Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

«

»

ago 26

EDITORIAL DO MÊS: AS CHAVES E AS PORTAS ESTÃO DIANTE DE NÓS – PRIMEIRA PARTE

PORTAS ABERTAS - 2

CHAVES E PORTAS: CAMINHOS LIBERADOS –

PARTE I –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A visão realista do mundo permite a transparência de cenários que, em muitas ocasiões, e situações, impõem limites diante de nós. Alguns desses limites instigam nossa vocação para a superação e, logo, logo, conseguimos vencê-los. Entretanto, existem outros limites que, simplesmente, revelam-se intransponíveis, em razão das inomináveis altura e espessura.

No primeiro caso, mesmo diante das nossas fraquezas e incertezas, recebemos alguns incentivos e estímulos, porque tais limites podem, de fato, ser transpostos. No segundo caso, no entanto, ninguém ousa nos instigar, porque a impossibilidade é reconhecida por todos. Então, o que fazer? Recuar, desistir?

Não, não devemos recuar nem desistir, porque, se existe um mundo visível que apresenta limites intransponíveis diante de nós, existe, também, um mundo invisível que, simplesmente, abre portas diante de nós, facilitando a nossa passagem para lados, mundos, situações e oportunidades que, até então, pareciam impossíveis e inexistentes. Não são portas imaginárias, virtuais, mágicas ou coisas mirabolantes, daquelas que só vemos em filmes de alta ficção científica. São portas reais, plausíveis e sensíveis. Portas que são abertas por meio de chaves que nos são fornecidas por forças superiores.

O segredo não está nas portas, mas, na obtenção e no manuseio das chaves! Em nossas mãos, normalmente, existem cinco dedos. Para cada dedo, um desafio a ser vencido. Cinco desafios que, uma vez vencidos, abrem o caminho para o predomínio do espírito sobre a matéria: o orgulho, a prepotência, a ambição, a inveja e a ira. A derrota destes cinco adversários permite que consigamos destravar algumas portas e, assim, ter acesso a caminhos até então tidos como inexistentes e até mesmo impossíveis de serem trilhados.

O orgulho é, geralmente, o primeiro desafio que nos empareda e nos atinge com força. Diante dele sentimo-nos frágeis e submissos, a ele nos entregando com facilidade e com docilidade, servindo-o de todas as formas por ele exigidas, porque, de nós, ele apenas exige o assassinato da humildade. Matando a humildade, sentimo-nos senhores absolutos do nosso EU e do caminho que temos à disposição.

A prepotência é irmã gêmea do orgulho. Quando acreditamos sermos senhores absolutos do nosso EU e de estarmos no pleno domínio do caminho que temos à disposição, sem qualquer dependência do “outro”, cremos firmemente sermos insuperáveis e, portanto, invencíveis. Ninguém é capaz de deter nossos passos e avanços e, consequentemente, a nossa caminhada. A prepotência forja o extremado amor próprio. Com o orgulho e a prepotência, esmurramos com força bestial os limites intransponíveis impostos pelo mundo visível, dando-nos a nítida certeza de que, se não vencemos, ninguém é capaz de vencer também.

A ambição é a principal responsável pela cegueira espiritual. Na medida em que sucumbimos diante dela, ficamos cada vez mais cegos para a realidade que nos cerca. Daí, não conseguirmos enxergar quando, diante de nós, existe uma muralha intransponível e, da mesma forma, não conseguimos ver as portas que já estão, ou que podem ser facilmente, abertas à nossa frente.

A inveja é a senhora do retrocesso e do descaminho. É ela que nos obriga a abandonar o nosso caminho natural para seguirmos, e perseguirmos, o caminho trilhado pelo “outro”. Caminho que é próprio de cada um. Construído para cada um, de forma absolutamente individualizada. A inveja, aliada inseparável da ambição, faz com que acreditemos convictamente que um único caminho pode ser trilhado com sucesso por dois seres diferentes. Assim, o que é do outro, pode ser meu também. O que o outro tem, eu posso ter igual ou até mesmo superior.

A ira, por fim, não bastassem os outros entraves, corrompe os nossos tímpanos e trava a nossa mente, impedindo o curso natural da razão. Acometidos com a ira, somos incapazes de pensar de modo racional. Somos incapazes de agir de forma sensata. Portanto, tornamo-nos imprudentes, insensíveis, insensatos e insanos. Movidos pela ira, perdemos a sensibilidade e o tato necessários para a percepção das diversas portas existentes, algumas das quais já estão abertas diante de nós.

Vencer estes cinco desafios pode parecer, à primeira vista, um grande obstáculo intransponível e, aí, voltaríamos à questão inicial. Entretanto, cada um de nós, acreditando ou não, possui um espírito que, por sua vez, traduz-se em um imenso e poderoso templo, no interior do qual muitos e muitos mistérios são desvendados. Forças ocultas são dissipadas; obstáculos são removidos; segredos são revelados e novas forças são concedidas.

Ao desviarmos a nossa atenção, e a nossa atuação, para o templo que carregamos em nosso interior, administrado e gerenciado por um Espírito Maior, capaz de vencer até mesmo o que, para nós, parece ser impossível, adquirimos não apenas uma renovada vida, mas, sabedoria suficiente para vencermos e superarmos todos os entraves, e mais: capacidade para, abertos os olhos, ouvidos e mente, enxergarmos com toda a clareza necessária, todas as portas que estão abertas, desde sempre, à nossa frente.

Mas, é preciso repetir: os cinco desafios devem ser superados. Imagine-se diante de um cofre contendo a solução para todos os seus problemas. Trancado a sete chaves, você não consegue abri-lo, senão, penetrando no interior de uma profunda caverna, ao fundo da qual existe um altar de pedra em cujo tampo estão as sete chaves que abrem o tal cofre. Você precisa, apenas, perceber que, indo na direção da caverna terá rápido acesso às chaves que te darão acesso a todas as soluções perseguidas.

É justamente o que deve ser feito para que as diversas portas existentes, que já podem ser  abertas por você, sejam percebidas, também, por todos aqueles que julgam estar diante de problemas intransponíveis. As soluções existem e estão diante de cada um de nós. Não percebê-las ou não saber como acessá-las, depende do destravamento dos olhos, dos ouvidos e da mente espirituais, o que só pode ser feito após a derrota dos cinco maiores adversários do ser humano. Sozinhos, não podemos vencê-los, mas, com o auxílio do Espírito de Deus, tudo se faz possível porque Ele faz novas todas as coisas e, assim, pode transformar-nos em pessoas absolutamente novas, imunes ao impossível.

Não se trata de magia ou de ilusionismo. Trata-se, na verdade, de crença. Jesus disse que “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e fará outras ainda maiores” (Jo 14, 12). Portanto, com fé e pela fé, obstáculos podem ser superados, adversários  derrotados, muralhas derrubadas, portas abertas e caminhos revelados. No entanto, não basta dizer que crê. É preciso renunciar a si mesmo e entregar-se de corpo e de alma, vencendo todos os inimigos do espírito. Então, e somente então, haverá serenidade, sabedoria, santidade e capacidade para superar todos os limites impostos por este mundo que, ao contrário do que muitos creem, não é real, mas, totalmente ilusório.

Reflita profundamente. Faça uma visita ao seu templo interior e, confiando no Espírito que lá está, derrote seus cinco inimigos e, após, esbanjando alegria e felicidade, escolha as portas que melhor atendem aos seus anseios e necessidades. Faça isso já, não perca mais tempo. Seja feliz, e boa sorte!

____________________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: