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nov 15

LECTIO DIVINA: POR FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – FELIZES OS QUE TEMEM O SENHOR E TRILHAM SEUS CAMINHOS!

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Senhor nosso Deus, fazei que nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Pr 31,10-13.19-20.30-31

Com habilidade trabalham as suas mãos.

O livro dos Provérbios, em vários capítulos, simboliza a Sabedoria na figura da mulher. No último capítulo louva a mulher real, que teme a Deus. A leitura de hoje, extrai 7 dos 22 versos que compõe o poema, suficientes para exaltar a mulher que faz valer seus talentos. O poema exalta não tanto a beleza física da mulher, e sim, os talentos e a habilidade de suas mãos operosas. Ela compra a lã e o linho e o trabalha com a destreza de suas mãos. Como a tecelã, estende a mão para a roca e com os dedos segura o fuso. Com o trabalho de suas mãos veste a si mesma, veste o marido, os filhos e empregados, e pode estender as mesmas mãos para os necessitados e pobres. Tal mulher é mais preciosa do que todas as joias. Em sua feminilidade ela realiza-se como mulher, como esposa e como mãe porque gera a vida, alimentando e protegendo-a “como quem serve”, para a felicidade de toda a família (cf. Lc 22,27). O poema conclui-se dizendo que a beleza e a formosura da mulher são passageiras. Mas a mulher que teme a Deus, pelo amor-cuidado que manifesta em sua vida, merece ser louvada porque encarna o amor, a generosidade e a providência divina. A mulher sábia é como uma artesã que “sustenta a criação deste mundo”, como diz o Eclesiástico (38,34a).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 5,1-6

Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.

O trecho hoje lido continua as considerações de Paulo aos cristãos de Tessalônica sobre a ressurreição dos mortos e a segunda vinda do Senhor (2ª leitura do 32º Domingo). De início, o Apóstolo declara não poder acrescentar nada ao que Jesus já havia dito: “Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (cf. Mt 24,36). Quando tudo parece estar em “paz e segurança”, o dia do Senhor virá, de repente, como um ladrão de noite. O que fazer, então, como se comportar? Na admoestação final aos cristãos (v. 4-6) Paulo espera estar entre os vivos quando acontecer a vinda do Senhor (cf. 1Ts 4,13-18). Continuemos vigilantes e sóbrios – diz Paulo – para não sermos surpreendidos por esse dia. Iluminados por Cristo, somos filhos da Luz e não das trevas. Em outras palavras, os cristãos são convidados a viver na tensão escatológica da vinda do Senhor, mantendo sempre viva a fé e a esperança.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor;

quem em mim permanece, esse dá muito fruto.

3. EVANGELHO: Mt 25,14-30

Como foste fiel na administração de tão pouco,

vem participar de minha alegria.

A parábola dos talentos é a continuidade da parábola das dez virgens (32º domingo). Tanto a parábola das dez jovens como a parábola dos talentos estão relacionadas com a segunda vinda do Senhor. Havia, sobretudo na Galileia, pessoas ricas que eram donos de pequenos latifúndios. O patrão tinha empregados para cuidar das plantações de trigo ou cevada, oliveira e vinhedos. Segundo a parábola, o patrão viajou para o estrangeiro, talvez para Roma. Antes de se ausentar, chamou seus empregados para lhes confiar a administração das riquezas que havia acumulado. “A um deu cinco talentos, a outro dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com sua capacidade”. Um talento era uma medida de peso com valor aproximado de 34 kg. Tratava-se de peso em ouro ou prata. O primeiro trabalhou com os cinco talentos e lucrou mais cinco. Da mesma forma, o segundo que recebeu dois talentos, lucrou outros dois. Os dois primeiros foram ousados, até com o risco de perderem tudo, mas dobraram a quantia recebida. O terceiro, que recebeu apenas um talento, com medo de perder o valor recebido, enterrou seu talento até que o patrão viesse. – Após muito tempo, o patrão voltou da viagem e chamou os empregados para prestarem conta dos talentos recebidos. Os dois primeiros apresentaram-se com alegria por terem dobrado com seu trabalho o valor recebido. A esses o patrão diz: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria”. O terceiro empregado trouxe apenas o talento que havia enterrado e o devolveu ao patrão, desculpando-se porque tinha medo dele por ser um homem severo e explorador do trabalho dos empregados. O patrão o chamou de “servo mau e preguiçoso” e mandou tirar dele o talento para entregar ao empregado que dobrou os cinco talentos. Sob o ponto de vista humano a parábola dos talentos poderia levantar críticas ao procedimento do patrão. Considerando, porém, que a parábola fala do Reino de Deus, a lógica é outra. Deus confiou a cada um de nós talentos, dons e qualidades para serem colocados a serviço da família, do próximo, da comunidade e da sociedade (1ª leitura).

A parábola nos leva a uma revisão de vida. Com qual dos três empregados eu me assemelho? Na minha comunidade escondo os talentos que tenho, ou faço render a serviço do próximo as boas qualidades que Deus me deu? Procuro imitar a mulher sábia, colocando meus talentos em benefício da família e da comunidade?

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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