Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

«

»

mai 03

LEITURA ORANTE: FREI LUDOVICO GARMUS, ofm

LUDOVICO GARMUS

4º DOMINGO DA PÁSCOA – EU CONHEÇO AS MINHAS OVELHAS –

* Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”.

1. LEITURA: At 2,14.36-41

Não era possível que a morte o dominasse.

No domingo passado, Pedro, em seu primeiro anúncio aos judeus (querigma) no dia de Pentecostes, lembrou o que Jesus fez durante sua vida pública e acusou os chefes que o mataram. Mas, ao terceiro dia, Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e os apóstolos eram testemunhas disso. Jesus, porém, foi exaltado à direita de Deus e derramou o Espírito Santo, conforme prometera. De fato, todos os ouvintes foram atraídos para saber o que estava acontecendo junto ao Cenáculo. – Hoje é retomado o discurso de Pedro no dia de Pentecostes. Pedro apela a todos os ouvintes que reconheçam que “Deus constituiu Senhor e Cristo este Jesus que vós crucificastes”. O anúncio de Pedro provoca um desejo de mudança, por isso a pergunta: “Irmãos, o que devemos fazer?” A resposta de Pedro é clara: Todos devem converter-se, isto é, mudar de vida, batizar-se em nome de Jesus Cristo para receberem o perdão dos pecados, condição para receber o Espírito Santo. Esta proposta/promessa da pregação de Pedro é para os judeus (“vós e vossos filhos”) e para os pagãos (“os que estão longe”), enfim, para todos que “nosso Deus chamar a si”. Naquele dia os que acolheram a mensagem de Pedro, foram batizados, receberam o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo, chegaram a três mil pessoas. Assim teve início a Igreja de Jerusalém, movida pela força do Espírito Santo e o testemunho dos apóstolos (cf. At 1,8).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 22

O Senhor é o pastor que me conduz,

para as águas repousantes me encaminha.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Pd 2,20b-25

Voltareis ao Pastor de vossas vidas.

Pela sua cruz, Cristo “carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça”. Cristo é o bom pastor que vai em busca das ovelhas perdidas, para enfaixar aquelas machucadas (Ez 34,11.16; Lc 15,1-7) e curar suas feridas com o remédio de seu amor: “Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas” (1Pd 2,24-25).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 10,14

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor;

Eu conheço as minhas ovelhas

e elas me conhecem a mim.

3. EVANGELHO: Jo 10,1-10

Eu sou a porta das ovelhas

Cada ano do ciclo litúrgico (anos A, B e C) medita-se neste domingo uma parte da parábola (ou alegoria) do Bom Pastor de Jo 10. Neste ano (A) meditamos a primeira parte da alegoria. O texto se divide em duas partes: uma parábola enigmática do pastor das ovelhas (v. 1-6) e Jesus como a porta das ovelhas (v. 7-10). Há uma oposição entre a figura do ladrão/assaltante e a do verdadeiro pastor das ovelhas. Há também uma diferente reação das ovelhas: elas seguem confiantes ao seu pastor e fogem do estranho, que é o ladrão e o assaltante. A porta tem dupla função: distingue o verdadeiro do falso pastor e serve para a entrada e a saída tanto das ovelhas como do pastor. A porta significa, pois, segurança para as ovelhas durante a noite e chance de sair em busca de pastagens e água durante o dia. A porta do curral exerce, portanto, uma função básica para a vida das ovelhas; possibilita, também, apresentar Jesus como a porta (v. 7-10). Insiste-se agora na distinção entre Jesus e os assaltantes, que ameaçavam as ovelhas no curral. A estes, porém, as ovelhas não ouviram, porque eles vieram para matar, roubar e destruir. Jesus, porém, veio para que todos tenham vida em abundância. Jesus é a porta em relação ao Pai. Ele é o caminho, a verdade e a vida: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).

Com razão o Papa Francisco nos convoca a sermos uma “Igreja em saída”. A Igreja não pode permanecer medrosa, encerrada em si mesma, como os discípulos no Cenáculo antes da manifestação do Espírito. A Igreja de Cristo deve abrir suas portas e janelas, sair em busca das ovelhas desgarradas, perdidas ou machucadas. O verdadeiro pastor vai ao encontro das ovelhas. Ele tem “cheiro de ovelhas”. Assim elas o reconhecem e o seguem em busca de pastagens verdejantes e da água viva, que é o próprio Cristo Jesus (Jo 4,13-14).

___________________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: