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jan 13

EDITORIAL DA SEMANA: ONDE ESTÃO OS VERDADEIROS LÍDERES

O MUNDO EM EBULIÇÃO

UM MUNDO EM EBULIÇÃO: O QUE É POSSÍVEL ESPERAR PARA O FUTURO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Passadas as duas primeiras décadas deste tão desejado século XXI, algumas estacas já estão solidamente fincadas em nossas mentes e corações, de modo a nos inculcar a convicção de que nem tudo o que queríamos, nos será dado ou permitido usufruir. Isso porque aquele mundo pós-guerra fria, promissor de dias melhores e mais iluminados, teleguiado por sábios, competentes e experientes líderes revelou-se, nos últimos vinte anos, carente de tudo o que seria necessário para uma vida, realmente, melhor.

Primeiro é bom buscar nas profundezas do cérebro a imagem de algum líder, verdadeiramente influente e capaz de conduzir o conjunto das nações, graças à sabedoria e ao carisma herdados de antepassados da mesma linhagem. Quem é capaz de, hoje, apontar um líder que seja ouvido com atenção, respeito e seguimento nos diversos foros internacionais? Excetuando a figura ímpar do Papa Francisco, líder supremo da Igreja Católica, que não tem assento ou palavra na ONU, na OTAN ou em DAVOS, qual liderança exerce o papel de fiel da balança civilizatória?

Certamente não é preciso, aqui, ficar perdendo tempo escrevendo os nomes de um por um dos governantes mundiais que, com o pouco que têm, gostam de se apresentar como chefes de Estados e de governos e que, só por este fato, acreditam-se, e querem se fazer acreditar, como líderes políticos. Na verdade, são pessoas que, se olhassem para trás e examinassem as biografias de todos os seus antecessores, teriam que renunciar aos seus postos, ante a imensurável discrepância no tocante ao caráter, à postura, aos princípios, à força, à ética, à coragem, à sabedoria e ao carisma.

Não se trata de saudosismos não. Trata-se de verificar que, na realidade atual, estamos à mercê e sob o comando de pessoas absolutamente desprovidas do espírito de liderança e do carisma necessários para a condução de um povo rumo ao seu destino. Que leiam as biografias dos grandes homens e mulheres do passado. E não precisam ir muito longe não, basta um pouco de atenção sobre os grandes do século passado, homens e mulheres.

Entretanto, faltam aos pretensos líderes de hoje a humildade para, em primeiro lugar, reconhecerem suas visíveis carências de tudo para poderem pretender ser reconhecidos como verdadeiros líderes; em segundo lugar, falta-lhes a sabedoria para buscarem no passado de suas Nações o conhecimento acerca de todos os atributos de que eram dotadas as verdadeiras lideranças, cada uma em sua época. E, por fim, falta-lhes inteligência mesmo para, ainda que desistam de perquirir o passado de suas Nações, conseguirem comandar seus povos rumo ao futuro desafiador que os afronta no dia-a-dia.

Diante deste cenário de pós-guerra, no qual vemos destroços para todos os lados, onde cães, gatos, ratos e hienas andam de mãos dadas, cada qual preparando um golpe maior contra o outro, caminha uma estupenda massa popular, desprovida de saúde, de alimentos saudáveis, de educação apropriada e alinhada com os tempos modernos e vítima de toda a insanidade despejada em cada esquina pelos mamíferos já citados. Mamíferos no exato significado da palavra, porque vivem à caça das tetas públicas por onde ainda jorram leite e mel, produtos da espremeção de toda a coletividade.

Verdadeiramente, estamos em um mundo em ebulição, sem sabermos exatamente o que esperar do futuro. Um futuro que, com o avançar da tecnologia, poderia ser muito melhor e muito mais saudável para toda a Criação, com tudo o que o termo significa, mas, que, infelizmente, desponta como grande ameaça à sobrevivência de todas as espécies.

No entanto, ainda existem portas abertas. Portas que podem conduzir a humanidade para cenários muito mais promissores do que a este ao qual chegamos pelas mãos de falsos líderes. Uma destas portas está conectada com a possibilidade de a juventude, numa verdadeira guinada de 360º, preparar-se para substituir, em alto nível, os atuais condutores cegos. E isso pode ser feito por meio do estudo, da pesquisa, da investigação e do aperfeiçoamento de tudo o que os grandes do passado foram capazes de fazer. Basta invadir uma Biblioteca, real ou virtual, e escarafunchar os anais da História, para descobrir com estupefação tudo o que os verdadeiros líderes fizeram para legar para todos nós o mundo que temos diante dos olhos.

O segredo para sair desta encruzilhada histórica está, justamente, no estudo da História!

Outra porta aberta diante de todos nós é a que dá acesso à política. Também aqui, é necessário examinar os arquivos do passado, para descobrir o modo pelo qual os grandes e verdadeiros políticos souberam transformar a pequena e inexpressiva cidade-estado em verdadeiro e potente Estado Nacional com expressão mundial, graças à coragem, à sabedoria, à inteligência e à diplomacia, virtudes escassas no dias que correm.

Por fim, porém, sem esgotar a exploração de outras portas, temos a porta de conexão com o divino e com o sagrado que, atualmente, estão relegados a segundo e terceiro planos. É preciso investigar o passado para constatar que reis, rainhas, sábios, profetas, doutores da lei, sacerdotes e governantes sempre estiveram intimamente conectados com a divindade, por meio do culto, da oração e da oferenda, individual ou coletiva, de graças e de sacrifícios. Enquanto vigorou a crença de que “sem Deus nada podemos” a civilização caminhou mais ou menos ajustada. Porém, a partir do momento em que ganhou força a ideia de que “Tudo podemos, mesmo sem Deus”, o desastre passou a ser o pão nosso de cada dia.

É preciso, acima de tudo, ter coragem, sabedoria e humildade para passar por estas portas. Entretanto, elas representam, ainda, possibilidades reais e palpáveis para que consigamos sair deste torvelinho histórico no qual estamos todos, sem exceção, envolvidos.

Que cada leitor e cada leitora saiba fazer uma avaliação sobre este texto e que, dentro das possibilidades, atue para que os cães, os gatos, os ratos e as hienas possam seguir seus próprios caminhos, deixando de representar, da forma sórdida, irresponsável e inconsequente como agem, verdadeiras ameaças para a sobrevivência de toda a espécie humana. Ainda existe tempo para uma mudança de direção. Seja feliz e, boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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