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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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set 09

EDITORIAL DA SEMANA: DA ESPIRITUALIDADE, PARA A VIDA ETERNA.

ÁGUAS NO MAR

  A PRÁTICA DA ESPIRITUALIDADE É O CAMINHO A SER PERCORRIDO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não parece ser desconhecido o fato de os seres humanos terem sobre si a compreensão dualista matéria-espírito, corpo-alma. Com raras exceções, esta compreensão advém, em grande parte, da vida religiosa ou, em outras palavras, do seguimento a esta ou àquela religião.

Religiões, grosso modo, são representadas por instituições de natureza comunitária, normalmente hierarquizadas, por meio das quais as pessoas vivem, e tentam colocar em prática, as crenças que professam, seguindo ensinamentos doutrinários, observando ritos e abraçando dogmas. Esta fórmula é, praticamente, infalível. Poderá ser encontrada em todas as religiões e terá nos adeptos, uns fanáticos ou nem tanto, verdadeiros e árduos defensores.

Pois bem! A questão que chama a nossa atenção é sobre os efeitos espirituais que incidem sobre todos e cada um dos praticantes das religiões. Ou seja, se cada ser humano que professa esta ou aquela fé tem, realmente, noção de fazer parte de um todo muito maior, envolvendo não apenas todos os demais seres, mas, também, a própria natureza. Ou, se acontece, como acreditamos, de ficarem restritos (e limitados) às doutrinas, aos ritos e aos dogmas prescritos em cada uma das incontáveis religiões.

Ora, enquanto o homem olha para si e percebe a necessidade de viver em comunidade restrita, e adequada, ao seu modo de compreender a vida e à forma de se relacionar com a divindade e com os seus semelhantes deixando de fora, em muitos casos, a totalidade da humanidade, bem como a própria natureza, com todas as suas leis, deixa, também, de perceber que toda a Criação é projetada para a unidade: que todos somos um, e que esse “um” tem o vértice voltado para o único e verdadeiro UM, no qual tudo se completa e tudo se explica.

A partir da profissão de determinada crença, não é novidade a formação, ainda que involuntária, de verdadeiros guetos. Isto porque, cada religião caminha sob a influência direta de doutrinas, ritos e dogmas próprios, e bastante distintos uns dos outros, o que gera, com muita frequência, sérias divergências e conflitos, internos e externos que, inevitavelmente, vão opor irmãos contra irmãos.

Mas, para os verdadeiros praticantes desta ou daquela religião, sempre que a fé está ameaçada, os conflitos são mesmo inevitáveis, e devem acontecer, até para o fortalecimento da própria fé. Ou seja, quando os adeptos de determinada religião acusam os de outra, de estarem subvertendo ou transgredindo a Palavra de Deus, eles acreditam piamente terem o dever de enfrentar o que denominam de “opositores”, porque se sentem os verdadeiros, e genuínos, guardiões da fé.

Acredito ser este um fato incontestável, diante da realidade apresentada e vivida nos diversos quadrantes do mundo. Realidade que, não devemos esquecer, é tão antiga quanto o homem. Até aí, nada de muito novo.

Entretanto, as incontáveis religiões não têm conseguido, de forma eficiente e permanente, promover o crescimento espiritual de todos os filhos de Deus. Isto porque muitas delas, simplesmente acreditam que os verdadeiros filhos de Deus são apenas, e tão somente, os seus adeptos e seguidores particulares. Para estas, os que estão vinculados às outras religiões estão distantes desta condição, porque não seguem aqueles caminhos determinados como únicos e verdadeiros, assim como os rituais estabelecidos pela instituição religiosa “abençoada por Deus”.

Ora, se o Criador não faz acepção de pessoas, sejam elas quem forem, como admitir que as criaturas possam fazê-lo, em detrimento umas das outras? No caso, o que, invariavelmente, justifica tal postura é o sentimento de posse e de guarda da Verdade, que cada uma tem de si.

Esta questão lateja nas mentes e nos corações de todos os espiritualistas que têm, como foco, a vida na unidade, voltada total e absolutamente para o Transcendente de onde, além da Luz intensa e permanente, recebem inspirações e instruções para o aprimoramento da relação, e da convivência mesma, com todos os seres e com a própria natureza, amando-os de verdade, respeitando-os em suas essências, acolhendo-os com todas as suas imperfeições, reverenciando-os e, principalmente, com eles aprendendo diuturnamente tudo o que têm para ensinar.

A prática da espiritualidade, portanto, perpassa todas as formas de religiosidade unindo-se à coletividade dos espíritos, sem aprisionar-se a ritos e/ou dogmas que, até podem ser belos e verdadeiros, mas, que, não podem ser usados para a divisão da unidade querida pelo Criador desde sempre, e pela qual o próprio Jesus orou com estas singelas palavras: “que sejam todos um, como tu, Pai, o és em mim, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21). Ser “um” é muito mais do que ser muitos, absolutamente separados e divididos em nome de crenças que deixam de reverenciar, e de vivenciar mesmo, a unidade querida pelo Criador.

Tentar explicar isso a cada pessoa que pratica esta ou aquela religião parece missão absolutamente impossível. No entanto, se cada um de nós passar a viver a espiritualidade ensinada por aqueles que, verdadeiramente, conseguiram compreender que existe uma unidade em torno do Transcendente, incluindo a natureza com suas leis e o próprio Universo, e que cada ato ou omissão praticados afeta a todos de forma indistinta, o mundo, certamente, será recriado e tudo será muito diferente do que tem sido até aqui. Não é utopia, porque é a vontade do próprio Deus que, sempre, sempre, realiza todos os seus projetos e desígnios. A questão é: quando a humanidade, como um todo, vai conseguir compreender esta lógica tão simples? Eis o nosso grande desafio.

Reflita sobre tudo isto e, sem abandonar a sua religião (para quem tem uma) procure compreender que conflitos doutrinários, ritualísticos ou dogmáticos com irmãos de outras religiões, só contribuem para uma divisão absolutamente indesejada por Deus. E você, certamente, não quer desafiar Aquele que está no comando absoluto de tudo, principalmente, por influência dos homens, quer? Pense sobre isto e cresça espiritualmente com todos os seus congêneres, reverenciando a natureza, e o próprio Universo, com todas as suas leis, acolhendo-os e amando-os para que a relação com o Transcendente seja aperfeiçoada cada vez mais, até o dia da unificação total de todos no verdadeiramente UM quando, então, tais quais verdadeiras gotas de água, cairemos no oceano da Vida e seremos todos, e eternamente, um único mar. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cutor do silêncio.

 

   

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