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jul 04

PADRE QUINHA: MEMÓRIA ETERNIZADA PELA OBRA CONTINUADA

PADRE QUINHA

A OBRA ETERNIZA O HOMEM E SUA HISTÓRIA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Para nós, crentes, não é muito satisfatória a ideia de uma eternidade não compartilhada com nossos amigos, parentes, admiradores e todo um universo de entes queridos. Pessoas com quem convivemos e com quem passamos a maior parte da nossa existência terrena. Talvez, para quem sai deste plano terreno, e diante da realidade celestial, não tenha qualquer relevância a memória do tempo vivido. Mas, para os que ficam, quanto maior a proximidade com aquele que partiu; quanto mais memórias dele ou dela restarem, mais consolo, mais alegrias e mais felicidade. Esta é a fórmula da eternidade conhecida e vivida por nós, que ainda estamos do lado de cá do Reino de Deus.

E esta fórmula pode ser aplicada na história de diversos irmãos que partiram deste mundo, uns muito cedo, outros, nem tanto, mas, que deixaram muita saudade, em razão do que foram, do que fizeram, do que pretendiam, ainda, fazer e de todo um verdadeiro carisma, religioso ou não, que teimamos em não deixar morrer de forma alguma porque, como deuses, é a forma de temos de mantê-los eternamente ao nosso lado.

É claro que, neste momento, vêm à mente rostos de muitos amigos, parentes e entes queridos que, de uma forma ou de outra, marcaram nossas vidas para sempre. Mas, apenas, e, tão somente, as nossas vidas íntimas e pessoais, raramente, as vidas da coletividade e/ou da comunidade mais próximas. Daí que, quando nós, também, ultrapassarmos a linha divisória entre o mundo e o Reino, nada mais restará destas memórias pessoais.

No entanto, quando, ao contrário, quem parte deixa uma obra, concluída ou em constante e dinâmico progresso, exigindo de quem fica, e de forma sucessiva e hereditária, o constante zelo e aperfeiçoamento, pode-se afirmar com segurança, que ele ou ela conseguiu eternizar-se, também, no mundo.

Em minha mente, assim como na sua, surgem inúmeros nomes. No entanto, nestes dias de Julho, um nome em especial marca a minha memória. Um nome que, na minha pequena cidade de Petrópolis, ficou marcado, consagrado e respeitado, por tudo o que ele simboliza, embora muita coisa tenha sido apenas iniciada. Falo do Padre José Carlos Medeiros Nunes, mais conhecido como Padre Quinha. Um homem cuja história é muito maior do que ele e que, espera-se, um dia, venha a ser contada em livro a homenageá-lo para sempre.

Padre Quinha, além de vocacionado para o sacerdócio era, também, vocacionado para fazer o bem. Não o bem fundado na esmola; na doação de bens materiais capazes de assegurar, por pouco que fosse, uma sobrevivência mais digna. Não! O bem que fazia do Padre Quinha um verdadeiro vocacionado era mais profundo, era vinculado à dignidade do próprio ser humano. Sua preocupação maior, não era com o dinheirinho para o pobre e necessitado, a roupa surrada ou o calçado para os pés, ou, ainda, o simples e indispensável prato de comida. A maior preocupação da vida dele, e pelo que lutou a vida toda, era a reconstrução da dignidade do ser humano. Por esta razão ele, tal qual um treinado mergulhador, atirou-se de corpo e alma no mar sombrio e tenebroso em cujo fundo estão acorrentados ao vício muitos ex-bons profissionais; ex-bons chefes de família e, no geral, filhos amados e queridos de Deus. Homens que, pelo vício, seja o da bebida, o das drogas ou outro qualquer, foram atirados, ou deixaram-se atirar, em um abismo degradante que, primeiramente, afasta-os da família e do meio social. Depois, retira-lhes a dignidade e a respeitabilidade e, por fim, a saúde e a própria vida.

Padre Quinha teve visão. Enxergou este estado de degradação e, assim como o bom pastor, foi em busca da ovelha perdida, sem se preocupar se era dia de sábado. Iniciou um trabalho de acolhimento, de tratamento físico e espiritual, de reconstrução e de recuperação da dignidade, da respeitabilidade e da reinclusão destes homens no seio da família, da religião e da sociedade.

Infelizmente, muito cedo, e sem poder ver concluída uma obra tão especial, ele foi chamado às pressas por Deus. Assim, quando ninguém esperava, Padre Quinha falece no dia 18/01/2013. Na época, o portal G1 assim noticiou:

“Padre Quinha foi um dos religiosos mais respeitados do município. Ele fazia um trabalho filantrópico e de evangelização em vários bairros da cidade e foi o fundador da Associação Oficina de Jesus, em 1997, entidade que presta assistência espiritual, psicológica, médica e social aos dependentes químicos em Petrópolis.” (http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/noticia/2013/01/morre-padre-quinha-conhecido-pelo-trabalho-filantropico-em-petropolis-rj.html).

Pois bem, passados mais de seis anos que Padre Quinha recebeu a senha para entrar no Reino de Deus, a obra por ele iniciada, assim como o carisma que ele deixou, está caminhando de forma resoluta e imponente, pronta para eternizá-lo na cidade que ele escolheu para iniciar o plano-piloto de um projeto que poderia ser estadual, nacional, ou, mundial, quem sabe?

Obras não caminham sozinhas. São muitas as pessoas envolvidas no avivamento do que hoje é conhecido como “Oficina de Jesus”. Não se deve declinar nomes, porque podem ser esquecidos alguns, sendo que todos, absolutamente todos, têm igual importância, pois, conforme ensinado pelo Apóstolo Paulo “uma mesma coisa é o que planta e o que rega. E cada um receberá a sua recompensa segundo o seu trabalho. Efetivamente, nós somos cooperadores de Deus; vós sois cultura de Deus, sois edifício de Deus” (ICor 3, 8-9).

A atual, e muito competente, administração da Oficina de Jesus, cuja sede fica situada na Estrada do Brejal, em Petrópolis, onde são recebidos acolhidos de diversas origens, não cessa de reinventar o projeto do Padre Quinha, com o objetivo claro de ampliar o espectro de vai do simples acolhimento até a reinserção do homem, totalmente reconfigurado, no seio da família, da comunidade e da sociedade.

São promovidas festas, jantares, shows de prêmios, bazares, campanhas e mais campanhas. Tudo, com a finalidade de consolidar uma obra que, além de cumprir uma missão extremamente evangélica – resgatar os excluídos do Reino – faz com que a presença do Padre Quinha seja percebida cada dia com mais força, no rosto e nas vidas daqueles que, depois de algum tempo, voltam a sorrir, livres que se sentem da escravidão que, no início, trouxe-os cabisbaixos, envergonhados, excluídos mesmo do seio da sociedade.

Neste mês de Julho, em cujo primeiro dia recorda-se o nascimento do Padre Quinha, é promovido o já famoso JULHO VERDE – O MÊS DA ESPERANÇA que, neste ano, tem a seguinte configuração:

JULHO VERDINHO

Não restam dúvidas de que a memória do Padre Quinha, por meio da obra por ele iniciada e continuada por toda uma coletividade comprometida e determinada, está sendo preservada para a história. Uma história na qual o principal personagem é o excluído que, agora, está reinserido no ambiente saudável da família, na comunidade de oração e na sociedade. Parabéns Padre Quinha pelo aniversário que, entre nós, seus irmãos e irmãs em Cristo, será comemorado por muitas e muitas décadas ainda.

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

jun 01

UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA

TIRADENTES - 2019

TIRADENTES (1748-1792) - UM HERÓI DE VERDADE - 

Fala-se hoje, por todo o País, em liberdade, em democracia, em justiça social, em prisão dos culpados disso ou daquilo. Alguns chegam mesmo a visitar o cárcere por um curto período e, dependendo da “patente”, logo vem um alvará de soltura, mandando-o para casa, cumprir o restinho de uma pena pequena e injusta. Injusta, não porque tenha sido lançada sobre inocente, mas, porque a culpa é vergonhosamente grande. Verdade é que, entre grandes e poderosos, ricos e famosos, ocupantes das cadeiras mais ilustres nas assembleias e nos palácios, dificilmente pagam por seus delitos. Até porque, tais delitos parecem possuir pernas, e andam sempre na direção de gente de menos importância.

Falar assim, pode parecer ao estrangeiro, em visita às nossas terras, que o Brasil sempre foi assim: conivente com os malfeitores de plantão e, sempre em nome de um pretenso direito de ampla defesa, facilitando a fuga dos culpados por entre a floresta de malfeitores. Mas não, houve tempo entre nossa gente, que não existia democracia; não existia liberdade e a justiça era realmente cega, não livrava a cara de ninguém, fosse quem fosse, tivesse a patente que tivesse. Porque em tal época, éramos colonos. Plantávamos, criávamos e garimpávamos para nossos colonizadores. E ai daquele que ousasse se rebelar.

Em tal tempo, viveu em terras brasileiras, lá pelas Minas Gerais certo homem que exercia função na cavalaria, embora fosse de humilde cepa. Sobre ele não quero falar de voz própria, para não menosprezar o trabalho de ilustre historiador, um dos maiores na História do Brasil: Rocha Pombo que, em obra de cinco volumes, vai até as raízes do descobrimento e caminha páginas e páginas acima, trazendo para nós informações valiosíssimas. O homem da cavalaria e das Minas Gerais é Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes, e sobre ele Rocha Pombo afirma ser cidadão:

“nascido nas Minas, um tipo singular de criatura que vem para o mundo numa grande ânsia de tomar o seu papel. A condição modesta em que se sentiu ali, no meio da riqueza, foi-lhe estímulo forte nos primeiros passos da vida; e bem cedo, as lutas em que entra, só amparado da sua nobre e excelente natureza moral, devem pô-lo no caminho por onde iria ao sacrifício. As desilusões começaram para ele quase que logo ao sair da infância. Pensara primeiro em fazer-se pelo comércio, e não se sabe como é que os desastres não o induziram logo a tornar-se, em vez de apóstolo, bandido. Não se sabe com quem aprendera, ou onde, semelhante arte, mas era dentista habilíssimo, e gostava muito de aliviar os males humanos com alguns conhecimentos que tinha de terapêutica indígena. Nas suas viagens pelos sertões das Minas tivera ensejo de ver o estado de miséria em que viviam as populações; e isto havia de servir-lhe muito mais tarde na propaganda do seu ideal. Tão mal sucedido no comércio, entendeu que seria mais feliz na profissão das armas, com a qual se desse melhor talvez pela sua austeridade e pelo profundo sentimento do dever. Mas, filho da terra, que futuro podia aspirar como soldado?

Chegou ao primeiro posto na sua companhia; e daí por diante, porém, foi vendo que os mais moços, e os que menos provas davam de si nas diligências mais difíceis, iam galgando os outros postos, enquanto que ele andava sempre sendo preterido. Ainda na vida militar, mas já desvanecidas as esperanças que nutrira, procurou outras veredas, metendo-se na lavoura e na mineração, sem mais fortuna, no entanto, do que tinha tido ali. É de crer que por este tempo já o seu espírito andasse impressionado de tudo que via ali nas Minas; mesmo que não pensasse propriamente em fazer da capitania uma república (para o que aliás já havia a instigá-lo o que tinham feito os americanos do Norte), o que se pode admitir é que já estava convencido de que o Brasil não podia por mais tempo sofrer aquele regime que lhe impunha a metrópole.

Sente-se que, na ansiedade em que tem vivido, a alma se lhe dilata agora para surtos de mais audácia. Já conhecia ele o Rio, e conservava ainda vivas as impressões que lhe haviam causado a capital da colônia. Sendo um centro mais vasto, acreditava que por aqui ser-lhe-ia muito mais fácil encontrar meios de pôr em ação o seu espírito empreendedor. O que ele procura, no entanto, agora não é só a sua fortuna pessoal; nunca teve aliás, a dirigi-lo na vida, uma exclusiva preferência pelo seu próprio interesse: tinha mesmo fama de abnegação e desapego de bens materiais, ao ponto de ser tido, senão como descuidoso, pelo menos como indiferente ao bem estar, nunca revelando açodamentos ou impaciências por adquirir. O que ele deseja agora é habilitar-se a ter uma parte mais ativa, entrar com um concurso mais eficaz na obra que há de fazer-se lá na terra das Minas. É este o pensamento que o absorve, quando toma caminho, para o Rio, por meados de 1788 (ou talvez antes) depois de haver alcançado do Governador da capitania a necessária licença.

Vinha radiante de esperanças; e assim que chegou aqui, apresentou-se ao Vice-Rei; e sem dar muito pela indiferença com que o recebera Luiz de Vasconcelos, passados alguns dias, foi levar-lhe umas propostas de melhoramentos que projetara fazer na cidade. Parece que o Vice-Rei não deu importância ao que lhe requeria aquele simples alteres, que não dispunha de recursos, nem de valimento para obras de certa monta, e que parecia mais um maníaco, meio estouvado, meio aventuroso, do que um legítimo especulador ou homem de negócios a quem se devesse dar atenção. Em todo caso, sempre entendeu o Vice-Rei que não havia motivos para deixar de remeter os papéis do requerente para a Corte. Pelo que parece, em Lisboa tomou-se mais a sério o que se propunha o visionário executar; tanto assim que o Conselho Ultramarino devolveu os papéis, a fim de que sobre a matéria deles informasse o Vice-Rei.

Enquanto se ocupava destas coisas, demorando-se aqui muito mais tempo do que calculara, não perdia ensejo de ir sondando os ânimos com muita prudência. Estava ainda no Rio, e havia já muito tempo, quando passou para Minas o visconde de Barbacena. Uns três meses depois (em Setembro de 1788) aqui se encontrava Tiradentes com o Dr. José Alves Maciel. Este moço era mineiro; havia-se formado em ciências naturais na Universidade de Coimbra; e vinha agora de visitar a França e a Inglaterra. Pensa-se que, entre os estudantes brasileiros de Coimbra, era ele dos mais exaltados em advogar a ideia da independência; e até se diz que “era ele um dos dois emissários mandados à Europa (pelos patriotas do Rio e de Minas), e que enquanto Joaquim da Maia conferenciava com o embaixador americano, ia ele, Maciel, sondar a disposição dos ingleses a nosso respeito”. Trazia o jovem Dr. Maciel a cabeça “cheia de ideias democráticas, que lhe inspiraram os admiráveis progressos da nova República do Norte”; e era bastante haver, como brasileiro, vivido algum tempo em Portugal, para não sair dali dominado de outros sentimentos. Ê fácil imaginar o que se teria passado entre aqueles dois corações, incendidos da mesma fé, arrebatados dos mesmos ímpetos, um falando das misérias da terra, outro das grandezas que vira no estrangeiro.

Seguiu o Dr. Maciel para Minas, deixando no Rio o Tiradentes cada vez mais inflamado, tendo agora novo estímulo e coragem, que lhe valera o imprevisto encontro com aquele patrício. Vai o Dr. Maciel ter na própria terra as provas de quanto lhe dissera Tiradentes. Os povos da capitania estavam todos como num grande alarme: a situação em que se vive ali, de longos anos, agora parece que vai tocar ao seu extremo. Viera o visconde de Barbacena encarregado especialmente de reparar os prejuízos que desde muitos anos vinha sofrendo a real Fazenda, e trazia ordens formais de arrecadar, por meio de derramas e execuções, todas as dívidas em atraso. O enorme ativo acumulado punha já os contribuintes, e demais devedores ao erário, em condições de absoluta insolvência. Só o quinto do ouro ascendia a perto de 540 arrobas (na importância de 3.305:472$000). As dívidas provenientes do contrato das entradas montavam a réis.... 1.702:148$000; e fazia-se notar, nas instruções dadas a Barbacena, que tais déficits se vinham acumulando quase que na mesma razão em que se reduzia o preço das arrematações. Do contrato dos dízimos, outra renda que diminuía de ano para ano, o alcance era de 717:906$000. Importava, pois, a dívida em atraso, só destas três classes de contribuições, que eram as fontes mais abundantes do patrimônio régio, em um total de 5.725:526$000. De tudo isto fazia-se uma grande carga à desídia dos agentes do fisco. Em tom consternado, depois de tudo isso expor bem explicitamente, dizia o ministro que não era possível ver sem indignação que S. M. mandasse estabelecer em Minas-Gerais uma Junta, com a qual faz uma importante despesa, sem outro algum fim mais que o de cuidar da boa administração e arrecadação da sua real Fazenda, e que, em lugar desta impreterível obrigação, só cuide a dita Junta nos particulares interesses de seus afilhados ...

Logo que foi empossado do governo, cumprindo fielmente as ordens que trazia, convocou Barbacena a Junta de Fazenda, e leu aos deputados a parte das instruções que se referia à arrecadação de impostos.”

CONTINUA EM BREVE

_________________________________________________________________   Fonte: POMBO, Rocha. HISTÓRIA DO BRASIL. Vol. III. São Paulo: W.M. Jackson Inc. Editores. 1947. Págs. 215/217.    

jun 01

ESTÁ ESCRITO NA BÍBLIA

ESTÁ ESCRITO

LIVRO DOS PROVÉRBIOS 2, 1-22

1 Meu filho, se acolheres minhas palavras e guardares com carinho meus preceitos, 2 ouvindo com atenção a sabedoria e inclinando teu coração para o entendimento; 3 se tu apelares à penetração, se invocares a inteligência, 4 buscando-a como se procura a prata; se a pesquisares como um tesouro, 5 então compreenderás o temor do Senhor, e descobrirás o conhecimento de Deus, 6 porque o Senhor é quem dá a sabedoria, e de sua boca é que procedem a ciência e a prudência. 7 Ele reserva para os retos a salvação e é um escudo para os que caminham com integridade; 8 protege as sendas da retidão e guarda o caminho de seus fiéis. 9 Então compreenderás a justiça e a equidade, a retidão e todos os caminhos que conduzem ao bem. 10Quando a sabedoria penetrar em teu coração e o saber deleitar a tua alma, 11 a reflexão velará sobre ti, amparar-te-á a razão, 12 para preservar-te do mau caminho, do homem de conversas tortuosas 13 que abandona o caminho reto para percorrer caminhos tenebrosos; 14 que se compraz em praticar o mal e se alegra com a maldade; 15 do homem cujos caminhos são tortuosos e os trilhos sinuosos. 16 Ela te preservará da mulher alheia, da estranha que emprega palavras lisonjeiras, 17 que abandona o esposo de sua juventude e se esquece da aliança de seu Deus. 18 Sua casa declina para a morte, seu caminho leva aos lugares sombrios; 19 não retornam os que a buscam, nem encontram as veredas da vida. 20 Assim tu caminharás pela estrada dos bons e seguirás as pegadas dos justos, 21 porque os homens retos habitarão a terra, e os homens íntegros nela permanecerão, 22 enquanto os maus serão arrancados da terra e os pérfidos dela serão exterminados.

jun 01

LUZES SOBRE A PATRÍSTICA

farol de alexandria - 2– OS PADRES DA IGREJA NASCENTE -

Estamos dando ênfase a algumas matérias sobre os primeiros séculos do cristianismo, apresentando a vida e a obra dos Pais da Igreja, assim como dos escritores eclesiásticos, cujo conteúdo e essência são estudados e conservados pela ciência da Patrologia que, devido à enorme importância para a história da Igreja de Cristo, decidimos cognominá-la como o “Farol do Cristianismo”.

Hoje, amparados no magistério de homens do escol de Bento XVI, de Jacques Liébaert, de Berthold Altaner e de Alfred Stuiber, além da historiografia de Eusébio de Cesareia, estamos trazendo pequena parte da vida e da obra de um dos grandes personagens do período analisado: Orígenes.

Ao leitor, devemos informar que: conhecer a vida e a obra dos Pais da Igreja, bem como a dos escritores eclesiásticos, é conhecer os primeiros passos do cristianismo por intermédio daqueles que, ou conviveram e foram discípulos de alguns dos discípulos de Jesus, ou foram discípulos de mestres que com eles conviveram e aprenderam, e apreenderam, muito sobre a estada e a missão do Cristo aqui na terra. Portanto, a leitura dessas matérias só fará engrandecer a caminhada do cristão deste início de século XXI, fornecendo suporte para que a tocha do Evangelho seja passada às mãos das próximas gerações, de modo a perpetuar-se no tempo, enquanto o Senhor permitir.

Sobre Orígenes, Eusébio de Cesareia destaca que:

“1. Quem tentar transmitir longamente por escrito sua vida terá muito a dizer e a narração completa exigiria uma obra particular. No entanto, no momento, resumiremos a maioria dos fatos tão brevemente quanto possível e o pouco que dissermos, nós o explanaremos segundo as cartas e o relato de seus familiares sobreviventes entre nós.

2. No tocante a Orígenes, por assim dizer, é digno de memória, a meu ver, mesmo o tempo em que esteve envolvido em faixas. Era no décimo ano do reinado de Severo; Laeto governava Alexandria e o restante do Egito; Demétrio, por sua vez, tinha recentemente obtido, após Juliano, o episcopado das comunidades deste país.

3. O incêndio da perseguição se propagava então, e milhares de fiéis haviam cingido a coroa do martírio. Tal paixão pelo martírio se apossou da alma de Orígenes, ainda menino, que era para ele prazer ir ao encontro dos perigos, saltar e lançar-se à luta.

4. Pouco faltou para que perdesse a vida, mas a divina e celeste Providência, para o bem da maioria dos fiéis, pôs obstáculos a seu ardor, por meio da mãe.

5. Esta suplicou primeiro por palavras, exortando-o a se compadecer de seu amor materno; mas vendo-o ainda mais impetuosamente inclinado ao martírio, ao ter conhecimento da prisão e encarceramento do pai, e completamente tomado do desejo do martírio, escondeu todas as suas vestes, obrigando-o a ficar em casa.

6. Ele, porém, nada mais podendo fazer, e como o desejo intensificado, bem acima de sua idade, não o deixava ficar inativo, enviou ao pai uma carta cheia de exortações ao martírio, na qual o encorajava, dizendo textualmente: “Cuida de não mudar de opinião por nossa causa”. Seja isto anotado por escrito como primeira prova da vivacidade de espírito de Orígenes, ainda menino, e de sua adesão segura à religião.

7. Entretanto, ele já havia lançado sólidos fundamentos no conhecimento da fé, exercitando-se desde a infância nas divinas Escrituras. A estas se aplicara diligentemente, em medida extraordinária, pois seu pai, não contente de fazer com que passasse pelo ciclo dos estudos, não havia considerado supérflua a solicitude pelas Escrituras.

8. Acima de tudo, portanto, antes de se dedicar às disciplinas helênicas, ele o havia levado a exercitar-se nos estudos sagrados, exigindo diariamente dele recitações e prestação de contas.

9. E isto não desagradava ao menino, que, ao contrário, trabalhava com zelo excessivo, de tal sorte que não lhe bastava conhecer o sentido simples e óbvio das Escrituras Sagradas, mas já procurava, desde aquela ocasião, algo mais, querendo descobrir uma visão mais profunda. Chegava mesmo a deixar o pai embaraçado, fazendo-lhe perguntas sobre o que queria indicar a Escritura divinamente inspirada.

10. Este, exteriormente, fingia repreendê-lo, exortando-o a não procurar saber o que estava acima de sua idade ou além do sentido óbvio. Mas, interiormente, sentia intensa alegria, dando muitas graças a Deus, causa de todos os bens, por ter merecido ser pai de tal filho.

11. Diz-se que parava muitas vezes junto do filho adormecido, descobria-lhe o peito, íntima habitação do Espírito divino, beijava-o respeitosamente, considerando-se feliz pela ótima prole que possuía. Conta-se sobre a infância de Orígenes estas e muitas outras coisas análogas.

12. Quando o pai consumou o martírio, ficou sozinho com a mãe e seis irmãos menores. Não tinha mais do que dezessete anos.

13. Como a fortuna paterna fora confiscada pelos agentes do tesouro imperial, ele encontrou-se com os seus na carência das coisas necessárias à subsistência. Mas dignou-se a providência divina cuidar dele. Encontrou acolhimento, bem como tranquilidade junto de uma senhora riquíssima de recursos materiais e muito ilustre, mas que tratava com grande consideração um homem famoso entre os hereges que então viviam em Alexandria. Era antioqueno de nascença; ela o tinha na conta de filho adotivo, cercando-o inteiramente de cuidados.

14. Mas Orígenes, que forçosamente tinha de conviver com ele, desde então deu provas brilhantes de fé ortodoxa. Enquanto Paulo (assim ele se chamava), aparentando eloquência, reunia junto de si uma inumerável turba, não apenas de hereges, mas ainda dos nossos, Orígenes jamais consentiu em unir-se a ele para a oração, mantendo desde a infância a norma da Igreja e tinha horror, segundo sua própria expressão, das doutrinas heréticas.

15. Iniciado pelo pai nas disciplinas helênicas, após a morte deste último, ele se entregou com maior ardor e inteiramente ao exercício das letras, de sorte que veio a possuir pouco tempo após a morte do pai, uma preparação suficiente nos conhecimentos gramaticais e consagrando-se a eles, acumulou, ao menos para sua idade, a base necessária.

Ainda jovem, ensinava a doutrina de Cristo

1. Enquanto ele estava ocupado no ensino, conforme ele próprio relata em alguma parte por escrito, ninguém se dedicava em Alexandria à catequese, mas todos de lá haviam fugido pela ameaça da perseguição; alguns pagãos, contudo, procuraram-no para ouvir a palavra de Deus.

2. Denota que o primeiro dentre eles foi Plutarco, que, após uma vida louvável, foi ornado com o martírio divino; o segundo, Héraclas, irmão de Plutarco que, também, deu depois dele grande exemplo de vida filosófica e ascética e que, em seguida a Demétrio, foi considerado digno do episcopado em Alexandria.

3. Orígenes tinha dezoito anos ao começar a dirigir a escola de catequese; progrediu muito na ocasião das perseguições sob Áquila, governador de Alexandria, e seu nome tornou-se extremamente célebre, junto de todos aqueles cuja fé ele estimulava, por causa do acolhimento e zelo por ele manifestados para com todos os santos mártires conhecidos e desconhecidos.

4. Pois, não os assistia apenas na prisão, nem só quando interrogados e condenados, mas ainda depois da sentença final, com a maior audácia e expondo-se ao perigo, ficava junto deles ao serem os santos mártires levados para a morte. Assim, quando ele avançava corajosamente e com grande ousadia saudava os mártires com um beijo, acontecia frequentemente que o povo pagão que os cercava se enfurecia e estava a ponto de se precipitar sobre ele, mas estendia-se a mão de Deus para socorrê-lo e fazer com que milagrosamente escapasse. A mesma graça divina e celeste o protegeu em milhares de circunstâncias e é impossível dizer quantas vezes, quando ele se expunha às ciladas por seu ardor e ousadia excessivos em prol da doutrina de Cristo. E tão grande era a guerra que os infiéis lhe faziam, que se reuniam e punham guardas em volta da casa onde ele estava por causa da multidão daqueles aos quais ensinava as questões pertinentes à sagrada fé.”

Ainda, por meio de Eusébio de Cesareia, temos muito a relatar sobre a vida, a doutrina e a obra de Orígenes, isso, sem mencionar os outros autores aos quais já nos referimos no topo da página que, certamente, serão trazidos para apresentarem seus conhecimentos sobre a trajetória desse personagem tão rico, tão sábio, tão santo e que tantos exemplos deixou para as gerações que lhe sucederam, chegando até nós.

Em breve faremos outras publicações relativas ao período patrístico, a fim de melhor informar nossos leitores sobre a importância que os Pais da Igreja tiveram, para que a Igreja de Cristo saísse dos séculos sombrios e chegasse ao século XXI, apesar de todos os desafios impostos na atualidade.

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