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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por mês: janeiro 2020

jan 27

EDITORIAL DA SEMANA: DEUS SEMPRE CAMINHA JUNTO COM O SEU POVO

O POVO DE DEUS NO DESERTO

UM POVO E SEU DEUS: UMA RELAÇÃO INEXTINGUÍVEL –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Por mais que se respeite a opinião e a pessoa dos ateus, dentre os quais muitos se destacam pelas inúmeras virtudes que, inegavelmente, ostentam perante fervorosos cristãos, urge chamar a atenção destes últimos para a necessidade do aprimoramento da caminhada pari passu com a Palavra de Deus, largamente difundida por meio da Bíblia. Não é desconhecido de ninguém, não pode ser desconhecido por ninguém, o expressivo número de cristãos, assim como o daqueles que bradam aos quatro ventos que “Deus é fiel”, que, sequer, leem com frequência os Livros que compõem as Sagradas Escrituras.

Muitos alegam em defesa própria, que a Bíblia é muito complicada e que, quando tentam qualquer leitura, acabam ficando mais confusos ainda, preferindo ouvir a pregação do padre ou do pastor que, normalmente, fazem pequena interpretação do Texto Sagrado. É claro que é sempre útil ouvir tais pregações e homilias. Porém, uma particularidade que poucos conhecem, e aí vai uma dica de suma importância, é que, de dentro da Bíblia ecoa diretamente ao nosso espírito a Palavra fidedigna de Deus. É a Palavra sussurrada diretamente à alma. A Palavra que esclarece, que ensina, que fortalece, que recorda, que motiva e que indica a direção a ser seguida.

Aquele ou aquela que, realmente, tem respeito, fidelidade, amor e compromisso para com Deus não pode deixar de buscar na Bíblia o verdadeiro norte para a vida eterna. No Livro do Gênesis, por exemplo, o leitor e a leitora poderão verificar que existe uma narrativa acerca de como Deus teria criou todas as coisas, inclusive, o ser humano. Não significa dizer que tudo aconteceu exatamente da forma como está descrita pelo autor sagrado. Mas, que, ao fim e ao cabo de tudo, todas as criaturas têm sua origem na vontade, na Sabedoria e nas mãos dos Senhor que, em larga escala utiliza o verbo fazer, de forma impositiva: “faça-se isto...”, “faça-se aquilo...”.

Entretanto, ao criar o ser humano, o Senhor já não utiliza o verbo fazer na forma verbal impositiva, mas, na integrativa: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. É, também, no Livro do Gênesis que vamos encontrar, e, portanto, compreender, a origem do patriarcado, tendo no homem a figura de proeminência no corpo social e familiar. Também em Gênesis teremos acesso à narrativa da insatisfação total do Criador com a sua criatura, culminando com a narrativa de um dilúvio, para demonstrar que o Senhor não queria mais aquela situação generalizada de pecado. Em Gênesis, de igual modo, vamos tomar conhecimento acerca da presença dos anjos que, de forma direta e ostensiva, mantêm um constante diálogo com os homens. Tudo isto a revelar para nós que o nosso Deus é um Deus presente, preocupado e atuante, em qualquer circunstância.

No Livro do Êxodo vamos contemplar a intervenção direta de Deus para livrar o povo da opressão da escravidão no Egito. Trata-se, igualmente, de uma narrativa, por meio da qual o autor sagrado explica ao leitor e à leitora que Deus não apenas ouve o clamor do pobre, injustiçado, perseguido e oprimido, mas que, também, é capaz de vir até ele, diante do sofrimento e das angústias, para prestar o socorro necessário e o livramento de todo o mal. Toda a leitura do Livro do Êxodo serve para revelar que o Deus que cria é o mesmo que protege, que salva e que livra do sofrimento e da opressão e, inclusive, dita o que o povo deve deixar de praticar, para continuar sendo abençoado.

O Livro do Levítico é uma ordenação dos costumes e dos procedimentos que o povo deveria observar, para manter-se afastado das práticas dos seus opressores. É apenas um indicativo de como aquele povo foi instruído, no início, para ir se amoldando à vontade do Criador. É, acima de tudo, um indicativo de como os homens e as mulheres de todos os tempos devem proceder diante do Deus que, impreterivelmente, é o mesmo desde sempre e assim continuará sendo para todo o sempre.

No Livro dos Números vamos encontrar, dentre outras, as fórmulas para o culto e para a oferta de sacrifícios, bem como os meios utilizados para a contagem do povo de Deus. No Livro do Deuteronômio, último do pentateuco (conjunto dos cinco primeiros Livros da Bíblia) é onde vamos encontrar, já no capítulo cinco, o decálogo, ou seja, os Dez Mandamentos que Deus determina a Moisés que leve para o todo o povo. É a partir deste conjunto de Mandamentos que toda a história do povo de Deus, e da própria Salvação, vai se desenrolar. Lembremos de que o próprio Jesus afirma não ter vindo para revogar a Lei, mas, para cumpri-los e aperfeiçoá-los.

São estas poucas linhas, minimamente introdutórias, que servem para instigar no leitor e na leitora o desejo de ir um pouco mais a fundo. Leiam, sem medo! Procure compreender e responder as perguntas que muitos se fazem hoje em dia: “Por que Deus não nos atende?”; “Por que estas coisas estão acontecendo no mundo?”; “Por que Deus permitiu que isso ou aquilo acontecesse comigo?”. Ao ler e compreender muito do que está escrito na Bíblia você, certamente, encontrará estas e muitas outras respostas, vindas diretamente do Espírito Santo, para a sua alma. Um verdadeiro consolo e um bálsamo para a sua caminhada.

A Bíblia é dividida em Antigo e em Novo Testamentos, e ambos têm como focos principais as histórias da Criação e da Salvação. Portanto, a leitura dos Textos Sagrados, conhecendo-se os motivos e as razões, em nada confunde a cabeça e o intelecto dos leitores e das leitoras. E mais: todas as dúvidas e inseguranças devem ser encaminhadas ao sacerdote ou ao pastor, que podem, e devem, afastá-las de pronto com a apresentação de uma interpretação mais familiarizada com a compreensão de cada fiel.

A partir da leitura dos dois Livros de Samuel (I e II Sm), vamos encontrar a narrativa acerca da monarquia, exigida pelo povo e constituída por Samuel, por ordem direta de Deus. É bom e saudável fazer estas leituras, para verificar-se o quão paciente, bondoso, compassivo e humilde é o Senhor que, diante da exigência do povo levada diretamente a Samuel, dirá ao profeta: “Ouve a voz do povo em tudo o que te dizem, porque não é a ti que eles rejeitaram, mas a mim para eu não reinar sobre eles. É assim que eles sempre têm feito desde o dia que os tirei do Egito até hoje; assim como me abandonaram a mim, e serviram a deuses estranhos, assim também fazem a ti” (ISm 8, 7-8).

Particularmente interessante é a leitura do Segundo Livro dos Reis (II Reis) que, a partir do capítulo 22, trata do reinado de Josias, durante o qual é (re)encontrado o Livro da Lei que, na verdade, era todo o conteúdo do que mais tarde veio a ser denominado como o Livro do Deuteronômio. Diante do achado, o rei Josias convoca todo o povo, bem como os anciãos e, no capítulo 23, vai renovar a aliança com Deus, abolindo os lugares de culto aos deuses estrangeiros e reintroduzindo a celebração da Páscoa. Quanto a esta, o autor sagrado declara que: “Jamais se celebrou Páscoa igual, desde o tempo dos Juízes que julgaram Israel, e em todo o tempo dos reis de Israel e dos reis de Judá, como foi esta Páscoa em honra do Senhor, feita em Jerusalém no ano décimo oitavo do rei Josias” (2Rs 23, 22-23).

Se formos tratar dos pontos essenciais de cada um dos livros que compõem a Bíblia, teremos que escrever longos volumes, tamanha a quantidade de informações, ensinamentos, exemplos, fundamentos etc., que nos aguardam. Fica, aqui, para o leitor e para a leitora, a dica fundamental: leia a Bíblia com mais frequência, mantenha-se em constante oração e não deixe que sua relação com Deus jamais seja extinta porque, é por meio desta relação, cada vez mais aperfeiçoada, que poderemos, um dia, pretender entrar no Reino de Deus, de onde, certamente, jamais desejaremos partir.

Aprimore a sua relação com este Deus, que é Criador, Mantenedor da vida, Providencial e Salvador e que, apesar de ser o Senhor absoluto de todas as coisas, insiste em manter conosco uma relação de proximidade, de amizade, de companheirismo e de socorro em todas as nossas aflições, mas que, também, deseja reciprocidade da nossa parte. Reflita e faça o bem a si próprio(a) intensificando e aperfeiçoando sua relação com Deus. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

jan 15

ROSAS PARA MARIA – PARTE FINAL

MEDALHA MILAGROSA - 3

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

F I N A L –

Assim que terminou de falar, Maria das Dores pôs-se a chorar de emoção! Imediatamente, começou a compor, em versos, o pedido que faria a Maria das Graças:

Maria das Graças, nossa Mãe querida!

Hoje, quero lhe ofertar a minha vida!

Descobri que posso fazer o meu pedido

E encontrar, nas minhas lágrimas, um sentido!

Quero chorar de alegria

Distribuir poesia!

Colocar em cada verso

Um pedaço do universo!

Quero juntar todas as dores

E transformá-las em flores!

Quero oferecer um buquê a Deus

E pedir a Ele que realize os sonhos meus!

Quero saborear mangas, subindo numa mangueira,

E lá do alto admirar a água cristalina da cachoeira!

Quero alimentar cada amizade

E colher felicidade!

Quero correr de braços abertos pelo caminho

E abraçar todos os seres com carinho!

Enquanto Maria das Dores fazia seu pedido em versos, Maria-Sem-Vergonha ensaiava seu pedido em forma de dança. Ela levantava os braços para o alto, imaginando que estava tocando as mãos de Maria das Graças. Ela rodopiava sorrindo, levava as mãos até o peito, como se estivesse guardando no coração as graças recebidas. Rodopiava mais uma vez e cantarolava uma canção criada no improviso:

Maria das Graças, nossa Maria!

Era por ti que eu procurava por onde eu ia!

Quero levar arte a cada coração,

Quero falar de Deus em cada canção!

Quero pegar Jesus pela mão e sair a rodopiar,

Quero pular, correr, brincar e dançar!

Desta vez, Maria Vai Com As Outras não quis pegar carona nas ideias das outras Marias. Não quis buscar rimas para os versos de Maria das Dores, nem quis rodopiar e cantar com Maria-Sem-Vergonha. Ela preferiu meditar sobre tudo o que havia aprendido e decidiu, por si só, guardar tudo no coração. Se fosse para imitar alguém, desta vez, ela escolhia imitar a Mãe de Jesus. No silêncio do seu coração, ela foi deixando espaço para que Deus pudesse tocá-la. 

As três Marias se deram as mãos e, sorrindo, se puseram a caminhar ainda mais rapidamente, saltitantes! Olhavam para o céu e se deixavam guiar pelo brilho das estrelas. Como os três Reis Magos, que foram ofertar presentes ao Menino Jesus, as três Marias caminhavam em direção aos braços de Maria das Graças, onde ofertariam suas próprias vidas, seus dons e seus corações!

O dia amanheceu lindo, iluminado pelo sol, sem nuvens e perfumado pelas flores do caminho! Flores essas onde os passarinhos coloridos faziam a festa, confraternizando com borboletas e diversos outros tipos de insetos!

Uma parada para um piquenique foi solicitada! Uma grande toalha xadrez foi estendida na relva e deliciosos pães, bolos, frutas e sucos foram distribuídos sobre a toalha. Todos se sentaram ao redor. Antes de o banquete ser servido, uma canção de agradecimento a Deus foi entoada. A alegria daquele momento parecia algo que ficaria eternizado!

Enquanto todos comiam e bebiam, as três Marias corriam felizes por entre as flores do lugar. Havia um roseiral bem ali, com rosas brancas, amarelas e vermelhas. As três Marias se entreolharam, como se tivessem tido o mesmo pensamento. Naquele instante, cada uma delas correu em direção a uma rosa, com a intenção de levá-la para Maria das Graças.

Maria-Sem-Vergonha correu para a rosa amarela. Maria das Dores foi em direção à rosa vermelha, e Maria Vai Com As Outras, sem pestanejar, foi de mãos abertas na direção da rosa branca!

Quando, finalmente alcançaram as rosas, as três Marias foram espetadas pelos espinhos! Maria das Dores começou a chorar. Maria-Sem-Vergonha foi pedir ajuda aos romeiros para retirar um dos espinhos que ficou agarrado em seu dedo. Maria Vai Com As Outras, sem entender o porquê de tanta dor num simples gesto de querer ofertar rosas para a Mãe de Deus, preferiu meditar e guardar tudo no coração.

A romaria prosseguiu, as três Marias levavam as rosas em suas mãos, levavam também o leve ferimento dos espinhos. Maria das Dores já havia parado de chorar, Maria-Sem-Vergonha já havia se livrado do espinho preso em seu dedo, e Maria Vai Com As Outras, essa continuava meditando e descobrindo que Deus nos fala também através da dor.

As três Marias foram percebendo que a beleza da vida está na intenção de cada coração e não na ausência de espinhos pelo caminho! Elas não pararam na dor, continuaram seguindo e confiando nas graças que, continuamente, pediam a Maria das Graças.

Já era possível avistar a igrejinha lá no alto da colina. Uma enorme alegria tomou conta dos corações de todos os romeiros, especialmente dos corações das três Marias!

As três Marias correram em disparada e começaram a subir a colina. Faltava muito pouco! Cada vez menos! Poucos passos! Pronto: chegaram!

Ofegantes, as três Marias entraram na igreja e foram direto ao altar. Elas mal conseguiam acreditar que estavam lá, juntas e de joelhos, diante de Jesus no sacrário e de Maria das Graças no altar, sempre de braços abertos e olhar doce.

Num ímpeto, as três Marias se levantaram! Maria-Sem-Vergonha segurou numa das mãos de Maria das Graças e pediu, com fervor, a graça de ser artista! Maria das Dores segurou na outra mão de Maria das Graças e pediu, com muita fé, a graça de ser poetisa! Maria Vai Com As Outras colocou suas duas mãos no coração de Maria das Graças e disse a ela, com grande esperança, que ainda não sabia o que queria fazer da vida, mas que gostaria de fazer a vontade de Deus!

As três Marias se olharam emocionadas e se abraçaram com a força e a ternura que só os verdadeiros amigos conhecem! Então, entregaram suas rosas e suas vidas a Nossa Senhora!

Nesse lindo momento, apareceram três mulheres desconhecidas, elas também visitavam a igreja. Cada uma delas se dirigiu a uma das três Marias, ofertando uma medalha e uma rosa:

– Maria-Sem-Vergonha, Maria das Graças lhe oferece esta rosa amarela e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço! Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho! Cante, dance e encante o mundo com a alegria do Senhor!

 – Maria das Dores, Maria das Graças lhe oferece esta rosa vermelha e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Escreva, transforme as dores em versos e se inspire com a linda poesia que há na criação de Deus!

 – Maria Vai Com As Outras, Maria das Graças lhe oferece esta rosa branca e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Não tenha pressa em saber o caminho a seguir. Ele lhe será revelado aos poucos, como o foi para a própria mãe de Deus e para Catarina. Ouça mais os seus próprios desejos e vá guardando tudo no coração!

As três Marias, radiantes e ainda tontas com tanta emoção, se colocaram em oração e agradeceram a Deus pela graça de poderem sentir, como Jesus sentiu, o colo acalentador de Maria!

Era a mãe de Deus, a nossa mãe, numa revelação tão sublime, numa declaração total de amor, dando a certeza de que ela nos acompanha e intercede por nossos sinceros desejos!

Assim, em estado de graça, as três Marias retornaram para casa e para seus afazeres de meninas. A rotina era a mesma, mas havia algo novo que permaneceria para todo o sempre e que seria passado de geração em geração: a certeza de que não estamos sós, de que há uma mãe que intercede por nós e que quer nos ajudar a viver os sonhos mais lindos que Deus plantou em nossos corações!

Pendurada em seus pescoços de crianças, a medalha milagrosa brincava de um lado para o outro, distribuindo grandes graças, pois a fé e a devoção eram ardentes e sinceras!

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

     

jan 13

EDITORIAL DA SEMANA: ONDE ESTÃO OS VERDADEIROS LÍDERES

O MUNDO EM EBULIÇÃO

UM MUNDO EM EBULIÇÃO: O QUE É POSSÍVEL ESPERAR PARA O FUTURO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Passadas as duas primeiras décadas deste tão desejado século XXI, algumas estacas já estão solidamente fincadas em nossas mentes e corações, de modo a nos inculcar a convicção de que nem tudo o que queríamos, nos será dado ou permitido usufruir. Isso porque aquele mundo pós-guerra fria, promissor de dias melhores e mais iluminados, teleguiado por sábios, competentes e experientes líderes revelou-se, nos últimos vinte anos, carente de tudo o que seria necessário para uma vida, realmente, melhor.

Primeiro é bom buscar nas profundezas do cérebro a imagem de algum líder, verdadeiramente influente e capaz de conduzir o conjunto das nações, graças à sabedoria e ao carisma herdados de antepassados da mesma linhagem. Quem é capaz de, hoje, apontar um líder que seja ouvido com atenção, respeito e seguimento nos diversos foros internacionais? Excetuando a figura ímpar do Papa Francisco, líder supremo da Igreja Católica, que não tem assento ou palavra na ONU, na OTAN ou em DAVOS, qual liderança exerce o papel de fiel da balança civilizatória?

Certamente não é preciso, aqui, ficar perdendo tempo escrevendo os nomes de um por um dos governantes mundiais que, com o pouco que têm, gostam de se apresentar como chefes de Estados e de governos e que, só por este fato, acreditam-se, e querem se fazer acreditar, como líderes políticos. Na verdade, são pessoas que, se olhassem para trás e examinassem as biografias de todos os seus antecessores, teriam que renunciar aos seus postos, ante a imensurável discrepância no tocante ao caráter, à postura, aos princípios, à força, à ética, à coragem, à sabedoria e ao carisma.

Não se trata de saudosismos não. Trata-se de verificar que, na realidade atual, estamos à mercê e sob o comando de pessoas absolutamente desprovidas do espírito de liderança e do carisma necessários para a condução de um povo rumo ao seu destino. Que leiam as biografias dos grandes homens e mulheres do passado. E não precisam ir muito longe não, basta um pouco de atenção sobre os grandes do século passado, homens e mulheres.

Entretanto, faltam aos pretensos líderes de hoje a humildade para, em primeiro lugar, reconhecerem suas visíveis carências de tudo para poderem pretender ser reconhecidos como verdadeiros líderes; em segundo lugar, falta-lhes a sabedoria para buscarem no passado de suas Nações o conhecimento acerca de todos os atributos de que eram dotadas as verdadeiras lideranças, cada uma em sua época. E, por fim, falta-lhes inteligência mesmo para, ainda que desistam de perquirir o passado de suas Nações, conseguirem comandar seus povos rumo ao futuro desafiador que os afronta no dia-a-dia.

Diante deste cenário de pós-guerra, no qual vemos destroços para todos os lados, onde cães, gatos, ratos e hienas andam de mãos dadas, cada qual preparando um golpe maior contra o outro, caminha uma estupenda massa popular, desprovida de saúde, de alimentos saudáveis, de educação apropriada e alinhada com os tempos modernos e vítima de toda a insanidade despejada em cada esquina pelos mamíferos já citados. Mamíferos no exato significado da palavra, porque vivem à caça das tetas públicas por onde ainda jorram leite e mel, produtos da espremeção de toda a coletividade.

Verdadeiramente, estamos em um mundo em ebulição, sem sabermos exatamente o que esperar do futuro. Um futuro que, com o avançar da tecnologia, poderia ser muito melhor e muito mais saudável para toda a Criação, com tudo o que o termo significa, mas, que, infelizmente, desponta como grande ameaça à sobrevivência de todas as espécies.

No entanto, ainda existem portas abertas. Portas que podem conduzir a humanidade para cenários muito mais promissores do que a este ao qual chegamos pelas mãos de falsos líderes. Uma destas portas está conectada com a possibilidade de a juventude, numa verdadeira guinada de 360º, preparar-se para substituir, em alto nível, os atuais condutores cegos. E isso pode ser feito por meio do estudo, da pesquisa, da investigação e do aperfeiçoamento de tudo o que os grandes do passado foram capazes de fazer. Basta invadir uma Biblioteca, real ou virtual, e escarafunchar os anais da História, para descobrir com estupefação tudo o que os verdadeiros líderes fizeram para legar para todos nós o mundo que temos diante dos olhos.

O segredo para sair desta encruzilhada histórica está, justamente, no estudo da História!

Outra porta aberta diante de todos nós é a que dá acesso à política. Também aqui, é necessário examinar os arquivos do passado, para descobrir o modo pelo qual os grandes e verdadeiros políticos souberam transformar a pequena e inexpressiva cidade-estado em verdadeiro e potente Estado Nacional com expressão mundial, graças à coragem, à sabedoria, à inteligência e à diplomacia, virtudes escassas no dias que correm.

Por fim, porém, sem esgotar a exploração de outras portas, temos a porta de conexão com o divino e com o sagrado que, atualmente, estão relegados a segundo e terceiro planos. É preciso investigar o passado para constatar que reis, rainhas, sábios, profetas, doutores da lei, sacerdotes e governantes sempre estiveram intimamente conectados com a divindade, por meio do culto, da oração e da oferenda, individual ou coletiva, de graças e de sacrifícios. Enquanto vigorou a crença de que “sem Deus nada podemos” a civilização caminhou mais ou menos ajustada. Porém, a partir do momento em que ganhou força a ideia de que “Tudo podemos, mesmo sem Deus”, o desastre passou a ser o pão nosso de cada dia.

É preciso, acima de tudo, ter coragem, sabedoria e humildade para passar por estas portas. Entretanto, elas representam, ainda, possibilidades reais e palpáveis para que consigamos sair deste torvelinho histórico no qual estamos todos, sem exceção, envolvidos.

Que cada leitor e cada leitora saiba fazer uma avaliação sobre este texto e que, dentro das possibilidades, atue para que os cães, os gatos, os ratos e as hienas possam seguir seus próprios caminhos, deixando de representar, da forma sórdida, irresponsável e inconsequente como agem, verdadeiras ameaças para a sobrevivência de toda a espécie humana. Ainda existe tempo para uma mudança de direção. Seja feliz e, boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

jan 08

ROSAS PARA MARIA – PARTE VII

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE VII –

– Ah, esses dois corações são muito importantes, minha querida! O que estava cercado de espinhos é o coração de Jesus, lembrando a coroa de espinhos que foi colocada em sua cabeça. Jesus se doou, porque nos ama muito. O coração que estava transpassado por uma espada é o de Maria, pois ao ver seu filho sendo cruelmente crucificado, Maria sentiu uma dor no coração, era como se alguém ferisse o coração dela com uma espada!

– A letra “M” é a letra do nome de Maria, não é padre? – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Isso mesmo, minha filha! E a cruz é a cruz de Cristo, Nosso Senhor! A letra “M” e a cruz estão entrelaçadas, mostrando o quanto mãe e filho estão ligados no amor e na dor! Nós também podemos e devemos unir nossos corações aos corações de Jesus e de Maria.

– E as estrelas, padre? – perguntou Maria das Dores.

– As doze estrelas representam os doze apóstolos de Jesus. Representam a igreja também. Todos nós somos convidados a sermos luz para o mundo!

– Eu quero ser uma estrela, padre. Ou, talvez, um vagalume! Assim, posso sair voando por aí, iluminando o caminho! – disse Maria-Sem-Vergonha.

Tanto as meninas quanto o padre não puderam deixar de rir. Maria-Sem-Vergonha sabia como alegrar qualquer história!

– Meninas, agora eu vou contar sobre a última visita que Catarina recebeu de Nossa Senhora!

– Ah, não, padre! Já vai ser a última? – lamentou Maria das Dores. 

– Sim, minha filha. Mas não lamente, pois, todos os dias, Nossa Senhora visita cada um de nós, basta que pensemos nela e peçamos a sua intercessão, sobretudo na oração do terço! Pois muito bem, vamos à última visita! Em dezembro de 1830, Catarina estava, como da última vez, fazendo suas orações às 5 horas e 30 minutos da tarde. De repente, Catarina ouviu aquele mesmo barulhinho gostoso de alguém com uma roupa de seda se aproximando. Nossa Senhora apareceu junto ao tabernáculo, com os mesmos raios luminosos. Ela confirmou a missão que Catarina recebeu de mandar cunhar a medalha. Catarina foi orientada a pedir ajuda ao seu confessor, o padre Aladel. Catarina contemplava, admirada e feliz, a Santa Virgem. Então, ouviu uma voz em seu coração que dizia: “Estes raios são o símbolo das graças que eu obtenho para as pessoas que mais pedem”. Ela obtém essas graças de Jesus! A mãe pede, e o filho concede!

– A minha lista de pedidos vai ser a maior de todas! – exclamou Maria-Sem-Vergonha. 

– Posso imaginar o tamanho da sua lista, minha querida! Veja lá o que vai pedir, hein! Continuando, Catarina reparou que não saiam raios de algumas pedras dos anéis de Nossa Senhora. Imediatamente, ela ouviu uma voz que lhe esclareceu tudo: “Estas pedras das quais não sai luz são as graças que os homens se esquecem de me pedir”. Logo depois, Nossa Senhora lhe disse: “Você não me verá mais”.

Catarina contou tudo ao padre Aladel e pediu a ele que guardasse segredo de sua identidade. Ela não queria que as pessoas soubessem que esses recados de Maria foram dados a ela. Catarina não contou nem mesmo para suas irmãs de comunidade. O padre guardou esse segredo por 46 anos.

– Então, padre, temos que pedir sempre! Nossa Senhora que mandou! – concluiu Maria-Sem-Vergonha, ainda pensando em sua lista de pedidos.

– Não posso negar isso, minha querida! Temos uma mãe muito generosa!

– Padre, Catarina fez a medalha que Nossa Senhora pediu? – curiosa, Maria Vai Com As Outras perguntou.

– Vou contar agora! Terminado o tempo de noviciado de Catarina, ela recebeu o hábito! No dia 5 de fevereiro, chegou ao Asilo d’Enghien, em Reuilly, um bairro bastante pobre de Paris. Lá, ela serviu aos pobres por 46 anos, cuidando dos idosos, dos que viviam na miséria e dos feridos na guerra e nas revoluções.

O padre mal pôde terminar de contar, pois as meninas cochichavam e riam, colocando a mão na boca.

– Ora, meninas, o que foi desta vez?

Maria-Sem-Vergonha se apressou em responder:

– O senhor está sempre falando esses nomes engraçados! Fez até biquinho para falar o nome do lugar para onde Catarina foi!

– Ah, mas vocês não têm jeito mesmo! Vamos, façam biquinho comigo, vamos aprender algumas palavras em francês!

Terminada a brincadeira, o padre prosseguiu:

– Vocês se lembram a quem Catarina deveria recorrer para fazer a medalha?

– Eu me lembro, padre! Ela deveria pedir ajuda ao seu confessor, o padre sei lá o quê! – exclamou Maria das Dores.

– Muito bem! Foi isso mesmo! Catarina deveria recorrer ao seu confessor, o padre Aladel. Nossa Senhora disse: “Ele é meu servidor”.

– E ele ajudou a fazer a medalha, padre?  – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– No início, o padre Aladel não acreditou no que disse Catarina. Ela insistiu por dois anos. Então, o padre Aladel resolveu procurar o arcebispo de Paris, Dom Quélen, para pedir sua autorização. Em 20 de junho de 1832, o arcebispo autorizou a cunhagem de duas mil medalhas, seguindo as instruções de Nossa Senhora. A primeira medalha foi dada à irmã Catarina!

– Nossa! Quantas medalhas! – exclamou, admirada, Maria das Dores.

– Ah, minha querida, isso não é nada! Em 1836, mais de dois milhões de medalhas haviam sido cunhadas!

– Nossa! – exclamaram em coro as três meninas.

– E as graças começaram a ser proclamadas, crianças! Quando as primeiras medalhas foram cunhadas, uma terrível epidemia de cólera chegou até Paris. O tormento começou no dia 26 de março de 1832 e foi até o meio do ano. Até o fim da epidemia, mais de 18.400 pessoas morreram.

Maria das Dores começou a chorar!

– Não chore, minha criança! Eu sei que, muitas vezes, a vida é mesmo dura, mas lembre-se de que temos uma mãe muito amorosa intercedendo por nós! No dia 30 de junho, as primeiras 1.500 medalhas foram dadas para as religiosas Filhas da Caridade. Elas tinham, por missão, distribuir todas essas medalhas aos doentes. No mesmo momento em que as medalhas começaram a ser distribuídas, a epidemia parou. Era Nossa Senhora cumprindo o que havia prometido! Várias pessoas se converteram. Foram muitos os relatos de proteção e de cura. Em poucos anos, a medalha ficou conhecida em todo o mundo! O povo deu a ela o nome de “Medalha Milagrosa” ou “Medalha de Nossa Senhora das Graças”. A partir de 1830, a invocação que estava inscrita na medalha passou a ser repetida milhares de vezes por cristãos do mundo inteiro: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. E, mais lá na frente, no dia 8 de dezembro de 1854, o papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição! Maria, por uma graça especial, é sem pecado desde o começo de sua concepção!

– Que maravilha, padre! – suspirou, aliviada, Maria das Dores.

– Sim, minha filha, podemos sempre recorrer à intercessão de Maria. Diante do fato que relatei, o arcebispo de Paris, Dom Quélen, mandou que se fizesse uma investigação sobre a origem e os efeitos da medalha. A conclusão foi que o enorme número de medalhas cunhadas e distribuídas, tendo como resultado muitos benefícios e graças admiráveis, parecia mesmo sinais do Céu, confirmando as aparições e a verdade do que Catarina dizia. A Medalha Milagrosa continuou sendo distribuída para milhares de pessoas, em várias partes do mundo!

– A Medalha Milagrosa é um presente que Nossa Senhora quer que usemos no pescoço, bem perto do coração, não é padre? – disse, animada, Maria Vai Com As Outras.

– É sim, minha querida! Um presente especial de uma mãe que cuida de nós! Vocês se lembram de que Maria havia pedido ao padre Aladel que fundasse uma confraria?

– Eu me lembro, padre! A Confraria das Filhas de Maria! – disse Maria das Dores, toda prosa!

– Isso mesmo, minha filha! Pois bem, no dia 8 de dezembro de 1838, nasceu em Beaumé a Confraria das Filhas de Maria!

– E Catarina viu tudo isso acontecer, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Viu sim, minha querida! Somente na primavera de 1876, Catarina sentiu que sua hora de ir para o Céu estava próxima. No dia 31 de dezembro, num domingo, chegou o dia em que Catarina se encontraria com Jesus e com Maria! Viveria eternamente feliz! Antes, porém, Catarina ainda deixou um conselho: “A Santíssima Virgem está penalizada, porque não apreciam o tesouro que legou à comunidade na devoção à medalha milagrosa. Não sabem aproveitá-la devidamente. Mas está penalizada, sobretudo, porque não rezam o terço como convém rezá-lo. A Santíssima Virgem prometeu conceder graças particulares aos que rezassem na capela, principalmente um aumento de pureza de espírito, de coração e de vontade, que é o puro amor”. O último suspiro de Catarina foi doce e suave, no momento em que terminava de rezar a ladainha da Imaculada Conceição!

A madre superiora só ficou sabendo que Catarina tinha sido, por Maria, a escolhida para tão nobre missão, pouco tempo antes de sua morte.

– Catarina morreu feliz, não é padre? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Sim, minha filha. Muito feliz! Em 1933, o papa Pio XI beatificou Catarina! O corpo dela foi exumado por ordem do arcebispo. Para surpresa de todos, o corpo dela estava perfeitamente conservado, até os olhos dela estavam perfeitos! Então, o corpo de Catarina foi colocado num caixão de cristal, embaixo do altar das aparições.

– Então, quem visitar a igreja da Medalha Milagrosa, em Paris, poderá ver Catarina? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha querida. Todos nós podemos vê-la! Em 1947, depois de um processo de investigação das aparições, o papa Pio XII declarou Catarina como Santa. Então, minhas queridas, temos mais uma Santa no Céu, intercedendo por nós! Salve Santa Catarina Labouré! E eu tenho outra novidade que vocês vão gostar: em 1894, o papa Leão XIII aprovou a missa da festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa! E ela é celebrada em todo o mundo no dia 27 de novembro de cada ano! Portanto, todo ano, podemos festejar o dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa ou, como muitos preferem, o dia de Nossa Senhora das Graças!

– Oba, oba, oba! – festejaram as três Marias!

Terminada a história, o amável sacerdote abraçou cada uma das meninas, desejando que elas nutrissem uma amizade verdadeira com Maria Santíssima!

Mais um tempo se passou e pronto: as férias chegaram! A preocupação das três Marias não era com o banho de piscina, nem com o escorregar do alto do morro, sentadas em pedaços de papelão. O que ardia forte nos corações dessas três amigas era o desejo de encontrar a quarta Maria, a das Graças.

O dia da peregrinação chegou! Um grupo de romeiros se organizou e pôs-se a caminhar, ainda de madrugada, seguindo a luz das estrelas e da linda e gigante lua que brilhava no céu, aguardando o calor do nascer do sol!

Junto ao grupo, as três Marias caminhavam animadas, pensando no encontro que estava por vir. Todos cantavam canções de louvor a Deus e a Maria das Graças. Entre uma canção e outra, um comentário era feito. Alguém gritou:

– Vocês sabem por que Nossa Senhora das Graças está de braços abertos?

Outro alguém respondeu:

– Eu sei! Para nos acolher. Ela espera por nós!

Outro romeiro disse:

– Mas o que mais me emociona é contemplar os raios que saem dos dedos das mãos de Nossa Senhora das Graças!

Então, Maria-Sem-Vergonha, sem vergonha alguma, gritou lá do meio da multidão em peregrinação:

– E por que não saem raios de alguns anéis nos dedos das mãos de Maria das Graças?

Maria Vai Com As Outras sorriu, imaginando se mais alguém saberia a resposta!

– É mesmo! Por que só saem raios de alguns dedos? – curioso, perguntou mais um dos romeiros.

Maria das Dores não resistiu e dissipou a dúvida:

– Os raios são símbolos das graças que Maria derrama sobre nós e sobre toda a Terra! Os dedos, dos quais não saem graças, simbolizam as graças que Maria deseja nos ofertar, mas nós não as pedimos. 

Então, dona Ceci – uma romeira muito devota e amorosa –, com os olhos arregalados e o coração disparado, logo gritou:

– Maria das Graças deseja que peçamos a ela graças para nossas vidas?

Maria das Dores respondeu emocionada:

– É exatamente isso! Precisamos pedir com fé, esperança e amor, e Maria, que sempre guardou tudo no coração, vai guardar nossos pedidos também, vai apresentá-los a Jesus e vai nos ajudar a realizar o desejo mais lindo que Deus plantou em nossos corações.

CONTINUA EM 15 DE JANEIRO DE 2020

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

 

jan 01

ROSAS PARA MARIA – PARTE VI

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE VI -

O sacerdote prosseguiu:

– Catarina cultivava um desejo ardente de ver Maria, nossa mãe. Ela não queria vê-la apenas com os olhos do coração.

– Ela queria ver com os olhos da cara também, não é, padre? – perguntou, serelepe, Maria-Sem-Vergonha.

– Você é mesmo muito engraçada, minha filha! Mas é verdade, Catarina queria ver Nossa Senhora com os olhos do corpo! E ela fazia esse pedido em todas as suas orações, sem jamais se cansar. E o mais importante: ela tinha total confiança de que seu pedido se realizaria!

– E se realizou, padre? – questionou Maria das Dores.

– Tenha calma, minha filha. Ainda há muita história para contar. Quando Catarina tinha apenas doze anos de idade, ela já cuidava dos afazeres da casa. Seus dias eram bastante ocupados, mas ela sempre achava tempo para se dedicar às coisas de Deus! Nunca deixou de rezar e de ter atos bondosos. Catarina sempre visitava a igreja para conversar com Jesus e para pedir a Maria que conservasse a sua alma pura. Catarina fazia mais do que rezar, ela também achava tempo para visitar os doentes e socorrer os pobres em suas necessidades. Catarina tinha um grande chamado que ardia em seu coração!

– Um chamado, padre? Mas quem a chamava? – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Era o próprio Deus que a chamava, minha filha, mas Catarina não sabia como, nem onde deveria estar para responder ao chamado de Deus. Porém, certa noite, Catarina sonhou que estava rezando na capela de Fain-lés-Moutiers. Então, um padre lhe apareceu, estava paramentado para celebrar a Santa Missa. Ele parecia um santo. Terminada a missa, o tal padre fez sinal de que queria conversar com Catarina. 

– O que ele queria falar com ela, padre? – novamente, perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Vejam só, meninas, Catarina ficou com medo e tratou de sair da igreja, nem deixou o padre dizer o que queria. Ao sair da igreja, Catarina se dirigiu à casa de um doente para uma visita. E adivinhem só o que aconteceu?

– Eu já sei! O tal padre chegou lá também para visitar o mesmo doente! – disse Maria-Sem-Vergonha.

– Quase isso, minha querida! Na realidade, o padre misterioso já estava lá quando Catarina chegou. Com muita ternura, ele lhe disse: “Minha filha, é muito bom cuidar dos doentes; agora tu foges de mim, mas um dia tu me procurarás e ficarás feliz por encontrar-me. O bom Deus tem desígnios sobre ti, não te esqueças!”.

– O que são “desigui”, “desino”, desígnios, padre? – perguntou Maria das Dores.

– São propósitos, intenções, minha filha. O bom Deus tinha alguma intenção muito boa para a vida de Catarina.

– O que Deus queria com ela, padre? – curiosa, Maria Vai Com As Outras perguntou.

– Queridas, Catarina era muito simples. Aos dezoito anos, ainda não sabia ler, nem escrever. Vivia mesmo para cuidar da casa, rezar e fazer caridade. Certa vez, indo para a Casa das Filhas da Caridade, em Châtillon-sur-Seine – as meninas caíram na gargalhada com o nome –, Catarina viu uma fotografia na parede da sala de visitas. Era o tal padre que ela tinha visto no sonho. Uma das irmãs lhe explica: “É o nosso pai, São Vicente de Paulo”.  Esse santo homem, São Vicente de Paulo, junto com Santa Luísa de Marillac, fundou a Congregação Religiosa Católica Filhas da Caridade, na qual as irmãs vivem em comunidade, servindo aos pobres nos hospitais, nas escolas e onde mais eles precisarem. Nesse momento, Catarina compreendeu o desígnio de Deus para a vida dela: ela seria uma Filha da Caridade.

– Puxa, que legal, padre! Tomara que um dia eu sonhe com alguém me dizendo o que fazer também! – suspirou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Deus tem muitas formas de falar com cada filho. Na hora certa, você saberá o que fazer! 

– Catarina foi embora de casa para viver como uma irmã, padre? – questionou Maria das Dores.

– De imediato, as coisas não foram tão simples assim. O pai de Catarina não deixou a filha sair de casa e ir para um convento. Catarina sofreu muito. Depois de um tempo, refletindo melhor, o pai dela acabou aceitando, pois era uma vocação verdadeira. Então, finalmente, no dia 21 de abril de 1830, Catarina entrou no noviciado das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

– Ah, padre, quantos nomes engraçados! – sorridente, disse Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. É preciso fazer biquinho para falar francês!

As meninas caíram na gargalhada!

– Mas a história não terminou. Três dias depois da chegada de Catarina ao noviciado, ela pôde participar de uma grande solenidade: o corpo de São Vicente de Paulo foi transferido da capela onde estava para outra capela, a dos Padres da Missão. Dias depois, Catarina passou a ir, com frequência, rezar na capela de São Vicente. Quando voltava para a Rue du Bac – risinhos não puderam ser evitados –, ela parou um instante diante de um relicário. Nesse relicário, estava o coração de São Vicente. Por três dias, o coração de São Vicente apareceu para Catarina como uma imagem. Primeiro, ele apareceu branco, simbolizando a paz e a união. Depois, vermelho-fogo, simbolizando a caridade que deve arder nos corações das duas congregações de São Vicente de Paulo. Por último, apareceu preto, como sinal das desgraças que cairiam sobre a França.

– Puxa, padre! Um coração que muda de cor! Eu queria que o meu ficasse rosa, amarelo e verde! – falou Maria-Sem-Vergonha, olhando para o próprio peito.

– Um coração rosa ficaria mesmo muito bonito em você! – disse o padre, achando graça na descontração das crianças, sem que elas percebessem o real significado de cada mensagem.

– Catarina viu mais alguma coisa, padre? – quis saber Maria das Dores.

– Viu sim, minha doce criança. Catarina viu Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar, durante todo o seu noviciado. Ela só não via Jesus nas vezes em que duvidava. Ela não duvidava de que era mesmo a presença de Jesus, ela duvidava de si mesma, pois não se achava digna de ver Jesus. Essa dúvida, queridas crianças, não devemos ter em nossos corações, pois Jesus tem um amor grande por cada um de nós. Ele não fica medindo nossos pecados. Ele quer estar perto de todos nós.

– E Maria, a mãe de Jesus e nossa, Catarina viu também? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Minha querida, esse era o maior desejo de Catarina: ver Nossa Senhora! Ela continuava pedindo! Eis que na noite de 18 para 19 de julho de 1830, véspera do dia de São Vicente de Paulo, Catarina teve a felicidade de ver Nossa Senhora pela primeira vez. Catarina contou que haviam distribuído um pedaço da veste sacerdotal de São Vicente de Paulo para as irmãs. Catarina cortou a metade do pedaço que recebeu e o engoliu. Então, Catarina foi dormir, pedindo a São Vicente que lhe concedesse a graça de ver Nossa Senhora. Todas as irmãs estavam dormindo, mas, às 11 horas e 30 minutos, Catarina ouviu alguém a chamando: “Irmã! Irmã!”. Ela acordou logo e viu um menino com roupa branca, ele era menor do que vocês. Ele disse a ela: “Venha à capela: a Santíssima Virgem te espera!”. Catarina levantou rapidamente, botou uma roupa e seguiu o menino. Catarina notou que por onde eles passavam, as luzes estavam acesas. Chegando na capela, o menino mal tocou a porta, e ela já se abriu. As velas também estavam todas acesas!

O menino, então, conduziu Catarina para perto de uma cadeira, a cadeira de braços do sacerdote. Catarina se ajoelhou, o menino avisou: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina ouviu um barulho, como se fosse alguém se aproximando com um vestido de seda. Logo, viu uma senhora sentando-se na cadeira ao seu lado. Ela parecia não acreditar no que via. O menino repetiu: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina, emocionada, se jogou aos pés de Nossa Senhora e apoiou as mãos sobre seus joelhos.

– E Nossa Senhora, além de aparecer, também disse alguma coisa para Catarina, padre? – curiosa, questionou Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. Foi o momento mais doce da vida de Catarina. Ela nem conseguia dizer tudo o que sentia. Nossa Senhora aconselhou Catarina a como se conduzir com seu diretor espiritual e muitas outras coisas mais. Mostrando, à sua esquerda, os pés do altar, Nossa Senhora disse: “Minha filha, o bom Deus quer confiar-lhe uma missão. Você sofrerá, será contestada, mas receberá a graça. Não tenha medo... Venha aos pés desse altar. Ali, as graças jorrarão sobre todas as pessoas que mais pedirem com confiança e fervor. As graças serão concedidas aos grandes e pequenos”.

Muitas outras coisas foram reveladas mais tarde, nem tudo era bom. Algumas desgraças viriam para a França e para o mundo inteiro. Nossa Senhora se preocupava também com os abusos e relaxamento nas comunidades de sacerdotes e freiras vicentinas. Mas o consolo viria: Nossa Senhora prometeu, nas horas trágicas, dar sua proteção especial aos filhos e filhas de São Vicente de Paulo.

– Nossa, padre! Eu ficaria com muito medo! – disse Maria das Dores.

– Não, querida, não é preciso ter medo. Devemos vigiar e orar constantemente. Devemos estar sempre atentos aos sinais que Deus e Nossa Senhora nos dão.

– Mais alguém viu Nossa Senhora junto com Catarina, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha querida, mas Nossa Senhora mandou que Catarina fizesse um pedido ao seu confessor, o padre Aladel. Ela desejava que ele fundasse uma Confraria das Filhas de Maria.

– Puxa, que legal! Nós três somos Marias, podíamos participar dessa confraria, não é padre?

– Certamente, minhas crianças! Vocês levariam muita alegria para um convento!

– O que mais Nossa Senhora disse, padre? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Depois disso, Nossa Senhora desapareceu, e aquele menino de veste branca – o anjo da guarda de Catarina -, levou-a de volta ao quarto.

– Nossa Senhora nunca mais voltou, padre? – reiterou Maria Vai Com As Outras.

– Voltou sim, minha querida! A segunda aparição de Nossa Senhora aconteceu num sábado, no dia 27 de novembro de 1830, às 5 horas e 30 minutos daquela tarde. 

– E Catarina estava no quarto de novo, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha filha. Era um pouco cedo para ela se recolher. Dessa vez, Catarina estava na capela, fazendo suas orações. De repente, ela ouviu aquele mesmo barulho, como se alguém com uma veste de seda se aproximasse. Então, Nossa Senhora apareceu vestida de seda branca. Estava linda! Vestia um véu, também branco, descendo até a barra do vestido.

– Ela devia estar parecendo uma linda noiva! – disse Maria das Dores.

– Sim, minha filha! Os pés de Nossa Senhora estavam apoiados sobre a metade de um globo e esmagavam uma serpente! As mãos dela estavam erguidas na altura do peito e seguravam um globo de ouro, com uma cruz em cima. Ela olhava para o céu! De repente, o globo desapareceu de suas mãos. Então, suas mãos se abaixaram. Catarina logo percebeu que Nossa Senhora trazia, em seus dedos, anéis cobertos de belíssimas pedras, umas grandes, outras menores. Dessas pedras, saiam raios de um brilho intenso! Brilhavam tanto, que o brilho saía dos dedos das mãos e chegava até os pés de Nossa Senhora.

– A serpente não picou Nossa Senhora, padre? – nervosa, perguntou Maria das Dores.

– Não, minha querida. Nossa Senhora é mais forte do que a serpente! A serpente, na verdade, representa o mal. Mas Nossa Senhora, com sua bondade e doçura, é maior do que qualquer mal e está sempre nos defendendo, basta que peçamos a intercessão dela!

– E o globo, padre, é a Terra? Na escola, a professora já mostrou um globo pra gente, mostrou até onde fica o nosso país! – argumentou Maria Vai Com As Outras.

– Sim, minha querida. Nossa Senhora explicou isso para Catarina: “Este globo que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que mais pedem”.

– Então, só temos que pedir, padre? – perguntou, animada, Maria-Sem-Vergonha.

– É exatamente isso, minha querida! Nossa Senhora quer que peçamos graças para ela. Só precisamos pedir e acreditar. Nossa mãe amada quis mostrar para Catarina o quanto ela é generosa para com as pessoas que lhe pedem graças e o quanto ela se alegra em conceder tais graças!

– Eu vou fazer uma lista de coisas para pedir! – exclamou Maria das Dores.

– Mas pense bem no que vai pedir, minha filha! Bom, continuando, formou-se, então, um quadro de forma oval em torno de Nossa Senhora! Nesse quadro, estava uma frase em letras de ouro: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Então, Catarina ouviu uma voz que disse: “Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todas as pessoas que a trouxerem consigo, usando-a em torno do pescoço, receberão grandes graças. Elas serão abundantes para todos que a usarem com confiança”. Depois de alguns instantes, o quadro se virou. Na parte de trás do quadro oval, Catarina viu a letra “M” com uma cruz em cima e dois corações embaixo. O coração da esquerda estava cercado de espinhos. O coração da direita estava transpassado por uma espada. Cercando todos esses elementos, havia doze estrelas distribuídas em forma oval. E, assim, terminou a segunda visita de Nossa Senhora a Catarina.

– De quem são os dois corações que Nossa Senhora queria na medalha, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

CONTINUA EM 08 DE JANEIRO DE 2020

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 *Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

 

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