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mai 12

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – UMA PRESENÇA PERMANENTE

FÁTIMA - ARTE FINAL - 2A

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – UMA HISTÓRIA NARRADA POR IRMÃ LÚCIA, UMA DAS VIDENTES –

*Por Luiz Antonio de Moura –

            Há exatos 99 – noventa e nove – anos, o mundo recebia uma das visitas mais importantes e mais influentes da história recente da civilização ocidental: Maria, Mãe de Jesus, aparecia pela primeira vez na propriedade dos pais de Lúcia, chamada Cova da iria, na cidade de Fátima, a três pequenas crianças – Lúcia, Jacinta e Francisco – responsáveis pelo pastoreio de algumas ovelhinhas da família.

            Tudo se passou a partir do dia 13 de maio de 1917 quando, nas palavras de irmã Lúcia, viram a Senhora elevada acima de uma azinheira. Tudo não passaria de uma simples história de crianças criativas, senão tivessem sido imediatamente comprovados os fatos e fenômenos narrados e, se ainda por cima, não restasse mais ninguém daquela época, para repetir à exaustão todo o ocorrido.

            Irmã Lúcia, a mais velha dentre as três crianças, nasceu em 22 de março de 1907, em Aljustrel, na Vila Nova de Ourém, Patriarcado de Lisboa, filha de Antônio dos Santos e de Maria Rosa, residentes em Aljustrel, lugarejo pertencente à Paróquia de Fátima. Por quase 98 anos, Lúcia ficaria neste mundo e em muitas ocasiões teve a oportunidade de narrar tudo o que se passou naqueles meses – maio a outubro – do ano de 1917, durante o tempo final da 1ª Grande Guerra Mundial.

            Recentemente, a Fundação Francisco e Jacinta Marto, de Fátima – Portugal, editou o Livro “Memórias da Irmã Lúcia” Volumes I e II[1], por meio do qual Lúcia descreve com todos os detalhes ainda presentes na memória, tudo o que ela e os primos Francisco e Jacinta viram, ouviram e viveram a partir de 13 de maio de 1917.

            Francisco Marto nasceu em 11 de junho de 1908 e, na época das aparições, contava com nove anos de idade, vindo a falecer quase um ano depois, em cinco de abril de 1918.

            Jacinta Marto, irmã de Francisco, à época das aparições tinha sete anos de idade, vindo a falecer em 20 de fevereiro de 1920.

            Lúcia, como já o dissemos, era a mais velha dentre os três, e contava com dez anos ao tempo em que tudo se passou, vindo a falecer em 13 de fevereiro de 2005, pouco antes de completar 98 anos de idade.

            No Volume I das Memórias da Irmã Lúcia, ficamos sabendo que a pequena Lúcia era a caçula dentre sete irmãos e que, portanto, foi criada com mimos e privilégios. Recebeu a Primeira Eucaristia com seis anos de idade e, a partir desta mesma idade, inicia sua vida de pastora, ao lado de outras crianças de Aljustrel e arredores. A partir de 1917, passa a contar com a companhia exclusiva dos primos Francisco e Jacinta Marto. As Memórias registram que somente a partir das aparições, e por ordem da Virgem, foi que Lúcia começou a frequentar a escola, onde toma contato com as primeiras letras.

            Da nossa parte, seria maravilhoso falar mais sobre a vida desta ilustre irmã em Cristo e, de tão ilustre, privilegiada por ter conseguido conversar ao vivo com Maria, mãe do Senhor. No entanto, é nosso intento, colher de Lúcia algumas informações acerca do contato iluminado que teve naquele ano de 1917. Portanto, sigamos em frente:

            Lúcia narra em detalhes todas as visões que tiveram, ela e os primos, já a partir de 1916, recebendo a visita de um anjo. Porém, sobre a grande visita de maio de 1917 ela relata ter ouvido da Virgem a promessa de que iriam para o céu, acrescentando:

“Depois de nos haver dito que íamos para o céu, perguntou:

- Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

- Sim, queremos – foi nossa resposta.

- Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.” 

            Lúcia conta que sempre gostou muito das festas populares celebradas na aldeia e arredores, porém, na festa de Santo Antonio, celebrada no dia 13 de junho daquele ano, ela deixou de estar presente, por saber que a data já estava agendada para nova recepção a Maria. Lúcia narra que a própria mãe e as irmãs colocavam em dúvida o comportamento dela, afirmando: “Sempre estou para ver se tu deixas a festa para ires para a Cova de Iria falar lá com essa Senhora!”

            Ela afirma que, na data certa, levantou-se ainda de madrugada, cuidou do rebanho, preparou o curral às nove horas e às dez horas foi à missa para, em seguida, ir para a Cova da Iria receber a visita da Senhora. Ela conta que tanto a mãe, quanto as irmãs, permaneceram insensíveis à atitude da pastorinha que, apesar de tudo, teve que contar com o desprezo e ouvir até alguns insultos. Conta que, por volta das onze horas da manhã, daquele dia 13 de junho, saiu de casa, passou na casa de Jacinta e Francisco, que já a aguardavam e caminharam juntos para o local do encontro com a Senhora. A mãe de Lúcia, segundo o seu relato, estava bastante amargurada naquele dia, lamentando-se por ter ensinado os filhos a falarem sempre a verdade e, agora, sentindo-se envergonhada pela história contada pela filha caçula, que já estava sendo ouvida por muitas pessoas, afirmando para a filha: “Se ainda fosse uma coisa pequena...; mas uma mentira destas que traz aí enganada já tanta gente!”. Lúcia, revelando muita coragem, declara que: 

“Depois destas lamentações, voltava-se para mim e dizia:

- Dá-lhe as voltas que quiseres! Ou tu desenganas essa gente, confessando que mentiste, ou eu te fecho em um quarto onde não possas ver nem a luz do Sol. A tantos desgostos, faltava-me que se viesse juntar uma coisa destas!”

            Lúcia conta, o que não nos surpreende, ter ficado bastante abalada com a forma de agir da própria mãe. Porém, afirma ter recebido de Jacinta e de Francisco palavras de conforto, já que pensava estar sendo enganada pelo próprio Demônio. Afirma ter ouvido da própria Jacinta: “Não é o Demônio, não! O Demônio dizem que é muito feio e que está debaixo da terra, no inferno; e aquela Senhora é tão bonita! E nós vimo-la subir ao Céu.”

            Todas estas narrativas estão no já citado livro de memórias da Irmã Lúcia, ao qual já fizemos referência no início deste texto, e recomendamo-lo aos nossos leitores porque, aqui, não temos espaço para descrever muito mais.

            O que nos anima nesse momento é recordar as visões e as mensagens recebidas por aquele trio de pequenos cuidadores de ovelhas, que foram usados para revelar ao mundo uma verdade muitas vezes não percebida pelos homens. Desse modo, destacamos as seguintes mensagens passadas aos pequenos, desde a primeira até a última aparição da Virgem: 

- Pede que não tenham medo, afirmando “eu não Vos faço mal”, pedindo para que rezem o terço todos os dias.

- Pede para continuarem rezando o terço e promete levar Jacinta e Francisco para o Céu, em breve (o que de fato ocorre em 1918 – para Francisco, e em 1920, para Jacinta).

- Concede aos Pastorinhos uma visão do inferno, para que vejam o destino final dos pecadores, por quem devem rezar sem cessar.

- Mostra-se bastante contrariada com a prisão maldosa e injusta das crianças e pede que continuem rezando o terço.

- Renova o pedido para que continuem rezando o terço, assim como renova a promessa de realizar um grande milagre.

- Recusa duas cartas apresentadas por Lúcia e um frasco de colônia oferecido, afirmando que “isso de nada adianta para o céu”. 

            Da última aparição, a 13 de outubro de 1917, Lúcia guardava recordações bastante vivas como, por exemplo, o pedido incisivo feito por Maria: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”. Desse encontro derradeiro, ela afirma ter ficado bastante extenuada, diante da proximidade de curiosos que queriam a todo custo ouvir os depoimentos dos meninos videntes. Lúcia declara ter chegado em casa à noite tão exausta que “deixei-me cair no chão a dormir”. De outra fonte antiga, datada de julho de 1951[2], obtém-se a informação de que naquela data, aproximadamente 70.000 (setenta mil) pessoas estavam presentes na Cova da Iria, em meio à chuva e ao lamaçal quando, ao meio-dia em ponto, o céu se abriu e um lindo e forte sol brilhou repentinamente, fazendo cessar aquela chuva até então torrencial.

OS TRÊS PASTORINHOS

            Pois bem! Lúcia, nas memórias, declara que as perguntas e os questionamentos apresentados pelos populares eram intensos, informando que:

“No dia seguinte, continuaram-se os interrogatórios ou, para melhor dizer, nos dias seguintes, porque, desde então, quase todos os dias iam várias pessoas implorar a proteção da Mãe do Céu à Cova da Iria e todos queriam ver os videntes, fazer-lhes as suas perguntas e rezar com eles o seu Terço. Às vezes, sentia-me tão cansada de tanto repetir o mesmo e de rezar, que procurava um pretexto para me escusar e escapar. Mas essa pobre gente tanto insistia, que eu tinha de fazer um esforço, por vezes não pequeno, para os satisfazer. Repetia, então, a minha oração habitual, no fundo do meu coração: É por Vosso amor, meu Deus, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre.”

             A história das aparições em Fátima, seguramente, foi o acontecimento místico mais marcante do século XX. Religiosos e religiosas, Padres e todos os Papas, desde então, visitaram o lugar das aparições, desde a mais humilde construção – uma simples capelinha erguida em 1918 pelo povo – até a atual basílica, visitada anualmente por milhões e milhões de peregrinos de todo o mundo, que vão até lá, em verdadeiro testemunho de uma fé cuja origem só pode ser a atuação incisiva do Espírito Santo que, em amparo à Virgem Mãe do Senhor, move e comove os corações dos homens.

            Eu ainda não pude fazer esta peregrinação, mas, está nos meus planos!

            Nossa narrativa é interrompida neste ponto, não por falta de material – na verdade, nosso acervo é razoavelmente grande – mas, para não cansar o leitor com tanta informação. Prometemos que, no próximo ano, nesta mesma data, se o Bom Deus assim o permitir, apresentaremos novos detalhes sobre este fantástico acontecimento que, há quase um século, cravou as bases para o início de um novo e fervoroso mundo, apesar, dos críticos e descrentes.

            Queremos apenas lembrar que o nosso site www.lisaac.blog.br publicou no ano passado, no dia 10 de maio, um texto significativo sobre a história das aparições. Para acessá-lo, clique aqui: http://www.lisaac.blog.br/as-aparicoes-de-fatima/

            Tenha uma boa leitura e, até breve!

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*Luiz Antonio de Moura é graduado em Direito (Universidade Católica de Petrópolis), pós-graduado em Direito do Trabalho (Universidade Estácio de Sá) e em Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas-RJ), trabalha no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - RJ e, atualmente, é aluno de Teologia no Instituto Teológico Franciscano - ITF, em Petrópolis-RJ. Administra o site www.lisaac.blog.br e a página Sementes de vida: É tempo de semear, no Facebook.
_____________________________________________________________ [1] Memórias da Irmã Lúcia. Vol. I e II. Fundação Francisco e Jacinta Marto. Fátima: Portugal [2] Fátima – Peregrina e Missionária – Editora São Miguel. Caxias do Sul-RS. 1951. 96 páginas.

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