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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: ESPAÇO TEOLÓGICO

jan 15

ROSAS PARA MARIA – PARTE FINAL

MEDALHA MILAGROSA - 3

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

F I N A L –

Assim que terminou de falar, Maria das Dores pôs-se a chorar de emoção! Imediatamente, começou a compor, em versos, o pedido que faria a Maria das Graças:

Maria das Graças, nossa Mãe querida!

Hoje, quero lhe ofertar a minha vida!

Descobri que posso fazer o meu pedido

E encontrar, nas minhas lágrimas, um sentido!

Quero chorar de alegria

Distribuir poesia!

Colocar em cada verso

Um pedaço do universo!

Quero juntar todas as dores

E transformá-las em flores!

Quero oferecer um buquê a Deus

E pedir a Ele que realize os sonhos meus!

Quero saborear mangas, subindo numa mangueira,

E lá do alto admirar a água cristalina da cachoeira!

Quero alimentar cada amizade

E colher felicidade!

Quero correr de braços abertos pelo caminho

E abraçar todos os seres com carinho!

Enquanto Maria das Dores fazia seu pedido em versos, Maria-Sem-Vergonha ensaiava seu pedido em forma de dança. Ela levantava os braços para o alto, imaginando que estava tocando as mãos de Maria das Graças. Ela rodopiava sorrindo, levava as mãos até o peito, como se estivesse guardando no coração as graças recebidas. Rodopiava mais uma vez e cantarolava uma canção criada no improviso:

Maria das Graças, nossa Maria!

Era por ti que eu procurava por onde eu ia!

Quero levar arte a cada coração,

Quero falar de Deus em cada canção!

Quero pegar Jesus pela mão e sair a rodopiar,

Quero pular, correr, brincar e dançar!

Desta vez, Maria Vai Com As Outras não quis pegar carona nas ideias das outras Marias. Não quis buscar rimas para os versos de Maria das Dores, nem quis rodopiar e cantar com Maria-Sem-Vergonha. Ela preferiu meditar sobre tudo o que havia aprendido e decidiu, por si só, guardar tudo no coração. Se fosse para imitar alguém, desta vez, ela escolhia imitar a Mãe de Jesus. No silêncio do seu coração, ela foi deixando espaço para que Deus pudesse tocá-la. 

As três Marias se deram as mãos e, sorrindo, se puseram a caminhar ainda mais rapidamente, saltitantes! Olhavam para o céu e se deixavam guiar pelo brilho das estrelas. Como os três Reis Magos, que foram ofertar presentes ao Menino Jesus, as três Marias caminhavam em direção aos braços de Maria das Graças, onde ofertariam suas próprias vidas, seus dons e seus corações!

O dia amanheceu lindo, iluminado pelo sol, sem nuvens e perfumado pelas flores do caminho! Flores essas onde os passarinhos coloridos faziam a festa, confraternizando com borboletas e diversos outros tipos de insetos!

Uma parada para um piquenique foi solicitada! Uma grande toalha xadrez foi estendida na relva e deliciosos pães, bolos, frutas e sucos foram distribuídos sobre a toalha. Todos se sentaram ao redor. Antes de o banquete ser servido, uma canção de agradecimento a Deus foi entoada. A alegria daquele momento parecia algo que ficaria eternizado!

Enquanto todos comiam e bebiam, as três Marias corriam felizes por entre as flores do lugar. Havia um roseiral bem ali, com rosas brancas, amarelas e vermelhas. As três Marias se entreolharam, como se tivessem tido o mesmo pensamento. Naquele instante, cada uma delas correu em direção a uma rosa, com a intenção de levá-la para Maria das Graças.

Maria-Sem-Vergonha correu para a rosa amarela. Maria das Dores foi em direção à rosa vermelha, e Maria Vai Com As Outras, sem pestanejar, foi de mãos abertas na direção da rosa branca!

Quando, finalmente alcançaram as rosas, as três Marias foram espetadas pelos espinhos! Maria das Dores começou a chorar. Maria-Sem-Vergonha foi pedir ajuda aos romeiros para retirar um dos espinhos que ficou agarrado em seu dedo. Maria Vai Com As Outras, sem entender o porquê de tanta dor num simples gesto de querer ofertar rosas para a Mãe de Deus, preferiu meditar e guardar tudo no coração.

A romaria prosseguiu, as três Marias levavam as rosas em suas mãos, levavam também o leve ferimento dos espinhos. Maria das Dores já havia parado de chorar, Maria-Sem-Vergonha já havia se livrado do espinho preso em seu dedo, e Maria Vai Com As Outras, essa continuava meditando e descobrindo que Deus nos fala também através da dor.

As três Marias foram percebendo que a beleza da vida está na intenção de cada coração e não na ausência de espinhos pelo caminho! Elas não pararam na dor, continuaram seguindo e confiando nas graças que, continuamente, pediam a Maria das Graças.

Já era possível avistar a igrejinha lá no alto da colina. Uma enorme alegria tomou conta dos corações de todos os romeiros, especialmente dos corações das três Marias!

As três Marias correram em disparada e começaram a subir a colina. Faltava muito pouco! Cada vez menos! Poucos passos! Pronto: chegaram!

Ofegantes, as três Marias entraram na igreja e foram direto ao altar. Elas mal conseguiam acreditar que estavam lá, juntas e de joelhos, diante de Jesus no sacrário e de Maria das Graças no altar, sempre de braços abertos e olhar doce.

Num ímpeto, as três Marias se levantaram! Maria-Sem-Vergonha segurou numa das mãos de Maria das Graças e pediu, com fervor, a graça de ser artista! Maria das Dores segurou na outra mão de Maria das Graças e pediu, com muita fé, a graça de ser poetisa! Maria Vai Com As Outras colocou suas duas mãos no coração de Maria das Graças e disse a ela, com grande esperança, que ainda não sabia o que queria fazer da vida, mas que gostaria de fazer a vontade de Deus!

As três Marias se olharam emocionadas e se abraçaram com a força e a ternura que só os verdadeiros amigos conhecem! Então, entregaram suas rosas e suas vidas a Nossa Senhora!

Nesse lindo momento, apareceram três mulheres desconhecidas, elas também visitavam a igreja. Cada uma delas se dirigiu a uma das três Marias, ofertando uma medalha e uma rosa:

– Maria-Sem-Vergonha, Maria das Graças lhe oferece esta rosa amarela e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço! Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho! Cante, dance e encante o mundo com a alegria do Senhor!

 – Maria das Dores, Maria das Graças lhe oferece esta rosa vermelha e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Escreva, transforme as dores em versos e se inspire com a linda poesia que há na criação de Deus!

 – Maria Vai Com As Outras, Maria das Graças lhe oferece esta rosa branca e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Não tenha pressa em saber o caminho a seguir. Ele lhe será revelado aos poucos, como o foi para a própria mãe de Deus e para Catarina. Ouça mais os seus próprios desejos e vá guardando tudo no coração!

As três Marias, radiantes e ainda tontas com tanta emoção, se colocaram em oração e agradeceram a Deus pela graça de poderem sentir, como Jesus sentiu, o colo acalentador de Maria!

Era a mãe de Deus, a nossa mãe, numa revelação tão sublime, numa declaração total de amor, dando a certeza de que ela nos acompanha e intercede por nossos sinceros desejos!

Assim, em estado de graça, as três Marias retornaram para casa e para seus afazeres de meninas. A rotina era a mesma, mas havia algo novo que permaneceria para todo o sempre e que seria passado de geração em geração: a certeza de que não estamos sós, de que há uma mãe que intercede por nós e que quer nos ajudar a viver os sonhos mais lindos que Deus plantou em nossos corações!

Pendurada em seus pescoços de crianças, a medalha milagrosa brincava de um lado para o outro, distribuindo grandes graças, pois a fé e a devoção eram ardentes e sinceras!

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

     

jan 08

ROSAS PARA MARIA – PARTE VII

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE VII –

– Ah, esses dois corações são muito importantes, minha querida! O que estava cercado de espinhos é o coração de Jesus, lembrando a coroa de espinhos que foi colocada em sua cabeça. Jesus se doou, porque nos ama muito. O coração que estava transpassado por uma espada é o de Maria, pois ao ver seu filho sendo cruelmente crucificado, Maria sentiu uma dor no coração, era como se alguém ferisse o coração dela com uma espada!

– A letra “M” é a letra do nome de Maria, não é padre? – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Isso mesmo, minha filha! E a cruz é a cruz de Cristo, Nosso Senhor! A letra “M” e a cruz estão entrelaçadas, mostrando o quanto mãe e filho estão ligados no amor e na dor! Nós também podemos e devemos unir nossos corações aos corações de Jesus e de Maria.

– E as estrelas, padre? – perguntou Maria das Dores.

– As doze estrelas representam os doze apóstolos de Jesus. Representam a igreja também. Todos nós somos convidados a sermos luz para o mundo!

– Eu quero ser uma estrela, padre. Ou, talvez, um vagalume! Assim, posso sair voando por aí, iluminando o caminho! – disse Maria-Sem-Vergonha.

Tanto as meninas quanto o padre não puderam deixar de rir. Maria-Sem-Vergonha sabia como alegrar qualquer história!

– Meninas, agora eu vou contar sobre a última visita que Catarina recebeu de Nossa Senhora!

– Ah, não, padre! Já vai ser a última? – lamentou Maria das Dores. 

– Sim, minha filha. Mas não lamente, pois, todos os dias, Nossa Senhora visita cada um de nós, basta que pensemos nela e peçamos a sua intercessão, sobretudo na oração do terço! Pois muito bem, vamos à última visita! Em dezembro de 1830, Catarina estava, como da última vez, fazendo suas orações às 5 horas e 30 minutos da tarde. De repente, Catarina ouviu aquele mesmo barulhinho gostoso de alguém com uma roupa de seda se aproximando. Nossa Senhora apareceu junto ao tabernáculo, com os mesmos raios luminosos. Ela confirmou a missão que Catarina recebeu de mandar cunhar a medalha. Catarina foi orientada a pedir ajuda ao seu confessor, o padre Aladel. Catarina contemplava, admirada e feliz, a Santa Virgem. Então, ouviu uma voz em seu coração que dizia: “Estes raios são o símbolo das graças que eu obtenho para as pessoas que mais pedem”. Ela obtém essas graças de Jesus! A mãe pede, e o filho concede!

– A minha lista de pedidos vai ser a maior de todas! – exclamou Maria-Sem-Vergonha. 

– Posso imaginar o tamanho da sua lista, minha querida! Veja lá o que vai pedir, hein! Continuando, Catarina reparou que não saiam raios de algumas pedras dos anéis de Nossa Senhora. Imediatamente, ela ouviu uma voz que lhe esclareceu tudo: “Estas pedras das quais não sai luz são as graças que os homens se esquecem de me pedir”. Logo depois, Nossa Senhora lhe disse: “Você não me verá mais”.

Catarina contou tudo ao padre Aladel e pediu a ele que guardasse segredo de sua identidade. Ela não queria que as pessoas soubessem que esses recados de Maria foram dados a ela. Catarina não contou nem mesmo para suas irmãs de comunidade. O padre guardou esse segredo por 46 anos.

– Então, padre, temos que pedir sempre! Nossa Senhora que mandou! – concluiu Maria-Sem-Vergonha, ainda pensando em sua lista de pedidos.

– Não posso negar isso, minha querida! Temos uma mãe muito generosa!

– Padre, Catarina fez a medalha que Nossa Senhora pediu? – curiosa, Maria Vai Com As Outras perguntou.

– Vou contar agora! Terminado o tempo de noviciado de Catarina, ela recebeu o hábito! No dia 5 de fevereiro, chegou ao Asilo d’Enghien, em Reuilly, um bairro bastante pobre de Paris. Lá, ela serviu aos pobres por 46 anos, cuidando dos idosos, dos que viviam na miséria e dos feridos na guerra e nas revoluções.

O padre mal pôde terminar de contar, pois as meninas cochichavam e riam, colocando a mão na boca.

– Ora, meninas, o que foi desta vez?

Maria-Sem-Vergonha se apressou em responder:

– O senhor está sempre falando esses nomes engraçados! Fez até biquinho para falar o nome do lugar para onde Catarina foi!

– Ah, mas vocês não têm jeito mesmo! Vamos, façam biquinho comigo, vamos aprender algumas palavras em francês!

Terminada a brincadeira, o padre prosseguiu:

– Vocês se lembram a quem Catarina deveria recorrer para fazer a medalha?

– Eu me lembro, padre! Ela deveria pedir ajuda ao seu confessor, o padre sei lá o quê! – exclamou Maria das Dores.

– Muito bem! Foi isso mesmo! Catarina deveria recorrer ao seu confessor, o padre Aladel. Nossa Senhora disse: “Ele é meu servidor”.

– E ele ajudou a fazer a medalha, padre?  – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– No início, o padre Aladel não acreditou no que disse Catarina. Ela insistiu por dois anos. Então, o padre Aladel resolveu procurar o arcebispo de Paris, Dom Quélen, para pedir sua autorização. Em 20 de junho de 1832, o arcebispo autorizou a cunhagem de duas mil medalhas, seguindo as instruções de Nossa Senhora. A primeira medalha foi dada à irmã Catarina!

– Nossa! Quantas medalhas! – exclamou, admirada, Maria das Dores.

– Ah, minha querida, isso não é nada! Em 1836, mais de dois milhões de medalhas haviam sido cunhadas!

– Nossa! – exclamaram em coro as três meninas.

– E as graças começaram a ser proclamadas, crianças! Quando as primeiras medalhas foram cunhadas, uma terrível epidemia de cólera chegou até Paris. O tormento começou no dia 26 de março de 1832 e foi até o meio do ano. Até o fim da epidemia, mais de 18.400 pessoas morreram.

Maria das Dores começou a chorar!

– Não chore, minha criança! Eu sei que, muitas vezes, a vida é mesmo dura, mas lembre-se de que temos uma mãe muito amorosa intercedendo por nós! No dia 30 de junho, as primeiras 1.500 medalhas foram dadas para as religiosas Filhas da Caridade. Elas tinham, por missão, distribuir todas essas medalhas aos doentes. No mesmo momento em que as medalhas começaram a ser distribuídas, a epidemia parou. Era Nossa Senhora cumprindo o que havia prometido! Várias pessoas se converteram. Foram muitos os relatos de proteção e de cura. Em poucos anos, a medalha ficou conhecida em todo o mundo! O povo deu a ela o nome de “Medalha Milagrosa” ou “Medalha de Nossa Senhora das Graças”. A partir de 1830, a invocação que estava inscrita na medalha passou a ser repetida milhares de vezes por cristãos do mundo inteiro: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. E, mais lá na frente, no dia 8 de dezembro de 1854, o papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição! Maria, por uma graça especial, é sem pecado desde o começo de sua concepção!

– Que maravilha, padre! – suspirou, aliviada, Maria das Dores.

– Sim, minha filha, podemos sempre recorrer à intercessão de Maria. Diante do fato que relatei, o arcebispo de Paris, Dom Quélen, mandou que se fizesse uma investigação sobre a origem e os efeitos da medalha. A conclusão foi que o enorme número de medalhas cunhadas e distribuídas, tendo como resultado muitos benefícios e graças admiráveis, parecia mesmo sinais do Céu, confirmando as aparições e a verdade do que Catarina dizia. A Medalha Milagrosa continuou sendo distribuída para milhares de pessoas, em várias partes do mundo!

– A Medalha Milagrosa é um presente que Nossa Senhora quer que usemos no pescoço, bem perto do coração, não é padre? – disse, animada, Maria Vai Com As Outras.

– É sim, minha querida! Um presente especial de uma mãe que cuida de nós! Vocês se lembram de que Maria havia pedido ao padre Aladel que fundasse uma confraria?

– Eu me lembro, padre! A Confraria das Filhas de Maria! – disse Maria das Dores, toda prosa!

– Isso mesmo, minha filha! Pois bem, no dia 8 de dezembro de 1838, nasceu em Beaumé a Confraria das Filhas de Maria!

– E Catarina viu tudo isso acontecer, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Viu sim, minha querida! Somente na primavera de 1876, Catarina sentiu que sua hora de ir para o Céu estava próxima. No dia 31 de dezembro, num domingo, chegou o dia em que Catarina se encontraria com Jesus e com Maria! Viveria eternamente feliz! Antes, porém, Catarina ainda deixou um conselho: “A Santíssima Virgem está penalizada, porque não apreciam o tesouro que legou à comunidade na devoção à medalha milagrosa. Não sabem aproveitá-la devidamente. Mas está penalizada, sobretudo, porque não rezam o terço como convém rezá-lo. A Santíssima Virgem prometeu conceder graças particulares aos que rezassem na capela, principalmente um aumento de pureza de espírito, de coração e de vontade, que é o puro amor”. O último suspiro de Catarina foi doce e suave, no momento em que terminava de rezar a ladainha da Imaculada Conceição!

A madre superiora só ficou sabendo que Catarina tinha sido, por Maria, a escolhida para tão nobre missão, pouco tempo antes de sua morte.

– Catarina morreu feliz, não é padre? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Sim, minha filha. Muito feliz! Em 1933, o papa Pio XI beatificou Catarina! O corpo dela foi exumado por ordem do arcebispo. Para surpresa de todos, o corpo dela estava perfeitamente conservado, até os olhos dela estavam perfeitos! Então, o corpo de Catarina foi colocado num caixão de cristal, embaixo do altar das aparições.

– Então, quem visitar a igreja da Medalha Milagrosa, em Paris, poderá ver Catarina? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha querida. Todos nós podemos vê-la! Em 1947, depois de um processo de investigação das aparições, o papa Pio XII declarou Catarina como Santa. Então, minhas queridas, temos mais uma Santa no Céu, intercedendo por nós! Salve Santa Catarina Labouré! E eu tenho outra novidade que vocês vão gostar: em 1894, o papa Leão XIII aprovou a missa da festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa! E ela é celebrada em todo o mundo no dia 27 de novembro de cada ano! Portanto, todo ano, podemos festejar o dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa ou, como muitos preferem, o dia de Nossa Senhora das Graças!

– Oba, oba, oba! – festejaram as três Marias!

Terminada a história, o amável sacerdote abraçou cada uma das meninas, desejando que elas nutrissem uma amizade verdadeira com Maria Santíssima!

Mais um tempo se passou e pronto: as férias chegaram! A preocupação das três Marias não era com o banho de piscina, nem com o escorregar do alto do morro, sentadas em pedaços de papelão. O que ardia forte nos corações dessas três amigas era o desejo de encontrar a quarta Maria, a das Graças.

O dia da peregrinação chegou! Um grupo de romeiros se organizou e pôs-se a caminhar, ainda de madrugada, seguindo a luz das estrelas e da linda e gigante lua que brilhava no céu, aguardando o calor do nascer do sol!

Junto ao grupo, as três Marias caminhavam animadas, pensando no encontro que estava por vir. Todos cantavam canções de louvor a Deus e a Maria das Graças. Entre uma canção e outra, um comentário era feito. Alguém gritou:

– Vocês sabem por que Nossa Senhora das Graças está de braços abertos?

Outro alguém respondeu:

– Eu sei! Para nos acolher. Ela espera por nós!

Outro romeiro disse:

– Mas o que mais me emociona é contemplar os raios que saem dos dedos das mãos de Nossa Senhora das Graças!

Então, Maria-Sem-Vergonha, sem vergonha alguma, gritou lá do meio da multidão em peregrinação:

– E por que não saem raios de alguns anéis nos dedos das mãos de Maria das Graças?

Maria Vai Com As Outras sorriu, imaginando se mais alguém saberia a resposta!

– É mesmo! Por que só saem raios de alguns dedos? – curioso, perguntou mais um dos romeiros.

Maria das Dores não resistiu e dissipou a dúvida:

– Os raios são símbolos das graças que Maria derrama sobre nós e sobre toda a Terra! Os dedos, dos quais não saem graças, simbolizam as graças que Maria deseja nos ofertar, mas nós não as pedimos. 

Então, dona Ceci – uma romeira muito devota e amorosa –, com os olhos arregalados e o coração disparado, logo gritou:

– Maria das Graças deseja que peçamos a ela graças para nossas vidas?

Maria das Dores respondeu emocionada:

– É exatamente isso! Precisamos pedir com fé, esperança e amor, e Maria, que sempre guardou tudo no coração, vai guardar nossos pedidos também, vai apresentá-los a Jesus e vai nos ajudar a realizar o desejo mais lindo que Deus plantou em nossos corações.

CONTINUA EM 15 DE JANEIRO DE 2020

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

 

jan 01

ROSAS PARA MARIA – PARTE VI

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE VI -

O sacerdote prosseguiu:

– Catarina cultivava um desejo ardente de ver Maria, nossa mãe. Ela não queria vê-la apenas com os olhos do coração.

– Ela queria ver com os olhos da cara também, não é, padre? – perguntou, serelepe, Maria-Sem-Vergonha.

– Você é mesmo muito engraçada, minha filha! Mas é verdade, Catarina queria ver Nossa Senhora com os olhos do corpo! E ela fazia esse pedido em todas as suas orações, sem jamais se cansar. E o mais importante: ela tinha total confiança de que seu pedido se realizaria!

– E se realizou, padre? – questionou Maria das Dores.

– Tenha calma, minha filha. Ainda há muita história para contar. Quando Catarina tinha apenas doze anos de idade, ela já cuidava dos afazeres da casa. Seus dias eram bastante ocupados, mas ela sempre achava tempo para se dedicar às coisas de Deus! Nunca deixou de rezar e de ter atos bondosos. Catarina sempre visitava a igreja para conversar com Jesus e para pedir a Maria que conservasse a sua alma pura. Catarina fazia mais do que rezar, ela também achava tempo para visitar os doentes e socorrer os pobres em suas necessidades. Catarina tinha um grande chamado que ardia em seu coração!

– Um chamado, padre? Mas quem a chamava? – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Era o próprio Deus que a chamava, minha filha, mas Catarina não sabia como, nem onde deveria estar para responder ao chamado de Deus. Porém, certa noite, Catarina sonhou que estava rezando na capela de Fain-lés-Moutiers. Então, um padre lhe apareceu, estava paramentado para celebrar a Santa Missa. Ele parecia um santo. Terminada a missa, o tal padre fez sinal de que queria conversar com Catarina. 

– O que ele queria falar com ela, padre? – novamente, perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Vejam só, meninas, Catarina ficou com medo e tratou de sair da igreja, nem deixou o padre dizer o que queria. Ao sair da igreja, Catarina se dirigiu à casa de um doente para uma visita. E adivinhem só o que aconteceu?

– Eu já sei! O tal padre chegou lá também para visitar o mesmo doente! – disse Maria-Sem-Vergonha.

– Quase isso, minha querida! Na realidade, o padre misterioso já estava lá quando Catarina chegou. Com muita ternura, ele lhe disse: “Minha filha, é muito bom cuidar dos doentes; agora tu foges de mim, mas um dia tu me procurarás e ficarás feliz por encontrar-me. O bom Deus tem desígnios sobre ti, não te esqueças!”.

– O que são “desigui”, “desino”, desígnios, padre? – perguntou Maria das Dores.

– São propósitos, intenções, minha filha. O bom Deus tinha alguma intenção muito boa para a vida de Catarina.

– O que Deus queria com ela, padre? – curiosa, Maria Vai Com As Outras perguntou.

– Queridas, Catarina era muito simples. Aos dezoito anos, ainda não sabia ler, nem escrever. Vivia mesmo para cuidar da casa, rezar e fazer caridade. Certa vez, indo para a Casa das Filhas da Caridade, em Châtillon-sur-Seine – as meninas caíram na gargalhada com o nome –, Catarina viu uma fotografia na parede da sala de visitas. Era o tal padre que ela tinha visto no sonho. Uma das irmãs lhe explica: “É o nosso pai, São Vicente de Paulo”.  Esse santo homem, São Vicente de Paulo, junto com Santa Luísa de Marillac, fundou a Congregação Religiosa Católica Filhas da Caridade, na qual as irmãs vivem em comunidade, servindo aos pobres nos hospitais, nas escolas e onde mais eles precisarem. Nesse momento, Catarina compreendeu o desígnio de Deus para a vida dela: ela seria uma Filha da Caridade.

– Puxa, que legal, padre! Tomara que um dia eu sonhe com alguém me dizendo o que fazer também! – suspirou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Deus tem muitas formas de falar com cada filho. Na hora certa, você saberá o que fazer! 

– Catarina foi embora de casa para viver como uma irmã, padre? – questionou Maria das Dores.

– De imediato, as coisas não foram tão simples assim. O pai de Catarina não deixou a filha sair de casa e ir para um convento. Catarina sofreu muito. Depois de um tempo, refletindo melhor, o pai dela acabou aceitando, pois era uma vocação verdadeira. Então, finalmente, no dia 21 de abril de 1830, Catarina entrou no noviciado das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

– Ah, padre, quantos nomes engraçados! – sorridente, disse Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. É preciso fazer biquinho para falar francês!

As meninas caíram na gargalhada!

– Mas a história não terminou. Três dias depois da chegada de Catarina ao noviciado, ela pôde participar de uma grande solenidade: o corpo de São Vicente de Paulo foi transferido da capela onde estava para outra capela, a dos Padres da Missão. Dias depois, Catarina passou a ir, com frequência, rezar na capela de São Vicente. Quando voltava para a Rue du Bac – risinhos não puderam ser evitados –, ela parou um instante diante de um relicário. Nesse relicário, estava o coração de São Vicente. Por três dias, o coração de São Vicente apareceu para Catarina como uma imagem. Primeiro, ele apareceu branco, simbolizando a paz e a união. Depois, vermelho-fogo, simbolizando a caridade que deve arder nos corações das duas congregações de São Vicente de Paulo. Por último, apareceu preto, como sinal das desgraças que cairiam sobre a França.

– Puxa, padre! Um coração que muda de cor! Eu queria que o meu ficasse rosa, amarelo e verde! – falou Maria-Sem-Vergonha, olhando para o próprio peito.

– Um coração rosa ficaria mesmo muito bonito em você! – disse o padre, achando graça na descontração das crianças, sem que elas percebessem o real significado de cada mensagem.

– Catarina viu mais alguma coisa, padre? – quis saber Maria das Dores.

– Viu sim, minha doce criança. Catarina viu Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar, durante todo o seu noviciado. Ela só não via Jesus nas vezes em que duvidava. Ela não duvidava de que era mesmo a presença de Jesus, ela duvidava de si mesma, pois não se achava digna de ver Jesus. Essa dúvida, queridas crianças, não devemos ter em nossos corações, pois Jesus tem um amor grande por cada um de nós. Ele não fica medindo nossos pecados. Ele quer estar perto de todos nós.

– E Maria, a mãe de Jesus e nossa, Catarina viu também? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Minha querida, esse era o maior desejo de Catarina: ver Nossa Senhora! Ela continuava pedindo! Eis que na noite de 18 para 19 de julho de 1830, véspera do dia de São Vicente de Paulo, Catarina teve a felicidade de ver Nossa Senhora pela primeira vez. Catarina contou que haviam distribuído um pedaço da veste sacerdotal de São Vicente de Paulo para as irmãs. Catarina cortou a metade do pedaço que recebeu e o engoliu. Então, Catarina foi dormir, pedindo a São Vicente que lhe concedesse a graça de ver Nossa Senhora. Todas as irmãs estavam dormindo, mas, às 11 horas e 30 minutos, Catarina ouviu alguém a chamando: “Irmã! Irmã!”. Ela acordou logo e viu um menino com roupa branca, ele era menor do que vocês. Ele disse a ela: “Venha à capela: a Santíssima Virgem te espera!”. Catarina levantou rapidamente, botou uma roupa e seguiu o menino. Catarina notou que por onde eles passavam, as luzes estavam acesas. Chegando na capela, o menino mal tocou a porta, e ela já se abriu. As velas também estavam todas acesas!

O menino, então, conduziu Catarina para perto de uma cadeira, a cadeira de braços do sacerdote. Catarina se ajoelhou, o menino avisou: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina ouviu um barulho, como se fosse alguém se aproximando com um vestido de seda. Logo, viu uma senhora sentando-se na cadeira ao seu lado. Ela parecia não acreditar no que via. O menino repetiu: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina, emocionada, se jogou aos pés de Nossa Senhora e apoiou as mãos sobre seus joelhos.

– E Nossa Senhora, além de aparecer, também disse alguma coisa para Catarina, padre? – curiosa, questionou Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. Foi o momento mais doce da vida de Catarina. Ela nem conseguia dizer tudo o que sentia. Nossa Senhora aconselhou Catarina a como se conduzir com seu diretor espiritual e muitas outras coisas mais. Mostrando, à sua esquerda, os pés do altar, Nossa Senhora disse: “Minha filha, o bom Deus quer confiar-lhe uma missão. Você sofrerá, será contestada, mas receberá a graça. Não tenha medo... Venha aos pés desse altar. Ali, as graças jorrarão sobre todas as pessoas que mais pedirem com confiança e fervor. As graças serão concedidas aos grandes e pequenos”.

Muitas outras coisas foram reveladas mais tarde, nem tudo era bom. Algumas desgraças viriam para a França e para o mundo inteiro. Nossa Senhora se preocupava também com os abusos e relaxamento nas comunidades de sacerdotes e freiras vicentinas. Mas o consolo viria: Nossa Senhora prometeu, nas horas trágicas, dar sua proteção especial aos filhos e filhas de São Vicente de Paulo.

– Nossa, padre! Eu ficaria com muito medo! – disse Maria das Dores.

– Não, querida, não é preciso ter medo. Devemos vigiar e orar constantemente. Devemos estar sempre atentos aos sinais que Deus e Nossa Senhora nos dão.

– Mais alguém viu Nossa Senhora junto com Catarina, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha querida, mas Nossa Senhora mandou que Catarina fizesse um pedido ao seu confessor, o padre Aladel. Ela desejava que ele fundasse uma Confraria das Filhas de Maria.

– Puxa, que legal! Nós três somos Marias, podíamos participar dessa confraria, não é padre?

– Certamente, minhas crianças! Vocês levariam muita alegria para um convento!

– O que mais Nossa Senhora disse, padre? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Depois disso, Nossa Senhora desapareceu, e aquele menino de veste branca – o anjo da guarda de Catarina -, levou-a de volta ao quarto.

– Nossa Senhora nunca mais voltou, padre? – reiterou Maria Vai Com As Outras.

– Voltou sim, minha querida! A segunda aparição de Nossa Senhora aconteceu num sábado, no dia 27 de novembro de 1830, às 5 horas e 30 minutos daquela tarde. 

– E Catarina estava no quarto de novo, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha filha. Era um pouco cedo para ela se recolher. Dessa vez, Catarina estava na capela, fazendo suas orações. De repente, ela ouviu aquele mesmo barulho, como se alguém com uma veste de seda se aproximasse. Então, Nossa Senhora apareceu vestida de seda branca. Estava linda! Vestia um véu, também branco, descendo até a barra do vestido.

– Ela devia estar parecendo uma linda noiva! – disse Maria das Dores.

– Sim, minha filha! Os pés de Nossa Senhora estavam apoiados sobre a metade de um globo e esmagavam uma serpente! As mãos dela estavam erguidas na altura do peito e seguravam um globo de ouro, com uma cruz em cima. Ela olhava para o céu! De repente, o globo desapareceu de suas mãos. Então, suas mãos se abaixaram. Catarina logo percebeu que Nossa Senhora trazia, em seus dedos, anéis cobertos de belíssimas pedras, umas grandes, outras menores. Dessas pedras, saiam raios de um brilho intenso! Brilhavam tanto, que o brilho saía dos dedos das mãos e chegava até os pés de Nossa Senhora.

– A serpente não picou Nossa Senhora, padre? – nervosa, perguntou Maria das Dores.

– Não, minha querida. Nossa Senhora é mais forte do que a serpente! A serpente, na verdade, representa o mal. Mas Nossa Senhora, com sua bondade e doçura, é maior do que qualquer mal e está sempre nos defendendo, basta que peçamos a intercessão dela!

– E o globo, padre, é a Terra? Na escola, a professora já mostrou um globo pra gente, mostrou até onde fica o nosso país! – argumentou Maria Vai Com As Outras.

– Sim, minha querida. Nossa Senhora explicou isso para Catarina: “Este globo que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que mais pedem”.

– Então, só temos que pedir, padre? – perguntou, animada, Maria-Sem-Vergonha.

– É exatamente isso, minha querida! Nossa Senhora quer que peçamos graças para ela. Só precisamos pedir e acreditar. Nossa mãe amada quis mostrar para Catarina o quanto ela é generosa para com as pessoas que lhe pedem graças e o quanto ela se alegra em conceder tais graças!

– Eu vou fazer uma lista de coisas para pedir! – exclamou Maria das Dores.

– Mas pense bem no que vai pedir, minha filha! Bom, continuando, formou-se, então, um quadro de forma oval em torno de Nossa Senhora! Nesse quadro, estava uma frase em letras de ouro: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Então, Catarina ouviu uma voz que disse: “Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todas as pessoas que a trouxerem consigo, usando-a em torno do pescoço, receberão grandes graças. Elas serão abundantes para todos que a usarem com confiança”. Depois de alguns instantes, o quadro se virou. Na parte de trás do quadro oval, Catarina viu a letra “M” com uma cruz em cima e dois corações embaixo. O coração da esquerda estava cercado de espinhos. O coração da direita estava transpassado por uma espada. Cercando todos esses elementos, havia doze estrelas distribuídas em forma oval. E, assim, terminou a segunda visita de Nossa Senhora a Catarina.

– De quem são os dois corações que Nossa Senhora queria na medalha, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

CONTINUA EM 08 DE JANEIRO DE 2020

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 *Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

 

dez 25

ROSAS PARA MARIA – PARTE V

ROSAS PARA MARIA

 ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE V -

– Meu amor, você estava presente quando eu expliquei. Um bilhete também foi enviado para casa. Você é uma menina tão inteligente, tão esperta, deveria confiar mais em si mesma. Não dê ouvidos para o que os outros dizem. Você é capaz de entender as coisas, é capaz de fazer suas próprias escolhas! Acredite!

Maria Vai Com As Outras saiu pensativa da conversa. De fato, aquela festa tinha sido uma lição e tanto! Mas parecia não ter sido a última...

Na casa de Maria Vai Com As Outras, sua mãe apreciava introduzir novos alimentos nos pratos das filhas. Ela prezava por uma alimentação saudável!

Era um sábado ensolarado, a mesa do almoço já estava posta. Nela, três novos alimentos para as meninas explorarem: brócolis, beterraba e jiló.

– Eu já provei os três anos atrás e não quero saber deles. Estou fora! Vou almoçar na casa da Gabi! – esbravejou Cris, a filha mais velha.

– Ah, mas não vai mesmo! Volte aqui, mocinha! Como você já experimentou os três, comerá um pouquinho de cada um! Quero ver o seu prato bem colorido!

Emburrada, Cris não teve opção. Tratou de voltar à mesa.

– Vamos lá, filhas! Agora é a vez de vocês. Cada uma pode escolher um alimento para provar!

Maria Vai Com As Outras esticou a mão para pegar a beterraba que estava cortada em rodelas na vasilha. Mas Cris logo advertiu:

– Eca! Você vai provar essa coisa? Parece que ela está sangrando, veja essa água vermelha saindo dela!

Maria Vai Com As Outras, por um minuto, se apavorou! Decidiu, então, provar os brócolis, afinal eles eram bonitos, pareciam pequenas árvores! Foi quando sua irmã caçula gritou:

– Você vai comer essa arvorezinha? Deve ser horrível! Das árvores, eu só como as frutas e só as docinhas!

Confusa, Maria Vai Com As Outras desistiu também dos brócolis. Sua mãe, perdendo a paciência com a enrolação das filhas, disse logo:

– Vamos já com isso! Cris, eu quero ver os três no seu prato! Mel, escolha um para provar! Maria Vai Com As Outras, faça o mesmo!

Pressionada, Maria Vai Com As Outras pegou rapidamente o jiló e o provou. Era amargo! Uma grande careta foi inevitável!

– Muito bem, minha filha. É assim que a gente treina o paladar! Por vezes, fazendo careta! Você havia escolhido a beterraba em primeiro lugar, ela é doce, prepararia o seu paladar para que, depois, você provasse os outros alimentos. Mas você preferiu seguir o que diziam as suas irmãs e, assim, provou do amargo em primeiro lugar. Da próxima vez, siga o seu próprio desejo e saboreie a vida do seu jeitinho!

Maria Vai Com As Outras parecia não aprender com as próprias experiências!

No recreio da escola, adorava brincar de pular corda, ora segurando a corda de um lado, ora pulando. E era boa, muito boa em pular corda!

O sino para o recreio tocou! A correria foi total! Já no pátio da escola, as opções de brincadeiras eram muitas. Maria Vai Com As Outras alcançou a corda e saiu convidando seus amigos para pularem com ela:

– Depois a gente pula corda. Vamos brincar de amarelinha agora!

– Está bem, eu vou. Mas depois vamos pular corda, não é?

– Vamos sim!

As meninas pulavam amarelinha entretidas, quando outra amiguinha chegou, convidando para brincar de boneca.

– Vamos, Maria Vai Com As Outras, depois continuamos a amarelinha!

– Mas você prometeu que, depois da amarelinha, nós iríamos pular corda.

– As bonecas são mais legais! Depois pulamos corda, vamos!

E lá se foi Maria Vai Com As Outras brincar de boneca, ainda com a corda na mão. Ao cansarem da brincadeira, Maria Vai Com As Outras disse:

– Agora, vamos pular corda! Vai ser divertido!

– Que nada! Divertido é brincar de gangorra! Vamos!

E, assim, Maria Vai Com As Outras passava seus dias. Sua voz era facilmente calada e seus desejos negligenciados. Não que os outros tivessem, realmente, alguma culpa quanto a isso. Era ela que não se ouvia. Era ela que, mesmo quando sabia o que queria, achava que não sabia.

 Em busca da quarta Maria:

 Agora que as três Marias já foram muito bem apresentadas, cada qual com sua peculiaridade, chegou a hora de sabermos como decorrem os acontecimentos que as mantêm unidas!

É dia de sol, borboletas coloridas dançam pelo ar, bem na frente da casa de Maria-Sem-Vergonha. E como ela não tem vergonha de coisa alguma, decide ir bailar com as borboletas nos jardins de toda a vizinhança!

Bem próximo dali, também faz o mesmo dia de sol, mas Maria das Dores não enxerga as borboletas coloridas. Ela prefere regar as flores do quintal com suas lágrimas de lamentação. E como ela lamenta! Lamenta o que aconteceu e lamenta o que poderia ter acontecido e não aconteceu.

Passeando por essa região, lá vem Maria Vai Com As Outras. E ela vai mesmo! De longe, avista Maria das Dores e, contente, vai ao seu encontro. Mas a alegria dura pouco, tão logo percebe o chororô de Maria das Dores, começa a chorar também!

Em meio a tanto pranto, elas avistam Maria-Sem-Vergonha dando piruetas pelo ar, bailando às gargalhadas, feito uma borboleta que acabou de descobrir que não é mais uma lagarta! Maria-Sem-Vergonha se aproxima e, num instante, contagia Maria Vai Com As Outras, que se junta a ela numa dança feliz, sob o sol do dia! Maria das Dores intensifica o seu choro ao ver tanta alegria! Maria Vai Com As Outras se reveza entre o chororô e o sacolejar de um baile com borboletas!

As três Marias crescem juntas e aprendem a sonhar juntas também! Apesar de não estudarem na mesma escola, elas passam bastante tempo juntas, pois frequentam a mesma comunidade de fé. Entre uma brincadeira e outra no pátio da igreja, as três vão crescendo em amor, amizade e graça!

Maria-Sem-Vergonha tem o desejo de se tornar artista. Ela quer cantar, dançar, passar a vida encantando as pessoas com sua arte!

Maria das Dores quer mesmo é viver de lágrimas, mas não mais de lamentações. Quer arrancar das pessoas lágrimas de emoção e de felicidade com suas poesias!

Já Maria Vai Com As Outras, esta não sabe muito bem o que quer. Ora se deslumbra com o desejo de ser artista de Maria-Sem-Vergonha, ora deseja arranjar rimas para as poesias de Maria das Dores. Ela ainda precisa descobrir o que fala alto dentro do seu próprio coração!

Bem próximo à cidadezinha onde as três Marias habitam, há uma vila onde se ostenta uma simples, mas bela igrejinha no alto da colina. É um lugar de peregrinação para os devotos de Nossa Senhora das Graças.

Quando as três Marias ouviram os relatos e a história de Nossa Senhora das Graças, ficaram absolutamente encantadas e emocionadas! Desejaram, com todo o fervor, os raios graciosos dessa Senhora que, como elas, também se chama Maria. Maria das Graças!

As férias estavam se aproximando! As três Marias iam muito bem na escola, não ficariam de recuperação, o que significa que, logo, terão dias livres para brincar e, quem sabe, até para fazer uma peregrinação!

As três Marias, ansiosas, aguardavam as férias e, enquanto esperavam, buscavam saber mais sobre Maria das Graças, a Mãe do Menino Jesus e de todos nós. Elas foram juntas até a igreja mais próxima, a comunidade onde frequentam, e pediram ao sacerdote que lhes contasse a história de Maria das Graças.

Sorridente, o sacerdote disse:

– Que maravilha é ver três crianças juntas, tendo gosto em saber sobre as coisas do alto!

– Coisas do alto, padre? Mas eu tenho medo de altura! – exclamou Maria das Dores.

– Minha querida, as coisas do alto são as coisas de Deus! E elas estão dentro do coração de cada um. Você não precisa temer as coisas de Deus, pois Deus é amor!

Maria das Dores, aliviada, deu um suspiro!

– Bem, vocês querem saber mais sobre Nossa Senhora das Graças, não é mesmo?

– Sim, padre. Como nós, ela também se chama Maria, Maria das Graças! Queremos saber tudo sobre ela! – disse Maria-Sem-Vergonha.

O sacerdote olhou bem nos olhos de Maria Vai Com As Outras, dizendo:

– Minha filha, você está tão quietinha! Você também tem curiosidade em saber quem é Maria das Graças?

– Sim, padre. Se minhas amigas querem saber, eu também quero!

– Muito bem, então vamos lá! Para vocês entenderem quem é Maria das Graças, precisam, antes, conhecer uma mocinha chamada Catarina Labouré.

– Catarina o quê, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha entre risadas.

– Labouré! Mas não se preocupem com o sobrenome, crianças! Catarina era francesa, não falava a mesma língua que nós falamos.

– Puxa, que legal, padre! Catarina era filha de Maria das Graças? – continuou Maria-Sem-Vergonha.

Maria das Dores logo exclamou:

– Claro que não! Maria das Graças é mãe de Jesus! Só de Jesus, não é padre?

– Sim, Maria das Graças é mãe de Jesus! Mas a mãe de Jesus também é a mãe de todos nós!

Confusa, Maria Vai Com As Outras decide perguntar:

– Como ela pode ser a mãe de todos nós, se nós já temos as nossas mães?

– É verdade, todos nós nascemos de uma mãe. Cada um tem a sua. Só os irmãos têm a mesma mãe. Mas há algo muito especial que preciso contar a vocês! Todos nós temos a mesma mãe no céu e dentro dos nossos corações! Jesus, quando estava morrendo na cruz, deixou a mãe dele para nós. Maria, a mãe de Jesus, é também a nossa mãe! Nós podemos falar com ela sempre que quisermos.

– Podemos, padre? Mas como ela poderá nos ouvir? – perguntou Maria das Dores.

– É muito simples, minha querida. Uma oração é sempre uma conversa. Nós podemos conversar com Maria através das nossas orações.

– Mas como ela irá nos responder? – indagou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Maria nos dá muitos sinais! Ela nos responde através da voz que sai dos nossos próprios corações. Ela também pode nos falar por meio de outras pessoas que chegam para nos dizer exatamente aquilo que precisamos ouvir. São muitos os sinais!

– E Catarina sabia que Maria das Graças também era sua mãe? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– É justamente essa história que eu quero contar para vocês. No dia 2 de maio de 1806, nasceu Catarina Labouré!

– Padre, padre! Eu nasci no mesmo dia que ela! – exclamou Maria Vai Com As Outras.

– Só não nasceu no mesmo ano, não é? Senão, você estaria aqui, conversando com a gente em forma de caveira! – disse Maria-Sem-Vergonha às gargalhadas.

Nem o padre pôde deixar de rir. Até mesmo Maria das Dores esboçou um sorriso.

– Mas vocês me deixarão contar a história ou não?

– Sim, padre! – responderam as três meninas em coro.

– Pois muito bem, continuemos. Vou dizer um nome difícil aqui, mas não é para vocês me questionarem, pois eu já disse que Catarina era francesa e a língua francesa não é como o nosso português! Catarina nasceu em Fain-lès-Moutiers, aldeia de Borgonha, na França. Catarina vivia uma vida simples no campo, junto de seus pais e de seus irmãos. Seus pais eram cristãos muito dedicados, amavam a vida simples que levavam e realizavam seu trabalho com grande alegria. Quando Catarina tinha nove anos – apenas um ano a mais do que vocês três –, sua mãe morreu.

Imediatamente, Maria das Dores pôs-se a chorar copiosamente. Maria Vai Com As Outras chorou também. Maria-Sem-Vergonha abriu o berreiro, sem vergonha alguma! O sacerdote não sabia o que fazer para conter todas aquelas lágrimas. Foi, então, que ele interrompeu o choro, dizendo:

– Acalmem-se, meninas! Eu sei que é triste perder a mãe, sobretudo quando se é tão jovem, mas não se preocupem tanto, pois Catarina encontrou uma mãe eterna!

– Uma mãe eterna? – perguntou Maria das Dores.

– Sim, uma mãe eterna! Catarina, olhando para uma imagem de Nossa Senhora, subiu em uma cadeira para poder alcançá-la e, chorando, disse: “Agora, tu serás minha mamãe”.

As três Marias, ainda com lágrimas em seus rostos, pareciam se animar com a presença dessa mãe.

CONTINUA EM 01 DE JANEIRO DE 2020

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

dez 25

REFLETINDO SOBRE O NATAL: FREI LUDOVICO GARMUS

NATAL DO SENHOR

NATAL DO SENHOR – A PALAVRA SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 52,7-10

Os confins da terra contemplaram

a salvação que vem do nosso Deus.

Os reis de Israel e de Judá não conseguiram trazer a salvação ao povo. Em consequência, o reino de Israel foi destruído pelos assírios e boa parte de sua população, levada para o exílio, ao norte da Assíria (772 a.C.). O mesmo aconteceu entre 597 e 585 a.C., com o reino de Judá, cuja população foi levada ao exílio pelo novo dominador, o rei de Babilônia. Os profetas Jeremias, Ezequiel e os autores deuteronomistas interpretam o dramático fim dos reinos de Israel e de Judá, como punição divina pelas infidelidades e crimes cometidos pelos governantes dos dois reinos. Passada uma geração no exílio, os discípulos do profeta Isaías, à luz da fé em Javé, Deus de Israel e de Judá, lêem os novos acontecimentos políticos de seu tempo: O domínio dos babilônios agonizava e um novo domínio surgia, o do Império persa. Estes profetas erguem então sua voz, em meio ao desânimo dos exilados, e levantam a bandeira da esperança. Agora, nosso Deus vai por um fim à dominação de Babilônia. Ciro, rei dos persas, será o instrumento nas mãos de Deus para punir os cruéis babilônios e executar o seu plano de salvação. Deus mesmo vai consolar o seu povo sofredor. Vai trazer seu povo de volta à sua terra e as ruínas de Jerusalém serão reconstruídas. Então, todas as nações saberão que “a salvação vem do nosso Deus”.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 97

Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.

2. SEGUNDA LEITURA: Hb 1,1-6

Deus falou-nos por meio de seu Filho.

Na revelação cristã, Deus não é um ser solitário. Deus é comunhão de três pessoas: Pai, filho e Espírito santo. Deus é Amor. É Amor que se comunica “dentro de si” mesmo. Deus é Amor que se expande para “fora” de si mesmo, enquanto cria o universo, cria todos os seres vivos de nosso planeta Terra. Cria o ser humano à sua imagem e semelhança, comunica-se com ele e o convida a entrar na comunhão de seu amor. No passado – diz o autor da Carta aos Hebreus – Deus se comunicava com seu povo por meio dos profetas. Por meio deles exortava o povo à fidelidade, à conversão e lhe anunciava a salvação. Agora, Deus se comunica conosco por meio de seu Filho, o herdeiro de todas as coisas, o criador do universo e o esplendor de sua glória. Pelo poder de sua palavra sustenta o universo e nos purifica dos pecados. Como filho de Deus, o cristão deve ser o reflexo de Cristo, que é “o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser” (v. 3). Em Jesus Cristo cumpre-se a promessa feita a Davi: “Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um filho” (2Sm 7,14). O Filho de Deus, ao assumir no seio da Virgem Maria a “carne” humana, tornou-se nosso irmão. O autor de Hebreus afirma isso muito bem: “Por isso, Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos” (2,11). Que maravilha! Deus que nos criou se fez nosso irmão! Vinde, adoremos!

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Despontou o santo dia para nós: Ó nações, vinde adorar o Senhor Deus, porque hoje grande luz brilhou na terra!

3. EVANGELHO: Jo 1,1-18

A Palavra se fez carne e habitou entre nós.

Deus é Amor, é comunicação. No passado Deus se comunicava com seu povo pelos profetas. Agora se comunica conosco pelo seu próprio Filho, a Palavra feita carne. A Palavra, no princípio, estava junto de Deus (v. 1-2), era o próprio Deus, que é amor-comunicação. Deus, que é amor-comunicação, se expande para “fora” de si mesmo como criador do universo. Por Jesus, a Palavra feita carne, tudo foi feito (v. 3) e agora são dadas a graça e a verdade (v. 17). Na Palavra estava a vida e a vida era a luz dos homens, luz que brilha em meio às trevas (v. 4-5).

Ela é a Luz que veio a este mundo. Há os que rejeitaram esta Luz (v. 5.9-11). Mas a nós que cremos e a recebemos, nos é dada a plenitude da graça (v. 16), nos é dado o poder de nos tornarmos filhos de Deus (v. 12). Tudo aconteceu porque a Palavra, o Filho de Deus, “se fez carne e habitou entre nós” (v. 14). Louvemos a nosso Deus que assumiu a fragilidade de nossa carne, para fazer em nós a sua morada!

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

dez 22

COMENTANDO O EVANGELHO: MONSENHOR JOSÉ MARIA PEREIRA

ZÉ MARIA - 2018

IV DOMINGO DO ADVENTO – SÃO JOSÉ E A VIRGEM –

*Por Mons. José Maria Pereira –

No Quarto Domingo do Advento entra em cena Maria. Seu Filho é o Deus conosco e já se faz presente, ainda de modo velado, mas real, no seio da Virgem, que concebeu por obra do Espírito Santo (cf. Mt 1, 18 – 24). São José é apresentado como “homem justo” (Mt 1,19), fiel à lei de Deus, disponível a cumprir a sua vontade. Por isso, entra no Mistério da Encarnação depois que um Anjo do Senhor, aparecendo-lhe em sonho, lhe anuncia: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 20-21). Tendo abandonado o pensamento de repudiar Maria em segredo, ele a toma consigo, porque agora os seus olhos veem nela a obra de Deus.

Santo Ambrósio comenta que “em José se verificaram a amabilidade e a figura do justo, para tornar mais digna a sua qualidade de testemunha. Ele não teria podido contaminar o templo do Espírito Santo, a Mãe do Senhor, o seio fecundado pelo Mistério”. Mesmo que se tenha sentido perturbado, José age “como lhe tinha ordenado o Anjo do Senhor”, na certeza de fazer o que é justo. Também, dando o nome de “Jesus” Àquele Menino que rege todo o Universo, ele coloca-se na esteira dos servos humildes e fiéis, semelhante aos anjos e aos profetas, semelhante aos mártires e aos apóstolos – como cantam antigos hinos orientais. São José anuncia os prodígios do Senhor, testemunhando a Virgindade de Maria, a ação gratuita de Deus, e guardando a vida terrena do Messias. Veneremos, portanto, o Pai legal de Jesus (cf. Catecismo da Igreja Católica, 532), porque nele se delineia o homem novo, que olha com confiança e coragem para o futuro, não segue o próprio projeto, mas confia-se totalmente à misericórdia infinita d’Aquele que realiza as profecias e inaugura o tempo da salvação.   

Ao descrever a genealogia de Jesus, Mateus demonstra que é verdadeiro homem, filho de Davi, filho de Abraão; ao narrar o Seu nascimento de Maria Virgem, que foi mãe por virtude do Espírito Santo, afirma que é verdadeiro Deus; e, finalmente, ao citar o profeta Isaias, declara que Ele é o Salvador prometido pelos profetas, o Emanuel, o Deus conosco.

Nossa Senhora fomenta na alma a alegria, porque, quando procuramos a sua intimidade, leva-nos a Cristo. Ela é Mestra de esperança. Maria proclama que a chamarão bem-aventurada todas as gerações (Lc. 1, 18).

Dentro de poucos dias veremos Jesus reclinado numa manjedoura, o que é uma prova de misericórdia e do amor de Deus. Poderemos dizer: “Nesta noite de Natal, tudo para dentro de mim. Estar diante dEle; não há nada mais do que Ele na branca imensidão. Não diz nada, mas está aí… Ele é o Deus amando-me. E se Deus se faz homem e me ama, como não procurá-Lo? Como perder a esperança de encontrá-Lo, se é Ele que me procura? Afastemos todo o possível desalento; as dificuldades exteriores e a nossa miséria pessoal não podem nada diante da alegria do Natal que se aproxima.

Faltam poucos dias para que vejamos no presépio Aquele que os profetas predisseram, que a Virgem esperou com amor de mãe, que João anunciou estar próximo e depois mostrou presente entre os homens.

A espera jubilosa, característica dos dias que precedem o Santo Natal, é certamente a atitude fundamental do cristão, que deseja viver fecundamente o renovado encontro com Aquele que vem habitar no meio de nós: Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez homem. Voltemos a encontrar esta disposição do coração, fazendo-a nossa, naqueles que foram os primeiros a receber a vinda do Messias: Zacarias e Isabel, os pastores, o povo simples, e especialmente Maria e José, que sentiram pessoalmente a trepidação, mas sobretudo a alegria pelo Mistério deste Nascimento.

Desde o presépio de Belém até o momento da sua Ascensão aos céus, Jesus Cristo proclama uma mensagem de esperança. Ele é a garantia plena de que alcançaremos os bens prometidos. Olhamos para a gruta de Belém, em vigilante espera, e compreendemos que somente com Ele poderemos aproximar-nos confiadamente de Deus Pai.

“Eis que vem o Senhor todo poderoso: será chamado Emanuel, Deus-conosco”. Nestes dias repetimos frequentemente estas palavras. No tempo da liturgia, que volta a atualizar o Mistério, já está às portas Aquele que vem nos salvar do pecado e da morte, Aquele que, depois da desobediência de Adão e Eva, nos reabraça e nos abre de par em par a entrada para a vida verdadeira. Explica-o Santo Irineu, no seu tratado “Contra as Heresias”, quando afirma: “O próprio Filho de Deus assumiu “uma carne semelhante à do pecado” (Rm 8, 3) para condenar o pecado e, depois de o ter condenado, para exclui-lo completamente do gênero humano. Chamou o homem à semelhança consigo mesmo, tornou-o imitador de Deus, iniciou-o no caminho indicado pelo Pai para que pudesse ver Deus e conferiu-lhe como dom o próprio Pai” (lll, 20, 2-3).

Nas festas que celebramos por ocasião do Natal, lutemos com todas as nossas forças, agora e sempre, contra o desânimo na vida espiritual, o consumismo exagerado, e a preocupação quase exclusiva pelos bens materiais. Na medida em que o mundo se cansar da sua esperança cristã, a alternativa que lhe há de restar será o materialismo, do tipo que já conhecemos; isso e nada mais. Por isso, nenhuma nova palavra terá atrativo para nós se não nos devolver à gruta de Belém, para que ali possamos humilhar o nosso orgulho, aumentar a nossa caridade e dilatar o nosso sentimento de reverência com a visão de uma pureza deslumbrante.

O Espírito do Advento consiste em boa parte em vivermos unidos à Virgem Maria neste tempo em que Ela traz Jesus em seu seio.

Na noite do mundo, deixemo-nos surpreender e iluminar de novo por este gesto de Deus, que é totalmente inesperado: Deus faz-se Menino. Deixemo-nos surpreender, iluminar pela Estrela que inundou o Universo de alegria. Chegando a nós, que o Menino Jesus não nos encontre despreparados, comprometidos só em tornar mais bonita a realidade exterior. A atenção que prestamos para tornar mais resplandecentes as nossas ruas e as nossas casas nos leve, ainda mais, a predispor o nosso espírito para encontrar Aquele que virá visitar-nos, que é a verdadeira beleza e a verdadeira luz. Portanto, purifiquemos a nossa consciência e a nossa vida daquilo que é contrário a esta vinda: pensamentos, palavras, atitudes e gestos, impelindo-nos a fazer o bem e a contribuir para realizar neste nosso mundo a paz e a justiça para cada homem e assim ir ao encontro do Senhor.

Sinal característico do tempo de Natal é o presépio que é expressão da nossa expectativa, que Deus se aproxima de nós, que Jesus se aproxima de nós, mas é também expressão de ação de graças Àquele que decidiu compartilhar a nossa condição humana, na pobreza e na simplicidade. Que os corações das crianças e dos adultos possam ainda surpreender-se diante do Presépio!

A devoção a Nossa Senhora é a maior garantia de que não nos faltarão os meios necessários para alcançarmos a felicidade eterna a que fomos destinados. Maria é verdadeiramente “porto dos que naufragam, consolo do mundo, resgate dos cativos, alegria dos enfermos” (Santo Afonso M. de Ligório). Nestes dias que precedem o Natal e sempre, peçamos-Lhe a graça de saber permanecer, cheios de fé, à espera do seu Filho Jesus Cristo, o Messias anunciado pelos Profetas.

Que a Virgem Maria e São José nos ajudem a viver o Mistério do Natal com renovada gratidão ao Senhor. No meio das atividades frenéticas dos nossos dias, este tempo nos conceda um pouco de calma e de alegria, e nos faça ver diretamente a bondade do nosso Deus, que se faz Menino para nos salvar e dar renovada coragem e nova luz ao nosso caminho. Estes são os votos de um Santo e Feliz Natal para todos os que estão lendo este texto e para os seus familiares!

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* Monsenhor José Maria Pereira, Sacerdote da Diocese de Petrópolis, é, também, Professor, Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Niterói e Diocesano de Petrópolis e Vigário da Paróquia de São José do ItamaratI, enviando para o site, semanalmente, a homilia do domingo.

dez 22

LEITURA ORANTE: FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

4º DOMINGO DO ADVENTO – EIS QUE UMA VIRGEM CONCEBERÁ –

*Por Frei Ludovico Garmus, 0fm –

ORAÇÃO: Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 7,10-14

Eis que uma virgem conceberá.

Acaz, rei de Judá, preparava-se para pedir socorro ao grande rei da Assíria, a fim de proteger-se contra os pequenos reinos vizinhos. O motivo era que o rei dos arameus e de Israel queriam forçar Acaz a entrar numa aliança contra o rei da Assíria, sob pena de o destituir do trono, colocando em perigo a promessa da estabilidade da dinastia de Davi (2Sm 7,16). Isaías desaconselha Acaz de buscar auxílio da Assíria. Pede apenas que o rei confie em Deus e peça um sinal do céu. Mas o rei prefere seguir a opinião de seus conselheiros militares a escutar a voz do Profeta. É neste contexto que é dado o sinal da virgem – assim era chamada a jovem esposa do rei –, que conceberá e dará a luz um filho. Sinal que Deus não abandonava seu povo seria o nome Emanuel (Deus conosco) a ser dado ao menino. O nascimento do menino, herdeiro do trono de Acaz, seria o sinal do socorro divino no qual o rei deveria confiar. Os evangelhos e a Igreja veem em Jesus, nascido da virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo, a realização plena do sinal do Emanuel, Deus conosco (Evangelho).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 23 (24)

O rei da glória é o Senhor onipotente;

abri as portas para que ele possa entrar!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 1,1-7

Jesus Cristo, descendente de Davi, Filho de Deus.

Ao escrever aos romanos, Paulo segue o costumeiro cabeçalho de endereçamento duma carta, composto por três elementos essenciais: quem escreve (“Eu Paulo”, v. 1), a quem escreve (“a vós todos que morais em Roma”, v. 7a) e a fórmula de saudação (“graça e paz da parte de Deus, nosso Pai...”). Paulo, porém, entusiasmado pelo anúncio do Evangelho, faz acréscimos importantes em cada um dos itens. O início da Carta aos Romanos é tão denso que pode ser considerado como um resumo do Evangelho: Cristo é o Filho de Deus, “segundo o Espírito”, e Filho de Davi, “segundo a carne”; é o Senhor glorioso e ressuscitado, presente na comunidade; nele se cumprem as promessas feitas pelos profetas. Por graça de Cristo, Paulo se considera “apóstolo por vocação, para o Evangelho de Deus”, o mesmo Evangelho de Deus que Jesus começou a pregar (cf. Mc 1,14). Este Evangelho não é restrito apenas aos judeus, mas se destina também a “trazer à obediência da fé todos os povos pagãos”. Entre estes povos estão os cristãos de Roma, que acolheram a mensagem de Paulo. Com estas palavras de Paulo define-se a missão universal do Salvador que esperamos: Jesus veio para salvar toda a humanidade.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho.

Chamar-se-á Emanuel que significa: Deus conosco.

3. EVANGELHO: Mt 1,18-24

Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi.

As histórias da infância de Lucas e Mateus apresentam narrativas bastante distintas. Mesmo assim contém dados comuns: o nome de Jesus, os nomes de Maria, sua mãe, e de José, seu “pai adotivo”; José como descente de Davi; que Maria já estava legalmente prometida a José; o nascimento em Belém, e Nazaré, como residência de Maria e José e de Jesus. Principalmente a convicção de fé acerca da concepção virginal do menino Messias e sua “filiação divina”, por obra do Espírito Santo.

Mateus apresenta a genealogia de Jesus Cristo desde Abraão até Jacó, pai de José, seguindo o esquema “fulano foi pai de sicrano” (Mt 5 1,1-17). Mas ao chegar a José diz: “Jacó foi pai de José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo”. O evangelho de hoje quer explicar por que Maria e não José está na origem da geração de Cristo, porque foi “concebido pela ação do Espírito Santo”. Este é um dado que Mateus recebeu da tradição cristã. José é apresentado legalmente como esposo de Maria. Por isso, prometida em casamento a José. Seria o que chamaríamos hoje de noivado, que naqueles tempos não significava ainda convivência do casal. -Vendo sua noiva grávida, José, um homem justo e temente a Deus, pensava em separar-se de Maria, sem denunciá-la publicamente por infidelidade. Em sonho, porém, o anjo lhe explica o mistério. José, então, acolhe Maria em sua casa, torna-se o pai legal de Jesus e assegura sua descendência davídica. Assim fica esclarecida a verdadeira identidade de Jesus: Jesus é descendente de Davi, através do pai adotivo e legal José; é filho da virgem Maria, esposa legal de José, mas concebido pelo poder do Espírito Santo. Por isso, é o Filho de Deus, o Emanuel, o Deus conosco, para sempre: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

O tema central da liturgia de hoje é o encontro do divino e do humano em Jesus Cristo, o Emanuel, Deus conosco. Paulo, na 2ª leitura, resume este mistério lembrando que Cristo, “segundo a carne”, é descendente de Davi, mas foi “autenticado como Filho de Deus segundo o Espírito de Santidade que o ressuscitou dos mortos”. Neste mistério do encontro do divino com o humano, Maria ocupa um lugar central. Nos Evangelhos, José não pronuncia nenhuma palavra. É o homem justo e silencioso, que contempla o mistério da Encarnação. Um convite para assim nos prepararmos para o Natal.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

dez 18

ROSAS PARA MARIA – PARTE IV

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE IV -

Finalmente, a chuva de meteoros pôde ser vista pelos moradores da cidade. Os pais de Maria das Dores vibraram com tanta beleza!

– Venha ver, Maria das Dores! Venha rápido!

– Ai, meu Deus, eles estão vindo para cá, mamãe?

– Claro que não, minha filha! Venha vê-los correndo pelo céu! Rápido, eles já estão indo embora.

Num salto, Maria das Dores chegou até a janela!

– Veja, minha filha, que espetáculo belíssimo!

– Sim, papai. É uma chuva brilhante!

– Minha filha, faça um pedido, são estrelas cadentes! – exclamou sua mãe.

– Um pedido? Já sei! Quero tirar esse capacete e só colocá-lo de volta quando eu for andar de bicicleta!

Pai, mãe e filha gargalharam abraçados, olhando para o céu e admirando tamanha beleza!

Maria das Dores finalmente relaxou!

Conhecendo Maria Vai Com As Outras:

 Bem perto dali, mora também Maria Vai Com As Outras, mais uma menina de oito anos, amiguinha de Maria-Sem-Vergonha e de Maria das Dores. Ela não é carismática como Maria-Sem-Vergonha, nem chorosa como Maria das Dores. Sua característica marcante é a indecisão! Apesar de tão diferentes, as três Marias são muito próximas e afetuosas umas com as outras. A união se dá mesmo nas diferenças!

Maria Vai Com As Outras não consegue decidir entre uma coisa e outra. Está sempre achando que suas próprias escolhas são erradas ou menos valiosas. É insegura quanto a tudo! Ela mora com seus pais e mais duas irmãs, é a filha do meio.

Maria Vai Com As Outras leva a sério essa coisa de ser a filha do meio, ela está sempre no meio do caminho, perambulando com suas indecisões.

Certa vez, a mãe de Maria Vai Com As Outras reuniu as filhas para irem comprar roupas e sapatos. Crianças crescem rápido demais e perdem todo o vestuário em pouco tempo. Como a diferença de idade entre as irmãs é significativa: 14, 8 e 4 anos, as roupas de uma não podiam ser passadas, imediatamente, para as outras. Nesse intervalo, novas roupas e sapatos precisavam ser comprados. E era uma festa, se não fosse a indecisão de Maria Vai Com As Outras!

Ao chegarem à loja maior do shopping, a irmã mais velha foi para um lado, a irmã mais nova para o outro, e Maria Vai Com As Outras ficou parada, bem no centro da loja, sem saber para que lado ir. Sua mãe logo disse:

– Vamos, filhota, ânimo! É dia de compras! Que tal escolher um vestido bem bonito, hein?

– Um vestido, mamãe? Puxa, que legal!

– Sim, querida. Eu acho que naquele cabideiro ali há vestidos bem bonitos!

– Eu vou lá conferir, mamãe!

Maria Vai Com As Outras se deparou com lindos vestidos coloridos, de diversas estampas e vários modelos. Bastante animada, a menina foi pegando um por um! Ao tocar no vestido amarelo, levemente rodado, com alcinhas nos ombros e um lindo sol estampado no peito, Maria Vai Com As Outras se encantou! E lá, bem no fundo do seu coração, ela sabia que era aquele vestido o escolhido!

Maria Vai Com As Outras foi até o provador e colocou o vestido. Ela parecia um pequeno e gracioso raio de sol! Sua irmã mais velha logo apareceu para dar palpite:

– Com tantos vestidos legais, você escolheu justamente o que deixa você mais pálida! Você é branquinha demais, não fica bem de amarelo. Por que não leva o vermelho?

Sua irmã caçula também quis palpitar:

– Leva o rosa! Menina fica bonita de rosa.

Naquele momento, Maria Vai Com As Outras perdeu a certeza que tinha. Sua mãe bem que tentou intervir, alegando que a filha deveria levar o que mais gostou. Tarde demais, a dúvida já estava instalada no coração da pequena criança.

Sua irmã mais velha foi até o cabideiro e pegou o vestido vermelho para Maria Vai Com As Outras experimentar. A caçula não deixou por menos, saiu arrastando o vestido rosa também.

Maria Vai Com As Outras experimentou, primeiramente, o vestido vermelho. Sua irmã mais velha vibrou:

– É esse! Veja como essa cor deu mais vida a você!

Maria Vai Com As Outras se olhava no espelho atentamente, mas não conseguia achar graça no vestido vermelho!

A irmã caçula entrou no provador com Maria Vai Com As Outras:

– Agora, experimente o rosa, eu escolhi o mais lindo para você!

Maria Vai Com As Outras experimentou o rosa. Ela não sabia como dizer isso, mas estava se sentindo um bebê com aquele vestido.

Depois de palpitarem bastante, as irmãs de Maria Vai Com As Outras se distraíram, escolhendo seus próprios vestidos. A mãe deu uma notícia espetacular:

– Atenção, meninas, hoje é o dia de sorte de vocês: cada uma pode escolher dois vestidos e um par de sapatos!

– Oba! Oba! – festejaram as três irmãs.

Chegou a hora dos sapatos! Maria Vai Com As Outras ainda tinha esperança de levar o vestido amarelo, por isso ficou em dúvida entre duas sandálias douradas: uma com lacinhos em cima, a outra com pedrinhas brilhantes.

Sua irmã caçula escolheu um par de tênis rosa, daqueles com velcro. É mais fácil o velcro do que o cadarço para crianças pequenas. Sua irmã mais velha escolheu lindos sapatos pretos, daqueles que combinam com tudo, muito útil para uma adolescente que quer mudar de roupa a todo o momento!

Depois de horas na loja, era chegado o momento de levar as compras ao caixa.

– Vamos, meninas! Hora de pagar!

As irmãs correram felizes para o caixa, carregando seus vestidos e suas caixas de sapatos. Maria Vai Com As Outras levou o vestido amarelo e o vestido vermelho. Terminou optando pela sandália com lacinhos, pois, pensando bem, combinava com os laços das alcinhas do vestido amarelo!

A vendedora já estava embrulhando os vestidos, quando as irmãs notaram que Maria Vai Com As Outras estava levando o vestido amarelo.

– Onde está o vestido rosa que eu escolhi para você? – disse a caçula.

– Ah, mas eu não acredito que você vai mesmo levar esse vestido amarelo! Já disse que você fica pálida com ele! Vai parecer uma assombração! – disse a irmã mais velha, com aquele jeitinho irônico de adolescente.

– Meninas, que confusão é essa aí? Deixem a moça embrulhar os vestidos! – disse a mãe, enrolada, procurando o cartão de crédito na bolsa.

Maria Vai Com As Outras não tinha mais certeza de nada. O fato é que ela não queria parecer uma assombração! Foi correndo devolver o vestido amarelo ao cabideiro, enquanto pegava o rosa. Suas irmãs sorriram alegremente!

– Maria Vai Com As Outras, você precisa trocar o par de sandálias também! – gritou a irmã mais velha.

– Parem já com isso, vocês não vão trocar mais nada! Moça, por favor, prossiga com os embrulhos e me alcance a máquina para eu passar o cartão! – disse a mãe das meninas.

As meninas voltaram para casa numa alegria só! Queriam desembrulhar tudo para que o pai visse. Maria Vai Com As Outras não sabia, ao certo, se estava alegre, pois, em suas sacolas, ela trazia dois vestidos que ela não havia escolhido e um par de sandálias que ela havia escolhido para combinar com o vestido que ficou na loja!

Essa não foi a única vez que Maria Vai Com As Outras teve problemas com suas roupas. Na escola, a turma inteira estava contando os dias para a festa de aniversário do coleguinha de classe, o Daniel.

Um bilhete já havia sido colado, pela professora, na caderneta de cada aluno. Na próxima sexta-feira, as crianças poderiam ir à aula sem uniforme – com roupa de sair, como elas gostavam de dizer –, pois, depois do primeiro tempo de aula, seria a festa de aniversário do Daniel.

Maria Vai Com As Outras ainda não tinha decidido com que roupa iria à escola no dia da festa. Suas amiguinhas de classe conversavam sobre isso na hora do recreio. Sabendo da insegurança de Maria Vai Com As Outras, as meninas tramaram uma travessura: iriam enganar Maria Vai Com As Outras, dizendo que todos teriam que ir fantasiados, pois seria um aniversário com festa à fantasia.

Maria Vai Com As Outras ficou surpresa:

– Festa à fantasia? Eu não ouvi nada disso!

            – Maria Vai Com As Outras, você devia estar distraída. Todas nós sabemos que será uma linda festa à fantasia! – replicou uma das meninas.

            – É verdade, eu até já escolhi a minha fantasia: eu irei de princesa! – disse outra menina.

            – Meu Deus, eu não sabia! A festa é amanhã! Eu não tenho fantasia!

            – Ora, você pode criar uma. Peça ajuda para a sua mãe e para a sua irmã mais velha!

            Nervosa, Maria Vai Com As Outras chegou em casa, implorando a ajuda de sua mãe e de sua irmã mais velha:

            – Mamãe?! Cris?! Por favor, me ajudem!

            – O que houve, Maria Vai Com As Outras? Por que essa gritaria, minha filha?

            – É, mamãe, depois você diz que a escandalosa da casa sou eu! – argumentou Cris, a irmã mais velha.

            – É que amanhã é a festa de aniversário do Daniel. E eu não tenho roupa para ir.

            – Como não tem roupa para ir, minha filha? É claro que você tem! Eu ajudo você a escolher um vestido bem bonito!

            – E eu posso fazer um penteado bem maneiro em você! – exclamou, animada, a irmã.

            – Não, vocês não estão entendendo, a festa é à fantasia, e eu não tenho uma fantasia!

            – Maria Vai Com As Outras, eu li o bilhete que a sua professora colou na caderneta. Não estava escrito que era para você ir fantasiada.

            – Mas é, mamãe. As meninas da minha classe disseram. Elas já até escolheram suas fantasias!

            – Minha filha, você tirou essa dúvida com a professora ou com o aniversariante?

            – Não, mamãe. Não precisei fazer isso, minhas amigas disseram que eu estava distraída quando a professora avisou.

            – E por que ela não avisou também no bilhete de casa?

            – Eu não sei, mamãe. Talvez ela também tenha se distraído como eu.

            – Bom, eu ainda acho que tem alguma coisa errada nessa história, mas se você quer ir fantasiada, podemos pensar em alguma coisa.

            – Já sei! Você pode ir fantasiada de coelhinha! É só colocar o collant do ballet e a meia-calça.

            – Boa ideia, Cris! Podemos fazer, com algodão, as orelhinhas e o rabinho da minha linda coelhinha! – exclamou, de forma afetuosa, a mãe.

            – Oba! Então eu terei uma fantasia!

            Naquela tarde, mãe e filhas passaram o tempo entre pedaços de cartolina, floquinhos de algodão, cola, tesoura, canetinhas e um arco. Até a pequena Mel, a filha caçula, quis ajudar.

Na manhã seguinte, já vestida com seu collant rosa e sua meia-calça branca, Maria Vai Com As Outras colocou o arco com as orelhinhas. A mamãe terminava de pregar o fofinho rabo da coelhinha, enquanto Cris pintava o seu rosto, não se esquecendo do narizinho, dos bigodes e dos dentinhos. A caracterização tinha que estar perfeita!

Assim, a coelhinha foi toda prosa para a escola! Ao se deparar com os coleguinhas, todos vestidos com as tais roupas de sair, Maria Vai Com As Outras se escondeu atrás da professora. As meninas que a enganaram riam descontroladamente! Daniel, o aniversariante, caiu no choro, afinal, como alguém podia chamar mais atenção do que o aniversariante do dia?

A professora tentou acalmar os alunos. A sorte é que estava próximo da Páscoa. Num relâmpago de criatividade, a professora pegou uma cesta que estava no canto da sala, junto de alguns brinquedos, e a entregou nas mãos de Maria Vai Com As Outras, dizendo:

– Este ano, Maria Vai Com As Outras será a nossa coelhinha. A Páscoa já está chegando! Em breve, esta cesta estará cheia de ovinhos de chocolate!

A turma se acalmou e se alegrou com a fantasia de Maria Vai Com As Outras. Ela, porém, não sabia como isso tudo tinha acontecido. Passada a euforia, a professora a chamou para uma conversa:

– Querida, por que você veio fantasiada? Era só para vir com uma roupa diferente do uniforme.

– Foram as meninas que me falaram que a festa seria à fantasia, professora.

 CONTINUA EM 25 DE DEZEMBRO DE 2019

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 *Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

dez 11

ROSAS PARA MARIA – PARTE III

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE III -

O tempo foi passando, o Natal se aproximando e tudo se iluminando! Maria das Dores até parecia mais animada, ajudando a enfeitar a árvore de Natal, colocando luzes coloridas no jardim, ajudando a escolher os presentes para a família e alguns amigos.

 Essa época de fim de ano é também a época em que toda a família se submete a exames médicos, o famoso check-up. Na antevéspera do Natal, Maria das Dores foi ao laboratório, carregada por seus pais, a fim de coletar sangue.

 – Mamãe, nós não saímos para fazer as compras para a ceia de Natal?

– Sim, minha filha. Só que antes vamos fazer os nossos exames. É coisa rápida!

– Então, mamãe, como é coisa rápida, podemos fazer outro dia, sem pressa!

– Maria das Dores, sei muito bem aonde você quer chegar! Precisamos fazer esses exames agora. Amanhã, os laboratórios entrarão em recesso por conta do Natal. Se não fizermos agora, só no ano que vem!

– Ah, mas no ano que vem está ótimo! Assim, começamos o ano com o pé direito, como a senhora gosta de dizer.

– Mocinha, sem mais delonga, vamos resolver isso de uma vez!

Seus pais foram os primeiros a coletar sangue. Maria das Dores observava tudo apavorada! Seus pais bem que tentaram sorrir durante todo o procedimento, mas Maria das Dores não era boba, sabia muito bem o que estava por vir.

Quando chegou a sua vez, o berreiro começou! Foi preciso que segurassem os seus braços e as suas pernas. Por mais que todos lhe dissessem que seria como uma picadinha de mosquito, Maria das Dores não podia acreditar.

A agulha foi inserida. Maria das Dores gritava pedindo socorro. 

– Pronto, menina bonita! Falta apenas encher mais um tubinho. Já estamos quase finalizando! – disse o enfermeiro tentando ser rápido.

– Você está tirando todo o meu sangue! Eu já estou fraca! – retrucou Maria das Dores aos berros.

– Pronto! Terminamos! Fique tranquila, você ainda tem muito sangue aí dentro. Este aqui não lhe fará falta!

– Já está fazendo! Eu não estou conseguindo me mexer! – disse a menina com ar de quem iria desmaiar.

A mãe de Maria das Dores a pegou pela mão e disse:

– Vamos, minha filha. Já terminou! Podemos sair e fazer as compras de Natal, o que você acha?

– Mamãe, eu perdi muito sangue, não posso andar!

– Maria das Dores, é claro que você pode andar, brincar, correr, fazer o que tiver vontade!

– Não posso, mamãe. Eu não tenho forças.

Para encerrar o assunto e poder sair logo dali, o pai de Maria das Dores a pegou no colo, agradeceu ao enfermeiro e saiu em direção ao mercado. Sua mãe estava animada com as compras para a ceia de Natal. Maria das Dores sempre apreciou a ceia de Natal, aquela mesa farta! Só que, dessa vez, foi diferente: a menina dizia não ter forças nem para andar, que diria para ajudar nas compras da ceia!

E foi assim até a noite de Natal. Maria das Dores não andava. Precisou tomar banho de banheira e ser carregada de um lado para o outro. Nada a fazia se levantar!

Chegou a noite de Natal! A mesa estava farta, a casa iluminada! Logo, os familiares e os amigos foram chegando. As crianças se juntaram ao redor de Maria das Dores, que estava sentada no sofá. Ela negava todos os convites para brincar de correr, de se esconder, de pular corda ou amarelinha. E não era porque estava escuro – sim, Maria das Dores também tinha medo do escuro –, mas porque ela realmente acreditava que não tinha forças para ficar de pé.

A ceia foi servida, todos se fartaram! As crianças, animadas, pediam para que os presentes fossem abertos! Assim foi feito. A sala virou uma festa! Todas as crianças sentadas ao redor da árvore. Maria das Dores foi carregada até junto das crianças, mas precisou de almofadas nas costas para conseguir se manter sentada no tapete, embaixo da árvore. A pobrezinha acreditava mesmo não ter forças.

De repente, uma surpresa! Tio Alberto, vestido de Papai Noel, entrou pela sala, tocando um pequeno sino. As crianças gritavam emocionadas! Maria das Dores caiu em prantos. Ela também chorava de alegria!

Os presentes começaram a ser distribuídos pelo Papai Noel! Eram carrinhos, bonecas, bolas e, de repente, o tão esperado presente de Maria das Dores: um lindo carrinho de boneca. Ela sempre sonhou em ter um carrinho para carregar suas bonecas. O carrinho era grande, todo rosa, do jeitinho que ela queria.

As crianças logo fizeram uma algazarra na sala! Maria das Dores queria muito participar, mas não sabia como. As meninas se juntaram para brincar de casinha. Maria das Dores se animou. Enquanto estavam todas sentadas, dando papinhas, trocando as fraldas, fazendo penteados nas bonecas, Maria das Dores se sentiu segura para participar.

O grande problema foi quando as meninas decidiram passear com as bonecas. Elas iam da sala para a cozinha, da cozinha para o quarto, do quarto para a varanda. E Maria das Dores parada na mesma posição!

Não é preciso dizer que a choradeira começou! Mas crianças são sempre muito criativas, sobretudo quando invadidas pelo espírito natalino! Uma das amiguinhas de Maria das Dores, chamada Clara, estava prestes a dar a solução:

– Eu já sei o que fazer, Maria das Dores! O que você acha de brincar de ser a minha filha?

– Eu, sua filha?

– Sim, assim eu posso levar você para passear!

– Mas você é do meu tamanho, como irá me carregar?

A menina pensou, pensou e disse:

– Tive uma ideia! Eu carrego você no carrinho que o Papai Noel trouxe para você!

– Mas e a minha boneca?

– Ora, você pode levá-la no seu colo!

– Está bem! Mas quem vai me botar no carrinho?

Logo, todas as meninas se juntaram para levantar Maria das Dores e colocá-la no carrinho. Entre risadas, cambaleando, elas conseguiram!

– Pronto, meu bebezinho, agora já podemos passear! – disse Clara às gargalhadas.

Num instante, Maria das Dores virou o centro das atenções! Todas as meninas queriam empurrá-la no carrinho:

– Agora é minha vez!

– Não, você já foi. Agora sou eu!

– Ei, vocês duas podem parar com isso! Maria das Dores é a minha filha, sou eu que vou empurrá-la!

Maria das Dores passeou pela cozinha, pelos quartos da casa, pela varanda, deu até uma passadinha no banheiro. De lá, estava saindo sua mãe.

– Minha filha, o que você está fazendo nesse carrinho?

– Mamãe, hoje eu não sou sua filha! A Clara é a minha mamãe. Eu sou o bebezinho dela, eu não sei andar!

– Hum, está certo! Não sabe andar, não é? Então vai ser muito fácil fazer cosquinhas nesse bebezinho! E nessa mamãe também!

A mãe de Maria das Dores começou a fazer cócegas na filha e em sua amiguinha, Clara. A menina saiu correndo, serelepe, se escondendo. Maria das Dores se encolheu no carrinho, tentando resistir. Era em vão sua tentativa, logo começou a se contorcer de tanto rir e não teve alternativa, a não ser sair correndo como Clara.

Dizem que milagres acontecem na noite de Natal! Naquela casa, aconteceu um: Maria das Dores voltou a ficar de pé e passou o resto da noite brincando e correndo pela casa!

Uma criança é mesmo uma caixinha de surpresas! Nunca sabemos, ao certo, o tanto de coisas que há na imaginação de uma criança!

Certa vez, Maria das Dores assistia ao jornal televisionado com seu pai, quando o repórter anunciou uma chuva de meteoros que atingiria a atmosfera da Terra nos próximos dias.

– Papai, papai, os meteoros vão acabar com o nosso planeta! O que vamos fazer?

– Maria das Dores, não há com o que se preocupar. Os meteoros serão vistos no céu, eles não cairão em nossas cabeças.

– Como o senhor pode saber? É uma chuva deles! São muitos! Um pode não cair, mas e os outros?

– Minha filha, você não tem que se preocupar com isso. Vá escovar os seus dentes e deitar, pois já está tarde! Amanhã você tem escola bem cedo.

– Eu vou sim, papai.

Dizer para Maria das Dores não se preocupar era o mesmo que dizer para um doente não ler a bula do remédio. Tarde demais!

Já na cama, Maria das Dores não pensava em outra coisa. Ela queria arrumar um jeito de se proteger dessa imensa ameaça. Sua noite de sono foi bastante agitada. Virando de um lado para o outro, a menina só pensava na tal chuva de meteoros. Apenas oito anos de idade e a missão de salvar a própria vida!

No dia seguinte, no café da manhã, a menina comia calada.

– Como você está calada esta manhã, minha filha! – disse o pai de Maria das Dores.

– Ela está com a cabeça na lua! – replicou sua mãe.

– Minha cabeça não está na lua, mamãe. Está nos meteoros!

– Do que você está falando, Maria das Dores?

– Mamãe, a senhora não sabe que uma chuva de meteoros vai cair bem em cima das nossas cabeças?

– Que bobagem, Maria das Dores! De onde você tirou essa ideia?

– Pergunte ao papai, ele também viu no jornal.

– Minha filha, eu já lhe expliquei que essa chuva poderá ser apreciada, olhando para o céu, mas que nada cairá em nossas cabeças!

– Papai, qualquer chuva cai sim em nossas cabeças, se não estivermos dentro de casa ou na rua com um guarda-chuva!

Maria das Dores saiu correndo para o banheiro, a fim de terminar de se aprontar para a escola. Os pais dela se entreolharam, a mãe balançando a cabeça, e o pai dando de ombros. Os dois sabiam que nada mudaria a certeza de Maria das Dores quanto ao fato da chuva de meteoros atingir suas cabeças.

De repente, a pequena volta já pronta, de mochila nas costas, mas revirando o armário que fica no corredor. Da cozinha, sua mãe a observa:

– Maria das Dores, o que tanto você procura nesse armário?

– Quero meu capacete de andar de bicicleta, mamãe.

– Mas para que você quer esse capacete agora? Você vai para a escola, não vai andar de bicicleta.

– Não, mas eu não o quero para andar de bicicleta. Eu o quero para ir à escola.

– Que ideia é essa, Maria das Dores?

– Ora, mamãe, e se a chuva de meteoros começar bem na hora em que eu estiver no caminho para a escola? Mesmo indo de carro com o papai, eu vou ter que andar um pedaço a pé, até entrar na sala de aula.

– Maria das Dores, tire isso da sua cabeça. Nada disso vai acontecer.

Mas é claro que ninguém convenceu a menina do contrário. Aos prantos, Maria das Dores se negava a ir para a escola sem o capacete. Sua mãe acabou cedendo para que a menina não perdesse o dia de aula. O capacete estava na prateleira de cima. A mãe o entregou à filha.

– Pronto, agora que você já está pra lá de protegida, pode ir rapidamente para a escola.

– Estou indo, mamãe. Mas lembre-se: se a senhora for sair de casa, arrume um jeito de se proteger também.

– Não vou mais discutir com você, minha filha. Vá já para a escola, seu pai está esperando você no carro.

– Eu espero que ele também esteja de capacete!

– Vá já para escola, Maria das Dores! Não quero ouvir nem mais um pio.

Ao chegar à escola, Maria das Dores foi o alvo das atenções e dos cochichos dos colegas, o que a fez chorar. Sua professora tentou acalmá-la, mas pediu que tirasse o capacete. Maria das Dores disse que não podia e contou o motivo a todos.

A professora, assim como o pai de Maria das Dores, tentou explicar que os meteoros, apesar de chegarem à atmosfera da Terra, não atingiriam as cabeças das pessoas. Mas como convencer alguém que já está com uma ideia fixa na cabeça?

Maria das Dores passou os próximos dias de capacete, comendo embaixo da mesa, evitando, a todo custo, sair de lugares protegidos. Não brincava mais no quintal de casa, nem no pátio da escola.

  CONTINUA EM 18 DE DEZEMBRO DE 2019

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 *Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

dez 04

ROSAS PARA MARIA – PARTE II

ROSAS PARA MARIA

ROSAS  PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE II -

Maria-Sem-Vergonha, emburrada, saiu para o quintal. Seu pai logo gritou:

– Maria-Sem-Vergonha, aonde pensa que vai, mocinha? Trate de voltar e ir fazer as suas lições de casa! Quero vê-las todas prontas e caprichadas!

– Ora, papai, se o senhor tivesse comprado o meu aspirador, eu poderia ir para o quintal agora, sem pressa para voltar!

O pai de Maria-Sem-Vergonha não entendeu coisa alguma, mas preferiu nem perguntar. Ele sabe bem o quão criativa é a filha! 

Conhecendo Maria das Dores: 

Bem perto dali, mora Maria das Dores, outra menina de oito anos, amiguinha de Maria-Sem-Vergonha. Ora, a amizade é mesmo um campo florido em que a união se dá nas diferenças! Maria das Dores não é desinibida e alegre. É, antes, uma menina chorosa, cheia de medos. Ela olha mais para o chão do que para frente. Ou do que para cima. Ou do que para os lados! Apesar de tão diferente de Maria-Sem-Vergonha, as duas nutrem uma amizade verdadeira. 

Maria das Dores está sempre cabisbaixa, achando tudo árduo demais. Como é que viver pode ser um peso tão grande para uma menina linda de apenas oito anos de idade? Será que é pelo motivo de ela apreciar poesias? Mas nem todo poeta é triste! O fato é que Maria das Dores vibra mesmo é com versos melancólicos! 

Maria das Dores é filha única, uma filha muito amada, bem cuidada por seus pais. Todos a querem muito bem, mas seu humor é realmente trágico! Sua vida é como uma ópera: uma tragédia grega! 

Recentemente, Maria das Dores foi levada ao salão de beleza por sua mãe. Chegando lá, elas encontraram outras meninas com suas mães. Todas pareciam muito felizes entre um corte e outro, entre tranças, coques e marias-chiquinhas! Mas Maria das Dores tinha medo, muito medo de cortar seus longos cabelos. 

– Vamos, minha filha, sente-se nesta cadeira aqui. Agora é a sua vez!

 – Mamãe, por favor, vamos voltar para casa. Eu não quero cortar os cabelos!

 – Minha filha, eu nem consigo me lembrar de qual foi a última vez que você cortou os cabelos. Seus cabelos estão enormes, sem corte, sem vida!

 – Mamãe, sem vida eles estarão se forem cortados! Eu não quero! Por favor, não!

 – Vamos, Maria das Dores, você já está bem crescidinha para fazer pirraça! Você pode escolher o corte! Que tal uma franjinha? Chega de esconder esse lindo rosto!

 – Não, mamãe! Vai doer! Eu não quero!

 – Maria das Dores, quem foi que lhe disse que cortar os cabelos dói? É como cortar as unhas, minha filha, não causa dor alguma! Agora, sente-se aqui! Agora!

 Maria das Dores não pôde evitar as lágrimas, sentou-se na cadeira e começou a soluçar só de olhar a tesoura!

 – Olá, Maria das Dores, eu me chamo Ana, mas pode me chamar de tia Ana. Eu vou cortar os seus cabelos, e você vai ficar ainda mais bonita! Vamos deixar esse seu lindo rosto aparecer! Tão linda assim, não pode continuar se escondendo!

 – Eu não estou me escondendo. Só não quero cortar os meus cabelos!

 – Vamos fazer assim: eu vou começar bem devagar, vou cortar a parte de trás primeiramente. Depois, então, cortamos a parte da frente, fazendo uma linda franjinha.

 Maria das Dores fechou os olhos, contraiu todo o corpo e esperou que a dor chegasse! Como a dor não chegou, ela abriu os olhos para ver o que estava acontecendo.

 Ao abrir os olhos, viu suas madeixas caídas no chão. O susto foi enorme! A dor física que ela esperava não veio, mas a dor emocional foi incontrolável! Maria das Dores chorava inconsolável, enquanto as outras meninas riam.

 – Minha filha, veja como você está ficando linda! Não há motivo para esse choro todo! A tia Ana está caprichando no seu corte!

 – Mas está doendo! A tia Ana está cortando um pedaço de mim!

 – Maria das Dores, minha filha, para um jardim ficar bonito, nós não cortamos sua grama, não podamos suas árvores?

 – Sim, mamãe, mas eu não sou uma árvore! – respondeu ainda entre lágrimas.

 – Ah, mas eu tenho quase certeza de que você é uma linda rosa! – disse tia Ana, tentando animá-la.

 – Minha filha, não é só o jardim que precisa ser aparado para crescer bonito e saudável. Tudo na natureza funciona dessa forma. É assim também com os seres humanos. Nós cortamos os cabelos, as unhas das mãos e dos pés. O umbigo do bebê cai. Os dentes de leite caem para darem lugar aos dentes permanentes. A vida é uma eterna mudança! Você não pode continuar achando que isso é uma perda dolorosa, pois não é! É só uma transformação, e para melhor! Veja como você está ficando ainda mais bonita!

 Maria das Dores levantou a cabeça e deu de cara consigo mesma no espelho! Ela se observou atentamente, como quem observa um desconhecido. Aos poucos, seu semblante foi ficando mais leve, mais tranquilo. Ela até esboçou um sorriso.

 Tia Ana pôde, finalmente, terminar o corte. Maria das Dores ficou uma boneca de franjinha, e com um corte na altura dos ombros! As meninas, presentes no salão, ficaram admiradas com o novo visual de Maria das Dores. Ela não parecia mais a mesma. Parecia ter saído de um conto de fadas!

 Por falar em fada, foi só a mãe de Maria das Dores ter falado em dentes de leite, para que ela se lembrasse dos que havia perdido. Maria das Dores brigou semanas com a tal Fada dos Dentes, exigindo-os de volta!

 Bem antes dos dentinhos de leite começarem a cair, os pais de Maria das Dores a levaram para a sua primeira consulta ao dentista. Maria das Dores era bem pequena, mas já medrosa e dramática!

 A sala de espera do consultório parecia ter saltado de um lindo e colorido livro infantil. Havia muitos personagens pelas paredes, uma estante cheia de brinquedos, o tapete era um enorme quebra-cabeça. Opa, alguém abriu a porta do consultório! Maria das Dores arregalou os olhos amedrontada, apesar de encantada com todas aquelas cores. Do consultório, saiu o doutor Henrique, ou melhor, o doutor Mickey! O doutor Henrique, muito espirituoso, queria ser, antes de qualquer outra coisa, alguém atrativo, alguém que pudesse conquistar a confiança das crianças!

Mas, para Maria das Dores, as coisas não eram tão simples assim. O doutor Henrique agachou perto dela, deixando o rabo do Mickey arrastar pelo chão, e a convidou para entrar. Maria das Dores só entrou depois que seus pais entraram. Desconfiada, ela analisava cada detalhe daquele Mickey de jaleco branco! Ele a levantou do chão e a colocou sentada na cadeira.

 Aos poucos, doutor Henrique foi deitando a cadeira. Maria das Dores logo se levantou, dizendo que não estava com sono, que não precisava ficar deitada. Doutor Henrique explicou que ela não iria dormir, iria apenas deitar um pouquinho para que ele pudesse olhar bem os seus dentes.

Maria das Dores não estava gostando da ideia, mas seus pais a tranquilizaram. Doutor Henrique pediu que ela abrisse a boca bem grande. Ela abriu sim a boca, mas abriu ainda mais os olhos!

Doutor Henrique olhou bem as gengivas, a língua e o “céu da boca” de Maria das Dores. Depois, pegou todos aqueles objetos estranhos e começou a avaliar os dentes. Vendo que estava tudo na mais perfeita ordem, sem cárie alguma, disse aos pais dela que apenas uma limpeza era necessária. E que poderia ser feita naquele momento.

 Os pais de Maria das Dores pareciam animados, todos os seus esforços em manter a boca de Maria das Dores saudável tinha valido a pena. Uma boa alimentação, seguida de uma boa escovação, era mesmo uma fórmula de sucesso!

 Doutor Henrique começou a preparar tudo. Depois de dar os parabéns a Maria das Dores, explicou como tudo aconteceria.

 – Minha criança, seu sorriso é lindo e ficará ainda mais bonito agora!

O doutor estava sendo gentil, pois Maria das Dores não havia sorrido uma vez sequer! Doutor Henrique prosseguiu:

– O que nós vamos fazer agora é muito simples. Será apenas uma limpeza.

– Mas eu já limpo bem os meus dentes!

– Sim, é verdade! Mas a limpeza que faremos aqui é mais profunda, ela limpa melhor os lugares em que a escova de dente não alcança direito. Ela vai retirar também as pequenas manchinhas que os dentes vão adquirindo com o passar do tempo. Não se preocupe, não vai doer nada!

– A minha escova alcança todos os meus dentes, ela cabe direitinho na minha boca, pode perguntar para a minha mãe e para o meu pai também.

– Eu sei, minha criança, eu acredito em você! Fico muito feliz de saber que você cuida dos seus dentinhos direitinho, sem se esquecer de limpar a língua também, não é mesmo?

– Sim, eu limpo a boca toda!

– Então, agora você só precisa relaxar, abrir a boquinha e deixar que eu limpo tudinho para você. Quando terminarmos, eu vou passar flúor nos seus dentes, você sentirá um gostinho doce.

– Um gostinho doce? Mas do que adianta o senhor limpar os meus dentes e depois colocar açúcar neles? O senhor vai estragar os meus dentes!

Todos riram! Maria das Dores queria saber de tudo nos mínimos detalhes.

– Maria das Dores, apesar de ter um gostinho doce, o flúor não é feito de açúcar. Ele serve para proteger os dentes, ajudando a evitar as cáries. Agora, vamos começar! Abra a boquinha, eu vou colocar este canudinho embaixo da sua língua, o nome dele é sugador. Assim, você não vai precisar ficar levantando a todo o momento para cuspir a saliva.

Tudo parecia que iria correr bem, se não fosse o barulho da máquina de sucção. Maria das Dores estremeceu na cadeira e agarrou o sugador. Doutor Henrique tentou acalmá-la, mostrando que o barulho vinha da máquina, mas que nada de mau aconteceria.

Tarde demais, Maria das Dores já havia entendido tudo: o sugador engoliria não só a sua saliva, mas também os seus dentes! Ele era mais potente do que o doutor Henrique havia explicado! Nada mais a deixaria calma!

Seus pais bem que tentaram acalmá-la. Doutor Henrique retirou o sugador e tentou mostrar à menina a inofensibilidade do objeto. Nada mais surtia efeito. Aos prantos, Maria das Dores só pensava em sair correndo dali.

Seus pais insistiram para que ela se acalmasse e voltasse a abrir a boca. Doutor Henrique desligou a máquina de sucção e disse que ela poderia ficar sem o sugador. Não adiantou, o susto foi tamanho, que só de pensar em voltar a abrir a boca, Maria das Dores intensificava o seu choro. Todos continuavam insistindo para que a menina voltasse a abrir a boca.

Milagrosamente, Maria das Dores abriu a boca! Doutor Henrique tentou ser rápido no procedimento, mas assim que colocou a mão na boca da menina, ela, num ato de defesa, mordeu com toda vontade os dedos do doutor. O procedimento acabou naquele momento!

Já em casa, Maria das Dores fez uma promessa a si mesma: jamais voltaria a comer! Quem não come, não deve precisar de dentista. Negou o jantar e foi dormir com a barriga roncando.

Na manhã seguinte, continuou a cumprir sua promessa:

– Maria das Dores, está quase na hora de você sair para a escola. Coma logo!

– Não, mamãe. Eu não tenho mais fome.

– Que história é essa de não ter mais fome? Ontem, você já foi dormir sem jantar. Saco vazio não para em pé, menina! Trate de comer agora mesmo!

– Mas, mamãe, quem não come, não suja os dentes!

– Ah, é? Sim, não suja os dentes, mas quem é que precisa de dentes limpos se estiver morto?

– Morto?

– Sim, morto! Ou você acha que alguém que não come pode viver por muito tempo?

Maria das Dores pensou por um instante e percebeu que morrer seria mais complicado do que ir ao dentista. A dor da fome já estava mesmo apertando a sua barriga!

– Bom, minha filha, se você não comer, vou marcar um médico para você, pois eu não quero que minha filha morra de fome!

– Médico, mamãe?

– Sim, Maria das Dores, talvez uma boa injeção dê jeito na sua falta de apetite!

Maria das Dores, imediatamente, começou a comer. Aliás, comeu bem mais do que de costume! Separou um pedaço de bolo, dois pãezinhos e uma maçã para levar para a escola, caso tivesse mais fome.

Seu pai, observando tudo, logo exclamou:

– Assim está bem melhor! Mas a sua mãe já arrumou a sua lancheira!

– Eu sei, papai, mas pode ser que eu sinta mais fome ainda! É melhor ir para a escola prevenida!

O pai de Maria das Dores gargalhou, escondendo o rosto atrás do jornal que lia. Sua mãe ficou satisfeita, pois bastava toda aquela confusão do dia anterior, no consultório do dentista. Ninguém precisava de outro problema!

CONTINUA EM 11 DE DEZEMBRO DE 2019

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

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