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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jun 28

LECTIO DIVINA: FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – QUEM VOS RECEBE, A MIM RECEBE –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da verdade”.

1. PRIMEIRA LEITURA: 2Rs 4,8-11.14-16a

É um santo homem de Deus, este que passa em nossa casa.

A palavra de Deus deste domingo está centrada na hospitalidade, valor muito apreciado na cultura dos tempos bíblicos. Havia a convicção que Deus olha com carinho para as famílias que acolhem viajantes, peregrinos ou missionários. O profeta Eliseu era considerado um missionário, mensageiro de Deus. Não tinha morada fixa, mas anunciava a Palavra em todos os lugares para onde Deus o enviava. Em suas andanças era sempre acompanhado por um discípulo, Giezi. Quando viajava na Galileia, costumava hospedar-se em Sunam na casa de um casal de certas posses, mas que não tinha filhos. Por iniciativa da mulher, foi até construído um pequeno apartamento no terraço da casa para hospedar o “santo homem de Deus” e seu companheiro. Vendo a bondade com que a mulher os tratava, Eliseu perguntou ao discípulo: “Que se poderia fazer por esta mulher”? E Giezi comentou que ela não tinha filhos. Na despedida Eliseu disse à mulher: “Daqui a um ano, neste tempo, estarás com um filho nos braços” (cf. 2Rs 4,8-17). A mulher tratava com todo o carinho os hóspedes profetas. O que mais desejava era ter filhos e recebeu a promessa de um filho, “uma recompensa de profeta”, como diz Jesus no Evangelho.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 88

Ó senhor, eu cantarei, eternamente, o vosso amor.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 6,3-4.8-11:

Sepultados com ele pelo batismo, vivamos uma nova vida!

O apóstolo Paulo não conheceu o Jesus histórico. O Evangelho que prega baseia-se na tradição apostólica recebida sobre Jesus e que ele sempre transmite: “que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que ressuscitou ao terceiro dia” e apareceu aos apóstolos, a mais de quinhentos irmãos e, por fim, também a ele (1Cor 15,3-11). Na leitura de hoje, Paulo insiste que a vida cristã tem seu fundamento na morte e ressurreição de Cristo. Recorre aos símbolos do batismo que, no seu tempo, se fazia por imersão. No rito do batismo, o catecúmeno descia na grande pia batismal, onde era mergulhado na água, simbolizando a participação na morte redentora de Cristo e sua própria morte para a vida de pecado. Ao emergir doutro lado da bacia, ressurgia para uma vida nova, como participante da glória de Cristo ressuscitado. Por isso Paulo diz: “Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele”.

Hoje, o rito do batismo é mais simples, mesmo assim alguns ritos lembram o que Paulo nos diz sobre o significado do batismo: a vela que os padrinhos acendem no círio pascal lembra a morte e ressurreição de Cristo; a veste batismal lembra a vida nova em Cristo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Vós sois uma raça escolhida, e propriedade de Deus.

Proclamai suas virtudes, pois, de trevas luz ele fez.

3. EVANGELHO: Mt 10,37-42

Quem não toma a sua cruz, não é digno de mim.

Quem vos recebe, a mim recebe.

Domingo passado já ouvimos um trecho do discurso missionário, no qual Jesus animava os apóstolos a enfrentarem as dificuldades no anúncio do evangelho (Mt 10,26-33). O evangelho de hoje conclui o discurso missionário. Antes de escolher os apóstolos e enviá-los em missão, Jesus age sozinho, embora acompanhado por muitos discípulos e pelo povo. Pouco antes (Mt 9,37-42), Mateus dá um resumo da atividade de Jesus: Jesus percorria cidades e aldeias e pregava “o Evangelho do Reino de Deus”. Compadecia-se do povo sofrido, “porque estava cansado e abatido, como ovelhas sem pastor”. E dizia aos discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua colheita”. Logo em seguida, Jesus chama doze entre os discípulos e lhes dá o nome de apóstolos (Mt 10,1-4). E, antes de enviá-los em missão, traça o plano de ação no discurso missionário (10,5-36). O texto do Evangelho divide-se em duas pequenas partes: exigências para a vida do apóstolo missionário (10,37-39) e recomendações para os cristãos oferecerem hospedagem a eles (10,40-42).

Entre as exigências se mencionam: o desapego dos laços familiares que impedem de cumprir com amor e liberdade a missão; tomar a própria cruz e seguir a Jesus Cristo; ser capaz de arriscar a própria vida por amor a Cristo. Como os apóstolos missionários devem deixar sua casa e família a fim de cumprir sua missão, Jesus recomenda aos cristãos que lhes seja dada hospitalidade (primeira leitura). Mais adiante, quando Pedro pergunta a Jesus – “e nós que deixamos tudo e te seguimos que recompensa teremos” –, Jesus responde: “Todo aquele que deixar casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de meu nome, receberá cem vezes mais e possuirá a vida eterna” (Mt 19,27-30). Os que recebem em sua casa os missionários, é a Jesus que recebem (10,41). E quem acolhe as pessoas pobres e desprotegidas, acolhe o próprio Jesus, e receberá como recompensa a vida eterna (Mt 25,34-40).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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