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mar 30

NA ESTRADA PARA EMAÚS, A REVELAÇÃO!

emaús

JESUS E OS DISCÍPULOS DE EMAÚS

(Lc 24, 13-35) - 

*Por Luiz Antonio de Moura –

            É conhecida a narrativa evangélica acerca da conversa de Jesus, na tarde do dia da ressurreição, com dois discípulos da aldeia de Emaús. O Apóstolo João, ao descrever o episódio da morte de Jesus, conta que estavam presentes, junto à Cruz, sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena (Jo 19, 25).

            Lucas narra o encontro de Jesus com os dois discípulos que faziam a caminhada de Jerusalém para a aldeia de Emaús, afirmando que um deles chamava-se Cléofas, deixando de identificar o outro que, possivelmente, era Maria, a mesma que estivera ao pé da cruz do Cristo morto, juntamente com Maria, a Mãe do Salvador. Sendo de se presumir, portanto, que tratava-se de um casal. Tem relevância essa presunção? Tem. Porque, tratando-se de um casal e considerando-se o convite feito ao homem que com eles caminhava, para ficar em sua casa, “porque faz-se tarde e o dia declina” (Jo 19, 29), fica evidente o carinho e a estima do Senhor, também, pelo ambiente familiar.

            O ambiente familiar e, por que não?, o ambiente comunitário, dado que moravam em uma aldeia distante de Jerusalém. Era importante que a notícia da ressurreição se propagasse entre toda a gente daquela região.

            No início da conversa, Jesus faz-se de desinformado, ouvindo de Cléofas e da mulher o relato sobre todos os acontecimentos daqueles últimos três dias. Cléofas, com boa vontade, e até para desabafar um pouco mais, conta tudo: fala sobre a pessoa de Jesus, suas características, sua compaixão e misericórdia pelos doentes, pobres e necessitados de todo tipo de consolo e, por fim, do fim trágico a que foi submetido por ordem de Pilatos, sob a influência das autoridades religiosas.

            Jesus, ainda oculto, vendo tanta tristeza e decepção, resolve falar-lhes um pouco, e começa por perguntar: como pode, vocês terem esquecido tudo o que foi anunciado pelos profetas? “Porventura não era necessário que o Cristo sofresse tais coisas, e que assim entrasse na sua glória” (Lc 24, 26). Depois, iniciando por Moisés, cita todos os profetas que falaram sobre a vinda do Messias e predisseram tudo o que havia acontecido. Recordou-lhes que a leitura atenta das Sagradas Escrituras poderia, não apenas consolar sua dor, mas, e sobretudo, assegurar-lhes que o Cristo já havia ressuscitado. A conversa deve ter sido longa, e durante muito tempo apenas Jesus falava porque, Senhor da Escrituras, mostrava-lhes tudo o que foi dito pelos profetas a respeito da vida e da missão do Filho de Deus.

            O tempo foi passando e a noite começou a dar sinais de chegada quando, já próximo da aldeia de Emaús, Jesus se despede e mostra-se disposto a continuar sua caminhada, cujo destino era desconhecido. Os dois discípulos, então, felizes por tudo o que acabaram de ouvir daquele “forasteiro sábio e conhecedor das Sagradas Escrituras”, convidam-no a entrar com eles, porque a noite já se avizinhava. Jesus imediatamente concorda, não fica fazendo as cenas que hoje fazemos quando recebemos um convite: Não vai ser incômodo? Não vou atrapalhar? Entram na casa, um dos discípulos senta-se à mesa com o companheiro enquanto o outro (possivelmente Maria, a mulher de Cléofas) prepara a refeição de costume, onde não faltava o pão.

            Em todas as casas, o chefe da família sentava-se na cabeceira da mesa e a ele cabia fazer as orações de louvor e graças ao Pai. Aqui, porém, em sinal de profunda amizade e de muita humildade, Cléofas cede a posição ao “forasteiro”, que não se recusa por saber-se Senhor e Mestre. Este, por sua vez, toma em suas mãos o pão dá graças ao Pai, reparte entre os dois discípulos que, naquele exato momento, têm abertos os seus olhos e por um pequeno instante reconhecem e contemplam Jesus que, imediatamente, desaparece diante deles.

            A atitude de Jesus marca o início de uma sucessão de aparições, dentre as quais, diversas para os próprios apóstolos, com o objetivo de consolidar em todos a certeza de que a morte havia sido vencida. Não podia restar mais nenhuma dúvida: o Filho de Deus, morto na cruz, voltou à vida e, a partir de então, reinará pelos séculos dos séculos.

            Se muitos duvidaram de Jesus antes da morte, muitos continuaram duvidando depois da ressurreição. Os discípulos de Emaús, no entanto, representam na prática a Palavra do Senhor que diz “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles” (Mt 18, 20). E, ainda, toda a preleção de Jesus acerca das Escrituras, assim como a oração de graças na partilha do pão, revelam que nunca devemos nos afastar da Palavra de Deus, consagrada nas Sagradas Escrituras, nem da oração de graças ao Pai por todas as bênçãos e por todas as graças que derrama sobre todos e sobre cada um de nós.

            Jesus, durante a caminhada para Emaús, deixa claro não apenas a importância da Lei e dos profetas, mas, também, o cumprimento de tudo o que foi dito acerca do Filho do homem, de tudo o que Ele sofreria, da sua morte no madeiro, da sorte tirada sobre suas vestes, dos seus ossos não quebrados, da espada a transpassar seu coração e, por fim, da vida retomada por Ele mesmo. Seria muito mais simples para Jesus, revelar-se aos dois discípulos imediatamente, e dizer a ambos: estou aqui, eu não vos disse que no terceiro dia o Filho do homem ressuscitaria? Eis-me aqui, diante de vós. Mas não, Ele faz questão de recordar toda a Lei e as promessas de Deus ditas pelas bocas dos profetas, a ensinar-nos, também, que, nas Sagradas Escrituras estão contidos todos os caminhos que levam ao Reino de Deus, por meio do Seu Verbo Encarnado, que desceu do céu e se fez homem e, habitando no meio de nós, para a nossa salvação assim para a de todos os homens, foi açoitado e crucificado e, morrendo no madeiro, ressuscitou ao terceiro dia e está à direita do Pai, onde reina para sempre.

            A cena ocorrida naquela estrada empoeirada que levava à aldeia de Emaús, revela que Jesus sempre procura por aqueles que decidem segui-Lo, apesar de todas dificuldades encontradas por todos nós que, afinal, somos humanos, fracos na fé e na ação, porém, tementes a Deus. Aqueles discípulos, apesar de tudo isso, eram tementes a Deus e tinham os corações humildemente abertos à Palavra do Senhor. Por esta razão, foram agraciados com aquela primeira visita do Cristo Ressuscitado.

            Peçamos ao Cristo Ressuscitado para que apareça nas estradas das nossas vidas, caminhe ao nosso lado e console nossas almas e nossos espíritos, a fim de que possamos ficar tão felizes, como ficaram aqueles humildes discípulos e, como eles, possamos ir correndo contar para todos os nossos amigos, parentes, vizinhos e conhecidos as graças alcançadas por intermédio do Filho de Deus que agora vive e reina para sempre! Amém.

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*Luiz Antonio de Moura é graduado em Direito (Universidade Católica de Petrópolis), pós-graduado em Direito do Trabalho (Universidade Estácio de Sá) e em Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas-RJ), trabalha no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - RJ e, atualmente, é aluno de Teologia no Instituto Teológico Franciscano - ITF, em Petrópolis-RJ. Administra o site www.lisaac.blog.br e a página Sementes de vida: É tempo de semear, no Facebook.

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