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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: INFORMAÇÕES E SUGESTÕES

nov 01

DOCUMENTOS DA IGREJA: É BOM CONHECÊ-LOS – PARTE II

DOCUMENTOS DA IGREJA DOCUMENTOS DA IGREJA: CARTA ENCÍCLICA MATER ET MAGISTRA – PARTE II –

Dando continuidade ao trabalho de divulgação, total ou parcial, das diversas Encíclicas e de outros documentos da Igreja Católica Apostólica Romana que são, conforme já ressaltamos, documentos de enorme relevância para a evangelização, e que têm por finalidade, promover a harmonia, a paz social e o crescimento espiritual de todos os cristãos, de um modo geral, e dos católicos em particular.

Ao longo de tantos séculos de caminhada, a Igreja editou inúmeros documentos, encíclicas, cartas pastorais, bulas etc. Por esta razão, não vamos nos ater a qualquer ordem cronológica, apenas, vamos editando, de forma integral ou parcial, conforme o caso, os documentos mais incisivos e que maior influência possam ter tido na vida dos cristãos e dos católicos.

Estamos, no momento, divulgando partes significativas da Encíclica Mater et Magistra, publicada a 15 de maio de 1961 pelo então Papa João XXIII. Trata-se, conforme já antecipamos anteriormente, de uma Carta longa, porém, de gigantesca importância para a Igreja, por meio da qual Sua Santidade evoca para a Santa Madre Igreja a condição de acolhedora de todos os homens e, ao mesmo tempo, de promotora da paz social à luz dos ensinamentos de Jesus com a finalidade de conduzir o rebanho na direção da unidade e da constante busca da vida em toda a sua plenitude.

Na Primeira Parte da Encíclica, o Papa João XXIII recorda os ensinamentos da Carta Rerum Novarum, de Leão XIII, e o seu desenvolvimento no magistério dos Santos Padres Pio XI e Pio XII, assim declarando:

“A época da encíclica “Rerum Novarum”

10. Os tempos em que Leão XIII falou eram de transformações radicais, de fortes contrastes e amargas rebeliões. As sombras daqueles tempos fazem-nos apreciar melhor a luz que promana do seu ensinamento.

11. Como é sabido de todos, o conceito do mundo econômico, então mais difundido e posto em prática, era um conceito naturalista, negador de toda a relação entre moral e economia. O motivo único da ação econômica, dizia-se, é o interesse individual. Lei suprema reguladora das relações entre os operadores econômicos é a livre concorrência sem limites. Juros dos capitais, preços das mercadorias e dos serviços, benefícios e salários, são determinados, de modo exclusivo e automático, pelas leis do mercado. O Estado deve abster-se de qualquer intervenção no campo econômico. Os sindicatos, nalguns países, eram proibidos; noutros, tolerados ou considerados como de direito privado.

[...]

13. Enquanto, em mãos de poucos, se acumulavam riquezas imensas, as classes trabalhadoras iam gradualmente caindo em condições de crescente mal-estar. Salários insuficientes ou de fome, condições de trabalho esgotadoras, que nenhuma consideração tinham pela saúde física, pela moral e pela fé religiosa. Sobretudo inumanas as condições de trabalho a que eram frequentemente submetidas as crianças e as mulheres. Sempre ameaçador o espectro do desemprego. A família, sujeita a contínuo processo de desintegração.

14. Daí uma profunda insatisfação nas classes trabalhadoras, entre as quais se propagava e se consolidava o espírito de protesto e de rebelião. E assim se explica porque encontraram tanto aplauso, naqueles meios, as teorias extremistas, que propunham remédios piores que os próprios males.

Os caminhos da reconstrução

15. Coube a Leão XIII, nos momentos difíceis daquele conflito, publicar a sua mensagem social, baseada na consideração da natureza humana e informada pelas normas e o espírito do Evangelho; mensagem que, desde que foi conhecida, se bem não faltassem oposições compreensíveis, suscitou universal admiração e entusiasmo. Certamente, não era a primeira vez que a Sé Apostólica descia à arena, em defesa dos interesses materiais dos menos favorecidos. Outros documentos do mesmo Leão XIII tinham já preparado o caminho; mas, desta vez, formulava-se uma síntese orgânica dos princípios e desenhava-se uma perspectiva histórica tão ampla, que fizeram da encíclica Rerum Novarum um verdadeiro resumo do catolicismo no campo econômico-social.

[...]

17. Bem conheceis, veneráveis irmãos, os princípios basilares expostos pelo imortal Pontífice, com tanta clareza como autoridade, segundo os quais deve ser reconstruído o setor econômico e social da comunidade humana.

[...]

19. .A propriedade privada, mesmo dos bens produtivos, é um direito natural que o Estado não pode suprimir. Consigo, intrinsecamente, comporta uma função social, mas é igualmente um direito, que se exerce em proveito próprio e para bem dos outros.

20. O Estado, cuja razão de ser é a realização do bem comum na ordem temporal, não pode manter-se ausente do mundo econômico; deve intervir com o fim de promover a produção de uma abundância suficiente de bens materiais, “cujo uso é necessário para o exercício da virtude”, e também para proteger os direitos de todos os cidadãos, sobretudo dos mais fracos, como são os operários, as mulheres e as crianças. De igual modo, é dever seu indeclinável contribuir ativamente para melhorar as condições de vida dos operários.

[...]

22. E aos trabalhadores, afirma ainda a encíclica, reconhece-se o direito natural de constituírem associações, ou só de operários, ou mistas de operários e patrões; como também o direito de darem às mesmas a estrutura orgânica que julgarem mais conveniente para assegurarem a obtenção dos seus legítimos interesses econômico-pro-fissionais, e o direito de agirem, no interior delas, de modo autônomo e por própria iniciativa, para a consecução dos mesmos interesses.

23. Operários e empresários devem regular as relações mútuas, inspirando-se no princípio da solidariedade humana e da fraternidade cristã; uma vez que, tanto a concorrência de tipo liberal, como a luta de classes no sentido marxista, são contrárias à natureza e à concepção cristã da vida.

[...]

25. Não devemos, pois, admirar-nos, se os católicos mais eminentes, atendendo aos apelos da encíclica, empreenderam iniciativas múltiplas, para traduzirem em prática aqueles princípios. De fato, nessa tarefa se empenharam, sob o impulso de exigências objetivas da natureza, homens de boa vontade de todos os países do mundo.

26. Por isso, a encíclica, com razão, foi e continua a ser considerada como a Magna Carta da reconstrução econômica e social da época moderna.

A encíclica “Quadragésimo Anno”

27. Pio XI, nosso predecessor de santa memória, comemorou o quadragésimo aniversário da encíclica Rerum Novarum, com um novo documento solene: a encíclica Quadragésimo Anno.

28. Nesta, o sumo pontífice insiste no direito e dever da Igreja de prestar a sua contribuição insubstituível para a feliz solução dos problemas sociais mais urgentes e mais graves, que angustiam a família humana; confirma os princípios fundamentais e as diretrizes históricas da encíclica leonina; e aproveita a ocasião para precisar alguns pontos de doutrina sobre os quais tinham surgido dúvidas, mesmo entre católicos, e para desenvolver o pensamento social cristão, atendendo às novas condições dos tempos. [...]

31. Com relação ao regime de salários, nega a tese que o declara injusto por natureza; mas reprova ao mesmo tempo as formas inumanas e injustas que, não poucas vezes, se praticou; inculca e desenvolve os critérios em que se deve inspirar e as condições a que é preciso satisfazer para não se lesar a justiça nem a equidade.

[...]

34. Entre comunismo e cristianismo, o pontífice declara novamente que a oposição é radical, e acrescenta não se poder admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado: quer porque ele foi construído sobre uma concepção da vida fechada no temporal, com o bem-estar como objetivo supremo da sociedade; quer porque fomenta uma organização social da vida comum tendo a produção como fim único, não sem grave prejuízo da liberdade humana; quer ainda porque lhe falta todo o princípio de verdadeira autoridade social.

[...]

37. Para remediar tal situação, o supremo pastor indica, como princípios fundamentais, o regresso do mundo econômico à ordem moral e a subordinação da busca dos lucros, individuais ou de grupos, às exigências do bem comum. Isto comporta, segundo o seu ensinamento, a reorganização da vida social mediante a reconstituição de corpos intermediários autônomos com finalidade econômica e profissional, criados pelos particulares e não impostos pelo Estado; o restabelecimento da autoridade dos poderes públicos para desempenharem as funções que lhes competem na realização do bem comum; e a colaboração em plano mundial entre as comunidades políticas, mesmo no campo econômico.

38. Os temas fundamentais, característicos da magistral encíclica de Pio XI, podem reduzir-se a dois. O primeiro proíbe completamente tomar como regra suprema das atividades e das instituições do mundo econômico quer o interesse individual ou de grupo, quer a livre concorrência, quer a hegemonia econômica, quer o prestígio ou o poder da nação, ou outros critérios semelhantes.

[...]

40. O segundo tema recomenda a criação de uma ordem jurídica, nacional e internacional, dotada de instituições estáveis, públicas e privadas, que se inspire na justiça social e à qual se conforme a economia; assim tornar-se-á menos difícil aos economistas exercer a própria atividade em harmonia com as exigências da justiça e atendendo ao bem comum.

A rádio mensagem de Pentecostes de 1941

41. Também Pio XII, nosso predecessor de venerável memória, contribuiu não pouco para definir e desenvolver a doutrina social cristã. No dia 1º de junho de 1941, festa de Pentecostes, transmitiu uma radio mensagem “para chamar a atenção do mundo católico sobre um acontecimento digno de ser gravado com letras de ouro nos fastos da Igreja: o quinquagésimo aniversário da fundamental encíclica social Rerum Novarum de Leão XIII... e para agradecer humildemente a Deus todo-poderoso... o dom que... se dignou conceder à Igreja com aquela encíclica do seu vigário na terra; e para louvá-lo, pelo sopro do Espírito renovador que, por meio da mesma, derramou desde então de modo sempre crescente sobre toda a humanidade”.

42. Nessa radio mensagem, o grande pontífice reivindica para a Igreja a “irrefutável competência de julgar se as bases de uma determinada ordem social estão de acordo com a ordem imutável que Deus Criador e Redentor manifestou por meio do direito natural e da revelação”, reafirma a vitalidade perene dos ensinamentos da encíclica Rerum Novarum e a sua fecundidade inexaurível; e aproveita a ocasião “para expor ulteriores princípios diretivos de moral sobre três valores fundamentais da vida social e econômica. Esses três valores fundamentais, que se unem, se enlaçam e se ajudam mutuamente, são: o uso dos bens materiais, o trabalho e a família”.

[...]

44. No que se refere ao trabalho, retomando um tema apontado na encíclica leonina, Pio XII confirma que ele é simultaneamente um dever e um direito de todos e cada um dos homens. Por conseguinte, corresponde a estes, em primeiro lugar, regular as relações mútuas do trabalho. Só no caso dos interessados não cumprirem ou não poderem cumprir o seu dever, “compete ao Estado intervir no campo da divisão e distribuição do trabalho, segundo a forma e a medida requeridas pelo bem comum devidamente entendido”.

45. Quanto à família, o sumo pontífice afirma que a propriedade privada dos bens materiais deve ser considerada como “espaço vital da família; isto é, meio apto para assegurar ao pai de família a sã liberdade de que necessita para poder cumprir os deveres que lhe foram impostos pelo Criador, para o bem-estar físico, espiritual e religioso dos seus”. Isto confere também à família o direito de emigrar. Sobre este ponto, o nosso predecessor adverte que os Estados, tanto os que permitem a emigração como os que acolhem novos elementos, se procurarem eliminar tudo o que “pode impedir o nascimento e o progresso de uma verdadeira confiança” mútua, conseguirão uma vantagem recíproca e contribuirão simultaneamente para o incremento do bem-estar humano e do avanço da cultura.

Ulteriores modificações

[...]

49. No campo político: em muitos países, a participação na vida pública de um número cada vez maior de cidadãos de diversas condições sociais; a difusão e a penetração da atividade dos poderes públicos no campo econômico e social. Acresce, além disso, no plano internacional, o declínio dos regimes coloniais e a conquista da independência política conseguida pelos povos da Ásia e da África; a multiplicação e a complexidade das relações entre os povos e o aumento da sua interdependência; a criação e o desenvolvimento de uma rede cada vez mais apertada de organismos de projeção mundial, com tendência a inspirar-se em critérios supranacionais: organismos de finalidades econômicas, sociais, culturais e políticas.

Temas da nova encíclica

50. Nós sentimo-nos no dever de conservar viva a chama acesa pelos nossos grandes predecessores e de exortar a todos a que nela busquem incentivo e luz para resolverem a questão social da maneira mais adequada aos nossos tempos. Por este motivo, comemorando de forma solene a encíclica leonina, comprazemo-nos em aproveitar a ocasião para repetir e precisar pontos de doutrina já expostos pelos nossos predecessores, e ao mesmo tempo fazer uma exposição desenvolvida do pensamento da Igreja, relativo aos novos e mais importantes problemas do momento.

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(Fonte da Encíclica: Documentos de João XXIII – São Paulo. Paulus. 1998. 391 p.)

ago 22

REFLEXÃO SOBRE O WHATSAPP: VULGARIZADO E MAL UTILIZADO

WHATSAPP

O WHATSAPP É O NOVO POINT: POR QUE NÃO UTILIZÁ-LO SÓ PARA O BEM? –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Parece inexistirem dúvidas de que, atualmente, o WhatsApp é o point preferido da grande maioria das pessoas para toda forma de troca de informações. Muitas pessoas estão integradas em grupos de bate-papo; outras tantas, e de forma individual, mantêm-se ligadas a diversos amigos e contatos, com os quais dialogam diariamente, se não, várias vezes ao dia. É bonito ver que as pessoas, nos dias atuais, adotam a comunicação como forma de integração social, superando antigas cartinhas, bilhetinhos, ligações telefônicas ou até mesmo os e-mails.

Entretanto, é preciso reconhecer, as redes sociais, dentre as quais o WhatsApp se destaca, não têm sido usadas como lugares-comuns apenas aos bate-papos, por meio dos quais as pessoas tenderiam a crescer e a promoverem o crescimento dos seus amigos, com conversas úteis e interessantes, além da divulgação de notícias importantes (e verdadeiras), objetivando suprir vazios causados pela absurda correria do cotidiano.

Seria mais ou menos semelhante ao encontro diário de diversas pessoas, em torno de uma mesa de bar onde, sem nenhum aperitivo ou bebida de entrada ou de saída, falassem asneiras o tempo todo, além de transmitirem, umas para as outras, notícias falsas ou meias verdades, sem qualquer função ou objetivo nobre. Certamente que, em muito pouco tempo, tais reuniões deixariam de acontecer, porque as pessoas, logo, logo, chegariam à conclusão da absoluta perda de tempo e da inutilidade de tais encontros.

No entanto, no WhatsApp, por exemplo, isso não acontece porque tudo é gratuito, não custando tempo nem dinheiro. Retransmitir uma mensagem qualquer, ou reencaminhar fotos e vídeos em abundância é ato praticado em pouquíssimos segundos, bastando meros dois ou três cliques, e pronto! Já foi.

Com esta lógica, as pessoas, sem terem a menor consciência, e sem saberem valorizar a tecnologia de que dispõem, passam o dia todo enviando “abobrinhas” e “repolhos” e recebendo, em troca, iguais contribuições. Ora, vamos combinar que “abobrinhas” e “repolhos” são muito bons e até fazem falta na dieta diária de qualquer ser humano. Mas, todos os dias, em todas as refeições do dia, enchem o saco de qualquer um. E o pior: a pessoa acaba de enviar uma “abobrinha” e, imediatamente, recebe um “repolho”, ficando absolutamente claro que a “abobrinha”, sequer foi vista com a mínima atenção e/ou consideração.

Estamos vivendo momento histórico, tanto no nosso País quanto no mundo todo, do qual brotam, a todo instante, notícias importantíssimas de todos os lados. Notícias capazes de alterarem nossas vidas, no presente ou no futuro imediato, e que precisam, e devem, ser repassadas, muitas vezes até com certa urgência. D’outro lado, existem pensamentos, fatos, orações, milagres, realizações comunitárias e institucionais, além de toda uma gama de acontecimentos saudáveis e positivos que uns tomam conhecimento, e outros, não, e que, portanto, carecem de repasse entre amigos e contatos.

Voltemos à mesma mesa do bar, agora com outro enfoque, e observemos o quanto cada amigo tem para contar para os demais. Quantas coisas boas aconteceram e quantas estão para acontecer nas vidas de cada um deles, e que, paulatinamente, vão sendo contadas e mostradas, de modo a estarem, verdadeiramente, contribuindo para a alegria e o para o crescimento recíprocos. Tais reuniões, com esses objetivos, certamente serão mantidas e celebradas como algo bastante positivo, haja vista que ao final de cada uma delas, torna-se perceptível grande e real satisfação.

Parece estar na hora de as pessoas considerarem que a euforia inicial com o WhatsApp, e de resto com todas as redes sociais, já está superada, e que todos devemos utilizá-lo para as conversas realmente frutíferas, próprias de uma grande e valiosa amizade. Não se pode esquecer que existem pessoas no meu, e no seu, WhatsApp que, sequer, nos reconhece na rua. Há pouco tempo passei por uma dessas pessoas. E existem inúmeras! Porque o ambiente está absolutamente vulgarizado.

Podemos, e devemos, fazer do WhatsApp um ponto de encontro, diário ou não, propício para o convívio sadio com os nossos contatos, repassando e recebendo informações úteis e valiosas para as nossas vidas, seja por meio de palavras, de fotografias ou de vídeos capazes de cumprirem o duplo papel da informação e da transmissão de alegria. Fechar as portas às fofocas e, principalmente, às mentiras, fará com que saibamos aproveitar da melhor forma possível este maravilhoso canal de interação social, por meio do qual podemos levar aos amigos e contatos permanentes, conhecimentos e experiências extremamente valiosas para o crescimento pessoal e espiritual. Nada, porém, em excesso!

Como é bom receber informações novas e confiáveis; vídeos pedagógicos e transmissores de alegria, de emoção, de prazer e de grandes ensinamentos; textos e orações profundos e sugestivos; fotos de seres, pessoas e lugares por nós desconhecidos; palavras de incentivo, de gratidão, de carinho e de amizade. Enfim, quanta coisa boa, útil e valiosa pode ser transferida, encaminhada e reencaminhada por meio do WhatsApp, uma rede social que, por enquanto, tem servido a muitos apenas para a propagação de notícias falsas, de fofocas descabidas, de incentivo e de disseminação do sectarismo ideológico, religioso ou político, bem como de sentimentos de ódio e de vingança que, infelizmente, têm contaminado a sociedade humana.

Talvez você receba este texto, também, pelo WhatsApp, mas, a ideia é justamente esta: incentivar e estimular a reflexão para que então, e somente então, possamos nos valer dele de forma mais sábia, transformando-o em um verdadeiro point de encontro entre amigos e de contatos, consubstanciados em pessoas que olham e que conseguem enxergar  a sociedade como célula apta à expansão e, em perfeita harmonia com a natureza, capaz de canalizar desejos e objetivos humanos mais substanciais e mais condizentes com a própria espécie. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

ago 11

JOSEFINA BAKHITA: SANTA DE TODOS OS TEMPOS

SANTA BAKHITA

SANTA JOSEFINA BAKHITA - 

                         Falar sobre Josefina Bakhita é mergulhar na vida simples e humilde daquele africano escondido do mundo, que sobrevive graças à Deus e à sua autodeterminação, tamanhas as dificuldades encontradas. É pensar naquele africano, pobre, negro, trabalhador que mora, alimenta-se e veste-se da forma mais precária possível, tentando vencer as doenças, a desnutrição e a miséria no sentido mais amplo possível.

                        Pois, mesmo em um cenário como este, ainda é possível ter que viver escondendo-se das guerrilhas cruéis e assassinas que, com viés político-militaresco, grassam por toda a região menos desenvolvida do imenso continente.

                   Em um ambiente como este, vamos encontrar uma família sudanesa em especial – marido, mulher e filhos – vivendo e sobrevivendo como Deus permite, porém, com a felicidade de manterem-se unidos em todas as adversidades. Até que um dia, mercadores humanos roubam daquela família a menina mais velha, que tinha em torno de oito para nove anos de idade. Pegam aquela pobre menina esquálida, inocente e indefesa para quê? Para vendê-la como escrava. Para lucrarem com a carne humana. Ninguém viu, ninguém filmou, ninguém testemunhou. Quem contou a história foi Madre Josefina Bakhita, à Madre Superiora da Congregação das Filhas da Caridade, de Madalena de Canossa.

                      Irmã Bakhita contou algumas das muitas recordações daquela fatídica manhã, em que estava sentada com uma amiguinha de doze ou treze anos de idade, à beira de um córrego, conversando e atirando pedras na água, quando, de repente, apareceram-lhes dois homens armados. Um deles, conta Bakhita, mandou embora a amiguinha de doze ou treze anos e ordenou que Josefina caminhasse um pouco à frente, para buscar pequeno embrulho escondido entre os arbustos. A menina, amedrontada, tratou de cumprir rapidamente a ordem que recebera, achando que, em seguida, seria mandada de volta para casa. Ledo engano! Afastada a amiguinha, Josefina é seguida pelos homens que, agarrando-a pelos braços magros, transformam-na em prisioneira e, como tal, obrigam-na a caminhar durante todo aquele dia e a noite que o seguia. Preocupada com os pais, que nunca mais veria, sofrida com os maus tratos recebidos, pés descalços, feridos e sangrando, a menina segue aqueles dois contrabandistas de seres humanos, que não demonstravam qualquer sentimento de piedade.

              Exausta da longa caminhada, ferida, suada, suja e faminta a menina é atirada numa espécie de esconderijo, recebendo um pedaço de pão e a ordem para ficar ali, quieta, até que decidissem o seu destino. Ali ela permaneceu por mais de um mês:

“Um pequeno furo no alto era a minha janela. A porta se abria por breves instantes para me darem alimento magro. O que sofri naquele lugar, não é possível descrever em palavras. Lembro-me ainda daquelas horas de angústia quando, cansada de chorar, caía quase desmaiada no chão em ligeiro torpor, enquanto a fantasia me levava para junto dos meus queridos lá longe, tão longe...”[1]

                        Depois de tanto tempo de angústia, lamento e sofrimento finalmente Bakhita compreende o destino que está reservado para si: ser vendida como escrava. Assim, ela conta que certa manhã foi entregue pelo patrão a um mercador de escravos que, depois de efetuar a compra, coloca-a junto com outros escravos, dentre os quais uma menina um pouco maior.

                      A longa caminhada fez com que aquela menina pobre, simples, humilde, inocente e indefesa enfrentasse dores que tiveram o dramático efeito de matar para sempre a sua infância, antecipando nela a chegada de uma mentalidade adulta, onde teria que aprender, a duras penas, como conviver, e mais, como sobreviver, num mundo cercado pelo dinheiro, pelo poder e pela servidão absoluta. Um mundo totalmente diferente daquele em que fora criada por seus pais, naquela humilde aldeia do Sudão.

                        Depois da primeira, Bakhita seria vendida, ainda, mais duas ou três vezes, sendo por fim, dada de presente a uma família nobre, de cuja filha Bakhita torna-se babá.

                        A partir desta doação e desta função como babá, a mão de Deus começa a se fazer visível.

                        Já estando longe da África, e sem esperança e sem vontade alguma de para lá retornar, Bakhita aproveita o longo período em que fica, com a filha pequena da senhora, sob os cuidados das irmãs da Congregação da Caridade de Veneza. As irmãs canossianas, responsáveis pelo Catecumenato, apresentaram Jesus Cristo a Josefina Bakhita. Falaram-lhe sobre o projeto de Deus para a Salvação dos homens; sobre o nascimento, a vida, a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus. Ensinaram-lhe sobre o mistério da transubstanciação do pão e do vinho, em corpo e sangue de Cristo. Enfim, abriram para Bakhita as portas do céu, ainda em vida.

                        Quando, nove meses depois de estar ali, na Congregação, a senhora retorna para buscar Bakhita e a filha pequena, para um retorno à África, encontra uma resistência que não imaginara: Bakhita já estava com a alma totalmente entregue ao Senhor, e luta para permanecer na Congregação. É ela própria quem conta:

“Eu me recusei a segui-la para a África, porque não me sentia instruída para o batismo. Pensava também que, depois de batizada, não poderia professar a nova religião, e que por isso me era mais conveniente ficar com as irmãs. Ela ficou furiosa, tachando-me de ingrata ao deixá-la partir sozinha, depois de ela ter feito tanto bem a mim. Eu, porém, firma em meu pensamento. [...] Era o Senhor que me infundia tanta firmeza, porque Ele queria tornar-me toda sua. Que bondade!”[2]

                        Finalmente, em 09 de janeiro de 1890, Bakhita recebe o batismo e, também, o novo nome – Josefina Margarida e Fortunata que, em árabe, quer dizer BAKHITA e, em 07 de dezembro de 1893 entrava para o noviciado pronunciando os santos votos em 08 de dezembro de 1896.

                        Quase um século depois, em 17 de maio de 1992, ocorre a beatificação, durante o pontificado de João Paulo II que, oito anos depois, em outubro de 2000 encerrava o processo de canonização de Santa Bakhita.

                        Durante o discurso de beatificação o Papa afirmou que: “Em nosso tempo, quando a corrida desenfreada pelo poder, pelo dinheiro e pelo prazer produz tanta desconfiança, violência e solidão, Bakhita nos é doada pelo Senhor como ‘Irmã universal’, para que nos revele o segredo da felicidade mais verdadeira: as bem-aventuranças”[3].

                        A Igreja Católica, em diversas oportunidades é acusada de promover a ascensão de santos e santas de forma indiscriminada, como se fosse uma verdadeira indústria de celebridades. Ocorre, no entanto, que os santos estão aqui, caminhando dia-após-dia ao nosso lado, convivendo conosco, falando conosco, estendendo as mãos para nós que, de forma insensível, insistimos em desconsiderá-los e em desprezá-los.

                        Quando morrem, alguém se interessa por suas histórias de vida, de dedicação, de sofrimento, de doação e de abnegação totais e tão intensas que a única forma de reparar nosso erro, engano ou maldade, é reconhecê-los como seres tão superiores a nós e tão próximos de Deus, que realmente merecem o título de “Santos”.

                        A história de Santa Josefina Bakhita é uma dessas histórias que, a princípio, não interessa a ninguém. Quantos meninos e meninas são sequestrados todos os dias, não apenas na África, mas em diversos pontos do planeta, sem que ninguém se interesse por suas histórias de vida? Quantos, porém, escapam da escravidão e da servidão humana para, tornarem-se servos e servas de Deus, não mais servindo aos senhores do mundo, mas, diretamente aos filhos e às filhas do Deus único e verdadeiro, cuja face nos é revelada por Jesus Cristo?

                        A Igreja cumpre papel exclusivo nesse mister! Trazendo até nós aqueles e aquelas que, por suas histórias de vida e de santidade, reconhecidamente fazem parte do séquito divino, convidando-nos a imitá-los sempre e sempre, na busca por idêntica posição.

                      Essa é a nossa homenagem a Santa Josefina Bakhita, mulher, negra, pobre, humilde, escrava e aprisionada pelos homens, mas que, liberta pelas mãos poderosas do Senhor, tornou-se para nós, ícone de santidade, de doação, de dedicação e de abnegação por amor ao Filho de Deus.

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Para saber mais:

LIVRO: ZANINI, Roberto Ítalo. JOSEFINA BAKHITA. O CORAÇÃO NOS MARTELAVA NO PEITO – DIÁRIO DE UMA ESCRAVA QUE SE TORNOU SANTA. São Paulo. Paulus: 2014. 94 páginas.

DVD: BAKHITA – Uma história Maravilhosa. Santa Josefina Bakhita. Paulinas. 2006. 74 minutos de duração, dublado.

[1] ZANINI, Roberto Ítalo (Org.). JOSEFINA BAKHITA – O Coração nos Martelava no Peito – Diário de uma escrava que se tornou santa. São Paulo. Paulus: 2014. 94 páginas. [2] Op. cit. pág 31. [3] Op. cit. pág. 53.

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