«

»

nov 09

EDITORIAL DA SEMANA: A ÉTICA COMO PONTO DE PARTIDA

VIDA ÉTICA

A ÉTICA COMO PONTO DE PARTIDA PARA VIVER E CONVIVER BEM

*Por L. A. de Moura –

Estamos fazendo, juntos, uma longa caminhada. Nosso objetivo é, como já o definimos desde o início, buscar uma vida mais bem vivida. Uma vida que nos permita não apenas viver, mas, e, sobretudo, conviver e sobreviver de modo longevo, harmônico, completo e, na medida do possível, feliz.

Para isto, você vai recordar, é preciso coragem para fazermos a viagem interior e, uma vez feita, mais coragem ainda, para implementar todas as transformações necessárias. Vencidos os primeiros desafios, decorrentes desta viagem interior, surgem os desafios da vida em comunidade ou em sociedade. Aí, terminamos por concluir que o obstáculo primeiro é a convivência com os demais membros deste grupamento humano, seja ele o simples e humilde cenário familiar, seja, n’outra direção, o ambiente de negócios, de trabalho ou de estudo, político, social, profissional ou qualquer outro.

Para dar início aos trabalhos de enfrentamento dos tais desafios, decidimos pela necessidade de observarmos determinados atributos, extremamente necessários para uma melhor e mais produtiva vida e convivência. Elegemos, por primeiro, o proceder ético como fio condutor do nosso posicionamento e do nosso caminhar diante e junto dos demais seres criados.

Bem, pode parecer que não, mas, na verdade, a conduta ética tem tudo a ver com a convivência saudável que todos nós almejamos. Uma convivência na qual possamos desfrutar de uma boa dose de paz, de harmonia, de avanços e de alegrias. Não vamos, aqui, nos prender a definições científicas ou mesmo filosóficas, para levar até você o básico, o essencial e o fundamental. Ética, em palavras bem simples, é a observância de determinados modos de agir, ou de não agir, que, de forma inteligente e compartilhada, possibilita que todos vivamos juntos, sem maiores atritos, confrontos ou conflitos. Bem, você questionará, o que isto significa na prática? Na prática, eu respondo, é uma vida de convivências, cujo motor de arranque é o respeito. Preciso respeitar os outros? Em tudo? Serei empregado de todos? É mais ou menos por aí.

Uma sociedade minimamente organizada, leia-se civilizada, é uma sociedade construída sob bases legais e normativas. As leis, você sabe, é o resultado daquele bloco de ordenações que os legisladores aprovam, com a finalidade de regular a vida em sociedade. As normas, diferentemente, podem ser elaboradas por nós, por todos nós, em conjunto uns com os outros, atendendo aos interesses mútuos, cujo objetivo é facilitar justamente a... convivência. Assim ocorre em família, no condomínio, nos grupos de estudo, pesquisa ou trabalho. Enfim, aonde quer que existam seres vivos.

Quando eu falo em seres vivos, você poderia questionar, os animais também? Sim. A natureza também? Sim. Estes seres, embora não possam manifestar suas vontades, dependem do nosso correto agir, para que possam sobreviver ao holocausto que podemos lhes causar com nossas práticas danosas.

É preciso que nós, que todos nós, estabeleçamos as bases sobre as quais iremos conviver juntos, a fim de que nossos interesses e necessidades individuais possam ser respeitados de forma coletiva e, logicamente, sejam respeitados por nós também, em relação a todos os demais. Isso é utopia, você poderia dizer. Não, não é não. Isso é civilidade! E só existe civilidade quando existem valores, e é em respeito a estes valores, que vamos nos colocar diante de tudo o que nos cerca. E é o respeito a estes valores que nos fará viver e conviver de maneira harmoniosa ou não; próspera ou não.

Ora, você dirá: de que adianta eu respeitar os valores e viver de forma ética, se os demais não vivem assim? Eu não tiro a sua razão. De fato, se apenas você agir e viver de forma ética, pouco ou nada será diferente daquilo que você rejeita ou pretende ver aplicado. No entanto, mais do que agir e viver de forma ética, é preciso cobrar, sempre e sempre, que a conduta de todos os demais atores seja nesta mesma direção. Isto porque, trata-se de uma forma inteligente de aperfeiçoamento da convivência e que, portanto, precisa ser compartilhada com todos e entre todos. É mais ou menos isto o que o filósofo e professor Clóvis de Barros Filho defende, quando fala sobre a ética.

Bem, o que devo fazer então, para viver nesta tal ética? Precisa, antes, e, acima de tudo, identificar quais são os valores do ambiente no qual você está inserido. Se for na sua casa, quais são os valores do grupo familiar? Não existem valores? Bem, se for assim, o melhor é se sentarem, todos, e discutirem sobre a necessidade de adotarem certos valores, tais como: um horário determinado para as principais refeições do dia, respeitadas as peculiaridades de cada um dos membros da família. Outro valor: o horário limite, à noite, para o estabelecimento do silêncio na casa, de modo a que todos, a partir daquele horário, possam, de fato, repousar, meditar, orar, fazer amor etc.

A partir do conhecimento destes valores, todos devem se comprometer a observá-los regiamente, a fim de que a convivência seja aperfeiçoada de forma consistente e significativa. Este é apenas um singelo exemplo. Pode ser aplicado em todos os demais grupos nos quais você transita dias, meses, anos e, enfim, por toda uma vida. Um dos valores, por exemplo, de uma Casa de Repouso, é o silêncio. Agir eticamente importa observar e respeitar este valor, pois, do contrário, toda uma comunidade de pessoas será gravemente afetada e, no caso, conflitos pessoais e judiciais poderão tomar proporções impensáveis.

Nas fábricas, nos escritórios, nas academias, nos torneios, nas igrejas, ou seja, em todos os lugares por onde você transitar, encontrará valores a serem respeitados. E aí, sim, cabe a mim e a você respeitarmos e observarmos os valores de cada um destes lugares, a fim de que nossa convivência seja, de fato, bem sucedida. E aí, sim, também, cabe a mim e a você, cobrar igual procedimento de todos os que por aí se movimentam, de forma permanente ou transitória.

Quanto aos animais, é sabido que devem ser respeitados, alimentados e bem tratados, sejam domésticos ou não. Ao adentrarmos no habitat natural de uma fera, por exemplo, precisamos reconhecer que estamos em terreno alheio e que, portanto, a qualquer momento podemos ser atacados pela fera que, outra coisa não pretende, senão, resguardar e proteger aquele que considera como seu território. Desta forma, atacar a fera no seu terreno, feri-la ou até mesmo matá-la, de forma cruel ou não, é romper com um procedimento ético porque, o valor que está em jogo é o respeito à liberdade de movimento, de vida e de ação dos animais.

Quanto à natureza, contribuir para a contaminação da atmosfera, das florestas, dos rios, mares e do próprio solo, significa violar o respeito a quem produz as condições necessárias para que todos os demais seres vivos possam viver e sobreviver, harmônica, pacífica e saudavelmente.

Acredito que você já deva ter compreendido que a conduta ética é basilar para que a vida seja mais bem vivida. Porque, viver em paz e de forma harmônica com a natureza e com os demais seres vivos, além de propiciar uma boa vida, traz a alegria e o conforto de quem está vivendo e está, ao mesmo tempo, facilitando a vida de tudo o que tem vida. Que mais pode desejar aquele ou aquela que traz a paz na alma? Dinheiro? Este não acrescenta muito. Pelo contrário, quanto mais dinheiro a pessoa possuir, menos sossego, segurança e tranquilidade ela terá. Bens? Nada disto. Quanto mais acumulamos, mais preocupações, mais gastos e dissabores impomos ao nosso espírito. Agora, aquele ou aquela que possui a paz, deita-se no seu leito, todas as noites, e dorme o que poderíamos denominar como “o sono dos justos”. Por que “o sono dos justos”? Porque o justo quando dorme visita os Céus; reencontra-se com suas raízes espirituais; ganha mais tônus espiritual e fortalece a sua essência, seja no aspecto humano, seja no divino. Este, sim, vive bem. Sabe viver.

Espero que você tenha compreendido que a vida sempre vale à pena ser vivida e que deve ser bem vivida, para valer à pena.

Mas, a conduta ética, como já havíamos falado anteriormente, é apenas um dos atributos para viver bem. Não podemos nos esquecer que, viver é agir, é fazer, e criar, construir, reconstruir, restaurar etc. E é sobre isto que vamos falar proximamente.

Por enquanto, é importante fazermos uma pausa a fim de que todos possamos refletir sobre tudo o que vimos e falamos até aqui. Convido você a reler os textos anteriores e a refletir sobre todos eles no conjunto. Faça isto, se julgar conveniente e oportuno. No mais, seja feliz, e boa sorte!

____________________________________________________

*L. A. de Moura é estudante de Filosofia, estudioso da Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Apoio: