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ago 11

DOCUMENTOS DA IGREJA: É BOM CONHECÊ-LOS

DOCUMENTOS DA IGREJADOCUMENTOS DA IGREJA: CARTA ENCÍCLICA MATER ET MAGISTRA – PARTE I –

Vamos iniciar nosso trabalho de divulgação das diversas Encíclicas, bem como de outros documentos da Igreja Católica Romana. São, ao final, documentos de enorme relevância para a evangelização, visando, ainda, a harmonia, a paz social e o crescimento espiritual de todos os cristãos, de um modo geral, e dos católicos em particular.

É verdade que ao longo desses tantos séculos de caminhada, a Igreja editou inúmeros documentos, encíclicas, cartas pastorais, bulas etc. Por esta razão, não vamos nos ater a qualquer ordem cronológica, apenas, vamos editando, de forma integral ou parcial, conforme o caso, os documentos mais incisivos e que maior influência possam ter tido na vida dos cristãos e dos católicos.

Inicialmente, vamos tratar da Encíclica Mater et Magistra, publicada em 15 de maio de 1961 pelo Papa João XXIII.

Mãe e Mestra, esta foi a exata visão que Sua Santidade teve a respeito da Igreja. Em maio de 1961 a Igreja já se encontrava em pleno processo de gestação de um dos maiores e mais importantes concílios ecumênicos da sua história – o Concílio Vaticano II. Isso porque, em 17 de maio de 1959 o Papa João XXIII constituiu a comissão que presidiria o trabalho antepreparatório do concílio, cuja abertura solene já estava designada para 11 de outubro de 1962. Naquele dia, Sua Santidade, dirigindo-se à Igreja Romana, ao clero e ao mundo, disse:

“Veneráveis irmãos,

A Igreja, mãe de todos nós, muito se alegra neste dia tão desejado, em que se iniciam solenemente os trabalhos do Concílio Ecumênico, aqui reunido, por dom especial da Providência divina, junto ao sepulcro de Pedro e sob os auspícios da Virgem Mãe de Deus, de cuja maternidade divina celebramos hoje a festa”

Foi com esse espírito, e já antevendo o contexto conciliar que já estava em curso, que o Papa fez publicar a Encíclica Mater et Magistra, a 15 de maio de 1961. Trata-se de uma Carta longa, porém, de gigantesca importância para a Igreja, por meio da qual Sua Santidade evoca para a Santa Madre Igreja a condição de acolhedora de todos os homens e, ao mesmo tempo, de promotora da paz social à luz dos ensinamentos de Jesus com a finalidade de encaminhar a humanidade na direção da unidade e da constante busca da vida em toda a sua plenitude. Abaixo seguem alguns trechos característicos dessa visão, e de outros tantos que podem contribuir para o interesse dos leitores e aprofundarem-se na leitura integral desta magistral encíclica. In verbis:

“MATER ET MAGISTRA

Aos veneráveis irmãos patriarcas, primazes, arcebispos, bispos e outros ordinários do lugar em paz e comunhão com a Sé Apostólica, bem como a todo o clero e fiéis do orbe católico. Introdução

1. Mãe e mestra de todos os povos, a Igreja Universal foi fundada por Jesus Cristo, a fim de que todos, vindo no seu seio e no seu amor, através dos séculos, encontrem plenitude de vida mais elevada e penhor seguro de salvação. A esta Igreja, “coluna e fundamento da verdade” (cf. lTm 3,15), o seu Fundador santíssimo confiou uma dupla missão: de gerar filhos, e de os educar e dirigir, orientando, com solicitude materna, a vida dos indivíduos e dos povos, cuja alta dignidade ela sempre desveladamente respeitou e defendeu.

2. O cristianismo é, de fato, a realidade da união da terra com o céu, uma vez que assume o homem, na sua realidade concreta de espírito e matéria, inteligência e vontade, e o convida a elevar o pensamento, das condições mutáveis da vida terrena, até às alturas da vida eterna, onde gozará sem limites da plenitude da felicidade e da paz.

3. De modo que a Santa Igreja, apesar de ter como principal missão a de santificar as almas e de as fazer participar dos bens da ordem sobrenatural, não deixa de preocupar-se ao mesmo tempo com as exigências da vida cotidiana dos homens, não só no que diz respeito ao sustento e às condições de vida, mas também no que se refere à prosperidade e à civilização em seus múliplos aspectos, dentro do condicionalismo das várias épocas.

4. Ao realizar tudo isto, a Santa Igreja põe em prática o mandamento de Cristo, seu Fundador, que se refere sobretudo à salvação eterna do homem, quando diz: ‘Eu ou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12); mas noutro passo, ao contemplar a multidão faminta, exclamou, num lamento sentido: ‘Tenho pena de toda esta gente” (Mc 8,2); manifestando, assim, como se preocupa também com as exigências materiais dos povos. E não foi só com palavras que o Divino Redentor demonstrou esse cuidado: provou-o igualmente com os exemplos da sua vida, multiplicando, várias vezes, por milagres, o pão que havia de saciar a fome a multidão que o seguia.

5. E com este pão, dado para alimentar o corpo, quis anunciar e significar aquele pão celestial das almas, que ia deixar aos homens na véspera da sua Paixão.

6. Não é, pois, para admirar, que a Igreja católica, à imitação de Cristo e em cumprimento das suas disposições, tenha mantido sempre bem alto, através de dois mil anos, isto é, desde a instituição dos antigos diáconos, até aos nossos tempos, o facho da caridade, não menos com preceitos do que com os numerosos exemplos que vem proporcionando. Caridade, que ao conjugar harmoniosamente os mandamentos do amor mútuo com a prática dos mesmos, realiza de modo admirável as exigências desta dupla doação que em si resume a doutrina e a ação ciai da Igreja.

7. Documento verdadeiramente insigne desta doutrina e desta ação desenvolvida pela Igreja ao longo dos séculos, deve considerar-se a imortal encíclica Rerum Novarum, que o nosso predecessor de feliz memória, Leão XIII, há setenta anos promulgou para formular os princípios que haviam de resolver cristãmente a questão operária.

8. Poucas vezes a palavra de um papa teve ressonância tão universal, pela profundeza e vastidão da matéria tratada, bem como pelo vigor incisivo da expressão. A linha de rumo ali apontada e as advertências feitas revestiram-se de tal importância, que nunca poderão cair no esquecimento. Foi aberto um caminho novo à ação da Igreja. O Pastor supremo, fazendo próprios os sofrimentos, as queixas e as aspirações dos humildes e dos oprimidos, uma vez mais se ergueu como defensor dos seus direitos.

9. E hoje, apesar de ter passado tanto tempo, ainda se mantém real a eficácia dessa mensagem, não só nos documentos dos papas sucessores de Leão XIII, os quais, quando ensinam em matéria social, continuamente se referem à encíclica leonina, ora para nela se inspirarem, ora para esclarecerem o seu alcance, e sempre para estimular a ação dos católicos; mas até na organização mesma dos povos. Tudo isso mostra como os sólidos princípios, as diretrizes históricas e as paternais advertências contidas na magistral encíclica do nosso predecessor conservam ainda hoje o seu valor e sugerem, mesmo, critérios novos e vitais, para os homens poderem avaliar o conteúdo e as proporções da questão social, tal como hoje se apresenta, e decidir-se a assumir as responsabilidades daí resultantes.”

Em breve daremos início à publicação de diversas partes da Encíclica em questão, com a finalidade, repetimos, de incentivar todos os cristãos, e de modo particular todos os católicos, no aprofundamento da leitura do texto integral, eis que trata-se, como dissemos no início, de documento de enorme importância para todos os fieis seguidores de Jesus Cristo, além de conter forte apelo de conversão.

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(Fonte da Encíclica: Documentos de João XXIII – São Paulo. Paulus. 1998. 391 p.)

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