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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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fev 26

BUSCAI EM PRIMEIRO LUGAR O REINO DE DEUS E A SUA JUSTIÇA

PAULO DAHER

8º DOMINGO COMUM  - 26.02.2017 –

 *Por Monsenhor Paulo Daher - 

EM ISAÍAS, 49, 14-15, o profeta apresenta a queixa de alguém angustiado: “o Senhor abandonou-me, esqueceu-se de mim.” E Deus:” como u´a mãe não abandona seu filhinho, muito menos Eu.”

            Este profeta é de grande sensibilidade humana e religiosa. Os detalhes que usa quando se refere às qualidades ou feitos do futuro Messias merecem muita atenção e respeito. Faz-nos pensar muito. Parece até que descrições e afirmações dão a impressão de estar vendo já diante de si a figura do Messias e toda sua vida: realizações, milagres e sofrimentos.

            O autor sagrado faz observação sobre a situação de quem segue mais o que deseja, sem se orientar sobre o que é de fato melhor para si, e deixa de atender o que o Senhor pede para nós. E como resultado, porque se afasta de Deus, depois diz que se sente abandonado por Deus.

Parecemos eternas crianças que desobedecem seus pais, afastam-se de sua presença e depois se queixam de eles não o ajudarem.

            Cada manhã ao acordarmos parece que estamos começando o 1º. Dia da Criação. Assim a luz do início do dia abre a cortina do tempo como um convite para a vida. Nós nos encantamos com todas as surpresas que vão aparecendo. Parece que nos encaminhamos para uma longa viagem.

Gostamos de quem gosta de nós. Começamos a agradar para manter esses laços que nos trazem alegria. Mas depois de um tempo começamos a exigir sempre mais atenção. E aí amizade vai se tornando um peso, uma obrigação.

            O mesmo fazemos com Deus. E como Ele é generoso às vezes dá a impressão de que não se importa com nosso afastamento.

Lembrei-me do profeta Jonas da Bíblia. Deus mandou-o para uma missão. Ele pegou um navio e fugiu para outro lugar. Surgiu uma tempestade. E ele lançado ao mar foi engolido por um peixe sendo vomitado na praia  e depois seguiu para sua missão.   

            Quem se esconde ou foge de Deus está mais perto dele do que pensa. Igual a Adão e Eva no paraíso após o pecado e seu filho Caim.

Alguns também são levados a pensar em Deus quando veem um padre ou uma religiosa, mesmo que não procurem falar com eles. 

NA 1ª CARTA AOS CORÍNTIOS, 4, 1-5, o apóstolo afirma que os seguidores de Cristo sejam servidores de todos. Ele embora se esforce muito para ser fiel a Cristo, não se considera  o melhor.. Apoia-se no julgamento do Senhor.

Jesus quando começou seu trabalho nos últimos três anos de sua vida, percorria as estradas, as montanhas, da Galileia, da Samaria e da Judeia. Era seguido por uma multidão de gente. Mas logo de início escolheu alguns para acompanha-lo mais de perto e sempre.

            Seu poder era divino, mas sempre como na vida comum dos seres humanos, cada pessoa espera contar com a participação de outras. Assim quis Jesus. Na vida normal das pessoas: todos precisamos sempre conviver com outras pessoas e assim nos ajudamos mutuamente.

            Numa família a mãe ou o pai podem fazer muita coisa sozinhos e melhor. Se não contam com a participação de seus filhos, estes se tornarão pessoas sem iniciativas, sem decisões. Um pai ou uma mãe podem fazer algo perfeito 80% sozinhos e em menos tempo. Já com os filhos pequenos ou adolescentes o tempo vai ser maior e talvez não saia tão perfeito o trabalho. Mas com isso estão ensinando os filhos a crescerem e manifestarem sua personalidade na participação.

            O trabalho ou a participação de várias pessoas muitas vezes tem efeito mais rico por aprenderem a conviver com os outros e a aceitar participação de outros mesmo de maneira diferente.

            Além da participação de várias pessoas para realizarem algo em comum, alguns aprenderão o que não sabiam, outros experimentarão trabalhar com pessoas diferentes e às vezes até antipáticas, e ainda alguns vão ter paciência para acompanhar o ritmo do outro. E se pudermos acrescentar mais uma: seria aceitar o fracasso de todos juntos quando não conseguiram o que pretendiam.

            Neste último caso aprende-se a humildade para aceitar o resultado.

            No esporte o time que vence não se torna vencedor só com os que conseguiram mais pontos. A perda como a vitória é de todos porque unidos buscaram realizar o melhor de si. 

EM  MATEUS, 6, 24-34,  vocês não podem servir a dois senhores: a Deus e ao dinheiro. Não se preocupem com a comida, nem com a roupa. A vida vale mais. Olhem como vivem os pássaros. O Pai dos céus é que os alimenta. E vocês valem mais que eles. Busquem antes o reino de Deus e todo o mais lhes será dado. Basta a cada dia sua preocupação.

            Muita coisa em nossa vida é condição “material” para nossa sobrevivência, mas pode e  deve ser controlada. Nossas capacidades favorecem o desenvolvimento de nossa pessoa e muitas vezes de nossos bens temporais e passageiros. Mas tudo tem sua graduação, e exigências diferentes.

            Como já refletimos: tudo em a natureza, principalmente dos seres vivos, quando segue o caminho normal consegue atingir sua finalidade. Qualquer desvio  afasta os efeitos desejados.

O dinheiro ou os bens materiais fruto de  trabalho honesto ajudam-nos a manter nossa alimentação, nossa saúde, nossa moradia, o próprio trabalho, enfim uma vida digna.

            Tanto bens em falta como em demasia descontrolam nosso viver.

            Quando os bens materiais tomam conta de nossa vida ou são razão de nosso viver, eles nos perturbam: apegamo-nos a eles como se fossem razão de nossa vida. Tudo vai girando em torno do dinheiro, do valor material das coisas. Por causa deles muitas vezes ferimos os outros.

            Se nossa felicidade consistir em bens materiais, ela mostra sua fragilidade porque podemos perde-los em pouco tempo, podem ser roubados, pois atraem outros ambiciosos. Seremos capazes de fazer os outros sofrerem para não perder o que temos. Escravizamos os que nos ajudam a manter nossos bens.

            A orientação para utilizar melhor os bens materiais, seja para conseguir o que nos é necessário, é obtê-los por trabalho honesto e sempre confiar em Deus, seja para ter os bens de que precisamos seja para que os utilizemos da melhor maneira possível. E para de modo especial ajudar os que passam necessidade ou precisam de ajuda.

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*Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da  Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.
 

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