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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: MEMÓRIA DO BLOG

set 16

EDITORIAL DA SEMANA: A FORÇA E O PODER DOS PENSAMENTOS

CAOS INTERIOR

OS PENSAMENTOS, COMO  FONTES DO CAOS INTERIOR –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Parece missão impossível, o pedido para que alguém, por um instante que seja, pare de pensar. O mundo agitado no qual estamos inseridos é palco no qual os movimentos, internos e externos, fazem parte de todo o arranjo que, regido por mãos invisíveis, faz o ponteiro do tempo girar sem parar, e sem recuar.

Externamente existe todo um conjunto de atividades, diretas ou indiretas, que nos obriga a estarmos em constante movimento. Andamos, corremos, fazemos, buscamos, entregamos, falamos, ouvimos rapidamente, disparamos mensagens, cumprimentamos, rimos, fazemos cara feia, dizemos sim para uns, e não, para outros, quase que simultaneamente, dirigimos etc. Enfim, fazemos tudo isto e muito mais, quase sem perceber porque, internamente, somos bombardeados o tempo todo por incontáveis, e muitas vezes contraditórios e conflitantes, pensamentos. Esta é a rotina que nos é imposta pelo mundo, e dela não conseguimos nos livrar porque, então, seria abdicar daquilo que compreendemos como “vida”. Somos, e estamos, condicionados a esta realidade: mente e corpo acionados diuturnamente, feito máquinas movidas a baterias que, embora necessitem, nem sempre são recarregadas do modo correto.

É nesta marcha medonha que grande parte da humanidade caminha desde muito cedo, da mais tenra infância até os últimos instantes de estada neste plano terreno. Muitos nem chegam a ter plena consciência deste final, e ficam já pela metade do caminho  sob os cuidados de alguém, graças ao acúmulo de males, físicos e mentais, que caem sobre si.

Bem, o fato é que, para nós, ditos normais, a vida se resume nesta correria absurda, da qual a maioria não consegue, nem quer, escapar. Para muitas pessoas, esta roda giratória frenética é o que traz graça para a existência e o que faz a vida ser, realmente, prazerosa. Pobres infelizes!

Entretanto, se por um lado, a agitação física parece fugir do nosso controle, até porque, ou andamos ou somos empurrados, por outro lado temos a capacidade de, se quisermos, ordenar a mente de modo que os pensamentos fluam no curso justo e equilibrado do riacho interior que banha toda a nossa capacidade intelectiva e cognitiva.

Os pensamentos, a ciência já o comprovou por diversos modos são, também, fontes riquíssimas de prazer, de alegria, de cura e de compensação, sim, mas, igualmente, de dores, de sofrimentos, de angústias, de doenças, de medos, de descontroles e até de total descompasso com o mundo real. Ou seja, se existe um caos interior, a fonte primária pode estar relacionada diretamente com os pensamentos desordenados ou negativos que cultivamos, ou que, na pior das hipóteses, alimentamos no dia-a-dia da nossa caminhada terrena. Pensamentos negativos, vingativos e cheios de ressentimentos funcionam como estopins capazes de causarem pequenas e consistentes explosões mentais, ainda que de pequeno potencial, mas, que, com o acúmulo, podem ocasionar desastres de magnitude impensável em qualquer um de nós, seres humanos. Mal do qual os animais não padecem, justamente por serem, simplesmente, irracionais!.

Os pensamentos negativos, não raro, decorrem de projeções apontadas para o futuro e que, portanto, trazem para nós respostas (preocupações) totalmente indesejadas porque revelam, de forma maquiada, falsa e antecipada, ocorrências absolutamente incertas e, em muitos casos, improváveis. No entanto, são a elas que nos apegamos para imaginar que tudo “pode dar errado”, ou que, “tudo vai dar errado mesmo”, seja lá o que este “tudo” possa significar. Daí, munidos de respostas negativas, originadas dos nossos pensamentos catapultados para o futuro, sofremos. Ficamos angustiados e preocupados; surge o medo, a desconfiança, a insegurança; sentimos frio no estômago e facilitamos a produção, pelo organismo, de substâncias altamente tóxicas e poluentes que, no médio e longo prazos, trarão como consequências doenças, muitas vezes, incuráveis.

Os pensamentos eivados de ressentimentos, mágoas ou de sentimentos de ódio, de inimizades ou de vingança, ao contrário dos primeiros, são direcionados ao passado e referem-se diretamente a fatos e circunstâncias já sepultados pelo tempo. Fatos e circunstâncias que, ainda assim, conseguem exercer influência altamente danosa ao nosso momento presente, justamente porque insistimos na inútil, e improdutiva, tentativa de ressuscitá-los e, não conseguindo, passamos e repassamos todos eles em nossa mente, criando um ambiente de sofrimento, de tristeza, de revolta e de sincero desejo de vingança. Sentimentos que, ao longo do tempo, vão remoendo todo o nosso íntimo e transformando nossa vida em algo absolutamente indesejado e, portanto, nefasto.

Ora, se esta é a realidade vivida pelos seres humanos, e parece ser mesmo, então, o que fazer para a transposição das águas? Como agir para colocar cada pedra no seu devido lugar, todo o volume de água no devido leito, para que siga o curso normal dos grandes rios? Meditar!

A meditação como forma de esvaziamento, ainda que temporário, da mente, no sentido de afastar todo e qualquer pensamento direcionado para frente ou para trás, é método bastante eficaz para desobstruir os canais de ligação direta com o transcendente e libertar-nos dos nefastos efeitos causados pelo caos a que nos referimos acima. É colocar a mente em estado de profundo silêncio e repouso, ativando os sentidos da visão e da audição espirituais, quando são, ainda que momentaneamente, afastados todos aqueles pensamentos dos quais decorrem tantos males para as nossas vidas. Somente a prática constante e permanente da meditação, sem fórmulas escritas e sem roteiros pré-determinados, pode permitir que façamos uma verdadeira reconstrução do nosso ser interior, donde origina todo o bem, toda a luz, toda a verdadeira energia e, por conseguinte, toda a força necessária para seguirmos adiante de forma intacta e vencedora. É o verdadeiro recarregar das baterias!

Não se trata, obviamente, de tarefa fácil. Desafia-nos, em primeiro lugar, a uma verdadeira imersão em nosso interior, a fim de fazermos um reconhecimento, real, e não falseado ou desonesto, do estado mental e espiritual a que estamos submetidos e subordinados. Visto e compreendido este estado, precisamos tomar a decisão de agir. E agir, neste caso, importa praticar atos que vão de encontro a tudo o que até então permitimos ser acumulado em nossa mente e em nosso interior. Conflitos internos, certamente, surgirão, porque trata-se de toda uma existência vinculada ao caos mental com o qual fomos coniventes e ao qual, de certa forma, estamos condicionados. Porém, é possível vencer estes conflitos e, lenta e progressivamente, subir cada um dos degraus da escada que vai nos conduzir ao topo, à verdadeira Luz que, por sinal, já brilha dentro de cada um de nós. Esta é a porta de entrada, que sempre esteve aberta à sua frente. Daí por diante, entrar e agir, é com você.

Segundo o filósofo indiano J. Krishnamurti “Ninguém, ninguém pode ensiná-lo a meditar. Não importa quão longa seja a barba do cidadão ou as roupas exóticas que ele use. Descubra por si próprio, mantenha-se fiel à sua descoberta e não dependa de ninguém”[1].

A prática da meditação diária em momento, lugar e posição mais aprazíveis e convenientes, precedida, ou não, do diálogo com o sagrado, vai se tornando uma verdadeira necessidade para a alma, até o momento em que totalmente envolvida, ocorre o profundo mergulho nas águas refrescantes do nosso interior. De tal modo que os dias passam a ser absolutamente iluminados, independentemente, de onde e de com quem estamos.

Cultivar o silêncio interior, pondo um fim ao constante e perturbador falatório que existe no íntimo do seu ser, por meio do qual pensamentos conflitantes, e conflituosos, debatem-se o tempo todo, fazendo verdadeira algazarra na sua mente e impedindo que o seu "eu" possa prosperar, é, também, forma de apaziguar a mente, como um todo,  e de reconstruir toda a estrutura, que foi criada para te trazer plena realização com acesso, inclusive, à felicidade tão perseguida, porém, por caminhos tortuosos e labirínticos. 

Não é difícil encontrar pessoas bastante estressadas nas filas. Qualquer fila, principalmente, quando muito lenta, deixa as pessoas enervadas e, rapidamente, propensas às críticas e às reclamações. Nestas horas, para o praticante da meditação, e cultor do silêncio mental, o momento é mais do que oportuno para abstrair-se mentalmente, sem o socorro do celular ou do fone de ouvido, e iniciar um verdadeiro passeio pelo jardim interior. Rapidamente verá o fim daquele momento conflituoso. No entanto, é preciso, antes, construir e fazer a manutenção do jardim, pois, caso contrário, a pessoa acaba sendo abduzida pelo momento angustiante e, quando menos espera está, ela própria, brigando, xingando e desafiando todo mundo, de forma absolutamente insana, como muitos de nós já presenciou ou até mesmo já se viu envolvido.

O objetivo, aqui, é o incentivo a uma melhor administração mental, de tal forma que os pensamentos sirvam, apenas, para proporcionar bem estar e, não para, como costuma ocorrer, provocar situações totalmente prejudiciais para as pessoas, no aspecto físico ou mesmo no espiritual.

Reflita sobre tudo isto e, se julgar conveniente, faça uma visitinha ao seu interior, para verificar a quantas andam os seus pensamentos e para qual direção estão apontados, se para o passado ou para o futuro, e, se entender ser possível para você, inicie o processo de limpeza, de depuração, de administração e de reconstrução mental. Vai te fazer muito bem e, certamente, proporcionar dias e vida muito melhores. Faça isto. Namastê! Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

[1] KRISHNAMURTI, J. – Nossa Luz Interior – O verdadeiro significado da meditação. São Paulo. Ágora: 2000. 108 páginas.

set 12

MARIA MARTINS: MULHER INIGUALÁVEL DA NOSSA HISTÓRIA RECENTE

MARIA MARTINS

MARIA MARTINS – UMA MULHER QUE SOUBE SUPERAR OS OBSTÁCULOS DO SEU TEMPO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

É muito provável que, à primeira vista, o nome seja absolutamente desconhecido da grande maioria das pessoas glamourosas, destas que dizem conhecer o andar de cima e que adoram demonstrar seus dotes intelectuais. Mas, merecem a devida escusa, porque Maria Martins é, por demais, um nome bastante comum e sem qualquer charme aparente. Entretanto, sobre ela tomei conhecimento e fiquei muito empolgado com sua excepcional trajetória como brasileira, como artista e, principalmente, como mulher absolutamente singular. Mulher que, nascida em fins do século XIX, saboreia a fase adulta e madura de sua vida lá pelas décadas de 1920/1930, quando era absolutamente impensável tanta liberdade e tanta liberalidade para uma pessoa do sexo feminino.

Da minha parte, tudo começou quando, fazendo alguns estudos e pesquisas sobre a sabedoria chinesa e seus principais expoentes, me deparei com o livro velho e amarelado de Maria Martins, sob o título “Ásia Maior – O Planeta China”. Trata-se de um livro editado em 1958, com Prefácio de Oswaldo Aranha, com 330 páginas, por meio do qual a autora discorre sobre seu périplo pelo continente asiático, visitando, principalmente, a China de Mao Tse Tung, por quem é recebida com a máxima elegância, atenção e honra e com quem consegue fazer longa entrevista, devidamente registrada na obra.

No livro, Maria conta um pouco da história mais recente (para a época) da China feudal e do período pré-revolucionário, realçando suas impressões sobre o que lhe parecia ser a medida certa do líder Chinês que protagonizou o que ela denomina como a “Epopeia da Grande Marcha”, donde “afirmaram-se as qualidades de político e de chefe de Mao Tse Tung”[1].

Pois bem, sobre o livro, apesar do conteúdo, não interessa falar porque, para mim, e até então, retrata período histórico bastante controverso, cujos resultados todos conhecemos muito bem.

Porém, em dado momento, como sempre faço, decidi pesquisar um pouco sobre a autora, apesar da antiguidade da obra, já sabendo, de antemão, tratar-se de embaixatriz, casada com o Embaixador Carlos Martins Pereira e Souza.

De início fiquei maravilhado ao tomar conhecimento de que Maria de Lourdes Martins Pereira de Souza foi, além de escritora, escultora, desenhista, gravurista, pintora e musicista. Atividades que exerceu com igual maestria, principalmente, no exterior, onde angariou fama e amores.

Pesquisando mais um pouco sobre ela, descobri que a Jornalista Ana Arruda Callado por ela encantou-se ao visitar uma mostra sobre surrealismo, no CCBB do Rio de Janeiro, em 2001, na qual estavam expostas dezoito esculturas de Maria Martins. Do encanto de Ana, nasce “Maria Martins – Uma Biografia”[2], editado em 2004, pela Gryphus. Obra que, imediatamente, tratei de adquirir, até para poder melhor escrever sobre esta mulher verdadeiramente fantástica. E digo fantástica, nem tanto pelos dotes artísticos, mas, e, sobretudo, pela capacidade de se impor como mulher num mundo, absolutamente machista e extremamente diferente do que hoje alguns têm prazer em alegar. O século XXI não sabe nada sobre machismo!.

Não dá para descrever, aqui, os detalhes sobre Maria que, desde o nascimento, fruto do segundo casamento de pai enviuvado, conta já com a honra, para muitos de nós, de ter como testemunha de seu nascimento, registrado em cartório, ninguém menos do que Euclides da Cunha, amigo de longa data do Pai de Maria, cujo nome, João Luiz Alves, é nome de Avenida no bairro carioca da Urca.

Maria seria a primeira de três outras filhas, tendo por primeiro o nome de Maria – Maria de Lourdes, Maria Victória e Maria Evangelina. Nascida no Município de Campanha – Estado das Minas Gerais – vem, depois com a família, para o Rio de Janeiro, de onde é encaminhada, com as outras irmãs, para o Colégio Notre Dame de Sion, em Petrópolis, onde até na hora do recreio o idioma falado é o francês!

Em abril de 1915, quando o pai já é Senador da República, casa-se pela primeira vez, com Octávio Tarquínio de Souza, então administrador dos Correios. Mas, este casamento não limitará os passos de Maria de Lourdes que, mais tarde decide se separar do marido enquanto estava com as duas filhas na Europa onde, na França, é obrigada a sepultar a caçula, Maise que, consumida pela meningite, acaba falecendo, longe do pai e dos avós.

Se a ideia da separação, em si, já se revela um tremendo escândalo para a família, imagine-se o que não terá sido tomarem conhecimento de que Maria já estava envolvida, ao menos sentimentalmente, com Carlos Martins, então Diplomata brasileiro bastante renomado, interna e externamente.

Em 1924 Maria viaja com o marido Octávio para Roma, quando é selada a separação. Na Capital italiana Benito Mussolini, então Primeiro Ministro e prestes a se tornar o ditador absoluto, “encanta-se com a bela e irrequieta brasileira e um caso amoroso se inicia entre os dois”[3].

Apenas para registro, João Luiz Alves, em janeiro de 1925 é nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, vindo a falecer em novembro daquele mesmo ano.

Segundo a biógrafa, Maria e Carlos Martins casaram-se em Paris, em 1926 e, muito tempo depois, em fevereiro de 1960, casam-se, também, no Brasil, após o falecimento do primeiro marido.

Maria tornou-se amiga muito próxima de Getúlio Vargas, de Pablo Picasso, de Max Ernst, de Gustavo Capanema, de Gilberto Chateaubriand, de Piet Mondrian,  renomado pintor holandês, de Juscelino Kubitschek, de Ivo Pitanguy e de Clarice Lispector, dentre outros tantos. Encantou-se com o Dalai Lama e com o Primeiro-Ministro da Índia Jawardal Nehru. Esteve face a face com Mao Tse Tung, entrevistando-o sobre assuntos de Estado, da política internacional e da nova China que se esboçava naquele momento histórico. A visita à República Popular da China se dá em atenção ao convite que recebera do Ministro e recente amigo Chou En-Lai. Maria viajou e conheceu o mundo todo. Encantou-se com a China de então, mas, também, revoltou-se com a pobreza na Índia onde, na Província de Massour, homens e mulheres viviam nus e chegavam a disputar alimentos com feras, também, famintas.

Fez de Nova York o palco privilegiado para suas inúmeras obras de arte onde, na primavera de 1943 participa de uma exposição dupla “Maria: New Sculptures e Mondrian: New Paintings”, onde conhece e inicia longa amizade com Piet Mondrian, o pintor holandês acima referido.

Sobre Marcel Duchamp, um de seus ardorosos amores, Maria viria a dizer mais tarde que “Marcel era um belo normando; parecia um cruzado. Toda mulher, em Paris, queria dormir com ele”[4].

Infelizmente, aqui, neste espaço contido, não dá para detalhar a vida bastante intensa de Maria Martins, como mulher, como brasileira, como artista, como escritora (publicou alguns livros), como cidadã do mundo, como mãe e como quem soube de forma inacreditável para a época, percorrer caminhos até então impensáveis para qualquer representante do sexo feminino, ainda que figurante do topo da elite.

De tudo o que li sobre Maria, intensamente Maria, fiquei encantadíssimo com a narrativa de Ana Callado (a biógrafa) sobre o cenário do velório de Maria Martins, em março de 1973, aos 78 anos de idade:

“Seu corpo foi velado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – uma inovação memorável. Esculturas suas rodeavam o caixão, criando um ambiente de beleza e mistério. Ela estava vestida com uma roupa de gala, descalça, com um véu sobre o rosto, e aos muitos amigos que compareceram ao original velório foi servido uísque. Exigência prévia dela, que também havia escolhido o vestido, puxado para o dourado, assim como a nudez dos pés e o véu, e recomendado que o uísque fosse “do bom”. Maria Martins, nascida Maria de Lourdes Faria Alves, havia vivido intensamente a vida. E, como em toda a sua trajetória estivera sempre no comando, dera ordens para depois de sua morte”[5].  

Relativamente a toda organização e ornamentação do velório, Juscelino Kubitschek teria pedido a Heloísa Lustosa, filha de Pedro Aleixo, ex-vice-Presidente da República, que lhe organizasse algo semelhante, dizendo: “Isto aqui está tão correto! Quero lhe pedir para fazer meu velório também aqui”[6]    

Sobre o falecimento de Maria, Ana Callado destaca, ainda, os dizeres noticiados pelo que denomina como o “mais tradicional jornal do país”, o Estado de São Paulo, no dia 28 de março de 1973:

“Foi sepultada ontem, às 17 horas, a escultora e embaixatriz Maria Martins, viúva do embaixador Carlos Martins Pereira e Souza. Ligada por laços de amizade a personalidades internacionalmente destacadas como o rei Leopoldo, da Bélgica, o presidente Franklin Roosevelt, Harry Truman, De Gaulle e Mao Tse Tung, ela sempre dedicou grande parte do seu tempo ao convívio com as artes plásticas. Existem esculturas de Maria Martins em coleções particulares de diversas cidades da América do Norte e da Europa, assim como no Egito e na Austrália” (Além de esquecer as obras de Maria nos museus, a frase “ela sempre dedicou grande parte do seu tempo ao convívio com as artes plásticas” faz da obra da escultora menos que um hobby)”[7].       

Maria Martins soube abrir todos os caminhos que desejou, e soube caminhar por todos eles com a maior desenvoltura possível sendo, em tudo, senhora do seu destino. Liberal e liberta de todas as amarras que, com certeza, impediram outras mulheres de seguirem caminhos semelhantes, tendo como escusa um machismo que, em maior ou em menor grau, sempre existiu. Maria Martins passou batida, sem se preocupar e sem dar bolas para o seu entorno. Foi o que foi, como foi e do jeito que foi. Grande Maria! Inigualável. Inimitável.

Lendo a biografia proposta por Ana Arruda Callado, a gente tem uma visão muito mais ampla de tudo o que se passa nas altas esferas de Estado. Relações de amizades e de amores; de compadrio e de revanchismo; de poder, de gasto, de exibicionismo, onde nem sempre o nome do País é exposto e enaltecido, como o foi na época de Maria Martins, nascida Maria de Lourdes Faria Alves. Sugiro que, a quem se interessar, adquirir o exemplar da referida biografia (imagem abaixo) pela internet e faça uma boa leitura. Em todo o caso, acabará por conhecer a vida e a obra de uma mulher, acima de tudo, fascinante e encantadora por sua arte, sua coragem, sua formação intelectual e sua capacidade para deixar o que poucos deixam, HISTÓRIA.

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

[1] MARTINS, Maria. Ásia Maior – O Planeta China. Rio de Janeiro. Ed. Civilização Brasileira. 1958. Pág. 134. [2] CALLADO, Ana Arruda. Maria Martins – Uma biografia. Rio de Janeiro. Gryphus: 2004. 189 páginas. [3] Op. Cit. pág. 79 [4] Idem. pág. 53 [5] Idem. pág. 2. [6] Idem. pág. 93 [7] Idem. pág. 94.

set 09

EDITORIAL DA SEMANA: DA ESPIRITUALIDADE, PARA A VIDA ETERNA.

ÁGUAS NO MAR

  A PRÁTICA DA ESPIRITUALIDADE É O CAMINHO A SER PERCORRIDO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não parece ser desconhecido o fato de os seres humanos terem sobre si a compreensão dualista matéria-espírito, corpo-alma. Com raras exceções, esta compreensão advém, em grande parte, da vida religiosa ou, em outras palavras, do seguimento a esta ou àquela religião.

Religiões, grosso modo, são representadas por instituições de natureza comunitária, normalmente hierarquizadas, por meio das quais as pessoas vivem, e tentam colocar em prática, as crenças que professam, seguindo ensinamentos doutrinários, observando ritos e abraçando dogmas. Esta fórmula é, praticamente, infalível. Poderá ser encontrada em todas as religiões e terá nos adeptos, uns fanáticos ou nem tanto, verdadeiros e árduos defensores.

Pois bem! A questão que chama a nossa atenção é sobre os efeitos espirituais que incidem sobre todos e cada um dos praticantes das religiões. Ou seja, se cada ser humano que professa esta ou aquela fé tem, realmente, noção de fazer parte de um todo muito maior, envolvendo não apenas todos os demais seres, mas, também, a própria natureza. Ou, se acontece, como acreditamos, de ficarem restritos (e limitados) às doutrinas, aos ritos e aos dogmas prescritos em cada uma das incontáveis religiões.

Ora, enquanto o homem olha para si e percebe a necessidade de viver em comunidade restrita, e adequada, ao seu modo de compreender a vida e à forma de se relacionar com a divindade e com os seus semelhantes deixando de fora, em muitos casos, a totalidade da humanidade, bem como a própria natureza, com todas as suas leis, deixa, também, de perceber que toda a Criação é projetada para a unidade: que todos somos um, e que esse “um” tem o vértice voltado para o único e verdadeiro UM, no qual tudo se completa e tudo se explica.

A partir da profissão de determinada crença, não é novidade a formação, ainda que involuntária, de verdadeiros guetos. Isto porque, cada religião caminha sob a influência direta de doutrinas, ritos e dogmas próprios, e bastante distintos uns dos outros, o que gera, com muita frequência, sérias divergências e conflitos, internos e externos que, inevitavelmente, vão opor irmãos contra irmãos.

Mas, para os verdadeiros praticantes desta ou daquela religião, sempre que a fé está ameaçada, os conflitos são mesmo inevitáveis, e devem acontecer, até para o fortalecimento da própria fé. Ou seja, quando os adeptos de determinada religião acusam os de outra, de estarem subvertendo ou transgredindo a Palavra de Deus, eles acreditam piamente terem o dever de enfrentar o que denominam de “opositores”, porque se sentem os verdadeiros, e genuínos, guardiões da fé.

Acredito ser este um fato incontestável, diante da realidade apresentada e vivida nos diversos quadrantes do mundo. Realidade que, não devemos esquecer, é tão antiga quanto o homem. Até aí, nada de muito novo.

Entretanto, as incontáveis religiões não têm conseguido, de forma eficiente e permanente, promover o crescimento espiritual de todos os filhos de Deus. Isto porque muitas delas, simplesmente acreditam que os verdadeiros filhos de Deus são apenas, e tão somente, os seus adeptos e seguidores particulares. Para estas, os que estão vinculados às outras religiões estão distantes desta condição, porque não seguem aqueles caminhos determinados como únicos e verdadeiros, assim como os rituais estabelecidos pela instituição religiosa “abençoada por Deus”.

Ora, se o Criador não faz acepção de pessoas, sejam elas quem forem, como admitir que as criaturas possam fazê-lo, em detrimento umas das outras? No caso, o que, invariavelmente, justifica tal postura é o sentimento de posse e de guarda da Verdade, que cada uma tem de si.

Esta questão lateja nas mentes e nos corações de todos os espiritualistas que têm, como foco, a vida na unidade, voltada total e absolutamente para o Transcendente de onde, além da Luz intensa e permanente, recebem inspirações e instruções para o aprimoramento da relação, e da convivência mesma, com todos os seres e com a própria natureza, amando-os de verdade, respeitando-os em suas essências, acolhendo-os com todas as suas imperfeições, reverenciando-os e, principalmente, com eles aprendendo diuturnamente tudo o que têm para ensinar.

A prática da espiritualidade, portanto, perpassa todas as formas de religiosidade unindo-se à coletividade dos espíritos, sem aprisionar-se a ritos e/ou dogmas que, até podem ser belos e verdadeiros, mas, que, não podem ser usados para a divisão da unidade querida pelo Criador desde sempre, e pela qual o próprio Jesus orou com estas singelas palavras: “que sejam todos um, como tu, Pai, o és em mim, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21). Ser “um” é muito mais do que ser muitos, absolutamente separados e divididos em nome de crenças que deixam de reverenciar, e de vivenciar mesmo, a unidade querida pelo Criador.

Tentar explicar isso a cada pessoa que pratica esta ou aquela religião parece missão absolutamente impossível. No entanto, se cada um de nós passar a viver a espiritualidade ensinada por aqueles que, verdadeiramente, conseguiram compreender que existe uma unidade em torno do Transcendente, incluindo a natureza com suas leis e o próprio Universo, e que cada ato ou omissão praticados afeta a todos de forma indistinta, o mundo, certamente, será recriado e tudo será muito diferente do que tem sido até aqui. Não é utopia, porque é a vontade do próprio Deus que, sempre, sempre, realiza todos os seus projetos e desígnios. A questão é: quando a humanidade, como um todo, vai conseguir compreender esta lógica tão simples? Eis o nosso grande desafio.

Reflita sobre tudo isto e, sem abandonar a sua religião (para quem tem uma) procure compreender que conflitos doutrinários, ritualísticos ou dogmáticos com irmãos de outras religiões, só contribuem para uma divisão absolutamente indesejada por Deus. E você, certamente, não quer desafiar Aquele que está no comando absoluto de tudo, principalmente, por influência dos homens, quer? Pense sobre isto e cresça espiritualmente com todos os seus congêneres, reverenciando a natureza, e o próprio Universo, com todas as suas leis, acolhendo-os e amando-os para que a relação com o Transcendente seja aperfeiçoada cada vez mais, até o dia da unificação total de todos no verdadeiramente UM quando, então, tais quais verdadeiras gotas de água, cairemos no oceano da Vida e seremos todos, e eternamente, um único mar. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cutor do silêncio.

 

   

set 06

UMA SIMPLES REFLEXÃO: BRILHAR E LEVAR BRILHO

ALIANÇA

O QUE BRILHA E O QUE O FAZ BRILHAR –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Existe um produto leitoso – branco como leite mesmo – que é muito utilizado para a limpeza e para o aperfeiçoamento do brilho de metais finos como o ouro e a prata, denominado “SILVO”. Basta algumas poucas aplicações, seguidas por um polimento caprichado, para que a peça, de ouro ou de prata, por exemplo, brilhe de forma bastante intensa, parecendo saída da vitrine naquele instante. Para quem não conhece, o SILVO pode ser encontrado nas prateleiras dos melhores supermercados.

Pois bem, por que me lembrei deste produto? Porque na vida, também, existem pessoas que não ostentam muito brilho, são até mesmo meio opacas mas, que, uma vez ativadas, são capazes de levar outras pessoas a brilharem de forma intensa, nas mais diversas atividades. Não precisa pensar muito para, logo, logo, descobrir algum exemplo. O diretor de um filme ou de um documentário vem à mente como paradigma mais que apropriado para o caso. Trata-se de pessoa que normalmente, não aparece na trama ou no desenrolar da filmagem, mas, que leva atores e atrizes, já propensos ao brilho, a brilharem de forma ainda mais reluzente.

Assim, quantas coisas que fazemos que, num primeiro momento podem parecer insignificantes, mas, que, mais à frente, podem contribuir para o brilho de alguém. Todas as nossas ações exalam consequências, umas muito boas, outras, nem tanto. Outras, ainda, muito más. Por esta razão, é preciso estar sempre atentos para que, do nosso proceder, luzes sejam acesas e pessoas possam brilhar.

Nunca me esqueço de episódio vivido há muitos anos quando, ainda jovem, fui convidado para trabalhar com um grupo de teatro. Eu, apesar de gostar da arte da representação, nunca demonstrei aptidão para a tarefa. E, já com este entendimento, perguntei a quem me convidou: “o que vou fazer lá, não tenho jeito para ser ator?”. A pessoa, então, me disse de forma clara e simples: “você pode trabalhar abrindo e fechando as cortinas. Do lado direito ou do esquerdo, é só escolher”. Pensei um pouco e, em seguida, aceitei o convite. A peça era encenada nos finais de semana, durante o período da quaresma. Depois da terceira apresentação, eu descobri o quanto o meu trabalho era importante para que todos aqueles atores brilhassem diante do público. Bastava eu abrir ou fechar as cortinas no momento errado, para que tudo ficasse seriamente ofuscado. Descobri, ali, que meu trabalho, também, levava brilho ao trabalho dos demais.

Hoje, de forma absolutamente anônima para muita gente, eu escrevo textos e publico no site e, como parece óbvio, procuro acompanhar as estatísticas para ver quantas pessoas acessaram e leram os textos e, em muitos casos, percebo que um número bem grande de pessoas leu. N’outras oportunidades, recebo comentários no próprio site, agradecendo o texto, afirmando ter sido útil desta ou daquela forma. Enfim, ainda que absolutamente desconhecido da maioria dos leitores consigo, através da escrita, levar um pouco de brilho para pessoas que, certamente, eu jamais conhecerei pessoalmente. Não sou colunista do jornal mais famoso ou da revista da hora. Não sou o âncora do jornal da noite da TV mais assistida. Sou apenas um anônimo.

Tenho convicção de que, quem inventou o SILVO, no primeiro momento, não imaginou a incalculável quantidade de metais finos que, uma vez submetidos ao produto, ganhariam o brilho excepcional que ganham depois da aplicação, aumentando de forma exponencial a beleza natural de tais peças.

Desta forma, o trabalho realizado com dedicação e com amor, ainda que não apareça nos relatórios mensais ou anuais da empresa, nas primeiras páginas dos jornais, nas capas das revistas mais renomadas ou nas telas das TVs mais assistidas, tem o poder de levar muito brilho para a vida e para a atuação de muitas pessoas. Os exemplos pululam em nossas mentes!

Quem nunca se deu ao trabalho de parar diante de um jardim para admirar o planificado aparo da grama, os contornos dos canteiros de flores e a poda das árvores? Trabalho realizado com carinho, dedicação e sutileza por alguém que, em muitos casos, nem conseguimos ver porque, quando chegamos, o trabalho já estava pronto desde ontem! Olha o brilho que um simples e competente jardineiro é capaz de proporcionar em poucos metros quadrados de terra plantada!

Precisamos ter consciência disto, para que executemos todas as tarefas colocadas sob nossos cuidados, com extrema dedicação, carinho e amor porque, certamente, assim, estaremos levando muito brilho para a vida de pessoas, de animais, de lugares e, enfim, de toda a Criação.

Tudo isto é benção de Deus. São graças recebidas e muitas vezes rejeitadas ou mal administradas, simplesmente porque o anonimato parece ofuscar a obra realizada. Ledo engano! Tudo o que produzimos com dedicação, carinho, atenção e amor, contribui para o crescimento e para o brilho de outros seres. Ninguém é capaz de executar tão bem a tarefa que nós executamos movidos por estes nobres sentimentos e, também, ninguém é capaz de levar tanto brilho a todos os que estão a depender daquilo que nós executamos.

Reflita sobre isto. Reflita sobre tudo o que você faz e veja se faz para brilhar ou para proporcionar o brilho. Que papel você exerce: o do ouro opaco ou o do SILVO que o faz brilhar intensamente depois de aplicado? Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

set 02

EDITORIAL DA SEMANA: EXISTEM PESSOAS ILUMINADAS

ESPÍRITO DE LUZ

EDITORIAL DA SEMANA: EM CADA GERAÇÃO, ESPÍRITOS DE LUZ ESTÃO SEMPRE PRESENTES –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Faz parte do inconsciente coletivo a ideia de que, com o passar dos séculos e das gerações, tudo vai piorando progressivamente, em decorrência do definhamento intelectual e espiritual dos seres humanos. Daí dizer-se com frequência que “esta geração está perdida” ou que “estamos vivendo o final dos tempos”, como se tais possibilidades pudessem ser mensuradas por meio de padrões estritamente humanos.

Se fizermos pequena regressão histórica, vamos verificar com certa facilidade que, no tempo dos grandes mestres orientais, daqueles que, de volta e meia, entram em alta no gosto de alguns praticantes da espiritualidade, mestres da estirpe de Lao Tsé, de Confúcio ou mesmo de Buda, existiam homens absolutamente perversos, corruptos e assassinos. Vamos encontrar homens com as mesmas características no tempo dos grandes profetas bíblicos, assim como na época de Jesus e, posteriormente, nas épocas de todos os santos e santas consagrados pela instituição Católica.

Entretanto, assim como no tempo dos citados mestres orientais, na época dos profetas, de Jesus e dos santos, existiram seres humanos habitados por espíritos de luz, como os próprios, que trouxeram grandes ensinamentos, grandes contribuições para o crescimento espiritual da humanidade e que tiveram atrás de si gigantescas filas de seguidores e de propagadores de tudo o que com eles aprenderam. A exceção, no caso, fica com Jesus, que era a própria Luz encarnada.

A questão mais profunda é que, o avanço dos séculos trouxe, também, o progresso em todas as áreas, mais em umas do que em outras, mas, indiscutivelmente, em todas elas. E esse progresso só fez aumentar a ferocidade de grande parte da humanidade, na busca pelo crescimento material, primordialmente, no que se refere ao poder, advindo do dinheiro ou das armas, ou de ambos ao mesmo tempo. O fato é que o ser humano, por natureza, é apegado ao fugaz, ao perecível, ao efêmero e ao que brilha. Com este apego, e com a abundância da riqueza disponível, bastou apenas organizar-se das formas mais engenhosas possíveis e imagináveis para a saga do acúmulo ilimitado, donde o consumismo exacerbado a que estamos acostumados. Quem tem, quer mais. Quem não tem, quer ter de qualquer jeito (os meios justificam os fins).

Enquanto o progresso caminhou com a humanidade, a passos de cágado, tudo foi acontecendo par e passo um com o outro. Entretanto, após a última experiência bélica mundial, o progresso, principalmente no campo tecnológico, ligou todas as suas turbinas e disparou com tal velocidade e intensidade que o ser humano não consegue acompanhá-lo na forma desejada. Assim, chegamos ao século XXI quando, a cada instante, surge uma tecnologia mais avançada, mais interessante, mais promissora, mais eficiente e, portanto, mais cobiçada, haja vista que o grande fenômeno destes tempos é a integração de todo o planeta por meio da internet que, com ela, traz as não menos famosas redes sociais.

Bem, tudo é muito bonito. Tudo é muito eficiente e belo. Mas, nem todo este maravilhoso mundo da exposição foi capaz de frear a ambição, o materialismo e o consumismo. Pelo contrário, tudo isso parece estar se multiplicando de forma assombrosa, de modo a manter níveis apavorantes de crimes contra a vida, contra honra e contra o patrimônio, em um cenário comandado, justamente, por aqueles que já têm de tudo, e em abundância, mas que insistem em acumular ainda mais, a qualquer preço. Ou seja, permanece a mesma lógica dos tempos muito antigos, referidos no início deste texto.

Porém, se nos primórdios da civilização, tal como a conhecemos, existiam vândalos, criminosos de todas as espécies e assassinos dos mais ferozes e impiedosos tipos, assim como governantes loucos, déspotas e hereges, mas, existiam, também, grandes mestres, profetas e santos, podemos afirmar, com segurança, que, ainda hoje, existem diversos espíritos de luz, que estão aí, caminhando muito perto de cada um de nós.

Quem não conhece uma pessoa absurdamente má, corrupta, criminosa, desonesta ou árdua defensora da cultura da morte, seja lá qual for o meio e a justificativa? Mas, também, quem não conhece uma pessoa absolutamente boa, sensível, honesta, amiga, confiável e capaz de fazer tudo pelo próximo? Em outras, e significativas, palavras: quem não conhece, pessoalmente, um verdadeiro espírito de luz?

Graças a Deus, estas pessoas verdadeiramente iluminadas existem, estão e caminham no meio de nós e, em cada geração, fazem-se presentes. O problema é que, quase sempre nós não lhes devotamos a merecida atenção e, até, por vezes, não perdemos a oportunidade de ridicularizá-las, tachando-as de ingênuas, de bobas, de “santinhas” ou de totalmente alheias à realidade. Porque, para a esmagadora maioria das pessoas, o certo é ser esperto. E, ser esperto, é ganhar sempre, sem dar nada em troca. Ser esperto, é levar vantagem em tudo e sobre todos, o tempo todo. E, nesta lógica, o bobo, o trouxa, o ingênuo é, justamente, aquele que pensa no outro, que não aceita se locupletar de forma enganosa ou criminosa. É aquele, enfim, que reza pela cartilha da espiritualidade, da justiça, da fé e da reverência a Deus e ao próximo em detrimento da cartilha do materialismo, do acúmulo de bens e de riquezas, da desumanidade, da vingança pessoal ou estatal, do egoísmo, do consumismo desgovernado, da necessidade de estar sempre na mídia, seja a que preço for etc.

Portanto, é muito fácil comprovar que não estamos vivendo o final dos tempos, nem que tudo já esteja irremediavelmente perdido. O que está acontecendo é que a humanidade, total e absolutamente embotada e fascinada pelo mundo e por suas glórias, ofertas e homens descrentes, submete-se à total ferocidade do mal que avança impiedosamente sobre ela, e não consegue enxergar, nem ouvir, os espíritos de luz que, desde sempre, caminham bem próximos a nós, na vizinhança, na comunidade de bairro ou religiosa, no trabalho, no trânsito, nas ruas e praças ou na própria família, enfim, sempre muito próximos de nós, e dispostos a indicar para nós os melhores, mais sábios e mais saudáveis caminhos.

Não acredite nas profecias que vislumbram o fim do mundo em tudo e a todo momento. O mundo que está desmoronando é o mundo do verdadeiro conhecimento e da verdadeira sabedoria, da reverência a Deus e ao próximo, do culto e do respeito ao sagrado, da humildade, da simplicidade e da afetividade (os três tesouros, segundo a tradição Taoísta), em decorrência direta da nossa falta de percepção e de visão de que ainda existe muita luz no mundo. Nós é que, já tremendamente maculados pela cegueira secular, acreditamos que está tudo escuro, em densas trevas. Mas, isto não é real: existe muita luz no nosso entorno. Precisamos ter abertos os olhos e os ouvidos espirituais, para que possamos ver e ouvir tudo o que tem sido mostrado e dito a todos e a cada um de nós, durante todo o tempo da nossa existência. Tem sido assim em todas as gerações, e assim continuará sendo, porque Deus, desde o início, deseja que sejamos semelhantes a Ele e, por esta razão, sempre envia mensageiros, profetas, missionários e vocacionados. É preciso identificá-los, ouvi-los e imitá-los, para que o mundo prospere de forma una, santa, permanente e abundante.

Reflita um pouco sobre tudo isto e faça alguns testes acerca de tudo o que está sendo dito. É bom sempre duvidar, porém, também, é muito bom poder comprovar tudo o que vemos, ouvimos ou lemos. Vai que a gente é que está certo, e o outro, irremediavelmente, equivocado. Que sempre existam pessoas iluminadas e portadoras de muita luz ao teu lado, para que possam te guiar, te iluminar, te proteger e te ensinar. Não tenha vergonha de aprender, a gente precisa aprender sempre e durante todo o tempo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

ago 26

EDITORIAL DO MÊS: AS CHAVES E AS PORTAS ESTÃO DIANTE DE NÓS – PRIMEIRA PARTE

PORTAS ABERTAS - 2

CHAVES E PORTAS: CAMINHOS LIBERADOS –

PARTE I –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A visão realista do mundo permite a transparência de cenários que, em muitas ocasiões, e situações, impõem limites diante de nós. Alguns desses limites instigam nossa vocação para a superação e, logo, logo, conseguimos vencê-los. Entretanto, existem outros limites que, simplesmente, revelam-se intransponíveis, em razão das inomináveis altura e espessura.

No primeiro caso, mesmo diante das nossas fraquezas e incertezas, recebemos alguns incentivos e estímulos, porque tais limites podem, de fato, ser transpostos. No segundo caso, no entanto, ninguém ousa nos instigar, porque a impossibilidade é reconhecida por todos. Então, o que fazer? Recuar, desistir?

Não, não devemos recuar nem desistir, porque, se existe um mundo visível que apresenta limites intransponíveis diante de nós, existe, também, um mundo invisível que, simplesmente, abre portas diante de nós, facilitando a nossa passagem para lados, mundos, situações e oportunidades que, até então, pareciam impossíveis e inexistentes. Não são portas imaginárias, virtuais, mágicas ou coisas mirabolantes, daquelas que só vemos em filmes de alta ficção científica. São portas reais, plausíveis e sensíveis. Portas que são abertas por meio de chaves que nos são fornecidas por forças superiores.

O segredo não está nas portas, mas, na obtenção e no manuseio das chaves! Em nossas mãos, normalmente, existem cinco dedos. Para cada dedo, um desafio a ser vencido. Cinco desafios que, uma vez vencidos, abrem o caminho para o predomínio do espírito sobre a matéria: o orgulho, a prepotência, a ambição, a inveja e a ira. A derrota destes cinco adversários permite que consigamos destravar algumas portas e, assim, ter acesso a caminhos até então tidos como inexistentes e até mesmo impossíveis de serem trilhados.

O orgulho é, geralmente, o primeiro desafio que nos empareda e nos atinge com força. Diante dele sentimo-nos frágeis e submissos, a ele nos entregando com facilidade e com docilidade, servindo-o de todas as formas por ele exigidas, porque, de nós, ele apenas exige o assassinato da humildade. Matando a humildade, sentimo-nos senhores absolutos do nosso EU e do caminho que temos à disposição.

A prepotência é irmã gêmea do orgulho. Quando acreditamos sermos senhores absolutos do nosso EU e de estarmos no pleno domínio do caminho que temos à disposição, sem qualquer dependência do “outro”, cremos firmemente sermos insuperáveis e, portanto, invencíveis. Ninguém é capaz de deter nossos passos e avanços e, consequentemente, a nossa caminhada. A prepotência forja o extremado amor próprio. Com o orgulho e a prepotência, esmurramos com força bestial os limites intransponíveis impostos pelo mundo visível, dando-nos a nítida certeza de que, se não vencemos, ninguém é capaz de vencer também.

A ambição é a principal responsável pela cegueira espiritual. Na medida em que sucumbimos diante dela, ficamos cada vez mais cegos para a realidade que nos cerca. Daí, não conseguirmos enxergar quando, diante de nós, existe uma muralha intransponível e, da mesma forma, não conseguimos ver as portas que já estão, ou que podem ser facilmente, abertas à nossa frente.

A inveja é a senhora do retrocesso e do descaminho. É ela que nos obriga a abandonar o nosso caminho natural para seguirmos, e perseguirmos, o caminho trilhado pelo “outro”. Caminho que é próprio de cada um. Construído para cada um, de forma absolutamente individualizada. A inveja, aliada inseparável da ambição, faz com que acreditemos convictamente que um único caminho pode ser trilhado com sucesso por dois seres diferentes. Assim, o que é do outro, pode ser meu também. O que o outro tem, eu posso ter igual ou até mesmo superior.

A ira, por fim, não bastassem os outros entraves, corrompe os nossos tímpanos e trava a nossa mente, impedindo o curso natural da razão. Acometidos com a ira, somos incapazes de pensar de modo racional. Somos incapazes de agir de forma sensata. Portanto, tornamo-nos imprudentes, insensíveis, insensatos e insanos. Movidos pela ira, perdemos a sensibilidade e o tato necessários para a percepção das diversas portas existentes, algumas das quais já estão abertas diante de nós.

Vencer estes cinco desafios pode parecer, à primeira vista, um grande obstáculo intransponível e, aí, voltaríamos à questão inicial. Entretanto, cada um de nós, acreditando ou não, possui um espírito que, por sua vez, traduz-se em um imenso e poderoso templo, no interior do qual muitos e muitos mistérios são desvendados. Forças ocultas são dissipadas; obstáculos são removidos; segredos são revelados e novas forças são concedidas.

Ao desviarmos a nossa atenção, e a nossa atuação, para o templo que carregamos em nosso interior, administrado e gerenciado por um Espírito Maior, capaz de vencer até mesmo o que, para nós, parece ser impossível, adquirimos não apenas uma renovada vida, mas, sabedoria suficiente para vencermos e superarmos todos os entraves, e mais: capacidade para, abertos os olhos, ouvidos e mente, enxergarmos com toda a clareza necessária, todas as portas que estão abertas, desde sempre, à nossa frente.

Mas, é preciso repetir: os cinco desafios devem ser superados. Imagine-se diante de um cofre contendo a solução para todos os seus problemas. Trancado a sete chaves, você não consegue abri-lo, senão, penetrando no interior de uma profunda caverna, ao fundo da qual existe um altar de pedra em cujo tampo estão as sete chaves que abrem o tal cofre. Você precisa, apenas, perceber que, indo na direção da caverna terá rápido acesso às chaves que te darão acesso a todas as soluções perseguidas.

É justamente o que deve ser feito para que as diversas portas existentes, que já podem ser  abertas por você, sejam percebidas, também, por todos aqueles que julgam estar diante de problemas intransponíveis. As soluções existem e estão diante de cada um de nós. Não percebê-las ou não saber como acessá-las, depende do destravamento dos olhos, dos ouvidos e da mente espirituais, o que só pode ser feito após a derrota dos cinco maiores adversários do ser humano. Sozinhos, não podemos vencê-los, mas, com o auxílio do Espírito de Deus, tudo se faz possível porque Ele faz novas todas as coisas e, assim, pode transformar-nos em pessoas absolutamente novas, imunes ao impossível.

Não se trata de magia ou de ilusionismo. Trata-se, na verdade, de crença. Jesus disse que “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e fará outras ainda maiores” (Jo 14, 12). Portanto, com fé e pela fé, obstáculos podem ser superados, adversários  derrotados, muralhas derrubadas, portas abertas e caminhos revelados. No entanto, não basta dizer que crê. É preciso renunciar a si mesmo e entregar-se de corpo e de alma, vencendo todos os inimigos do espírito. Então, e somente então, haverá serenidade, sabedoria, santidade e capacidade para superar todos os limites impostos por este mundo que, ao contrário do que muitos creem, não é real, mas, totalmente ilusório.

Reflita profundamente. Faça uma visita ao seu templo interior e, confiando no Espírito que lá está, derrote seus cinco inimigos e, após, esbanjando alegria e felicidade, escolha as portas que melhor atendem aos seus anseios e necessidades. Faça isso já, não perca mais tempo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

ago 26

EDITORIAL DA SEMANA: AS CHAVES E AS PORTAS ESTÃO DIANTE DE NÓS – SEGUNDA PARTE

O CAMINHO DO MONGE

CHAVES E PORTAS: CAMINHOS LIBERADOS –

PARTE II –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Na primeira parte desta reflexão, falamos sobre os cinco adversários, comparados aos dedos de uma das mãos – orgulho, prepotência, ambição, inveja e ira – e iniciamos uma fórmula para derrotá-los e, então, termos acesso às chaves e às portas que existem à nossa frente, para que possamos ultrapassar certos limites impostos pela vida que, num primeiro momento, parecem-nos impossíveis de serem vencidos.

Nesta oportunidade, vamos dar continuidade àquela reflexão, trazendo os contrapontos aos cinco adversários que, de igual forma, podem ser contados nos dedos da outra mão. Só que, no caso, não são adversários, mas, virtudes que, derrotados os primeiros, passam a fazer parte, positivamente, das nossas vidas e do sucesso almejado por todos e por cada um de nós.

Se, temos como adversário, de um lado, o orgulho temos, no contraponto, a humildade; para a prepotência, a simplicidade de coração; para a ambição, a gratidão pelo que já recebemos; para a inveja, o contentamento e, para a ira, o perdão e a reconciliação. São estas as virtudes a serem conquistadas por meio da reflexão e do permanente e continuado diálogo espiritual, cujo cenário é o nosso templo interior, e o interlocutor, o Espírito Santo de Deus.

Toda esta linha de raciocínio lógico acerca da vida e das diversas formas de usufruí-la sadiamente, passa pelo profundo e necessário conhecimento de si próprio. Pois, somente quando temos perfeito e honesto conhecimento sobre nós mesmos, é que somos capazes de enxergar extravios, transgressões, desníveis e extremos aos quais nos submetemos diariamente, em busca de uma “felicidade” alardeada pelo mundo exterior ao nosso templo sagrado.

As atuais configurações do mundo no qual estamos inseridos, sugerem um permanente afastamento das nossas origens e, consequentemente, uma gigantesca desconstrução de todos os valores éticos, morais, sociais, políticos e religiosos que predominaram até meados do século passado. Assim, a sociedade contemporânea perdeu a noção de que existem princípios e valores sagrados que regem a vida, em todas as instâncias e circunstâncias, que, uma vez adulterados, ultrajados e/ou desprezados, geram devastadora instabilidade em todas as forças da natureza, donde não escapamos, sequer, e principalmente, nós, os seres humanos.

É preciso consolidar esta compreensão para, de forma sadia e promissora, reconstruir as pontes bombardeadas pela ilusão do materialismo como única forma de atingir a tão perseguida felicidade. Reconstruir as pontes e aplainar os caminhos, para que voltemos a celebrar a tão necessária espiritualidade que, a despeito dos descrentes, tem potencial para regenerar a raça humana, tão dividida e tão segmentada, vítima que tem sido de si própria e dos seus enganos e atropelos.

Voltar-se para si, e para o interior de si, é conditio sine qua non para a proximidade da perfeição e da semelhança com o Criador, a partir de quando é possível lacrar as portas do ódio, do desamor, do desrespeito, do desprezo, da maldade justificada, da indiferença para com os mais pobres e desvalidos para, finalmente, ver abertas as portas que conduzem às grandes, e humanas, realizações pessoais e coletivas, ponto de partida para o ressurgimento dos grandes seres humanos, que alguns chamam de verdadeiros heróis, porque saberão, como os antigos, liderar projetos e processos virtuosos, voltados para o bem estar e para o aprimoramento de toda a espécie humana. Heróis e líderes que não se fazem presentes nos dias de hoje.

O que estamos contemplando, hoje, no cenário mundial, é, justamente o oposto de tudo isto, ou seja, o que está imperando é o ódio, o sectarismo, o racismo, a luta ideológica, o total e absoluto desrespeito para com os seres humanos desprovidos de armas e de dinheiro, a corrupção, em todas as suas formas, a injustiça praticada, inclusive, nos Palácios da própria  Justiça, a disseminação da cultura da morte, como única forma de resolução de conflitos. Enfim, o verdadeiro caos humano!

Se, realmente, queremos ser felizes, precisamos frear bruscamente nossa corrida desesperada rumo ao futuro incerto e duvidoso. Parar, olhar para dentro de nós mesmos, esquecermos do “outro” por um instante, e dedicarmos tempo a avaliação de quem realmente somos e o que temos feito por nós e pelos outros. Que armas temos utilizado para alcançar nossos projetos e ambições. Precisaremos examinar a profundidade e a extensão da nossa relação com os cinco adversários – orgulho, prepotência, ambição, inveja e ira – para então, e somente então, termos diante de nós o mapa absolutamente errático ao qual estamos dando todos os créditos, esquecendo-nos de que existem contrapontos – humildade, simplicidade de coração, gratidão, contentamento e perdão/reconciliação – que, uma vez reconquistados e praticados, terão poder para nos tirar deste verdadeiro caos no qual estamos inseridos.

Se conseguirmos esta grande proeza, reabilitaremos as forças da natureza, fazendo com que atuem absolutamente em nosso favor e benefício. Nosso e de toda a espécie humana, apesar das exceções que sempre existiram e que sempre existirão. O problema é que, a partir de determinado momento histórico, as exceções foram dominando a regra e hoje a contabilidade aponta para a infeliz conversão da regra antiga em uma demolidora exceção. É preciso, e podemos, reverter esta lógica perversa de convivência.

Releia, se julgar necessário e oportuno, a primeira parte desta reflexão, medite sobre ambas, tire suas conclusões e, caso entenda possível, dê início ao processo de reconstrução, começando por si mesmo(a) e, na sequência, repassando a ideia para amigos, familiares e entes queridos. Assim, e só assim, portas incríveis serão abertas diante de cada um de nós, e o impossível será afastado do nosso caminho.

E, lembre-se: vencer adversários e reconquistar virtudes significa ter em mãos uma preciosa chave, apta a abrir portas até então invisíveis para nós, em razão da cegueira imposta pela lógica de um mundo insano, insensato e insensível. Reflita sobre tudo isto. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

 

ago 22

REFLEXÃO SOBRE O WHATSAPP: VULGARIZADO E MAL UTILIZADO

WHATSAPP

O WHATSAPP É O NOVO POINT: POR QUE NÃO UTILIZÁ-LO SÓ PARA O BEM? –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Parece inexistirem dúvidas de que, atualmente, o WhatsApp é o point preferido da grande maioria das pessoas para toda forma de troca de informações. Muitas pessoas estão integradas em grupos de bate-papo; outras tantas, e de forma individual, mantêm-se ligadas a diversos amigos e contatos, com os quais dialogam diariamente, se não, várias vezes ao dia. É bonito ver que as pessoas, nos dias atuais, adotam a comunicação como forma de integração social, superando antigas cartinhas, bilhetinhos, ligações telefônicas ou até mesmo os e-mails.

Entretanto, é preciso reconhecer, as redes sociais, dentre as quais o WhatsApp se destaca, não têm sido usadas como lugares-comuns apenas aos bate-papos, por meio dos quais as pessoas tenderiam a crescer e a promoverem o crescimento dos seus amigos, com conversas úteis e interessantes, além da divulgação de notícias importantes (e verdadeiras), objetivando suprir vazios causados pela absurda correria do cotidiano.

Seria mais ou menos semelhante ao encontro diário de diversas pessoas, em torno de uma mesa de bar onde, sem nenhum aperitivo ou bebida de entrada ou de saída, falassem asneiras o tempo todo, além de transmitirem, umas para as outras, notícias falsas ou meias verdades, sem qualquer função ou objetivo nobre. Certamente que, em muito pouco tempo, tais reuniões deixariam de acontecer, porque as pessoas, logo, logo, chegariam à conclusão da absoluta perda de tempo e da inutilidade de tais encontros.

No entanto, no WhatsApp, por exemplo, isso não acontece porque tudo é gratuito, não custando tempo nem dinheiro. Retransmitir uma mensagem qualquer, ou reencaminhar fotos e vídeos em abundância é ato praticado em pouquíssimos segundos, bastando meros dois ou três cliques, e pronto! Já foi.

Com esta lógica, as pessoas, sem terem a menor consciência, e sem saberem valorizar a tecnologia de que dispõem, passam o dia todo enviando “abobrinhas” e “repolhos” e recebendo, em troca, iguais contribuições. Ora, vamos combinar que “abobrinhas” e “repolhos” são muito bons e até fazem falta na dieta diária de qualquer ser humano. Mas, todos os dias, em todas as refeições do dia, enchem o saco de qualquer um. E o pior: a pessoa acaba de enviar uma “abobrinha” e, imediatamente, recebe um “repolho”, ficando absolutamente claro que a “abobrinha”, sequer foi vista com a mínima atenção e/ou consideração.

Estamos vivendo momento histórico, tanto no nosso País quanto no mundo todo, do qual brotam, a todo instante, notícias importantíssimas de todos os lados. Notícias capazes de alterarem nossas vidas, no presente ou no futuro imediato, e que precisam, e devem, ser repassadas, muitas vezes até com certa urgência. D’outro lado, existem pensamentos, fatos, orações, milagres, realizações comunitárias e institucionais, além de toda uma gama de acontecimentos saudáveis e positivos que uns tomam conhecimento, e outros, não, e que, portanto, carecem de repasse entre amigos e contatos.

Voltemos à mesma mesa do bar, agora com outro enfoque, e observemos o quanto cada amigo tem para contar para os demais. Quantas coisas boas aconteceram e quantas estão para acontecer nas vidas de cada um deles, e que, paulatinamente, vão sendo contadas e mostradas, de modo a estarem, verdadeiramente, contribuindo para a alegria e o para o crescimento recíprocos. Tais reuniões, com esses objetivos, certamente serão mantidas e celebradas como algo bastante positivo, haja vista que ao final de cada uma delas, torna-se perceptível grande e real satisfação.

Parece estar na hora de as pessoas considerarem que a euforia inicial com o WhatsApp, e de resto com todas as redes sociais, já está superada, e que todos devemos utilizá-lo para as conversas realmente frutíferas, próprias de uma grande e valiosa amizade. Não se pode esquecer que existem pessoas no meu, e no seu, WhatsApp que, sequer, nos reconhece na rua. Há pouco tempo passei por uma dessas pessoas. E existem inúmeras! Porque o ambiente está absolutamente vulgarizado.

Podemos, e devemos, fazer do WhatsApp um ponto de encontro, diário ou não, propício para o convívio sadio com os nossos contatos, repassando e recebendo informações úteis e valiosas para as nossas vidas, seja por meio de palavras, de fotografias ou de vídeos capazes de cumprirem o duplo papel da informação e da transmissão de alegria. Fechar as portas às fofocas e, principalmente, às mentiras, fará com que saibamos aproveitar da melhor forma possível este maravilhoso canal de interação social, por meio do qual podemos levar aos amigos e contatos permanentes, conhecimentos e experiências extremamente valiosas para o crescimento pessoal e espiritual. Nada, porém, em excesso!

Como é bom receber informações novas e confiáveis; vídeos pedagógicos e transmissores de alegria, de emoção, de prazer e de grandes ensinamentos; textos e orações profundos e sugestivos; fotos de seres, pessoas e lugares por nós desconhecidos; palavras de incentivo, de gratidão, de carinho e de amizade. Enfim, quanta coisa boa, útil e valiosa pode ser transferida, encaminhada e reencaminhada por meio do WhatsApp, uma rede social que, por enquanto, tem servido a muitos apenas para a propagação de notícias falsas, de fofocas descabidas, de incentivo e de disseminação do sectarismo ideológico, religioso ou político, bem como de sentimentos de ódio e de vingança que, infelizmente, têm contaminado a sociedade humana.

Talvez você receba este texto, também, pelo WhatsApp, mas, a ideia é justamente esta: incentivar e estimular a reflexão para que então, e somente então, possamos nos valer dele de forma mais sábia, transformando-o em um verdadeiro point de encontro entre amigos e de contatos, consubstanciados em pessoas que olham e que conseguem enxergar  a sociedade como célula apta à expansão e, em perfeita harmonia com a natureza, capaz de canalizar desejos e objetivos humanos mais substanciais e mais condizentes com a própria espécie. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

ago 19

EDITORIAL DA SEMANA: AS CHAVES E AS PORTAS ESTÃO DIANTE DE NÓS – PRIMEIRA PARTE

PORTAS ABERTAS - 2

CHAVES E PORTAS: CAMINHOS LIBERADOS –

PARTE I –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A visão realista do mundo permite a transparência de cenários que, em muitas ocasiões, e situações, impõem limites diante de nós. Alguns desses limites instigam nossa vocação para a superação e, logo, logo, conseguimos vencê-los. Entretanto, existem outros limites que, simplesmente, revelam-se intransponíveis, em razão das inomináveis altura e espessura.

No primeiro caso, mesmo diante das nossas fraquezas e incertezas, recebemos alguns incentivos e estímulos, porque tais limites podem, de fato, ser transpostos. No segundo caso, no entanto, ninguém ousa nos instigar, porque a impossibilidade é reconhecida por todos. Então, o que fazer? Recuar, desistir?

Não, não devemos recuar nem desistir, porque, se existe um mundo visível que apresenta limites intransponíveis diante de nós, existe, também, um mundo invisível que, simplesmente, abre portas diante de nós, facilitando a nossa passagem para lados, mundos, situações e oportunidades que, até então, pareciam impossíveis e inexistentes. Não são portas imaginárias, virtuais, mágicas ou coisas mirabolantes, daquelas que só vemos em filmes de alta ficção científica. São portas reais, plausíveis e sensíveis. Portas que são abertas por meio de chaves que nos são fornecidas por forças superiores.

O segredo não está nas portas, mas, na obtenção e no manuseio das chaves! Em nossas mãos, normalmente, existem cinco dedos. Para cada dedo, um desafio a ser vencido. Cinco desafios que, uma vez vencidos, abrem o caminho para o predomínio do espírito sobre a matéria: o orgulho, a prepotência, a ambição, a inveja e a ira. A derrota destes cinco adversários permite que consigamos destravar algumas portas e, assim, ter acesso a caminhos até então tidos como inexistentes e até mesmo impossíveis de serem trilhados.

O orgulho é, geralmente, o primeiro desafio que nos empareda e nos atinge com força. Diante dele sentimo-nos frágeis e submissos, a ele nos entregando com facilidade e com docilidade, servindo-o de todas as formas por ele exigidas, porque, de nós, ele apenas exige o assassinato da humildade. Matando a humildade, sentimo-nos senhores absolutos do nosso EU e do caminho que temos à disposição.

A prepotência é irmã gêmea do orgulho. Quando acreditamos sermos senhores absolutos do nosso EU e de estarmos no pleno domínio do caminho que temos à disposição, sem qualquer dependência do “outro”, cremos firmemente sermos insuperáveis e, portanto, invencíveis. Ninguém é capaz de deter nossos passos e avanços e, consequentemente, a nossa caminhada. A prepotência forja o extremado amor próprio. Com o orgulho e a prepotência, esmurramos com força bestial os limites intransponíveis impostos pelo mundo visível, dando-nos a nítida certeza de que, se não vencemos, ninguém é capaz de vencer também.

A ambição é a principal responsável pela cegueira espiritual. Na medida em que sucumbimos diante dela, ficamos cada vez mais cegos para a realidade que nos cerca. Daí, não conseguirmos enxergar quando, diante de nós, existe uma muralha intransponível e, da mesma forma, não conseguimos ver as portas que já estão, ou que podem ser facilmente, abertas à nossa frente.

A inveja é a rainha do retrocesso e do descaminho. É ela quem nos obriga a abandonar o nosso caminho natural para seguirmos, e perseguirmos, o caminho trilhado pelo “outro”. Caminho que é próprio de cada um. Construído para cada um, de forma absolutamente individualizada. A inveja, aliada inseparável da ambição, faz com que acreditemos convictamente que um único caminho pode ser trilhado com sucesso por dois seres diferentes. Assim, o que é do outro, pode ser meu também. O que o outro tem, eu posso ter igual ou até mesmo superior.

A ira, por fim, não bastassem os outros entraves, corrompe os nossos tímpanos e trava a nossa mente, impedindo o curso natural da razão. Acometidos com a ira, somos incapazes de pensar de modo racional. Somos incapazes de agir de forma sensata. Portanto, tornamo-nos imprudentes, insensíveis, insensatos e insanos. Movidos pela ira, perdemos a sensibilidade e o tato necessários para a percepção das diversas portas existentes, algumas das quais já estão abertas diante de nós.

Vencer estes cinco desafios pode parecer, à primeira vista, um grande obstáculo intransponível e, aí, voltaríamos à questão inicial. Entretanto, cada um de nós, acreditando ou não, possui um espírito que, por sua vez, traduz-se em um imenso e poderoso templo, no interior do qual muitos e muitos mistérios são desvendados. Forças ocultas são dissipadas; obstáculos são removidos; segredos são revelados e novas forças são concedidas.

Ao desviarmos a nossa atenção, e a nossa atuação, para o templo que carregamos em nosso interior, administrado e gerenciado por um Espírito Maior, capaz de vencer até mesmo o que, para nós, parece ser impossível, adquirimos não apenas uma renovada vida, mas, sabedoria suficiente para vencermos e superarmos todos os entraves, e mais: capacidade para, abertos os olhos, ouvidos e mente, enxergarmos com toda a clareza necessária, todas as portas que estão abertas, desde sempre, à nossa frente.

Mas, é preciso repetir: os cinco desafios devem ser superados. Imagine-se diante de um cofre contendo a solução para todos os seus problemas. Trancado a sete chaves, você não consegue abri-lo, senão, penetrando no interior de uma profunda caverna, ao fundo da qual existe um altar de pedra em cujo tampo estão as sete chaves que abrem o tal cofre. Você precisa, apenas, perceber que, indo na direção da caverna terá rápido acesso às chaves que te darão acesso a todas as soluções perseguidas.

É justamente o que deve ser feito para que as diversas portas existentes, que já podem ser  abertas por você, sejam percebidas, também, por todos aqueles que julgam estar diante de problemas intransponíveis. As soluções existem e estão diante de cada um de nós. Não percebê-las ou não saber como acessá-las, depende do destravamento dos olhos, dos ouvidos e da mente espirituais, o que só pode ser feito após a derrota dos cinco maiores adversários do ser humano. Sozinhos, não podemos vencê-los, mas, com o auxílio do Espírito de Deus, tudo se faz possível porque Ele faz novas todas as coisas e, assim, pode transformar-nos em pessoas absolutamente novas, imunes ao impossível.

Não se trata de magia ou de ilusionismo. Trata-se, na verdade, de crença. Jesus disse que “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e fará outras ainda maiores” (Jo 14, 12). Portanto, com fé e pela fé, obstáculos podem ser superados, adversários  derrotados, muralhas derrubadas, portas abertas e caminhos revelados. No entanto, não basta dizer que crê. É preciso renunciar a si mesmo e entregar-se de corpo e de alma, vencendo todos os inimigos do espírito. Então, e somente então, haverá serenidade, sabedoria, santidade e capacidade para superar todos os limites impostos por este mundo que, ao contrário do que muitos creem, não é real, mas, totalmente ilusório.

Reflita profundamente. Faça uma visita ao seu templo interior e, confiando no Espírito que lá está, derrote seus cinco inimigos e, após, esbanjando alegria e felicidade, escolha as portas que melhor atendem aos seus anseios e necessidades. Faça isso já, não perca mais tempo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

ago 12

EDITORIAL DA SEMANA: A PERGUNTA QUE SE REPETE DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

O DIABO E SEU FILHO

QUEM É O TEU PAI?

*Por Luiz Antonio de Moura –

Quem assistiu o filme “Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson, deve recordar bem da imagem marcante do personagem assombrador, um misto de homem e de mulher que, no Horto das Oliveiras, com um olhar penetrante e diabólico, afirma para um Jesus sofrido e angustiado: "Ninguém pode carregar este fardo, eu te asseguro. É pesado demais". Afirma isto para, em seguida, com a voz pausada e insinuante, perguntar: “Quem é o teu pai?”

Aquela figura nefasta, simbolizando o sarcasmo, a mentira, a indolência, a hipocrisia, a falsidade e uma aparência tenebrosa, ousa aproximar-se do terrivelmente angustiado e sofrido Jesus, para importuná-Lo com a pergunta que é feita a muitos de nós, ainda hoje: “Quem é o teu pai?”.

Além da pergunta, ele é o mesmo que sempre repete para nós a afirmação: "Ninguém pode carregar este fardo, eu te asseguro. É pesado demais", levando muitos de nós à convicção de que estamos sendo massacrados e destruídos, à espera de um Pai que, sequer, sabemos quem é.

Jesus, como bem demonstrado no filme, cai em profunda oração e ignora a figura satânica, desprezando-a com simples olhares, reveladores de uma força interna inabalável e invencível. Muitos de nós, no entanto, quando ouvimos a mesma pergunta, cochichada aos nossos ouvidos espirituais, ficamos atônitos e, não raro, repetimos para nós mesmos: “Quem é o nosso pai?”. Quem é o Pai que coloca sobre os nossos ombros um fardo tão pesado?

Mas, a pergunta de Satanás, no filme, e em certo momento, é feita de modo audaciosamente ilustrativa. É quando ele, diante de um Jesus às portas da morte no Calvário, passa por entre a multidão acariciando um horrendo e monstruoso filho, carregado em seus braços, como a demonstrar que ele, sim, Satanás, é um pai zeloso, que jamais abandona aqueles que a ele prestam o verdadeiro culto. Um pai que não impõe fardos pesados para serem, angustiantemente, carregados por seus filhos.

Nos dias atuais, estamos vivendo situações bastante parecidas com aquelas sinistras cenas do filme: estamos sofrendo e vendo o sofrimento cair sobre nossas cabeças, famílias e filhos e, quantas vezes, ouvimos e repetimos a mesma pergunta: “Quem é o nosso Pai?”. Ao mesmo tempo, em que somos confrontados com as figuras sinistras deste mundo, abraçadas aos seus filhos, igualmente tenebrosos e horrendos, mas, que demonstram terem quem se preocupa com eles e com suas vidas, enquanto praticam todo tipo de maldade, de crueldade, de impiedade, de loucura e de insanidade, assim como tudo o que provém do mal.

No dia-a-dia estamos assistindo cenas de um filme que não é dirigido por Mel Gibson, mas, cujos atores nós conhecemos muito bem, ainda que somente apenas por meio do noticiário. São atores que representam de modo perfeito o papel de pais ardorosos, carinhosos e zelosos, que abraçam, prestigiam e acariciam os seus protegidos, de todos os matizes e de todas as classes sociais, como a insinuarem para nós a má escolha que fizemos, ao entregarmos as nossas vidas e os nossos espíritos ao mesmo Pai de Jesus.

Os pais e os filhos deste mundo, revelados e operantes, refestelam-se com o produto da sua maldade e da sua perversidade, e nada, absolutamente nada, acontece com eles. São autoridades, autorizados e autoritários; armam-se com o favor dos poderes constituídos e com as altas somas de dinheiro e de ouro que manipulam, administram e dividem entre si, enquanto milhares de Jesus estão sendo açoitados, torturados sob o escárnio impiedoso, insolente e indolente e encaminhados para a cruz, para um final de vida solitário e infame, sem qualquer socorro.

Entretanto, é sempre valiosa, também, a recordação de que, quem assiste o filme até o último instante, presencia aquele mesmo Jesus sair do túmulo, intacto, vivo e revivido. Numa palavra: Ressuscitado! Satanás e seus filhos jamais passaram pela experiência da morte, porque seriam derrotados para sempre, haja vista que o Único que venceu verdadeiramente a morte foi Jesus Cristo, o Filho amado e Unigênito de Deus.

A queda, a desolação, o embaraço e a perdição é o que é de se esperar que aconteça, ao final de todas as contas, com os filhotes de Satanás que perambulam por este mundo, exibindo-se e sendo acariciados por seus falsos pais. Pais que nada podem oferecer, a não ser os péssimos exemplos e o caminho do mal, sempre trilhado, que culminam com o fim de suas vidas e de suas próprias histórias. Pais, que acariciam e prestigiam seus rebentos pelo mal que fazem uns aos outros e aos filhos de Deus, mas, que, ao final de tudo, deixam-nos no abandono e na podridão de um mundo que tudo lhes oferece, menos a vida.

Precisamos aprender a responder à pergunta feita pelo adversário de Deus, e pelos seus imitadores neste mundo, oferecendo o mesmo olhar silencioso e desprezivo que Jesus oferece no filme. Trata-se de um filme, é verdade, mas, que carrega uma forte carga de plausibilidade, principalmente, quando recordamos a leitura dos Evangelhos, nas quais o mesmo Satanás, lá no deserto, já atormentava Jesus, com a insinuação: “se és mesmo filho de Deus...”.

Não podemos, olhando para os pais malditos que acariciam seus filhos, apesar de todo o mal que produzem e que praticam neste mundo, nos deixar levar pela insinuação satânica de que o nosso Pai celeste não se incomoda conosco, nem com os sofrimentos que nos cercam e nos atormentam. Ele sempre se incomoda, sim. Sofre conosco, caminha ao nosso lado e vem em nosso auxílio. Apenas, e somente apenas, Ele permite que possamos ouvir a pergunta feita por Satanás aos nossos ouvidos: “Quem é o teu pai?”, para ver se cederemos à tentação, ou se nos manteremos firmes, resistentes e fieis até o fim. Para esta firmeza, resistência e fidelidade, nosso Pai faz uma promessa: “o que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24, 13). A confiança, a fidelidade, a obediência e a oração de Jesus são os verdadeiros e grandes exemplos a serem seguidos.

Portanto, a sugestão é para que, quem não assistiu o filme, apesar de já ser um pouco antigo, assista e preste bastante atenção nas referidas cenas. Compare-as com as investidas do maligno sobre nós, todos os dias, e convença-se de que o melhor a fazer é, simplesmente, ignorar a pergunta incômoda e maligna, porque nós, que pretendemos ser fieis até o fim, sabemos quem é, e onde está, o nosso Pai, assim como temos certeza de que nenhum pai deste mundo é comparável a Ele, porque somente Ele pode assegurar uma vida plena e abundantemente feliz a todos e a cada um dos seus filhos: a vida eterna! Reflita e, orando como Jesus, resista e sobreviva. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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