«

»

abr 29

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – PARTE III (VD4)

PARAÍSO TERRESTRE - 2020ASSISTA O VÍDEO DESTE CONTEÚDO NO NOSSO CANAL NO YOUTUBE, CLICANDO EM: https://youtu.be/FCklto8ovV0

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – GÊNESIS 1, 3 –

PARTE III –

*Por L. A. de Moura – 

O tema de hoje envolve o Capítulo 3, do Livro do Gênesis. Mas, antes, vamos nos reportar ao Capítulo anterior (2) quando é narrado que, Deus “tinha plantado, desde o princípio, um paraíso de delícias, no qual pôs o homem que tinha formado” (Gn 2, 8). Neste jardim, conforme a narrativa, “Deus tinha produzido da terra toda a casta de árvores formosas à vista, e de frutos doces para comer”.

No centro deste jardim, no meio dele, a árvore da vida, e a árvore da ciência do bem e do mal, da qual o homem é proibido pelo Senhor, de comer do fruto, sob o aviso de que “no dia em que dela comeres certamente morrerás”.

Bem, conforme já havíamos falado desde o início, nosso intento não é fazer uma interpretação sistemática da Bíblia, mas, apenas, e, tão somente, abrir algumas brechas para facilitarem a sua compreensão acerca dos três tópicos que viemos falando desde o nosso primeiro contato, com ênfase, aqui, para a MENSAGEM a ser extraída do Capítulo sob comento.

Rapidamente, é preciso chamar a atenção do leitor e da leitora para o zelo de Deus, o cuidado, para com o ser humano que acabara de ser criado. A Palavra afirma que Deus “desde o princípio”, plantou um jardim de delícias, onde são colocados os nossos primeiros pais. Um Deus Criador e zeloso. Mas, também, exigente: proíbe que seja comido o fruto da árvore da ciência do bem e do mal.

O Capítulo 3 inicia traçando um “perfil” da serpente, onde é descrita como “o mais astuto de todos os animais” criados por Deus. Aqui merece destaque a simbologia e a mítica que a serpente representava no contexto dos povos pagãos, especialmente, da Mesopotâmia, da Pérsia e do Egito, como sendo uma figura “demoníaca”. No contexto do Gênesis, ela é apresentada como hostil, adversa a Deus e, por fim, revela-se altamente inimiga do ser humano.

Deus cria o ser humano, coloca-o em um “paraíso de delícias”, concede-lhe o domínio sobre todas as demais criaturas, permite-lhe que coma de todos os frutos ali produzidos, menos daquele da árvore do conhecimento do bem e do mal. Vemos, então, que, desde o princípio, o ser humano recebe do Criador todas as condições necessárias para uma existência plena, saudável e duradoura. No entanto, existem limites.

É justamente o limite imposto por Deus, que leva a serpente a mostrar ao ser humano, que não precisa ser respeitado. Aliás, que deve ser mesmo ultrapassado, a fim de que se torne como Deus, conhecedor do bem e do mal, capaz de decidir por si próprio os caminhos que quer tomar, escolhendo entre o bom e o mau.

Relativamente ao fruto daquela árvore, Deus afirma: “No dia em que dele comeres certamente morrerás”. A serpente declara justamente o oposto: “Certamente que não morrereis”. E, então, ela esclarece à mulher o motivo da proibição: “Deus sabe que, no dia em que dele (o fruto) comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal” (Gn 3, 5).

Aqui nós podemos identificar um contraponto entre a ordem divina, que revela a consequência para a transgressão, e uma justificativa dada por quem se opõe frontalmente ao Criador. Como é fácil verificar, nossos primeiros pais cedem às palavras da serpente e desobedecem a ordem divina. Bem, este ato entrou para a história como “o pecado original” que, indubitavelmente, manchou toda a raça humana.

Deus, no entanto, e apesar de ter expulsado o ser humano do paraíso, o homem e a mulher, cuida de tecer túnicas de pele para vesti-los, não permitindo que saíssem absolutamente nus, rumo ao mundo exterior totalmente desconhecido por Adão e Eva. Este mundo exterior, no qual a mulher encontrará as dores do parto, os sofrimentos e a submissão ao marido, e o homem terá que trabalhar pesado para sustentar-se a si e aos seus, é, também, um mundo cheio de armadilhas, de perigos e, como se verá, de violência, de ambição, de ódio, de guerras e, fatalmente, de morte.

A desobediência a Deus, coisa que o mundo contemporâneo tanto relativiza, tem consequências gravíssimas. Assim como não foi no paraíso, não o é nos dias de hoje, caso de castigo divino, mas, simples consequência pelos atos praticados pelos seres humanos.

Apesar de tudo, Deus pune, sim, a serpente, pondo inimizade entre a linhagem dela (o descaminho, a mentira e a morte) e a linhagem da mulher, de onde, um dia, virá o Salvador (o caminho, a verdade e a vida). Hoje sabemos e temos consciência de que, só com o fato da Ressurreição de Jesus é que o ser humano retoma possibilidade de retorno ao paraíso. E aqui, aproveito para sugerir a leitura do Livro “Paraíso Terrestre – Saudade ou esperança?” do Frei Carlos Mesters, cuja leitura é ardentemente repleta de excelentes explicações.

Você, no entanto, pode estar se perguntando: Por que a proibição de Deus é restrita à árvore da ciência do bem e do mal, e não, à árvore da vida e, no final, Deus os expulsa do paraíso justamente para não comerem dela também?

Porque antes da transgressão da ordem divina o ser humano não conhecia a morte. Não estava condenado a ela. No entanto, após colocar-se, com o seu ato, passível de morte, poderia ser tentado, também, a comer do fruto da outra árvore. Por esta razão o Senhor, em aparente conversa com a Corte Celeste, declara: “Eis que o ser humano já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre” (Gn 3, 22).

De tudo o que pudemos ver neste Capítulo terceiro, parece ter ficado bastante claro que, em meio a toda uma simbologia descrita pelas figuras míticas  utilizadas, a MENSAGEM transmitida pelo autor sagrado é, acima de tudo, a do cuidado do Criador para com a sua Criatura, a do incentivo à obediência, a da evidência das consequências da transgressão aos mandamentos e ensinamentos de Deus, a da presença constante de Deus na nossa vida, apesar das nossas continuadas transgressões, sempre a nos consolar e nos “vestir” e revestir com tudo o que nos é essencial para a vida e, por fim, sempre a esperança. Uma esperança que caminha conosco até o última dia da nossa existência. Leia com atenção, se ainda não leu, o Capítulo 3 do Livro do Gênesis, reflita e prossiga no estudo da Palavra de Deus. Não é tão difícil quanto você imaginava. Em breve daremos prosseguimento, com a litura do Capítulo 4. Sugiro que leia atentamente. Seja feliz, e mantenha a fé!

PARAÍSO TERRESTRE __________________________________________________________

*L. A. de Moura é Estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Apoio: