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fev 01

EDITH STEIN: UMA VIDA INTEIRAMENTE DEDICADA A DEUS E AO PRÓXIMO

EDITH STEIN

EDITH STEIN: UMA HISTÓRIA FASCINANTE –

Recentemente, em outubro de 2019, o Padre Luís Carlos de Carvalho Silva publicou pela Editora Artesã, o livro “Edith Stein – João da Cruz –" trazendo a público uma enorme contribuição acerca da pessoa, da obra, da vida, da luta e do sacrifício pessoal daquela que, nascida no Dia do Perdão e da Reconciliação – Yom Kipur – atuou como “feminista, educadora, escritora, filósofa, tradutora, amante da vida espiritual, judia e católica romana”[1].

É imprescindível que os cristãos de hoje, tão desabituados com o sacrifício e tão arredios à vida integralmente dedicada a Deus e ao próximo, tomem conhecimento sobre um pouco de tudo o que foi, viveu, sofreu, representou e deixou de herança espiritual aquela que, nascida judia, dedicou-se à filosofia, especializando em fenomenologia, pediu o batismo na Igreja Católica (aos 31 anos de idade), contrariamente aos anseios maternos, fez a primeira comunhão, entrou para o convento e, por fim, perdeu (ganhou) a própria vida no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau (em 1942).

Não pretendemos, aqui, reproduzir, de forma integral, a obra do Padre Luís Carlos, porém, vamos publicar alguns trechos muito importantes da vida, da obra e da doação desta que é considerada, na galeria dos santos judeus, uma das maiores de todos os tempos: Edith Stein, nas palavras do Padre Luís Carlos:

“Edith Stein é judia de nascimento e morre como cristã no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Na vida de Stein encontram-se várias razões, além do fato de ser judia, para que o sistema nazista a condenasse à morte. Em meio ao universo político do entreguerras, Edith Stein lecionava filosofia na Alemanha e proferia conferências nos países circunvizinhos, tratando dos seguintes temas: na área pedagógica sobre a estrutura do ser humano; na área social sobre o papel da mulher na sociedade; e na área religiosa sobre a atuação do leigo na Igreja Católica. Assim, ia suscitando nas pessoas a responsabilidade pela construção de uma sociedade igualitária. A sua presença no campo social era rejeitada inicialmente por ser mulher, não lhe permitindo conquistar uma cátedra nas universidades; no campo político, a atuação de Stein entrava em choque com o programa político do Nacional Socialismo; no campo religio­so, o judaísmo e o cristianismo unidos configuravam a maior barreira para a expansão ideológica do nazismo. Todos esses elementos se tornaram a razão de o governo nazista eliminar Stein da face da terra.

Educada na religião judaica, Edith Stein vive na adolescência uma crise que a faz se tornar indiferente à religião. Em busca de sentido para a vida, a jovem embrenha-se nos estudos de filosofia c especializa-se em fenomenologia, na escola de Edmund Husserl. Por meio da fenomenologia, Stein passa a valorizar a religião, e nos estudos sobre os fenômenos que se deram na vida de Santa Teresa de Ávila, a jovem filósofa cria empatia com a santa, encontrando por meio dela a verdade tão procurada: Jesus Cristo!

No seguimento de Cristo, Stein pede o batismo e nutre o desejo de se consagrar a Deus, como religiosa. Vontade essa que só será concretizada doze anos mais tarde. No Carmelo, abraçando o nome de Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein será solicitada pelo Provincial dos Carmelitas Descalços a elaborar um estudo sobre São João da Cruz, para se comemorar os 400 anos de seu nascimento.

Com o coração sensibilizado por escrever sobre o Reformador da Ordem Carmelita, Stein traz a lume a obra A ciência da cruz, que aborda a fenomenologia da Cruz e da Noite. A Cruz, enquanto evento salvífico, e a Noite, como caminho, são elementos para que o ser humano chegue à união com Deus. Essa obra retrata a vida de João da Cruz, mas também reflete o estado de alma da autora, como que sintetizando a sua vida de cruz em meio às trevas do nazismo que mergulhava a sociedade europeia no caos.

1.1 Trajetória pessoal de Edith Stein

Waltraud Herbstrith[2], carmelita alemã, é considerada a melhor biógra­fa de Edith Stein e publicou a biografia da santa em 1971, bem antes de sua canonização pela Igreja Católica Romana. O seu texto baseia-se nos próprios escritos de Stein, na biografia escrita pela Irmã Teresa Renata do Espírito San­to e nas recordações de seus contemporâneos. Uma edição foi traduzida mais tarde para o inglês em 1985. Na biografia de W. Herbstrith, a vida de Edith Stein é polissêmica: feminista, educadora, escritora, filósofa, tradutora, amante da vida espiritual, judia e católica romana. W. Herbstrith conta uma história equilibrada, por conta de seu texto não ter sido influenciado pelas controvérsias que se seguiram por ocasião da canonização de Stein.

Por meio dos dados históricos oferecidos por Herbstrith sobre Edith Stein e também da autobiografia da grande carmelita, faz-se necessário citar alguns fatos marcantes de sua trajetória pessoal, com o objetivo de se conhecer mais de perto as influências recebidas e a postura assumida por ela diante do mundo perplexo do entreguerras.

O fato de Edith Stein ter nascido no Dia do Perdão e da Reconciliação para os judeus fez com que ela se sentisse especial, principalmente pela ênfase que sua mãe colocava sobre a coincidência de seu nascimento ter ocorrido no dia mais sagrado do judaísmo. O dia do Yom Kipur é o mais solene de todos os dias santos judaicos, porque nessa data o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, levando consigo os sacrifícios a serem oferecidos em expiação por si e por todas as pessoas. A Sra. Augusta Stein educou os seus filhos 11a rigidez da religião hebraica, pois era fiel observante da Lei de Moisés e incutiu desde cedo, no coração da filha caçula, o amor pela Palavra de Deus e o apego forte e corajoso ao povo hebraico que vivia o seu “êxodo sofrido fora da terra pro­metida”. Como filha mais nova, cabia a Edith Stein fazer, no seder da Páscoa, a série de perguntas rituais sobre o sentido da ceia. No entanto, era estranha para Edith Stein a constatação de que a piedade religiosa de seus pais não fora acompanhada pelos irmãos mais velhos. Para esses, tudo não passava de um cumprimento de obrigações, sem uma fé viva correspondente. E bem provável que a falta do sentido religioso dos irmãos, juntamente com as amizades que fez na adolescência com famílias judias não praticantes, somado ao seu espírito altamente crítico tenham sido, em parte, responsáveis pela crise de fé que a acometeu na juventude.”[3]

CONTINUA EM BREVE

______________________________________________________________________ [1] CARVALHO SILVA, Luís Carlos de – EDITH STEIN – JOÃO DA CRUZ (Teologia & Sociedade). Belo Horizonte. Artesão: 2019. 408 páginas.

[2] Waltraud Herbstrith, filóloga e teóloga, é urna pesquisadora de Edith Stein. Escreveu vários livros sobre a grande carmelita e construiu um extenso arquivo contendo as publicações de Stein e, também, obras sobre a sua vida e pensamento. Ainda conseguiu outros materiais, como imagens, filmes e roupas que ela teria usado. Disponível em: http://www.tagblatt.de/Home/nachrichten/tuebingen_artikel,-Das-Tuebinger-Karmel-Kloster-wird-aufgeloest-_arid,143219.html. Acesso em: 26 ago. 2011.

[3] Op. Cit. Págs. 19-21.

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