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set 25

EDITORIAL DA SEMANA: AS VÍTIMAS DE SEMPRE

A SUPREMACIA DA ELITE ENDINHEIRADA

A SUPREMACIA DA ELITE ENDINHEIRADA –

(Publicado inicialmente em Janeiro de 2018, quando ocorreram os fatos aqui descritos)

*Por Luiz Antonio de Moura –

Há poucos dias o noticiário trágico que caracteriza a mídia nacional trouxe ao menos duas notícias que devem chamar a nossa atenção: primeiro, as já corriqueiras rebeliões em presídios em início de ano, desta vez ocorrida no Estado de Goiás, com cenas de extrema violência e, consequentemente, com algumas mortes; e, segundo, o caso da senhora, casada e mãe de filhos menores, bruscamente empurrada por um homem desconhecido e aloprado, na estação Conceição, da Linha 1-Azul, no Metrô de São Paulo. É óbvio que os jornais, hoje mais eletrônicos do que em papel, fazem jorrar sangue por todos os lados e, os televisivos, inundam nossas casas com as cenas mais chocantes possíveis e, por esta razão, muitos outros casos são apresentados todos os dias. Destaquei apenas dois, por considerá-los emblemáticos.

A questão relacionada com os presídios é antiga e sempre, sempre, é trazida à tona, mostrando o inferno a que são submetidos aqueles que, condenados, devem pagar por seus crimes. Pagam por seus delitos sendo, eles próprios, vítimas dos que são cometidos pelo Estado, sempre amparado por pesquisas de opinião que revelam desprezo e descaso para a situação degradante em que se encontram as unidades prisionais do país afora. Hiper-superlotação, doenças de todos os tipos, alimentação deficiente, maus tratos e por aí vai. O Estado, na teoria penal e constitucional tem o dever de promover a ressocialização do preso, de modo a devolvê-lo íntegro e digno à sociedade vitimada em sua dignidade e em sua segurança, que também é dever deste mesmo Estado que, por não atuar como deve, fica refém de eventos de grande porte, nacionais ou internacionais quando, aí sim, a segurança é ótima.

Pois bem, não vale a pena estender muito sobre esta questão, porque ela é por demais conhecida até pelos habitantes de outras galáxias que já estiveram por aqui há alguns anos-luz atrás. O que precisa ser sublinhado com tintas fortes, é o descaso com que o sistema prisional é tratado, deixando a nítida impressão de que, para o Estado, quanto mais mortes melhor. A tragédia promovida pelos criminosos presos, assim como as diversas e horrendas mortes efetivadas causariam uma espécie de “seleção natural” num país que, contraditoriamente, não oficializa a pena de morte, mas que, por seu turno, parece ficar feliz em seu íntimo com as eliminações recíprocas praticadas pelos “inimigos da sociedade” cujas famílias, e mais uma vez de forma contraditória, recebem uma ajudinha financeira denominada “auxílio-reclusão”. Não demonstrando qualquer intenção de reformar o sistema, o Estado reserva-se o direito de, por meio das altas autoridades, mostrar-se perplexo diante das câmeras de TV e dos fotógrafos de plantão que, como aves de rapina, sentem o cheiro da podridão no ar. E assim, ano após ano, as cenas e os lamentos se repetem, sem qualquer novidade no caminho da mudança ou da modernidade.

O caso da senhora atirada nos trilhos do metrô, revela a terrível falta de segurança que, tal qual na superfície, permeia o subsolo das galerias frequentadas por milhares de pessoas todos os dias. O espaço, ou melhor dizendo, o vão que separa a locomotiva da plataforma é mais do que suficiente para causar inúmeros acidentes vitimando, inclusive, crianças e idosos, sem falar nos possíveis atentados individuais promovidos por tresloucados e criminosos, prontos para tudo, e mesmo os casos de suicídios. A colocação de grade de proteção no entorno das plataformas, separando os usuários das perigosíssimas linhas eletrificadas, seria medida de prevenção de acidentes e/ou de crimes, impedindo cenas como as que o país inteiro assistiu estarrecido, ao ver uma pessoa sendo empurrada covardemente em direção à morte certa, que só não ocorreu porque a senhora é querida e protegida pelas forças celestiais. Esse assunto, também, é corriqueiro e, por certo, continuará a produzir outras vítimas, porque o Estado não se preocupa com a segurança do cidadão comum. Quanto mais mortes sem a mão estatal, melhor para o aperfeiçoamento da tal “seleção natural” no âmbito das classes menos favorecidas.

No coração das comunidades carentes (de tudo), o Estado tolera, porque se mostra ineficiente na prevenção e no combate, o enfrentamento de gangues que, aos tiros pra lá e pra cá, matam-se mutuamente matando, também, muitos inocentes que só vivem ali porque o mesmo Estado não lhes possibilita melhores e mais seguras possibilidades de habitação. Tiros, facadas, incêndios e ... mortes! É a “seleção natural” que, pouco-a-pouco vai diminuindo o contingente de pobres, de negros, de inválidos, de aposentados, de doentes, de crianças em idade escolar, e por aí vai. A conivência estatal e a suposta ineficiência deixam a roda da sorte dos desfavorecidos rolar livremente, o que significa, em outras palavras, um massacre comparável àqueles promovidos por Hitler, Pol Pot, Stalin, Mao Tsé Tung e outros senhores que viam na supremacia racial o mote para a purificação das nações.

Ou seja, presos, pobres, negros, doentes, inválidos, idosos, aposentados, e toda uma casta de seres humanos desprovidos de recursos financeiros não atraem a atenção do Estado que só se faz presente, por meio das autoridades de altas patentes, no velório ou nas já famosas entrevistas coletivas, onde impera muito mais a “propaganda política estatal” do que a tomada de providências ou o anúncio de medidas preventivas e concretas. É o Estado forte e poderoso, chorando no ombro das vítimas, para mostrar-se solidário e, igualmente, sofredor, numa atitude fascista de fazer inveja a Benito Mussolini.

Passados mais de setenta anos, Adolf Hitler ainda é chacoalhado por causa da horrenda supremacia racial que tentou impor ao mundo de então. No entanto, o Estado moderno, e o brasileiro em especial, adota métodos muito parecidos, embora muito mais discretos e sem a presença física e visível de um destacado führer ou de um Duce, a espalmar a mão assassina em saudação ao diabo. Não, o nosso adestrado e tarimbado Estado, não age desta forma, preferindo atuar de forma contraditória, omitindo-se no cumprimento dos deveres legais e constitucionais que enaltecem a vida acima de tudo e, sorrateiramente, permitindo que o cidadão comum, pobre, negro e desprovido de recursos financeiros, se torne presa fácil de um destino cruel que o empurra para o cadafalso todos os dias, tornando a segurança, a saúde e a própria vida o alvo perfeito de uma roleta russa, na qual o tambor da arma sempre reserva mais de uma bala para tentar a sorte de sobreviver. Ou seja, o resultado é líquido e certo: perdas, dores, sofrimentos, invalidez e ... a morte, transformando a vida, não num prazer, mas, num verdadeiro desafio a ser enfrentado todos os dias, onde quer que estejam os alvos.

A completar o quadro da “seleção natural”, sem a mão direta e visível do Estado, mas, com a sua conivência pela total omissão, desinteresse e/ou descaso, temos, ainda, os casos, não divulgados ou divulgados apenas de forma parcial e deficiente, de suicídios e de abortos, que ceifam vidas e mais vidas que, no fundo, no fundo, não representam nada para o Poder estatal.

Entretanto, a ineficiência estatal não atinge, de modo algum, os ricos e os poderosos porque, deles advêm os recursos para encastelar os hóspedes do Poder; porque deles veem os enormes aportes financeiros que permitem a circulação das riquezas nas mãos e em proveito de todos eles que, ao final de todas as contas, representam um Estado cuja face deveria ser revelada pela organização e pelo funcionamento de poderes e de instituições totalmente voltados para o bem comum porque, se de um lado são os ricos e poderosos que possuem o capital, de outro, e sem qualquer dúvida fundada, são os menos favorecidos que trabalham e que consomem em alta escala e rotatividade, impedindo o empilhamento do dinheiro e a total ausência da produção o que, certamente, traria o caos aos protegidos e apaniguados do  próprio Estado.

Enfim, o que pode ser percebido de maneira bem fácil, é que existe uma clara opção pelo avanço e pelo fortalecimento da “supremacia de uma elite endinheirada”, livre de todos os males e mazelas que afligem os cidadãos comuns em detrimento da vida, da saúde, da segurança, da paz e da convivência harmônica, principalmente, daquele ser humano que está alojado, não por escolha própria,  na base da pirâmide social, na qual imperam o total  abandono, o desinteresse e o descaso, permitindo que, todos os dias, sejamos “premiados” com cenas de violência pessoal e social que, não raro, culminam com a morte de seres humanos cujas vidas, em qualquer caso, devem ser protegidas exemplar e efetivamente pelo Estado.

Fica o alerta: na hora de votar nos Senhores do Estado, ricos e poderosos ou em seus alienados e subordinados representantes, devemos prestar bastante atenção. Porque no sofrimento, na dor, na perda, na invalidez ou até mesmo na morte, assim como nas horas mais difíceis das nossas vidas, eles se apresentam diante das câmeras para a “propaganda do aparelho estatal” que lhes permite a perpetuação no Poder, e mandam às favas as nossas carências e  necessidades, pouco se lixando para a nossa segurança, nossa saúde e a nossa própria vida. Lembre-se de que nós votamos neles e eles elegem-se uns aos outros para os demais cargos e ocupações estatais, sempre visando o aumento e o acúmulo da própria riqueza, assim como a proteção das suas vidas, dos seus patrimônios e dos seus tentáculos econômico-financeiros. Reflita sobre tudo isso e tire suas conclusões. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador cristão, um caminhante e um cultor do silêncio.

2 comentários

  1. Yasmine Vieira

    A política brasileira está tomada pela corrupção. Em pensar que neste ano teremos que eleger um novo presidente, há um misto de esperança e desilusão, pois ao mesmo tempo que queremos a melhoria do nosso país, sabemos que os que se candidatam já são corruptos. Peçamos a Deus que nos mostre o caminho e nos ilumine neste ano de decisão presidencial.

    1. lisaac

      Perfeita a sua análise. Somente Deus poderá iluminar todos os eleitores deste país, para que, na hora do voto, tenhamos conisciência da importância do voto, pois, só naquele instante é que temos condições de mudar o país. Dali por diante, são quatro anos de lutas, embates e sofrimentos. Parabéns e obrigado por acessar o nosso site e ler o nosso humilde texto. Esperamos por você sempre!!
      http://www.sementesdapalavra.com.br

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