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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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ago 02

LECTIO DIVINA: POR FREI LUDOVICO GARMUS – OFM

LUDOVICO GARMUS

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O HOMEM NÃO VIVE SOMENTE DE PÃO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para elas a vossa criação, e conservando-a renovada”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 55,1-3

Apressai-vos, e comei!

O texto que ouvimos conclui oráculos dos discípulos do profeta Isaías do século VIII (II Isaías), agora dirigidos aos exilados em Babilônia. Um profeta anônimo, pelos anos 550-540 a.C., fala aos netos dos exilados há mais de 50 anos. Jeremias havia escrito uma carta para eles logo que foram exilados, dizendo que o exílio iria durar bastante tempo (Jr 29,1-14). Agora, porém, as circunstâncias políticas tinham mudado e era hora de voltar. Mas como despertar a atenção e o interesse da nova geração que não tinha conhecido o templo nem a terra de seus antepassados? Como despertar uma fome e sede espirituais de um retorno à aliança com Deus, quando eram tentados a abandonar sua fé? Por isso, a mensagem visa animar a fé e a esperança nos desanimados, e despertar uma sede e fome de Deus no fundo de seus corações. É a gratuidade e a força da Palavra de Deus que operará este milagre. Era preciso ouvir os profetas, mensageiros de Deus: “Inclinai o vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida!” Muitos exilados na Babilônia, talvez já tivessem resolvido os problemas básicos materiais: tinham moradia, trabalho e alimentação. Mas, somente o Deus vivo poderia saciar sua fome e sede espirituais, e não os ídolos mortos. Nada melhor do que voltar à terra prometida aos antepassados, uma terra de liberdade e fartura, “onde corre leite e mel” Dt 26,15).

Nos tempos difíceis da pandemia do Covid-19, na qual estamos vivendo, somos convidados a ouvir a palavra de Deus, para renovar nossa fé e esperança em Cristo Jesus, nossa Vida e Salvação.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 144

Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,35.37-39

Nenhuma criatura poderá nos separar

Do amor de Deus manifestado em Cristo.

Paulo experimentou intensamente o amor de Cristo desde sua conversão. Na Carta aos Gálatas chega a dizer: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Quando escreve aos cristãos de Roma, Paulo sente-se envolvido, junto com todos os cristãos, pelo amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, do qual nenhuma força adversa poderá nos separar. Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada que ele e os cristãos sofreram, foram momentos que o fizeram crescer na fé e no amor a Cristo Jesus. As situações extremas de sofrimento vividas por Paulo podem atingir a qualquer um de nós. Que tais sofrimentos façam crescer, também em nossa vida, a fé, a esperança e o amor a Cristo Jesus.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

O homem não vive somente de pão,

Mas vive de toda palavra que sai da boca de Deus.

3. EVANGELHO: Mt 14,13-21

Todos comeram e ficaram satisfeitos.

Após o discurso das parábolas (cap. 13), no evangelho de Mateus, Jesus visita Nazaré, sua cidade de origem, onde é rejeitado pelos conterrâneos. Logo em seguida recebe a notícia do martírio de João Batista, seu precursor. Jesus sentiu a rejeição de seus conterrâneos em Nazaré, sentiu a dor da perda do amigo João Batista e a ameaça que pairava sobre sua pessoa e missão; por isso, retira-se “para um lugar deserto e afastado”. O povo, porém, “sente o cheiro de seu pastor” e o segue a pé (14,13). Jesus, que desejava estar a sós com o Pai, para orar e refletir sobre sua missão, se vê de novo cercado pela multidão. Ao ver a multidão, Jesus “encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”. Era um povo sedento de sua palavra e faminto de seus gestos de amor (1ª leitura). – É interessante que o evangelho não diz que Jesus aproveitou a ocasião para ensinar ao povo. É que Jesus ensina também pelas ações, pelo toque de suas mãos que curam e trazem consolo ao coração. Jesus conversa com as pessoas, com as famílias que apresentavam seus doentes. Jesus “se compadece”, isto é, coloca-se no lugar das pessoas que sofrem e sofre com elas.

Quando chega a tarde os discípulos alertam a Jesus que precisava despedir a multidão, pois era tarde e o povo precisava procurar alimento e um abrigo. E Jesus lhes responde: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles reclamam, dizendo: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Nós sempre pensamos que o pouco não dá para dividir porque vai faltar. Na lógica de Jesus é possível dividir o pouco, porque dividindo, o pouco se multiplica. Jesus multiplicou os cinco pães e dois peixes, dividindo-os. E se muitos dividirem o pouco que têm, todos serão atendidos e acaba sobrando. Este é o milagre que Jesus quis ensinar ao povo. Milagre que vimos acontecer durante a pandemia.

A celebração da missa, na qual temos a mesa da Palavra e a Mesa do Pão, é um constante convite para vivermos o milagre da divisão do pão com os necessitados, em nossa vida prática. Certamente, Jesus, atendendo o povo doente e dividindo os pães e peixes, com poucas palavras, fez um dos discursos que mais mexem com nossa vida de Igreja e provocam a sociedade. _______________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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