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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jan 15

ROSAS PARA MARIA – PARTE FINAL

MEDALHA MILAGROSA - 3

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

F I N A L –

Assim que terminou de falar, Maria das Dores pôs-se a chorar de emoção! Imediatamente, começou a compor, em versos, o pedido que faria a Maria das Graças:

Maria das Graças, nossa Mãe querida!

Hoje, quero lhe ofertar a minha vida!

Descobri que posso fazer o meu pedido

E encontrar, nas minhas lágrimas, um sentido!

Quero chorar de alegria

Distribuir poesia!

Colocar em cada verso

Um pedaço do universo!

Quero juntar todas as dores

E transformá-las em flores!

Quero oferecer um buquê a Deus

E pedir a Ele que realize os sonhos meus!

Quero saborear mangas, subindo numa mangueira,

E lá do alto admirar a água cristalina da cachoeira!

Quero alimentar cada amizade

E colher felicidade!

Quero correr de braços abertos pelo caminho

E abraçar todos os seres com carinho!

Enquanto Maria das Dores fazia seu pedido em versos, Maria-Sem-Vergonha ensaiava seu pedido em forma de dança. Ela levantava os braços para o alto, imaginando que estava tocando as mãos de Maria das Graças. Ela rodopiava sorrindo, levava as mãos até o peito, como se estivesse guardando no coração as graças recebidas. Rodopiava mais uma vez e cantarolava uma canção criada no improviso:

Maria das Graças, nossa Maria!

Era por ti que eu procurava por onde eu ia!

Quero levar arte a cada coração,

Quero falar de Deus em cada canção!

Quero pegar Jesus pela mão e sair a rodopiar,

Quero pular, correr, brincar e dançar!

Desta vez, Maria Vai Com As Outras não quis pegar carona nas ideias das outras Marias. Não quis buscar rimas para os versos de Maria das Dores, nem quis rodopiar e cantar com Maria-Sem-Vergonha. Ela preferiu meditar sobre tudo o que havia aprendido e decidiu, por si só, guardar tudo no coração. Se fosse para imitar alguém, desta vez, ela escolhia imitar a Mãe de Jesus. No silêncio do seu coração, ela foi deixando espaço para que Deus pudesse tocá-la. 

As três Marias se deram as mãos e, sorrindo, se puseram a caminhar ainda mais rapidamente, saltitantes! Olhavam para o céu e se deixavam guiar pelo brilho das estrelas. Como os três Reis Magos, que foram ofertar presentes ao Menino Jesus, as três Marias caminhavam em direção aos braços de Maria das Graças, onde ofertariam suas próprias vidas, seus dons e seus corações!

O dia amanheceu lindo, iluminado pelo sol, sem nuvens e perfumado pelas flores do caminho! Flores essas onde os passarinhos coloridos faziam a festa, confraternizando com borboletas e diversos outros tipos de insetos!

Uma parada para um piquenique foi solicitada! Uma grande toalha xadrez foi estendida na relva e deliciosos pães, bolos, frutas e sucos foram distribuídos sobre a toalha. Todos se sentaram ao redor. Antes de o banquete ser servido, uma canção de agradecimento a Deus foi entoada. A alegria daquele momento parecia algo que ficaria eternizado!

Enquanto todos comiam e bebiam, as três Marias corriam felizes por entre as flores do lugar. Havia um roseiral bem ali, com rosas brancas, amarelas e vermelhas. As três Marias se entreolharam, como se tivessem tido o mesmo pensamento. Naquele instante, cada uma delas correu em direção a uma rosa, com a intenção de levá-la para Maria das Graças.

Maria-Sem-Vergonha correu para a rosa amarela. Maria das Dores foi em direção à rosa vermelha, e Maria Vai Com As Outras, sem pestanejar, foi de mãos abertas na direção da rosa branca!

Quando, finalmente alcançaram as rosas, as três Marias foram espetadas pelos espinhos! Maria das Dores começou a chorar. Maria-Sem-Vergonha foi pedir ajuda aos romeiros para retirar um dos espinhos que ficou agarrado em seu dedo. Maria Vai Com As Outras, sem entender o porquê de tanta dor num simples gesto de querer ofertar rosas para a Mãe de Deus, preferiu meditar e guardar tudo no coração.

A romaria prosseguiu, as três Marias levavam as rosas em suas mãos, levavam também o leve ferimento dos espinhos. Maria das Dores já havia parado de chorar, Maria-Sem-Vergonha já havia se livrado do espinho preso em seu dedo, e Maria Vai Com As Outras, essa continuava meditando e descobrindo que Deus nos fala também através da dor.

As três Marias foram percebendo que a beleza da vida está na intenção de cada coração e não na ausência de espinhos pelo caminho! Elas não pararam na dor, continuaram seguindo e confiando nas graças que, continuamente, pediam a Maria das Graças.

Já era possível avistar a igrejinha lá no alto da colina. Uma enorme alegria tomou conta dos corações de todos os romeiros, especialmente dos corações das três Marias!

As três Marias correram em disparada e começaram a subir a colina. Faltava muito pouco! Cada vez menos! Poucos passos! Pronto: chegaram!

Ofegantes, as três Marias entraram na igreja e foram direto ao altar. Elas mal conseguiam acreditar que estavam lá, juntas e de joelhos, diante de Jesus no sacrário e de Maria das Graças no altar, sempre de braços abertos e olhar doce.

Num ímpeto, as três Marias se levantaram! Maria-Sem-Vergonha segurou numa das mãos de Maria das Graças e pediu, com fervor, a graça de ser artista! Maria das Dores segurou na outra mão de Maria das Graças e pediu, com muita fé, a graça de ser poetisa! Maria Vai Com As Outras colocou suas duas mãos no coração de Maria das Graças e disse a ela, com grande esperança, que ainda não sabia o que queria fazer da vida, mas que gostaria de fazer a vontade de Deus!

As três Marias se olharam emocionadas e se abraçaram com a força e a ternura que só os verdadeiros amigos conhecem! Então, entregaram suas rosas e suas vidas a Nossa Senhora!

Nesse lindo momento, apareceram três mulheres desconhecidas, elas também visitavam a igreja. Cada uma delas se dirigiu a uma das três Marias, ofertando uma medalha e uma rosa:

– Maria-Sem-Vergonha, Maria das Graças lhe oferece esta rosa amarela e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço! Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho! Cante, dance e encante o mundo com a alegria do Senhor!

 – Maria das Dores, Maria das Graças lhe oferece esta rosa vermelha e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Escreva, transforme as dores em versos e se inspire com a linda poesia que há na criação de Deus!

 – Maria Vai Com As Outras, Maria das Graças lhe oferece esta rosa branca e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Não tenha pressa em saber o caminho a seguir. Ele lhe será revelado aos poucos, como o foi para a própria mãe de Deus e para Catarina. Ouça mais os seus próprios desejos e vá guardando tudo no coração!

As três Marias, radiantes e ainda tontas com tanta emoção, se colocaram em oração e agradeceram a Deus pela graça de poderem sentir, como Jesus sentiu, o colo acalentador de Maria!

Era a mãe de Deus, a nossa mãe, numa revelação tão sublime, numa declaração total de amor, dando a certeza de que ela nos acompanha e intercede por nossos sinceros desejos!

Assim, em estado de graça, as três Marias retornaram para casa e para seus afazeres de meninas. A rotina era a mesma, mas havia algo novo que permaneceria para todo o sempre e que seria passado de geração em geração: a certeza de que não estamos sós, de que há uma mãe que intercede por nós e que quer nos ajudar a viver os sonhos mais lindos que Deus plantou em nossos corações!

Pendurada em seus pescoços de crianças, a medalha milagrosa brincava de um lado para o outro, distribuindo grandes graças, pois a fé e a devoção eram ardentes e sinceras!

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

     

jan 13

EDITORIAL DA SEMANA: ONDE ESTÃO OS VERDADEIROS LÍDERES

O MUNDO EM EBULIÇÃO

UM MUNDO EM EBULIÇÃO: O QUE É POSSÍVEL ESPERAR PARA O FUTURO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Passadas as duas primeiras décadas deste tão desejado século XXI, algumas estacas já estão solidamente fincadas em nossas mentes e corações, de modo a nos inculcar a convicção de que nem tudo o que queríamos, nos será dado ou permitido usufruir. Isso porque aquele mundo pós-guerra fria, promissor de dias melhores e mais iluminados, teleguiado por sábios, competentes e experientes líderes revelou-se, nos últimos vinte anos, carente de tudo o que seria necessário para uma vida, realmente, melhor.

Primeiro é bom buscar nas profundezas do cérebro a imagem de algum líder, verdadeiramente influente e capaz de conduzir o conjunto das nações, graças à sabedoria e ao carisma herdados de antepassados da mesma linhagem. Quem é capaz de, hoje, apontar um líder que seja ouvido com atenção, respeito e seguimento nos diversos foros internacionais? Excetuando a figura ímpar do Papa Francisco, líder supremo da Igreja Católica, que não tem assento ou palavra na ONU, na OTAN ou em DAVOS, qual liderança exerce o papel de fiel da balança civilizatória?

Certamente não é preciso, aqui, ficar perdendo tempo escrevendo os nomes de um por um dos governantes mundiais que, com o pouco que têm, gostam de se apresentar como chefes de Estados e de governos e que, só por este fato, acreditam-se, e querem se fazer acreditar, como líderes políticos. Na verdade, são pessoas que, se olhassem para trás e examinassem as biografias de todos os seus antecessores, teriam que renunciar aos seus postos, ante a imensurável discrepância no tocante ao caráter, à postura, aos princípios, à força, à ética, à coragem, à sabedoria e ao carisma.

Não se trata de saudosismos não. Trata-se de verificar que, na realidade atual, estamos à mercê e sob o comando de pessoas absolutamente desprovidas do espírito de liderança e do carisma necessários para a condução de um povo rumo ao seu destino. Que leiam as biografias dos grandes homens e mulheres do passado. E não precisam ir muito longe não, basta um pouco de atenção sobre os grandes do século passado, homens e mulheres.

Entretanto, faltam aos pretensos líderes de hoje a humildade para, em primeiro lugar, reconhecerem suas visíveis carências de tudo para poderem pretender ser reconhecidos como verdadeiros líderes; em segundo lugar, falta-lhes a sabedoria para buscarem no passado de suas Nações o conhecimento acerca de todos os atributos de que eram dotadas as verdadeiras lideranças, cada uma em sua época. E, por fim, falta-lhes inteligência mesmo para, ainda que desistam de perquirir o passado de suas Nações, conseguirem comandar seus povos rumo ao futuro desafiador que os afronta no dia-a-dia.

Diante deste cenário de pós-guerra, no qual vemos destroços para todos os lados, onde cães, gatos, ratos e hienas andam de mãos dadas, cada qual preparando um golpe maior contra o outro, caminha uma estupenda massa popular, desprovida de saúde, de alimentos saudáveis, de educação apropriada e alinhada com os tempos modernos e vítima de toda a insanidade despejada em cada esquina pelos mamíferos já citados. Mamíferos no exato significado da palavra, porque vivem à caça das tetas públicas por onde ainda jorram leite e mel, produtos da espremeção de toda a coletividade.

Verdadeiramente, estamos em um mundo em ebulição, sem sabermos exatamente o que esperar do futuro. Um futuro que, com o avançar da tecnologia, poderia ser muito melhor e muito mais saudável para toda a Criação, com tudo o que o termo significa, mas, que, infelizmente, desponta como grande ameaça à sobrevivência de todas as espécies.

No entanto, ainda existem portas abertas. Portas que podem conduzir a humanidade para cenários muito mais promissores do que a este ao qual chegamos pelas mãos de falsos líderes. Uma destas portas está conectada com a possibilidade de a juventude, numa verdadeira guinada de 360º, preparar-se para substituir, em alto nível, os atuais condutores cegos. E isso pode ser feito por meio do estudo, da pesquisa, da investigação e do aperfeiçoamento de tudo o que os grandes do passado foram capazes de fazer. Basta invadir uma Biblioteca, real ou virtual, e escarafunchar os anais da História, para descobrir com estupefação tudo o que os verdadeiros líderes fizeram para legar para todos nós o mundo que temos diante dos olhos.

O segredo para sair desta encruzilhada histórica está, justamente, no estudo da História!

Outra porta aberta diante de todos nós é a que dá acesso à política. Também aqui, é necessário examinar os arquivos do passado, para descobrir o modo pelo qual os grandes e verdadeiros políticos souberam transformar a pequena e inexpressiva cidade-estado em verdadeiro e potente Estado Nacional com expressão mundial, graças à coragem, à sabedoria, à inteligência e à diplomacia, virtudes escassas no dias que correm.

Por fim, porém, sem esgotar a exploração de outras portas, temos a porta de conexão com o divino e com o sagrado que, atualmente, estão relegados a segundo e terceiro planos. É preciso investigar o passado para constatar que reis, rainhas, sábios, profetas, doutores da lei, sacerdotes e governantes sempre estiveram intimamente conectados com a divindade, por meio do culto, da oração e da oferenda, individual ou coletiva, de graças e de sacrifícios. Enquanto vigorou a crença de que “sem Deus nada podemos” a civilização caminhou mais ou menos ajustada. Porém, a partir do momento em que ganhou força a ideia de que “Tudo podemos, mesmo sem Deus”, o desastre passou a ser o pão nosso de cada dia.

É preciso, acima de tudo, ter coragem, sabedoria e humildade para passar por estas portas. Entretanto, elas representam, ainda, possibilidades reais e palpáveis para que consigamos sair deste torvelinho histórico no qual estamos todos, sem exceção, envolvidos.

Que cada leitor e cada leitora saiba fazer uma avaliação sobre este texto e que, dentro das possibilidades, atue para que os cães, os gatos, os ratos e as hienas possam seguir seus próprios caminhos, deixando de representar, da forma sórdida, irresponsável e inconsequente como agem, verdadeiras ameaças para a sobrevivência de toda a espécie humana. Ainda existe tempo para uma mudança de direção. Seja feliz e, boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

jan 01

ROSAS PARA MARIA – PARTE VI

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE VI -

O sacerdote prosseguiu:

– Catarina cultivava um desejo ardente de ver Maria, nossa mãe. Ela não queria vê-la apenas com os olhos do coração.

– Ela queria ver com os olhos da cara também, não é, padre? – perguntou, serelepe, Maria-Sem-Vergonha.

– Você é mesmo muito engraçada, minha filha! Mas é verdade, Catarina queria ver Nossa Senhora com os olhos do corpo! E ela fazia esse pedido em todas as suas orações, sem jamais se cansar. E o mais importante: ela tinha total confiança de que seu pedido se realizaria!

– E se realizou, padre? – questionou Maria das Dores.

– Tenha calma, minha filha. Ainda há muita história para contar. Quando Catarina tinha apenas doze anos de idade, ela já cuidava dos afazeres da casa. Seus dias eram bastante ocupados, mas ela sempre achava tempo para se dedicar às coisas de Deus! Nunca deixou de rezar e de ter atos bondosos. Catarina sempre visitava a igreja para conversar com Jesus e para pedir a Maria que conservasse a sua alma pura. Catarina fazia mais do que rezar, ela também achava tempo para visitar os doentes e socorrer os pobres em suas necessidades. Catarina tinha um grande chamado que ardia em seu coração!

– Um chamado, padre? Mas quem a chamava? – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Era o próprio Deus que a chamava, minha filha, mas Catarina não sabia como, nem onde deveria estar para responder ao chamado de Deus. Porém, certa noite, Catarina sonhou que estava rezando na capela de Fain-lés-Moutiers. Então, um padre lhe apareceu, estava paramentado para celebrar a Santa Missa. Ele parecia um santo. Terminada a missa, o tal padre fez sinal de que queria conversar com Catarina. 

– O que ele queria falar com ela, padre? – novamente, perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Vejam só, meninas, Catarina ficou com medo e tratou de sair da igreja, nem deixou o padre dizer o que queria. Ao sair da igreja, Catarina se dirigiu à casa de um doente para uma visita. E adivinhem só o que aconteceu?

– Eu já sei! O tal padre chegou lá também para visitar o mesmo doente! – disse Maria-Sem-Vergonha.

– Quase isso, minha querida! Na realidade, o padre misterioso já estava lá quando Catarina chegou. Com muita ternura, ele lhe disse: “Minha filha, é muito bom cuidar dos doentes; agora tu foges de mim, mas um dia tu me procurarás e ficarás feliz por encontrar-me. O bom Deus tem desígnios sobre ti, não te esqueças!”.

– O que são “desigui”, “desino”, desígnios, padre? – perguntou Maria das Dores.

– São propósitos, intenções, minha filha. O bom Deus tinha alguma intenção muito boa para a vida de Catarina.

– O que Deus queria com ela, padre? – curiosa, Maria Vai Com As Outras perguntou.

– Queridas, Catarina era muito simples. Aos dezoito anos, ainda não sabia ler, nem escrever. Vivia mesmo para cuidar da casa, rezar e fazer caridade. Certa vez, indo para a Casa das Filhas da Caridade, em Châtillon-sur-Seine – as meninas caíram na gargalhada com o nome –, Catarina viu uma fotografia na parede da sala de visitas. Era o tal padre que ela tinha visto no sonho. Uma das irmãs lhe explica: “É o nosso pai, São Vicente de Paulo”.  Esse santo homem, São Vicente de Paulo, junto com Santa Luísa de Marillac, fundou a Congregação Religiosa Católica Filhas da Caridade, na qual as irmãs vivem em comunidade, servindo aos pobres nos hospitais, nas escolas e onde mais eles precisarem. Nesse momento, Catarina compreendeu o desígnio de Deus para a vida dela: ela seria uma Filha da Caridade.

– Puxa, que legal, padre! Tomara que um dia eu sonhe com alguém me dizendo o que fazer também! – suspirou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Deus tem muitas formas de falar com cada filho. Na hora certa, você saberá o que fazer! 

– Catarina foi embora de casa para viver como uma irmã, padre? – questionou Maria das Dores.

– De imediato, as coisas não foram tão simples assim. O pai de Catarina não deixou a filha sair de casa e ir para um convento. Catarina sofreu muito. Depois de um tempo, refletindo melhor, o pai dela acabou aceitando, pois era uma vocação verdadeira. Então, finalmente, no dia 21 de abril de 1830, Catarina entrou no noviciado das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

– Ah, padre, quantos nomes engraçados! – sorridente, disse Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. É preciso fazer biquinho para falar francês!

As meninas caíram na gargalhada!

– Mas a história não terminou. Três dias depois da chegada de Catarina ao noviciado, ela pôde participar de uma grande solenidade: o corpo de São Vicente de Paulo foi transferido da capela onde estava para outra capela, a dos Padres da Missão. Dias depois, Catarina passou a ir, com frequência, rezar na capela de São Vicente. Quando voltava para a Rue du Bac – risinhos não puderam ser evitados –, ela parou um instante diante de um relicário. Nesse relicário, estava o coração de São Vicente. Por três dias, o coração de São Vicente apareceu para Catarina como uma imagem. Primeiro, ele apareceu branco, simbolizando a paz e a união. Depois, vermelho-fogo, simbolizando a caridade que deve arder nos corações das duas congregações de São Vicente de Paulo. Por último, apareceu preto, como sinal das desgraças que cairiam sobre a França.

– Puxa, padre! Um coração que muda de cor! Eu queria que o meu ficasse rosa, amarelo e verde! – falou Maria-Sem-Vergonha, olhando para o próprio peito.

– Um coração rosa ficaria mesmo muito bonito em você! – disse o padre, achando graça na descontração das crianças, sem que elas percebessem o real significado de cada mensagem.

– Catarina viu mais alguma coisa, padre? – quis saber Maria das Dores.

– Viu sim, minha doce criança. Catarina viu Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar, durante todo o seu noviciado. Ela só não via Jesus nas vezes em que duvidava. Ela não duvidava de que era mesmo a presença de Jesus, ela duvidava de si mesma, pois não se achava digna de ver Jesus. Essa dúvida, queridas crianças, não devemos ter em nossos corações, pois Jesus tem um amor grande por cada um de nós. Ele não fica medindo nossos pecados. Ele quer estar perto de todos nós.

– E Maria, a mãe de Jesus e nossa, Catarina viu também? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Minha querida, esse era o maior desejo de Catarina: ver Nossa Senhora! Ela continuava pedindo! Eis que na noite de 18 para 19 de julho de 1830, véspera do dia de São Vicente de Paulo, Catarina teve a felicidade de ver Nossa Senhora pela primeira vez. Catarina contou que haviam distribuído um pedaço da veste sacerdotal de São Vicente de Paulo para as irmãs. Catarina cortou a metade do pedaço que recebeu e o engoliu. Então, Catarina foi dormir, pedindo a São Vicente que lhe concedesse a graça de ver Nossa Senhora. Todas as irmãs estavam dormindo, mas, às 11 horas e 30 minutos, Catarina ouviu alguém a chamando: “Irmã! Irmã!”. Ela acordou logo e viu um menino com roupa branca, ele era menor do que vocês. Ele disse a ela: “Venha à capela: a Santíssima Virgem te espera!”. Catarina levantou rapidamente, botou uma roupa e seguiu o menino. Catarina notou que por onde eles passavam, as luzes estavam acesas. Chegando na capela, o menino mal tocou a porta, e ela já se abriu. As velas também estavam todas acesas!

O menino, então, conduziu Catarina para perto de uma cadeira, a cadeira de braços do sacerdote. Catarina se ajoelhou, o menino avisou: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina ouviu um barulho, como se fosse alguém se aproximando com um vestido de seda. Logo, viu uma senhora sentando-se na cadeira ao seu lado. Ela parecia não acreditar no que via. O menino repetiu: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina, emocionada, se jogou aos pés de Nossa Senhora e apoiou as mãos sobre seus joelhos.

– E Nossa Senhora, além de aparecer, também disse alguma coisa para Catarina, padre? – curiosa, questionou Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. Foi o momento mais doce da vida de Catarina. Ela nem conseguia dizer tudo o que sentia. Nossa Senhora aconselhou Catarina a como se conduzir com seu diretor espiritual e muitas outras coisas mais. Mostrando, à sua esquerda, os pés do altar, Nossa Senhora disse: “Minha filha, o bom Deus quer confiar-lhe uma missão. Você sofrerá, será contestada, mas receberá a graça. Não tenha medo... Venha aos pés desse altar. Ali, as graças jorrarão sobre todas as pessoas que mais pedirem com confiança e fervor. As graças serão concedidas aos grandes e pequenos”.

Muitas outras coisas foram reveladas mais tarde, nem tudo era bom. Algumas desgraças viriam para a França e para o mundo inteiro. Nossa Senhora se preocupava também com os abusos e relaxamento nas comunidades de sacerdotes e freiras vicentinas. Mas o consolo viria: Nossa Senhora prometeu, nas horas trágicas, dar sua proteção especial aos filhos e filhas de São Vicente de Paulo.

– Nossa, padre! Eu ficaria com muito medo! – disse Maria das Dores.

– Não, querida, não é preciso ter medo. Devemos vigiar e orar constantemente. Devemos estar sempre atentos aos sinais que Deus e Nossa Senhora nos dão.

– Mais alguém viu Nossa Senhora junto com Catarina, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha querida, mas Nossa Senhora mandou que Catarina fizesse um pedido ao seu confessor, o padre Aladel. Ela desejava que ele fundasse uma Confraria das Filhas de Maria.

– Puxa, que legal! Nós três somos Marias, podíamos participar dessa confraria, não é padre?

– Certamente, minhas crianças! Vocês levariam muita alegria para um convento!

– O que mais Nossa Senhora disse, padre? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Depois disso, Nossa Senhora desapareceu, e aquele menino de veste branca – o anjo da guarda de Catarina -, levou-a de volta ao quarto.

– Nossa Senhora nunca mais voltou, padre? – reiterou Maria Vai Com As Outras.

– Voltou sim, minha querida! A segunda aparição de Nossa Senhora aconteceu num sábado, no dia 27 de novembro de 1830, às 5 horas e 30 minutos daquela tarde. 

– E Catarina estava no quarto de novo, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha filha. Era um pouco cedo para ela se recolher. Dessa vez, Catarina estava na capela, fazendo suas orações. De repente, ela ouviu aquele mesmo barulho, como se alguém com uma veste de seda se aproximasse. Então, Nossa Senhora apareceu vestida de seda branca. Estava linda! Vestia um véu, também branco, descendo até a barra do vestido.

– Ela devia estar parecendo uma linda noiva! – disse Maria das Dores.

– Sim, minha filha! Os pés de Nossa Senhora estavam apoiados sobre a metade de um globo e esmagavam uma serpente! As mãos dela estavam erguidas na altura do peito e seguravam um globo de ouro, com uma cruz em cima. Ela olhava para o céu! De repente, o globo desapareceu de suas mãos. Então, suas mãos se abaixaram. Catarina logo percebeu que Nossa Senhora trazia, em seus dedos, anéis cobertos de belíssimas pedras, umas grandes, outras menores. Dessas pedras, saiam raios de um brilho intenso! Brilhavam tanto, que o brilho saía dos dedos das mãos e chegava até os pés de Nossa Senhora.

– A serpente não picou Nossa Senhora, padre? – nervosa, perguntou Maria das Dores.

– Não, minha querida. Nossa Senhora é mais forte do que a serpente! A serpente, na verdade, representa o mal. Mas Nossa Senhora, com sua bondade e doçura, é maior do que qualquer mal e está sempre nos defendendo, basta que peçamos a intercessão dela!

– E o globo, padre, é a Terra? Na escola, a professora já mostrou um globo pra gente, mostrou até onde fica o nosso país! – argumentou Maria Vai Com As Outras.

– Sim, minha querida. Nossa Senhora explicou isso para Catarina: “Este globo que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que mais pedem”.

– Então, só temos que pedir, padre? – perguntou, animada, Maria-Sem-Vergonha.

– É exatamente isso, minha querida! Nossa Senhora quer que peçamos graças para ela. Só precisamos pedir e acreditar. Nossa mãe amada quis mostrar para Catarina o quanto ela é generosa para com as pessoas que lhe pedem graças e o quanto ela se alegra em conceder tais graças!

– Eu vou fazer uma lista de coisas para pedir! – exclamou Maria das Dores.

– Mas pense bem no que vai pedir, minha filha! Bom, continuando, formou-se, então, um quadro de forma oval em torno de Nossa Senhora! Nesse quadro, estava uma frase em letras de ouro: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Então, Catarina ouviu uma voz que disse: “Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todas as pessoas que a trouxerem consigo, usando-a em torno do pescoço, receberão grandes graças. Elas serão abundantes para todos que a usarem com confiança”. Depois de alguns instantes, o quadro se virou. Na parte de trás do quadro oval, Catarina viu a letra “M” com uma cruz em cima e dois corações embaixo. O coração da esquerda estava cercado de espinhos. O coração da direita estava transpassado por uma espada. Cercando todos esses elementos, havia doze estrelas distribuídas em forma oval. E, assim, terminou a segunda visita de Nossa Senhora a Catarina.

– De quem são os dois corações que Nossa Senhora queria na medalha, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

CONTINUA EM 08 DE JANEIRO DE 2020

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 *Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

 

dez 31

EDITORIAL DA SEMANA: “O SENHOR ESTEJA CONVOSCO”

O SENHOR ESTEJA CONVOSCO

 O QUE DESEJAR PARA O ANO NOVO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Ao final de todos os anos, nas proximidades do dia 31 de dezembro, temos o hábito de desejar “Feliz Ano Novo” para amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos e, dependendo do que bebemos, até para os cães da rua! É um verdadeiro festival de “Feliz Ano Novo” pra lá e pra cá, o tempo todo, o que dura alguns dias e, em muitos casos, pelo menos umas duas semanas.

Pois bem, ao fim e ao cabo de tudo isso, de toda esta “cultura” festiva, o que realmente fica gravado em nossas mentes e corações é o simples fato de que, de uma hora para outra, saímos de um ano determinado pelo calendário e entramos em outro, sempre com a fantástica expectativa de que, no embalo da passagem da meia-noite de um dia para o outro, tudo poderá ser muito melhor. Dessa forma, além do já falado “Feliz Ano Novo”, desejamos um coquetel de outras boas coisas, como saúde, paz, harmonia, dinheiro, amor, realizações, sucesso nos negócios e empreendimentos e tudo o mais que nos vem à memória em cada encontro durante os tais dias.

Entretanto, o que deveríamos desejar para nós mesmos e para cada um dos nossos semelhantes, próximos ou distantes, é uma maior e mais promissora vida com Deus, Senhor da vida e fonte de todas as benesses que, do fundo dos nossos corações, realmente, necessitamos e sabemos serem necessitados todos os seres vivos, sem exceção. Na liturgia católica ouvimos o sacerdote pronunciar o famoso “O Senhor esteja convosco”, e todos respondem a uma só voz, “Ele está no meio de nós”. É justamente este desejo e este voto que deveríamos destacar, não apenas na passagem do dia 31 de dezembro para o 1º de janeiro, mas, no raiar de todos os Sóis e na virada de todas as noites. Porque, desejar a presença do Senhor no meio de nós é, acima de tudo, desejar o bem maior para nós e para os nossos semelhantes.

Porém, se pararmos para uma análise fria dos acontecimentos, vamos perceber que poucos são os que, em verdade, valem-se da virada do ano para saldar e prestar culto à divindade, independentemente da profissão da fé expressada. Datas como, por exemplo, a Páscoa, o Natal e o Ano Novo há muito perderam o seu real significado e tornaram-se um dado estatístico relevante para que o capitalismo possa avaliar o seu desempenho, com a queda vertiginosa ou com a fantástica ascensão das vendas e dos lucros. Nas citadas épocas, efetivamente, o que desponta são os presentes, os assados, as bebidas, as reuniões em torno da mesa, do bar ou de casa, ou da churrasqueira sem que, sequer, o nome de Deus seja pronunciado.

Não posso deixar passar despercebido o seguinte fato: assistindo ao telejornal da tarde, do dia 30 de dezembro, a âncora da TV chama ao ar uma repórter para, ao vivo, entrevistar passageiros na Rodoviária Novo Rio (Rio de Janeiro), para investigar os preparativos de viagens de algumas famílias por ali acomodadas, aguardando a hora de seus embarques. Ao falar com uma família numerosa, logo, logo descobre que estão a caminho de cidade do interior de Minas Gerais; outra família, com seis ou sete membros, está aguardando a saída do ônibus para uma cidade situada em um estado nordestino. Depois de falar com mais uns dois ou três grupos de viajantes, a repórter dirige-se a uma senhora e pergunta para onde está indo: “para a cidade de Raposo, no interior do Rio de Janeiro”, diz a senhora. “Ah, que bom!” exclama a repórter que, não satisfeita, pergunta: “a senhora está indo com quem?”, e a senhora, humildemente responde: “Eu e Deus”. A repórter, achando a maior graça do mundo, admira-se da resposta e encaixa: “Ah, vai sozinha?”. Ou seja, ir com Deus é o mesmo que estar sozinha. Num primeiro momento, a gente até acha graça da estupidez. Mas, depois de certo tempo, é de se perceber que não se trata de estupidez não. Trata-se, na verdade, de culto à ignorância. Uma ignorância que impera no seio de muitas sociedades para as quais, Deus é uma questão íntima e pessoal, que não tem nada a ver com a coletividade.

Está distante de muitos de nós o conhecimento, e até mesmo a aceitação, de que não existe um Deus de Israel, dos palestinos, dos católicos ou dos evangélicos, mas, que, existe apenas um Deus da vida, que é o Deus de todos nós, a quem devemos estar sempre unidos e por quem devemos sempre clamar pela presença e pela ação, individual e coletiva.

Desta forma, se nos derradeiros dias de um ano, de qualquer ano, passássemos a dizer para cada um dos nossos amigos, parentes, colegas, vizinhos, ou até mesmo para os cães da rua, “O Senhor esteja contigo”, certamente estaríamos fazendo votos muito mais profundos, verdadeiros e eficazes porque não existe um bem maior do que Deus e, desejá-Lo, tanto para nós mesmos como para a vida dos nossos semelhantes é, mais do que qualquer outra expressão de felicidade, desejar todo o bem, de forma absoluta e plena, de onde decorre tudo o mais que, por convenção, repetidamente desejamos a cada final de ano.

É verdade que, nos dias de hoje, falar o nome de Deus significa pedir para ser rotulado e, por este razão, muitas pessoas preferem deixar Deus, vamos dizer, meio de lado, para não serem rotuladas disso ou daquilo. Mas, não devemos ter medo de rótulos e, se realmente amamos os nossos amigos, familiares, vizinhos, colegas e outros menos próximos, nada de melhor podemos lhes desejar que não seja a vivência com Deus e em Deus. Não existe melhor voto, ou melhor desejo para quem amamos do que este: “O Senhor esteja contigo” porque, de fato, Ele está no meio de nós.  E está no meio de nós, sem se importar com quem nós somos de verdade, com o que fazemos, pensamos ou falamos. Sem se importar se cremos Nele ou não, se temos religião ou não. Ele está no meio de nós porque, mais do que a tudo Ele nos ama de verdade.

Por tais razões, convido o leitor e a leitora para, se realmente ama seus amigos, familiares e pessoas mais próximas, mudar o discurso deste final de ano, deixando de ficar repetindo as mesmas palavras dos anos anteriores para, finalmente, fazer um grande e estupendo voto: “O Senhor esteja contigo!”

Eis o que desejo para ti no Ano Novo que se aproxima: “Que o Senhor esteja contigo” e que, assim, todas as dádivas e bençãos dos céus caiam sobre a tua cabeça e penetrem no fundo do teu ser, para que possas conhecer, em verdade e em realidade, a plena e abundante felicidade, de modo a que, talvez pela primeira vez na vida, possas perceber e usufruir a chegada de um verdadeiro Ano Novo, o Ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

dez 28

ESPECIAL DE NATAL: NASCEU MAIS UM FRANCISCO

UM NOVO FRANCISCO

CADA ÉPOCA TEM O SEU PRÓPRIO FRANCISCO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Eu não sei dizer de onde vem o nome “Francisco”, qual é a raiz etimológica nem qual o verdadeiro significado do nome, mas, para nós, católicos, o nome “Francisco” sempre nos remete ao Pobre de Assis que, com seu jeito simples e humilde, extraordinariamente apaixonado por Jesus, deixou-nos o carisma preservado por seus seguidores, espalhados pelo mundo todo, nas diversas ordens franciscanas que existem.

Coincidência ou não, nossas experiências com pessoas com esse nome são bastante positivas. Quem não conhece um Francisco? Um seu Francisco? Ou, como no meu caso, até uma Francisca? São pessoas que, impreterivelmente, não apenas remetem-nos ao Francisco de Assis, mas que, quase sempre, vivem de forma bastante semelhante ao filho mais famoso da histórica cidade de Assis, na Itália.

Nestes últimos anos temos vivido, de forma global, a experiência bastante positiva com o Papa Francisco, que chegou entre nós em meio a discórdias, dúvidas, erros e porque não dizer, até mesmo uma certa tristeza em decorrência direta de tudo o que passava no interior da Igreja de Roma naqueles dias difíceis. Pois o Papa Francisco, que adotou este nome com o propósito de fazer-se pobre com os pobres e humilde com os humildes, tem sido para o mundo civilizado uma das pouquíssimas vozes sensatas e coerentes com a mensagem do Evangelho de Cristo. De fato, o Papa Francisco, onde reinava a discórdia, procurou levar a união; onde pairavam sérias e consistentes dúvidas, levou a fé; onde dominava o erro, procurou lançar luzes sobre a verdade e, em meio à tristeza, lutou, e tem lutado, pela prevalência da alegria.

Pois bem, nestes últimos dias de dezembro de 2019, eis que chega ao mundo um novo Francisco, filho do casal Robson e Carolina que, atualmente, residem em Juiz de Fora-MG. Por tudo o que foi dito acima acerca das particularidades e singularidades que envolvem todos os “Franciscos”, é de se supor, e dispensa maiores comentários, que os pais de Francisco são o fruto bom do qual brota mais uma semente que, certamente, florirá diante de um mundo tão caótico quanto sempre foi, mas que sempre acolhe todos os enviados pelo Altíssimo, sempre com a redobrada esperança de que, com quem chega, tudo será muito melhor.

Este “novo” Francisco, porém, chega trazendo não apenas a força genética humana, mas, e, sobretudo, a força genética de uma espiritualidade cuja origem remonta ao nascimento de Francisco de Assis. De Francisco, deste mesmo que está chegando ao mundo, espera-se que viva no amor, no perdão, na união, na fé, na verdade, na esperança, na alegria e na luz, consolando seus pais e irmãos, em sentido amplo; compreendendo mais do que sendo compreendido; amando mais do que será amado; dando mais do que receberá e perdoando mais do que poderá ser perdoado, de modo que, para ele, a vida seja sempre eterna, independentemente do plano em que esteja inserido.

Deste novo Francisco espera-se, ainda com mais pujança, uma vida repleta de civilidade, de respeito, de amor, de tolerância, de humildade, de seriedade, de responsabilidade, todos, atributos dos quais o mundo está altamente carente. Principalmente, este mundo das primeiras décadas do século XXI. Que o Francisco que está chegando entre nós, quase mil anos depois do Francisco de Assis, e, independentemente do mundo que encontrará, carregue na alma o carisma, a força e o vigor daquele que, um dia, despiu-se de todas as mazelas do mundo para viver o Evangelho de Cristo em toda a sua radicalidade.

Sabendo de todas as virtudes que certamente coroarão a vida deste nosso “novo” Francisco, só me resta recordar aos pais a imensurável graça de terem sido escolhidos como guardiões, assim como Maria e José, do menino que vem para se destacar entre seus contemporâneos. Um menino que, a exemplo daquele cujo nascimento acabamos de celebrar no Natal, viva em função de toda a herança genética e espiritual da qual é digno herdeiro.

Que o pequeno Francisco, ao abrir os olhos pela primeira vez, lance muita luz ao seu redor e que, em seu primeiro sorriso, consiga atingir todas as mentes e todos os corações que o circundarem, de modo a que, dele, emanem todas as virtudes que somente Deus, em toda a sua glória, pode dispensar a nós, pobres mortais.

Seja bem-vindo Francisco e que, quando for um sexagenário como eu, você abra as portas para os novos Franciscos que por aqui chegarão, também, porque, consoante o título deste texto, “cada época tem o seu próprio Francisco”. Que seja sussurrada para Francisco esta linda e profética oração:

“Onde houver ódio, que você leve o amor. Onde houver ofensa, que você leve o perdão. Onde houver discórdia, que você leve a união. Onde houver dúvidas, que você leve a fé. Onde houver erro, que você leve a verdade. Onde houver desespero, que você leve a esperança. Onde houver tristeza, que você leve a alegria. Onde houver trevas, que você leve a luz.

Ó Mestre, fazei que este nosso Francisco procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo, que se vive para a vida eterna.”

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

dez 25

HOJE NASCEU PARA A NÓS A SALVAÇÃO! HOSANA NO MAIS ALTO DOS CÉUS

DIA DO NATAL

MISSA DO NATAL DO SENHOR – 25/12/2019

1Mas tu, Belém-Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.2Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.3Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra. 4E assim será a paz.” (Mq 5, 1-4)

PRIMEIRA LEITURA:

LEITURA DO LIVRO DO PROFETA ISAÍAS – (Is 52,7-10) –

7Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: “Reina teu Deus!” 8Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião. 9Alegrai-vos e exultai ao mesmo tempo, ó ruínas de Jerusalém; o Senhor consolou seu povo e resgatou Jerusalém. 10O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus.     

– Palavra do Senhor.     

– Graças a Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 97(98)

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. 

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

2. O Senhor fez conhecer a salvação, / e às nações, sua justiça; / recordou o seu amor sempre fiel / pela casa de Israel. 

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

3. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus. / Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / alegrai-vos e exultai! 

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

4. Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa / e da cítara suave! / Aclamai, com os clarins e as trombetas, / ao Senhor, o nosso rei!

R. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

SEGUNDA LEITURA:

LEITURA DA CARTA AOS HEBREUS – (Hb 1,1-6)

1Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus outrora aos nossos pais pelos profetas; 2nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo. 3Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. 4Ele foi colocado tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles. 5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”? Ou ainda: “Eu serei para ele um Pai, e ele será para mim um filho”? 6Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo, Deus diz: “Todos os anjos devem adorá-lo!”.    

 – Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Jo 1,1-18 ou 1-5.9-14

O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São João.

— Glória a vós, Senhor.

[1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.] 6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9daquele que [era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10A Palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela –, mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12Mas, a todos os que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade.] 15Dele João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim”. 16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18A Deus ninguém jamais viu. Mas o unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.                

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor. 

“Desejamos a todos os nossos leitores e leitoras um Feliz Natal, cheio de todas as bençãos dos céus. Que o menino-Deus esteja em cada lar, em cada coração e cada vida e que a Luz de Belém brilhe nas vidas de todos nós”

 

RETORNAREMOS COM NOSSAS PUBLICAÇÕES A PARTIR DE 01 FEVEREIRO DE 2020

dez 25

ROSAS PARA MARIA – PARTE V

ROSAS PARA MARIA

 ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE V -

– Meu amor, você estava presente quando eu expliquei. Um bilhete também foi enviado para casa. Você é uma menina tão inteligente, tão esperta, deveria confiar mais em si mesma. Não dê ouvidos para o que os outros dizem. Você é capaz de entender as coisas, é capaz de fazer suas próprias escolhas! Acredite!

Maria Vai Com As Outras saiu pensativa da conversa. De fato, aquela festa tinha sido uma lição e tanto! Mas parecia não ter sido a última...

Na casa de Maria Vai Com As Outras, sua mãe apreciava introduzir novos alimentos nos pratos das filhas. Ela prezava por uma alimentação saudável!

Era um sábado ensolarado, a mesa do almoço já estava posta. Nela, três novos alimentos para as meninas explorarem: brócolis, beterraba e jiló.

– Eu já provei os três anos atrás e não quero saber deles. Estou fora! Vou almoçar na casa da Gabi! – esbravejou Cris, a filha mais velha.

– Ah, mas não vai mesmo! Volte aqui, mocinha! Como você já experimentou os três, comerá um pouquinho de cada um! Quero ver o seu prato bem colorido!

Emburrada, Cris não teve opção. Tratou de voltar à mesa.

– Vamos lá, filhas! Agora é a vez de vocês. Cada uma pode escolher um alimento para provar!

Maria Vai Com As Outras esticou a mão para pegar a beterraba que estava cortada em rodelas na vasilha. Mas Cris logo advertiu:

– Eca! Você vai provar essa coisa? Parece que ela está sangrando, veja essa água vermelha saindo dela!

Maria Vai Com As Outras, por um minuto, se apavorou! Decidiu, então, provar os brócolis, afinal eles eram bonitos, pareciam pequenas árvores! Foi quando sua irmã caçula gritou:

– Você vai comer essa arvorezinha? Deve ser horrível! Das árvores, eu só como as frutas e só as docinhas!

Confusa, Maria Vai Com As Outras desistiu também dos brócolis. Sua mãe, perdendo a paciência com a enrolação das filhas, disse logo:

– Vamos já com isso! Cris, eu quero ver os três no seu prato! Mel, escolha um para provar! Maria Vai Com As Outras, faça o mesmo!

Pressionada, Maria Vai Com As Outras pegou rapidamente o jiló e o provou. Era amargo! Uma grande careta foi inevitável!

– Muito bem, minha filha. É assim que a gente treina o paladar! Por vezes, fazendo careta! Você havia escolhido a beterraba em primeiro lugar, ela é doce, prepararia o seu paladar para que, depois, você provasse os outros alimentos. Mas você preferiu seguir o que diziam as suas irmãs e, assim, provou do amargo em primeiro lugar. Da próxima vez, siga o seu próprio desejo e saboreie a vida do seu jeitinho!

Maria Vai Com As Outras parecia não aprender com as próprias experiências!

No recreio da escola, adorava brincar de pular corda, ora segurando a corda de um lado, ora pulando. E era boa, muito boa em pular corda!

O sino para o recreio tocou! A correria foi total! Já no pátio da escola, as opções de brincadeiras eram muitas. Maria Vai Com As Outras alcançou a corda e saiu convidando seus amigos para pularem com ela:

– Depois a gente pula corda. Vamos brincar de amarelinha agora!

– Está bem, eu vou. Mas depois vamos pular corda, não é?

– Vamos sim!

As meninas pulavam amarelinha entretidas, quando outra amiguinha chegou, convidando para brincar de boneca.

– Vamos, Maria Vai Com As Outras, depois continuamos a amarelinha!

– Mas você prometeu que, depois da amarelinha, nós iríamos pular corda.

– As bonecas são mais legais! Depois pulamos corda, vamos!

E lá se foi Maria Vai Com As Outras brincar de boneca, ainda com a corda na mão. Ao cansarem da brincadeira, Maria Vai Com As Outras disse:

– Agora, vamos pular corda! Vai ser divertido!

– Que nada! Divertido é brincar de gangorra! Vamos!

E, assim, Maria Vai Com As Outras passava seus dias. Sua voz era facilmente calada e seus desejos negligenciados. Não que os outros tivessem, realmente, alguma culpa quanto a isso. Era ela que não se ouvia. Era ela que, mesmo quando sabia o que queria, achava que não sabia.

 Em busca da quarta Maria:

 Agora que as três Marias já foram muito bem apresentadas, cada qual com sua peculiaridade, chegou a hora de sabermos como decorrem os acontecimentos que as mantêm unidas!

É dia de sol, borboletas coloridas dançam pelo ar, bem na frente da casa de Maria-Sem-Vergonha. E como ela não tem vergonha de coisa alguma, decide ir bailar com as borboletas nos jardins de toda a vizinhança!

Bem próximo dali, também faz o mesmo dia de sol, mas Maria das Dores não enxerga as borboletas coloridas. Ela prefere regar as flores do quintal com suas lágrimas de lamentação. E como ela lamenta! Lamenta o que aconteceu e lamenta o que poderia ter acontecido e não aconteceu.

Passeando por essa região, lá vem Maria Vai Com As Outras. E ela vai mesmo! De longe, avista Maria das Dores e, contente, vai ao seu encontro. Mas a alegria dura pouco, tão logo percebe o chororô de Maria das Dores, começa a chorar também!

Em meio a tanto pranto, elas avistam Maria-Sem-Vergonha dando piruetas pelo ar, bailando às gargalhadas, feito uma borboleta que acabou de descobrir que não é mais uma lagarta! Maria-Sem-Vergonha se aproxima e, num instante, contagia Maria Vai Com As Outras, que se junta a ela numa dança feliz, sob o sol do dia! Maria das Dores intensifica o seu choro ao ver tanta alegria! Maria Vai Com As Outras se reveza entre o chororô e o sacolejar de um baile com borboletas!

As três Marias crescem juntas e aprendem a sonhar juntas também! Apesar de não estudarem na mesma escola, elas passam bastante tempo juntas, pois frequentam a mesma comunidade de fé. Entre uma brincadeira e outra no pátio da igreja, as três vão crescendo em amor, amizade e graça!

Maria-Sem-Vergonha tem o desejo de se tornar artista. Ela quer cantar, dançar, passar a vida encantando as pessoas com sua arte!

Maria das Dores quer mesmo é viver de lágrimas, mas não mais de lamentações. Quer arrancar das pessoas lágrimas de emoção e de felicidade com suas poesias!

Já Maria Vai Com As Outras, esta não sabe muito bem o que quer. Ora se deslumbra com o desejo de ser artista de Maria-Sem-Vergonha, ora deseja arranjar rimas para as poesias de Maria das Dores. Ela ainda precisa descobrir o que fala alto dentro do seu próprio coração!

Bem próximo à cidadezinha onde as três Marias habitam, há uma vila onde se ostenta uma simples, mas bela igrejinha no alto da colina. É um lugar de peregrinação para os devotos de Nossa Senhora das Graças.

Quando as três Marias ouviram os relatos e a história de Nossa Senhora das Graças, ficaram absolutamente encantadas e emocionadas! Desejaram, com todo o fervor, os raios graciosos dessa Senhora que, como elas, também se chama Maria. Maria das Graças!

As férias estavam se aproximando! As três Marias iam muito bem na escola, não ficariam de recuperação, o que significa que, logo, terão dias livres para brincar e, quem sabe, até para fazer uma peregrinação!

As três Marias, ansiosas, aguardavam as férias e, enquanto esperavam, buscavam saber mais sobre Maria das Graças, a Mãe do Menino Jesus e de todos nós. Elas foram juntas até a igreja mais próxima, a comunidade onde frequentam, e pediram ao sacerdote que lhes contasse a história de Maria das Graças.

Sorridente, o sacerdote disse:

– Que maravilha é ver três crianças juntas, tendo gosto em saber sobre as coisas do alto!

– Coisas do alto, padre? Mas eu tenho medo de altura! – exclamou Maria das Dores.

– Minha querida, as coisas do alto são as coisas de Deus! E elas estão dentro do coração de cada um. Você não precisa temer as coisas de Deus, pois Deus é amor!

Maria das Dores, aliviada, deu um suspiro!

– Bem, vocês querem saber mais sobre Nossa Senhora das Graças, não é mesmo?

– Sim, padre. Como nós, ela também se chama Maria, Maria das Graças! Queremos saber tudo sobre ela! – disse Maria-Sem-Vergonha.

O sacerdote olhou bem nos olhos de Maria Vai Com As Outras, dizendo:

– Minha filha, você está tão quietinha! Você também tem curiosidade em saber quem é Maria das Graças?

– Sim, padre. Se minhas amigas querem saber, eu também quero!

– Muito bem, então vamos lá! Para vocês entenderem quem é Maria das Graças, precisam, antes, conhecer uma mocinha chamada Catarina Labouré.

– Catarina o quê, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha entre risadas.

– Labouré! Mas não se preocupem com o sobrenome, crianças! Catarina era francesa, não falava a mesma língua que nós falamos.

– Puxa, que legal, padre! Catarina era filha de Maria das Graças? – continuou Maria-Sem-Vergonha.

Maria das Dores logo exclamou:

– Claro que não! Maria das Graças é mãe de Jesus! Só de Jesus, não é padre?

– Sim, Maria das Graças é mãe de Jesus! Mas a mãe de Jesus também é a mãe de todos nós!

Confusa, Maria Vai Com As Outras decide perguntar:

– Como ela pode ser a mãe de todos nós, se nós já temos as nossas mães?

– É verdade, todos nós nascemos de uma mãe. Cada um tem a sua. Só os irmãos têm a mesma mãe. Mas há algo muito especial que preciso contar a vocês! Todos nós temos a mesma mãe no céu e dentro dos nossos corações! Jesus, quando estava morrendo na cruz, deixou a mãe dele para nós. Maria, a mãe de Jesus, é também a nossa mãe! Nós podemos falar com ela sempre que quisermos.

– Podemos, padre? Mas como ela poderá nos ouvir? – perguntou Maria das Dores.

– É muito simples, minha querida. Uma oração é sempre uma conversa. Nós podemos conversar com Maria através das nossas orações.

– Mas como ela irá nos responder? – indagou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Maria nos dá muitos sinais! Ela nos responde através da voz que sai dos nossos próprios corações. Ela também pode nos falar por meio de outras pessoas que chegam para nos dizer exatamente aquilo que precisamos ouvir. São muitos os sinais!

– E Catarina sabia que Maria das Graças também era sua mãe? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– É justamente essa história que eu quero contar para vocês. No dia 2 de maio de 1806, nasceu Catarina Labouré!

– Padre, padre! Eu nasci no mesmo dia que ela! – exclamou Maria Vai Com As Outras.

– Só não nasceu no mesmo ano, não é? Senão, você estaria aqui, conversando com a gente em forma de caveira! – disse Maria-Sem-Vergonha às gargalhadas.

Nem o padre pôde deixar de rir. Até mesmo Maria das Dores esboçou um sorriso.

– Mas vocês me deixarão contar a história ou não?

– Sim, padre! – responderam as três meninas em coro.

– Pois muito bem, continuemos. Vou dizer um nome difícil aqui, mas não é para vocês me questionarem, pois eu já disse que Catarina era francesa e a língua francesa não é como o nosso português! Catarina nasceu em Fain-lès-Moutiers, aldeia de Borgonha, na França. Catarina vivia uma vida simples no campo, junto de seus pais e de seus irmãos. Seus pais eram cristãos muito dedicados, amavam a vida simples que levavam e realizavam seu trabalho com grande alegria. Quando Catarina tinha nove anos – apenas um ano a mais do que vocês três –, sua mãe morreu.

Imediatamente, Maria das Dores pôs-se a chorar copiosamente. Maria Vai Com As Outras chorou também. Maria-Sem-Vergonha abriu o berreiro, sem vergonha alguma! O sacerdote não sabia o que fazer para conter todas aquelas lágrimas. Foi, então, que ele interrompeu o choro, dizendo:

– Acalmem-se, meninas! Eu sei que é triste perder a mãe, sobretudo quando se é tão jovem, mas não se preocupem tanto, pois Catarina encontrou uma mãe eterna!

– Uma mãe eterna? – perguntou Maria das Dores.

– Sim, uma mãe eterna! Catarina, olhando para uma imagem de Nossa Senhora, subiu em uma cadeira para poder alcançá-la e, chorando, disse: “Agora, tu serás minha mamãe”.

As três Marias, ainda com lágrimas em seus rostos, pareciam se animar com a presença dessa mãe.

CONTINUA EM 01 DE JANEIRO DE 2020

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

dez 25

REFLETINDO SOBRE O NATAL: FREI LUDOVICO GARMUS

NATAL DO SENHOR

NATAL DO SENHOR – A PALAVRA SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 52,7-10

Os confins da terra contemplaram

a salvação que vem do nosso Deus.

Os reis de Israel e de Judá não conseguiram trazer a salvação ao povo. Em consequência, o reino de Israel foi destruído pelos assírios e boa parte de sua população, levada para o exílio, ao norte da Assíria (772 a.C.). O mesmo aconteceu entre 597 e 585 a.C., com o reino de Judá, cuja população foi levada ao exílio pelo novo dominador, o rei de Babilônia. Os profetas Jeremias, Ezequiel e os autores deuteronomistas interpretam o dramático fim dos reinos de Israel e de Judá, como punição divina pelas infidelidades e crimes cometidos pelos governantes dos dois reinos. Passada uma geração no exílio, os discípulos do profeta Isaías, à luz da fé em Javé, Deus de Israel e de Judá, lêem os novos acontecimentos políticos de seu tempo: O domínio dos babilônios agonizava e um novo domínio surgia, o do Império persa. Estes profetas erguem então sua voz, em meio ao desânimo dos exilados, e levantam a bandeira da esperança. Agora, nosso Deus vai por um fim à dominação de Babilônia. Ciro, rei dos persas, será o instrumento nas mãos de Deus para punir os cruéis babilônios e executar o seu plano de salvação. Deus mesmo vai consolar o seu povo sofredor. Vai trazer seu povo de volta à sua terra e as ruínas de Jerusalém serão reconstruídas. Então, todas as nações saberão que “a salvação vem do nosso Deus”.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 97

Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.

2. SEGUNDA LEITURA: Hb 1,1-6

Deus falou-nos por meio de seu Filho.

Na revelação cristã, Deus não é um ser solitário. Deus é comunhão de três pessoas: Pai, filho e Espírito santo. Deus é Amor. É Amor que se comunica “dentro de si” mesmo. Deus é Amor que se expande para “fora” de si mesmo, enquanto cria o universo, cria todos os seres vivos de nosso planeta Terra. Cria o ser humano à sua imagem e semelhança, comunica-se com ele e o convida a entrar na comunhão de seu amor. No passado – diz o autor da Carta aos Hebreus – Deus se comunicava com seu povo por meio dos profetas. Por meio deles exortava o povo à fidelidade, à conversão e lhe anunciava a salvação. Agora, Deus se comunica conosco por meio de seu Filho, o herdeiro de todas as coisas, o criador do universo e o esplendor de sua glória. Pelo poder de sua palavra sustenta o universo e nos purifica dos pecados. Como filho de Deus, o cristão deve ser o reflexo de Cristo, que é “o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser” (v. 3). Em Jesus Cristo cumpre-se a promessa feita a Davi: “Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um filho” (2Sm 7,14). O Filho de Deus, ao assumir no seio da Virgem Maria a “carne” humana, tornou-se nosso irmão. O autor de Hebreus afirma isso muito bem: “Por isso, Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos” (2,11). Que maravilha! Deus que nos criou se fez nosso irmão! Vinde, adoremos!

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Despontou o santo dia para nós: Ó nações, vinde adorar o Senhor Deus, porque hoje grande luz brilhou na terra!

3. EVANGELHO: Jo 1,1-18

A Palavra se fez carne e habitou entre nós.

Deus é Amor, é comunicação. No passado Deus se comunicava com seu povo pelos profetas. Agora se comunica conosco pelo seu próprio Filho, a Palavra feita carne. A Palavra, no princípio, estava junto de Deus (v. 1-2), era o próprio Deus, que é amor-comunicação. Deus, que é amor-comunicação, se expande para “fora” de si mesmo como criador do universo. Por Jesus, a Palavra feita carne, tudo foi feito (v. 3) e agora são dadas a graça e a verdade (v. 17). Na Palavra estava a vida e a vida era a luz dos homens, luz que brilha em meio às trevas (v. 4-5).

Ela é a Luz que veio a este mundo. Há os que rejeitaram esta Luz (v. 5.9-11). Mas a nós que cremos e a recebemos, nos é dada a plenitude da graça (v. 16), nos é dado o poder de nos tornarmos filhos de Deus (v. 12). Tudo aconteceu porque a Palavra, o Filho de Deus, “se fez carne e habitou entre nós” (v. 14). Louvemos a nosso Deus que assumiu a fragilidade de nossa carne, para fazer em nós a sua morada!

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

dez 24

LEIA A BÍBLIA TODOS OS DIAS: LEITURAS SUGERIDAS PARA HOJE

NATAL - PREPARAÇÃO - 2

MISSA DA NOITE DE NATAL – 24/12/2019

1Mas tu, Belém-Éfrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado.2Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.3Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra. 4E assim será a paz.” (Mq 5, 1-4)

PRIMEIRA LEITURA:

LEITURA DO LIVRO DO PROFETA ISAÍAS – (Is 9,1-6) –

1O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. 2Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. 3Pois o jugo que oprimia o povo – a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais –, tu os abateste como na jornada de Madiã. 4Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas. 5Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. 6Grande será o seu reino, e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar, em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar essas coisas.   

– Palavra do Senhor.     

– Graças a Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 95(96)

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! / Cantai e bendizei seu santo nome! 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

2. Dia após dia anunciai sua salvação, † manifestai a sua glória entre as nações / e, entre os povos do universo, seus prodígios! 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

3. O céu se rejubile e exulte a terra, / aplauda o mar com o que vive em suas águas; / os campos com seus frutos rejubilem, / e exultem as florestas e as matas. 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

4. Na presença do Senhor, pois ele vem, / porque vem para julgar a terra inteira. / Governará o mundo todo com justiça, / e os povos julgará com lealdade. 

R. Hoje nasceu para nós / o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

SEGUNDA LEITURA:

LEITURA DA CARTA DE SÃO PAULO A TITO – (Tt 2,11-14)

Caríssimo, 11a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação para todos os homens. 12Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, 13aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e salvador, Jesus Cristo. 14Ele se entregou por nós para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem.    

 – Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Lc 2,1-14

O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

1Aconteceu que, naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra. 2Esse primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. 3Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade natal. 4Por ser da família e descendência de Davi, José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, 5para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. 6Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, 7e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria. 8Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho. 9Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. 10O anjo, porém, disse aos pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: 11hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. 13E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da coorte celeste. Cantavam louvores a Deus, dizendo: 14“Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.                

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor.

 

FONTE:   https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/

dez 23

EDITORIAL DA SEMANA: DECLARAR-SE COMO FILHO DE DEUS, SIGNIFICA SER DESPREZADO E ESQUECIDO NA FILA

FILHOS E FILHAS DE DEUS

SER FILHO DE DEUS, NUNCA FOI SINAL DE PRESTÍGIO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Jesus veio ao mundo, em primeiro lugar, como o Deus encarnado, dada a sua natureza eminentemente divina. Em segundo lugar, como o Filho do Deus vivo, na condição de segunda pessoa da Trindade e, por último, como verdadeiro homem, em razão da sua natureza, também, eminentemente humana. Aqui, porém, entre nós, Jesus nunca fez questão de dar qualquer relevo à natureza divina, mas, sim, e, acima de tudo, à condição de Filho de Deus ou, como preferia em muitas situações, a de Filho do Homem.

Entretanto, a leitura dos Evangelhos não deixa qualquer dúvida sobre o fato de que Jesus, na condição de filho de Deus, antes de angariar para si qualquer prestígio, fama ou glória, atraiu, sim, o ódio, a inveja, o despeito, a perseguição e, por último, a prisão, a condenação e a infame morte na cruz. Em uma sociedade judaica, que presava pelo zelo à Torá e ao culto exclusivo ao Deus de Israel, parece incrível, mas, é preciso admitir que, mesmo diante do Filho de Deus e de todas as obras que Ele operou, preferiu prendê-lo, condená-lo e matá-lo, antes de a Ele acolher com extremo amor, carinho e, por que não dizer, gratidão, ante o prêmio divino aos homens de todos os tempos e, especialmente, àqueles aos quais foi permitido ver, ouvir, falar e tocar no Mestre divino.

Ou seja, apresentar-se como filho do Altíssimo não tem significado algum perante os homens. Ora, se alguém pensa que hoje seria diferente, está redondamente enganado, porque, assim como nos dias de Pôncio Pilatos e de Caifás, respectivamente, governador da Judeia e sumo sacerdote, ainda hoje, apresentar-se como filho ou filha de Deus não tem qualquer relevância. Se, no caso de Jesus, ser filho de Deus levou-O à cruz, nos dias atuais, costuma levar à total indiferença, ao absoluto desprezo ou mesmo ao manicômio, porque, se a pessoa insistir muito na afirmação de que é, sim, filha de Deus, acabará passando por fanática religiosa, extremista, alienada e, por fim, por louca mesmo.

Não se cometa a insanidade de acreditar que as referidas exclusões denunciadas acima, são cometidas pelo povo em geral. Aquele povo que, no fundo, no fundo, desconhece até mesmo as Sagradas Escrituras. Não, não é assim! As exclusões a que nos referimos, direcionadas aos assim autoproclamados “filhos de Deus”, partem, da mesma forma como ocorrida no tempo de Jesus, de autoridades civis, eclesiásticas e pastorais. Da mesma forma como Caifás sentiu-se desprestigiado diante de um Jesus que afirmava ser o Filho do Altíssimo, inúmeros pregadores de hoje, ficam arrepiados ao ouvirem da boca do interlocutor a mesma afirmação feita por Jesus. Não se deverá aqui, declinar nomes, até porque, apesar da crucifixão já ter sido abolida entre nós, existem meios para punir severamente os que ousam apontar o dedo para os Pilatos e para os Caifás de hoje. Mas o fato é que eu, pessoalmente, conheço, por experiência própria, alguns destes Pilatos e Caifás.

Ora, se levarmos em consideração os preparativos regiamente organizados todos os anos, para celebrar o nascimento de Jesus, como o “Filho de Deus, que veio habitar no meio de nós”, entrando em casas, mentes e corações, assim como todas as pregações para que nós, de forma fraternal e solidária, nos aproximemos Daquele que veio trazer-nos a face do próprio Deus, com a afirmação de que somos irmãos do Menino Jesus, então, temos, todos, o mesmo privilégio e, como tais, deveríamos ser tratados com o maior respeito.

Não é, porém, o que acontece! Jesus mesmo, sobre os que matam a fome, a sede, a doença, vestem e visitam qualquer um dos necessitados,  declarou que “todas as vezes em que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40), deixando evidenciado que, se somos seus irmãos, é porque somos, também, filhos do mesmo Pai, embora, por adoção. Mas nem assim! Hoje em dia, ao menos no Brasil, o instituto da adoção é rigidamente respeitado até para o caso dos animais! Porém, os filhos adotivos de Deus, não têm qualquer reconhecimento. São, mesmo, considerados loucos, fanáticos, alienados e desprezíveis, dentre outros adjetivos.

Bem, se é assim, somente a uma conclusão somos levados: os discursos do Natal, nada mais são do que palavras vazias e desprovidas de sentido! Porque, se no dia 26 de dezembro, alguém precisar de socorro, material ou mesmo espiritual, apresentando-se à autoridade civil ou religiosa como filho ou filha de Deus e, portanto, irmão do Jesus que acabara de nascer, será impreterivelmente ignorado ou ignorada.

O prezado leitor e a prezada leitora não precisam levar este texto a sério, nele acreditando no primeiro momento. É fundamental que, a título de experiência, observe todos os ambientes e todas as situações que passarão diante de si, no curso do Ano Novo que está chegando. Apresente-se para uma audiência com uma alta autoridade eclesiástica, por exemplo, e faça constar sua condição de filho ou de filha de Deus, para ver se a referida autoridade te concederá qualquer preferência ou maior atenção do que concederia a um grande capitalista desejoso de fazer uma significativa doação financeira. Posso te assegurar que o capitalista passará a sua frente e que você, muito provavelmente, ficará durante meses aguardando para ser chamado(a) para a tal audiência. Isto só não ocorrerá, se você for amigo ou amiga da referida autoridade, ou mesmo se se valer da intervenção de pessoa altamente conceituada pela mesma. Caso contrário, meu amigo, minha amiga, você terá a triste confirmação de que apresentar-se como filho ou filha do Altíssimo, será motivo de desprezo ainda maior, e sabe por que?

Porque Caifás pensava que ele, na condição de Sumo Sacerdote, era o interlocutor por excelência do Deus de Israel. E o mesmo acontece nos dias de hoje: muitas autoridades, civis e, principalmente, religiosas e eclesiásticas, muitos pregadores dominicais, assim como inúmeros líderes de movimentos igrejeiros, acreditam piamente que, em razão da sua proeminência mundana, serão preferidos por Deus, em detrimento daqueles a quem Jesus chama de “meus irmãos mais pequeninos”.

Entretanto, e apesar de tudo o que está dito acima, é bom manter acesa no coração a certeza de que, se somos chamados de “irmãos” por Jesus, é porque somos, realmente, filhos e filhas de Deus que, como Pai bondoso e misericordioso que é, jamais deixará de nos receber, de nos ouvir e de nos atender em todas as nossas aflições, porque, para Deus, não importa quem somos, mas, sim, o que somos: seus filhos e filhas muito amados. Se, para os homens, o fato de sermos filhos e filhas de Deus não tem qualquer importância, relevância ou significado, para o Altíssimo não é assim. Tanto que, na completude do tempo, enviou ao mundo o seu Unigênito para que, todo o que Nele crer seja salvo.

Acredite nisto, meu irmão, minha irmã no Cristo Jesus. Acredite nisto e saiba que, todos nós que cremos, independentemente de quem quer que possamos ser, fazemos ou pensamos, somos, acima de tudo, filhos e filhas do mesmo Pai que, como tal, está sempre atento e pronto para nos acolher, nos perdoar e para nos possibilitar uma vida sempre renovada e muito melhor.

Que neste Natal, mais do que qualquer outra coisa, consigamos voltar nosso coração e nosso espírito para a manjedoura, olhando aquele pequenino ser, como nosso grande irmão. O irmão que nos salva e nos dá coragem. O irmão que, sendo o Unigênito, sempre nos leva à presença do Pai, que olha para cada um de nós com extrema afeição, carinho e amor. Pense sobre isto, reflita e, diante do seu presépio, real ou imaginário, converse com o seu, o meu, o nosso Pai. Que o seu Natal seja grandioso e repleto de consolos e de felicidades, porque o Menino que acaba de nascer é nosso irmão, e veio para nos levar direto ao Pai, ao nosso Pai! Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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