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dez 31

EDITORIAL DA SEMANA: “O SENHOR ESTEJA CONVOSCO”

O SENHOR ESTEJA CONVOSCO

 O QUE DESEJAR PARA O ANO NOVO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Ao final de todos os anos, nas proximidades do dia 31 de dezembro, temos o hábito de desejar “Feliz Ano Novo” para amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos e, dependendo do que bebemos, até para os cães da rua! É um verdadeiro festival de “Feliz Ano Novo” pra lá e pra cá, o tempo todo, o que dura alguns dias e, em muitos casos, pelo menos umas duas semanas.

Pois bem, ao fim e ao cabo de tudo isso, de toda esta “cultura” festiva, o que realmente fica gravado em nossas mentes e corações é o simples fato de que, de uma hora para outra, saímos de um ano determinado pelo calendário e entramos em outro, sempre com a fantástica expectativa de que, no embalo da passagem da meia-noite de um dia para o outro, tudo poderá ser muito melhor. Dessa forma, além do já falado “Feliz Ano Novo”, desejamos um coquetel de outras boas coisas, como saúde, paz, harmonia, dinheiro, amor, realizações, sucesso nos negócios e empreendimentos e tudo o mais que nos vem à memória em cada encontro durante os tais dias.

Entretanto, o que deveríamos desejar para nós mesmos e para cada um dos nossos semelhantes, próximos ou distantes, é uma maior e mais promissora vida com Deus, Senhor da vida e fonte de todas as benesses que, do fundo dos nossos corações, realmente, necessitamos e sabemos serem necessitados todos os seres vivos, sem exceção. Na liturgia católica ouvimos o sacerdote pronunciar o famoso “O Senhor esteja convosco”, e todos respondem a uma só voz, “Ele está no meio de nós”. É justamente este desejo e este voto que deveríamos destacar, não apenas na passagem do dia 31 de dezembro para o 1º de janeiro, mas, no raiar de todos os Sóis e na virada de todas as noites. Porque, desejar a presença do Senhor no meio de nós é, acima de tudo, desejar o bem maior para nós e para os nossos semelhantes.

Porém, se pararmos para uma análise fria dos acontecimentos, vamos perceber que poucos são os que, em verdade, valem-se da virada do ano para saldar e prestar culto à divindade, independentemente da profissão da fé expressada. Datas como, por exemplo, a Páscoa, o Natal e o Ano Novo há muito perderam o seu real significado e tornaram-se um dado estatístico relevante para que o capitalismo possa avaliar o seu desempenho, com a queda vertiginosa ou com a fantástica ascensão das vendas e dos lucros. Nas citadas épocas, efetivamente, o que desponta são os presentes, os assados, as bebidas, as reuniões em torno da mesa, do bar ou de casa, ou da churrasqueira sem que, sequer, o nome de Deus seja pronunciado.

Não posso deixar passar despercebido o seguinte fato: assistindo ao telejornal da tarde, do dia 30 de dezembro, a âncora da TV chama ao ar uma repórter para, ao vivo, entrevistar passageiros na Rodoviária Novo Rio (Rio de Janeiro), para investigar os preparativos de viagens de algumas famílias por ali acomodadas, aguardando a hora de seus embarques. Ao falar com uma família numerosa, logo, logo descobre que estão a caminho de cidade do interior de Minas Gerais; outra família, com seis ou sete membros, está aguardando a saída do ônibus para uma cidade situada em um estado nordestino. Depois de falar com mais uns dois ou três grupos de viajantes, a repórter dirige-se a uma senhora e pergunta para onde está indo: “para a cidade de Raposo, no interior do Rio de Janeiro”, diz a senhora. “Ah, que bom!” exclama a repórter que, não satisfeita, pergunta: “a senhora está indo com quem?”, e a senhora, humildemente responde: “Eu e Deus”. A repórter, achando a maior graça do mundo, admira-se da resposta e encaixa: “Ah, vai sozinha?”. Ou seja, ir com Deus é o mesmo que estar sozinha. Num primeiro momento, a gente até acha graça da estupidez. Mas, depois de certo tempo, é de se perceber que não se trata de estupidez não. Trata-se, na verdade, de culto à ignorância. Uma ignorância que impera no seio de muitas sociedades para as quais, Deus é uma questão íntima e pessoal, que não tem nada a ver com a coletividade.

Está distante de muitos de nós o conhecimento, e até mesmo a aceitação, de que não existe um Deus de Israel, dos palestinos, dos católicos ou dos evangélicos, mas, que, existe apenas um Deus da vida, que é o Deus de todos nós, a quem devemos estar sempre unidos e por quem devemos sempre clamar pela presença e pela ação, individual e coletiva.

Desta forma, se nos derradeiros dias de um ano, de qualquer ano, passássemos a dizer para cada um dos nossos amigos, parentes, colegas, vizinhos, ou até mesmo para os cães da rua, “O Senhor esteja contigo”, certamente estaríamos fazendo votos muito mais profundos, verdadeiros e eficazes porque não existe um bem maior do que Deus e, desejá-Lo, tanto para nós mesmos como para a vida dos nossos semelhantes é, mais do que qualquer outra expressão de felicidade, desejar todo o bem, de forma absoluta e plena, de onde decorre tudo o mais que, por convenção, repetidamente desejamos a cada final de ano.

É verdade que, nos dias de hoje, falar o nome de Deus significa pedir para ser rotulado e, por este razão, muitas pessoas preferem deixar Deus, vamos dizer, meio de lado, para não serem rotuladas disso ou daquilo. Mas, não devemos ter medo de rótulos e, se realmente amamos os nossos amigos, familiares, vizinhos, colegas e outros menos próximos, nada de melhor podemos lhes desejar que não seja a vivência com Deus e em Deus. Não existe melhor voto, ou melhor desejo para quem amamos do que este: “O Senhor esteja contigo” porque, de fato, Ele está no meio de nós.  E está no meio de nós, sem se importar com quem nós somos de verdade, com o que fazemos, pensamos ou falamos. Sem se importar se cremos Nele ou não, se temos religião ou não. Ele está no meio de nós porque, mais do que a tudo Ele nos ama de verdade.

Por tais razões, convido o leitor e a leitora para, se realmente ama seus amigos, familiares e pessoas mais próximas, mudar o discurso deste final de ano, deixando de ficar repetindo as mesmas palavras dos anos anteriores para, finalmente, fazer um grande e estupendo voto: “O Senhor esteja contigo!”

Eis o que desejo para ti no Ano Novo que se aproxima: “Que o Senhor esteja contigo” e que, assim, todas as dádivas e bençãos dos céus caiam sobre a tua cabeça e penetrem no fundo do teu ser, para que possas conhecer, em verdade e em realidade, a plena e abundante felicidade, de modo a que, talvez pela primeira vez na vida, possas perceber e usufruir a chegada de um verdadeiro Ano Novo, o Ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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