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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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abr 01

BEM ESTAR: O QUE FAZER, PARA QUE ELE SE FAÇA PRESENTE

BEM ESTAR

BEM ESTAR – AINDA EXISTEM ESPAÇOS PARA FALAR SOBRE ELE –

*Profª Drª Marcia Varricchio

Noticiários o tempo inteiro, sob diversas formas, divulgam sobre o mal estar na sociedade planetária. Sobre o mal estar na civilização.

Haverá ainda espaço para se falar sobre Bem Estar?

Na atualidade, saúde é sinônimo de Bem Estar. Qual será a origem disto?

A origem está na Economia. Estudos sobre absenteísmo mostraram que trabalhadores sem doença, porém com mal estar faltavam em sequência e não davam conta de suas metas em termos de tarefa.

Desta maneira, surgiu o estudo das funções. A avaliação da capacidade funcional para o trabalho. De acordo com a função, o trabalhador poderia ser aproveitado e, mesmo, deslocado de função, para justificar seu salário...

Será que Bem Estar representará apenas a capacidade de cumprir funções físicas, mentais, sociais, etc?

Escolho iniciar esta correlação não por uma vertente médica, biológica, psicológica, mas filosófica.

Bem estar costuma estar relacionado à arte de viver bem. Ou seja, ao antigo conceito de ética. Liberdade ética de ser e estar. De ser e caminhar. De ser e avançar. De ser e aprender.

Viver bem será se realizar para cada meta ou tarefa proposta, para cada etapa de vida transposta. Nos diversificados aspectos da saúde.

Saúde é o bem estar físico, mental, social, ambiental e espiritual de um indivíduo e/ou de uma coletividade (OMS, 2005). Acrescento: Em acordo com as suas características, necessidades e papéis na sociedade.

A vida é frágil. A vida é breve. Nota-se que as pessoas depressivas, sem a devida construção interna dos valores espirituais que passam necessariamente pela ética, estão a cada dia mais agressivas e regredidas.

Tenha ambição e realize-se na vida real. Ela te trará todos os aprendizados necessários. Inclusive a sabedoria de saber discernir sobre o que poderá ser modificado ou não, dentro e, em especial, fora de você.

Então, sim, seu tempo poderá ser bem aproveitado, em relação ao que lhe importa, ao que lhe é necessário, ao que lhe cabe, ao seu papel nesta construção coletiva.

Resiliência. Compaixão. Ética. Geram pró-atividade e muita realização, acompanhada da sensação de bem-estar. Saúde entendida, com maturidade, como um processo dinâmico e progressivo, cujas motivações e interesses poderão mudar a qualquer momento ou em qualquer etapa de sua existência, harmonizando-se com o grupo ao qual você pertence na família consanguínea e na família que você tiver construído pela lei das afinidades.

Processo dinâmico sim. Porém estável, numa espiral ascendente de aquisição de sabedoria através dos múltiplos e diversificados caminhos a nós oferecidos. Basta escolher. Não ficar estagnado em suas próprias convicções, em seu umbigo. Deixar-se permear, porém permanecendo sensível e sendo sempre crítico (no sentido real e melhor desta palavra).

Por este motivo, distinguindo-se o que é estrutural do que é conjuntural, em ambos aspectos, existe espaço para se falar e se promover bem estar. Ainda existe tempo para se vivenciar o bem estar. São conquistas internas. Ninguém poderá providenciar, ninguém terá condições de retirar de você.

Antes de prosseguirmos refletindo sobre Bem Estar, faça uma autoanálise silenciosa, reflita sobre seu bem estar nos diversificados aspectos de sua vida (rogo que seja diversificada, real e consistente). Transforme o seu possível no dia de hoje e a cada dia. Se der, amplie este amor solidário ao próximo.

Não perca energia reagindo ao que não interessa nem vale a pena perder tempo.

Foque naquilo que é seu valor. Naquilo que te chama a atenção e seja você mesmo, trazendo a sua contribuição para o bem estar de todos ao redor. Não tenha medo de errar nem de admitir seu erro. Esta consciência liberta é que tornará seu caminho rico em humanidade.

Realize-se no aqui, no agora. Ame-se. Ame profundamente e não se compare a outros. Você é exatamente aquilo que o universo necessita hoje. Com seus defeitos e com suas qualidades. Se puder, amplie-se!

Ame. Construa. Valorize-se para aprender a valorizar o outro.

Seja grato. Realize-se.

Realize-se. Seja grato.

Seja a paz que Você quer ver no mundo!

Não a paz acomodada...Mas a paz dinamicamente apreendida e construída.

A seguir, reflita e avalie sobre o nível de qualidade atingido em seu bem-estar...

Esteja bem!

Seja!

________________________________________

*Profª Drª. Márcia Varricchio é Mestre e Doutora em Ciências Biológicas (ênfase em Biotecnologia), Especialização em Bioética pela ENSP/FIOCRUZ, Professora convidada do SAPB-LIPAT-UFRJ, Professora convidada do Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis, além de Escritora e Palestrante.

 

mai 29

NÃO DÁ MAIS PRA SUPORTAR, EXPLODE CORAÇÃO!

O POVO NAS RUAS-3AS PESSOAS DE BEM, NÃO PODEM FICAR EM SILÊNCIO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Desde a inauguração deste Blog, no ano de 2014, tomamos a decisão de não utilizarmos este espaço para qualquer manifestação de natureza política ou político-partidária, por questões de princípios. O espaço é genuinamente destinado à divulgação de matérias relacionadas com o cristianismo, com a Teologia e com todos os seus derivados. A nosso ver, a política, no sentido amplo do termo, não teria vaga nesta reserva.

Entretanto, hoje mais do que nunca, estou convencido de que todos nós, em qualquer tempo e lugar, temos o dever cívico e cristão de manifestar nossa opinião, decididamente contra tudo o que está sendo articulado pelos detentores do poder no Brasil.

Não podemos ficar em silêncio diante da torpeza, do descaramento, da falta de princípios éticos, morais, sociais e legais demonstrados por diversos homens públicos que, no comando e no gerenciamento da “coisa pública”, locupletaram-se a si e aos seus associados, desfalcando o Estado de tal forma que, agora, querem tirar do povo, por meio de leis casuísticas, inoportunas e sem sentido técnico, ou mesmo econômico, tudo o que puderem, sob a pecha de “bons administradores”, de “gerenciadores de crises”, de “homens de visão” etc.

Na verdade, estamos todos submetidos a um cenário draconiano, sendo comandados por pessoas que jamais poderiam ocupar o lugar que estão ocupando e que, embora surpreendidas por delações das mais variadas, insistem na permanência na vaga ocupada, em alguns casos, sem a legitimidade do escrutínio popular.

Nesta vala comum de cadáveres que insistem em continuar caminhando, recusando-se à sepultura da história, encontramos pessoas e grupos organizados, preparados e representados diante da Justiça e da sociedade para o papel de vítimas permanentes. Não fizeram nada de errado, não se lembram de nada do que fizeram, prestaram contas de tudo, não sabem, não viram e não se conhecem mutuamente, enfim, estão aí, feito zumbis tomando fôlego novo a cada dia e, associando-se a novos personagens para a manutenção da farra e da rapinagem.

Devemos clamar para a Justiça, sim. Mas, devemos clamar, também, para a atuação da polícia federal, para que, cada vez mais, publique o conteúdo de todas as investigações que estão sendo feitas. O povo tem o direito de saber quais foram (ou ainda quais são) os crimes cometidos por aqueles que ele, eventualmente, votou para representa-lo. Os Ministros do STF devem fazer jus aos títulos que recebem diariamente, e não se deixarem levar pela intimidação de pessoas que estão, indevidamente, ocupando o lugar de gestores públicos e de legisladores oportunistas que, em muitos casos, estão legislando para darem a contrapartida pelo dinheiro da corrupção que já receberam.

O povo precisa parar de fazer “piadinhas” nas redes sociais e sair para as ruas, exigindo deposições urgentes destes mandatários indiciados pela prática de crimes contra o Erário, contra o Estado e, de resto, contra todos nós que pagamos os impostos, desde um simples IPTU, ao robusto Imposto de Renda, sem falarmos no FGTS e nas contribuições para a Previdência Social. Até quando, vamos assistir a tudo isso calados? Até quando vamos saber que estamos contribuindo para o enriquecimento ilícito desta gente, e vamos continuar fazendo “gracinhas” nas redes sociais, como se estivéssemos assistindo um filme de comédia barata?

Estamos passando por um momento bastante difícil. Um momento no qual são poucas as instituições mantenedoras da ordem, da justiça, da lei e da punição daqueles que sempre acreditaram que jamais seriam vistos, reconhecidos, delatados, investigados, condenados e presos.

Não podemos mais ficar em silêncio, sob pena de estarmos condenando nossos filhos e netos a viverem desastradamente em uma sociedade comandada por um exército de zumbis, apodrecidos e malcheirosos, que usam o terno e a gravata para tentarem esconder a sua lepra incurável.

Precisamos gritar bem alto para que esta gente seja, imediatamente, afastada dos cargos de comando, de gerenciamento e de legislação que ocupam e que, apesar de tudo, seja preparado o caminho para as eleições de 2018 com, inclusive, a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para uma necessária Reforma da Constituição que aí está, com mudanças profundas nos sistemas político, federativo, econômico, tributário e eleitoral.

A partir daí, sim, poderão falar em Reformas trabalhista e previdenciária, com as mudanças que o tempo exige, porém, sem atacar e ferir de morte todos nós que, com terrível sacrifício, conseguimos chegar até aqui. Reformas que, com toda certeza, serão indutoras de novas políticas nas áreas sociais, educacionais e de previdência social. Nada parecido com o que estão propondo agora, que é uma reposição dos fundos desviados ao longo do tempo, dos cofres públicos.

Tenho certeza de que este texto não será lido por nenhuma das sérias autoridades do Poder Judiciário, da Polícia Federal ou do Ministério Público que, apesar de tudo, têm lutado para a necessária mudança de tudo o que aí está, mas, que os do povo que o lerem reflitam sobre o nosso papel de cidadãos e de cidadãs e, comunicando-se uns com os outros deem início ao processo de verdadeira mudança, manifestando imediata e diretamente o nosso desconforto, insatisfação e desejo de mudança urgente, ainda que usando uma camisa com estes slogans estampados, para que todos eles saibam que não os queremos mais à frente do Poder.

Para que saibam que, se quem manda em tudo é o mercado, somos nós que mandamos no mercado porque, sem nós, povo, nem eles nem o mercado teriam condições de existir ou de subsistir. Em toda a história da civilização, todas as mudanças promovidas nasceram ou contaram com a participação direta do POVO. Nós temos a força. Nós somos a força. Precisamos usá-la de forma pacífica, generosa e séria, porém, de forma persistente e contundente. Quando crianças, vimos nossos pais e responsáveis olharem para nós com a cara fechada, séria e denotando insatisfação com o nosso proceder. Sem violência, deixavam claro que não estávamos agradando. Era o bastante! Agora, precisamos fazer o mesmo: olhar para essa gente com o semblante sério, de antipatia e de reprovação por tudo o que estão fazendo conosco e com o país que, bem ou mal, conseguimos trazer até aqui.

Reflita sobre o meu, o seu e o nosso papel nesta história e, deixando de lado as “piadinhas” e as “gracinhas” das redes sociais, convide amigos, colegas e vizinhos para, juntos, demonstrarmos nossa insatisfação, inconformismo e reprovação com toda esta atitude nefasta, praticada por alguns cujo lugar adequado é atrás das grades por um bom tempo e a total impossibilidade de retorno à vida política. Caso contrário, eles continuarão onde estão e nós pagaremos caro pela manutenção dos seus vícios e maus hábitos que os acompanham de geração em geração.

O papel a que somos convidados é cívico, porque queremos resguardar e defender o país que estão tirando de nós; é teológico, porque o clamor do povo sempre chega aos ouvidos do Senhor que não tarda em enviar o socorro; é cristão, porque Jesus não se conformou com a injustiça e com o sofrimento impostos ao povo. Com fé, com determinação e de forma responsável e pacífica precisamos encontrar meios para demonstrar o nosso repúdio ao que estes compatriotas desviados do bom caminho estão fazendo com o nosso país e, por fim, com todos nós. Reflitamos!

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*Luiz Antonio de Moura é um caminhante, um pensador e um cultor do silêncio.

abr 17

CNBB TOMA POSIÇÃO

CNBB

NOTA DA CNBB SOBRE O MOMENTO ATUAL DO BRASIL

“O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,18)

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 8 a 10 de março de 2016, manifestamos preocupações diante do grave momento pelo qual passa o país e, por isso, queremos dizer uma palavra de discernimento. Como afirma o Papa Francisco, “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).

Vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade. A busca de respostas pede discernimento, com serenidade e responsabilidade. Importante se faz reafirmar que qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça.

A superação da crise passa pela recusa sistemática de toda e qualquer corrupção, pelo incremento do desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a sociedade. É inadmissível alimentar a crise econômica com a atual crise política. O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético de favorecer e fortificar a governabilidade. 

As suspeitas de corrupção devem ser rigorosamente apuradas e julgadas pelas instâncias competentes. Isso garante a transparência e retoma o clima de credibilidade nacional. Reconhecemos a importância das investigações e seus desdobramentos. Também as instituições formadoras de opinião da sociedade têm papel importante na retomada do desenvolvimento, da justiça e da paz social.

O momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito.

Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno.

Inspirem-nos, nesta hora, as palavras do Apóstolo Paulo: “trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, tende o mesmo sentir e pensar, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2 Cor 13,11). 

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, continue intercedendo pela nossa nação!

Brasília, 10 de março de 2016.

   

Dom Sergio da Rocha                                              Dom Murilo S. R. Krieger

          Arcebispo de Brasília-DF                                 Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA

 Presidente da CNBB                                              Vice-Presidente da CNBB 

 

                              Dom Leonardo Ulrich Steiner

                              Bispo Auxiliar de Brasília-DF

                               Secretário-Geral da CNBB

http://br.radiovaticana.va/news/2016/03/11/cnbb_divulga_nota_sobre_o_momento_atual_do_brasil/1214737

nov 21

PADRE VICTOR: ORGULHO PARA O NOSSO POVO

PADRE VICTOR-1

PADRE VICTOR: CONHEÇA A HISTÓRIA DO PRIMEIRO BEATO EX-ESCRAVO DO BRASIL

Jovem negro venceu preconceitos e se tornou padre em meados de 1800. Após vida dedicada aos pobres, ele será beatificado em Três Pontas, MG. -

Por Samantha Silva Do G1 Sul de Minas =
PADRE VICTOR

Imagem reproduz o que seria uma das únicas fotografias tiradas de Padre Victor (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

O livro que conta a história de Francisco de Paula Victor, escrito pelo teólogo italiano Gaetano Passarelli, começa com um sonho. O jovem negro, escravo, que passava seus dias na Campanha (MG) do início do século XIX, revela ao seu professor de alfaiataria que queria ser padre. Era um sonho impossível a pessoas como ele à época, mas ter fé é crer no que não é possível. E Victor venceu todos os preconceitos e barreiras sociais, se tornando o primeiro padre ex-escravo do Brasil. No dia 14 de novembro, ele será beatificado pela Igreja Católica em Três Pontas (MG).

O que se sabe de Victor está descrito nos poucos documentos que ele deixou em vida e nas dezenas de depoimentos das pessoas que o conheceram. São histórias passadas de pais para filhos que contam de sua humildade, total dedicação às pessoas, persistência ante obstáculos racistas. O que se pode perceber na vida de Padre Victor é que a fé realmente "remove montanhas", e um sonho é capaz de mudar a realidade de uma época.

Vida no interior das Minas de outrora

A história de Padre Victor começa em um casarão na Rua Direita da Campanha (MG) de 1827. Foi ali que ele nasceu no dia 12 de abril. O primeiro documento consta que ele foi batizado oito dias depois pelo padre Antônio Manoel Teixeira. Cidade mais antiga do Sul de Minas, àquela época a vila de Campanha da Princesa da Beira reunia fazendeiros em busca de ouro e seus escravos.

CASARÃO

Casarão em Campanha, MG, onde Padre Victor nasceu - em pé até atualmente (Foto: Samantha Silva / G1)

Victor nasceu escravo, mas não viveu como um. Veio ao mundo na casa de dona Marianna Bárbara Ferreira, que de forma contrária à época, tratava os escravos da casa com dignidade. Por Victor, o carinho foi maior ainda e ela se tornou sua madrinha. Sob sua tutela, ele aprendeu a ler, escrever, tocar piano, falar em francês. Aprendeu até a sonhar.

O casarão onde Victor nasceu permanece em pé até os dias de hoje. Atualmente a Rua Direita se chama Saturnino de Oliveira e o casarão abriga uma loja de artesanato da família da artista Marisol Garcia da Luz, de 51 anos. Ela e a filha Júlia da Luz, de 34 anos, tomaram como missão preservar a história de Padre Victor. Formada em turismo, Júlia chegou a desenvolver um trabalho acadêmico sobre a casa em que mora há uma década.

PORÃO

Porão onde provavelmente os escravos dormiam no casarão de Campanha (Foto: Samantha Silva / G1)

Segundo ela, o velho casarão colonial só foi alterado em alguns detalhes, após passar por duas reformas. As telhas mudaram para as francesas e foram tiradas as feitas na coxa pelos escravos. As janelas de guilhotina foram substituídas pelas de folha e detalhes de vidro foram colocados nos pórticos das portas. Banheiros que não existiam na época e uma varanda ao fundo foram construídos.

“Quando chegamos, foi uma surpresa. A gente não sabia que ele tinha nascido aqui, o imóvel já estava fechado há algum tempo. Aí a gente percebeu que tinha muita história [para preservar]", conta Júlia, e continua descrevendo o que sabe. "Dona Marianna era uma mulher de posses. Eles tinham dinheiro, moravam no centro da [vila]. [A família dela] tinha eira e beira.”

A expressão de tempos antigos é explicada por Júlia: eira é o eirado, espaço onde as pessoas secavam sementes, criavam pequenos animais. A beira é o beiral do telhado, e naquela época, ‘beiras’ trabalhadas revelavam um refinamento que só famílias com dinheiro poderiam ter.

“[Victor] teve muita sorte, foi iluminado, nasceu em uma casa com a dona Marianna, que foi a madrinha dele, pagou tudo o que foi preciso, proporcionou tudo o que ele teve”, completa Júlia.

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Júlia e Marisol aos fundos do casarão onde Padre Victor morou, em Campanha (Foto: Samantha Silva / G1)

O sonho revelado

Na juventude, Victor começou a trabalhar como alfaiate e foi ao seu mestre que revelou primeiramente a vontade que tinha de ser padre. A reação, como de qualquer um que ouvisse de um negro escravo que queria uma posição de brancos, não foi boa. Conta-se que após sua revelação, Victor apanhou em rua pública de seu mestre.

Mas reação oposta teve sua madrinha. Ao ouvir o sonho do afilhado, foi atrás do padre da cidade para saber se isso seria possível. Meio incrédulo, porém esperançoso, padre Antônio Felipe de Araújo disse que o bispo de Mariana (MG), Dom Antônio Ferreira Viçoso, visitaria a vila em breve e com ele poderiam consultar a possibilidade.

Segundo o livro de Passarelli, um documento de inspeção do Império em Campanha, em 1737, registra que a vila era habitada por 3 mil brancos e 7 mil negros. Esse documento passou a ser considerado o registro de início da cidade, a mais antiga da região.

À época, jovens negros e escravos não eram aceitos em um seminário católico. A Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea, que aboliram a escravidão no Brasil, só se tornaram realidade em 1871 e 1888 respectivamente. Mesmo excluindo suas características de nascença, Victor já não poderia entrar pra vida religiosa simplesmente por ser filho 'só de mãe', de pai desconhecido, como explica o atual bispo de Campanha.

Dom Diamantino Prata de Carvalho acompanha o processo de beatificação de Victor desde o início e conta que, admirado com a força de vontade de Victor, o bispo resolveu ajudá-lo. Para ele, a bênção de dom Viçoso foi essencial para que o jovem pudesse se encaminhar no sonho.

"São gestos proféticos, que a gente diz na igreja. Há pessoas que intuem, que preveem certas situações e aí já se movimentam, realizam obras capazes de favorecer aquilo que o movimento quer, [no caso] o movimento da abolição da escravatura”, explica.

Mas se o Brasil caminhava para uma transformação, o Sul de Minas do século XIX não estava preparado para ver a mudança tão cedo. Após ser aceito no seminário, como havia prometido a Deus, Victor fez o caminho até Mariana a pé. Ao chegar, foi recebido com um convite para os fundos da instituição, por onde os escravos entravam. Foi difícil se fazer acreditar que ia entrar pela porta da frente, que seria aluno e não serviçal.

DOM DIAMANTINO

Dom Diamantino, bispo de Campanha: 'ele superou tudo com muita dignidade'. (Foto: Samantha Silva / G1)

Uma vez lá dentro, o tratamento foi digno de um teste de perseverança. “A repercussão não foi boa. Os próprios colegas de Padre Victor o humilhavam, queriam que ele fizesse trabalhos de escravo, limpar o chão, os sapatos de todos”, continua Dom Diamantino.

Conta-se dessa época que Victor fazia o que pediam, como um escravo, “porque não era trabalho pra ele”. Dom Viçoso interferiu na medida do possível para que ele fosse tratado como aluno, e como a água que aos poucos fura a pedra, ao se formar no seminário, o desprezo dos colegas foi transformado em no mínimo respeito e muita admiração. “Foi muito difícil, mas ele superou com muita dignidade, com muita paciência, humildade”, finaliza dom Diamantino. O jovem negro ex-escravo se tornava padre.

PADRE VICTOR - TRÊS PONTAS
Fotografia que mostra a vila de Três Pontas (Foto: Arquivo Associação Padre Victor)

 Missão religiosa

A ordenação de Padre Victor aconteceu no dia 14 de junho de 1851, com a bênção de todos os religiosos necessários. Uma vez pároco, Victor voltou para Campanha e rezou sua primeira missa na cidade natal. Por lá permaneceu por cerca de um ano, até que chegou a notícia de sua transferência para Três Pontas.

Padre Victor chegou à pequena vila em junho de 1852 para substituir o vigário da paróquia que havia morrido. Ironicamente, segundo consta no livro de Passarelli, a origem de Três Pontas está ligada a duas aldeias de negros fugitivos (quilombos), e para destruí-las, o governo da Capitania de Minas Gerais encarregou dois capitães. Após a missão concluída, eles dividiram o território em lotes de que tomaram posse.

À época em que o padre negro chegava em Três Pontas, a vila reunia em sua maioria fazendeiros que faziam riqueza com o trabalho dos escravos. E se no seminário, onde Deus é chamado todos os dias, a reação em aceitar um padre negro foi difícil, em Três Pontas ela poderia ter se tornado uma tragédia.

”Ele também não foi bem recebido em Três Pontas”, continua Dom Diamantino. “O povo simples o aceitava bem, mas os graúdos... Por exemplo, o visconde de Boa Esperança falava: ‘nós pedimos um padre sábio, um padre bom e manda aqui um negão’. Mas [Padre Victor] foi para amar o povo e perdoar os inimigos."

“Padre Victor também não foi bem recebido em Três Pontas. Falavam: ‘nós pedimos um padre sábio, um padre bom e manda aqui um negão’. Mas ele foi para amar o povo e perdoar os inimigos. Estava acima das humilhações, perseguições. Ele via realmente com o olhar de Cristo." 

(Dom Diamantino Prata de Carvalho, bispo de Campanha)

E foi preciso muita sabedoria e persistência para derrubar o grande preconceito que havia na época. Ele passou por agressões, missas rezadas para uma igreja praticamente vazia, piadas ofensivas. Mas a bondade e a caridade que o religioso continuou a dedicar aos moradores da vila, apesar de todas as humilhações, pouco a pouco conquistou até os fazendeiros mais ricos da região e ele passou a ser conhecido como o lendário padre negro de Três Pontas.

Vida ao outro

Desse período, tudo que se conta foi passado de família a família e todos os depoimentos foram reunidos na pesquisa histórica para o processo de beatificação. Muitos se lembram de sua voz grave e de sua personalidade rígida, justa, porém bondosa. Padre Victor morava em um casarão simples e vivia praticamente de doações.

À medida que a estima por ele aumentava, também aumentava o que lhe era doado. Mas nada a ele pertencia. Conta-se que um homem pobre foi a Padre Victor com o estômago vazio pedir o que comer. Victor havia acabado de se encontrar com um dos muitos fazendeiros que passaram a frequentar a igreja após se admirar com o padre negro, e dele ganhou uma quantia de réis para ajudar na paróquia.

PADRE VICTOR - FOTO ANTIGA

Foto mostra Padre Victor em Três Pontas; ainda se desconhece quem seria a família ao lado dele (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

O envelope com o dinheiro estava no bolso do religioso, e sem pensar, ao ouvir o pedido do homem, o entregou tudo. Quando o pedinte viu a grande quantia que estava no envelope, voltou correndo para devolver a maior parte e só ficar com o suficiente para comer. Em sua cabeça, o padre se enganou ao lhe dar tanto dinheiro. Mas Victor disse: “eu já lhe dei o que tinha e não quero de volta. Fique com tudo”.

Atitudes como essa foram repetidas por muitos moradores da época. O que tinha na casa do padre era de todos, e todos entravam livremente para pegar comida, dinheiro, objetos. Conta-se que Padre Victor somente repetia que esperava em Deus e por isso nunca iria faltar.

Nos fundos de sua casa, o padre ainda cuidava de um leproso – doente rejeitado pela sociedade da época pela falta de cura para a doença. O homem apareceu na igreja um dia e Padre Victor ofereceu ajuda. No cômodo onde ele passou a viver, só Padre Victor entrava e passou a cuidar do doente por quanto houve necessidade.

Conta-se também que enfrentar o demônio não era coisa difícil para o padre. Victor foi um padre exorcista e foram muitos que procuraram sua ajuda para tirar o demônio de entes queridos e residências familiares. Não há notícias de que alguma vez o padre negro não tenha conseguido expulsar o “ser maligno”.

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Casarão onde funcionou o Colégio Sacra Família e onde morou Padre Victor - foto de 1939, atualmente não existe mais (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

Educando uma época

Mas além da infinita bondade para com a população, Padre Victor quis doar algo mais para os moradores daquela pequena vila: educação. Conta-se que desde que chegou a Três Pontas, o religioso reunia as crianças e ensinava o que sabia a cada uma delas. Ensinou-lhes música (e se não tinha instrumentos musicais, pedaços de madeira, ferro e restos de casas se transformavam neles), francês, sobre o mundo de Deus.

As crianças o adoravam. Mas em determinado momento, Padre Victor resolveu profissionalizar a educação e fundou uma escola, a primeira de Três Pontas. Ali reuniu filhos de gente simples e gente rica para aprender de professores que trouxe de fora e dele mesmo. Deu aulas no Colégio Sacra Família até quando a saúde dele permitiu. Logo depois, iniciou a reforma da capela para se tornar a Igreja Matriz de Nossa Senhora D’ajuda, até hoje em pé em Três Pontas.

“Padre Victor fundou um colégio com grande nº de alunos. Esse educandário, com organização perfeita, adquiriu conceito igual ao do Colégio do Caraça [antiga instituição de MG]. Fez de muitos filhos de famílias humildes, homens de cultura, que passaram a viver da inteligência. Podemos afirmar que a cultura da cidade é ainda fruto da atividade educativa que legou aos pósteros, o amor à instrução e ao aprimoramento do gosto artístico."

Transcrito do Livro: “A História de Três Pontas”, de Amélio Garcia de Miranda

Mas para tornar esses planos realidade, foi preciso muito dinheiro. Mesmo precisando investir nas duas obras, Padre Victor não diminuiu seu lado caridoso e continuou dando tudo o que tinha para todos. De repente, o dinheiro começou a faltar e as dívidas se acumularam.

Uma denúncia foi feita ao Seminário de Mariana sobre os títulos não pagos (ainda) pelo padre de Três Pontas e Victor foi chamado a prestar contas ao bispo. Conta-se que ao chegar na sala de Dom Viçoso, seu velho padrinho, Victor colocou seu chapéu na parede e ele permaneceu dependurado, mas no lugar não havia gancho para segurar o chapéu.

Apesar do espanto, dom Viçoso manteve as palavras duras e quis entender o que estava acontecendo. Padre Victor explicou tudo o que estava fazendo, reconheceu seu erro administrativo e prometeu resolver a situação.

Triste com sua desorganização financeira, Padre Victor voltou para Três Pontas com uma decisão drástica: iria pedir demissão da paróquia já que um grande mal havia feito (sem querer) para aquela comunidade. Os moradores se espantaram com a possibilidade de perder o pároco querido e resolveram fazer algo.

Conta-se que em uma noite se reuniram todos na porta da casa do padre e lhe entregaram um envelope com todas as suas dívidas quitadas. O povo mesmo reuniu dinheiro pra isso e o fizeram prometer que não deixaria Três Pontas.

IGREJA MATRIZ

Igreja Matriz Nossa Senhora D'Ajuda em 1956 (Foto: Arquivo Secretaria de Cultura de Três Pontas)

 Acima de tudo, um grande homem

E ali Padre Victor permaneceu por 53 anos até deixar este mundo. Morreu no dia 23 de setembro de 1905 após ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Sua escola formou pessoas importantes para a região como o primeiro bispo de Campanha, dom João de Almeida Ferrão, e o médico Samuel Libânio (que hoje dá nome ao hospital de Pouso Alegre - MG).

Mas sua bondade foi além e formou uma geração que pôde enxergar uma alma semelhante apesar de todas as cores que pudessem nos separar como humanos. "Ele estava acima das humilhações, perseguições. Ele via realmente com o olhar de Cristo”, afirma dom Diamantino.

"Ele foi um grande ser humano, uma pessoa que tinha muita fé. Acredito que ele foi um homem muito autoconfiante, tinha muita força, muita vontade e fez exatamente o que ele quis. Tudo o que ele podia dar, ele deu. Morreu com a roupa do corpo. Ele realmente foi um homem de Deus", finaliza Júlia.

Fonte: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2015/11/padre-victor-conheca-historia-do-primeiro-beato-ex-escravo-do-brasil.html

Publicado em: 11/11/2015 08h30 - Atualizado em 11/11/2015 12h18

 

out 19

XVI SEMANA TEOLÓGICO-PASTORAL

ECO-TEOLOGIA

ECO-TEOLOGIA: O CUIDADO DE NOSSA CASA COMUM À LUZ DA LAUDATO SÍ’ -

Programação

Dia 21/10:

Manhã: A Encíclica Laudato si'

 08:00 Cadastramento

09:00 Abertura; Evocação: Chico Mendes

          (Estudantes ITF)

09:30 Laudato si': Contexto/pontos salientes

  • Josafá Carlos de Siqueira

  • (Reitor - PUC-Rio)

10:30 Interação com a assembléia

11:00 Intervalo

11:30 Laudato si': recepção pelos Movimentos I sociais

  • Francine Damaceno Pinheiro

  • (MST/Via Campesina/ITF)

12:00 Interação com assembléia

12:30 Almoço

Tarde: Em prol da Casa comum e de seus habitantes 

14:00 Abertura; Evocação: Ir. Dorothy Mae Stang

         (Estudantes ITF)

14:20 Ecologia integral: perspectivas de nossa Casa comum (no Brasil)

  • Luiz Gonzaga de Souza Lima

  • (PUC-Minas, PUC-Rio —)

15:15 Interação com a assembléia 15:45 Intervalo

16:00 Laudato si' e Doutrina Social da Igreja

          Prof. Paulo Fernando Carneiro de Andrade

          (PUC-Rio)

16:45 Interação com a assembléia

17:00 Encerramento. 

Dia 22/10:

a) Manhã: Eco-teologia e misericórdia

 09:00 Abertura; Evocação: Dom Oscar Romero

            (Estudantes PUC-Rio)

09:20 Laudato si': Desafios e perspectivas teológico-pastorais

            em relação à Terra e aos pobres

            - Pe. Mário de França Miranda (PUC-Rio)

10:15 Interação com a assembléia

10:45 Intervalo

11:15 Uma ética ecológica inclusiva: questão de justiça e

            compaixão

            - Frater Henrique Cristiano José Matos (ISTA/BH)

12:00 Interação com a assembléia

12:30 Almoço

b) Tarde: O paradigma Francisco de Assis 

14:00 Abertura; Evocação: Padre Josimo Moraes Tavares

          (Estudantes PUC-Rio)

14:30 Mentalidade e prática ecológicas - o paradigma Francisco

          de Assis

          - Prof. Leonardo Boff (ITF, UERJ...)

15:30 Intervalo

16:00 Interação com Assembléia

17:00 Encerramento 

Dia 23/10:

Manhã: Práticas eco-teológicas – perspectivas

 09:00 Abertura; Evocação: Padre Ezequiel Ramin (Estudantes ITF)

 09:15   Habitar a Casa

           - Frei E/ói Dionísio Piva (ITF)

09:25 O Movimento Católico Global pelo Clima

              - Ir. Igor Bastos (Jufra, Dhjupic, Sifrajupe)

09:45 Diálogos Circulares: em busca de perspectivas de nova mentalidade e de ação

            Círculo 1: Perspectivas de ação em relação à mãe-Terra, a partir do atual                              contexto ecológico

                         - Profa. Moema Miranda (Ibase/ITF) - Coord. 

           Círculo 2: Perspectivas de ação socioecológica, a partir do atual contexto                              brasileiro

                          - Pe. Luís Corrêa Lima (PUC-Rio) - Coord. 

           Círculo 3: Perspectivas ecológica, a partir do enfoque teológico-pastoral

                        - Frei James Girardi (Pároco na Rocinha/ITF) - Coord. 

          Círculo 4: Perspectivas de ação ecológica, a partir de Francisco de Assis

                         - Ir. Igor Bastos (Jufra, Dhjupic, Sifrajupe) - Coord.

10:30 Intervalo

11:00 Mesa com os quatro (4) coordenadores de Círculo: socializando o debate           nos círculos

           - Prof César Augusto Kuzma (PUC-Rio) - Coord.

12:30 Encerramento; Evocação: Francisco de Assis

12:30 Almoço

______________________________________________________

Maiores informações: (24) 2243-9959 e (24) 2231-6409

secretaria@itf.org.br - www.itf.org.br

 

jun 25

Departamento de Teologia da PUC – RIO

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jun 17

FIQUE POR DENTRO

leigos e leigas

 Cristãos Leigos e Leigas - 

                          "A edição revisada e ampliada do Estudo 107A da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acaba de ser publicada. O texto “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo” foi tema prioritário da 53ª Assembleia Geral da Conferência, no mês de abril, em Aparecida (SP). No evento, foi aprovado pelo episcopado como Estudo ampliado, após revisões e ementas.

                       O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, explica que o texto de estudo recebeu diversas contribuições depois da 53ª Assembleia Geral. “O texto servirá como base para continuarmos a discussão e a reflexão sobre a vocação dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, comenta.

Animar o laicato

                         O Estudo 107A pretende animar o laicato na compreensão de sua atuação como sujeitos eclesiais nas diversas realidades em que se encontram inseridos. O texto, baseado no método ver-julgar-agir, divide-se em três capítulos: “O Mundo Atual: Esperanças e Angústias”, “O Sujeito eclesial: Cidadãos, Discípulos e Missionários” e “A ação Transformadora na igreja e no Mundo”.

                              Para o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, dom Severino Clasen, o texto busca valorizar a presença dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade. Dom Severino diz que a Comissão encarregada pela elaboração do texto agradece todas as contribuições que recebeu de diferentes partes do Brasil, por leigos, bispos, padres e pessoas envolvidas.

                             “Apresentamos o texto atualizado para que seja mais aprofundado e lapidado. Os cristãos leigos e leigas merecem o que há de melhor. São eles os sujeitos tanto na Igreja quanto na sociedade, dando ritmo a tudo o que existe. Eles sentem as alegrias e as dores de cada momento nesse mundo, lugar da ação consciente, autônoma e criativa do cristão”, acrescenta dom Severino.

                         A expectativa da Comissão Episcopal para o Laicato é que a nova versão do Estudo 107A seja estudada nas dioceses para receber novas contribuições. A proposta é que em breve seja aprovado como Documento da CNBB.

                             A publicação pode ser adquirida pelo site www.edicoescnbb.com.br ou pelo televendas (61) 2193-3019.

 

FONTE:http://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais-1/laicato/setor-leigos/16721-cnbb-publica-versao-ampliada-do-estudo-sobre-cristaos-leigos-e-leigas

 

mai 30

FIQUE POR DENTRO

O PAPA COM OS CARDEAIS

SEXTA, 29 MAIO 2015 -

CNBB -

 Papa Francisco pede renovação no anúncio do Evangelho -

 

Participantes da Plenária do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização foram recebidos em audiência pelo papa Francisco na manhã desta sexta-feira, 29, no Vaticano. Em seu discurso, Francisco falou sobre a relação entre evangelização e catequese e recordou que é preciso ler os sinais dos tempos para anunciar, da melhor maneira possível, a mensagem de Cristo. Ele ressaltou que a missão é sempre idêntica e que anunciar o Evangelho requer renovação, com sabedoria pastoral. 

“Isto é o que os homens esperam hoje da Igreja: que saiba caminhar com eles oferecendo a companhia do testemunho da fé, que nos torna solidários com todos, em especial com os mais sós e marginalizados. Quantos pobres aguardam o Evangelho que liberta! Quantos homens e mulheres, nas periferias existenciais geradas pela sociedade consumista, aguardam a nossa proximidade e a nossa solidariedade”, disse Francisco. 

Urgência da catequese

Para o papa, “o Evangelho é o anúncio do amor de Deus que, em Jesus Cristo, nos chama a participar da sua vida". 

No contexto da nova evangelização, Francisco lembrou que a catequese é fundamental e requer coragem, criatividade e decisão para empreender caminhos às vezes ainda inexplorados.

“A catequese, como componente do processo de evangelização, precisa ir além da simples esfera escolar, para educar os fiéis, desde crianças, a encontrar Cristo, vivo e operante na sua Igreja. O desafio da nova evangelização e da catequese, portanto, se joga justamente neste aspecto fundamental: como encontrar Cristo, qual é o local mais coerente para encontrá-lo e segui-lo", acrescentou. 

Com informações do News va. 
 

FONTE: http://www.cnbb.org.br/imprensa-1/internacional/16613-papa-francisco-pede-renovacao-no-anuncio-do-evangelho

 

mai 23

FIQUE POR DENTRO

CNBB e CIDSE 7

Agências internacionais oferecem apoio a projetos na Amazônia

SEXTA, 22 MAIO 2015 19:00

CNBB

Representantes de entidades da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Solidariedade (Cidse – Grupo Brasil) estiveram ontem, 21, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na ocasião foram apresentados os projetos da Comissão Episcopal para a Amazônia e as atividades da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), criada em setembro de 2014.

A Cidse compreende entidades de oito países que já atuam em projetos eclesiais de desenvolvimento social e ajuda humanitária no Brasil. Anualmente é realizada reunião na CNBB com a Cidse para apresentar temas e realidades que podem receber a colaboração das agências. Algumas delas já possuem projetos na região amazônica e pretendem colaborar com recursos tecnológicos, humanos e financeiros nos projetos da Comissão para a Amazônia e da Repam.

O arcebispo emérito de São Paulo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, cardeal Cláudio Hummes, explica que a reunião teve como finalidade articular apoios. “Nós temos a necessidade que essas agências nos apoiem, seja tecnologicamente, com conhecimento ou mesmo com recursos materiais para as atividades da Comissão Episcopal para a Amazônia e agora com a Repam. Se quer fazer um entrosamento de como isso poderia ocorrer, como é que eles poderiam nos apoiar sobre tantos aspectos, cada entidade segundo a sua especialidade, porque eles têm grande interesse na Amazônia, na problemática da Amazônia hoje e também querem somar forças e não ficar à margem”, disse.

Também estiveram na reunião o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner; o bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, dom Guilherme Antônio Werlang; e o arcebispo de Belém (PA) e vice-presidente do regional Norte 2 da Conferência, dom Alberto Taveira Corrêa.

Repam

A Rede Eclesial Pan-Amazônica prepara ações em oito eixos para a efetivação do trabalho de articulação e formação eclesial na região da floresta Amazônica, que abrange nove países da América do Sul. Os objetivos estratégicos que serão aplicados inicialmente preveem a articulação no âmbito da comunicação, da criação de um comitê nacional da Repam e da formação de agentes, para promoção de acompanhamento pastoral.

Como encaminhamento, a Comissão para a Amazônia e a Repam elaborarão projetos detalhados para que as agências façam a captação de recursos para aplicação nas atividades.

Saiba quais são as agências que integram a Cidse:

Misereor – Alemanha;

Agência de cooperação de Katholische Jungschar (DKA) – Áustria;

Cafod - Inglaterra;

Fastenopfer - Suíça;

Cáritas Brasileira;

Catholic Relief Services (CRS) – Estados Unidos da América;

Manos Unidas - Espanha;

Entraide et Fraternité - Bélgica;

Comitê Católico contra a Fome e para o Desenvolvimento - Terre Solidaire (CCFD) - França

  FONTEhttp://www.cnbb.org.br/comissoes-episcopais-1/amazonia/16571-agencias-internacionais-oferecem-apoio-a-projetos-na-amazonia    

mai 16

FIQUE POR DENTRO – NOTÍCIAS DO VATICANO

PAPA FRANCISCO-NOTÍCIA

Papa Francisco vai canonizar duas freiras árabes no domingo (17)

Gesto do pontífice aproxima ainda mais a Igreja da Autoridade Palestina. Vaticano já anunciou que pretende reconhecer a Palestina como um Estado -

* Por Rodrigo Alvarez Jerusalém, Israel -

"Além de reconhecer os territórios da Autoridade Nacional Palestina como um Estado, o Papa Francisco vai canonizar duas freiras árabes no domingo (17).

O Papa que rezou diante do muro que representa o poder israelense e voou direto para os territórios palestinos, sem fazer escala em Israel no ano passado, agora sinaliza a mais de 1 bilhão de católicos que o líder que eles tanto admiram defende que esse povo de maioria muçulmana tenha um país e não dependa mais dos vizinhos para decidir o seu destino.

O documento que Francisco vai assinar com o presidente Mahmoud Abbas é de interesse do Vaticano, protege lugares católicos em terras palestinas, mas o problema, dizem, mora nos detalhes: pela primeira vez, o Vaticano escreve "Estado da Palestina".

Assim, o Papa Francisco aproxima os cristãos dos muçulmanos, mas ao tentar romper com um mal-estar, acaba criando outro. Em Israel, mesmo quem reconhece os esforços de Francisco para se aproximar dos judeus agora reclama do Papa. Autoridades dizem que o reconhecimento de um Estado Palestino ameaça a segurança dos israelenses ao mesmo tempo em que afasta a possibilidade de um acordo de paz. Mas não há ilusões em nenhum dos lados do muro: faz mais de um ano que não se fala em negociações de paz. O governo isralense que tomou posse na quinta-feira (14) é muito mais à direita do que o anterior. E na sexta (15), durante as manifestações contra a perda de terras e direitos em consequência da criação de Israel em 1948, o presidente Mahmoud Abbas voltou a colocar as condições deles para um acordo: e eram exatamente as mesmas que Israel rejeitou da última vez. Em vez de negociar com os vizinhos, Abbas procura apoios longe do Oriente Médio. A Suécia reconheceu o Estado da Palestina em outubro, e os parlamentos da Europa, do Reino Unido, da Irlanda, Espanha e França pediram a seus governos pela criação do país palestino. A ONU reconhece a Palestina como Estado-observador, mas não como um membro pleno.

A aproximação cada vez maior do Papa aumenta a pressão. Sem falar que no domingo (17) o Papa Francisco vai canonizar duas freiras, fazendo os católicos do mundo inteiro chamarem palestinos de santos."

FONTE: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/05/papa-francisco-vai-canonizar-duas-freiras-arabes-no-domingo-17.html

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