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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jul 12

LECTIO DIVINA – POR FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O SEMEADOR SAIU PARA SEMEAR –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo o que é digno desse nome”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 55,10-11

A chuva faz a terra germinar.

Os profetas no AT falam em nome de Deus ao povo de Israel. Aos poucos começam a refletir sobre o efeito, positivo ou negativo, que esta Palavra produz entre o povo. No livro de Isaías (40–55) temos uma reflexão sobre a palavra de Deus criadora, na criação dos astros, da terra, dos céus e do mar (40,26; 48,13; 50,2). Produz frutos também na obra da salvação (42,9; 46,10; 48,5). O texto de hoje (55,10-11) é um exemplo desta teologia. O texto quer mostrar a eficácia da Palavra de Deus. Em Israel, quando, após seis meses de seca, a chuva novamente cai na terra ressequida produz um efeito espetacular de vida. Assim diz o profeta, acontece com a Palavra que Deus envia do céu. Quando absorvida por corações sedentos de Deus, a Palavra sempre produz seu fruto. Deus tem um plano: executar a obra da salvação de seu povo, sofrido e desanimado (Is 40,6-7.27-31), e nada poderá impedi-lo de realizar este plano de salvação. A Palavra de Deus é sempre eficaz. Se nós a acolhemos, produz nossa salvação; se a rejeitamos, causa a perdição. “Escolhe, pois, a vida para que vivas” (Dt 30,19). – A Palavra de Deus é viva e atuante em minha vida?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 64

A semente caiu em terra boa e deu fruto.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,18-23

A criação está esperando ansiosamente

O momento de se revelarem os filhos de Deus.

A Palavra de Deus está sendo semeada no terreno dos filhos e filhas de Deus, que vivem em meio aos “sofrimentos do tempo presente”. Não é sufocando a natureza e a criação pelo consumismo e pelo mito da revolução tecnológica que o ser humano se realiza. O cristão, no entanto, movido pelo Espírito Santo, está todo voltado para frente, para o futuro. Vive a fé e o amor, mas é movido pela esperança. Não só o ser humano tem esta esperança, mas toda a criação é solidária e espera ser libertada da escravidão e assim “participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus”. Paulo diz que nós já temos os primeiros frutos do Espírito; mas estamos gemendo como que em dores de parto, aguardando a nova criação, que vai desabrochar plenamente da semente da Palavra de Deus. Ela atua dentro de nós, pela força do Espírito. O aquecimento global e a pandemia nos mostram que tudo está interligado em “nossa Casa Comum”. A criação, tão maltratada por nós, continua gemendo e esperando que nós, com a força do Espírito Santo, a respeitemos, libertando-a da dura escravidão que lhe estamos impondo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Semente é de Deus a Palavra, o Cristo o semeador;

Todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.

3. EVANGELHO: Mt 13,1-23

O semeador saiu para semear.

A parábola do semeador divide-se em três partes: a parábola como tal (13,1-9); para que servem as parábolas (13,10-17); a explicação da parábola (13,18-23). Percebe-se uma expansão desta parábola original de Jesus (13,1-9). A parte central da parábola parece ser uma reflexão sobre a razão da incredulidade de Israel; a explicação é uma “aplicação” da parábola para a vida da primeira Igreja, que tinha a missão de anunciar a palavra de Jesus. Na primeira parte Jesus fala à multidão e pinta a realidade da experiência da vida de um trabalhador, que semeia a sua semente na esperança de colher o devido fruto. E conclui: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”!

Jesus se apresenta como o semeador escatológico e constata que nem toda a palavra que ele ensina produz fruto, mas quando encontra terra boa, o fruto é abundante (1ª leitura). Esta parte representa um espelho da experiência positiva e negativa de Jesus, o semeador da Palavra. A pergunta dos apóstolos aprofunda e atualiza o sentido da parábola. A segunda parte reflete o mistério da rejeição de Israel à mensagem de Jesus (13,10-17); a terceira parte reflete o efeito na vida dos que crêem (v. 18-23). Uma coisa é certa: a Palavra de Deus não tem a finalidade de trazer o fechamento (a incredulidade), mas trazer a abertura (terra boa) do coração, que resulta em abundantes frutos. É como a chuva que cai, umedece a terra a não volta ao céu sem produzir seu fruto (Is 55,10-11).

A Palavra de Deus, escutada, lida e meditada, certamente produzirá os frutos que Cristo espera de nós.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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