Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

«

»

fev 26

EDITORIAL DA SEMANA: UM TEMA DA ATUALIDADE

OPINIÃO

DIAS CARNAVAL, DIAS DE FUGA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

            Chegamos a mais um carnaval! Muita festa, muita alegria, muita música e, enfim, muito de tudo que faz a vida parecer um estágio de felicidade permanente, sem os assombros dos problemas, das dores, dos dissabores, das angústias, das surpresas negativas, dos roubos, das corrupções, das injustiças e de tudo o que, realmente, traz infelicidade para milhões de brasileiros.

            Mas, existe o carnaval! Este momento mágico que, no curso de alguns dias, apaga tudo o que é feio e pinta um quadro generoso e cobiçado. De sexta-feira de uma semana até o domingo da outra semana, para falar a verdade, o samba é o senhor absoluto de todas as razões.

            No entanto, nem tudo está envolto no esquecimento: jovens, pelo país afora, estão reclusos rezando, cantando louvores a Deus, fazendo novas amizades e assumindo compromissos com a ética, com a moral, com os bons costumes e com as boas práticas. Jovens que seguem as mais diversas denominações religiosas. Jovens que, acima de tudo, acreditam que existe algo de mais valioso do que a folia amnésica que invade o país levando multidões para os braços de uma alegria cara e desproporcional à realidade de suas vidas.

            Além disso, homens e mulheres, pais e mães, chefes de família, também estão reclusos em oração pelo mundo, pelo Brasil, pelas famílias e pela solução de todo um manancial de problemas que tanto têm afligido a nossa sociedade e que, passados os dias mágicos do esquecimento e da fuga, certamente, retornarão com a mesma força de sempre.

            Muitos outros cidadãos e cidadãs, ainda que contra a vontade, estão trabalhando normalmente, para tentarem manter o bem estar de uma maioria comprometida com a fuga dos problemas e da dura realidade do dia-a-dia.

            Não se deve condenar as festas populares. Ao contrário, devemos incentivá-las e, na medida do possível, delas participar com vigor, alegria e satisfação. Deus que ver o seu povo feliz e festivo. O que devemos condenar é o silêncio da mídia que, nestes dias, se cala diante da fome, do desemprego, da carestia de alimentos, passagens e remédios, da corrupção, dos roubos, dos homicídios, dos políticos fanfarrões que estão esbanjando o dinheiro do povo, diante do povo, sem que ninguém os fotografe, filme ou grave, como se nestes dias, existisse uma espécie de alforria para tudo o que está acontecendo de mal na sociedade.

            O que devemos condenar com veemência é o incentivo dado por prefeitos e governadores aos promotores do samba, sob a falsa alegação de atrair e de alegrar os turistas, como se turista pagasse os salários atrasados dos servidores públicos que, desde o ano passado vivem em penúria nunca, jamais, vista em nossas terras. Passados os dias de alegria virtual, vem a tristeza real: falta dinheiro para o policiamento, falta dinheiro para a saúde pública, falta dinheiro para pagar as aposentadorias. Surgem aumentos de passagens de ônibus, metrôs e barcas, aumentos nas tarifas de luz, água, esgoto e telefone, sem que ninguém, absolutamente ninguém, fale em incentivo ao pobre, ao trabalhador, ao doente, ao estudante e ao indigente.

            O carnaval seria muito mais bem-vindo se viesse, todos os anos, para celebrar as vitórias do povo, com a sua promoção a uma vida mais digna, com remédios e alimentos mais baratos, atendimento médico de qualidade e imediato, ensino fundamental, médio e superior de melhor qualidade, formando verdadeiros cidadãos para o país e para o mundo. Aí sim, deveríamos saudar o carnaval como a festa das festas e não, como temos vivido neste país, quando o carnaval nada mais é do que um período de fuga, no qual os sofredores fogem da sua realidade, os fanfarrões, ladrões, corruptos e irresponsáveis fogem dos holofotes e a mídia foge da sua responsabilidade de dar continuidade ao noticiário diário, onde são divulgadas notícias apavorantes, tanto no Brasil, quanto no próprio mundo. Neste dias, parece que o mundo acabou e que só restamos nós, povo feliz e que, como ninguém, sabe colocar seus blocos na rua!

            Entretanto, o povo tem a palavra final. E, se o povo está se sentindo feliz, quem pode contradizê-lo? Boa sorte, e seja feliz!

________________________________________

*Luiz Antonio de Moura administra o site www.lisaac.blog.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: