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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: MEMÓRIA DO BLOG

abr 06

EDITORIAL DA SEMANA: O QUE A PANDEMIA ESTÁ REVELANDO PARA NÓS TODOS?

ROMA ABATIDA

POR QUE A HUMANIDADE ESTÁ ABATIDA?

*Por L. A. de Moura –

Agora, já em abril de 2020, não parece estar oculto de ninguém que o mundo todo está sendo atacado por um vírus cujo poder de letalidade é, simplesmente, assustador. Sistemas políticos e econômicos dos mais diversos, ideologias e crenças das mais ecléticas, estão sendo sacudidos por uma espécie de medo que vai da aparente indiferença, daqueles que fingem não acreditar no que estão vendo e ouvindo, até os que estão, realmente, apavorados, amedrontados e escondidos nas residências, como se a figura macabra da morte rondasse suas casas.

A verdade é que, de fato, a humanidade está sendo submetida a uma prova de proporções planetárias, numa época em que somamos no mundo mais de sete bilhões de habitantes que, até então, circulavam de um lado para o outro, comprando, vendendo, viajando, trabalhando, estudando, conversando, abraçando e sendo abraçados, cumprimentando e sendo cumprimentados de forma efusiva pelo mundo afora. Enfim, a vida fluía como que numa gigantesca cascata a rolar das mais ousadas altitudes, por entre todas as pedras sem que, aparentemente, nada pudesse frear aquele ímpeto humano. De repente, o estouro da boiada! Um estouro tão desenfreado e tão louco que, no momento, a melhor solução, é correr para dentro de casa e por lá permanecer até que a manada celerada passe, levando consigo o perigo da morte por arrastamento, cujo risco aumenta de forma exponencial a cada dia.

Para uns, o momento reclama profunda reflexão; para outros, é hora de repensar toda a estrutura do mundo e todas as estratégias para viver e sobreviver. Alguns falam em castigo de Deus e cumprimento de profecias bíblicas; outros acreditam tratar-se de um ciclo rebelde de toda a natureza, a emparedar os seres humanos para tomada de novos rumos. Há, ainda, os que acreditam em momento de oportunidade renascentista, vislumbrando o surgimento de uma nova e promissora humanidade. Na verdade, os fatos dão margem a todas estas especulações e, conscientemente, ninguém pode refutá-las sob a pecha de estarem contaminadas pelo erro. Assim, a cada um de nós é lícito e, portanto,  permitido, externar o resultado de suas reflexões, cabendo aos demais, e com o devido respeito, tomar conhecimento e, julgando oportuno e conveniente, aderir ou não às teses surgidas.

Particularmente, penso em duas razões que, para mim, revelam-se fundamentais, neste momento, para que estejamos, todos, e a um só tempo, passando por esta tempestade avassaladora. Em primeiro lugar, destaco o que, na minha opinião, é bastante evidente aos olhos de qualquer observador mais sistemático e atento: a escolha pelo afastamento de Deus e da sua Palavra, feita por largas parcelas da humanidade que, voluntariamente, optam pelo mundo com suas regras e atrações, seus bens e prazeres, suas sugestões e consumismos e, principalmente, por um desordenado convívio com a liberdade. Sempre em nome e em prestígio de um relativismo que a tudo permite, aceita, desculpa e justifica, como se decretada de vez, a morte do certo e do errado, do justo e do injusto e por aí vai, num dualismo quase infinito.

É claro que, quando se fala em “Palavra de Deus”, atrai-se o retorcido nariz de muitos que, ao ouvirem o termo, logo fazem uma ligação com o seguimento a esta ou àquela religião, haja vista que, de há muito, grandes parcelas da humanidade optaram por, digamos, caminhos próprios, embora insistam em declarar a fé em um Deus que, de tão bom que é, sempre está pronto para atendê-los, compreendê-los nas suas mais diversas razões, aceitá-los da forma que decidiram viver e, por fim, reservar-lhes um lugar alvissareiro numa espécie de paraíso no qual todas as delícias da terra serão elevadas à enésima potência. Um Deus, enfim, moldado ao gosto e altura de cada um dos seres humanos. Esse Deus, como sabemos, não existe! É apenas uma ficção elaborada por mentes e corações de seres humanos que, por precaução, e para não terem de  rejeitar a fé, decidem criar para si um deus imaginário, com fundamento em tudo o que representa gozo, prazer, felicidade, completude e, nas horas amargas, configure uma entidade a quem possam apelar, em busca de alento, socorro, proteção e livramento de todos os males que, inegavelmente, estão por aí, em todos os cantos e recantos do mundo.

O termo “Palavra de Deus”, que a tantos assusta e causa repulsa, por parecer vinculado ao seguimento religioso, na verdade, é o conjunto de mandamentos e de ensinamentos, compilados nas Sagradas Escrituras, transmitidos por Deus ao povo de Israel, por meio dos Profetas e, a todos os seres humanos, sem qualquer distinção, discriminação ou exceção, por meio de Jesus Cristo. O próprio Jesus vai afirmar não ter vindo para abolir a Lei, mas, antes, para cumpri-la e para aperfeiçoá-la (Mt 5, 17-18).

E aperfeiçoa mesmo quando, após citar cada um dos mandamentos contidos na Lei de Moisés, acrescenta o famoso “eu, porém, vos digo...”, sempre no sentido de acrescentar um pouquinho mais nas exigências já contidas na Lei (Mt 5, 21 e seguintes). Por fim, depois de tantos acréscimos que Ele faz à lei mosaica, vai fechar o círculo afirmando que “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” é o ápice de todos os mandamentos, donde depende toda a Lei e os profetas (Mt 22, 34-40).

Portanto, observar a Palavra de Deus, observar os mandamentos e os ensinamentos contidos nas Sagradas Escrituras, significa buscar uma vida em consonância com tudo o que Deus, por meio dos Profetas ou mesmo pela boca de Jesus Cristo, fez chegar ao nosso conhecimento. Virar as costas para estes ensinamentos e prescrições divinas, é o mesmo que virar as costas para Deus. Grandes nacos da humanidade vive de costas para a Palavra de Deus e, portanto, de costas para o próprio Deus. E o pior, acreditando que, tal qual ocorre com o mágico, num estalar de dedos, Deus vem correndo para livrá-los de todos os males, como se o Criador se transformasse em escravo da sua criatura. Eis aqui um primeiro ponto, sobre o qual é oportuno fazer uma boa e lúcida reflexão.

Em segundo lugar, destaco o verdadeiro desprezo que a imensa maioria das Nações dedica à saúde pública, ou melhor dizendo, à saúde dos seus cidadãos. É notório que a ameaça biológica que estamos enfrentando decorre, em grande parte, do despreparo das Nações para enfrentar casos como este de agora, no qual milhões de pessoas estão carentes de fazer um simples teste de confirmação da doença e, infelizmente, jazem em casa ou sabe Deus onde, à espera de quem chegar primeiro, a morte ou o teste.

A montagem emergencial de hospitais de campanha demonstra o quão desarrumado está o sistema mundial de saúde pública, haja vista que, deveria estar preparado para, em tais circunstâncias, atender imediatamente a um número razoável de seus cidadãos, sempre levando em conta as faixas etárias, os hábitos de vida, os riscos iminentes etc. Se um determinado País tem um elevado número de idosos, por exemplo, deve estar preparado para atendê-los de forma emergencial a qualquer momento, pois, a doença espreita os mais vulneráveis. Um sistema de saúde eficaz deveria trabalhar com estatísticas bem próximas da precisão.

Desse modo, e ressalvando a minha opinião pessoal, acredito que a humanidade está tendo sendo confrontada com duas deficiências dramáticas: a espiritual, por afastar-se voluntariamente de Deus, e a material, caracterizada por um, no mínimo, descaso de governos do mundo todo que, numa hora como estas, ficam atônitos, vendo seus cidadãos morrerem aos milhares, com a possibilidade de vê-los aos milhões, sem perceberem o que já deveriam ter feito há muito tempo.

O lado positivo de tudo isto, é que toda a espécie humana está tendo uma oportunidade ímpar para repensar modos de vida: filhos com seus pais; pais com seus filhos; esposos com esposas e vice-e-versa; trabalhadores, com seus patrões e vice-e-versa; governos, com seus cidadãos; cidadãos, com seus governantes e com as políticas por eles implantadas. Sem falar, é claro, nos sistemas educacional, cultural e artístico. Recordando, ainda, a necessidade de uma nova forma de evangelização do mundo, que deve sair dos púlpitos e altares dos templos e das igrejas para entrar diretamente nos corações de todos os homens, sem apegos a títulos, riquezas ou nomenclaturas devocionais e/ou institucionais.

A economia deve passar por uma reviravolta capaz de emparedar os economistas atuais que, por melhores que sejam, não conseguiram criar nada muito diferente do gênio de J. M. Keynes, A. Smith, M. Friedman e outros do passado. Agora, nossos nobres e excelentes economistas serão desafiados a arregaçarem as mangas, queimarem neurônios e sacarem fórmulas geniais para a superação do que está a caminho.

O lado positivo de tudo isto, é que a humanidade voltou a pronunciar o nome de Deus, com reverência e verdadeiro sentimento de devoção e de respeito, deixando de lado os vícios de linguagem caracterizados pelos famosos “Deus é grande”, “se Deus quiser” e “graças a Deus”, pronunciados de forma mecanizada em todas as circunstâncias que agradam ou interessam àqueles que os proferem dezenas de vezes por dia, como se fossem pílulas para emagrecimento.

A conversão para Deus será, certamente, a grande vacina, não apenas contra este, mas, contra todos os demais vírus e bactérias que estão por aí, na atmosfera, no ar que respiramos, nos alimentos que ingerimos e em todas as partes, prontos para nos jogar, como agora, na lona. Somente estando sempre, e em todos os momentos, lado a lado com Deus, é que podemos contar com a sua infalível proteção. Estar lado a lado com Deus, não apenas repetindo “mantras”, mas, e, sobretudo, observando sua vontade e todos os seus mandamentos para todos e para cada um de nós, a começar pelo sincero e verdadeiro amor para com Ele e para com o próximo.

E, por fim, uma verdadeira conversão econômico-política, exigindo daqueles que são eleitos pelo e para o povo, que cumpram com suas obrigações, a começar pela implantação e pela manutenção de um ágil, hábil e apto sistema de saúde pública, a evitar que, de uma hora para outra, sejamos submetidos a pandemias com a que enfrentamos neste momento.

Precisamos sair desta pandemia, realmente, muito maiores do que entramos. Caso contrário, devemos nos preparar para situações muito piores, em um futuro que, sequer, sabemos quando chegará. Reflita sobre este texto e, concordando ou não com ele, faça suas próprias reflexões e tire as conclusões possíveis. Depois, caso julgue oportuno, dê publicidade da melhor forma que encontrar para que, também nós, possamos ampliar nossos horizontes de reflexão. Seja feliz e, viva na fé!

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*L. A de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

       

mar 30

EDITORIAL DA SEMANA: A VIDA OU A ECONOMIA, O QUE VALE MAIS?

A VIDA VALE MAIS

A VIDA OU A ECONOMIA? QUESTÃO QUE TIRA O SONO DE ALGUNS DOS NOSSOS DOUTOS –

*Por L. A. de Moura –

Nestes dias de angústia, sofrimentos e apreensão mundial, nos quais a humanidade, na quase totalidade, está exposta aos efeitos de um vírus agressivo e letal, as Nações estão sendo convocadas pela realidade a darem respostas, as mais sábias, eficazes e urgentes possíveis, para minorar o máximo possível os efeitos de um mal, ainda, sem remédio para a cura ou para a prevenção.

A questão, em um primeiro momento, pode parecer simples, haja vista que, aparentemente, a quase totalidade dos seres humanos é vinculada a entidades estatais, são cidadãos desta ou daquela Pátria e, como sabemos, o Estado, como ente público por excelência é, acima de tudo, o maior arrecadador de tributos que existe. Razão pela qual, é de se supor, de forma lícita, tratar-se de ente que, apesar de não gerar riquezas, administra riquezas muitas vezes incalculáveis, verdadeiros tesouros, acima e abaixo dos espaços territoriais, quando não, extraterritoriais também.

Ora, em um momento de crise sanitária, intitulada pela OMS como “pandemia”, no qual uma das principais recomendações é o isolamento social e físico (dos contaminados), com indubitável afastamento das pessoas dos meios de produção, seja por motivo da doença propriamente dita, seja por motivo de prevenção quanto à possibilidade de um alastramento incontrolável, com consequências verdadeiramente incalculáveis, é de se supor, também, que os Estados nacionais, pelas mãos de seus governantes, direcionem parte das riquezas estatais para o imediato socorro dos cidadãos que, por décadas a fio, são religiosamente tributados, em nome do bem comum.

Pelo noticiário e pelas informações vindas de todo o mundo conhecido, diversos países estão agindo nesta direção, qual seja: estão zelando pelos seus cidadãos, lançando mão de verdadeiras fortunas para cuidar e prevenir. Cuidar das pessoas, tanto no aspecto sanitário, quanto no social e humano, permitindo que as consequências advindas da interrupção do fluxo econômico, não seja fator determinante da morte dos que escaparem da maldição do vírus devastador. Prevenir, ao mesmo tempo, para que os casos de contaminação que, em um primeiro momento, multiplicam-se de forma exponencial, sejam os mais baixos possíveis de modo a, também, preservar o maior número de todas as vidas humanas. Tudo isso, sem esquecer da questão alimentar que, também, é vital.

Esta parece ser a lógica de toda a estrutura que rege, atualmente, a vida em sociedade. Sem maiores detalhes ou aprofundamentos.

No entanto, e apesar de toda a gravidade do momento, que é passageiro, é bom que se diga, existem governos, gestores do dinheiro público, portanto, que, conduzidos por economistas caolhos e vesgos, posto que só enxergam cifras, nada mais, estão mais preocupados com os destinos da economia de suas Nações, do que com o cuidado, a prevenção e a preservação das vidas dos seus cidadãos. Aqueles mesmos cidadãos que, por décadas a fio, são vítimas preferenciais de todas as formas de tributação, em todas as esferas de governo.

Alguns, inclusive, chegam ao descaramento de questionar o que tem mais valor, a vida ou a economia? Ou, para disfarçar, defendem a tese de que ambas devem ser tratadas em pé de igualdade.

Bem, caminhamos para a terceira década deste século XXI, trazendo a tiracolo um monumental afastamento, pelos seres humanos, de Deus e das suas prescrições para uma vida longa e saudável de todas as criaturas sobre a Terra. Em momentos de desespero, de medo, de pânico, de insegurança e de incertezas, como o atual, é lógico, e esperado, que joelhos se dobrem aos céus, em busca de socorro, proteção e de toda forma de acolhimento.

Entretanto, seja como for, e incluindo até os que afirmam não crer em Deus, a vida é, e sempre será, o bem maior a ser preservado. Bem inalienável e protegido, tanto pela lei divina quanto pela lei humana, que, de uma forma ou de outra, impõem penas severas para os que atentam contra ela (vida), inclusive, para os que se omitem na sua defesa.

Não é possível que se possa aceitar de bom grado que algumas pessoas revelem profundo desprezo, tanto pela própria vida, quanto pela vida alheia, demonstrando, como temos visto e ouvido aqui e ali, maior cuidado com a geração de cifras e com a preservação de riquezas, do que com a prevenção e com a preservação de vidas humanas. Vidas que, inclusive, são as mesmas que mais adiante, logo ali na frente, vão restituir aos cofres estatais, com juros e correção monetária, tudo o que agora estiver sendo disponibilizado para o socorro material de todas elas, bem como as daqueles que delas dependem.

Portanto, parece ser tremendamente grosseira, para não dizer burra mesmo, a dúvida levantada em certos setores da sociedade acerca do que vale mais: a vida ou a economia? Do mesmo modo que é grosseiro, e burro, também, o raciocínio de que a preocupação deve ser com ambas: com a vida e com a economia, de forma simultânea. Ora qual é o pai que, estando a vida de seu filho ou filha por um fio, hesita em lançar mão de tudo o que conseguiu reunir em uma conta de poupança, para mantê-lo(a) vivo(a)? Qual é o pai que, de forma grosseira, desumana e burra, para tentar (!) salvar o filho ou a filha, aceita usar, apenas, parte do que tem depositado na tal poupança? Não irá ele, em primeiro lugar, vender a própria roupa do corpo, se for preciso, para salvar aquela vida, que também é sua?

Desta forma, no momento vivido por todos nós seres humanos, não dá para aceitar que os oportunistas de todos os gêneros e espécies consigam fazer vitoriosa a tese estapafúrdia de que, tanto a vida quanto a economia precisam ser preservadas conjuntamente, ainda que diante de uma pandemia de proporção planetária, como a que estamos vivendo.

A Palavra do Senhor assim é descrita: “Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte” (Jr 21, 8). E, neste sentido, o nosso Padre Zezinho, em memorável canção, eternizou a seguinte estrofe:

“Diante de ti ponho a vida e ponho a morte.

Mas tens que saber escolher.

Se escolhes matar, também morrerás.

Se deixas viver, também viverás.

Então vive e deixa viver!”

 (Pe. Zezinho, Em Prol da Vida).

É preciso saber escolher, diz a canção. Será demais pretender que as pessoas que gerenciam e administram as riquezas de uma Nação, ajam com sabedoria? Será muita pretensão imaginar que os homens públicos, eleitos ou não, sejam minimamente inteligentes e sábios diante dos percalços da vida? Ou devemos aceitar morrer por eles? Todas as respostas parecem, por demais, óbvias.

Portanto, façamos ouvidos de mercadores diante dos apóstolos e defensores da morte e deixemo-los à própria sorte. Cuidemos, pois, de todos os nossos irmãos e irmãs que, mundo afora, estão, assim como nós todos, sujeitos à pandemia do coronavírus, e oremos para que Deus, Senhor da vida e nosso Salvador, venha em nosso socorro neste momento difícil pelo qual estamos passando. Depois, e somente depois, assim como nos períodos de pós-guerra, todos juntos reconstruiremos a economia, se possível, em outros moldes, padrões e níveis, sempre a serviço da vida, e não mais, como tem sido, contra ela e contra a nossa mãe Terra. Reflita sobre isto. Preserve a vida, a sua e a dos outros. Recolha-se e mantenha-se em oração. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

mar 29

DO ISOLAMENTO SOCIAL AO CONVÍVIO FAMILIAR: UM DESAFIO A SER VENCIDO

VIDA EM FAMÍLIA

MOMENTO DE GRANDES DESAFIOS –

*Por L. A. de Moura –

Hoje seria um dia como outro qualquer, não fosse o drama que está sendo vivido por toda a humanidade, envolvendo uma espécie de “peste” dos tempos pós-modernos, o “novo” coronavírus. Trata-se de uma pandemia, assim declarada pela Organização Mundial de Saúde que, não encontrando outra atitude a ser tomada, escancarou a verdade para todo o Planeta.

Pois bem! Para uns, o momento é de assombro, medo e precaução; para outros, de reflexão e de oração; para outros, ainda, é um momento de oportunismos e discursos que nada contribuem para escorar a fúria da calamidade sanitária.

O fato que parece ser bem real é que, talvez, pela primeira vez em muitas décadas, as pessoas estão sendo obrigadas, por todas as formas e meios, a estarem mais próximas de suas origens – família e lar – para fugirem do risco de morte em decorrência do mal que assola o mundo.

Também esta realidade está cercada de detalhes, dentre os quais, um chama especialmente a nossa atenção: o convívio com a família e com o lar. Conviver com a família, e no lar, tornou-se, para nós, humanos e modernos, um enorme desafio, porque estávamos totalmente desacostumados com esta convivência diuturna. Passamos muitos anos, para não dizer quase a vida toda, envolvidos com a vida social – trabalho, estudo e atividades comunitárias – no meio da qual sempre declaramos estar em família. Isto sem falarmos nos grupos de amigos e mais próximos, selecionados a dedo, entre os quais nosso convívio chega a ser mágico e realizador, tamanho o conforto com que caminhamos ao lado de todos os membros.

Na verdade, esta “família social” é muito mais numerosa do que a nossa família de berço; muito mais extensa e, ao mesmo tempo, muito menos complexa, dada a facilidade com que nos movemos em seu interior, diferentemente da família natal, na qual nossa mobilidade é infinitamente menor e onde os desafios, em diversas ocasiões, impõem-nos limites intransponíveis, graças à ascendência sanguínea de alguns de seus membros em relação a cada um de nós, bem como ao cuidado que devemos dedicar, especialmente, às palavras, gestos e hábitos  por nós manifestados e demonstrados.

Então, o que sobra da nossa vida em tempos ditos normais?  Em tempos absolutamente normais, sem as restrições às quais estamos, por ora, submetidos, sobra muito espaço e muitas emoções (alegrias, dissabores, vitórias, fracassos, parcerias, profundas amizades etc.) no seio da “família social” e, infelizmente, uma convivência cercada de mimos, de cuidados e de melindres no entorno da família de berço, no seio da qual palavras, opiniões e gestos devem ser muito bem pensados, medidos e calculados, para não gerarem conflitos, muitas vezes, insolúveis e divisórios.

Ora, neste momento, no qual fomos, literalmente, mandados pra casa, em total isolamento e em abstinência do convívio com a “família social”, estamos tendo, digamos, a oportunidade de refazer um caminho com o qual muitos de nós nunca esteve, verdadeiramente, familiarizado: o caminho da união com a minoria. Uma minoria qualificada é verdade, no interior da qual nada se assemelha à maioria com a qual estamos acostumados. Uma minoria que, normalmente, não aceita ser abduzida por conversas moles; não aceita ser direcionada por meio de teorias científicas ou doutrinárias, mas que preza pela força da antiguidade de vida. Uma minoria, enfim, na qual os irmãos mais velhos unem-se aos pais e aos avós, ou ao que deles sobrou, para ditar os caminhos diários no entorno do lar,  e para rejeitar todas as ciências, conhecimentos e experiências trazidos por nós, do gigantesco mundo social no qual fomos iniciados ainda nos primeiros anos de vida e no meio do qual transitamos com a desenvoltura de verdadeiros craques da bola.

Muitos, é verdade, poderão recorrer aos meios virtuais, para tentar manter suas saudosas relações sociais. Mas, convenhamos, não é a mesma coisa. Não surte o mesmo efeito que o tilintar de um caneco de chope e um bolinho de bacalhau depois de um dia extenuante de trabalho. Não causa a mesma sensação de uma sinuquinha, só de farra entre amigos, para desanuviar o clima tenso das responsabilidades profissionais, no final de tarde de uma sexta-feira, para fechar a semana com chave de ouro.

Trata-se, a meu ver, de um enorme desafio a ser enfrentado por todos nós que, de repente, fomos obrigados pelas circunstâncias a, como diríamos, voltar pra casa, como que refugiados de um mundo no qual o risco à vida mostra-se mais iminente do que qualquer outra promessa de um futuro alegre, feliz e capaz de satisfazer nossos caprichos.

Um desafio que, uma vez vencido, trará para toda a humanidade, um jeito mais simples de viver, haja vista que, nossos berços são muito mais humildes e jeitosos do que os da sociedade ativa, compulsiva e eletrizante. Vencido este desafio e, obviamente, superada a pandemia, talvez, muitos de nós, quiçá a maioria, conseguirá perceber a necessidade de aninhar-se no meio dos seus consanguíneos, origem de todos nós, deixando a “família social” em segundo plano, vista, apenas, como uma entidade de valor, e de valores, absolutamente mensurável, ao passo que a primeira, a família de berço, possui valores imensuráveis e produz resultados cujos efeitos podem ser sentidos por muitas e muitas gerações.

Não se pretende, aqui, buscar ter ou não ter razão. O que se pretende, neste momento no qual estamos todos, em maior ou em menor grau, propensos a muitas reflexões, é justamente incentivar a mais esta, da qual, talvez, possamos sair verdadeiramente mais eretos, mais sábios e muito mais felizes. Reflita, e tire suas próprias conclusões. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e cultor do silêncio.

mar 23

EDITORIAL ESPECIAL: O VÍRUS DO MEDO É, TAMBÉM, O DA REFLEXÃO

CIDADE DESERTA

DIAS DE PÂNICO: TEMPO DE LUCIDEZ E DE REFLEXÃO –

*Por L. A. de Moura –

Como poderíamos imaginar, há pelo menos um ano, que, em março de 2020, estaríamos vivendo dias de tamanho assombro em todo o globo terrestre? Não há lembrança, também, acerca de algum vidente fazendo previsões neste sentido para o ano em curso. É óbvio que, quando se trata de ser humano, tudo pode ser esperado. No entanto, acredita-se que, se alguém sabia de tudo isto com tamanha antecedência, preferiu guardar para si.

Pois bem, o fato é que estamos diante de situação dramática, haja vista envolver todos os seres humanos, de todos os quadrantes da Terra, sem a ninguém poupar, excetuar ou, como gostam os poderosos, excluir. Todos lançados nos guetos do isolamento, cada qual a seu modo sem, no entanto, podermos estar, como sempre gostamos, lado a lado para, juntos, enfrentarmos “a peste” que atormenta a todos os povos e a todos os governos do mundo.

O fato de estarmos sendo conduzidos para o isolamento social, num primeiro momento parece coisa insuportável, haja vista existirem pessoas que não suportam o distanciamento das grandes concentrações populacionais. Pessoas que, parece, nasceram para estar no meio das multidões, onde, de fato, sentem-se à vontade e bastante felizes. D’outro lado, temos que pensar naqueles que, com a máxima razão, estão preocupados com os seus empregos e com a possibilidade, tremendamente cruel, da perda ou da redução drástica em seus salários que, no Brasil, nunca são suficientes para as necessidades básicas dos trabalhadores. Estas preocupações devem fazer parte de todos nós, trabalhadores, desempregados ou mesmo aposentados, por se tratar de condição de vida de milhares, milhões de irmãos e de irmãs que precisam ganhar o pão de cada dia para alimentar seus dependentes, sejam eles quem forem.

No entanto, e não havendo outra solução para o momento, há que se encontrar em meio a estes dias de pânico, de incertezas e de medo, momentos de lucidez para, no silêncio dos nossos dias prolongados pelo isolamento, fazermos boas reflexões sobre o que, de fato, tem sido a trajetória dos seres humanos, nós todos, portanto, sobre esta Terra. Sobre a forma como temos olhado para o mundo – nós e os nossos governantes – não como o nosso lar comum, mas, como um objeto a ser usado, abusado e descartado, sem a ele darmos um fio promissor de esperança, com os olhos voltados para as próximas gerações.

Seria muito bom, e bastante útil, se, depois destes dias tenebrosos, preocupantes e traumáticos, nós pudéssemos sair dos nossos cantos, estejam onde estiverem, e, ao primeiro contato com as ruas, com a natureza, com os animais, com as praças públicas, com os riachos, com os mares e, principalmente, com os nossos semelhantes, conseguíssemos perceber o quão bela e valiosa é a vida; o quão bela e saudável é a natureza com todas as demais criaturas interagindo de forma expressiva e concomitante; e, o quão importantes somos todos nós, uns para os outros.

Seria muito bom se, depois de tudo isto, resolvêssemos repensar os conceitos e os cuidados que dispensamos à saúde, particular ou coletiva; o carinho e o respeito aos profissionais, e às instituições, da área da saúde como um todo, sem exceções; se reavaliássemos o respeito que dedicamos, ou que deveríamos dedicar, aos cientistas, homens e mulheres abnegados, que passam a vida inteira isolados nos grandes centros de pesquisas pelo mundo afora, em busca da descoberta de medicamentos de cura e/ou de prevenção das mais diversas enfermidades que acometem a todos nós, pobres mortais. Enfim, seria de vital importância que compreendêssemos que o valor que atribuímos aos bens materiais, e ao dinheiro por excelência, é demasiadamente grande, ante o poder que eles demonstram ter quando somos assolados por calamidades sanitárias, pessoais ou coletivas, como a vivida no presente momento.

Para nós, principalmente, brasileiros, deve ser adicionada uma lição importante: precisamos perceber que, até num momento tão dramático como este, de comoção mundial, nem os países mais ricos e mais desenvolvidos do mundo conseguem dar aos seus cidadãos a felicidade e a completude que, em tempos normais e de paz, conseguem, não apenas dar, mas, demonstrar com altivez e sensacionalismo para o resto do mundo. China e EUA, as duas maiores economias do planeta, foram os primeiros a caírem de joelhos diante do vírus assustador. Países de uma Europa rica, desenvolvida, bela e culturalmente exibida, revelam medo e assombro diante da potência do chamado “novo” coronavírus.

E nós, aqui do Cone Sul, pobres e terceiro-mundistas, estamos em situação idêntica à das maiores e mais prósperas Nações do mundo. Assim, seria bom que, passada a tormenta, aprendêssemos a valorizar um pouco mais tudo o que temos e tudo o que somos, perdendo o hábito de estarmos sempre indo para lá, para valorizar o que é do outro. Um outro que, tal como nós, revela-se impotente diante de um mal maior e mundial.

Por fim, será de infinito valor se, passados estes dias de pânico e de assustamento nós, tal como já o sabiam os nossos pais e avós, descobrirmos que acima dos bens materiais, do dinheiro e das Nações ricas e prósperas, existe um Deus a quem, nas horas difíceis, todos se unem para pedir o socorro urgente. É preciso que todos nós aprendamos a usar mais o WhatsApp para levar mensagens de vida e de salvação a todos os nosso irmãos e irmãs, e deixemos de continuar sendo meros repassadores de notícias falsas, de fofocas e de mensagens que têm como efeito muito mais a divisão e o ódio, do que qualquer outra coisa.

Que nos dias seguintes a tudo isto nós possamos sair às ruas com largos e expressivos sorrisos, agradecendo a Deus pela vida, pela saúde e pela beleza da natureza. E que possamos contaminarmos-nos uns aos outros com a alegria, com a paz, com a fraternidade e com a satisfação de, talvez pela primeira vez em nossas vidas, compreendermos que o outro e nós somos um único e mesmo ser porque, nestes dias de solidão e de isolamento, estamos sentido mais falta dele – do outro – do que de qualquer outro objeto, situação ou evento. Afinal, que valor teria se apenas a um de nós fosse permitido ir ao estádio de futebol assistir a um clássico, ir ao teatro ou à praia, ou passear nos parques e praças, se outras pessoas, também, não pudessem estar lá? Sem o outro, sem os outros, nós somos pequenos e incompletos, somos vazios, somos pobres e inválidos, somos impotentes e incompetentes.

Nada como um dia após o outro, diz o adágio popular. Então, que enquanto durar este dia negro, nós tenhamos a lucidez para refletir sobre tudo isto e, quando ele terminar, que saibamos ser, realmente, felizes, com tudo o que temos e somos. E que a volta do aperto de mão e do abraço sincero, possa significar para cada um de nós tudo o que realmente sentimos uns pelos outros. Pense sobre tudo isto. Reflita e se prepare para o novo e promissor dia que está para chegar em breve. Afinal, não há bem que dure para sempre, nem mal que nunca tenha um fim. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

mar 16

EDITORIAL DA SEMANA: O BOM SAMARITANO E OS FALSOS CRISTÃOS

O BOM SAMARITANO - 2020

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO NO BRASIL DOS ANOS 2020: UM CENÁRIO ASSUSTADOR  –

*Por L. A. de Moura –

A maioria dos cristãos, seja lá qual for a denominação religiosa a que pertençam, conhecem de cor a Parábola contada por Jesus, acerca do homem que, vítima de salteadores, ficou caído na estrada que descia de Jerusalém para Jericó (Lc 10, 30-37) e que, depois da passagem de um sacerdote e de um levita que nada fizeram por ele, acaba sendo socorrido, de forma humanizada, por um samaritano.

Sabe-se, também, que os samaritanos não eram as pessoas mais amadas daquele tempo de Jesus e que, talvez, por causa disto mesmo, o Mestre de Nazaré tenha contado a história da forma como contou, e com o final de teve.

Entretanto, é de se imaginar que, se o cenário da referida Parábola fosse reproduzido nos dias de hoje, e, principalmente, no Brasil destes turbulentos anos, nos quais os extremos estão se tocando de forma bastante agressiva, ofensiva e danosa para o convívio entre pessoas que, eventualmente, se autoproclamam cristãs, ouviríamos por primeiro alguns questionamentos, acerca da pessoa e da identidade da vítima e, na sequência, uma bateria de perguntas sobre a pessoa, a identidade, as origens e as ligações político-partidárias do "bom samaritano".

Por exemplo, certamente, alguém perguntaria acerca da sexualidade da vítima: homo ou heterossexual? Também seria imprescindível, para muitas pessoas destes nossos tenebrosos tempos, indagar acerca da raça do cidadão: negro, pardo, mulato, branco ou índio? Estaria tal homem ligado a algum partido político de esquerda? Seria ele um comunista? Teria o referido homem alguma ligação com pessoas progressistas? A qual religião, se é que teria, estaria ele vinculado? O tal homem, mesmo caído no solo, e bastante ferido, conforme descrito por Jesus, teria cometido algum crime no passado? Teria ele passado pelo sistema penitenciário em algum momento da vida? Será que, alguma vez recebeu ajuda social do governo, tipo bolsa família ou mesmo desfrutado de algum benefício da Lei Rouanet? Ou, quem sabe, estaria aquele homem vinculado a alguma ONG defensora do meio ambiente, com os olhos voltados para a Amazônia?

Estas questões, e talvez outras tantas do mesmo gênero, certamente, seriam colocadas, não, exclusivamente, em razão do pobre e moribundo homem, mas, para se poder apurar, também, a licitude, a moralidade e a conveniência política do ato praticado pelo tal “samaritano” que, a depender das respostas dadas acima, seria seriamente criticado por expressiva parcela da sociedade e, eventualmente, banido de muitos grupos de WhatsApp, além de ser rechaçado das demais redes sociais. O tal “samaritano”, no caso, não deveria prestar auxílio, por exemplo, a um cidadão que fora furtado, justamente, nos bens que ele mesmo acabara de furtar de outrem. Ou, ainda, o “samaritano” não poderia de forma alguma prestar socorro a um sujeito com ficha policial marcada por algumas práticas, digamos, ilícitas, no passado.

Dentro desta lógica, perfeitamente adequada ao Brasil destes marcantes últimos anos da segunda década do século XXI, seria de se condenar de forma veemente, alguém que prestasse qualquer socorro a um cidadão ligado a partidos ou a quaisquer outras agremiações ditas progressistas ou, como muitos preferem, esquerdistas. Como socorrer alguém que, no passado, recente ou não, teve ligações, por exemplo, com ONG’s defensoras da Amazônia ou dos povos indígenas?

Parcela significativa da sociedade, com bastante certeza, reprovaria um “samaritano” que ousasse prestar auxílio a um servidor público caído no solo, justamente por se tratar de pessoa tida como “parasita”, fonte de todas as mazelas de um Estado que sempre agiu de forma perdulária mas, que, de uma hora para a outra, decidiu reescrever toda a história nacional, de ponta-cabeça.

Ora, caso a vítima socorrida fosse um homossexual, teria de ser seriamente criticada, e até mesmo reprovada, a assistência prestada pelo nosso “bom samaritano”, porque, com tal atitude, estaria ferindo de morte certas moralidades supostamente cristãs, defendidas com unhas e dentes por quem tem ódio líquido correndo nas veias, ainda que na cor vermelha(!).

Pois bem, se o moribundo tivesse, então, em algum momento da vida, produzido algum trabalho cultural com suporte na Lei Rouanet, estaria mais do que evidenciado que o “bom samaritano” teria algum interesse camuflado na ajuda prestada. Mas, o mais importante, ainda, seria indagar se a hospedaria para onde o moribundo foi encaminhado, estava em dia com o Fisco federal, com o estadual e com o municipal. Seria, igualmente, vital saber se a tal hospedaria, financiou algum político, e de qual partido ou ideologia seria o beneficiado. E mais: importante seria averiguar, também, se o "bom samaritano" é ou teria sido sócio da tal hospedaria. Nada demais! Só para apurar-se alguma possibilidade de lavagem de dinheiro.

É claro que, dentro desta lógica, com a qual muitos não devem concordar com a possibilidade de ocorrência nestas paragens sub-equatorianas, o fato de o socorro ter sido, eventualmente, prestado a um índio, a um negro ou a uma mulher, talvez, fosse decisivo para condenar de vez o nosso “excelente samaritano”, cuja pena social poderia ser branda, com simples  críticas diárias e ameaças a ele e à própria família, até que decidisse exilar-se na Cochinchina, ou, no mais grave dos casos, ser banido das redes sociais e tornar-se, ele próprio, alvo preferencial dos seus algozes que, de posse de alguns dados fundamentais, investigariam a sua vida deste a concepção até o momento em que pagou o dono da hospedagem para cuidar do pobre moribundo caído na estrada, vítima que foi, de salteadores.

É lógico que esta proposição, tomando por base a Parábola do bom samaritano bíblico, pode, e deve, causar perplexidade no leitor ou na leitora. É natural que aconteça. Mas, é evidente e inegável que, nos dias de hoje, tudo isto seria bastante coerente com o cenário que temos vivido por aqui, onde até um simples abraço em um criminoso, condenado e em pleno cumprimento da pena, torna-se ato severamente reprovável e socialmente condenável, até por pessoas alojadas nos mais elevados patamares políticos.

É de se indagar, já que estamos em um interrogatório sem fim, sobre o tipo de cristãos que chegaram até este século XXI. Como podemos entender que sejam consideradas cristãs, pessoas que se comportam de forma absolutamente distanciada dos ensinamentos de Jesus Cristo? Logo Jesus, que mandou amar os inimigos; mandou perdoar sempre e sem qualquer limite; aconselhou a reconciliar com os adversários durante a caminhada; sugeriu entregar tudo para o que pedisse apenas uma parte. É difícil para qualquer um de nós compreender e, principalmente, explicar, como podem existir cristãos que vivem do lado do avesso. Ou seja, pessoas que fazem tudo de forma absolutamente inversa, mas que insistem em se autoproclamarem seguidoras Daquele que condenou todas estas práticas defendidas de forma descarada.

É preciso que as pessoas tenham o mínimo de entendimento racional, nem precisam ser muito inteligentes, para perceberem que “somos todos iguais, filhos de um mesmo Pai”, e que, inevitavelmente, todos, absolutamente todos, seremos moradores de um mesmo condomínio, chamado cemitério, ao final da nossa jornada. Lugar onde ninguém pode, ou poderá, escolher o vizinho mais próximo. E, o pior de toda esta história: depois desta vida estes julgadores, eles sim, poderão ser separados, atados em feixes, e lançados em um lugar de transtornos e de sofrimentos eternos. Quem se diz cristão, precisa repensar suas palavras e suas atitudes. Pensar, repensar e tomar novos rumos na vida, enquanto é tempo. Quem se autoproclama cristão não pode esquecer, nem fingir desconhecer, o célebre ensinamento de Jesus: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, segundo o juízo com que julgardes, sereis julgados; e com a mesma medida com que tiverdes medido, vos medirão também a vós” (Mt 7, 1-2).

Que os novos e bons samaritanos, que existem aos milhares entre nós, muitos dos quais nem cristãos são, antes de serem criticados, insultados e condenados nas redes sociais e nas praças públicas, sejam imitados em todos os seus atos de bondade, de generosidade e de acolhimento. É o que é esperado porque Aquele que doou a própria vida em favor de todos nós, transgressores contumazes das leis divinas e culpados por tantos dizeres, fazeres e desvios de conduta porque, conforme a Palavra conhecida por todos os cristãos “todos pecaram e estão privados da glória de Deus e são justificados gratuitamente pela sua graça, por meio da redenção, que está em Jesus Cristo” (Rm 3, 23-24).

No mais, vale repetir o que sempre dizemos por aqui: que cada um de nós tome a decisão de imitar o bom samaritano, independentemente das críticas e do achincalhamento impostos por parcela significativa de uma sociedade totalmente seduzida pela falácia anticristã daqueles que, falsamente, afirmam serem cristãos. Precisamos imitar, sempre, o bom samaritano, levando em conta que,  ser acusado, injustiçado, açoitado, condenado e crucificado, também, faz parte do seguimento ao Cristo de Deus. Pense, reflita e mantenha-se firme e coerente nos seus propósitos. Antes de afirmar-se como cristão, repense seus atos, palavras e omissões, para verificar se existe coerência entre o que é dito e o que é demonstrado publicamente. No mais, deixa por conta de Deus que, como disse o Senhor, “faz nascer o Sol sobre bons e maus, e manda a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5, 45). Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

mar 09

EDITORIAL DA SEMANA: COM A TEOLOGIA, OS EFEITOS DE UM BIG BANG

BIG BANG - 2

A TEOLOGIA OPEROU NA MINHA VIDA OS EFEITOS DE UM BIG BANG –

*Por L. A. de Moura –

Segundo a teoria do Big Bang, todo o espaço cósmico originou-se de uma estupenda explosão, compreendida a partir da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, tendo por efeito uma expansão, contínua e permanente, do Universo, datada de mais de 10 bilhões de anos, permitindo ao ser humano descobrir, e entender, como tudo realmente começou. Isto é assunto eminentemente científico e, como não é a minha praia, nele não vou prosseguir.

Apenas utilizo o termo “Big Bang”, para me referir aos efeitos – ainda sem possibilidades de verificação tanto da extensão quanto da totalidade – que causou em minha vida a fusão entre o átomo da vontade e o do evento “Teologia”, ciência que investiga primordialmente a relação entre Deus, sua essência e seus atributos, os seres humanos, a natureza e o próprio Universo, criando ondas de expansionismo cognitivo reveladoras de uma universalidade insondável e, ao mesmo tempo, inalcançável em sua totalidade.

Eu que, como já dito n’outras oportunidades, havia tido uma longa experiência no campo do Direito, fiquei maravilhado com o arco, aparentemente, imensurável do horizonte da Teologia. Um arco tão extenso quanto diversificado, envolvendo, temas e bibliografias, também aparentemente, inexploráveis de forma conclusiva  ao longo de uma única vida.

Em pouco tempo descobri, para a minha imensa alegria e felicidade, que a Bíblia é o Livro por excelência a ser lido, estudado, pesquisado, imitado, compartilhado e, ao mesmo tempo, libertário, graças às mensagens profundas que traz para os que ousam com ela se envolver.

Em pouco tempo, também, descobri estar matriculado em um Instituto de Teologia marcado pela excelência de professores, não apenas altamente qualificados, mas, e essencialmente, extremamente dedicados e dispostos à entrega total no âmbito das suas especialidades.

E, em curtíssimo tempo, descobri que o aparato bibliográfico a ser adquirido, pesquisado e abraçado é dos mais amplos sobre os quais havia tido notícia até então. Teologia, certamente, combina com a minha natureza. Teologia, certamente, faz parte do meu ideal de vida. Teologia, certamente, é a minha praia, e, quando você encontra o seu caminho, quando você encontra a razão da sua vida, quando você se depara com aquilo que sempre desejou, mas, que, parecia existir apenas em sonho, seja lá o que for, quando isso acontece na sua vida, você, realmente, se torna uma pessoa feliz. Assim eu me sinto diante da Teologia.

Não importam mais os obstáculos a serem enfrentados. Não importam mais os percalços, os incentivos ou não incentivos que a própria vida ou até mesmo as pessoas darão a você. Você, simplesmente, está no caminho da felicidade.

A Teologia abriu esta imensurável porta diante de mim e eu, por definição, me tornei uma pessoa feliz. Tão feliz que abri uma estrada ao lado da minha vida, por onde trafego sem identificar traumas, dramas, angústias ou sofrimentos, ao contrário do que é a vida diária de uma pessoa normal, que vive em e para a família; uma pessoa que teve de cumprir um período de trabalho que ultrapassou as quatro décadas, enfrentando todo tipo de problemas e de situações, das mais diversas e imagináveis possíveis.

A Teologia veio até mim, acredito piamente nisto, por mãos espirituais muito iluminadas. Mãos que vieram afagar a minha alma; mãos que vieram amansar todo o meu ser; mãos que trouxeram a arca sagrada com todos os grandes tesouros escondidos em seu interior. Diante desta arca e destes tesouros, eu me inclino e presto a máxima reverência, porque reconheço estar frente a frente com o Eterno, com o insondável, com o impenetrável, com o transcendente. Daí a minha euforia espiritual, a minha alegria indizível e inenarrável.

Deus, na suas infinitas glória e sabedoria, concedeu-me o dom especial para escrever. Gosto de escrever. Escrevo com paixão e faço rolar por entre as linhas de algumas páginas, pensamentos, opiniões, projetos e sentimentos que faço questão absoluta de extrair do interior da minha alma, para compartilhar com as pessoas. Pessoas que, na maioria das vezes, nunca vi e que, certamente, jamais verei. Pessoas que leem o que escrevo a partir da divulgação no site que mantenho com a finalidade de levar a Palavra de Deus, mas, que, também, utilizo para divulgar os textos que escrevo. Pessoas, cujo acesso aos meus escritos ocorre, também, por meio do whatsapp.

A partir deste dom, ao qual venho me dedicando dia-após-dia, levo para as pessoas, além de outros temas, um pouco de tudo o que tenho aprendido a partir do ano de 2014, quando assisti a primeira aula de Teologia na qual, de forma especialíssima, o professor iniciava seu trabalho apresentando os primórdios do cristianismo. Foi quando ouvi, e adquiri compreensão sobre, o termo “Patrística”! A partir dali, embora fazendo poucas matérias, em razão do trabalho profissional, ao qual ainda estava vinculado, nunca mais consegui, nem quis, me afastar dos temas teológicos. A partir daquela primeira aula, ministrada por quem cuidou de doutorar-se na matéria, eu fui desviando o meu olhar espiritual, cada vez mais, na direção de um oceano imensamente profundo.

Não tardou muito para que, lenta e progressivamente, e diante de tantas opções, eu passasse a frequentar as aulas de exegese bíblica, ministradas por alguém que, por meio de indiscutíveis competência, sabedoria e conhecimento, mostrou-se apto para abrir portas bem trancadas para um leigo como eu. O professor de exegese bíblica, além dos títulos acadêmicos que ostenta tem, ainda, a seu favor, a simplicidade no falar e no ensinar e as experiências, da vida e da pastoral. Com estes especiais atributos, aprendi com ele a escolher as chaves certas para, por meio de uma vasta bibliografia, ir destrancando muitas das inúmeras portas existentes no interior das Sagradas Escrituras. Portas que, quando não abertas e adentradas com coragem, firmeza e determinação, impedem a aquisição do conhecimento necessário para o progresso no coração da Teologia.

Hoje, aposentado, continuo frequentando as aulas, agora com mais rigor e dedicação, em função da ausência do compromisso profissional. Agora, e a partir de agora, estou como aquele oceanógrafo que, munido dos instrumentos aptos para o mergulho, vai descendo com a máxima cautela e curiosidade possíveis, rumo ao fundo do gigantesco e, para ele, inexplorado, mundo oceânico.

Não é a primeira vez, nem será com certeza a última, que escrevo sobre a Teologia propriamente dita. Faço questão de registrar, nestas humildes linhas, todo um universo de sentimentos e de emoções colhidos a partir de uma primeira explosão subatômica, que foi o encontro entre uma infinita vontade e a possibilidade de estudar Teologia. Desta explosão, comparável à do Big Bang, gigantescas ondas sacudiram toda a minha vida, a minha existência e – não tenho dúvidas quanto à afirmação – a minha própria vida após esta existência, cujos sentimentos, fé e esperança, deixo para descrever n’outra oportunidade.

Por ora, é o que eu desejo registrar. Peço ao leitor e à leitora para que não reparem se falo sobre tema, às vezes, tão estranho ao seu universo vital, social ou mesmo acadêmico, mas é que eu, como pretenso escritor, preciso dar vazão às ideias, assim como a vaca precisa que o leite seja retirado ou a galinha precisa que o ovo seja posto para fora. Perdoem a este pobre escriba, por trazer um tema alheio aos seus interesses imediatos. Porém, quero deixar registrada a mensagem final, a moral da história, como diríamos: você só consegue ser verdadeiramente feliz, quando encontra aquele que, para você, é o verdadeiro caminho. Eu encontrei o meu. E você? Pense sobre isto. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

mar 02

EDITORIAL DA SEMANA: OUÇAM O GRITO DOS PROFETAS, DE ONTEM E DE HOJE

JEREMIAS - O PROFETA

O GRITO DOS PROFETAS SÃO OUVIDOS ATÉ OS DIAS DE HOJE –

*Por L. A. de Moura –

Muitas pessoas, nos dias atuais, temem a leitura da Bíblia, sem a assistência de alguém versado nas Sagradas Letras, justamente, por não conseguirem compreender muito bem o, digamos, enredo, da peça bíblica. De fato, é necessário possuir o hábito da leitura, de um modo geral, para, ao menos, no tocante à Bíblia, conseguir destravar a compreensão de alguns textos vitais.

Dentre todos os Livros que compõem a Sagrada Escritura, faço menção especial aos proféticos, por meio dos quais podemos traçar uma linha mais ou menos reta entre os dizeres, os focos e os objetivos, além de, é claro, ficar bem claro para o leitor e para a leitora a manifestação direta de Deus que, como no caso do profeta Jeremias, intima o sujeito a fazer-se seu porta-voz (Jr 1, 4-10).

Menciono Jeremias por acaso. Afinal de contas, podemos perceber que todos os demais profetas, maiores ou menores, exerceram papéis fundamentais nas sociedades de seus tempos. Sem entrar pormenorizadamente na vida pessoal de cada um destes magníficos porta-vozes de Deus, é bom, e útil ao conhecimento, saber que, em primeiro lugar, as palavras, os termos e os exemplos utilizados por cada um dos profetas é típico da época em que eles atuavam. O foco principal é sempre, como ensinava o Teólogo Milton Schwantes, o Estado. Sempre o Estado é a razão de ser da profecia. Por que? Porque o profeta, acima de qualquer outra atividade religiosa ou cultual, é aquele que denuncia e ameaça o rei, representante máximo do Estado dos tempos bíblicos. É ele, o rei, quem oprime, explora, tributa a terra e tudo o que nela é produzido e, principalmente, pratica a injustiça e reprime a liberdade e obstaculiza a hospitalidade.

Ora, a libertação da opressão e da exploração do povo revela a primeira intervenção divina em favor dos hebreus quando, após mais de quatro séculos de escravidão no Estado egípcio, tem em Moisés o primeiro grande profeta. É Moisés quem, em nome Daquele que é (Ex 3, 14), vai perante o faraó postular a liberdade do povo para andar pelo deserto por três dias, para orar e prestar culto ao Senhor (Ex 5, 1-5). Mas esta questão para o faraó era por demais humilhante. Ele não se enxergava apenas como uma pessoa, mas, como uma entidade sagrada, um deus, um tudo. Ele que, de forma arrogante questiona Moisés: “Quem é o Senhor, para que eu obedeça a sua voz e deixe partir o povo?” (Ex 5, 2).

O desenrolar de toda a saga dos hebreus pode ser lido a partir do capítulo 3 do Livro do Êxodo. E vale à pena ler, para que se compreenda bem a palavra que afirma: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão” (Ex 20, 2). O mesmo Senhor que conclama todo o povo a não prestar culto a outros deuses, dando origem à oração sagrada para os judeus até os dias de hoje, a Shemá: “Ouve ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e com toda a tua força.” (Dt 6, 4-5).

A instituição da monarquia, querida e postulada pelo povo, contra a vontade do profeta Samuel, trouxe, como uma de suas nefastas consequências, a prática, pela maioria dos reis, da idolatria, total e absolutamente condenada por Deus e, também, praticada de forma insistente até os dias de hoje, tanto por governantes, quanto pelos seres humanos que, mesmo quando são fidedignos observadores da Palavra de Deus, afirmando-O como o único Senhor, prestam culto e reverência ao deus dinheiro, a quem servem de bom grado, a ele atribuindo grande parte da felicidade que alegam usufruir. Mas isso é outra questão.

Pois bem, atendendo à vontade do povo, que exigia ser governado por um rei, a exemplo dos povos pagãos, o Senhor mandou Samuel instituir um rei sobre o povo, não, sem antes dar o seguinte aviso: “declara-lhes o direito do rei que reinar sobre eles. Este será o direito do rei que vos há de governar: tomará os vossos filhos e os porá nas suas carroças, fará deles moços de cavalo e correrão diante dos seus coches, os constituirá seus tribunos, seus centuriões, lavradores dos seus campos, segadores das suas messes, fabricantes das suas armas e carroças. Fará de vossas filhas suas perfumadeiras, cozinheiras e padeiras. Tomará também o melhor dos vossos campos, das vossas vinhas, dos vossos olivais e dá-los-á aos seus servos. Também tomará o dízimo dos vossos trigos e do rendimento das vinhas, para ter o que dar aos seus eunucos e servos. Tomará também os vossos servos e servas, os melhores jovens, os jumentos e os empregará no seu trabalho. Tomará também o dízimo dos vossos rebanhos e vós sereis seus servos. E naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós mesmos elegestes, e o Senhor não vos ouvirá, porque vós mesmos pedistes um rei.” (1Sm 8, 9 -18).

Deus faz ver ao povo que a partir do evento monarquia (Estado) viria a subjugação, a escravidão, a tributação, a opressão e, com toda a certeza, a injustiça.

A Palavra afirma que nem assim, diante de todos os avisos, o povo desistiu da ideia, antes declarando “há de haver um rei sobre nós, e seremos também como todas as demais nações” (1Sm 8, 19-20). É a partir daí que o povo entrega nas mãos do Estado (do rei) o direito de controle absoluto sobre seus passos e progressos. E, a depender do rei e da época, cada um foi, e tem sido, pouco melhor ou muito pior do que os antecessores, mas, sem, de modo algum, deixar de apertar as gargantas e os cintos de todos os povos nos milênios seguintes. E será contra este aperto de gargantas e de cintos, que os profetas vão se insurgir e bradar por longo tempo, sem deixarem, é claro, de condenar de forma incisiva e veemente as idolatrias do povo que, mesmo sofrendo, sempre procurou a âncora de outros pretensos deuses, para a resolução dos seus mais diversos males.

O profeta Samuel foi incansável na luta contra os desvios, desmandos, e idolatrias de Saul, o primeiro rei. O profeta Natan, não deu sossego ao rei Davi, por causa dos seus rompantes e da morte de Urias, para tomar-lhe a mulher. O profeta Aías viu o lamentável final do reinado de Salomão, assim como presenciou a divisão do reino em dois, conforme determinara o Senhor.

A trajetória de todos os reis após Salomão é descrita nos Livros I e II dos Reis e I e II das Crônicas, sem nenhuma alteração significativa quanto ao modo de operar “do Estado” propriamente dito, culminando com a desolação do exilio experimentado por reis, cortes, sacerdotes e povos, e descrita de forma tenaz  no Livro das Lamentações. Profetas como Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, assim como todos os demais, sempre atuaram na mesma linha e com o olhar voltado para os mesmos focos: a idolatria, a opressão e a exploração do povo, a tributação excessiva, sempre em defesa da justiça, feita à viúva e ao órfão, e da hospitalidade.

O profeta Amós vai censurar fortemente a opressão aos pobres, dizendo: “Ouvi isto, vós, que pisais os pobres e fazeis perecer os indigentes da terra” (Am 8, 4-9), desfiando todos os castigos que advirão do mal praticado.

Oséias, profeta, vai chamar a atenção para a ilusão do dinheiro e das riquezas, ao declarar “Não te alegres, Israel, não exultes como os povos, porque tu abandonaste o teu Deus, amaste o dinheiro vindo das eiras de trigo. A eira e o lagar não os sustentarão e o vinho vos enganará” (Os 9, 1-2).

O profeta Miquéias vai questionar duramente os “príncipes e Juízes da casa de Israel”, sustentando que “suas sentenças se dão por interesse e os seus profetas advinham por dinheiro”. Tudo em nome do Senhor, assim como é feito, também, nos dias atuais (Mi 3, 9-11).

O profeta Zacarias, por sua vez, vai dizer: "Assim fala o Senhor: Julgai segundo a verdadeira justiça e cada um de vós exerça com seu irmão obras de misericórdia e de compaixão. Não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre; nenhum forme no seu coração maus desígnios contra seu irmão" (Zc 7, 9-10).

Por fim, já no Novo Testamento, Jesus vai chamar de bem-aventurados os pobres, os que choram, os que têm sede e fome de justiça e os que são perseguidos por amor da justiça, afirmando ser deles o reino dos céus (Mt 5, 1-10).

Olhando para os dias atuais, o que temos pela frente? Um modelo de Estado organizado nas mesmas bases da monarquia daqueles tempos bíblicos, alta tributação de terras, de produção e de salários, exploração, injustiça, exclusão, perseguições aos que ousam questionar o rei e, onde estão os profetas atuais?

Os que eram para se colocar na defesa do povo e da monolatria, denunciando a injustiça, a cultura do ódio, da vingança e da morte, a falta de hospitalidade com os próprios nacionais, atirados nos guetos e nas praças públicas, sendo tachados de vagabundos, pestilentos e bandidos, em muitos casos, estão abraçados aos reis da época, defendendo-os e pactuando com tudo o que eles defendem e apregoam, apenas para assegurarem isenções tributárias e facilitações junto aos poderes constituídos.

Como exceções, e sem esquecer que existem muitas outras, devemos destacar, na atualidade, as figuras do Papa Francisco e da ativista Greta Thunberg que, remando contra a maré impetuosa dos tempos e dos reinos, ousam denunciar e defender todos os prejudicados do mundo, estejam onde estiverem, na defesa, inclusive, e principalmente, do próprio Planeta.

No mais, onde estão os profetas de hoje? Onde estão, ou estarão, aqueles que, por amor a Deus são capazes de perderem a própria vida, para gritarem contra tanta maldade, opressão, perseguição e injustiça praticadas contra o povo de Deus?

Que você leitor, você leitora, abra a sua Bíblia e leia de forma mais detida, e com bastante vagar, toda a saga do povo de Deus narrada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e percebam que tudo o que está dito ali, naquelas páginas adequa-se, perfeitamente, aos dramas, angústias e sofrimentos dos povos de hoje em dia. Povos que, tais como os daqueles tempos, são diletos e amados pelo mesmo Senhor que, apesar dos tempos ultramodernos, continua sendo o único, para nós que Nele cremos.

Ao abrir as páginas das Sagradas Escrituras o pobre, o oprimido, o excluído, o perseguido e o injustiçado vão se identificar rapidamente com toda a história do povo de Deus. Uma história que não cessa de ser repetida em todas as dobras dos tempos, de geração em geração. Que o Senhor desperte nossos sonolentos profetas porque, tal como antes, eles existem e estão por aí. Precisamos encontrá-los, identificá-los, incentivá-los, apoiá-los e com eles caminhar para o bem do povo, cuja vida é a glória do Senhor. Leia e reflita. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

fev 26

QUARTA-FEIRA DE CINZAS: RECORDAR É VIVER, E VIVER EM ABUNDÂNCIA

RETORNO AO PÓ

É PRECISO REFLETIR SOBRE O SIGNIFICADO DAS CINZAS –

*Por L. A. de Moura –

É inegável que, para muitas e muitas pessoas, as cinzas tão faladas na quarta-feira imediatamente após o período de carnaval, referem-se ao estado deplorável que os foliões ficam após tantos dias de samba, sexo, bebidas e outros consumos mais. Tudo, em nome da liberdade, do máximo de prazer e da tão almejada felicidade, ainda que por poucos dias apenas. É a voz, o entendimento e o sentimento predominantes nas massas.

Entretanto, embora tenhamos que reconhecer que as cinzas podem, sim, representar o estado físico dos que chegam vivos na quarta-feira após o carnaval, temos que destacar que, em termos cristãos, mais precisamente, católicos, estas cinzas simbolizam o estado último do ser humano, após a jornada, longa ou não, sobre este plano terrestre.

Já no Livro do Gênesis, o Senhor informa ao ser humano sobre a sua triste trajetória: “Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de onde foste tomado. Porque tu és pó, e em pó te hás de tornar” (Gn 3, 19). Trata-se, na verdade, de uma narrativa bíblica, e não, de um fato histórico a ser comprovado. Temos aí todo um estilo literário do qual se vale o hagiógrafo sagrado para descrever aquilo que, por inspiração divina, chega-lhe ao coração.

No entanto, ainda que se trate de uma narrativa, e tudo o que acima afirmamos, o fato é que o ser humano, impreterivelmente, depois dos anos de vida que consegue usufruir, acaba exatamente da forma descrita no Livro Sagrado: volta à terra e, lá, torna-se apenas pó. Nada mais! Dele mesmo, nada sobra. Ainda que sejam aplicadas as técnicas de embalsamento e de mumificação mais avançadas, com o passar dos anos e dos séculos, aquele cadáver jamais voltará a ostentar a forma física original, tão fantasmagórico que fica, em decorrência do ressecamento e do esfarelamento da matéria.

A Igreja não deixa passar em branco este dia tão significativo e celebra as cinzas, não apenas recordando que “tu és pó e ao pó haverás de retornar”, como, também, conclama cada um de nós ao arrependimento e à crença no Evangelho. Na verdade, trata-se da tríplice coluna da salvação, pois, ao tomarmos verdadeira consciência da nossa condição final, precisamos nos arrepender de todas as nossas culpas e transgressões aos mandamentos divinos, crendo piamente nas palavras de salvação pronunciadas por Jesus e relatadas em todo o Evangelho.

É o que devemos fazer por nós mesmos. Nada do que fizermos, neste sentido – recordação da condição final, arrependimento e crença no Evangelho – servirá para salvar a alma de ninguém, a não se a nossa própria. Portanto, façamos algo, pelo menos, por nós mesmos e, neste dia de celebração das cinzas, esqueçamos-nos dos dias de folia e recordemos dos anos contraproducentes nos quais figuramos como os grandes foliões da maldade, do egoísmo, da vaidade, da prepotência, do orgulho, do desprezo pelos pobres, desvalidos e necessitados e, além de tudo, ainda, atuamos como porta-bandeiras dos vícios, da luxúria, do apego desmedido ao poder e aos bens materiais, da exploração dos mais fracos, da impiedade e do apoio a todos os fanfarrões que defendem a morte nas suas mais diversas formas.

É preciso que, ao menos neste dia, todos aqueles que se dizem cristãos, tenham o bom senso de buscar na Palavra de Deus, nos exemplos e nos ensinamentos de Jesus, o verdadeiro caminho para uma felicidade duradoura, e não, viver sonhando e lutando por uma felicidade que, na verdade, e de tão efêmera, mais nos consome e destrói do que edifica e constrói.

Que neste dia, prezado leitor, prezada leitora, você tome consciência de que, assim como com o passar dos meses, vai chegar um novo carnaval, algum dia, por mais distante que possa estar chegará, também, o fim da sua existência e, antes que tudo isto aconteça, pense na fantasia para o próximo período carnavalesco, mas, procure, também, arrepender-se das faltas que só você e Deus conhecem bem e perfeitamente. Creia no Evangelho e veja nas cinzas, não o lamento pelo fim de alguns dias de folia, mas, o símbolo daquilo em que te transformarás no final de tudo e da tua jornada neste mundo. Reflita. Seja feliz, e boa sorte!

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*L.A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

fev 24

EDITORIAL DA SEMANA: EIS QUE UM NOVO TEMPO ESTÁ A CAMINHO

UM NOVO TEMPO

UM TEMPO ANTES DE UM NOVO TEMPO –

*Por L. A. de Moura –

É chegado o momento de pararmos, no tempo e no espaço mentais, para uma singela olhada para o passado e para o presente. É preciso volver o olhar para o curso da história, para podermos verificar que, n’outras épocas, irmãos e irmãs nossos viveram momentos tão ou mais difíceis do que este que estamos vivendo atualmente. Também é necessário observarmos com atenção o que fizeram aqueles irmãos e irmãs, como procederam, para saírem da encruzilhada em que se encontravam e de que forma encaminharam o futuro que para nós é o atual presente.

Então, e somente então, seremos capazes de compreender que tudo o que estamos vivenciando, em todo o mundo, e de um modo geral, são apenas sinais de um tempo que precede a um outro tempo que está às portas, mas, que, quanto ao tempo deste tempo, somente nós é que poderemos decidir, porque, tudo o que precisamos fazer, deve ser feito o mais depressa possível posto que, quanto mais tempo levar para sairmos deste tempo, mais distante ficará o tempo que realmente desejamos ver chegar.

Olhar para o que estamos fazendo e defendendo; examinar cada um dos nossos pensamentos e das nossas convicções; analisar friamente o tipo de ação que estamos compartilhando e, pior, que tipo de ação estamos apoiando de forma incondicional. Precisamos verificar, com a máxima honestidade, se estamos, de fato, defendendo a vida, em quaisquer circunstâncias, ou, se estamos defendendo a morte, de alguma forma, para casos especiais. A vida não pode ser defendida pela metade. Ou defendemo-la por inteiro, ou negamo-la por completo.

Dar uma boa olhada ao nosso redor, como se tudo estivesse absolutamente paralisado no nosso entorno, e verificar como estamos procedendo em relação ao ambiente ecológico; como estamos agindo em relação aos nossos semelhantes. Imagine: tudo parado, e apenas eu ou você, caminhando por entre ruas, praças e avenidas, olhando e prestando atenção em cada detalhe, cada rosto, cada ser vivo, cada rio ou riacho, cada árvore ou jardim. Avaliando o semblante de cada uma das pessoas paralisadas no meio do nosso caminhar. Cada sorriso contido, cada lágrima estancada. Cada realidade momentaneamente estagnada. Cada corpo caído ou abandonado ao relento. Nós somos isto, somos partes integrantes de tudo isto. Como temos procedido? Ao que e a quem temos dado o nosso apoio incondicional?

Porque, se estamos defendendo ideias, ações e sentimentos que, no fundo, no fundo, não estamos conseguindo colocar em prática, porque, ao mesmo tempo, apoiamos quem diz e faz tudo ao contrário do que imaginamos, ou porque, no final de tudo, nós mesmos acabamos por agir de forma totalmente contraditória com o nosso discurso, então, precisamos, realmente, parar, refletir e dar meia volta na trajetória da nossa vida.

Enquanto não fizermos isto pra valer, enquanto não pararmos de ficar acreditando que, tanto o problema, quanto as soluções, estão com o “outro”, seja ele quem for; enquanto acreditarmos que o tempo que desejamos só chegará quando o governo for melhor ou quando a sociedade mudar o giro da roda, ou, ainda, quando o “outro”, sempre o “outro”, passar a agir de modo diferente, nada acontecerá. Continuaremos circulando em torno dos problemas, como o cão correndo atrás do próprio rabo.

Queremos um tempo melhor, queremos um tempo mais justo, mais equânime, mais humano, mais sensível às causas sociais e ambientais. Queremos mais felicidade, mais fidelidade, mais amizade e companheirismo. Queremos mais saúde, mais educação e cultura. Queremos ser mais respeitados, mais amados, mais compreendidos e aceitos, sempre colocados em primeiro plano. Queremos ser tratados como pessoas distintas. Queremos que confiem mais em nós, porque afirmamos ser honestos e pessoas de bem.

Ora, se queremos tudo isto, é preciso que cada um de nós faça a pergunta a si mesmo: tenho agido de forma condizente com tudo o que realmente desejo? E, de modo geral, temos sido, realmente, justos, solidários de verdade, igualitários, amigos, fieis, companheiros? Confiamos no outro, ou continuamos acreditando que apenas nós é que somos dignos de confiança? Olhamos para o meio ambiente de forma responsável, também, ou estamos sempre apontando o dedo para o outro, a quem acusamos por todos os males naturais que nos afligem? Temos, de fato, valorizado a vida de todos os seres vivos, absolutamente todos, ou temos entendido, e defendido, que uns ou outros devem, mesmo, morrer, por não serem merecedores da vida? Ou defendemos que alguns podem tirar a vida do outro, dependendo do caso e das circunstâncias? Vale lembrar: quem defende a vida, deve defendê-la por completo, e quem a nega, nega-a, também, por completo. Não existe mais ou menos vida, ou vida pela metade. A vida é uma só, íntegra e integral. Ou dela somos defensores, a qualquer preço e em qualquer circunstância, ou dela somos inimigos, não importando se estamos tratando da vida alheia ou da nossa própria.

Eis o tempo que antecede um novo tempo: depende apenas de nós, de cada um de nós, agirmos de modo a acelerar a chegada do tempo que desejamos. Ou, então, formaremos fila com aqueles que ousam dizer que: “o meu tempo passou” ou “não terei tempo para ver a chegada de um tempo melhor”.

É sempre bom repetir o que já dissemos à exaustão: as respostas que queremos não serão dadas pelo “outro”, não serão dadas por governos que, ao fim e ao cabo, não dão nada para ninguém, apenas tiram tudo o que podem. As respostas, assim como o tempo que queremos, só virão quando nós, cada um de nós, decidirmos repensar os nossos atos e as nossas convicções perante um mundo em constante e efusiva ebulição. Quando compreendermos que tudo ao nosso redor está umbilicalmente interligado, formando uma única massa que, por sua vez, integra-se de forma homogênea com a própria Terra, então, estaremos prontos para o novo tempo que se aproxima e que deseja chegar com força total.

Enquanto pensarmos, falarmos e agirmos do modo como temos feito, inclusive, apoiando todos os erráticos e desvairados, de todas as espécies, que semeiam a discórdia, o ódio e a cultura da vingança e da morte, que defendem e que aplaudem a discriminação e a exclusão de pessoas em decorrência da raça, do sexo, da origem social ou nacional, da religião, da ideologia política ou do simples modo de pensar, estaremos alimentando este tempo de sofrimentos e angústias do qual estamos, principalmente os mais pobres e desvalidos, sendo as vítimas preferenciais.

Antes de duvidar que tudo depende nós e das nossas atitudes, procure informar-se a respeito do “movimento das sardinhas” que, recentemente na Itália, e partindo da iniciativa de quatro ou cinco jovens universitários, detonou políticos da extrema direita, fortemente instalados no topo da pirâmide política daquela sociedade. Um movimento que, tal qual as verdadeiras sardinhas, uniu-se em consistentes cardumes e, assim, não apenas derrotou, como devorou tubarões extremamente carnívoros e altamente perigosos.

Acredite em mim, acredite em você, acredite em nós. Juntos, unidos e movidos pelos sagrados sentimentos e princípios cuja origem é o amor, o respeito a tudo e a todos, a começar pela vida, própria e alheia, poderemos vencer este tempo tenebroso e, assim, experimentarmos a chegada de um novo e promissor tempo, do qual somos merecedores. Reflita, tire suas próprias conclusões e, enquanto ainda é tempo, faça a sua parte, porque este é um tempo que antecede a chegada de um tempo novo e promissor, que está batendo às nossas portas. Um tempo, sem dúvida, muito melhor e muito mais alvissareiro. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

fev 19

MENSAGEM DE FÉ E DE ESPERANÇA: CONFIAR SEMPRE EM DEUS

CONFIAR EM DEUS

CONFIAR SEMPRE EM DEUS –

*Por L. A. de Moura –

Aquele que habita na proximidade com o Senhor, na paz de Deus encontrará o seu conforto e o seu descanso. Temente e respeitoso, dirá ele ao Senhor: Tu és o meu refúgio e a minha defesa e em ti, meu Deus, eu sempre esperarei. Não será tal homem confundido jamais porque, acima de tudo e de qualquer coisa, repetirá com o salmista, acerca do seu Deus: “Ele me livrou do laço dos caçadores e da palavra áspera”.

Com seus ombros, o Senhor te fará sombra, e debaixo das suas asas estarás cheio de esperança. Como um verdadeiro e potente escudo Ele te cercará com a sua verdade e não te permitirá sofrer ou passar por sustos noturnos. Do mesmo modo, não serás alvo das flechas dos inimigos que andam nas trevas e sempre estão prontos para o assalto repentino.

Mil cairão do teu lado direito, e dez mil do teu lado esquerdo. Porém, nenhum mal te atingirá, porque ser-te-á permitido ver e contemplar o castigo dos teus algozes e perseguidores.

Tudo isto porque, em teu coração nomeaste o Senhor como a tua única esperança e Nele, enxergaste o teu único refúgio.

Por tais razões, o mal não virá sobre ti e a desgraça não se aproximará da tua casa, da tua família, da tua gente querida e amada. Não por ti, não por ti. Mas, porque, acerca de ti, o Senhor determinou que seus anjos estejam sempre prontos para te guardar em todos os teus momentos, e eles te levarão em suas mãos e guiarão os teus pés para que não tropeces na pedra colocada no teu caminho, nem caias em nenhuma cilada ou armadilha para ti preparada por teus inimigos.

Andarás próximo a toda espécie de perigo e nenhum deles, por maior que possa ser, ou por mais destruidor que possa parecer te deterá no caminho que escolheste para a tua vida.

O Senhor olhará para ti e dirá: “porque esperaste e confiaste em mim, eu te livrarei de todos os perigos, de todas as ciladas, traições e armadilhas. Sempre te protegerei, porque diante de mim tens caminhado dignamente. Assim, quando clamares a mim e, na angústia e na tribulação, invocares o meu nome, eu me manifestarei a ti, proteger-te-ei, livrar-te-ei e elevar-te-ei acima de todo o mal. Dar-te-ei muitos e muitos dias de felicidade e mostrar-te-ei o caminho seguro para a tua vida e para a tua caminhada”.

Esta é a saga daquele que venera o nome do Senhor, que respeita e presta culto ao Altíssimo, enxergando Nele todas as possibilidades para uma vida plena e repleta de vitórias e de realizações. Dele não se desviará, nem para a esquerda, nem para a direita. Sua pisada será sempre firme, segura e confiante, porque sabe, à perfeição, quem é Aquele que o sustenta, guia, encoraja, protege e livra de todos os perigos advindos dos mais diversos inimigos.

Não se faz, aqui, nada mais do que reproduzir as palavras do salmista quando, no Salmo 90, revela as vantagens de colocar a confiança total e plena em Deus que, fiel como sempre é, foi e será, jamais abandona aquele que se coloca diante Dele com suas aflições, temores, dúvidas e incertezas.

Aí está a fórmula elaborada pelo salmista para encher de força e de coragem todos aqueles que, não tendo capacidade para fazerem o mal, dele são vítimas escolhidas a dedo, para o holocausto.

O salmista, neste Salmo 90, que deve ser lido sempre e sempre, destaca a confiança que devemos ter de que, no Senhor está e estará sempre a nossa certeza de amparo e de proteção.

Leia o Salmo 90, reflita profundamente sobre ele e renove a sua caminhada. Seja feliz, e boa sorte!

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*L. A. de Moura é estudante de Teologia, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

     

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