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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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out 03

DE DEUS PARA DEUS, SEM ABDICAR DA LIBERDADE PARA PENSAR

DEUS COMO PONTO DE PARTIDA

DEUS COMO PONTO DE PARTIDA E DE CHEGADA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Por mais que devamos prestigiar, e até mesmo fazer valer, a liberdade que temos e o livre arbítrio com o qual somos premiados, não podemos esquecer que estas pérolas, para os crentes, não excluem, de forma alguma, a existência,  a presença e a ação de Deus, na origem e na extensão da nossa caminhada, após esta peregrinação, chamada vida.

Obviamente que este entendimento, conforme destacado, pertence somente aos crentes, não, aos defensores do ateísmo, para os quais a vida começa por acaso e termina com o ocaso, sem maiores consequências, bastando viver intensamente o tempo propiciado, sendo bom ou mal, conforme a aptidão natural de cada um e de acordo com as inclinações adquiridas por meio do contato com o mundo. Depois? Depois, é o fim absoluto. Nada mais.

Entretanto, não é assim que os crentes, professores das mais diversas crenças e tendências espirituais e espiritualistas, pensam e vivem. Cada um a seu modo, crê na existência, tanto de uma origem, como de um destino final, totalmente vinculados à divindade que, de acordo com a crença e com a tradição, recebe nomes distintos.

A crença em uma divindade, seja Deus, Allah, Brahma, Krishna, ou tenha o nome que tiver, não pode servir como agente inibidor para o exercício do livre pensar e do livre agir. A crença, na melhor das hipóteses, deve funcionar, apenas, e tão somente, como instrumento regulador dos atos praticados por nós, seres humanos, na relação de uns para com os outros e, de todos, para com a natureza, mãe acolhedora e mantenedora de todos os seres vivos.

É absolutamente imprescindível, e esta parece ser a vontade de Deus, para a permanente evolução de toda a Criação, que o ser humano não abra mão do direito de pensar, de raciocinar, de questionar, de contestar e, principalmente, de criar e de apresentar sempre, sempre, novos caminhos, novas propostas e novas possibilidades para a vida e para a sobrevivência de todas as espécies. Pensar, contestar e discordar, jamais deve ser tomado como ato de rebeldia, mas, e, sobretudo, como fórmula divina para o aperfeiçoamento da espécie humana, que detém este monopólio sobre todas as demais espécies.

Desta forma, precisamos envidar todos os esforços para não abandonarmos a prática do pensar e do repensar, do criticar e do contestar, em favor da crença cega em discursos cujas origens são, por demais, duvidosas e do seguimento a certos líderes que, de volta e meia, aparecem por aí, com indumentárias e adereços, até mentais, dizendo-se enviados “de cima” para conduzir a humanidade. Para os crentes, é preciso recordar, inclusive, ser esta a forma prevista para o surgimento de todos os anticristos, tanto os que já passaram por aqui, como os que ainda estão e os que ainda virão. Sempre surgem como salvadores de uma pátria na qual, em muitos casos, nem eles mesmos querem viver (estamos cheios destes exemplos). Chegam com as soluções prontas e com palavras muito bem medidas, antes de serem pronunciadas. Tudo, para o arrebatamento de multidões que, infelizmente, creditam a eles todas as possibilidades de vitória.

Ainda que citando Escrituras e Livros Sagrados, estes “líderes” – do menor ao maior – devem ser ouvidos com muito cuidado e tudo o que eles dizem deve ser objeto de pesquisa e de investigação por parte de todos nós, seres humanos, dotados de razão, de inteligência e do tão alardeado livre arbítrio.

Entretanto, é preciso ter em mente, os que creem, evidentemente, que Deus é o nosso porto de partida e o porto para o qual estamos destinados na finitude da matéria humana. Dele viemos e para ele voltaremos, nem que seja para o certeiro ajuste de contas sem, no entanto, termos que abrir mão da nossa liberdade e do livre arbítrio com o qual Ele próprio dotou cada um de nós.

Estudar, pesquisar, contestar e investigar sobre tudo o que ouvimos, de modo algum, ofende o Criador. Pelo contrário, é Seu desejo que o ser humano alcance a plenitude do conhecimento. Não, porém, por intermédio de quem não sabe verdadeiramente o que diz. Mas, por meio do trabalho conjunto voltado para o livre pensar, expressar e agir, a partir de onde e de quando, recebemos dados sempre atualizados para a formação daquilo que podemos denominar como patrimônio intelectual que, acredite, não nos pertence, mas, a todos os seres vivos, inclusive, à ameba!

É bem verdade, que no nosso meio existem homens e mulheres talhados na longa experiência laboratorial da vida. Pessoas nas quais, já nas primeiras palavras, é possível identificar a sabedoria com que são dotadas. Porém, nem por isto, afastam, automaticamente, a nossa reflexão e o nosso procedimento investigativo, até para irmos um pouco mais além do que elas próprias. O desejo de um autêntico e verdadeiro mestre é ver seus discípulos irem além de tudo o que ele ensina. Não, evidentemente, do jeito que vemos por aí. Pessoas estéreis e, ao mesmo tempo, reprodutoras de palavras e de conhecimentos alheios, muitos dos quais absolutamente vazios de conteúdo e de fundamentos.

A propósito, nunca é demais lembrar o Mestre Jesus: “o que crê em mim, fará também as obras que eu faço e fará outras ainda maiores” (Jo 14, 12). Crendo, orando, pensando, investigando e agindo, somos muito mais do que simples descendentes do macaco, ou mera decorrência da evolução da ameba.

Para o que creem, é bom sempre repetir, Deus, quando da Criação, deixou para o ser humano a tarefa de levá-la adiante, expandindo-a e aperfeiçoando-a de forma ilimitada. E Ele espera que façamos a nossa parte! Não, que fiquemos dando razão uns aos outros, ou tirando-a uns dos outros, em nome de “pensadores” arcaicos e aproveitadores. Deus espera que lutemos, sempre em prol da vida. Não, como muitos têm lutado, em favor da morte, das mais diversas formas, com as mais diversificadas armas e com as mais primitivas justificativas.

Lendo este texto, não deposite nele nenhuma crença ou confiança, até que a sua própria inteligência te mostre algum indício de luz. E se, com a sua inteligência, reflexão, investigação e pesquisa, você detectar algum indício de luz, transforme-o em uma verdadeira central elétrica, com energia e potência capazes de energizar e de iluminar, pelo menos, o seu caminho de volta para Deus. Já terá sido muito. Lembre-se sempre do dito popular que diz que, “Para aquele que sabe, de um simples limão sai uma boa limonada”. Seja feliz, e boa sorte.

NAMASTÊ - NOVO _____________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

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