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set 24

EDITORIAL DO MÊS: AO IMITAR JESUS, O PAPA FRANCISCO É EXEMPLO PARA TODOS OS CRISTÃOS

O PAPA NA ÁFRICA

OS CRISTÃOS E O PAPA FRANCISCO: RELAÇÃO A SER APRIMORADA, EXEMPLOS A SEREM SEGUIDOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Lemos, nos dias atuais, toda a batalha que o Papa Francisco tem enfrentado, e muito do que ainda está para enfrentar, simplesmente, porque decidiu fazer o que a Igreja, como um todo, parece desconhecer profundamente: ser imitador de Jesus Cristo. Um Papa que se nivela aos mais pobres, aos doentes, aos humildes e humilhados, aos excluídos e discriminados, aos imigrantes, rechaçados em todas as praças do mundo, aos famintos, aos indígenas e a toda uma casta de pessoas que não se enquadram no perfil desejado pelas cabeças mais coroadas, com o ouro da exploração, de todo o Planeta.

Um Papa que, a exemplo de Jesus, a quem diz representar, quer acolher com todas as prerrogativas concedidas aos mais “santinhos” dos cristãos, todos os filhos de Deus, sem qualquer exceção, mas, que encontra em determinados grupos que se dizem “defensores da Igreja e da Tradição” forte resistência e até mesmo grande rejeição.

No tempo de Jesus, era natural que o povo agisse da forma como agiu, vendo o Mestre nazareno sendo condenado à morte, sem nada fazer, haja vista o baixíssimo grau de instrução reinante. No entanto hoje, em pleno século XXI, apesar de todas as dificuldades relacionadas com o ensino e com a educação, de um modo geral, não se pode comparar este, com aquele povo. Hoje, não dá mais para admitir que os cristãos, como um todo, e os católicos, em particular, possam ficar à distância observando a execração de um homem que, acima de tudo, repete as falas, os gestos e os comportamentos de Jesus, em defesa dos mais pobres, humildes, necessitados, excluídos e perseguidos em razão da condição de vida que têm, voluntária ou involuntariamente.

Pois é o que está acontecendo. O Papa Francisco tem promovido verdadeira devassa nas entranhas da Igreja, o que tem gerado enorme insatisfação interna e externamente. E esta insatisfação, cujas reais causas não veem a público, tem sua razão de ser na visão chamada “progressista” do Pontífice que, olhando para o Cristo, quer defender o meio ambiente e o Planeta Terra, como nave mãe de toda a Criação; quer acolher os excluídos de todas as espécies; quer receber com um caloroso abraço e com um prato de alimento, os imigrantes que, desesperados, partem de suas pátrias para não serem dizimados pela guerra, pelo terrorismo, pela doença e pela fome e procuram abrigo em diversas partes do mundo, sendo acolhidos por uns, presos, maltratados, condenados aos campos de refugiados e rechaçados por outros, como se a Terra pertencesse a uma casta específica. 

O PAPA E O POVO DE DEUS

Papa lamenta que resgatar bancos seja mais importante que salvar refugiados - FONTE: http://relances.blogspot.com/2016/11/papa-lamenta-que-resgatar-bancos-seja.html 

Este Papa, é de se perguntar, é comunista, progressista, esquerdista, terrorista ou, simplesmente, cumpre à risca o exemplo do bom samaritano, tão espetacularmente contado por Jesus? Seria o Papa o errado, ou seriam os seus detratores, que preferem acobertar todas as mazelas do mundo, colocando fogo no paiol com a singela desculpa de estarem queimando o joio para preservarem o trigo?

Quem são os cristãos? São os que dividem, excluem, matam, destroem, perseguem, ideologizam e demonizam, ou são os que deveriam imitar Jesus Cristo em tudo o que fez e ensinou?

Parece ter chegado a hora dos verdadeiros cristãos, daqueles que seguem, não apenas as pegadas, mas, e, sobretudo, as palavras, os gestos e as ações de Jesus, formarem fileiras ao lado do Papa Francisco para, ombro a ombro, postularem mais justiça, mais direitos para os humanos, mais compreensão, mais perdão, mais reconciliação, mais aceitação e tolerância, mais união e mais defesa do ambiente no qual todos estamos inseridos, em resumo: mais amor e mais misericórdia. Não é possível deixar que, mais uma vez, um justo pague por todo o mal praticado por tantos, durante tanto tempo.

Os católicos, de modo especial, precisam tomar consciência de que a Igreja não é apenas o fabuloso conjunto arquitetônico situado na Praça São Pedro, em Roma. Não! A Igreja é o fabuloso conjunto humano que prima pelos mandamentos de Deus, dentre os quais o segundo maior e mais importante é o amor ao próximo como a si mesmo.

Portanto, é dever de todo cristão, e, especialmente, dos católicos, fazer ecoar por toda a Terra as mensagens de paz, de amor, de compaixão e de misericórdia vindas do Papa Francisco para todo o mundo, sem qualquer exceção, dando ele próprio o exemplo nas praças, ruas e avenidas percorridas em todas as Nações por onde tem passado.

Mais do que rezar pelo Papa, os católicos devem replicar tudo o que ele defende, porque, acolher com amor e carinho; receber de braços abertos; sentar-se à mesa e tomar alimentos com os pecadores, com as prostitutas, com os publicanos e com toda espécie de excluídos é repetir Jesus e, se alguém repete o Mestre de Nazaré, não pode ser tachado de inimigo da Igreja, mas, verdadeiramente, um dos seus mais importantes representantes.

Neste momento nebuloso e escurecido por palavras e por ações contra o Sumo Pontífice Católico, que cada homem e cada mulher, jovens ou idosos, façam brilhar a Luz que têm dentro de si, para que seja lançado o máximo de claridade sobre o obscurantismo que, por trás de mantos, capuzes e armas, tenta lançar o Papa Francisco na fogueira ardente da omissão, do silêncio e da conivência. Que se façam ouvir as vozes dos verdadeiros seguidores de Jesus e que o Sol volte a brilhar sobre a Igreja de Cristo e sobre seus fiéis seguidores, em todos os quadrantes do Planeta.

O Papa sozinho não tem condições de modificar as estruturas injustas e carcomidas do mundo. Mas, se todos os homens e mulheres de boa vontade tomarem-no como exemplo e replicarem, principalmente, por meio das tão badaladas redes sociais, seus atos e palavras de fé, de amor, de perdão, de acolhimento, de tolerância, de compaixão e de misericórdia, certamente, ocorrerão mudanças visíveis e sensíveis em todas as partes do mundo.

Apesar de certas ordens, doutrinas e ideologias impostas ao mundo, o conjunto de todos os homens e de todas as mulheres será sempre muito maior e muito mais potente e, portanto, totalmente capaz de fazer o pêndulo da balança inclinar-se para o lado da justiça, do direito, da tolerância, do perdão, da compaixão e da misericórdia, virtudes cunhadas a fogo por Deus ao longo de toda a História e, particularmente, descritas e ensinadas à exaustão, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

É preciso que as pessoas se liguem em tudo o que está se passando ao seu redor, e parem de fazer coro com as vaquinhas do Presépio, acreditando que ir ao templo ou à igreja nos dias e horas designados é o bastante para justificar o título de CRISTÃO e o suficiente para assegurar-lhes uma vida eterna cheia de gozo e de felicidade. Antes, é necessário sentar-se com os pobres, com os desvalidos, com os excluídos e perseguidos de todas as espécies, com os imigrantes famintos e abandonados à própria sorte, com os trabalhadores explorados mundo afora, com os pecadores, com as prostitutas, com os homossexuais, com os indígenas, com os aprisionados sem lei e sem justiça, com os divorciados, com os recasados, com os que não são casados na Igreja, ou seja, com os leprosos do nosso tempo. Mirem-se no exemplo de Jesus e tenham coragem para, assim como Ele, afirmarem que são Filhos do Altíssimo, pouco se importando com as reações do Sinédrio moderno.

Nada disso significa afronta, enfrentamento ou desrespeito à Igreja ou à Tradição mas, e acima de tudo, significa agir como Jesus agiu e, certamente, como agiria, ainda, nos dias de hoje. Não viver desta forma e, ao contrário, ficar em cima do muro jogando pedras e criticando, importa no não seguimento a Jesus e a tudo o que Ele fez, ensinou e praticou. O Papa Francisco é exemplo a ser seguido por todos nós, que nos autoproclamamos cristãos. É bom refletir, repetir e replicar. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.                  

 

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