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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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mai 20

EDITORIAL DA SEMANA: FILHOS DE DEUS, ESCRAVOS DO MUNDO

ESCRAVOS DO MUNDO - 2

ESCRAVOS VOLUNTÁRIOS – O ABANDONO DA RAZÃO E DA ESSÊNCIA DA VIDA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Quando falamos em qualquer forma de escravidão, é inevitável, ao menos para nós, cristãos, não pensar na libertação proposta por Jesus Cristo a todos os que acolhem a mensagem do Reino de Deus. E, desde os tempos do cristianismo primitivo, não são poucas as pessoas que declararam, e que ainda declaram, o seguimento à Palavra do Profeta de Nazaré estando, porém, com os pés fortemente fincados no chão e com a alma e o espírito total e absolutamente presos ao materialismo e às propostas feitas por um mundo que, apesar da beleza e dos atrativos, está sempre em decadência.

O mundo foi criado a partir do caos, continua no caos e, por esta razão, permanece sendo reconstruído a cada dia.

Chega a ser assustador, não, viver em mundo em aparente e permanente decadência, mas, e, sobretudo, viver em meio a pessoas que, apesar de professarem a fé na mensagem do cristianismo, caminham tão acorrentadas às manias, aos hábitos, aos costumes e à cultura ditados por estruturas de produção, de enriquecimento, de poder, de acúmulo de prestígio e de autossuficiência que, no final de todas as contas, nos levam a perguntar: Que salvação restará para estas pessoas?

Alguém pode objetar, afirmando que a salvação é para todos e que, o que é impossível para o homem, é plenamente possível para Deus. Mas, esta proposição é idêntica à que é feita pelos infelizes escravos do mundo. Simplesmente não cola!

E não cola porque, a palavra de Jesus é bastante clara e dispensa maiores e aprofundadas interpretações. Senão vejamos: “Por que me chamais vós Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6, 46). E, no mesmo Evangelho, Jesus afirma que todo o que ouve suas palavras e as coloca em prática, é semelhante ao homem que, ao edificar sua casa, cava profundamente e coloca os alicerces na rocha. Virão o vento e a tempestade, afirma Ele, investirão contra aquela casa, mas, não a conseguirão destruir. Porém, continua Jesus, o que ouve as minhas palavras e não as coloca em prática, é semelhante ao homem “que edificou sua casa sobre a terra sem fundamentos, contra a qual investiu a torrente, e logo caiu, e foi grande a ruína daquela casa” (Lc 6, 49).

N’outra parte, Jesus declara que todo aquele que retém os seus mandamentos e os pratica, este é que verdadeiramente O ama, “e aquele que me ama será amado por meu Pai e eu o amarei também, e me manifestarei a ele” e, ainda, “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada” (Jo 14, 21-24).

Ora, as palavras de Jesus são todas vocacionadas e direcionadas para o Reino de Deus, e não, como pensam muitos cristãos conhecidos, voltadas para os “negócios e os progressos” deste mundo, aos quais sentem-se ligados pela própria natureza, pelos quais devem lutar com unhas e dentes, acreditando estarem cumprindo missão divina.

Grande parte dos cristãos que conhecemos na atualidade, fazem ouvidos de mercadores em relação às palavras de Jesus. Frequentam os templos, atuam nos ritos litúrgicos, casam e batizam seus filhos e netos, fazem fila para a confissão e para a comunhão, mas, ao saírem dali, retomam seus negócios com verdadeira fúria, exigindo de todos os que estão à sua volta e sob o seu chicote, que ajam da forma determinada pelos diversos sistemas e estruturas estabelecidos, com vistas à consolidação, não do Reino de Deus, conforme ensinado por Jesus, mas, do poder – econômico, político ou jurídico – e do acúmulo de fama, do prestígio e da consagração pública. Acreditam estas pessoas, que o discurso fácil do “eu creio em Jesus”, será suficiente para livrá-las das correntes em que estão presas, de forma absolutamente voluntária, em razão da ambição, do orgulho, da vaidade, da prepotência, do autoritarismo e da arrogância, aos quais servem com o máximo de zelo possível, inclusive, incentivando-se umas às outras a procederem do mesmo modo.

Esquecem, mais uma vez, que Jesus, atento a tudo e a todos, em todos os tempos, não apenas ensinou como devemos lidar com os lobos vorazes travestidos de ovelhas, mas, e muito mais, já os sentenciou ao declarar que “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres? Então, eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7, 22-23).

Praticam a iniquidade, todos aqueles que, conhecedores da Palavra, fazem-se de cordeiros perante os grandes deste mundo e, no dia-a-dia de suas vidas, agem de forma totalmente contrária do amor ao próximo – sem discriminá-lo – esquecem-se do dever de solidariedade e de fraternidade, tirando do outro o máximo que podem, sob o argumento de que os salários são pagos regiamente; exigem que seus trabalhadores ou subordinados trabalhem à exaustão, em busca de uma produtividade cujo ideal nunca é alcançado; miram seus interesses unicamente na prospecção de uma imagem falsa que cunham para si próprios, olvidando que a Deus jamais enganam. E, o pior, continuam a bradar o “eu creio em Jesus”.

Escravos! Todos são escravos de um mundo decadente. Um mundo que não foi criado para ter um fim, mas para conduzir muitos para um triste fim. Um mundo que cambaleia, feito um bêbado, mas, que jamais cai levando, no entanto, ao chão e à queda todos aqueles que vivem e se escravizam nele e por ele.

De sorte que estes escravos contemporâneos, assim como o foram os de todos os tempos passados, e, certamente, o serão os do futuro, abandonam a razão e a essência da vida, que é Deus e que está escondida em Deus, não, nos “negócios” e “nas causas” deste mundo, como imaginam estes desafortunados, embora possuam alguma fortuna palpável, mas, na realidade de uma vida verdadeira e abundante, que é a vida eterna prometida por Jesus a todos os que ouvem e cumprem, de fato e em verdade, as suas palavras.

Os filhos deste mundo possuem a esperteza para os negócios e para as artimanhas, porém, não possuem a sabedoria, virtude que Deus só concede aos pequeninos, àqueles que estão sempre sob o chicote dos grandes que, para não sofrerem muito, afirmam que “todos somos iguais”, acreditando que este mantra agradará e os livrará da justiça de Deus.

É de se lamentar que ainda existam cristãos, irmãos nossos, vivendo e agindo desta forma, apesar de todos os avisos e de todas as exortações a eles dirigidas pelos mensageiros da Palavra. Porém, se não ouvem a Deus, ouvirão simples mortais como nós?

Só nos resta pedir ao Cristo de Deus para que toque profundamente estes corações empedernidos que, mesmo na sua loucura, acreditam piamente estarem no mesmo barco de Jesus, sem se darem conta que o barco de Jesus não afunda jamais, ainda que Ele esteja dormindo e o que o deles, com o peso da água do tempo, já está em estágio avançado rumo à submersão.

É preciso fazer profunda reflexão sobre a nossa forma de viver, de agir e de alardear aos quatro ventos nossa condição de cristãos. É preciso apurar, de fato e com honestidade, a quem estamos servindo com o coração e com a alma, já que, com a boca, estamos servindo a Jesus, o que já é suficiente o bastante para a nossa derrota eterna, haja vista que Ele poderá olhar para nós e dizer “Nunca vos conheci”. E aí, onde estarão os louros das vitórias conquistadas a qualquer preço? Onde estarão os ganhos exorbitantes auferidos às custas do sangue e do suor alheios? Onde estarão as benesses auferidas pelos recordes de produtividade, com citações em periódicos e em relatórios publicados? Onde estarão os méritos que acreditávamos ter, com nossas esmolas e trabalhos voluntários? De que terão valido anos e anos de trabalho, intercalados com as idas ao templo para figurar entre os bons e os eleitos do Reino, quando o próprio  Rei dirá que não nos conhece?

É uma reflexão dura demais, mas, profundamente necessária. Sempre é tempo para uma correção de rumos e de trajetórias. Não podemos permitir uma derrota provocada por nós mesmos. Não podemos admitir que, no final de tudo e de tanto, sejamos atirados no abismo negro de uma morte sem perspectiva de entrada no Reino de Deus. Reino ao qual só teremos acesso se ouvirmos e colocarmos em prática as palavras de Jesus. Porque, se assim não fosse, Jesus passaria por mentiroso e, como disse o Apóstolo Paulo, seria vã a nossa fé. Pense sobre isto. Seja feliz, e boa sorte!.

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

 

                                                                                 

mai 13

EDITORIAL DA SEMANA: DECIDIR, NEM SEMPRE É TRANQUILO COMO PARECE

POR ONDE SEGUIR

A ANGUSTIA TE ACOMPANHARÁ –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Recentemente precisei fazer um trabalho, do qual resultou a apresentação de uma palestra sobre a Ética Social e Profissional e, por conta disso, tive que fazer alguns estudos e algumas pesquisas pontuais. De tudo o que li, vi e ouvi, uma frase do filósofo e professor de Ética na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), Clóvis de Barros Filho, não só chamou a minha atenção, como, também, ficou gravada na minha mente e, em muito pouco tempo pude sentir, na própria pele, a veracidade da mesma: “A angustia te acompanhará”, diz o professor Clóvis, quase como se recitasse um mantra.

O contexto, certamente, é mais do que conhecido por todos e por cada um de nós, pois ganha vida todas as vezes em que estamos diante do dilema da escolha. Escolha que, necessariamente, temos de fazer a cada esquina, a cada nova situação surgida, a cada desafio a ser enfrentado, nos quais somos colocados diante de possibilidades tais que, em muitos casos, preferiríamos não ter liberdade. E aí, vem uma questão maior: a liberdade para fazer escolhas. É justamente esta liberdade, que nos empareda e nos angustia todas as vezes que precisamos fazer escolhas.

É claro, pois parece óbvio, que para fazê-las, precisamos atribuir valores a cada uma das possibilidades apresentadas e, para tanto, temos de adotar certos, e certeiros, critérios, pois, sem eles, ficamos sem os necessários e imprescindíveis parâmetros, a começar por uma inevitável hierarquização de todos os valores envolvidos na trama. Dentre os critérios a serem adotados, está o de contextualizar o problema: por exemplo, existem situações nas quais o valor maior é o sigilo, e não, a transparência – como ocorre nos negócios relacionados com o mercado. Em outras oportunidades, o valor mais relevante, é o silêncio, e não, a euforia de uma escola de samba (dá para imaginar um silêncio total na avenida do samba, em pleno domingo de carnaval?); n’outras situações o valor maior é a disciplina e o respeito; em outras, é a qualidade a qualquer preço; ou, ainda, a necessidade de determinado bem, e por aí vai.

De repente, na sua vida, você deve escolher entre a compra um carro novo, ainda que pagando à vista e com um bom desconto, ou usar o dinheiro para dar entrada na aquisição de um imóvel próprio, ainda que se envolvendo em um financiamento prolongado. Mas, o que tem maior valor quando você não possui a sua casa própria? Então, você olha para aquele carro dos seus sonhos, na cor e com o design sempre buscado, com todos os acessórios que você sempre idealizou, o preço é bom, o vendedor apresenta proposta irrecusável e, pior, aquela quantia, está absolutamente livre e disponível na sua conta corrente. No entanto, surge a proposta para a compra de um imóvel e, com aquela importância depositada na sua conta corrente, você pode dar uma boa entrada, como sinal, para a aquisição de um apartamento amplo, bem situado e do jeito que você e sua família precisam, pois, conforme dito, vocês não possuem casa própria! Seu coração bate mais forte. Sua mulher e seus filhos quase imploram para que você compre o carro. E você fica diante de um dilema angustiante. Nesta hora, você certamente se lembrará do filósofo: “a angustia te acompanhará”.

No entanto, o dilema entre o carro ou o imóvel é apenas um exemplo. Quantas e quantas vezes você, eu e todos nós, somos colocados diante de dilemas bastante semelhantes? Dilemas advindos, justamente, da liberdade que temos para fazer escolhas. Mas, ninguém pode fazê-las por nós porque, se abrirmos mão de escolher, estamos abrindo mão, também, da nossa liberdade. E aí, conseguimos enxergar pela primeira vez na vida, o preço da liberdade que apenas nós, humanos, temos.

Os animais são felizes por esta razão: não precisam fazer escolhas. Vivem do jeito que vivem, porque é a única forma de têm para viver desde sempre. Este tipo de liberdade, para eles, é absolutamente irrelevante. Por esta razão, não têm dilemas e, por conseguinte, não passam pelas angústias pelas quais nós, humanos, sempre passamos.

Nossa liberdade, no entanto, vem casada com a preocupação, com o desgaste, com o medo, com a angustia, com as perdas e com os ganhos e demanda, acima de tudo, a aquisição de um verdadeiro arsenal de estratégias, das quais nos valemos para, a cada situação, termos condições de, mesmo em meio a todos os custos, fazermos escolhas que podem ser acertadas, ou não.

Trata-se de processo que, à primeira vista, parece simples. Afinal, a toda hora a gente está fazendo escolhas diversas, e ninguém fica angustiado a todo instante por causa disso. A má notícia, porém, não são as escolhas miúdas que fazemos no dia-a-dia, as escolhas do varejo. A má notícia, é que precisamos sempre, e inevitavelmente, fazer um destes três tipos de escolhas: a escolha entre o bom e o bom; a escolha entre o bom e o ruim; e, a pior de todas, a escolha entre o ruim e o ruim.

A primeira escolha é mamão com mel: na escolha entre o bom e o bom, você vai escolher um bom e vai descartar o outro. A segunda escolha, aparentemente, também é tranquila: você ficará com o bom e descartará o ruim. Digo aparentemente porque, dependendo das circunstâncias, você é levado, com o coração sangrando, a optar pelo inverso, escolhendo o ruim e jogando o bom na lata de lixo. A terceira escolha, no entanto, é a mais dramática entre todas porque, aqui, você ficará entre dois ruins e, ao descartar um, obviamente, ficará com o outro, que é ruim também. Percebe o dilema? Percebe a angustia na hora de tomar uma decisão séria na sua vida?

E o mais chocante é que o professor Clóvis de Barros Filho traz o problema, e ele próprio diz com todas as letras não poder te ajudar, afirmando categoricamente que: “este abacaxi é você quem tem que descascar, não eu!”

O que não deixa de ser verdade. São os abacaxis da vida, que somos obrigados a descascar todos os dias querendo ou não, gostando ou não, sabendo ou não.

Daí resulta a importância de abastecermos os nossos espíritos com valores supra materiais, tais como a serenidade, a sabedoria, o discernimento, a fé, o equilíbrio, a capacidade, enfim, de fazer escolhas acertadas para a nossa vida. Escolhas que, não raro, afetam diretamente as pessoas que conosco convivem ou que dependem de nós para continuarem suas caminhadas.

A angustia te acompanhará! Este parece ser um mantra cuja veracidade pode ser comprovada dia-a-dia, durante toda a nossa existência ativa. Merece uma reflexão. Uma reflexão que provoca um sentimento, não de impotência, mas, de igualdade, na medida em que atinge a todos os seres humanos, de forma indiscriminada. Então, reflita e relembre dos diversos momentos nos quais você passou pela angustia de precisar tomar decisões difíceis, em razão das possibilidades que tinha diante de si. Alguns te aconselharam a refletir melhor; outros deram algumas opiniões que você, ao final, acabou descartando. Outros, ainda, sugeriram que você desistisse de tudo ou que recuasse e adiasse a decisão. Porém, no final de todas as contas, coube a você decidir, angustiado ou não. Mas, faz parte deste interessante jogo da vida, cuja próxima jogada será feita por você. Eu já fiz a minha. Escolha a peça a ser movida. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

mai 06

EDITORIAL DA SEMANA: AO FERIR O PASTOR, TODO O REBANHO SANGRA

O PAPA E O SEU REBANHO

EDITORIAL DA SEMANA: O PAPA E O SEU REBANHO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Acusar alguém de ser herege, é uma coisa séria. Acusar um Papa de heresia, é coisa grave. Acusar o Papa Francisco, de heresia, é muito mais grave. E, coisa gravíssima, é quando tais acusações partem de sacerdotes e teólogos da própria Igreja Católica. Aqui, é preciso separar uns e outros, porque, os primeiros fazem voto de obediência à hierarquia eclesial, no topo da qual figura o próprio Romano Pontífice.

Fossem apenas, e simplesmente, teólogos, a fazerem tal acusação, embora grave, a situação seria facilmente contornada, em razão da “liberdade” de que gozam os leigos iniciados na teologia e na eclesiologia, quando, no máximo, poderiam ter seus argumentos enfrentados no meio acadêmico culminando, quando muito, numa descredencialização junto ao rebanho.

Entretanto, quando a acusação de heresia parte justamente daqueles que, em primeiro lugar, devem respeito e obediência ao Pontífice, é de se cobrar severidade na administração da necessária reprimenda, em razão da hierarquia eclesial. Tal acusação, se fosse, ou se for, o caso, deveria partir daqueles que, verdadeiramente, representam os Apóstolos de Cristo: os Bispos. E, a partir deles, ser encaminhada às instâncias superiores. Ah, mas é isso que os sacerdotes estão fazendo: encaminhando suas queixas aos Bispos. Não deixa de ser uma afronta direta ao Sumo Pontífice.

Chama, porém a atenção, mais do que a ousadia do enfrentamento, o fundamento utilizado pelos denunciantes, para tentarem cravar no Papa a pecha de herege: ser condescendente com seres humanos, filhos de Deus e irmãos de Jesus, que, em razão da condição matrimonial (divorciados e recasados) querem, mas não podem, se aproximar da mesa eucarística, onde, junto com Jesus, sentaram-se homens absolutamente comuns e, inclusive, o traidor Judas Iscariotes, e, também, por ser afetuoso e, na boca dos acusadores, acolhedor de outros tantos filhos e irmãos amados por Deus e por Jesus, que optaram pela homossexualidade como condição de vida.  

Na visão, digamos, tosca, destes sacerdotes, o Papa, que para eles e para os católicos representa a figura do próprio Jesus aqui na terra, deveria ser e agir de modo diametralmente oposto Daquele a quem representa: Jesus. Acreditam estes “profetas do apocalipse”, que Jesus, se ainda caminhasse fisicamente por este mundo, viraria o rosto para o lado, todas as vezes que se deparasse com homossexuais, ou se levantaria da mesa de refeições, todas as vezes que algum divorciado recasado tentasse tomar alimento junto dele e dos seus inúmeros e prediletos amigos, como se fosse verdade que Jesus tinha amigos prediletos.

Ora, parece haver certa inversão de valores em toda esta história mal começada e que, com toda certeza, será mal terminada: a mesa e os alimentos foram disponibilizados, justamente, para os que têm fome e sede. No caso, para todos os pecadores, aí incluídos, certamente, aqueles aos quais o Papa estende sua santa mão. Por esta lógica, parece que alguém, então, precisa sair da mesa para dar lugar, e não o contrário. Precisam sair da mesa todos os que já estão saciados, e não, como sugerem, os famintos e necessitados do alimento que cura e traz a salvação. Precisam sair da mesa os que ofendem grosseira, e despudoradamente, o representante oficial de Jesus, o Papa que, mesmo sendo um pecador como qualquer outro homem, tem procurado ajuntar em torno de si, e do próprio Cristo, todas as ovelhas do rebanho, inclusive, as feridas e as marcadas por todo tipo de sofrimento, de agressões, de violências e de discriminações nos mais variados graus.

Eu não tive acesso aos nomes dos acusadores do Papa, mas, penso comigo, deveriam ter seus nomes revelados, principalmente, os sacerdotes, para que todos os fieis de suas paróquias conhecessem bem aqueles que querem tomar assento ao lado do Filho de Deus, expulsando irmãos pobres, carentes, sofridos e, em muitos casos, cruelmente perseguidos em suas pátrias-mães. Estes sacerdotes precisam ser conhecidos, para que todos saibamos de quem devemos fugir. Devemos fugir dos lobos travestidos de cordeiros, e não, do Pastor, acusado de ser o verdadeiro lobo.

A história de vida do Papa Francisco contrasta com as de muitos de seus colegas de batina, se é que se pode falar desta forma, sem desrespeitar o Sumo Pontífice. Contrasta, porque o Santo Padre, quando ainda era um simples sacerdote na Argentina, já tinha o olhar totalmente voltado para as mesmas classes com as quais, hoje, tanto se identifica e das quais procura se aproximar cada vez mais, em nome e a exemplo do que, certamente, faria o próprio Jesus.

O Papa Francisco, ao contrário dos seus dois últimos antecessores, dentre os quais, um, inclusive, já foi declarado santo, caminha por entre o rebanho de Cristo com a mesma naturalidade com a qual Jesus caminhou: roupas e postura simples; braços abertos e acolhedores; sorriso e gestos de amizade, de compreensão e de misericórdia; abraçando e beijando crianças, jovens, adultos e idosos. Mas, é de se perguntar: de que adiantaria o Papa agir desta forma, nas ruas e praças do mundo e, no altar onde o Corpo e o Sangue de Cristo são adorados, afastar, justamente, os pecadores com maiores e mais profundas marcas em suas almas e em seus espíritos? Não chega a parecer-nos, que algumas batinas bonitas, finas e elegantes podem ser facilmente comparadas aos sepulcros caiados aos quais Jesus fez referência, quando enfrenta alguns  escribas e fariseus mais recalcitrantes (Mt 23, 27-28)? Não estariam, as referidas vestimentas, escondendo dentro de si todo tipo de podridão e de vergonha? Não seriam estes acusadores, semelhantes aos nosso primeiros pais, no quesito obediência?

Bem, a mim, e acredito, à maioria dos católicos, restam sempre a esperança e a confiança na presença infalível do Espírito Santo no centro da Igreja, a qual já não existiria mais, não fosse esta doce, forte e flamejante presença. Presença que não se arvora em lançar no inferno os indesejáveis, mas que, acima de qualquer outro evento, protege o rebanho e o Pastor, sem exclusões e sem discriminações.

Penso ser nosso o papel de orar a Deus e de pedir a presença com, ainda, maior intensidade, do Santo Espírito, para que Pastor e rebanho estejam a salvo das armadilhas preparadas, e incansavelmente urdidas, por estes lobos vorazes que, com vestimentas límpidas e imponentes, surgem de vez em quando, prontos para fazerem a carnificina tão desejada e tão acalentada pelo adversário número um de Deus, aquele mesmo que, lá no Jardim do Éden, induziu os primeiros seres humanos à desobediência descarada e desafiadora, levando-os, inexoravelmente, à expulsão das terras do Senhor.

Fosse o Sumo Pontífice acusado de qualquer outro crime, nós, cá de baixo, não teríamos muito o que falar. Mas, acusá-lo, justamente, de ser piedoso, misericordioso, acolhedor e imitador do Cristo Jesus, é algo que fere a nossa inteligência e a nossa ética, não nos permitindo ficar calados, quando alguém, injustamente, é levado perante o sinédrio do nosso tempo, para ser, de algum modo, crucificado mais uma vez.

Não seja omisso(a), não fuja da responsabilidade de assemelhar-se ao próprio Cristo. Não aceite passivamente, que um Papa seja tão escarnecido como tem sido ultimamente, o Papa Francisco.

Ao ler este texto, vá além da reflexão, caminhe mais adiante, examine sua memória e procure lembrar de quantas pessoas divorciadas e recasadas você conhece, e que desejam ardentemente receber o Corpo e o Sangue de Cristo; pense em quantos homossexuais de verdade, que você conhece, e que, vivendo uma vida digna e honesta, acalentam poder receber o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor e, assim, serem, também, recebidos pelo Filho do Deus Altíssimo. Depois, caso julgue oportuno, faça sua oração e rogue a Deus para que envie o Espírito Santo, para proteger o Pastor e todo o rebanho, tão covardemente ameaçados e tão insistentemente atacados, não por seus pecados cotidianos, mas, justamente, por tentarem imitar Jesus, o homem de Nazaré. Seja feliz, e boa sorte!

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*Por Luiz Antonio de Moura, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

abr 29

EDITORIAL DA SEMANA: QUE TODOS DIGAM O QUE TÊM PARA DIZER

PALAVRAS INCOMODAM

EDITORIAL DA SEMANA: POR QUE SIMPLES PALAVRAS INCOMODAM TANTO?

*Por Luiz Antonio de Moura –

Sou adepto de um estilo literário, por meio do qual o autor escreve sem dar nomes aos atores. Adoto a fórmula, porque acredito sinceramente, que no curso da leitura, cada ator vai sendo nitidamente identificado e revelado, ou, o que acho mais instigante, alguns vestem carapuças que a gente, sequer, imaginava pertencer a eles.

Nos últimos tempos tem ficado muito claro para a sociedade, de um modo geral, o quanto o acúmulo de palavras pode ser incômodo. Tão incômodo que, em certos momentos, ainda que de forma discreta ou mesmo disfarçada, a censura é apontada como o único remédio, amargo ou não, para mascarar as dores provocadas por palavras que, distribuídas aos quatro ventos, impedem a cicatrização de feridas profundas.

No entanto, o que parece passar despercebido, apesar do elevado nível de inteligência com o qual alguns são presenteados pelo Criador, razão pela qual  sentem-se verdadeiros deuses, é que as palavras apenas são ditas por algumas bocas, mas, muito antes, já estão fortemente alojadas nas mentes de muitas outras pessoas e que, o simples gesto repressivo, faz aumentar ainda mais o interesse de muito mais gente sobre elas. Ou seja, a tão lisonjeada censura,  acaba tendo um efeito altamente pernicioso, porque eleva à enésima potência a possibilidade de ampla divulgação, daquilo que, até então, pretendia-se restrito a poucos ouvidos, fazendo dos subterrâneos e das catacumbas os canais perfeitamente adequados para a proclamação das mensagens ameaçadoras e incômodas, como bem ensinaram os primeiros cristãos que vivenciaram problemas semelhantes.

Desse modo, uma simples, bem trabalhada e bem difundida entrevista, por exemplo, é mais do que suficiente para levar a todos os quadrantes do planeta, palavras, ideais, mensagens, críticas, sugestões, desafios e tudo o mais que se possa imaginar de concreto, em um cenário no qual permeiam gestos e atitudes cuja única finalidade é desvirtuar os caminhos trilhados por verdades que, no fundo, no fundo, precisam ser transformadas em mentiras, a fim de que possam surtir os efeitos desejados por certos segmentos sociais, políticos ou mesmo religiosos. Impedir que certas pessoas possam se expressar, pode ser a mais eficiente senha para torná-las mais importantes ainda.

Pela lógica já antecipada, quando certas palavras são declaradas em público, elas já passaram por inúmeras cabeças pensantes e, mesmo que não tenham sido difundidas em larga escala, por falta dos veículos apropriados, estão sendo minuciosamente trabalhadas para que, em meio à profusão de tantas outras palavras, cheguem ao destino certo e atinjam os objetivos necessários.

Portanto, perdem precioso tempo aqueles que, de posse da espada ou do chicote, pretendem calar vozes sufocadas nas profundezas das catacumbas ou das masmorras, porque estas vozes sempre ecoarão pelas frestas das portas e das janelas, sempre vão se misturar ao vento que passa e que, de árvore em árvore vai comunicando sua essência a inúmeras folhagens que, por seu turno, vão repassando as mensagens, de geração em geração.

É inútil acreditar, que a tentativa para impedir que certas pessoas possam tornar públicos seus pensamentos, ideias e críticas, seja o bastante para sufocar, aniquilar, e matar mesmo, o fluxo de sentimentos, desejos e pretensões que circulam nas veias de milhões e milhões de pessoas, dentre as quais, muitas com cérebros realmente privilegiados e que, por não se apresentarem como deuses, acabam não sendo percebidas e, portanto, passam por inexistentes. Mas, a verdade é que tais cérebros estão lá, onde sempre estiveram, cumprindo o papel que sempre cumpriram, transmitindo as tais palavras, ideias e projetos de geração em geração, também.

Quando aquele que pretende falar, não sofre qualquer restrição, na verdade ele não faz mais do que reverberar muito do que já foi dito por outras, e confiáveis, bocas. Ele repete muito do que tem sido dito no recôndito dos bares e dos balneários; nas encruzilhadas dos palácios; nas esquinas das cidades e, até, nas conversas de alcova.

Há, no entanto, quem insista em afirmar que determinadas bocas não deveriam ser ouvidas, porque, segundo estes gênios, elas trazem perigos, como se fossem capazes de dizer coisas absolutamente novas e empolgantes. Como se tais bocas tivessem o poder de alterar, da noite para o dia, tudo o que, pela própria natureza, só pode ser alterado pelo tempo. Tempo que, quando chega, tal qual uma terrível tempestade, arrasa com tudo o que é desprovido de sólidos fundamentos. Ou seja, não serão as palavras proibidas, que deterão a marcha e as consequências do tempo. Serão, na verdade, os gestos impensados e as ações mal concebidas, ou concebidas de forma maligna, que trarão em si atreladas as terríveis consequências atribuídas, injustamente, às palavras que se pretendeu frear.

Assim, é bom deixar que todos digam aberta e livremente tudo o que têm para dizer, porque se a eles for imposto o silêncio, até as pedras falarão por eles, tamanha a gravidade do que têm para expressar. São sempre muito vivas as lições deixadas pelos primeiros cristãos que, impedidos de falar publicamente sobre o Cristo Ressuscitado, simplesmente porque alguns gênios da época acreditavam conspirar contra o império, acabaram por destruir aquele mesmo império, a partir das palavras ditas de boca em boca, nas profundezas das catacumbas e das prisões, e que, pouco a pouco, ganharam espaço e interesse em todo o mundo civilizado.

A injustiça não prevalecerá para sempre! O injusto, da mesmo forma que o justo, também não viverá para sempre. No entanto, ambos deixarão herdeiros, e estes, certamente, haverão de colher os frutos, amargos ou não, das enormes árvores plantadas por seus antepassados. Dessa forma, não é apenas bom ouvir o que todas as bocas têm para dizer, como, também, refletir sobre o que está sendo dito por todas elas  porque, afinal de contas, sempre é tempo para recuos e mudanças de rumo.

A reflexão é meio para lavar a alma e enobrecer o coração do ser humano. Nenhum animal é capaz de refletir. É uma prerrogativa do homem, como espécie, dada pelo Criador, com vistas ao crescimento e ao aperfeiçoamento das múltiplas relações a que somos, todos, submetidos durante a nossa curta  existência. Reflita sobre mais este texto e tire as suas próprias e respeitadas conclusões, desde que não pense em calar a voz deste escriba, que apenas escreve o que muitos outros pensam ou já pensaram antes. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

abr 15

EDITORIAL DA SEMANA: SOMOS VERDADEIRAMENTE CRISTÃOS?

JESUS E A CRUZ

NA CRUZ, TODAS AS RESPOSTAS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Estamos vivendo dias que demandam profunda reflexão. O cristão verdadeiro, ou o verdadeiro cristão, vive, ou deveria viver, constantemente em profunda reflexão, em razão da fé personificada que professa. Crer em Jesus Cristo, não é como crer em fatos ou contos que são narrados por outras pessoas aos nossos simpáticos ouvidos. Crer em Jesus Cristo é muito mais do que isso. É ligar-se a Ele de tal forma que, como afirma o Apóstolo Paulo “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). E, viver em lugar de outra pessoa, importa pensar e agir exatamente da forma que tal pessoa vive, viveu ou viveria. Age, agiu ou agiria. Quem não passa por esta experiência, não sabe o que é viver o papel que adora dizer que vive. Ou melhor, passa pela vida enganando-se e tentando enganar aos outros. Tentando, porque quem está de fora tudo vê, tudo percebe e tudo registra.

Esta semana, como sempre ocorre na vida de todos nós cristãos, principalmente, os católicos, recordamos os últimos dias, palavras e gestos de Jesus sobre a terra e, somos convidados a caminhar com Ele até as últimas consequências, inclusive, morrendo na cruz, de onde, ainda com Ele, somos levados ao túmulo para, ao final, com Ele ressurgirmos para a verdadeira vida. A vida em plenitude e em abundância, sobre a qual Ele tantas vezes falou. Nesta semana, mais do que nas demais semanas do ano, o Espírito Santo convida cada um de nós ao reexame de consciência. Para tanto, Ele nos sugere parar tudo o que estamos fazendo. Deixar de lado o vicio do trabalho, do jogo, da bebida e da mesmice, por pouco que seja, para vasculharmo-nos completamente por dentro, a fim de identificarmos em quais partes não estamos conseguindo imitar Jesus.

Jesus, acima de qualquer outra virtude, revela Deus aos homens. Ele não se cansa de afirmar que quem O vê, vê o Pai que está nos Céus. Nós também somos assim, revelamos Deus nas nossas ações, no nosso proceder diante dos homens e do mundo? Nossas atitudes para com os nossos semelhantes, sejam eles quem forem, assemelham-se às do Deus de bondade, de misericórdia, de amor a quem Jesus revela aos homens? Ou nós ainda somos daqueles e daquelas que insistem em afirmar que “cada um tem o seu Deus”“cada um segue o seu coração” ou coisas do gênero?

Jesus viveu e conviveu com os pobres, na real pobreza em que eles viviam. Quantos de nós não falamos sobre os pobres ou convivemos com a pobreza apenas à distância, por meio de patrocínio de ações, que funcionam mais como meros desencargos de consciência? Quantos de nós fazemo-nos de pobres junto com os pobres, no dia-a-dia das suas vidas? Ou, ao contrário, escolhemos um dia qualquer para, em nossos carrões de luxo, irmos almoçar com os pobres, só para demonstrar algum tipo de proximidade? Precisamos, nesta semana, vasculhar nosso interior em busca destas respostas, porque só elas é que poderão dizer, com segurança, se somos cristãos de verdade, cristãos verdadeiros, ou não. Só estas respostas é que têm o poder de nos tornar semelhantes Àquele Jesus ao qual dizemos amar e seguir.

Jesus buscou, amou, contemplou e trouxe para junto de si os excluídos do seu tempo, sem qualquer discriminação, não se importando se eram pecadores(as), cobradores de impostos, soldados de Roma ou leprosos. A todos, sem exceção, acolheu de forma integral, demonstrando muita felicidade por estar ao lado de todos eles, em público ou não. E nós, também agimos desta forma, buscamos, acolhemos, amamos e trazemos para junto de nós os excluídos do nosso tempo, sem nos importar com suas origens? Agimos desta maneira, sem qualquer forma de discriminação e sem escondermos o que estamos fazendo, sob o falso argumento de que boas ações devem ser feitas em segredo?

Jesus, de forma expressa, identifica-se com os famintos e sedentos (tive fome, destes-me de comer; sede, destes-me de beber), com os peregrinos, com os desnudos, enfermos e encarcerados, afirmando que todo o bem feito a qualquer um destes, é feito diretamente a Ele, da mesma forma que, todas vezes que deixamos de fazê-lo, é a Ele que negamos assistência. Quantas vezes, de coração sincero e sem fazermos pose para as câmeras, enxergamos nos pobres, desnudos, doentes e necessitados de todo tipo de ajuda, a figura ímpar de Jesus? Dividimos o pouco que temos, ou separamos algumas migalhas, juntando-as com as de outros tantos, para prestar algum socorro aos mais necessitados?

Quantas vezes, nas ruas da cidade, paramos para oferecer um copo com água, uma quentinha de comida ou mesmo uma palavra amiga àqueles que, muitas vezes são tidos por malandros e aproveitadores? Quantas vezes não olhamos com repugnância para famílias inteiras, sujas e maltrapilhas, amontoadas feito lixo embaixo das marquises dos prédios mais elegantes do centro da cidade?

Nos Evangelhos, em nenhuma parte está escrito que Jesus, ao final dos dias, sentava-se com os amigos, ao redor de mesa farta e sortida, para uma alimentação frugal e saudável, rica em proteínas e em carboidratos, sem se preocupar com os famintos do seu tempo. Ao contrário, Mateus narra que Jesus, ao cair da tarde de um dia de intensa pregação, além de curar muitos enfermos,  sentiu compaixão da multidão e, preocupado com a necessidade de alimento para tantos, ordena aos discípulos para que providenciem alimentos para todos, donde a primeira multiplicação dos pães (Mt 14, 13-21).

Jesus, conforme cobra do jovem rico, não quer que doemos algumas das nossas coisas aos mais pobres. Ele quer que tenhamos disponibilidade para vender tudo o que temos e distribuir o produto aos pobres e, depois, segui-Lo (Mt 19, 16-22).

Jesus ensina que o perdão deve ser dado sempre, e a qualquer tempo, independentemente do número de vezes (setenta vezes sete, é a infinitude do número perfeito). Ensina que, em demanda com nosso adversário, devemos nos reconciliar com ele enquanto estamos a caminho, antes de chegarmos em juízo (Mt 5, 25). Também ensina que, quando estivermos para fazer alguma oferenda diante do altar, e lembrarmos de que nosso irmão tem alguma coisa contra nós, devemos, primeiro, buscar a reconciliação com ele para, depois, e só então, apresentarmos a nossa oferenda (Mt 5, 23-24). E muito mais: manda amar a quem nos odeia; orar pelos nossos inimigos; oferecer a outra face; mostra que de nada adianta acumular bens; fala para não nos julgarmos uns aos outros, para não sermos, também, julgados.

Enfim, durante esta semana, somos confrontados com o Jesus por quem temos tido a coragem de confessar amor e a quem afirmamos seguir de forma incondicional. Serão verdadeiras as nossas afirmações? Estamos Nele e com Ele para sempre, ou O negamos diária e permanentemente diante dos homens e dos fatos? Somos capazes de caminhar com Ele até o Calvário e aceitarmos ser pregados na cruz também, ou agiremos como Pilatos e como Judas Iscariotes, lavando as nossas mãos e traindo o único amigo verdadeiro que temos?

É uma semana que convida a estas e a muitas outras reflexões. Portanto, é útil, ao menos uma vez no ano, deixar de lado as manias que cultivamos, os ídolos e os mitos que reverenciamos, e aproximarmo-nos do Jesus caminhante, Daquele Jesus que, corajosa, serena e obedientemente, carrega sua cruz sem impor a ninguém o ônus que voluntariamente assumiu como sendo seu. Quantas vezes nós colocamos sobre os ombros alheios o peso de uma carga que é somente nossa, e ainda nos julgamos no direito de cobrar posturas e posições daqueles aos quais, de forma direta ou indireta, exploramos ou compactuamos com a exploração por toda uma vida?

É preciso refletir e, caso a conclusão seja a de que não conseguimos mesmo seguir Jesus, de verdade e com verdade, é melhor pararmos de fazer pose de santinhos ou de santinhas e buscarmos um lugar no meio dos pobres, doentes, inválidos, pecadores, blasfemadores e adúlteros, em busca da misericórdia deste Jesus que, desde sempre, soube ser igual ao Pai, razão pela qual Ele, também, é Deus.

Não deixe esta semana passar em branco, como apenas mais uma semana na sua vida. Leia a Bíblia, especialmente, o Novo Testamento, observe mais de perto a vida, os costumes, os métodos, os gestos, as ações e as palavras de Jesus, reflita e procure ajustar-se a Ele, que é o Senhor da Vida. O Senhor da nossa vida. Depois, já ao final da semana, busque o perdão e a reconciliação  consigo e com os irmãos, porque, no domingo as portas do Céu se abrem para todos e todas que, em verdade, amam e procuram seguir o Filho de Deus, que prometeu: “Aquele que retém os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei também, e me manifestarei a ele” (Jo 14, 21). Seja feliz, e tenha uma semana santa verdadeiramente fértil para a sua alma!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

abr 08

EDITORIAL DA SEMANA: A HISTÓRIA SEMPRE PROTEGE OS VERDADEIROS MITOS

ESTÁTUA DA LIBERDADE

ÍDOLOS, HERÓIS E MITOS HUMANOS: A HISTÓRIA SEMPRE SABERÁ RECONHECÊ-LOS E PRESERVÁ-LOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Tratando-se de seres humanos, ídolos são aqueles aos quais prestamos reverência, em razão da forma pela qual atuaram, in concreto ou in abstracto, no regular exercício das suas atividades. Heróis são aqueles que, de alguma forma, desempenharam atos de bravura ou de coragem, capazes de modificar, de fato, toda uma situação que, na ausência deles (heróis), poderia significar um verdadeiro caos, em prejuízo de alguns ou de toda uma coletividade. Mitos são aqueles que, no cômputo geral das suas vidas e histórias foram, de forma simultânea, ídolos e heróis. Quer-se com isso dizer que, os mitos, antes de o serem, já são reconhecidos pela história, porque deixam atrás de si lastros e rastros que falam por eles para sempre.

Atualmente, parece que a palavra “mito” se tornou um adjetivo bobo e inexpressivo, capaz de ser utilizado para identificar qualquer pessoa ou símbolo. Mas, não podemos nos permitir modificar a estrutura das palavras. O mito, ao adentrar no olimpo da História, carrega consigo uma bagagem factual que ninguém, jamais, poderá eliminar. Poderão até, ocorrer discordâncias pontuais, aqui e ali, mas, no geral, os feitos do mito estarão, para sempre, registrados na textura fina, dourada e inconfundível, da placa da História.

Vivemos dias bastante conturbados, não apenas no nível nacional, mas, no internacional também. Muitas questões antigas são trazidas à mesa na qual, examinadas por míopes, são identificadas como verdadeiras monstruosidades, e assim são repassadas para toda a sociedade que, sob muitos aspectos, e induzida por um sistema midiático feito sob encomenda, aprova e referenda tudo o que recebe, seja de forma oral, visual ou escrita. Daí, termos, às vezes, a  sensação (falsa ou não) de estarem ocorrendo mudanças drásticas nos sistemas antigos de liderança, de comando e de exercício do poder. Encontrar culpados, em um mundo como o nosso, é tão fácil quanto encontrar mosquitos em um estábulo bovino. Fabricar mitos na medida exata do desejado, tornou-se obra fundamental para artistas e artesãos de narrativas que dispensam a prova da veracidade.

Ídolos e heróis, geralmente, causam apenas inveja, mas, não possuem capacidade para impedir o aparecimento de substitutos. Os mitos, ao contrário, possuem uma capacidade terrível para impedir que sonhadores se  apresentem de mãos vazias, para ocuparem um espaço no panteão da História. Por esta razão, nos dias que seguem, vemos a luta desesperada de certos segmentos da sociedade, na tentativa de desconstrução da imagem de mitos, cujos nomes já estão gravados para sempre, a ferro e fogo, na irretocável e inatingível placa da História, assim como, também, é notável a pretensão desenfreada de outros segmentos, na escalada dos muros da fama e do prestígio, tão necessários que são, para o triunfo reservado apenas aos fora de série.

É fácil perceber-se o quão dolorosa e sofrida é a trajetória para alcançar o cume da pirâmide na qual os verdadeiros mitos, de punhos cerrados, fazem ecoar para sempre o imponente brado da vitória! Não é possível chegar até lá, apenas com discursos e bravatas ou retóricas desprovidas e desacompanhadas dos necessários atos. Para alcançar aquele ponto máximo, o mito inicia carreira como qualquer outro simples moral. Evolui, com o passar do tempo. Mostra-se capaz de atos heroicos para derrotar simples adversários e escantear terríveis inimigos. Cria lastros perante a História do seu tempo e, por fim, e, merecidamente, é alçado à condição de mito. É verdade que, na esmagadora maioria dos casos, os mitos só são reconhecidos tempos depois da contagem dos seus feitos. No entanto, existem mitos que os próprios inimigos tratam de colocá-los no pedestal da História, ainda em vida. Seja porque difamam a sua trajetória, atiçando e inflamando o humor de testemunhas oculares, seja porque forjam todos os meios necessários para tirá-los de uma cena na qual eles, sempre em ascensão, servem de tropeço para os que querem desrespeitar o ritual que encaminha os vitoriosos para a coroação final.

E aí, invariavelmente, surge um incrível paradoxo: os mitos mais indesejados, passam a ser justamente os que se fazem mais presentes, porque a História tem vida e caminhos próprios e, por ser assim, ela bate com força na porta dos que dela duvidam e a ela desrespeitam, para incomodar, perturbar e tirar o sono mesmo. Assim, aqueles mitos indesejados, que tantos queriam ver varridos do mapa da História para sempre, parecem ganhar mais envergadura ainda, saindo do prestígio meramente local, para alcançarem o topo do mundo, com consagração jamais prevista e imaginada pelos seus detratores.

A história recente da humanidade é rica no registro destes mitos, cuja história e nomes, certamente, dispensam qualquer transcrição, ante a fama e o prestígio que conquistaram. Sobre eles, pouco importa esmiuçar a origem ou o destino final. O que realmente é relevante, e, percebe-se ainda ser incômodo a muitos, é que, para os que estudam, pesquisam e analisam o tempo e os feitos de cada um destes mitos, a conclusão é sempre a de que, a muito custo, podem ser  imitados. Substituídos, jamais!

Há casos registrados na História, de personagens que, na verdade, fizeram-se mitos a si próprios, quando decidiram tirar a própria vida, levando ao conhecimento público toda uma narrativa que, sendo verdadeira ou não, fez com que a maioria da sociedade abraçasse suas causas com tal fervor e vigor, que seus nomes entraram imediatamente para a História.

Casos outros existem nos quais ídolos e heróis, aparentemente desmascarados e derrotados, foram transformados em mitos por aqueles que, não tendo a habilidade ou o carisma necessários para o título pretendido, simplesmente optaram pela tentativa ignóbil de apagar das mentes e dos corações dos seus contemporâneos, feitos que foram capazes de alterar o curso de muitas vidas e de muitas histórias pessoais, oferecendo, assim, e de mão beijada, um espaço no olimpo da História, àqueles aos quais desejavam ver atirados no submundo do tártaro. E, ainda que conseguissem seu intento, o deus Cronos, como na própria mitologia, faria do tempo o seu grande trunfo para o consagrado triunfo.

Este texto é apenas para uma pequena e significativa reflexão sobre personagens que adornam as nossas vidas. Até porque, qual de nós não teve ou tem, ídolos, não aplaudiu heróis ou contemplou mitos? E a História está aí, para dar ou tirar a razão sobre nossos “cultos”. História que, por mais que incomode a alguns, a muito custo também, só pode ser revertida no nível local, jamais, no universal.  As linhas e as entrelinhas convidam à leitura e à reflexão. Leia, reflita e tire as conclusões que entender serem possíveis, cabíveis, atuais e oportunas. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

abr 01

BEM ESTAR: O QUE FAZER, PARA QUE ELE SE FAÇA PRESENTE

BEM ESTAR

BEM ESTAR – AINDA EXISTEM ESPAÇOS PARA FALAR SOBRE ELE –

*Profª Drª Marcia Varricchio

Noticiários o tempo inteiro, sob diversas formas, divulgam sobre o mal estar na sociedade planetária. Sobre o mal estar na civilização.

Haverá ainda espaço para se falar sobre Bem Estar?

Na atualidade, saúde é sinônimo de Bem Estar. Qual será a origem disto?

A origem está na Economia. Estudos sobre absenteísmo mostraram que trabalhadores sem doença, porém com mal estar faltavam em sequência e não davam conta de suas metas em termos de tarefa.

Desta maneira, surgiu o estudo das funções. A avaliação da capacidade funcional para o trabalho. De acordo com a função, o trabalhador poderia ser aproveitado e, mesmo, deslocado de função, para justificar seu salário...

Será que Bem Estar representará apenas a capacidade de cumprir funções físicas, mentais, sociais, etc?

Escolho iniciar esta correlação não por uma vertente médica, biológica, psicológica, mas filosófica.

Bem estar costuma estar relacionado à arte de viver bem. Ou seja, ao antigo conceito de ética. Liberdade ética de ser e estar. De ser e caminhar. De ser e avançar. De ser e aprender.

Viver bem será se realizar para cada meta ou tarefa proposta, para cada etapa de vida transposta. Nos diversificados aspectos da saúde.

Saúde é o bem estar físico, mental, social, ambiental e espiritual de um indivíduo e/ou de uma coletividade (OMS, 2005). Acrescento: Em acordo com as suas características, necessidades e papéis na sociedade.

A vida é frágil. A vida é breve. Nota-se que as pessoas depressivas, sem a devida construção interna dos valores espirituais que passam necessariamente pela ética, estão a cada dia mais agressivas e regredidas.

Tenha ambição e realize-se na vida real. Ela te trará todos os aprendizados necessários. Inclusive a sabedoria de saber discernir sobre o que poderá ser modificado ou não, dentro e, em especial, fora de você.

Então, sim, seu tempo poderá ser bem aproveitado, em relação ao que lhe importa, ao que lhe é necessário, ao que lhe cabe, ao seu papel nesta construção coletiva.

Resiliência. Compaixão. Ética. Geram pró-atividade e muita realização, acompanhada da sensação de bem-estar. Saúde entendida, com maturidade, como um processo dinâmico e progressivo, cujas motivações e interesses poderão mudar a qualquer momento ou em qualquer etapa de sua existência, harmonizando-se com o grupo ao qual você pertence na família consanguínea e na família que você tiver construído pela lei das afinidades.

Processo dinâmico sim. Porém estável, numa espiral ascendente de aquisição de sabedoria através dos múltiplos e diversificados caminhos a nós oferecidos. Basta escolher. Não ficar estagnado em suas próprias convicções, em seu umbigo. Deixar-se permear, porém permanecendo sensível e sendo sempre crítico (no sentido real e melhor desta palavra).

Por este motivo, distinguindo-se o que é estrutural do que é conjuntural, em ambos aspectos, existe espaço para se falar e se promover bem estar. Ainda existe tempo para se vivenciar o bem estar. São conquistas internas. Ninguém poderá providenciar, ninguém terá condições de retirar de você.

Antes de prosseguirmos refletindo sobre Bem Estar, faça uma autoanálise silenciosa, reflita sobre seu bem estar nos diversificados aspectos de sua vida (rogo que seja diversificada, real e consistente). Transforme o seu possível no dia de hoje e a cada dia. Se der, amplie este amor solidário ao próximo.

Não perca energia reagindo ao que não interessa nem vale a pena perder tempo.

Foque naquilo que é seu valor. Naquilo que te chama a atenção e seja você mesmo, trazendo a sua contribuição para o bem estar de todos ao redor. Não tenha medo de errar nem de admitir seu erro. Esta consciência liberta é que tornará seu caminho rico em humanidade.

Realize-se no aqui, no agora. Ame-se. Ame profundamente e não se compare a outros. Você é exatamente aquilo que o universo necessita hoje. Com seus defeitos e com suas qualidades. Se puder, amplie-se!

Ame. Construa. Valorize-se para aprender a valorizar o outro.

Seja grato. Realize-se.

Realize-se. Seja grato.

Seja a paz que Você quer ver no mundo!

Não a paz acomodada...Mas a paz dinamicamente apreendida e construída.

A seguir, reflita e avalie sobre o nível de qualidade atingido em seu bem-estar...

Esteja bem!

Seja!

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*Profª Drª. Márcia Varricchio é Mestre e Doutora em Ciências Biológicas (ênfase em Biotecnologia), Especialização em Bioética pela ENSP/FIOCRUZ, Professora convidada do SAPB-LIPAT-UFRJ, Professora convidada do Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis, além de Escritora e Palestrante.

 

abr 01

EDITORIAL DA SEMANA: REVEJA OS VALORES DA SUA VIDA

VAIDADE DAS VAIDADES

O HOMEM E SEUS VALORES: TUDO É VAIDADE!

*Por Luiz Antonio de Moura –

É interessante, na posição privilegiada de observador, examinar a conduta humana diante dos diversos aspectos da vida! Nós, seres humanos somos bastante interessantes, quando o assunto é atribuição de valores a tudo o que existe no nosso entorno. Para uns, nada vale mais do que a condição social: possuir dinheiro e bens materiais, para não depender da ajuda de ninguém, é o que realmente tem valor. Então, passam a vida ajuntando cifras e bens!

Para outros, o importante é ter boas e duráveis amizades: fazem tudo o que podem para terem ao lado os amigos e todo um exército de pessoas, ainda que sejam apenas bajuladoras. Estarem rodeadas de amigos ou de “amigos” é o que realmente vale para tais pessoas. Outros, no entanto, valorizam a beleza física e a estética: vivem à cata de novidades e de mimos que, ao menos na aparência, possam assegurar-lhes certa beleza ou aparência física exuberante.

Outros, entendem que o verdadeiro valor está no acúmulo de conhecimento e de saber: passam a vida toda mergulhados nos meios acadêmicos e debruçados sobre os livros, na busca insaciável de um conhecimento que nunca, jamais, atinge o grau máximo, porque o topo está cada vez mais distante da condição humana.

Outros, ainda, acreditam que o verdadeiro valor está no trabalho: passam toda a vida trabalhando, como se escravos fossem e, o pior, acreditam piamente ser este o único valor a ser perseguido pelo ser humano, quase que obrigando todos ao seu redor a trabalharem como se fossem máquinas desenfreadas. Tais pessoas não possuem freios e, de modo frenético e ostensivo, não conseguem ver nada de valor da vida além do “estar fatigado”. Este sim, é o verdadeiro prêmio a ser conquistado.

Para outros, ainda, o que realmente tem valor é a vida levada como se diz, “à moda boi”: viver intensamente cada instante. Curtir pessoas, espaços, possibilidades, coisas. Nada de preocupação com o acúmulo de bens, ou com novos ou velhos amigos, com trabalho, com estudo, com religião, com política, com o mundo em si. O que vale é o agora. O resto? Fica para depois.

Cada um destes grupos de pessoas, acredito que existam outros mais, olha para a vida como se ela fosse um flash: surge do nada, sem razão de ser e sem qualquer perspectiva de continuidade. Mesmo os que se dizem crentes em um Deus ou em uma possível vida após a morte, amarram suas vidas a certos valores mundanos e por ali caminham até o momento da partida.

Conheço pessoas que juram amor e fidelidade a Deus e à religião que professam, mas que não conseguem se desvencilhar das amarras dos valores e, assim, vivem acorrentadas àquilo que entendem possuir real valor na vida. Pessoas com as quais não se logra muito sucesso em uma conversa esclarecedora, porque, de antemão, acreditam convictamente naquilo que afirmam. Bem, vivem do jeito que querem e, certamente, em algum momento de suas existências, ainda que seja na contagem final dos dias e das horas, vão compreender o quanto perderam e o quanto jogaram no lixo todas as oportunidades de uma vida realmente valorosa, que é a aquela dedicada, com exclusividade, a Deus e ao próximo. Mas, tais pessoas, na ânsia de convencerem as demais do seu acerto reflexivo, pregam que, ao cultuarem os valores nos quais acreditam, estão a serviço da divindade e dos irmãos. É evidente que fogem do espelho, porque o espelho é o equipamento mais genial forjado no intelecto humano: ele mostra o que, muitas vezes, não gostaríamos de ver. Mostra a realidade como ela, de fato, é.

O Livro do Eclesiastes, rejeitado por algumas denominações cristãs, traz a palavra de um sábio que se apresenta como filho de Davi, rei de Jerusalém. Neste Livro bíblico, o Eclesiastes, também conhecido como Cohelet (termo grego), fala acerca do mar das vaidades sobre o qual o ser humano passa a vida, de forma inútil, a navegar. Ele não é e não se faz de bobo. Conhece perfeitamente bem todas as artimanhas utilizadas pelos seres humanos para se agarrarem a esta vida, como se ela fosse única e infinita. Para emparedar o ser humano do seu tempo, que é igual ao de hoje em dia, o Cohelet enumera o colar de vaidades que o homem usa como ornamento da sua vida e, ainda, para feri-lo em profundidade, ensina que “tudo tem o seu tempo”.

É óbvio que o ser humano do nosso tempo, muito mais esperto e muito mais perspicaz, independentemente de profissão religiosa a que se vincula, não quer saber de Eclesiastes ou de Cohelet. Para este super humano (numa linguagem nietzscheana), nada supera o seu conhecimento ou sua capacidade racional. Então, ele permanece vivendo atrelado às suas mais renhidas convicções e aos valores que atribui como sendo os mais importantes para uma existência realmente compensadora.

Entretanto, e apesar deste “super humano”, sempre a martelar nossos ouvidos, consciências e corações vão estar as palavras de Jesus que, ao ser perguntado por um jovem, sobre o que deveria fazer para alcançar a vida eterna, depois de algumas sugestões, diz: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e depois vem e segue-me” (Mt 19, 16-24). Aí estão os verdadeiros valores da vida: o desapego a todo e a qualquer bem material e o seguimento reto e sincero a Deus.

Além de puras e inconsistentes vaidades, são desprovidos de verdade e de santidade todos os valores atribuídos pelos homens à vida, fora da Shemá judaica: “Ouve ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e com toda a tua força” (Dt 6, 4-8).

Não existem valores. Existe apenas um único valor: Deus. Aquele ou aquela que atribui ou atrela a sua vida a outros valores, por mais nobres que possam lhes parecer, está total e absolutamente fora do rumo de Deus. Engana-se a si mesmo e vive enganando a todos os demais seres humanos com quem convive. Ao final de tudo, prevalece a palavra de São Tiago: “As vossas riquezas apodreceram e os vossos vestidos foram comidos pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e sua ferrugem dará testemunho contra vós e devorará as vossas carnes como um fogo” (Tg 5, 2-3).

Se acredita existirem valores a serem perseguidos nesta vida, prepare-se para a decepção, porque tempo virá em que tudo será revelado de forma plena e absoluta, e, então, terá a triste surpresa de ver o quão vã e inútil foi a tua existência. Viva em busca do único e verdadeiro valor: o amor, a fidelidade e o seguimento a Deus, sobre todas as coisas, do qual decorre, também, o serviço ao próximo, sem subterfúgios (trabalho pensando no próximo; vendo mercadorias úteis ao próximo, exerço minha profissão a serviço do próximo etc.). Nada que é feito por dinheiro, ou por ele remunerado, pode ser tido como meritório. Ainda aqui vale lembrar o Mestre Jesus: “Não há maior prova de amor do que dar a própria vida pelos seus amigos” (Jo 15, 13). Não se engane e pare de tentar enganar os que te cercam.

O verdadeiro valor desta vida é o amor a Deus e ao próximo, sem limites, sem mesquinharia, sem medida e sem condicionamentos. O que passar daí é obra humana sob a indução do adversário de Deus. Reflita e adéque sua vida enquanto é tempo, sem se esquecer de dois instrumentos muito úteis: o espelho e o relógio. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

     

mar 18

EDITORIAL DA SEMANA: TODA ESCOLHA TRAZ CONSEQUÊNCIAS

FAZER ESCOLHAS

OS FRUTOS QUE COLHEMOS NASCEM DAS ESCOLHAS QUE FAZEMOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Quantos prantos e lamentos  chegam a todo instante aos ouvidos de Deus, com súplicas e clamores por socorro, além das previsíveis blasfêmias e heresias. Tudo, em decorrência das dores e dos dissabores enfrentados por todos e por cada um de nós no longo curso da vida. Abre-se aqui um parêntesis para falar sobre esta questão do ”longo curso da vida”. Só se valem desta expressão os que sofrem e que esperam a vinda do Senhor, como a solução final para todos os problemas, a cura para todas as formas de enfermidades e a justiça para todos, acima de tudo. Os que que vivem no prazer, na felicidade mundana e no regozijo das benesses de tudo de bom e de melhor que o mundo pode oferecer a um vivente, sempre acham que a vida é curta demais e que deveria haver um acréscimo, todas as vezes que o fim estivesse próximo.

Bem, fechado o parêntesis, aos ouvidos da divindade chegam todos os nossos clamores, em face de tudo o que sofremos aqui neste plano terreno. Obviamente que Deus não pode ser responsabilizado por nada de mal que ocorre debaixo do sol, haja vista ser impossível para Deus praticar o mal e que, por Ele, nós estaríamos no paraíso, usufruindo de tudo e, inclusive, da vida plena e sem fim. Entretanto, como espécie, o que fizemos? Fizemos uma simples escolha.

Escolha. Eis a palavra que define tudo sobre nós. Sempre, depois que nascemos, fazemos escolhas. É o sinal mais evidente e identificador do livre arbítrio com o qual somos dotados por Deus que, apesar de tudo o que nos ensina, sempre conhece o lado para o qual pendemos. Não em vão, já no Paraíso Deus não diz que “se” o homem comer da árvore proibida morrerá, mas, afirma categoricamente que “O dia em que dela comerdes, certamente morrereis”, porque Ele já sabia o final daquela novela. Pois bem, escolha é sempre a opção que fazemos, ou até mesmo deixamos de fazer, diante das diversas possibilidades que nos são apresentadas. É preciso saber, no entanto, que as escolhas trazem embutidas, de forma inevitável, consequências, e é aí que reside o nó górdio da questão. As escolhas que fazemos nem sempre se nos apresentam de forma completa e transparente, ou seja, praticamente nunca as escolhas revelam as contraindicações, como nas bulas dos remédios, que avisam sobre os riscos e os perigos que podem ser enfrentados pelos pacientes,  depois da ingestão daquele produto.

A vida não tem bula, e justamente por esta razão, nossas escolhas são feitas, normalmente, em razão dos impulsos que nos movem: compramos porque queremos; vendemos porque julgamos ser bom; mudamos de emprego porque achamos mais oportuno e vantajoso; trocamos de profissão porque estamos convictos de termos encontrado a verdadeira vocação; divorciamo-nos porque encontramos alguém que vai nos fazer mais felizes, ou simplesmente porque estamos cansados do outro. Enfim, são inúmeras as possibilidades de escolhas às quais somos convidados a fazer todos os dias, ao longo da nossa existência.

Entretanto, todas e cada uma das escolhas que fazemos trazem, a curtíssimo, curto, médio e longo prazos consequências para as quais quase nunca fomos ou estamos preparados. Daí as decepções, os arrependimentos, os sofrimentos, as angústias e as amarguras que caem sobre as nossas cabeças como se fossem bolas de ferro que, de tão pesadas, fazem com que passemos a sentir o chão afundando sob os nossos pés. Aí, nestas horas, bradamos a Deus! choramos, oramos, erguemos os braços na direção do céu falamos impropérios, sentimo-nos totalmente abandonados à própria sorte, outros até acham que estão sendo colocados à prova por Deus e tem, ainda, os que acreditam estarem sendo severamente castigados por algum mal feito no passado.

Dificilmente, no entanto, alguém admite estar sofrendo as consequências decorrentes de escolhas que foram feitas em dado momento. Escolhas que, na ocasião, pareciam acertadas e cheias de promessas sedutoras. Escolhas que propiciavam certas vantagens ou lucros acima do normal, mas que a pessoa, naquele instante, sentia-se premiada pelos céus com aquilo que lhes parecia verdadeira dádiva. O que ontem parecia verdadeira benção e premiação, hoje parece maldição e castigo!

E tais escolhas são feitas de forma individual ou coletiva. Individual, quando os beneficiários diretos somos nós mesmos; coletiva, quando escolhemos algo ou alguém para atuar, direta ou indiretamente, sobre toda a sociedade como, por exemplo, na eleição de um governante ou de um parlamentar. Muita gente acredita não ser culpada por nada de mal que ocorre na sociedade como um todo, mas, o engano é abissal, haja vista que a escolha direta ou mesmo a omissão na hora de escolher, faz de nós participantes ativos de tudo o que está em jogo porque, sempre somos convidados a fazer escolhas e, se fazemos más ou boas escolhas, ou mesmo se preferimos a omissão, estamos vinculados aos resultados e às consequências que daí advirão. Enfim, não tem muito jeito, agiu ou se omitiu, tem responsabilidade sobre as consequências.

Isso tudo para, no fim, afirmar-se que o modelo de família adotado pela ampla maioria da sociedade ocidental está, deveras, equivocado, porque parte do pressuposto de que somos absolutamente livres para decidir o que fazer com nossas vidas. Livres e imunes a uma ética e a uma moral para as quais muitos, e já há muito tempo, decidiram virar as costas por entendê-las objetos de manobras das religiões. Trata-se de escolha legitimamente feita por parcela considerável da sociedade humana mas que, como já o afirmamos, traz embutidas todas as consequências que, todos os dias, a mídia estampa diante dos nossos olhos, à exaustão, como a jogar no rosto de cada um de nós a culpa pelos resultados, agora, colhidos.

A extrema violência demonstrada por delinquentes de todos os matizes, o desamor e o desrespeito para com tudo e todos, a falta de apreço pelas instituições, de um modo geral, e pelos templos sagrados e religiosos, de modo especial, assim como o ódio racial e homofóbico, o desprezo aos mais velhos e desamparados, tudo isso é fruto direto da árvore plantada sob um modelo de família absolutamente adulterado e corrompido. Um modelo que, em nome da ampla liberdade de escolha foi, e ainda está sendo, alimentado por um tipo de adubo que, traz prazer, realização e até satisfação momentâneos, mas que, também, enrijece o coração e o espírito, gerando embriões que, quando crescem, são capazes de coisas inacreditáveis, como as que temos visto no noticiário do país e do mundo.

Nossos avós falavam sobre Deus; nossos pais falavam sobre Deus; nós quase não falamos sobre Deus. Nossos jovens, e mesmo muitos adultos, não sabem quem é Deus! E quando não se conhece Deus, de onde provém toda forma de vida, de onde provém um modo de vida condizente com a santidade e com a perfeição, perde-se a noção dos princípios e dos valores que moldam, justamente, a vida pacífica em sociedade. Resultado: tudo o que o noticiário nacional e internacional têm disponibilizado para nós, todos os dias e todas as noite.

Portanto, não devemos permanecer nesta profunda ignorância, acreditando ou querendo acreditar que o mal que cai sobre nós e sobre esta geração, decorre de provação, de castigo, do abandono à própria sorte ou, ainda, da chegada do final dos tempos, como muitos gostam de afirmar, mas, que decorre, sim, diretamente das escolhas que temos feito ou apoiado, ou, ainda, das nossas omissões porque, até o ato de permanecer inerte é uma escolha que tem suas consequências.

Devemos reservar alguns instantes da nossa tumultuada e agitada vida para refletir sobre as escolhas que temos, ou não, feito, avaliando acerca de cada uma, as consequências visíveis e mesmo as previsíveis e então, e somente então, haveremos de fazer o necessário mea culpa, livrando Deus de uma responsabilidade que Ele, definitivamente, não possui.

A proposta, como sempre, é para uma profunda reflexão e tirada de conclusões. Conclusões que podem mudar o curso de algumas vidas e, quiçá, de toda uma coletividade. Faça isto. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritual, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

mar 11

EDITORIAL DA SEMANA: DIGA NÃO À HOMOFOBIA E À TRANSFOBIA

HOMOFOBIA - CRIMINALIZAR OU NÃO

HOMOFOBIA: UM CRIME CONTRA A PESSOA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não é segredo para ninguém a tramitação, no Supremo Tribunal Federal, da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26, mediante a qual a Corte Suprema do País é provocada a decidir acerca da criminalização, ou não, da homofobia, caracterizada pelo preconceito contra a comunidade LGBT (Gays, Lésbicas, e Transgêneros).

A ADO decorre do fato de o Congresso Nacional ainda não ter legislado sobre a matéria, no sentido de criar norma penal protetiva de parcela significativa da sociedade, o que causa surpresa e certo espanto, haja vista a proteção legal de que gozam outras minorias.

O julgamento está suspenso, até designação de nova sessão pelo Presidente da Corte tendo, no entanto, sido proferidos quatro votos favoráveis à criminalização do ato homofóbico. Votos da lavra dos eminentes Ministros Celso de Mello, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, sendo os dois primeiros relatores da ADO 26 e do Mandado de Injunção 4733, respectivamente.

Dentre os que acompanham os votos do relatores, merece destaque o seguinte trecho do voto do Ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que: “Passados 30 anos da Constituição Federal, todas as determinações constitucionais específicas para proteção de grupos considerados vulneráveis foram regulamentadas com a criação de tipos penais específicos. No entanto, apesar de dezenas de projetos de lei, só a discriminação homofóbica e transfóbica permanece sem nenhum tipo de aprovação. O único caso em que o próprio Congresso não seguiu o seu padrão”[1].

A questão, certamente, será ainda objeto de acirrado debate no Plenário do STF, até porque existem, inacreditavelmente, vozes graúdas que defendem totalmente o oposto do que já decidiram os quatro primeiros Ministros. Diz-se “inacreditavelmente”, porque é de causar espanto e temor que agentes públicos graduados na República defendam abertamente que a homofobia e/ou a transfobia não merece qualquer especial atenção por parte do legislador que, por sinal, não está nem aí, mesmo, para o fato real, tanto, que é preciso que a Corte Suprema chame à responsabilidade aqueles cuja única competência é justamente a de legislar.

Parece ser impensável, nos dias de hoje, que atos praticados contra pessoas e grupos minoritários, possam ser admitidos no âmbito da normalidade, como se fossem decorrência ou mesmo consequência de uma condição de vida que a pessoa, de forma livre a autônoma, assume perante o corpo social. Atos praticados, sempre de forma rude e covarde, contra afrodescendentes, contra idosos, contra crianças e adolescentes e/ou contra deficientes físicos, que já contam com uma legislação penalmente impositiva, não podem ser dissociados das mesmas manifestações praticadas contra o amplo espectro da homossexualidade. Vale dizer: atos que importem em qualquer forma de discriminação, com exclusão ou mesmo com o uso da violência, em razão da opção de vida da pessoa, não podem, de forma alguma, passar imunes perante a dureza da lei. Afinal, o que é a lei senão a forma encontrada para normatizar e equilibrar a vida em sociedade? Que tipo de sociedade teremos se, como pretendem alguns, certas formas de discriminação ou de desapreço público passarem a ser aceitas, em decorrência de ideologias camufladas por uma moralidade altamente questionável?

Toda a sociedade pátria deve se posicionar neste momento! Inexistem quaisquer justificativas, sejam de natureza moral, religiosa ou mesmo ideológica, que possam servir de porto seguro para aquele que pratica qualquer forma de discriminação contra um cidadão ou uma cidadã cujos direitos são assegurados por uma mesma Constituição. Afinal de contas, vale repetir o que já tem sido repetido à exaustão: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” (Artigo 5º, caput, da Constituição da República). Assim, a mesma mão legal que pesa sobre quem pratica o crime de racismo, deve pesar, também, sobre quem pratica atos de homofobia. Não existe diferença objetiva entre pessoas. Até pela própria lei natural, todos nós somos iguais: nascemos, crescemos, vivemos e, reproduzindo ou não, inevitavelmente, morremos. Desta sina nenhum ser vivente escapa. Então, por que uns devem ser tratados no rigor da lei, enquanto outros podem agir segundo suas próprias convicções, ainda que em prejuízo físico, moral ou psicológico do outro?

A democracia está assentada na estrutura tripartite do poder, onde a competência de cada um dos poderes constituídos é delimitada na Constituição e, quando algum deles deixa de exercer a competência que lhe é atribuída, cabe ao Poder Judiciário entrar em ação. É o caso!

Espera-se, sinceramente, apesar das vozes em contrário, que a Suprema Corte coloque os pingos nos “is” e reconheça, sim, como crime comparável ao do racismo, qualquer ato de homofobia praticado contra qualquer cidadão ou cidadã em território nacional, passível de punição severa e exemplar, concedendo o mandado de injunção postulado, na forma do inciso LXXI, do artigo 5º da Constituição da República, de modo a que a lei puna, de fato, “qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais” (Art. 5º, XLI da CR).

O que não podemos admitir é que pessoas e grupos, valendo-se dos slogans que julgam úteis e necessários para o exercício das suas atividades, pressionem os legisladores para promoverem o encurtamento dos direitos de determinados cidadãos e cidadãs, em função da opção de vida que cada qual, livremente, pode fazer e escolher.

Além do mais, a questão é, também, humanitária. Não podemos ficar calados diante de manifestações grotescas contra quem decidiu dar à vida um rumo diferente daquele dado pela maioria da sociedade. Do mesmo modo, não é de ser aceito que vieses radicais e fundamentalistas, originados na política ou na religião, sirvam de base para o acobertamento de atos nefastos de homofobia.

Este texto é apenas um convite à reflexão. Que cada leitor e cada leitora, na intimidade do seu espírito, na nobreza do seu coração e na liberdade de suas convicções possa tirar suas próprias conclusões e, julgando útil e oportuno, consiga um canal para externá-las de forma limpa e democrática, sim, mas, sempre em prol do outro. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

[1] http://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=404076

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