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ago 12

EDITORIAL DA SEMANA: A PERGUNTA QUE SE REPETE DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

O DIABO E SEU FILHO

QUEM É O TEU PAI?

*Por Luiz Antonio de Moura –

Quem assistiu o filme “Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson, deve recordar bem da imagem marcante do personagem assombrador, um misto de homem e de mulher que, no Horto das Oliveiras, com um olhar penetrante e diabólico, afirma para um Jesus sofrido e angustiado: "Ninguém pode carregar este fardo, eu te asseguro. É pesado demais". Afirma isto para, em seguida, com a voz pausada e insinuante, perguntar: “Quem é o teu pai?”

Aquela figura nefasta, simbolizando o sarcasmo, a mentira, a indolência, a hipocrisia, a falsidade e uma aparência tenebrosa, ousa aproximar-se do terrivelmente angustiado e sofrido Jesus, para importuná-Lo com a pergunta que é feita a muitos de nós, ainda hoje: “Quem é o teu pai?”.

Além da pergunta, ele é o mesmo que sempre repete para nós a afirmação: "Ninguém pode carregar este fardo, eu te asseguro. É pesado demais", levando muitos de nós à convicção de que estamos sendo massacrados e destruídos, à espera de um Pai que, sequer, sabemos quem é.

Jesus, como bem demonstrado no filme, cai em profunda oração e ignora a figura satânica, desprezando-a com simples olhares, reveladores de uma força interna inabalável e invencível. Muitos de nós, no entanto, quando ouvimos a mesma pergunta, cochichada aos nossos ouvidos espirituais, ficamos atônitos e, não raro, repetimos para nós mesmos: “Quem é o nosso pai?”. Quem é o Pai que coloca sobre os nossos ombros um fardo tão pesado?

Mas, a pergunta de Satanás, no filme, e em certo momento, é feita de modo audaciosamente ilustrativa. É quando ele, diante de um Jesus às portas da morte no Calvário, passa por entre a multidão acariciando um horrendo e monstruoso filho, carregado em seus braços, como a demonstrar que ele, sim, Satanás, é um pai zeloso, que jamais abandona aqueles que a ele prestam o verdadeiro culto. Um pai que não impõe fardos pesados para serem, angustiantemente, carregados por seus filhos.

Nos dias atuais, estamos vivendo situações bastante parecidas com aquelas sinistras cenas do filme: estamos sofrendo e vendo o sofrimento cair sobre nossas cabeças, famílias e filhos e, quantas vezes, ouvimos e repetimos a mesma pergunta: “Quem é o nosso Pai?”. Ao mesmo tempo, em que somos confrontados com as figuras sinistras deste mundo, abraçadas aos seus filhos, igualmente tenebrosos e horrendos, mas, que demonstram terem quem se preocupa com eles e com suas vidas, enquanto praticam todo tipo de maldade, de crueldade, de impiedade, de loucura e de insanidade, assim como tudo o que provém do mal.

No dia-a-dia estamos assistindo cenas de um filme que não é dirigido por Mel Gibson, mas, cujos atores nós conhecemos muito bem, ainda que somente apenas por meio do noticiário. São atores que representam de modo perfeito o papel de pais ardorosos, carinhosos e zelosos, que abraçam, prestigiam e acariciam os seus protegidos, de todos os matizes e de todas as classes sociais, como a insinuarem para nós a má escolha que fizemos, ao entregarmos as nossas vidas e os nossos espíritos ao mesmo Pai de Jesus.

Os pais e os filhos deste mundo, revelados e operantes, refestelam-se com o produto da sua maldade e da sua perversidade, e nada, absolutamente nada, acontece com eles. São autoridades, autorizados e autoritários; armam-se com o favor dos poderes constituídos e com as altas somas de dinheiro e de ouro que manipulam, administram e dividem entre si, enquanto milhares de Jesus estão sendo açoitados, torturados sob o escárnio impiedoso, insolente e indolente e encaminhados para a cruz, para um final de vida solitário e infame, sem qualquer socorro.

Entretanto, é sempre valiosa, também, a recordação de que, quem assiste o filme até o último instante, presencia aquele mesmo Jesus sair do túmulo, intacto, vivo e revivido. Numa palavra: Ressuscitado! Satanás e seus filhos jamais passaram pela experiência da morte, porque seriam derrotados para sempre, haja vista que o Único que venceu verdadeiramente a morte foi Jesus Cristo, o Filho amado e Unigênito de Deus.

A queda, a desolação, o embaraço e a perdição é o que é de se esperar que aconteça, ao final de todas as contas, com os filhotes de Satanás que perambulam por este mundo, exibindo-se e sendo acariciados por seus falsos pais. Pais que nada podem oferecer, a não ser os péssimos exemplos e o caminho do mal, sempre trilhado, que culminam com o fim de suas vidas e de suas próprias histórias. Pais, que acariciam e prestigiam seus rebentos pelo mal que fazem uns aos outros e aos filhos de Deus, mas, que, ao final de tudo, deixam-nos no abandono e na podridão de um mundo que tudo lhes oferece, menos a vida.

Precisamos aprender a responder à pergunta feita pelo adversário de Deus, e pelos seus imitadores neste mundo, oferecendo o mesmo olhar silencioso e desprezivo que Jesus oferece no filme. Trata-se de um filme, é verdade, mas, que carrega uma forte carga de plausibilidade, principalmente, quando recordamos a leitura dos Evangelhos, nas quais o mesmo Satanás, lá no deserto, já atormentava Jesus, com a insinuação: “se és mesmo filho de Deus...”.

Não podemos, olhando para os pais malditos que acariciam seus filhos, apesar de todo o mal que produzem e que praticam neste mundo, nos deixar levar pela insinuação satânica de que o nosso Pai celeste não se incomoda conosco, nem com os sofrimentos que nos cercam e nos atormentam. Ele sempre se incomoda, sim. Sofre conosco, caminha ao nosso lado e vem em nosso auxílio. Apenas, e somente apenas, Ele permite que possamos ouvir a pergunta feita por Satanás aos nossos ouvidos: “Quem é o teu pai?”, para ver se cederemos à tentação, ou se nos manteremos firmes, resistentes e fieis até o fim. Para esta firmeza, resistência e fidelidade, nosso Pai faz uma promessa: “o que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24, 13). A confiança, a fidelidade, a obediência e a oração de Jesus são os verdadeiros e grandes exemplos a serem seguidos.

Portanto, a sugestão é para que, quem não assistiu o filme, apesar de já ser um pouco antigo, assista e preste bastante atenção nas referidas cenas. Compare-as com as investidas do maligno sobre nós, todos os dias, e convença-se de que o melhor a fazer é, simplesmente, ignorar a pergunta incômoda e maligna, porque nós, que pretendemos ser fieis até o fim, sabemos quem é, e onde está, o nosso Pai, assim como temos certeza de que nenhum pai deste mundo é comparável a Ele, porque somente Ele pode assegurar uma vida plena e abundantemente feliz a todos e a cada um dos seus filhos: a vida eterna! Reflita e, orando como Jesus, resista e sobreviva. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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