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nov 03

EDITORIAL DA SEMANA: VALORES E ESTRATÉGIAS PARA VIVER BEM – PARTE III

VIDA COMUNITÁRIA

A ARTE DA VIDA: VALORES & ESTRATÉGIAS PARA VIVER BEM – PARTE III –

*Por L. A. de Moura – 

Quase sempre, quando falamos sobre “viver bem”, instigamos as pessoas a darem asas às suas imaginações. Cada um pensa naquilo, ou sobre aquilo, que, de fato, lhe dá a sensação de que a vida, naquelas circunstâncias, vale à pena ser vivida.

Nossa proposta, evidentemente, é outra e passa por caminhos absolutamente diversos. O “viver bem” que propomos está muito além do simples ter, fazer ou acumular. Quando apresentamos a proposta de uma vida que realmente valha à pena ser vivida, na PARTE I deste projeto, começamos instigando nossos leitores e leitoras a iniciarem o trajeto fazendo uma boa viagem ao interior de si mesmos, com a finalidade de desobstruírem vias e pavimentarem as largas estradas que podem conduzir o ser humano ao centro da Grande Sala, na qual o espelho real surge à frente do visitante, de modo a incomodá-lo mesmo, fazendo-o enxergar quem, de fato, ele é.

A partir deste encontro com o espelho da verdade, o qual reflete o que a pessoa é por dentro, e não, a forma como ela se ornamenta para parecer mais simpática, mais charmosa ou mais bonita por fora, é que surge a decisão de fazer, ou não, profundas mudanças estruturais. Mudanças tais que, ao longo do tempo, trarão para o mundo exterior aquele ou aquela em cujo interior mais profundo brilha o templo no qual habita o Espírito de Deus.

É este novo ser humano que, agora, conhecedor profundo de si e sabedor de tudo o que precisa fazer, sempre, para manter-se íntegro e evoluído, vai, então, experimentar novas ações com vistas à longevidade saudável em todos os aspectos. E Mais: com vistas a uma vida que, dure o quanto durar, seja palco de muitas alegrias, muitas realizações e, por fim, de excelentes exemplos a serem multiplicados por todos os que, um dia, desejarem viver tão bem.

É notório que os seres humanos sempre, em todas as épocas, foram treinados para a vida em comunidade. Para o ser humano é uma tarefa quase impossível a vida descolada do grupo social, seja ele de que nível for. Estar junto é o que dá alegria, prazer e satisfação para o ser humano. E este “estar junto” pouco importa o “junto com quem”. Estar com a família, por exemplo, é, para muitos, algo de valor inestimável; para outros, no entanto, estar junto dos amigos mais íntimos é motivo de muita alegria, por serem os momentos mais bem curtidos da vida. Outros, ainda, preferem a companhia de um amor, de uma pessoa que traz o calor, o carinho, a palavra, o consolo, a força, o incentivo e tudo o mais que se imagina poder vir daquele ou daquela a quem se ama de modo intenso.

Bem, seja como for, independentemente da companhia, os seres humanos sentem falta desta vida comunitária. Falar, rir, dançar, contar piadas, beber, namorar, jogar conversa fora, como se diz, entreter-se com jogos diversos, enfim, divertir-se o máximo possível, sempre que for possível. Não se podendo esquecer que, também, o trabalho é uma forma de vida comunitária, pois é nele que somos convidados a participar de um projeto tal que, de um modo ou de outro, acabamos sendo envolvidos e absorvidos. Nós e a quase totalidade dos que ali estão, cumprindo missões bastantes semelhantes à nossa.

Não deve ser desconhecido de você que esta vida comunitária, em razão da dimensão que ostenta, é denominada apropriadamente como “vida em sociedade”. É aqui que, se você não estiver adequadamente preparado(a), sua vida começa a ficar complicada. É nesta vida em sociedade que, enquanto você não fizer aquela viagem ao seu interior, a sua situação vai ficando cansativa, extenuante, depressiva e cenário de muitos outros males e de muitos dissabores. Isto porque a vida, seja na forma simplesmente comunitária, ou em sociedade, nos desafia a estar ao lado de companhias que, nem sempre, são as que mais gostamos ou admiramos. E é neste cenário que somos convocados pela vida ao que se convencionou chamar de “convivência”.

Convivência, conforme o próprio nome sugere, significa viver com o outro. E este outro, quando não sabemos exatamente quem somos ou quais são as nossas reais potencialidades, pode se transformar em um verdadeiro tormento para o nosso dia-a-dia. Não sem razão, Jean-Paul Sartre declarou que “o inferno são os outros”. É claro que, respeitadas as devidas proporções e contextualizações.

Ora, eu penso que, aqui, você já deve estar enxergando alguma coisa que diz respeito a você. Alguma coisa já está mexendo com você, seja para concordar absolutamente comigo, ou, de outro lado, para discordar diametralmente. No entanto, sinto que estamos caminhando juntos.

Bom, se nossa proposta é o “viver bem”, parece óbvio que precisamos aparar todas as arestas e vencer todos os obstáculos que, porventura, caiam na nossa frente e, certamente, a convivência, se não puder ser reconhecida como um grande obstáculo, sem sombra de dúvidas, será um tremendo desafio a ser encarado e superado. A convivência, para o nosso bem, não deve ser obstáculo, ao contrário, deve operar como fator positivo para o nosso desenvolvimento pessoal e crescimento espiritual, senão... a vida será, por demais, complicada para nós.

Ora, você perguntará, com toda razão: “qual é o segredo para que a convivência não venha se interpor, negativamente, entre mim e o meu projeto de viver bem?” Sua pergunta é sagaz! Conviver exige atributos, poderia dizer, sapienciais. Somente os verdadeiramente sábios é que conseguem conviver, em sociedade ou em comunidade, de modo a não se deixarem engolir por sistemas, costumes, manias e todas as formas de desrespeito, ingratidão e injustiça às quais somos expostos e submetidos todos os dias que amanhecem. 

Mas, volto a dizer: se você já fez a viagem interior; se avistou-se com o seu espelho interno, se descobriu o templo divino sediado no centro do seu ser e se, principalmente, começou a implementar as mudanças estruturais e espirituais necessárias para o seu crescimento e para a sua evolução como ser, nada te causará medo. Até porque, o medo não pode mais ter lugar na sua vida.

Assim, tratando-se de um novo ser, ou pelo menos, em vias de sê-lo, é necessário pautar a vida e a convivência por parâmetros tais que, de um lado, propiciará uma vida plena e sadia e, de outro, uma adesão coletiva capaz de trazer prazer e alegria, e não, tristezas, decepções e amarguras.

Bem, é preciso, então, começar a listar os atributos a serem incorporados ao modus vivendi por nós escolhido e, neste caso, vamos começar por um dos mais falados ultimamente: a conduta ética. Você, com toda razão, está percebendo que, quando falamos em ética, temos assunto para muitas linhas, pois, não se trata de um tema qualquer. Trata-se de uma conduta que, além de cobrar uma conceituação minimamente inteligível, exige algumas explicações adicionais para que, de fato, saia do campo meramente teórico e passe a fazer parte da realidade por nós vivida no dia-a-dia, onde quer que estejamos, acompanhados ou não, na menor comunidade possível ou mesmo no seio da grande sociedade.

Por esta razão, vamos abrir um capítulo todo especial para cuidarmos da “conduta ética”, de modo a podermos expandir um pouco mais todos os horizontes.

Por ora, é bom que você releia os textos anteriores. Examine o itinerário seguido até aqui e veja se já está pronto(a) para começar a trabalhar, de fato, para tornar-se um artesão na arte de bem viver, a arte da vida! Faça as suas reflexões, tire as conclusões possíveis, compartilhe com outros seres, se julgar conveniente e apropriado e, até breve. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Filosofia, estudioso da Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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