mas o fato é que eu, pessoalmente, conheço, por experiência própria, alguns destes Pilatos e Caifás.

Ora, se levarmos em consideração os preparativos regiamente organizados todos os anos, para celebrar o nascimento de Jesus, como o “Filho de Deus, que veio habitar no meio de nós”, entrando em casas, mentes e corações, assim como todas as pregações para que nós, de forma fraternal e solidária, nos aproximemos Daquele que veio trazer-nos a face do próprio Deus, com a afirmação de que somos irmãos do Menino Jesus, então, temos, todos, o mesmo privilégio e, como tais, deveríamos ser tratados com o maior respeito.

Não é, porém, o que acontece! Jesus mesmo, sobre os que matam a fome, a sede, a doença, vestem e visitam qualquer um dos necessitados,  declarou que “todas as vezes em que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40), deixando evidenciado que, se somos seus irmãos, é porque somos, também, filhos do mesmo Pai, embora, por adoção. Mas nem assim! Hoje em dia, ao menos no Brasil, o instituto da adoção é rigidamente respeitado até para o caso dos animais! Porém, os filhos adotivos de Deus, não têm qualquer reconhecimento. São, mesmo, considerados loucos, fanáticos, alienados e desprezíveis, dentre outros adjetivos.

Bem, se é assim, somente a uma conclusão somos levados: os discursos do Natal, nada mais são do que palavras vazias e desprovidas de sentido! Porque, se no dia 26 de dezembro, alguém precisar de socorro, material ou mesmo espiritual, apresentando-se à autoridade civil ou religiosa como filho ou filha de Deus e, portanto, irmão do Jesus que acabara de nascer, será impreterivelmente ignorado ou ignorada.

O prezado leitor e a prezada leitora não precisam levar este texto a sério, nele acreditando no primeiro momento. É fundamental que, a título de experiência, observe todos os ambientes e todas as situações que passarão diante de si, no curso do Ano Novo que está chegando. Apresente-se para uma audiência com uma alta autoridade eclesiástica, por exemplo, e faça constar sua condição de filho ou de filha de Deus, para ver se a referida autoridade te concederá qualquer preferência ou maior atenção do que concederia a um grande capitalista desejoso de fazer uma significativa doação financeira. Posso te assegurar que o capitalista passará a sua frente e que você, muito provavelmente, ficará durante meses aguardando para ser chamado(a) para a tal audiência. Isto só não ocorrerá, se você for amigo ou amiga da referida autoridade, ou mesmo se se valer da intervenção de pessoa altamente conceituada pela mesma. Caso contrário, meu amigo, minha amiga, você terá a triste confirmação de que apresentar-se como filho ou filha do Altíssimo, será motivo de desprezo ainda maior, e sabe por que?

Porque Caifás pensava que ele, na condição de Sumo Sacerdote, era o interlocutor por excelência do Deus de Israel. E o mesmo acontece nos dias de hoje: muitas autoridades, civis e, principalmente, religiosas e eclesiásticas, muitos pregadores dominicais, assim como inúmeros líderes de movimentos igrejeiros, acreditam piamente que, em razão da sua proeminência mundana, serão preferidos por Deus, em detrimento daqueles a quem Jesus chama de “meus irmãos mais pequeninos”.

Entretanto, e apesar de tudo o que está dito acima, é bom manter acesa no coração a certeza de que, se somos chamados de “irmãos” por Jesus, é porque somos, realmente, filhos e filhas de Deus que, como Pai bondoso e misericordioso que é, jamais deixará de nos receber, de nos ouvir e de nos atender em todas as nossas aflições, porque, para Deus, não importa quem somos, mas, sim, o que somos: seus filhos e filhas muito amados. Se, para os homens, o fato de sermos filhos e filhas de Deus não tem qualquer importância, relevância ou significado, para o Altíssimo não é assim. Tanto que, na completude do tempo, enviou ao mundo o seu Unigênito para que, todo o que Nele crer seja salvo.

Acredite nisto, meu irmão, minha irmã no Cristo Jesus. Acredite nisto e saiba que, todos nós que cremos, independentemente de quem quer que possamos ser, fazemos ou pensamos, somos, acima de tudo, filhos e filhas do mesmo Pai que, como tal, está sempre atento e pronto para nos acolher, nos perdoar e para nos possibilitar uma vida sempre renovada e muito melhor.

Que neste Natal, mais do que qualquer outra coisa, consigamos voltar nosso coração e nosso espírito para a manjedoura, olhando aquele pequenino ser, como nosso grande irmão. O irmão que nos salva e nos dá coragem. O irmão que, sendo o Unigênito, sempre nos leva à presença do Pai, que olha para cada um de nós com extrema afeição, carinho e amor. Pense sobre isto, reflita e, diante do seu presépio, real ou imaginário, converse com o seu, o meu, o nosso Pai. Que o seu Natal seja grandioso e repleto de consolos e de felicidades, porque o Menino que acaba de nascer é nosso irmão, e veio para nos levar direto ao Pai, ao nosso Pai! Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

dez 23

LEIA A BÍBLIA TODOS OS DIAS: LEITURAS SUGERIDAS PARA HOJE

NATAL - PREPARAÇÃO - 2

4ª SEMANA DO ADVENTO – SEGUNDA-FEIRA – 23/12/2019 –

1Mas tu, Belém-Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.2Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.3Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra. 4E assim será a paz.” (Mq 5, 1-4)

PRIMEIRA LEITURA:

LEITURA DO LIVRO DO PROFETA MALAQUIAS – (Ml  3,1-4.23-24) –

Assim fala o Senhor Deus: 1“Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2e quem poderá fazer-lhe frente no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos. 23Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia do Senhor, dia grande e terrível; 24o coração dos pais há de voltar-se para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que eu não intervenha, ferindo de maldição a vossa terra”.             

– Palavra do Senhor.     

– Graças a Deus.

EVANGELHO:  Lc 1,57-66

O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel e alegraram-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”. 61Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: “João é o seu nome”. 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou e ele começou a louvar a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. 66E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele.                        

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor.

 

FONTE:   https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/    

dez 22

COMENTANDO O EVANGELHO: MONSENHOR JOSÉ MARIA PEREIRA

ZÉ MARIA - 2018

IV DOMINGO DO ADVENTO – SÃO JOSÉ E A VIRGEM –

*Por Mons. José Maria Pereira –

No Quarto Domingo do Advento entra em cena Maria. Seu Filho é o Deus conosco e já se faz presente, ainda de modo velado, mas real, no seio da Virgem, que concebeu por obra do Espírito Santo (cf. Mt 1, 18 – 24). São José é apresentado como “homem justo” (Mt 1,19), fiel à lei de Deus, disponível a cumprir a sua vontade. Por isso, entra no Mistério da Encarnação depois que um Anjo do Senhor, aparecendo-lhe em sonho, lhe anuncia: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 20-21). Tendo abandonado o pensamento de repudiar Maria em segredo, ele a toma consigo, porque agora os seus olhos veem nela a obra de Deus.

Santo Ambrósio comenta que “em José se verificaram a amabilidade e a figura do justo, para tornar mais digna a sua qualidade de testemunha. Ele não teria podido contaminar o templo do Espírito Santo, a Mãe do Senhor, o seio fecundado pelo Mistério”. Mesmo que se tenha sentido perturbado, José age “como lhe tinha ordenado o Anjo do Senhor”, na certeza de fazer o que é justo. Também, dando o nome de “Jesus” Àquele Menino que rege todo o Universo, ele coloca-se na esteira dos servos humildes e fiéis, semelhante aos anjos e aos profetas, semelhante aos mártires e aos apóstolos – como cantam antigos hinos orientais. São José anuncia os prodígios do Senhor, testemunhando a Virgindade de Maria, a ação gratuita de Deus, e guardando a vida terrena do Messias. Veneremos, portanto, o Pai legal de Jesus (cf. Catecismo da Igreja Católica, 532), porque nele se delineia o homem novo, que olha com confiança e coragem para o futuro, não segue o próprio projeto, mas confia-se totalmente à misericórdia infinita d’Aquele que realiza as profecias e inaugura o tempo da salvação.   

Ao descrever a genealogia de Jesus, Mateus demonstra que é verdadeiro homem, filho de Davi, filho de Abraão; ao narrar o Seu nascimento de Maria Virgem, que foi mãe por virtude do Espírito Santo, afirma que é verdadeiro Deus; e, finalmente, ao citar o profeta Isaias, declara que Ele é o Salvador prometido pelos profetas, o Emanuel, o Deus conosco.

Nossa Senhora fomenta na alma a alegria, porque, quando procuramos a sua intimidade, leva-nos a Cristo. Ela é Mestra de esperança. Maria proclama que a chamarão bem-aventurada todas as gerações (Lc. 1, 18).

Dentro de poucos dias veremos Jesus reclinado numa manjedoura, o que é uma prova de misericórdia e do amor de Deus. Poderemos dizer: “Nesta noite de Natal, tudo para dentro de mim. Estar diante dEle; não há nada mais do que Ele na branca imensidão. Não diz nada, mas está aí… Ele é o Deus amando-me. E se Deus se faz homem e me ama, como não procurá-Lo? Como perder a esperança de encontrá-Lo, se é Ele que me procura? Afastemos todo o possível desalento; as dificuldades exteriores e a nossa miséria pessoal não podem nada diante da alegria do Natal que se aproxima.

Faltam poucos dias para que vejamos no presépio Aquele que os profetas predisseram, que a Virgem esperou com amor de mãe, que João anunciou estar próximo e depois mostrou presente entre os homens.

A espera jubilosa, característica dos dias que precedem o Santo Natal, é certamente a atitude fundamental do cristão, que deseja viver fecundamente o renovado encontro com Aquele que vem habitar no meio de nós: Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez homem. Voltemos a encontrar esta disposição do coração, fazendo-a nossa, naqueles que foram os primeiros a receber a vinda do Messias: Zacarias e Isabel, os pastores, o povo simples, e especialmente Maria e José, que sentiram pessoalmente a trepidação, mas sobretudo a alegria pelo Mistério deste Nascimento.

Desde o presépio de Belém até o momento da sua Ascensão aos céus, Jesus Cristo proclama uma mensagem de esperança. Ele é a garantia plena de que alcançaremos os bens prometidos. Olhamos para a gruta de Belém, em vigilante espera, e compreendemos que somente com Ele poderemos aproximar-nos confiadamente de Deus Pai.

“Eis que vem o Senhor todo poderoso: será chamado Emanuel, Deus-conosco”. Nestes dias repetimos frequentemente estas palavras. No tempo da liturgia, que volta a atualizar o Mistério, já está às portas Aquele que vem nos salvar do pecado e da morte, Aquele que, depois da desobediência de Adão e Eva, nos reabraça e nos abre de par em par a entrada para a vida verdadeira. Explica-o Santo Irineu, no seu tratado “Contra as Heresias”, quando afirma: “O próprio Filho de Deus assumiu “uma carne semelhante à do pecado” (Rm 8, 3) para condenar o pecado e, depois de o ter condenado, para exclui-lo completamente do gênero humano. Chamou o homem à semelhança consigo mesmo, tornou-o imitador de Deus, iniciou-o no caminho indicado pelo Pai para que pudesse ver Deus e conferiu-lhe como dom o próprio Pai” (lll, 20, 2-3).

Nas festas que celebramos por ocasião do Natal, lutemos com todas as nossas forças, agora e sempre, contra o desânimo na vida espiritual, o consumismo exagerado, e a preocupação quase exclusiva pelos bens materiais. Na medida em que o mundo se cansar da sua esperança cristã, a alternativa que lhe há de restar será o materialismo, do tipo que já conhecemos; isso e nada mais. Por isso, nenhuma nova palavra terá atrativo para nós se não nos devolver à gruta de Belém, para que ali possamos humilhar o nosso orgulho, aumentar a nossa caridade e dilatar o nosso sentimento de reverência com a visão de uma pureza deslumbrante.

O Espírito do Advento consiste em boa parte em vivermos unidos à Virgem Maria neste tempo em que Ela traz Jesus em seu seio.

Na noite do mundo, deixemo-nos surpreender e iluminar de novo por este gesto de Deus, que é totalmente inesperado: Deus faz-se Menino. Deixemo-nos surpreender, iluminar pela Estrela que inundou o Universo de alegria. Chegando a nós, que o Menino Jesus não nos encontre despreparados, comprometidos só em tornar mais bonita a realidade exterior. A atenção que prestamos para tornar mais resplandecentes as nossas ruas e as nossas casas nos leve, ainda mais, a predispor o nosso espírito para encontrar Aquele que virá visitar-nos, que é a verdadeira beleza e a verdadeira luz. Portanto, purifiquemos a nossa consciência e a nossa vida daquilo que é contrário a esta vinda: pensamentos, palavras, atitudes e gestos, impelindo-nos a fazer o bem e a contribuir para realizar neste nosso mundo a paz e a justiça para cada homem e assim ir ao encontro do Senhor.

Sinal característico do tempo de Natal é o presépio que é expressão da nossa expectativa, que Deus se aproxima de nós, que Jesus se aproxima de nós, mas é também expressão de ação de graças Àquele que decidiu compartilhar a nossa condição humana, na pobreza e na simplicidade. Que os corações das crianças e dos adultos possam ainda surpreender-se diante do Presépio!

A devoção a Nossa Senhora é a maior garantia de que não nos faltarão os meios necessários para alcançarmos a felicidade eterna a que fomos destinados. Maria é verdadeiramente “porto dos que naufragam, consolo do mundo, resgate dos cativos, alegria dos enfermos” (Santo Afonso M. de Ligório). Nestes dias que precedem o Natal e sempre, peçamos-Lhe a graça de saber permanecer, cheios de fé, à espera do seu Filho Jesus Cristo, o Messias anunciado pelos Profetas.

Que a Virgem Maria e São José nos ajudem a viver o Mistério do Natal com renovada gratidão ao Senhor. No meio das atividades frenéticas dos nossos dias, este tempo nos conceda um pouco de calma e de alegria, e nos faça ver diretamente a bondade do nosso Deus, que se faz Menino para nos salvar e dar renovada coragem e nova luz ao nosso caminho. Estes são os votos de um Santo e Feliz Natal para todos os que estão lendo este texto e para os seus familiares!

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* Monsenhor José Maria Pereira, Sacerdote da Diocese de Petrópolis, é, também, Professor, Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Niterói e Diocesano de Petrópolis e Vigário da Paróquia de São José do ItamaratI, enviando para o site, semanalmente, a homilia do domingo.

dez 22

LEIA A BÍBLIA TODOS OS DIAS: LEITURAS SUGERIDAS PARA HOJE

BÍBLIA DO ADVENTO

4º DOMINGO DO ADVENTO – 22/12/2019

1Mas tu, Belém-Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.2Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.3Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra. 4E assim será a paz.” (Mq 5, 1-4)

PRIMEIRA LEITURA:

LEITURA DO LIVRO DO PROFETA ISAÍAS – (Is 7,10-14) –

Naqueles dias, 10o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11“Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu”. 12Mas Acaz respondeu: “Não pedirei nem tentarei o Senhor”. 13Disse o profeta: “Ouvi, então, vós, casa de Davi: será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”.   

– Palavra do Senhor.     

– Graças a Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 23(24)

R. O rei da glória é o Senhor onipotente; / abri as portas para que ele possa entrar!

1. Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, / o mundo inteiro com os seres que o povoam; / porque ele a tornou firme sobre os mares / e, sobre as águas, a mantém inabalável. 

R. O rei da glória é o Senhor onipotente; / abri as portas para que ele possa entrar!

2. “Quem subirá até o monte do Senhor, / quem ficará em sua santa habitação?” / “Quem tem mãos puras e inocente coração, / quem não dirige sua mente para o crime. 

R. O rei da glória é o Senhor onipotente; / abri as portas para que ele possa entrar!

3. Sobre este desce a bênção do Senhor / e a recompensa de seu Deus e salvador.” / “É assim a geração dos que o procuram / e do Deus de Israel buscam a face.” 

R. O rei da glória é o Senhor onipotente; / abri as portas para que ele possa entrar!

SEGUNDA LEITURA:

LEITURA DA CARTA DE SÃO PAULO AOS ROMANOS – (Rm 1,1-7)

1Eu, Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação, escolhido para o evangelho de Deus, 2que pelos profetas havia prometido, nas Sagradas Escrituras, 3e que diz respeito a seu Filho, descendente de Davi segundo a carne, 4autenticado como Filho de Deus com poder pelo Espírito de santidade que o ressuscitou dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor. 5É por ele que recebemos a graça da vocação para o apostolado, a fim de podermos trazer à obediência da fé todos os povos pagãos, para a glória de seu nome. 6Entre esses povos estais também vós, chamados a ser discípulos de Jesus Cristo. 7A vós todos que morais em Roma, amados de Deus e santos por vocação, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo.    

 – Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Mt 1,18-24

O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria em segredo. 20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe em sonho e lhe disse: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 22Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”. 24Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa.                

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor.

 

FONTE:   https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/

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