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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jul 19

LECTIO DIVINA: FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM – DEIXAI CRESCER UM E OUTRO ATÉ A COLHEITA –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Sb 12,13.16-19

Concedeis o perdão aos pecadores.

O sábio medita e contempla o agir de Deus com os seres humanos. Deus é um juiz poderoso, mas em vez de usar seu poder para punir, prefere cuidar de todas as suas criaturas. Tem força para aniquilar os pecadores, mas controla o princípio da justiça punitiva pela sua clemência. A bondade divina não diminui em nada sua justiça nem seu poder. Ele “ensina ao seu povo que o justo deve ser humano” e nos dá a “confortadora esperança” de que Deus “concede o perdão aos pecadores”. Meditemos e louvemos a “humanidade” de nosso Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 85

Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,26-27

O Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.

Domingo passado Paulo dizia que pelo batismo já recebemos o Espírito Santo que age em nós, suscitando os primeiros frutos do Espírito. No entanto, estamos gemendo como que em dores de parto junto com todas as criaturas dominadas pelo pecado, na esperança de ver desabrochar a nova criação. Pela força do Espírito Deus continua criando e renovando a sua criação (cf. Sl 104,30). Hoje Paulo nos convida a ouvir a voz, os gemidos do Espírito criador. Ele se faz ouvir no âmbito da Igreja, na voz dos leigos, no âmbito político, na voz do povo e no respeito da vida de todas as criaturas (ecologia integral). É o Espírito Santo que convoca todas as religiões e pessoas de boa vontade para o cuidado da vida de todos os seres criados. Como esses gemidos se explicam nas parábolas do joio, do fermento e do grão de mostarda (Evangelho)?

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mt 11,25

Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra:

Os mistérios do teu Reino aos pequenos, Pai, revelas!

3. EVANGELHO: Mt 13,24-43

Deixai crescer um e outro até a colheita.

O evangelho de hoje está unido à primeira leitura pela ideia do julgamento de Deus, justo e indulgente para com todos. Relaciona-se também aos gemidos do Espírito da segunda leitura. Domingo passado, refletimos sobre a parábola do semeador: Jesus (e a Igreja) que anuncia o Reino de Deus e vê resultados diferentes de sua ação. Hoje ouvimos três pequenas parábolas de Jesus, do joio, da mostarda e do fermento na massa. Elas continuam e aprofundam a parábola do semeador. A parábola do joio reflete sobre os fatores que impedem o crescimento da semente: terreno ruim, pedras e espinhos aniquilam o crescimento da semente; a terra boa, por sua vez, produz diferentes resultados na hora da colheita. Além do bom semeador que semeia sementes boas, outras sementes são semeadas pelo inimigo na mesma terra. A sociedade em que vivemos é a terra capaz de receber sementes boas e ruins. Pelos frutos, bons ou maus, conhecemos quem é o semeador e a qualidade da semente semeada. Quem semeia hoje as sementes más da injustiça, da desigualdade, da corrupção e da violência em nossa sociedade? Além da boa semente que os pais procuram semear no coração de seus filhos, quais outras sementes influenciam negativamente a educação dos filhos? E o que dizer da qualidade da semente que os ministros da Igreja semeiam? O que devemos fazer? Tomar atitudes radicais como propunham os trabalhadores ao seu patrão? Sermos impacientes e radicais como João e Tiago, que pediam a Jesus para rogar pragas aos samaritanos que não o acolheram? Ou agir com sabedoria e prudência como o dono da plantação sugeriu (cf. primeira leitura).

As leituras nos convidam a confiar na força criadora do Espírito Santo, que cria e renova todas as coisas. O poder de Deus se esconde no dinamismo de uma pequena porção de fermento, capaz de levedar a massa, e na insignificância de uma sementinha de mostarda que esconde em si uma frondosa árvore. Paulo, ao falar da ação da graça em sua vida, diz: “Pois quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10). – Deus é misericordioso e aguarda com paciência os frutos, como vemos na parábola da figueira estéril (Lc 13,6-9).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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