Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

«

»

dez 02

EDITORIAL DA SEMANA: A IMENSA MAIORIA RESULTA DA SOMA DE TODAS AS MINORIAS

teamwork

DA SOMA DE TODAS AS MINORIAS, RESULTA A GRANDE  MAIORIA

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não é novidade para ninguém que, nos dias de hoje, as coisas estão bastante complicadas em todos os aspectos. Se passarmos os olhos pela situação política no mundo, nem se fala apenas do Brasil, vamos ficar estarrecidos; o mesmo olhar na direção da religiosidade e dos seus desdobramentos, causará assombro; se, na busca por coisa melhor, dermos uma espiadinha na questão relacionada com o (meio) ambiente, certamente, haverá pânico. E, quando decididos, passarmos a analisar apenas a situação sanitária na qual estão mergulhadas milhões e milhões de pessoas, no mundo todo, então, baterá um gigantesco desalento, levando-nos a pensar na saúde e na educação, principalmente, em terras verde-amarelas.

Em absolutamente todas estas questões, vamos encontrar uma esmagadora maioria sendo massacrada pela lógica do gigantismo mercantilista, pela ambição desmedida dos gigantes do capitalismo e pela conivência invencível de políticos de todos os espectros e de todas as vertentes ideológicas que, atendidos os seus pleitos individuais, pouco se lixam de verdade para o resto.

Entretanto, existe uma minoria que, nos bastidores da vida, prega o bom senso, clama por justiça de forma indiscriminada, trabalha sincera e honestamente pela paz, zela pela transparência no trato com o dinheiro público, apresenta sugestões inovadoras nas mais diversas áreas do conhecimento e se propõe a trabalhar em prol de uma humanidade mais civilizada e mais humanizada, menos robotizada, menos midiática, menos virtual e materialista, menos alienada e mais voltada para os verdadeiros valores que compõem o valor maior, que é a própria vida. Mas, tudo isso, apenas, nos bastidores!

Certamente que esta minoria, em um primeiro estágio, parece não ter vez e nem voz no mundo atual, graças à fabulosa força de uma mídia globalizada, cujo único objetivo é ocupar e negociar espaços publicitários e mercadológicos. Mas, esta minoria existe e, mesmo que à boca pequena, continua criticando, protestando e chamando a atenção para os descalabros que são praticados dia-a-dia em quase todo o cenário planetário.

Existe uma minoria formada por profissionais altamente qualificados, públicos e privados, que fazem da atividade profissional, não apenas a fonte principal para a sobrevivência, própria e familiar, mas, também, parte da força motriz que faz girar, de maneira digna, honesta e eficaz, a máquina civilizatória. Uma minoria composta por homens, mulheres e outros gêneros, que, de forma também digna, honesta e atuante, propõe novas regras de civilidade, de respeito e de cidadania, capazes de transformar ambientes altamente tensionados, em outros francamente harmônicos entre si e propícios à manutenção da paz e da justiça social.

Não se há de esquecer de uma outra minoria, na qual estão agregados diversos líderes religiosos, cada um com a sua profissão de fé própria, dispostos a pregar o verdadeiro Evangelho da Salvação, que é o do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, combatendo toda e qualquer forma de discriminação e de exclusão.

Enfim, há que ser lembrado, também, de um considerável grupo formado por jovens, estudantes de todos os níveis que, no dia-a-dia de suas vidas, lutam para sobressaírem nos estudos, nas artes, na música ou na prática das mais diversas modalidades de esportes, de modo a revelarem para o mundo que, os seres humanos, de qualquer condição social, credo religioso, raça, sexo ou nacionalidade são parte indivisível de uma única e distinta espécie: a humana.

Não será difícil perceber, que o conjunto de todas estas, aqui denominadas, “minorias” forma uma imensa maioria que, uma vez unida e unificada, terá força e poder para mudar toda a dinâmica da vida atualmente vivida em sociedade, deixando patente que o estado de coisas vivido pela imensa maioria das pessoas no mundo, é resultado direto do silêncio dos inocentes e da ousadia dos culpados e usurpadores, mas, que não deve permanecer assim.

É preciso lutar para que todas as minorias silenciadas e acabrunhadas tomem consciência do valor que possuem no mundo e, de forma urgente, passem a interagir umas com as outras, no sentido de formarem novos, promissores e valorosos partidos políticos, com representatividade parlamentar e congressual, a fim de mudarem, de forma absolutamente democrática, e pelo voto direto e aberto, todo este ineficiente e injusto arcabouço jurídico existente em praticamente todas as Nações.

Não deve ser esquecido o exemplo milenar dado pelo cristianismo que, a partir da determinação, do trabalho e do destemor de um pequeno grupo de homens, chamados de Apóstolos ou Discípulos, mesmo com a perda física do seu Líder Maior, chegou até as barras do todo-poderoso império romano, lá fincando sua sede, e, a partir de lá, levando ao mundo todo a Boa Nova do Evangelho, sobrevivendo há mais de dois mil anos a todas as formas de enfrentamento e de desafios, internos e externos.

Nunca, antes, na história da humanidade, foi tão urgente que a massa de todas chamadas “minorias” se debruce sobre os clássicos cristãos, políticos e filosóficos para, deles extraírem o conhecimento e a força capazes de promoverem a unificação de todos os homens, mulheres e outros gêneros, em torno de propostas fundamentadas no amor a Deus e ao próximo, no respeito mútuo, na fraternidade, na igualdade, na justiça, na tolerância, na paz, na inclusão total de todos os seres humanos em todos os aspectos da vida, combatendo todo o mal que cai sobre nossas cabeças nos dias que correm.

O que está faltando é união! Os bons, honestos, sábios, competentes, trabalhadores e cheios de todas as virtudes, estão calados e afastados do grande palco da vida, deixando voluntariamente aos demais, que não são dignos de qualquer adjetivação, a possibilidade de ditarem os rumos da história, montados em seus ricos e exuberantes cavalos brancos, manuseando o chicote da lei, dos tribunais e das prisões por eles mesmos criados e usados para todos os fins que, no fim, só atendem aos interesses patriarcais e hereditários.

Precisamos acreditar que somos capazes de, juntos, elaborar propostas sociais, políticas, econômicas, educacionais e culturais mais justas e mais igualitárias, permitindo que o rico mantenha o seu patrimônio, mas, que o pobre possa construir o seu também, sem ser excluído e afastado de todo o cenário civilizado, em razão da pobreza que ostenta, da nacionalidade de origem, da religião que professa, da raça a que pertence ou da condição sexual que assumiu. E tudo isso deve ser feito a partir da união e da unificação dos saberes, dos conhecimentos e das virtudes entranhadas em todo o tecido social. No meio deste joio existe trigo.

Enquanto não houver uma compreensão em torno destas distâncias que, na verdade, são ínfimas, continuaremos sendo regidos por maestros que pouco ou nada entendem de partituras, mas, que, em razão da esperteza, da fama, do prestígio, da riqueza que ostentam e da capacidade para a mentira e para o engodo, acabam por receberem de mão beijada a varinha mágica, com a qual darão início a uma sinfonia que, para todos os especialistas da plateia, está totalmente equivocada.

No caso, os especialistas da plateia, cada um com sua experiência no instrumento escolhido, ficam assombrados com o que veem e com o que ouvem, porém, ninguém se arvora em questionar os diversos maestros que, pouco a pouco, vão se sucedendo diante dos músicos igualmente atordoados. O silêncio dos sábios e dos verdadeiros profissionais chega a ser conivente com o assassinato das notas musicais apresentadas o que, ao final de tudo, permite que se ouça, lá do fundo do auditório, gritos de “bis, bis, bis”. Ou seja: chegaram, gostaram e querem continuar!

Este texto é um convite à reflexão para todos nós. Precisamos refletir sobre o papel que temos desempenhado na sociedade na qual, apesar de todos os “maestros”, estamos inseridos e, se possível, começarmos a dialogar com outras minorias a fim de que, em determinado momento, possamos vislumbrar um mundo total e absolutamente melhor, mais justo, mais igualitário, mais humano e mais inclusivo, onde as culturas do ódio, da intolerância, da vingança e da morte não tenham mais tanto destaque e prestígio como vemos em todos os continentes. Pense sobre tudo isto. Seja feliz, e boa sorte!

_________________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio (meditativo).

   

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: