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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jan 27

EDITORIAL DA SEMANA: DEUS SEMPRE CAMINHA JUNTO COM O SEU POVO

O POVO DE DEUS NO DESERTO

UM POVO E SEU DEUS: UMA RELAÇÃO INEXTINGUÍVEL –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Por mais que se respeite a opinião e a pessoa dos ateus, dentre os quais muitos se destacam pelas inúmeras virtudes que, inegavelmente, ostentam perante fervorosos cristãos, urge chamar a atenção destes últimos para a necessidade do aprimoramento da caminhada pari passu com a Palavra de Deus, largamente difundida por meio da Bíblia. Não é desconhecido de ninguém, não pode ser desconhecido por ninguém, o expressivo número de cristãos, assim como o daqueles que bradam aos quatro ventos que “Deus é fiel”, que, sequer, leem com frequência os Livros que compõem as Sagradas Escrituras.

Muitos alegam em defesa própria, que a Bíblia é muito complicada e que, quando tentam qualquer leitura, acabam ficando mais confusos ainda, preferindo ouvir a pregação do padre ou do pastor que, normalmente, fazem pequena interpretação do Texto Sagrado. É claro que é sempre útil ouvir tais pregações e homilias. Porém, uma particularidade que poucos conhecem, e aí vai uma dica de suma importância, é que, de dentro da Bíblia ecoa diretamente ao nosso espírito a Palavra fidedigna de Deus. É a Palavra sussurrada diretamente à alma. A Palavra que esclarece, que ensina, que fortalece, que recorda, que motiva e que indica a direção a ser seguida.

Aquele ou aquela que, realmente, tem respeito, fidelidade, amor e compromisso para com Deus não pode deixar de buscar na Bíblia o verdadeiro norte para a vida eterna. No Livro do Gênesis, por exemplo, o leitor e a leitora poderão verificar que existe uma narrativa acerca de como Deus teria criou todas as coisas, inclusive, o ser humano. Não significa dizer que tudo aconteceu exatamente da forma como está descrita pelo autor sagrado. Mas, que, ao fim e ao cabo de tudo, todas as criaturas têm sua origem na vontade, na Sabedoria e nas mãos dos Senhor que, em larga escala utiliza o verbo fazer, de forma impositiva: “faça-se isto...”, “faça-se aquilo...”.

Entretanto, ao criar o ser humano, o Senhor já não utiliza o verbo fazer na forma verbal impositiva, mas, na integrativa: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. É, também, no Livro do Gênesis que vamos encontrar, e, portanto, compreender, a origem do patriarcado, tendo no homem a figura de proeminência no corpo social e familiar. Também em Gênesis teremos acesso à narrativa da insatisfação total do Criador com a sua criatura, culminando com a narrativa de um dilúvio, para demonstrar que o Senhor não queria mais aquela situação generalizada de pecado. Em Gênesis, de igual modo, vamos tomar conhecimento acerca da presença dos anjos que, de forma direta e ostensiva, mantêm um constante diálogo com os homens. Tudo isto a revelar para nós que o nosso Deus é um Deus presente, preocupado e atuante, em qualquer circunstância.

No Livro do Êxodo vamos contemplar a intervenção direta de Deus para livrar o povo da opressão da escravidão no Egito. Trata-se, igualmente, de uma narrativa, por meio da qual o autor sagrado explica ao leitor e à leitora que Deus não apenas ouve o clamor do pobre, injustiçado, perseguido e oprimido, mas que, também, é capaz de vir até ele, diante do sofrimento e das angústias, para prestar o socorro necessário e o livramento de todo o mal. Toda a leitura do Livro do Êxodo serve para revelar que o Deus que cria é o mesmo que protege, que salva e que livra do sofrimento e da opressão e, inclusive, dita o que o povo deve deixar de praticar, para continuar sendo abençoado.

O Livro do Levítico é uma ordenação dos costumes e dos procedimentos que o povo deveria observar, para manter-se afastado das práticas dos seus opressores. É apenas um indicativo de como aquele povo foi instruído, no início, para ir se amoldando à vontade do Criador. É, acima de tudo, um indicativo de como os homens e as mulheres de todos os tempos devem proceder diante do Deus que, impreterivelmente, é o mesmo desde sempre e assim continuará sendo para todo o sempre.

No Livro dos Números vamos encontrar, dentre outras, as fórmulas para o culto e para a oferta de sacrifícios, bem como os meios utilizados para a contagem do povo de Deus. No Livro do Deuteronômio, último do pentateuco (conjunto dos cinco primeiros Livros da Bíblia) é onde vamos encontrar, já no capítulo cinco, o decálogo, ou seja, os Dez Mandamentos que Deus determina a Moisés que leve para o todo o povo. É a partir deste conjunto de Mandamentos que toda a história do povo de Deus, e da própria Salvação, vai se desenrolar. Lembremos de que o próprio Jesus afirma não ter vindo para revogar a Lei, mas, para cumpri-los e aperfeiçoá-los.

São estas poucas linhas, minimamente introdutórias, que servem para instigar no leitor e na leitora o desejo de ir um pouco mais a fundo. Leiam, sem medo! Procure compreender e responder as perguntas que muitos se fazem hoje em dia: “Por que Deus não nos atende?”; “Por que estas coisas estão acontecendo no mundo?”; “Por que Deus permitiu que isso ou aquilo acontecesse comigo?”. Ao ler e compreender muito do que está escrito na Bíblia você, certamente, encontrará estas e muitas outras respostas, vindas diretamente do Espírito Santo, para a sua alma. Um verdadeiro consolo e um bálsamo para a sua caminhada.

A Bíblia é dividida em Antigo e em Novo Testamentos, e ambos têm como focos principais as histórias da Criação e da Salvação. Portanto, a leitura dos Textos Sagrados, conhecendo-se os motivos e as razões, em nada confunde a cabeça e o intelecto dos leitores e das leitoras. E mais: todas as dúvidas e inseguranças devem ser encaminhadas ao sacerdote ou ao pastor, que podem, e devem, afastá-las de pronto com a apresentação de uma interpretação mais familiarizada com a compreensão de cada fiel.

A partir da leitura dos dois Livros de Samuel (I e II Sm), vamos encontrar a narrativa acerca da monarquia, exigida pelo povo e constituída por Samuel, por ordem direta de Deus. É bom e saudável fazer estas leituras, para verificar-se o quão paciente, bondoso, compassivo e humilde é o Senhor que, diante da exigência do povo levada diretamente a Samuel, dirá ao profeta: “Ouve a voz do povo em tudo o que te dizem, porque não é a ti que eles rejeitaram, mas a mim para eu não reinar sobre eles. É assim que eles sempre têm feito desde o dia que os tirei do Egito até hoje; assim como me abandonaram a mim, e serviram a deuses estranhos, assim também fazem a ti” (ISm 8, 7-8).

Particularmente interessante é a leitura do Segundo Livro dos Reis (II Reis) que, a partir do capítulo 22, trata do reinado de Josias, durante o qual é (re)encontrado o Livro da Lei que, na verdade, era todo o conteúdo do que mais tarde veio a ser denominado como o Livro do Deuteronômio. Diante do achado, o rei Josias convoca todo o povo, bem como os anciãos e, no capítulo 23, vai renovar a aliança com Deus, abolindo os lugares de culto aos deuses estrangeiros e reintroduzindo a celebração da Páscoa. Quanto a esta, o autor sagrado declara que: “Jamais se celebrou Páscoa igual, desde o tempo dos Juízes que julgaram Israel, e em todo o tempo dos reis de Israel e dos reis de Judá, como foi esta Páscoa em honra do Senhor, feita em Jerusalém no ano décimo oitavo do rei Josias” (2Rs 23, 22-23).

Se formos tratar dos pontos essenciais de cada um dos livros que compõem a Bíblia, teremos que escrever longos volumes, tamanha a quantidade de informações, ensinamentos, exemplos, fundamentos etc., que nos aguardam. Fica, aqui, para o leitor e para a leitora, a dica fundamental: leia a Bíblia com mais frequência, mantenha-se em constante oração e não deixe que sua relação com Deus jamais seja extinta porque, é por meio desta relação, cada vez mais aperfeiçoada, que poderemos, um dia, pretender entrar no Reino de Deus, de onde, certamente, jamais desejaremos partir.

Aprimore a sua relação com este Deus, que é Criador, Mantenedor da vida, Providencial e Salvador e que, apesar de ser o Senhor absoluto de todas as coisas, insiste em manter conosco uma relação de proximidade, de amizade, de companheirismo e de socorro em todas as nossas aflições, mas que, também, deseja reciprocidade da nossa parte. Reflita e faça o bem a si próprio(a) intensificando e aperfeiçoando sua relação com Deus. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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