Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: FIQUE POR DENTRO

página destina a informações e notícias importantes do dia ou da semana

mai 06

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – PARTE IV (VD5)

CAIM MATA ABEL

ESTE TEXTO ESTÁ EM VÍDEO NO YOUTUBE

ACESSE: https://youtu.be/2DQUxyzlgxg

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – GÊNESIS 1, 4 –

PARTE IV –

*Por L. A. de Moura –

O que podemos falar sobre o Capítulo 4, do Livro do Gênesis? Há muito o que falar. Inicialmente, é bom recordarmos que, nos capítulos anteriores, tivemos a oportunidade de examinar detidamente a Criação. A Terra, o firmamento, ás águas, os luzeiros, o Sol e a Lua, as Estrelas. Vimos que Deus cuidou de povoar a Terra com aves e animais terrestres. Os mares com os peixes de todas as espécies. Preocupou-se em criar a humanidade, na figura de Adão e Eva, à sua imagem e semelhança. Colocou este ser humano em jardim de delícias. Deu-lhe plenas condições para uma vida permanente e absolutamente digna.

No entanto, veio o inimigo e tratou de tirar o ser humano do seu conforto primordial, e leva-o a ser expulso daquela terra de jardins e de pomares. Falamos, também, sobre a estrutura mítica na qual o autor sagrado constrói seus escritos, a partir de narrativas de tradições distintas e distantes umas das outras no tempo e no espaço.

Ao final do Capítulo terceiro do Livro do Gênesis, Deus expulsa o ser humano do Jardim do Éden, lançando-o em um mundo hostil, cheio de dramas e de amarras, onde ele não encontra mais, nem a paz nem a tranquilidade para viver. Lugar onde ele, ser humano, passaria pelas experiências do sofrimento, das dores dos partos, da exposição à morte, da necessidade de trabalhar para comer o pão de cada dia. Enfim, a partir de então, o ser humano expõe-se à sujeição do bem e do mal que, para ele, não é desconhecido.

Tudo isto é fruto de narrativas construídas, ainda, no período do exílio, quando o ser humano é levado a se questionar fortemente sobre as razões verdadeiras que tiraram-no da sua terra, dos seus entes queridos, da sua vida plena e abundante, para ser lançado no trabalho forçado – produzir para o próprio sustento – longe do seu “paraíso inicial”.

Pois bem, o Capítulo 4 inicia com a notícia de que Adão conheceu sua mulher Eva, “a qual concebeu e deu à luz Caim, dizendo: possuí um homem por (auxílio de) Deus”. (Gn 4, 1). Depois, foi a vez de Abel vir à luz, também.

Observe-se que, já na primeira manifestação de Eva, no parto de Caim, ocorre uma espécie de sentimento de divindade por parte da mulher: “possuí um homem com o auxílio de Deus”, como se a vida tivesse origem nela, e não, no próprio Deus. Resquícios dos olhos abertos para o bem e para o mal, sentindo-se como deuses. As consequências desta espécie de prepotência virão depois, sobre Caim, que será motivo de dor e de angústia para o ser humano.

Observe-se, também, que, quando do nascimento de Abel, Eva já não falará da mesma forma. Já não se arvorará em afirmar ter possuído nenhum homem. O autor sagrado vai revelar que Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. Um cuidava dos rebanhos, o outro, cultivava a terra. Duas culturas diferentes. Por meio do autor sagrado, tomamos conhecimento de que, tanto Abel, quanto seu irmão, Caim, ofereceram a Deus os frutos dos seus trabalhos. No entanto, Deus se agrada mais da oferta de Abel, do que da de Caim. Esta, a de Caim, o Senhor Deus rejeita. Não quer receber!

Novamente precisamos retornar ao final do Capítulo 3, para ouvir da boca de Deus que o homem terá que suar, no cultivo da terra, para conseguir o pão de cada dia. Portanto, Deus sabe que o fruto da terra é decorrência do trabalho pesado, sujeito às intempéries do tempo – muito sol, pouca chuva, ou vice-e-versa – e sabe, também, que cuidar do rebanho é trabalho mais ameno, mais suave, não depende das condições climáticas, não exige o suor do rosto, mas, apenas, um cajado e um caminhar. Deus sabe que o fruto da terra é produção que alimenta a família no dia-a-dia e que, a felicidade do lavrador, do agricultor, como Caim, é levar para a cabana, ou caverna, todos os dias, o fruto do seu trabalho. Por esta razão Deus rejeita a oferta de Caim.

Caim, no entanto, fica magoado, ofendido, triste, decepcionado. Sente-se enciumado. Deus percebe aquele estado de espírito acabrunhado e pergunta: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante?”. Ao mesmo tempo o Senhor procura consolar Caim, afirmando que se ele trabalhar bem, receberá o prêmio pela luta suada; se, no entanto, trabalhar mal, receberá igualmente a paga, demonstrando a ele que, se a terra produziu e se ele pode colher é porque trabalhou bem e, como quem diz, “compreenda o que te digo e domina este teu temperamento”.

Veja você, prezado leitor, prezada leitora, como Deus é magnânimo: deixa de receber a oferta de Caim porque não quer deixá-lo à mingua, haja vista que sua produção é limitada, sofrida, demorada e necessária para o sustento da família. Seria o mesmo que um de nós recusasse receber o pão com manteiga do pobre mendigo, mas aceitasse o sanduíche de queijo do jovem rico. É claro e evidente, que ao deixarmos de receber o pão com manteiga doado pelo pobre, não o estamos desprezando, mas, protegendo seu único meio de sobrevivência, enquanto o outro, o jovem rico, tem infinitas possibilidades de se alimentar.

Mas Caim não enxerga sob este prisma e, sentindo-se infeliz e inútil, desprezível mesmo, chama o irmão para um passeio no campo e, ali, tira-lhe a vida, manchando a terra, pela primeira vez, com o sangue humano. A terra que produz é, também, a que sacrifica a vida. Tudo, fruto da incompreensão, da ignorância, da inveja e do sentimento de poder contra tudo e contra todos. Quando Deus o interpela, querendo saber sobre Abel, ouve de Caim uma resposta ríspida: “Não sei. Porventura sou eu o guarda de meu irmão?”.

O sangue mancha a terra e clama por Deus. Agora a terra será maldita, diz o Senhor. “Quando a cultivares, ela não te dará os seus frutos; serás vagabundo e fugitivo sobre a terra”. A terra, manchada pelo sangue do justo, assim como o paraíso maculado pelo pecado, já não sorri mais para o ser humano. Aí, neste ambiente, ele colherá, também, o sacrifício, o ódio e a vingança. Não é em vão que Caim fala para Deus: “Eis que hoje tu me expulsas desta terra, e eu me esconderei da tua face, e serei vagabundo e fugitivo na terra; portanto, todo o que me achar, me matará”. Não será assim, diz o Senhor, “mas, qualquer um que matar Caim será castigado sete vezes mais. E o Senhor pôs um sinal em Caim, para que não o matasse qualquer um que o encontrasse”

Nós, aqui, já estamos nos acostumando a buscar, na essência, a mensagem que o autor sagrado quer passar. Então, já compreendemos que ele quer mostrar, dentre outras coisas, o infinito amor de Deus para com o ser humano, mesmo quando marcado pelo pecado. Caim, tal qual seus pais, também é expulso da sua terra, do seu pequeno paraíso, para sair errante pelo mundo. Não, sem antes receber do Senhor uma proteção.

Adão e Eva representam a espécie humana. Quando o autor sagrado afirma que Deus criou o homem, na verdade está dizendo que “criou a humanidade”. Adão e Eva, apenas, representam o homem e a mulher. Nos primeiros versículos do Capítulo 5, vamos encontrar o autor sagrado recordando a criação do ser humano, afirmando que Deus, quando criou o homem “Criou-os macho e fêmea, e abençoou-os; e deu-lhes o nome de Adão no dia em que foram criados” (Gn 5, 2).

Isto explica a razão de o versículo 17, do Capítulo 4, afirmar que “Caim conheceu sua mulher, a qual concebeu e deu à luz Henoc. E edificou uma cidade”. Caim funda a cidade, com todos os seus percalços. Da cidade o triunfo das descobertas, do produzir armas e ferramentas em larga escala; da cidade, a competição com o campo. Em Caim, a origem da violência, da vocação para a disputa e para a competição. A partir da cidade, o Livro do Gênesis começa a traçar os caminhos das genealogias, das origens.

Por último, já no final deste mesmo capítulo 4, o autor sagrado afirma que Adão e Eva tiveram outro filho. Aqui, a mulher já não diz que “possuí um homem com o auxílio de Deus”, mas, “O Senhor deu-me outro filho em lugar de Abel, que Caim matou” e aí, segue-se uma extensa genealogia, sobre a qual falaremos na sequência.

Por ora, paramos por aqui, para não cansar demais o leitor e a leitora. Esperamos que esteja valendo à pena e que vocês estejam ao menos começando a compreender um pouco melhor as entranhas e as entrelinhas da Bíblia. É difícil, sim, no início, mas, depois, tudo será mais tranquilo. Até porque a sistemática é sempre a mesma: narrativas vindas de tradições diferentes e de diferentes épocas; sentido figurativo e simbologias míticas. Enfim, tudo sobre o que já comentamos. Não desista, vamos em frente. Em breve retomamos nossas conversas. Seja feliz, e mantenha a fé!

__________________________________________________________

*L. A. de Moura é Estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

abr 29

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – PARTE III (VD4)

PARAÍSO TERRESTRE - 2020ASSISTA O VÍDEO DESTE CONTEÚDO NO NOSSO CANAL NO YOUTUBE, CLICANDO EM: https://youtu.be/FCklto8ovV0

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – GÊNESIS 1, 3 –

PARTE III –

*Por L. A. de Moura – 

O tema de hoje envolve o Capítulo 3, do Livro do Gênesis. Mas, antes, vamos nos reportar ao Capítulo anterior (2) quando é narrado que, Deus “tinha plantado, desde o princípio, um paraíso de delícias, no qual pôs o homem que tinha formado” (Gn 2, 8). Neste jardim, conforme a narrativa, “Deus tinha produzido da terra toda a casta de árvores formosas à vista, e de frutos doces para comer”.

No centro deste jardim, no meio dele, a árvore da vida, e a árvore da ciência do bem e do mal, da qual o homem é proibido pelo Senhor, de comer do fruto, sob o aviso de que “no dia em que dela comeres certamente morrerás”.

Bem, conforme já havíamos falado desde o início, nosso intento não é fazer uma interpretação sistemática da Bíblia, mas, apenas, e, tão somente, abrir algumas brechas para facilitarem a sua compreensão acerca dos três tópicos que viemos falando desde o nosso primeiro contato, com ênfase, aqui, para a MENSAGEM a ser extraída do Capítulo sob comento.

Rapidamente, é preciso chamar a atenção do leitor e da leitora para o zelo de Deus, o cuidado, para com o ser humano que acabara de ser criado. A Palavra afirma que Deus “desde o princípio”, plantou um jardim de delícias, onde são colocados os nossos primeiros pais. Um Deus Criador e zeloso. Mas, também, exigente: proíbe que seja comido o fruto da árvore da ciência do bem e do mal.

O Capítulo 3 inicia traçando um “perfil” da serpente, onde é descrita como “o mais astuto de todos os animais” criados por Deus. Aqui merece destaque a simbologia e a mítica que a serpente representava no contexto dos povos pagãos, especialmente, da Mesopotâmia, da Pérsia e do Egito, como sendo uma figura “demoníaca”. No contexto do Gênesis, ela é apresentada como hostil, adversa a Deus e, por fim, revela-se altamente inimiga do ser humano.

Deus cria o ser humano, coloca-o em um “paraíso de delícias”, concede-lhe o domínio sobre todas as demais criaturas, permite-lhe que coma de todos os frutos ali produzidos, menos daquele da árvore do conhecimento do bem e do mal. Vemos, então, que, desde o princípio, o ser humano recebe do Criador todas as condições necessárias para uma existência plena, saudável e duradoura. No entanto, existem limites.

É justamente o limite imposto por Deus, que leva a serpente a mostrar ao ser humano, que não precisa ser respeitado. Aliás, que deve ser mesmo ultrapassado, a fim de que se torne como Deus, conhecedor do bem e do mal, capaz de decidir por si próprio os caminhos que quer tomar, escolhendo entre o bom e o mau.

Relativamente ao fruto daquela árvore, Deus afirma: “No dia em que dele comeres certamente morrerás”. A serpente declara justamente o oposto: “Certamente que não morrereis”. E, então, ela esclarece à mulher o motivo da proibição: “Deus sabe que, no dia em que dele (o fruto) comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal” (Gn 3, 5).

Aqui nós podemos identificar um contraponto entre a ordem divina, que revela a consequência para a transgressão, e uma justificativa dada por quem se opõe frontalmente ao Criador. Como é fácil verificar, nossos primeiros pais cedem às palavras da serpente e desobedecem a ordem divina. Bem, este ato entrou para a história como “o pecado original” que, indubitavelmente, manchou toda a raça humana.

Deus, no entanto, e apesar de ter expulsado o ser humano do paraíso, o homem e a mulher, cuida de tecer túnicas de pele para vesti-los, não permitindo que saíssem absolutamente nus, rumo ao mundo exterior totalmente desconhecido por Adão e Eva. Este mundo exterior, no qual a mulher encontrará as dores do parto, os sofrimentos e a submissão ao marido, e o homem terá que trabalhar pesado para sustentar-se a si e aos seus, é, também, um mundo cheio de armadilhas, de perigos e, como se verá, de violência, de ambição, de ódio, de guerras e, fatalmente, de morte.

A desobediência a Deus, coisa que o mundo contemporâneo tanto relativiza, tem consequências gravíssimas. Assim como não foi no paraíso, não o é nos dias de hoje, caso de castigo divino, mas, simples consequência pelos atos praticados pelos seres humanos.

Apesar de tudo, Deus pune, sim, a serpente, pondo inimizade entre a linhagem dela (o descaminho, a mentira e a morte) e a linhagem da mulher, de onde, um dia, virá o Salvador (o caminho, a verdade e a vida). Hoje sabemos e temos consciência de que, só com o fato da Ressurreição de Jesus é que o ser humano retoma possibilidade de retorno ao paraíso. E aqui, aproveito para sugerir a leitura do Livro “Paraíso Terrestre – Saudade ou esperança?” do Frei Carlos Mesters, cuja leitura é ardentemente repleta de excelentes explicações.

Você, no entanto, pode estar se perguntando: Por que a proibição de Deus é restrita à árvore da ciência do bem e do mal, e não, à árvore da vida e, no final, Deus os expulsa do paraíso justamente para não comerem dela também?

Porque antes da transgressão da ordem divina o ser humano não conhecia a morte. Não estava condenado a ela. No entanto, após colocar-se, com o seu ato, passível de morte, poderia ser tentado, também, a comer do fruto da outra árvore. Por esta razão o Senhor, em aparente conversa com a Corte Celeste, declara: “Eis que o ser humano já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre” (Gn 3, 22).

De tudo o que pudemos ver neste Capítulo terceiro, parece ter ficado bastante claro que, em meio a toda uma simbologia descrita pelas figuras míticas  utilizadas, a MENSAGEM transmitida pelo autor sagrado é, acima de tudo, a do cuidado do Criador para com a sua Criatura, a do incentivo à obediência, a da evidência das consequências da transgressão aos mandamentos e ensinamentos de Deus, a da presença constante de Deus na nossa vida, apesar das nossas continuadas transgressões, sempre a nos consolar e nos “vestir” e revestir com tudo o que nos é essencial para a vida e, por fim, sempre a esperança. Uma esperança que caminha conosco até o última dia da nossa existência. Leia com atenção, se ainda não leu, o Capítulo 3 do Livro do Gênesis, reflita e prossiga no estudo da Palavra de Deus. Não é tão difícil quanto você imaginava. Em breve daremos prosseguimento, com a litura do Capítulo 4. Sugiro que leia atentamente. Seja feliz, e mantenha a fé!

PARAÍSO TERRESTRE __________________________________________________________

*L. A. de Moura é Estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

abr 25

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – PARTE II

A BÍBLIA COMO MENSAGEM

ESTE CONTEÚDO ESTÁ, TAMBÉM, NO NOSSO CANAL NO YOUTUBE.

ACESSE:https://youtu.be/9M5qwG-DqpI

CONVERSANDO SOBRE A BÍBLIA – GÊNESIS 1, 1-2 –

PARTE II –

*Por L. A. de Moura – 

Inicialmente, é importante destacar que a composição de todo o Pentateuco – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio – assim como grande parte do AT, decorre da narrativa de Tradições muito diferentes e distantes do tempo umas das outras. Dentre estas tradições, podemos destacar: a Javista, a Eloísta e a Sacerdotal. A primeira e a segunda são assim denominadas, por ser a forma como Deus era conhecido – Javé e/ou Eloim. A sacerdotal é uma tradição proveniente de toda uma linhagem de sacerdotes, normalmente de forma hereditária que, ao longo dos séculos, foi se consolidando na narrativa, por meio da escrituração, de fatos mais antigos.

Daí decorrem narrativas diferentes sobre um mesmo fato; vamos encontrar narrativas de um mesmo fato em Livros distintos e assim sucessivamente. Não devemos nos impressionar com estas diferenças, pois, conforme já destacamos, existe uma mensagem fundamental a ser transmitida. E é esta mensagem que interessa ao leitor médio da Bíblia. Leitor médio é aquele que lê para adquirir algum conhecimento e para fortalecer a fé, individual ou comunitária. Existem, é claro, os leitores estudiosos e pesquisadores da Bíblia que, necessariamente, vão aprofundando seus estudos da forma mais científica possível, até o ponto de debater o significado das palavras tanto na escrita original – hebraico ou aramaico – como no grego ou no latim.

O caso, porém, aqui, é apenas de aquisição de um conhecimento mediano, de modo a facilitar a familiarização com os textos e suas mais explícitas mensagens.

Dito isto, pensemos em Gn 1 e 2: Ao ler o capítulo 2, você certamente percebe que ele relata novamente, e com outros argumentos, toda a Criação dando, no entanto, maiores detalhes sobre a criação do homem e da mulher.

Bem, não se surpreenda ao saber que a primeira versão da Criação – Gn 1 – é posterior à segunda versão, descrita no Cap. 2. Pois aí mesmo vamos encontrar narrativas de duas Tradições diferentes: a primeira, é Sacerdotal. Esta tradição já detém alguns conhecimentos gregos sobre os astros e sobre o cosmos. Fala-se sobre uma divisão cósmica: céu e terra; fala-se sobre um abismo; sobre o firmamento; sobre o dia e a noite; sobre luzeiros e estrelas no firmamento; sobre os mares, com água em abundância. Depois, são criados animais, peixes, aves e, por fim, o primeiro casal: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”; “E criou-os varão e fêmea”.

Esta narrativa decorre da visão que os autores tinham acerca de toda a estrutura do mundo então conhecido já pelos gregos que, da terra, olhavam para o céu – firmamento – e observavam as estrelas e os dois grandes luzeiros – o Sol e a Lua. Além de observarem, também, a vida de todas as espécies sobre a terra. O contexto desta narrativa é o cenário no qual parte da humanidade, então conhecida, tinha os olhos voltados para o paganismo da Mesopotâmia, onde eram cultuados diversos deuses: prestavam culto ao deus Sol; à deusa Lua; ao deus dos mares; aos deuses e deusas da fertilidade etc. Os autores da Tradição Sacerdotal, portanto, inspirados por Deus, narram dentro de uma certa ordem e de uma lógica, a Criação de todas as coisas. Para estes autores, não se tratava de um deus Sol. O Sol é criação do Deus único; não existia deus da fertilidade: o Deus único criou o homem e a mulher e deu-lhes o poder de procriar etc. Todos os demais seres, independentemente de deuses próprios, foram criados por um único e mesmo Deus, Senhor da vida.

Percebem? A narrativa é escrita em um contexto no qual são combatidos os cultos aos deuses mesopotâmicos e, futuramente, babilônicos. É dirigida a um povo que ainda oscilava entre o Deus único e os deuses pagãos, em razão das reverenciadas maravilhas que realizavam. A mensagem é clara: revelar que tudo o que existe foi criado por um único e verdadeiro Deus. Então, de posse dos conhecimentos que detinham, os autores sagrados elaboram a narrativa do Gênesis, Cap. 1.

O texto do Gênesis, capítulo 2, é uma narrativa, cujos versículos de 1-4a, ou, como em alguma Bíblias, de 1-3, pode ser compreendida, também, como procedente da tradição sacerdotal. Residindo aí, talvez, a razão de o capítulo iniciar falando que “Assim foram acabados o céu e a terra, e todos os seus ornatos”, permitindo concluir que se trata de uma continuidade do capítulo 1. Parece haver aqui, neste inicio, uma mescla de tradições. O que, no momento, não é relevante para nós.

A partir do versículo 4b, ou simplesmente 4, a narrativa é mais antiga e provém da Tradição Javista. É uma tradição que, provavelmente, não se debruça sobre conhecimentos de outros povos, mas, atribui tudo a Javé, o Deus que conhecem e sobre o qual já ouviram muitas histórias.

Observe-se que, enquanto em Gn 1 existe verdadeira abundância de água, aqui, em Gn 2, não existe água. Apenas uma fonte que saía da terra. Toda a água necessária para dar vida às ervas e às árvores, provinha da chuva, da água caída do céu. Assim, afirma o autor do Gn 2: “o Senhor Deus não tinha (ainda) feito chover sobre a terra”.

Observe-se que, se em Gn 1 a narrativa afirma ter dito Deus “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, criando-os macho e fêmea, aqui, em Gn 2 o autor sagrado trata de esboçar um modelo de criação para o homem: “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente”.

É narrada a criação de “um paraíso de delícias”, com todas as árvores frutíferas imagináveis, sendo duas especialmente identificadas pelo autor sagrado: a árvore da ciência do bem e do mal e a árvore da vida.

Esclarece, também, o autor sagrado que Deus formou da terra “todos os animais terrestres”, para apresentá-los ao primeiro homem, para ver se ele identificava algum que lhe pudesse servir de companhia.

Por último, então, não encontrado o homem nenhum animal que lhe pudesse servir de companhia, é narrado todo um procedimento para explicar como teria acontecido a criação da mulher. Vejam: em Gn 1, um autor sagrado portador de maiores conhecimentos, afirma, simplesmente, que Deus criou-os “varão e fêmea”, enquanto o autor mais antigo, mais primitivo, elabora todo um processo para tentar explicar a mensagem que queria transmitir.

No versículo 19, do cap. 2, o autor sagrado vai nos contar que Deus tira da terra, também, e não apenas o ser humano, mas os animais terrestres e todas as aves do céu para apresentá-los ao homem.

Ora, vejamos bem: Deus cria o homem e todos os animais e todas as aves. No entanto, apenas ao homem ele permite que escolha a sua companheira dentre todos os animais. Aqui, podemos verificar que Deus põe à prova a razão, o raciocínio com que dotara o homem. É óbvio que dentre todos os animais e dentre todas as aves, não havia qualquer um que se ajustasse ao homem, enquanto espécie. Mas, Deus queria ouvir isto da boca do próprio homem. E, então, ele afirma não ter encontrado nenhum animal que a ele se ajustasse. Deus, então, cria a mulher. Um ser da mesma espécie do homem: ambos são humanos.

Após estes pequenos comentários, o que podemos afirmar com segurança, é que Deus é o autor da vida. Tirar do barro da terra, pode ser uma imagem que nos diga que a matéria está aí, em todos os cantos, inclusive, na terra, e por excelência, mas, a vida não. A vida provém de Deus. Único que pode doá-la. E assim foi feito, desde o princípio.

Bem, como pode ser visto, tanto o capítulo 1, quanto o capítulo 2, são narrativas sobre um mesmo evento: a Criação de todas as coisas e de todos os seres por Deus.

Você verificou, pois, tratarem-se de narrativas diferentes, dirigidas ao povo de Deus, um povo mais antigo e outro bem mais moderno. Em contextos absolutamente distintos tendo, no entanto, uma única mensagem a ser transmitida: Deus é o autor da Criação. Todas as coisas, a partir do ponto comum VIDA, foram criadas por Deus.

Nada de deuses A, B, C ou D. Nada de cultos a deuses estranhos ou mesmo oferta de sacrifícios, porque, Deus é único.

Acredito que você, a partir desta pequena e humilde análise, tenha percebido o que ocorre em toda a Bíblia. Por trás de um enorme pano de fundo, existe uma MENSAGEM DIVINA. E é esta mensagem que os autores sagrados, sempre, querem passar para os seus leitores, da época e, por fim, de todas as épocas.

Ao ler a Bíblia você poderá compreender rapidamente as palavras sem, no entanto, compreender, com exatidão a mensagem transmitida. Aí é que entra a leitura permanente, o estudo sob a orientação de um Padre, de um Pastor bem formado, de um Teólogo ou de um biblista. Pessoas habilitadas a ajudarem você a uma melhor compreensão. Mas, no fundo, no fundo, é só o Espírito de Deus quem pode plantar no seu espírito e na sua alma a verdadeira compreensão de tudo o que está escrito. Reflita sobre tudo isto e, nunca se esqueça: sozinho(a) nesta tarefa, você não conseguirá vencer todos os desafios, porque são muito grandes e complexos. Porém, com persistência, paciência, boa vontade, constância e auxílio, você conseguirá. Seja feliz, e mantenha a fé!

__________________________________________________________

*L. A. de Moura é Estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

mar 31

A PALAVRA DO PSICÓLOGO

DANIEL FRANÇA - 2

ISOLAMENTO SOCIAL NÃO É ISOLAMENTO EMOCIONAL

*Por Daniel C. França –

Em tempos de Coronavírus precisamos desenvolver a inteligência emocional, pois o tempo todo somos bombardeados por muitas informações e muitas delas fake news, então, informe-se nem que seja duas vezes por dia; seja seletivo e busque por sites e emissoras confiáveis. Precisamos gerenciar o que recebemos de informação e o que reforçamos de pensamentos.

A recomendação dos órgãos de saúde é que higienizemos bem as mãos e não as levemos aos olhos, boca e nariz e que participemos do isolamento social proposto pelas autoridades sanitárias. Isso não significa isolamento emocional. Usemos as redes sociais para nos comunicar com os nossos familiares e amigos. Não deixemos que o isolamento social crie o isolamento emocional.

Aproveitemos este tempo para fazer uma leitura, um curso, arrumar as suas coisas, assistir um filme ou série, executar atividades relaxantes ou alguma outra atividade que você não tinha tempo de fazer pela correria da vida. Desacelere!

Neste momento de pandemia, medo, ansiedade, não negligencie a sua saúde emocional. Pois ela tornará mais forte o seu sistema imunológico. A sua emoção saudável é essencial para vencermos está guerra. Faça psicoterapia!

______________________________________________________________

* Daniel C. de França é Psicólogo Clínico (CRP 05/57727),  palestrante e Pós-graduando em Neuropsicologia. Administra o site https://psicologodanielfra.wixsite.com/website/post/isolamento-social-não-é-isolamento-emocional. Disponibiliza contatos por meio de chat, no próprio site, pelo Whatsapp (21) 97310-3380 ou pelo email psicologodanielfranca@gmail.com

mai 29

NÃO DÁ MAIS PRA SUPORTAR, EXPLODE CORAÇÃO!

O POVO NAS RUAS-3AS PESSOAS DE BEM, NÃO PODEM FICAR EM SILÊNCIO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Desde a inauguração deste Blog, no ano de 2014, tomamos a decisão de não utilizarmos este espaço para qualquer manifestação de natureza política ou político-partidária, por questões de princípios. O espaço é genuinamente destinado à divulgação de matérias relacionadas com o cristianismo, com a Teologia e com todos os seus derivados. A nosso ver, a política, no sentido amplo do termo, não teria vaga nesta reserva.

Entretanto, hoje mais do que nunca, estou convencido de que todos nós, em qualquer tempo e lugar, temos o dever cívico e cristão de manifestar nossa opinião, decididamente contra tudo o que está sendo articulado pelos detentores do poder no Brasil.

Não podemos ficar em silêncio diante da torpeza, do descaramento, da falta de princípios éticos, morais, sociais e legais demonstrados por diversos homens públicos que, no comando e no gerenciamento da “coisa pública”, locupletaram-se a si e aos seus associados, desfalcando o Estado de tal forma que, agora, querem tirar do povo, por meio de leis casuísticas, inoportunas e sem sentido técnico, ou mesmo econômico, tudo o que puderem, sob a pecha de “bons administradores”, de “gerenciadores de crises”, de “homens de visão” etc.

Na verdade, estamos todos submetidos a um cenário draconiano, sendo comandados por pessoas que jamais poderiam ocupar o lugar que estão ocupando e que, embora surpreendidas por delações das mais variadas, insistem na permanência na vaga ocupada, em alguns casos, sem a legitimidade do escrutínio popular.

Nesta vala comum de cadáveres que insistem em continuar caminhando, recusando-se à sepultura da história, encontramos pessoas e grupos organizados, preparados e representados diante da Justiça e da sociedade para o papel de vítimas permanentes. Não fizeram nada de errado, não se lembram de nada do que fizeram, prestaram contas de tudo, não sabem, não viram e não se conhecem mutuamente, enfim, estão aí, feito zumbis tomando fôlego novo a cada dia e, associando-se a novos personagens para a manutenção da farra e da rapinagem.

Devemos clamar para a Justiça, sim. Mas, devemos clamar, também, para a atuação da polícia federal, para que, cada vez mais, publique o conteúdo de todas as investigações que estão sendo feitas. O povo tem o direito de saber quais foram (ou ainda quais são) os crimes cometidos por aqueles que ele, eventualmente, votou para representa-lo. Os Ministros do STF devem fazer jus aos títulos que recebem diariamente, e não se deixarem levar pela intimidação de pessoas que estão, indevidamente, ocupando o lugar de gestores públicos e de legisladores oportunistas que, em muitos casos, estão legislando para darem a contrapartida pelo dinheiro da corrupção que já receberam.

O povo precisa parar de fazer “piadinhas” nas redes sociais e sair para as ruas, exigindo deposições urgentes destes mandatários indiciados pela prática de crimes contra o Erário, contra o Estado e, de resto, contra todos nós que pagamos os impostos, desde um simples IPTU, ao robusto Imposto de Renda, sem falarmos no FGTS e nas contribuições para a Previdência Social. Até quando, vamos assistir a tudo isso calados? Até quando vamos saber que estamos contribuindo para o enriquecimento ilícito desta gente, e vamos continuar fazendo “gracinhas” nas redes sociais, como se estivéssemos assistindo um filme de comédia barata?

Estamos passando por um momento bastante difícil. Um momento no qual são poucas as instituições mantenedoras da ordem, da justiça, da lei e da punição daqueles que sempre acreditaram que jamais seriam vistos, reconhecidos, delatados, investigados, condenados e presos.

Não podemos mais ficar em silêncio, sob pena de estarmos condenando nossos filhos e netos a viverem desastradamente em uma sociedade comandada por um exército de zumbis, apodrecidos e malcheirosos, que usam o terno e a gravata para tentarem esconder a sua lepra incurável.

Precisamos gritar bem alto para que esta gente seja, imediatamente, afastada dos cargos de comando, de gerenciamento e de legislação que ocupam e que, apesar de tudo, seja preparado o caminho para as eleições de 2018 com, inclusive, a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para uma necessária Reforma da Constituição que aí está, com mudanças profundas nos sistemas político, federativo, econômico, tributário e eleitoral.

A partir daí, sim, poderão falar em Reformas trabalhista e previdenciária, com as mudanças que o tempo exige, porém, sem atacar e ferir de morte todos nós que, com terrível sacrifício, conseguimos chegar até aqui. Reformas que, com toda certeza, serão indutoras de novas políticas nas áreas sociais, educacionais e de previdência social. Nada parecido com o que estão propondo agora, que é uma reposição dos fundos desviados ao longo do tempo, dos cofres públicos.

Tenho certeza de que este texto não será lido por nenhuma das sérias autoridades do Poder Judiciário, da Polícia Federal ou do Ministério Público que, apesar de tudo, têm lutado para a necessária mudança de tudo o que aí está, mas, que os do povo que o lerem reflitam sobre o nosso papel de cidadãos e de cidadãs e, comunicando-se uns com os outros deem início ao processo de verdadeira mudança, manifestando imediata e diretamente o nosso desconforto, insatisfação e desejo de mudança urgente, ainda que usando uma camisa com estes slogans estampados, para que todos eles saibam que não os queremos mais à frente do Poder.

Para que saibam que, se quem manda em tudo é o mercado, somos nós que mandamos no mercado porque, sem nós, povo, nem eles nem o mercado teriam condições de existir ou de subsistir. Em toda a história da civilização, todas as mudanças promovidas nasceram ou contaram com a participação direta do POVO. Nós temos a força. Nós somos a força. Precisamos usá-la de forma pacífica, generosa e séria, porém, de forma persistente e contundente. Quando crianças, vimos nossos pais e responsáveis olharem para nós com a cara fechada, séria e denotando insatisfação com o nosso proceder. Sem violência, deixavam claro que não estávamos agradando. Era o bastante! Agora, precisamos fazer o mesmo: olhar para essa gente com o semblante sério, de antipatia e de reprovação por tudo o que estão fazendo conosco e com o país que, bem ou mal, conseguimos trazer até aqui.

Reflita sobre o meu, o seu e o nosso papel nesta história e, deixando de lado as “piadinhas” e as “gracinhas” das redes sociais, convide amigos, colegas e vizinhos para, juntos, demonstrarmos nossa insatisfação, inconformismo e reprovação com toda esta atitude nefasta, praticada por alguns cujo lugar adequado é atrás das grades por um bom tempo e a total impossibilidade de retorno à vida política. Caso contrário, eles continuarão onde estão e nós pagaremos caro pela manutenção dos seus vícios e maus hábitos que os acompanham de geração em geração.

O papel a que somos convidados é cívico, porque queremos resguardar e defender o país que estão tirando de nós; é teológico, porque o clamor do povo sempre chega aos ouvidos do Senhor que não tarda em enviar o socorro; é cristão, porque Jesus não se conformou com a injustiça e com o sofrimento impostos ao povo. Com fé, com determinação e de forma responsável e pacífica precisamos encontrar meios para demonstrar o nosso repúdio ao que estes compatriotas desviados do bom caminho estão fazendo com o nosso país e, por fim, com todos nós. Reflitamos!

_________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um caminhante, um pensador e um cultor do silêncio.

abr 17

CNBB TOMA POSIÇÃO

CNBB

NOTA DA CNBB SOBRE O MOMENTO ATUAL DO BRASIL

“O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,18)

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 8 a 10 de março de 2016, manifestamos preocupações diante do grave momento pelo qual passa o país e, por isso, queremos dizer uma palavra de discernimento. Como afirma o Papa Francisco, “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).

Vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade. A busca de respostas pede discernimento, com serenidade e responsabilidade. Importante se faz reafirmar que qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça.

A superação da crise passa pela recusa sistemática de toda e qualquer corrupção, pelo incremento do desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a sociedade. É inadmissível alimentar a crise econômica com a atual crise política. O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético de favorecer e fortificar a governabilidade. 

As suspeitas de corrupção devem ser rigorosamente apuradas e julgadas pelas instâncias competentes. Isso garante a transparência e retoma o clima de credibilidade nacional. Reconhecemos a importância das investigações e seus desdobramentos. Também as instituições formadoras de opinião da sociedade têm papel importante na retomada do desenvolvimento, da justiça e da paz social.

O momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito.

Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno.

Inspirem-nos, nesta hora, as palavras do Apóstolo Paulo: “trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, tende o mesmo sentir e pensar, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2 Cor 13,11). 

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, continue intercedendo pela nossa nação!

Brasília, 10 de março de 2016.

   

Dom Sergio da Rocha                                              Dom Murilo S. R. Krieger

          Arcebispo de Brasília-DF                                 Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA

 Presidente da CNBB                                              Vice-Presidente da CNBB 

 

                              Dom Leonardo Ulrich Steiner

                              Bispo Auxiliar de Brasília-DF

                               Secretário-Geral da CNBB

http://br.radiovaticana.va/news/2016/03/11/cnbb_divulga_nota_sobre_o_momento_atual_do_brasil/1214737

nov 21

PADRE VICTOR: ORGULHO PARA O NOSSO POVO

PADRE VICTOR-1

PADRE VICTOR: CONHEÇA A HISTÓRIA DO PRIMEIRO BEATO EX-ESCRAVO DO BRASIL

Jovem negro venceu preconceitos e se tornou padre em meados de 1800. Após vida dedicada aos pobres, ele será beatificado em Três Pontas, MG. -

Por Samantha Silva Do G1 Sul de Minas =
PADRE VICTOR

Imagem reproduz o que seria uma das únicas fotografias tiradas de Padre Victor (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

O livro que conta a história de Francisco de Paula Victor, escrito pelo teólogo italiano Gaetano Passarelli, começa com um sonho. O jovem negro, escravo, que passava seus dias na Campanha (MG) do início do século XIX, revela ao seu professor de alfaiataria que queria ser padre. Era um sonho impossível a pessoas como ele à época, mas ter fé é crer no que não é possível. E Victor venceu todos os preconceitos e barreiras sociais, se tornando o primeiro padre ex-escravo do Brasil. No dia 14 de novembro, ele será beatificado pela Igreja Católica em Três Pontas (MG).

O que se sabe de Victor está descrito nos poucos documentos que ele deixou em vida e nas dezenas de depoimentos das pessoas que o conheceram. São histórias passadas de pais para filhos que contam de sua humildade, total dedicação às pessoas, persistência ante obstáculos racistas. O que se pode perceber na vida de Padre Victor é que a fé realmente "remove montanhas", e um sonho é capaz de mudar a realidade de uma época.

Vida no interior das Minas de outrora

A história de Padre Victor começa em um casarão na Rua Direita da Campanha (MG) de 1827. Foi ali que ele nasceu no dia 12 de abril. O primeiro documento consta que ele foi batizado oito dias depois pelo padre Antônio Manoel Teixeira. Cidade mais antiga do Sul de Minas, àquela época a vila de Campanha da Princesa da Beira reunia fazendeiros em busca de ouro e seus escravos.

CASARÃO

Casarão em Campanha, MG, onde Padre Victor nasceu - em pé até atualmente (Foto: Samantha Silva / G1)

Victor nasceu escravo, mas não viveu como um. Veio ao mundo na casa de dona Marianna Bárbara Ferreira, que de forma contrária à época, tratava os escravos da casa com dignidade. Por Victor, o carinho foi maior ainda e ela se tornou sua madrinha. Sob sua tutela, ele aprendeu a ler, escrever, tocar piano, falar em francês. Aprendeu até a sonhar.

O casarão onde Victor nasceu permanece em pé até os dias de hoje. Atualmente a Rua Direita se chama Saturnino de Oliveira e o casarão abriga uma loja de artesanato da família da artista Marisol Garcia da Luz, de 51 anos. Ela e a filha Júlia da Luz, de 34 anos, tomaram como missão preservar a história de Padre Victor. Formada em turismo, Júlia chegou a desenvolver um trabalho acadêmico sobre a casa em que mora há uma década.

PORÃO

Porão onde provavelmente os escravos dormiam no casarão de Campanha (Foto: Samantha Silva / G1)

Segundo ela, o velho casarão colonial só foi alterado em alguns detalhes, após passar por duas reformas. As telhas mudaram para as francesas e foram tiradas as feitas na coxa pelos escravos. As janelas de guilhotina foram substituídas pelas de folha e detalhes de vidro foram colocados nos pórticos das portas. Banheiros que não existiam na época e uma varanda ao fundo foram construídos.

“Quando chegamos, foi uma surpresa. A gente não sabia que ele tinha nascido aqui, o imóvel já estava fechado há algum tempo. Aí a gente percebeu que tinha muita história [para preservar]", conta Júlia, e continua descrevendo o que sabe. "Dona Marianna era uma mulher de posses. Eles tinham dinheiro, moravam no centro da [vila]. [A família dela] tinha eira e beira.”

A expressão de tempos antigos é explicada por Júlia: eira é o eirado, espaço onde as pessoas secavam sementes, criavam pequenos animais. A beira é o beiral do telhado, e naquela época, ‘beiras’ trabalhadas revelavam um refinamento que só famílias com dinheiro poderiam ter.

“[Victor] teve muita sorte, foi iluminado, nasceu em uma casa com a dona Marianna, que foi a madrinha dele, pagou tudo o que foi preciso, proporcionou tudo o que ele teve”, completa Júlia.

CASARÃO-2

Júlia e Marisol aos fundos do casarão onde Padre Victor morou, em Campanha (Foto: Samantha Silva / G1)

O sonho revelado

Na juventude, Victor começou a trabalhar como alfaiate e foi ao seu mestre que revelou primeiramente a vontade que tinha de ser padre. A reação, como de qualquer um que ouvisse de um negro escravo que queria uma posição de brancos, não foi boa. Conta-se que após sua revelação, Victor apanhou em rua pública de seu mestre.

Mas reação oposta teve sua madrinha. Ao ouvir o sonho do afilhado, foi atrás do padre da cidade para saber se isso seria possível. Meio incrédulo, porém esperançoso, padre Antônio Felipe de Araújo disse que o bispo de Mariana (MG), Dom Antônio Ferreira Viçoso, visitaria a vila em breve e com ele poderiam consultar a possibilidade.

Segundo o livro de Passarelli, um documento de inspeção do Império em Campanha, em 1737, registra que a vila era habitada por 3 mil brancos e 7 mil negros. Esse documento passou a ser considerado o registro de início da cidade, a mais antiga da região.

À época, jovens negros e escravos não eram aceitos em um seminário católico. A Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea, que aboliram a escravidão no Brasil, só se tornaram realidade em 1871 e 1888 respectivamente. Mesmo excluindo suas características de nascença, Victor já não poderia entrar pra vida religiosa simplesmente por ser filho 'só de mãe', de pai desconhecido, como explica o atual bispo de Campanha.

Dom Diamantino Prata de Carvalho acompanha o processo de beatificação de Victor desde o início e conta que, admirado com a força de vontade de Victor, o bispo resolveu ajudá-lo. Para ele, a bênção de dom Viçoso foi essencial para que o jovem pudesse se encaminhar no sonho.

"São gestos proféticos, que a gente diz na igreja. Há pessoas que intuem, que preveem certas situações e aí já se movimentam, realizam obras capazes de favorecer aquilo que o movimento quer, [no caso] o movimento da abolição da escravatura”, explica.

Mas se o Brasil caminhava para uma transformação, o Sul de Minas do século XIX não estava preparado para ver a mudança tão cedo. Após ser aceito no seminário, como havia prometido a Deus, Victor fez o caminho até Mariana a pé. Ao chegar, foi recebido com um convite para os fundos da instituição, por onde os escravos entravam. Foi difícil se fazer acreditar que ia entrar pela porta da frente, que seria aluno e não serviçal.

DOM DIAMANTINO

Dom Diamantino, bispo de Campanha: 'ele superou tudo com muita dignidade'. (Foto: Samantha Silva / G1)

Uma vez lá dentro, o tratamento foi digno de um teste de perseverança. “A repercussão não foi boa. Os próprios colegas de Padre Victor o humilhavam, queriam que ele fizesse trabalhos de escravo, limpar o chão, os sapatos de todos”, continua Dom Diamantino.

Conta-se dessa época que Victor fazia o que pediam, como um escravo, “porque não era trabalho pra ele”. Dom Viçoso interferiu na medida do possível para que ele fosse tratado como aluno, e como a água que aos poucos fura a pedra, ao se formar no seminário, o desprezo dos colegas foi transformado em no mínimo respeito e muita admiração. “Foi muito difícil, mas ele superou com muita dignidade, com muita paciência, humildade”, finaliza dom Diamantino. O jovem negro ex-escravo se tornava padre.

PADRE VICTOR - TRÊS PONTAS
Fotografia que mostra a vila de Três Pontas (Foto: Arquivo Associação Padre Victor)

 Missão religiosa

A ordenação de Padre Victor aconteceu no dia 14 de junho de 1851, com a bênção de todos os religiosos necessários. Uma vez pároco, Victor voltou para Campanha e rezou sua primeira missa na cidade natal. Por lá permaneceu por cerca de um ano, até que chegou a notícia de sua transferência para Três Pontas.

Padre Victor chegou à pequena vila em junho de 1852 para substituir o vigário da paróquia que havia morrido. Ironicamente, segundo consta no livro de Passarelli, a origem de Três Pontas está ligada a duas aldeias de negros fugitivos (quilombos), e para destruí-las, o governo da Capitania de Minas Gerais encarregou dois capitães. Após a missão concluída, eles dividiram o território em lotes de que tomaram posse.

À época em que o padre negro chegava em Três Pontas, a vila reunia em sua maioria fazendeiros que faziam riqueza com o trabalho dos escravos. E se no seminário, onde Deus é chamado todos os dias, a reação em aceitar um padre negro foi difícil, em Três Pontas ela poderia ter se tornado uma tragédia.

”Ele também não foi bem recebido em Três Pontas”, continua Dom Diamantino. “O povo simples o aceitava bem, mas os graúdos... Por exemplo, o visconde de Boa Esperança falava: ‘nós pedimos um padre sábio, um padre bom e manda aqui um negão’. Mas [Padre Victor] foi para amar o povo e perdoar os inimigos."

“Padre Victor também não foi bem recebido em Três Pontas. Falavam: ‘nós pedimos um padre sábio, um padre bom e manda aqui um negão’. Mas ele foi para amar o povo e perdoar os inimigos. Estava acima das humilhações, perseguições. Ele via realmente com o olhar de Cristo." 

(Dom Diamantino Prata de Carvalho, bispo de Campanha)

E foi preciso muita sabedoria e persistência para derrubar o grande preconceito que havia na época. Ele passou por agressões, missas rezadas para uma igreja praticamente vazia, piadas ofensivas. Mas a bondade e a caridade que o religioso continuou a dedicar aos moradores da vila, apesar de todas as humilhações, pouco a pouco conquistou até os fazendeiros mais ricos da região e ele passou a ser conhecido como o lendário padre negro de Três Pontas.

Vida ao outro

Desse período, tudo que se conta foi passado de família a família e todos os depoimentos foram reunidos na pesquisa histórica para o processo de beatificação. Muitos se lembram de sua voz grave e de sua personalidade rígida, justa, porém bondosa. Padre Victor morava em um casarão simples e vivia praticamente de doações.

À medida que a estima por ele aumentava, também aumentava o que lhe era doado. Mas nada a ele pertencia. Conta-se que um homem pobre foi a Padre Victor com o estômago vazio pedir o que comer. Victor havia acabado de se encontrar com um dos muitos fazendeiros que passaram a frequentar a igreja após se admirar com o padre negro, e dele ganhou uma quantia de réis para ajudar na paróquia.

PADRE VICTOR - FOTO ANTIGA

Foto mostra Padre Victor em Três Pontas; ainda se desconhece quem seria a família ao lado dele (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

O envelope com o dinheiro estava no bolso do religioso, e sem pensar, ao ouvir o pedido do homem, o entregou tudo. Quando o pedinte viu a grande quantia que estava no envelope, voltou correndo para devolver a maior parte e só ficar com o suficiente para comer. Em sua cabeça, o padre se enganou ao lhe dar tanto dinheiro. Mas Victor disse: “eu já lhe dei o que tinha e não quero de volta. Fique com tudo”.

Atitudes como essa foram repetidas por muitos moradores da época. O que tinha na casa do padre era de todos, e todos entravam livremente para pegar comida, dinheiro, objetos. Conta-se que Padre Victor somente repetia que esperava em Deus e por isso nunca iria faltar.

Nos fundos de sua casa, o padre ainda cuidava de um leproso – doente rejeitado pela sociedade da época pela falta de cura para a doença. O homem apareceu na igreja um dia e Padre Victor ofereceu ajuda. No cômodo onde ele passou a viver, só Padre Victor entrava e passou a cuidar do doente por quanto houve necessidade.

Conta-se também que enfrentar o demônio não era coisa difícil para o padre. Victor foi um padre exorcista e foram muitos que procuraram sua ajuda para tirar o demônio de entes queridos e residências familiares. Não há notícias de que alguma vez o padre negro não tenha conseguido expulsar o “ser maligno”.

CASARÃO-3

Casarão onde funcionou o Colégio Sacra Família e onde morou Padre Victor - foto de 1939, atualmente não existe mais (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

Educando uma época

Mas além da infinita bondade para com a população, Padre Victor quis doar algo mais para os moradores daquela pequena vila: educação. Conta-se que desde que chegou a Três Pontas, o religioso reunia as crianças e ensinava o que sabia a cada uma delas. Ensinou-lhes música (e se não tinha instrumentos musicais, pedaços de madeira, ferro e restos de casas se transformavam neles), francês, sobre o mundo de Deus.

As crianças o adoravam. Mas em determinado momento, Padre Victor resolveu profissionalizar a educação e fundou uma escola, a primeira de Três Pontas. Ali reuniu filhos de gente simples e gente rica para aprender de professores que trouxe de fora e dele mesmo. Deu aulas no Colégio Sacra Família até quando a saúde dele permitiu. Logo depois, iniciou a reforma da capela para se tornar a Igreja Matriz de Nossa Senhora D’ajuda, até hoje em pé em Três Pontas.

“Padre Victor fundou um colégio com grande nº de alunos. Esse educandário, com organização perfeita, adquiriu conceito igual ao do Colégio do Caraça [antiga instituição de MG]. Fez de muitos filhos de famílias humildes, homens de cultura, que passaram a viver da inteligência. Podemos afirmar que a cultura da cidade é ainda fruto da atividade educativa que legou aos pósteros, o amor à instrução e ao aprimoramento do gosto artístico."

Transcrito do Livro: “A História de Três Pontas”, de Amélio Garcia de Miranda

Mas para tornar esses planos realidade, foi preciso muito dinheiro. Mesmo precisando investir nas duas obras, Padre Victor não diminuiu seu lado caridoso e continuou dando tudo o que tinha para todos. De repente, o dinheiro começou a faltar e as dívidas se acumularam.

Uma denúncia foi feita ao Seminário de Mariana sobre os títulos não pagos (ainda) pelo padre de Três Pontas e Victor foi chamado a prestar contas ao bispo. Conta-se que ao chegar na sala de Dom Viçoso, seu velho padrinho, Victor colocou seu chapéu na parede e ele permaneceu dependurado, mas no lugar não havia gancho para segurar o chapéu.

Apesar do espanto, dom Viçoso manteve as palavras duras e quis entender o que estava acontecendo. Padre Victor explicou tudo o que estava fazendo, reconheceu seu erro administrativo e prometeu resolver a situação.

Triste com sua desorganização financeira, Padre Victor voltou para Três Pontas com uma decisão drástica: iria pedir demissão da paróquia já que um grande mal havia feito (sem querer) para aquela comunidade. Os moradores se espantaram com a possibilidade de perder o pároco querido e resolveram fazer algo.

Conta-se que em uma noite se reuniram todos na porta da casa do padre e lhe entregaram um envelope com todas as suas dívidas quitadas. O povo mesmo reuniu dinheiro pra isso e o fizeram prometer que não deixaria Três Pontas.

IGREJA MATRIZ

Igreja Matriz Nossa Senhora D'Ajuda em 1956 (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

 Acima de tudo, um grande homem

E ali Padre Victor permaneceu por 53 anos até deixar este mundo. Morreu no dia 23 de setembro de 1905 após ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Sua escola formou pessoas importantes para a região como o primeiro bispo de Campanha, dom João de Almeida Ferrão, e o médico Samuel Libânio (que hoje dá nome ao hospital de Pouso Alegre - MG).

Mas sua bondade foi além e formou uma geração que pôde enxergar uma alma semelhante apesar de todas as cores que pudessem nos separar como humanos. "Ele estava acima das humilhações, perseguições. Ele via realmente com o olhar de Cristo”, afirma dom Diamantino.

"Ele foi um grande ser humano, uma pessoa que tinha muita fé. Acredito que ele foi um homem muito autoconfiante, tinha muita força, muita vontade e fez exatamente o que ele quis. Tudo o que ele podia dar, ele deu. Morreu com a roupa do corpo. Ele realmente foi um homem de Deus", finaliza Júlia.

Fonte: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2015/11/padre-victor-conheca-historia-do-primeiro-beato-ex-escravo-do-brasil.html

Publicado em: 11/11/2015 08h30 - Atualizado em 11/11/2015 12h18

 

out 19

XVI SEMANA TEOLÓGICO-PASTORAL

ECO-TEOLOGIA

ECO-TEOLOGIA: O CUIDADO DE NOSSA CASA COMUM À LUZ DA LAUDATO SÍ’ -

Programação

Dia 21/10:

Manhã: A Encíclica Laudato si'

 08:00 Cadastramento

09:00 Abertura; Evocação: Chico Mendes

          (Estudantes ITF)

09:30 Laudato si': Contexto/pontos salientes

  • Josafá Carlos de Siqueira

  • (Reitor - PUC-Rio)

10:30 Interação com a assembléia

11:00 Intervalo

11:30 Laudato si': recepção pelos Movimentos I sociais

  • Francine Damaceno Pinheiro

  • (MST/Via Campesina/ITF)

12:00 Interação com assembléia

12:30 Almoço

Tarde: Em prol da Casa comum e de seus habitantes 

14:00 Abertura; Evocação: Ir. Dorothy Mae Stang

         (Estudantes ITF)

14:20 Ecologia integral: perspectivas de nossa Casa comum (no Brasil)

  • Luiz Gonzaga de Souza Lima

  • (PUC-Minas, PUC-Rio —)

15:15 Interação com a assembléia 15:45 Intervalo

16:00 Laudato si' e Doutrina Social da Igreja

          Prof. Paulo Fernando Carneiro de Andrade

          (PUC-Rio)

16:45 Interação com a assembléia

17:00 Encerramento. 

Dia 22/10:

a) Manhã: Eco-teologia e misericórdia

 09:00 Abertura; Evocação: Dom Oscar Romero

            (Estudantes PUC-Rio)

09:20 Laudato si': Desafios e perspectivas teológico-pastorais

            em relação à Terra e aos pobres

            - Pe. Mário de França Miranda (PUC-Rio)

10:15 Interação com a assembléia

10:45 Intervalo

11:15 Uma ética ecológica inclusiva: questão de justiça e

            compaixão

            - Frater Henrique Cristiano José Matos (ISTA/BH)

12:00 Interação com a assembléia

12:30 Almoço

b) Tarde: O paradigma Francisco de Assis 

14:00 Abertura; Evocação: Padre Josimo Moraes Tavares

          (Estudantes PUC-Rio)

14:30 Mentalidade e prática ecológicas - o paradigma Francisco

          de Assis

          - Prof. Leonardo Boff (ITF, UERJ...)

15:30 Intervalo

16:00 Interação com Assembléia

17:00 Encerramento 

Dia 23/10:

Manhã: Práticas eco-teológicas – perspectivas

 09:00 Abertura; Evocação: Padre Ezequiel Ramin (Estudantes ITF)

 09:15   Habitar a Casa

           - Frei E/ói Dionísio Piva (ITF)

09:25 O Movimento Católico Global pelo Clima

              - Ir. Igor Bastos (Jufra, Dhjupic, Sifrajupe)

09:45 Diálogos Circulares: em busca de perspectivas de nova mentalidade e de ação

            Círculo 1: Perspectivas de ação em relação à mãe-Terra, a partir do atual                              contexto ecológico

                         - Profa. Moema Miranda (Ibase/ITF) - Coord. 

           Círculo 2: Perspectivas de ação socioecológica, a partir do atual contexto                              brasileiro

                          - Pe. Luís Corrêa Lima (PUC-Rio) - Coord. 

           Círculo 3: Perspectivas ecológica, a partir do enfoque teológico-pastoral

                        - Frei James Girardi (Pároco na Rocinha/ITF) - Coord. 

          Círculo 4: Perspectivas de ação ecológica, a partir de Francisco de Assis

                         - Ir. Igor Bastos (Jufra, Dhjupic, Sifrajupe) - Coord.

10:30 Intervalo

11:00 Mesa com os quatro (4) coordenadores de Círculo: socializando o debate           nos círculos

           - Prof César Augusto Kuzma (PUC-Rio) - Coord.

12:30 Encerramento; Evocação: Francisco de Assis

12:30 Almoço

______________________________________________________

Maiores informações: (24) 2243-9959 e (24) 2231-6409

secretaria@itf.org.br - www.itf.org.br

 

jun 25

Departamento de Teologia da PUC – RIO

simpósio puc FIQUE POR DENTRO DAS NOVIDADES!! PARTICIPE!!! ACESSE O SITE: http://www.simposiopucrio.teo.br/ falelisaac@gmail.com    

jun 17

FIQUE POR DENTRO

leigos e leigas

 Cristãos Leigos e Leigas - 

                          "A edição revisada e ampliada do Estudo 107A da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acaba de ser publicada. O texto “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo” foi tema prioritário da 53ª Assembleia Geral da Conferência, no mês de abril, em Aparecida (SP). No evento, foi aprovado pelo episcopado como Estudo ampliado, após revisões e ementas.

                       O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, explica que o texto de estudo recebeu diversas contribuições depois da 53ª Assembleia Geral. “O texto servirá como base para continuarmos a discussão e a reflexão sobre a vocação dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, comenta.

Animar o laicato

                         O Estudo 107A pretende animar o laicato na compreensão de sua atuação como sujeitos eclesiais nas diversas realidades em que se encontram inseridos. O texto, baseado no método ver-julgar-agir, divide-se em três capítulos: “O Mundo Atual: Esperanças e Angústias”, “O Sujeito eclesial: Cidadãos, Discípulos e Missionários” e “A ação Transformadora na igreja e no Mundo”.

                              Para o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, dom Severino Clasen, o texto busca valorizar a presença dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade. Dom Severino diz que a Comissão encarregada pela elaboração do texto agradece todas as contribuições que recebeu de diferentes partes do Brasil, por leigos, bispos, padres e pessoas envolvidas.

                             “Apresentamos o texto atualizado para que seja mais aprofundado e lapidado. Os cristãos leigos e leigas merecem o que há de melhor. São eles os sujeitos tanto na Igreja quanto na sociedade, dando ritmo a tudo o que existe. Eles sentem as alegrias e as dores de cada momento nesse mundo, lugar da ação consciente, autônoma e criativa do cristão”, acrescenta dom Severino.

                         A expectativa da Comissão Episcopal para o Laicato é que a nova versão do Estudo 107A seja estudada nas dioceses para receber novas contribuições. A proposta é que em breve seja aprovado como Documento da CNBB.

                             A publicação pode ser adquirida pelo site www.edicoescnbb.com.br ou pelo televendas (61) 2193-3019.

 

FONTE:http://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais-1/laicato/setor-leigos/16721-cnbb-publica-versao-ampliada-do-estudo-sobre-cristaos-leigos-e-leigas

 

Posts mais antigos «

Apoio: