Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: PÁGINA INICIAL

dez 04

ROSAS PARA MARIA – PARTE II

ROSAS PARA MARIA

ROSAS  PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE II -

Maria-Sem-Vergonha, emburrada, saiu para o quintal. Seu pai logo gritou:

– Maria-Sem-Vergonha, aonde pensa que vai, mocinha? Trate de voltar e ir fazer as suas lições de casa! Quero vê-las todas prontas e caprichadas!

– Ora, papai, se o senhor tivesse comprado o meu aspirador, eu poderia ir para o quintal agora, sem pressa para voltar!

O pai de Maria-Sem-Vergonha não entendeu coisa alguma, mas preferiu nem perguntar. Ele sabe bem o quão criativa é a filha! 

Conhecendo Maria das Dores: 

Bem perto dali, mora Maria das Dores, outra menina de oito anos, amiguinha de Maria-Sem-Vergonha. Ora, a amizade é mesmo um campo florido em que a união se dá nas diferenças! Maria das Dores não é desinibida e alegre. É, antes, uma menina chorosa, cheia de medos. Ela olha mais para o chão do que para frente. Ou do que para cima. Ou do que para os lados! Apesar de tão diferente de Maria-Sem-Vergonha, as duas nutrem uma amizade verdadeira. 

Maria das Dores está sempre cabisbaixa, achando tudo árduo demais. Como é que viver pode ser um peso tão grande para uma menina linda de apenas oito anos de idade? Será que é pelo motivo de ela apreciar poesias? Mas nem todo poeta é triste! O fato é que Maria das Dores vibra mesmo é com versos melancólicos! 

Maria das Dores é filha única, uma filha muito amada, bem cuidada por seus pais. Todos a querem muito bem, mas seu humor é realmente trágico! Sua vida é como uma ópera: uma tragédia grega! 

Recentemente, Maria das Dores foi levada ao salão de beleza por sua mãe. Chegando lá, elas encontraram outras meninas com suas mães. Todas pareciam muito felizes entre um corte e outro, entre tranças, coques e marias-chiquinhas! Mas Maria das Dores tinha medo, muito medo de cortar seus longos cabelos. 

– Vamos, minha filha, sente-se nesta cadeira aqui. Agora é a sua vez!

 – Mamãe, por favor, vamos voltar para casa. Eu não quero cortar os cabelos!

 – Minha filha, eu nem consigo me lembrar de qual foi a última vez que você cortou os cabelos. Seus cabelos estão enormes, sem corte, sem vida!

 – Mamãe, sem vida eles estarão se forem cortados! Eu não quero! Por favor, não!

 – Vamos, Maria das Dores, você já está bem crescidinha para fazer pirraça! Você pode escolher o corte! Que tal uma franjinha? Chega de esconder esse lindo rosto!

 – Não, mamãe! Vai doer! Eu não quero!

 – Maria das Dores, quem foi que lhe disse que cortar os cabelos dói? É como cortar as unhas, minha filha, não causa dor alguma! Agora, sente-se aqui! Agora!

 Maria das Dores não pôde evitar as lágrimas, sentou-se na cadeira e começou a soluçar só de olhar a tesoura!

 – Olá, Maria das Dores, eu me chamo Ana, mas pode me chamar de tia Ana. Eu vou cortar os seus cabelos, e você vai ficar ainda mais bonita! Vamos deixar esse seu lindo rosto aparecer! Tão linda assim, não pode continuar se escondendo!

 – Eu não estou me escondendo. Só não quero cortar os meus cabelos!

 – Vamos fazer assim: eu vou começar bem devagar, vou cortar a parte de trás primeiramente. Depois, então, cortamos a parte da frente, fazendo uma linda franjinha.

 Maria das Dores fechou os olhos, contraiu todo o corpo e esperou que a dor chegasse! Como a dor não chegou, ela abriu os olhos para ver o que estava acontecendo.

 Ao abrir os olhos, viu suas madeixas caídas no chão. O susto foi enorme! A dor física que ela esperava não veio, mas a dor emocional foi incontrolável! Maria das Dores chorava inconsolável, enquanto as outras meninas riam.

 – Minha filha, veja como você está ficando linda! Não há motivo para esse choro todo! A tia Ana está caprichando no seu corte!

 – Mas está doendo! A tia Ana está cortando um pedaço de mim!

 – Maria das Dores, minha filha, para um jardim ficar bonito, nós não cortamos sua grama, não podamos suas árvores?

 – Sim, mamãe, mas eu não sou uma árvore! – respondeu ainda entre lágrimas.

 – Ah, mas eu tenho quase certeza de que você é uma linda rosa! – disse tia Ana, tentando animá-la.

 – Minha filha, não é só o jardim que precisa ser aparado para crescer bonito e saudável. Tudo na natureza funciona dessa forma. É assim também com os seres humanos. Nós cortamos os cabelos, as unhas das mãos e dos pés. O umbigo do bebê cai. Os dentes de leite caem para darem lugar aos dentes permanentes. A vida é uma eterna mudança! Você não pode continuar achando que isso é uma perda dolorosa, pois não é! É só uma transformação, e para melhor! Veja como você está ficando ainda mais bonita!

 Maria das Dores levantou a cabeça e deu de cara consigo mesma no espelho! Ela se observou atentamente, como quem observa um desconhecido. Aos poucos, seu semblante foi ficando mais leve, mais tranquilo. Ela até esboçou um sorriso.

 Tia Ana pôde, finalmente, terminar o corte. Maria das Dores ficou uma boneca de franjinha, e com um corte na altura dos ombros! As meninas, presentes no salão, ficaram admiradas com o novo visual de Maria das Dores. Ela não parecia mais a mesma. Parecia ter saído de um conto de fadas!

 Por falar em fada, foi só a mãe de Maria das Dores ter falado em dentes de leite, para que ela se lembrasse dos que havia perdido. Maria das Dores brigou semanas com a tal Fada dos Dentes, exigindo-os de volta!

 Bem antes dos dentinhos de leite começarem a cair, os pais de Maria das Dores a levaram para a sua primeira consulta ao dentista. Maria das Dores era bem pequena, mas já medrosa e dramática!

 A sala de espera do consultório parecia ter saltado de um lindo e colorido livro infantil. Havia muitos personagens pelas paredes, uma estante cheia de brinquedos, o tapete era um enorme quebra-cabeça. Opa, alguém abriu a porta do consultório! Maria das Dores arregalou os olhos amedrontada, apesar de encantada com todas aquelas cores. Do consultório, saiu o doutor Henrique, ou melhor, o doutor Mickey! O doutor Henrique, muito espirituoso, queria ser, antes de qualquer outra coisa, alguém atrativo, alguém que pudesse conquistar a confiança das crianças!

Mas, para Maria das Dores, as coisas não eram tão simples assim. O doutor Henrique agachou perto dela, deixando o rabo do Mickey arrastar pelo chão, e a convidou para entrar. Maria das Dores só entrou depois que seus pais entraram. Desconfiada, ela analisava cada detalhe daquele Mickey de jaleco branco! Ele a levantou do chão e a colocou sentada na cadeira.

 Aos poucos, doutor Henrique foi deitando a cadeira. Maria das Dores logo se levantou, dizendo que não estava com sono, que não precisava ficar deitada. Doutor Henrique explicou que ela não iria dormir, iria apenas deitar um pouquinho para que ele pudesse olhar bem os seus dentes.

Maria das Dores não estava gostando da ideia, mas seus pais a tranquilizaram. Doutor Henrique pediu que ela abrisse a boca bem grande. Ela abriu sim a boca, mas abriu ainda mais os olhos!

Doutor Henrique olhou bem as gengivas, a língua e o “céu da boca” de Maria das Dores. Depois, pegou todos aqueles objetos estranhos e começou a avaliar os dentes. Vendo que estava tudo na mais perfeita ordem, sem cárie alguma, disse aos pais dela que apenas uma limpeza era necessária. E que poderia ser feita naquele momento.

 Os pais de Maria das Dores pareciam animados, todos os seus esforços em manter a boca de Maria das Dores saudável tinha valido a pena. Uma boa alimentação, seguida de uma boa escovação, era mesmo uma fórmula de sucesso!

 Doutor Henrique começou a preparar tudo. Depois de dar os parabéns a Maria das Dores, explicou como tudo aconteceria.

 – Minha criança, seu sorriso é lindo e ficará ainda mais bonito agora!

O doutor estava sendo gentil, pois Maria das Dores não havia sorrido uma vez sequer! Doutor Henrique prosseguiu:

– O que nós vamos fazer agora é muito simples. Será apenas uma limpeza.

– Mas eu já limpo bem os meus dentes!

– Sim, é verdade! Mas a limpeza que faremos aqui é mais profunda, ela limpa melhor os lugares em que a escova de dente não alcança direito. Ela vai retirar também as pequenas manchinhas que os dentes vão adquirindo com o passar do tempo. Não se preocupe, não vai doer nada!

– A minha escova alcança todos os meus dentes, ela cabe direitinho na minha boca, pode perguntar para a minha mãe e para o meu pai também.

– Eu sei, minha criança, eu acredito em você! Fico muito feliz de saber que você cuida dos seus dentinhos direitinho, sem se esquecer de limpar a língua também, não é mesmo?

– Sim, eu limpo a boca toda!

– Então, agora você só precisa relaxar, abrir a boquinha e deixar que eu limpo tudinho para você. Quando terminarmos, eu vou passar flúor nos seus dentes, você sentirá um gostinho doce.

– Um gostinho doce? Mas do que adianta o senhor limpar os meus dentes e depois colocar açúcar neles? O senhor vai estragar os meus dentes!

Todos riram! Maria das Dores queria saber de tudo nos mínimos detalhes.

– Maria das Dores, apesar de ter um gostinho doce, o flúor não é feito de açúcar. Ele serve para proteger os dentes, ajudando a evitar as cáries. Agora, vamos começar! Abra a boquinha, eu vou colocar este canudinho embaixo da sua língua, o nome dele é sugador. Assim, você não vai precisar ficar levantando a todo o momento para cuspir a saliva.

Tudo parecia que iria correr bem, se não fosse o barulho da máquina de sucção. Maria das Dores estremeceu na cadeira e agarrou o sugador. Doutor Henrique tentou acalmá-la, mostrando que o barulho vinha da máquina, mas que nada de mau aconteceria.

Tarde demais, Maria das Dores já havia entendido tudo: o sugador engoliria não só a sua saliva, mas também os seus dentes! Ele era mais potente do que o doutor Henrique havia explicado! Nada mais a deixaria calma!

Seus pais bem que tentaram acalmá-la. Doutor Henrique retirou o sugador e tentou mostrar à menina a inofensibilidade do objeto. Nada mais surtia efeito. Aos prantos, Maria das Dores só pensava em sair correndo dali.

Seus pais insistiram para que ela se acalmasse e voltasse a abrir a boca. Doutor Henrique desligou a máquina de sucção e disse que ela poderia ficar sem o sugador. Não adiantou, o susto foi tamanho, que só de pensar em voltar a abrir a boca, Maria das Dores intensificava o seu choro. Todos continuavam insistindo para que a menina voltasse a abrir a boca.

Milagrosamente, Maria das Dores abriu a boca! Doutor Henrique tentou ser rápido no procedimento, mas assim que colocou a mão na boca da menina, ela, num ato de defesa, mordeu com toda vontade os dedos do doutor. O procedimento acabou naquele momento!

Já em casa, Maria das Dores fez uma promessa a si mesma: jamais voltaria a comer! Quem não come, não deve precisar de dentista. Negou o jantar e foi dormir com a barriga roncando.

Na manhã seguinte, continuou a cumprir sua promessa:

– Maria das Dores, está quase na hora de você sair para a escola. Coma logo!

– Não, mamãe. Eu não tenho mais fome.

– Que história é essa de não ter mais fome? Ontem, você já foi dormir sem jantar. Saco vazio não para em pé, menina! Trate de comer agora mesmo!

– Mas, mamãe, quem não come, não suja os dentes!

– Ah, é? Sim, não suja os dentes, mas quem é que precisa de dentes limpos se estiver morto?

– Morto?

– Sim, morto! Ou você acha que alguém que não come pode viver por muito tempo?

Maria das Dores pensou por um instante e percebeu que morrer seria mais complicado do que ir ao dentista. A dor da fome já estava mesmo apertando a sua barriga!

– Bom, minha filha, se você não comer, vou marcar um médico para você, pois eu não quero que minha filha morra de fome!

– Médico, mamãe?

– Sim, Maria das Dores, talvez uma boa injeção dê jeito na sua falta de apetite!

Maria das Dores, imediatamente, começou a comer. Aliás, comeu bem mais do que de costume! Separou um pedaço de bolo, dois pãezinhos e uma maçã para levar para a escola, caso tivesse mais fome.

Seu pai, observando tudo, logo exclamou:

– Assim está bem melhor! Mas a sua mãe já arrumou a sua lancheira!

– Eu sei, papai, mas pode ser que eu sinta mais fome ainda! É melhor ir para a escola prevenida!

O pai de Maria das Dores gargalhou, escondendo o rosto atrás do jornal que lia. Sua mãe ficou satisfeita, pois bastava toda aquela confusão do dia anterior, no consultório do dentista. Ninguém precisava de outro problema!

CONTINUA EM 11 DE DEZEMBRO DE 2019

_____________________________________________________________  

*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

nov 27

ROSAS PARA MARIA – PARTE I

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010. 

Era uma vez três Marias muito diferentes, mas com um grande objetivo em comum: encontrar uma quarta Maria, aquela que mudaria suas vidas para sempre!

A arte do encontro é sempre modificadora, ainda que pareça casual. Um ser não pode, verdadeiramente, encontrar outro ser e permanecer o mesmo.

As relações são como uma teia, elas vão sendo tecidas com arte, como numa armação de fios de seda que, de tão finos e delicados, parecem não prender. Porém, é nessa delicadeza que a força dos laços se forma.

Quando percebemos, já fazemos parte da rede de relações. Somos transformados. Somos, também, agentes transformadores. Somos todos um no somatório da diversidade!

Conhecendo Maria-Sem-Vergonha:

 Maria-Sem-Vergonha é uma linda menina. Tem apenas oito anos de idade e uma curiosidade infinita! Irmã de dois meninos mais velhos, ela nem parece ser a caçula, tamanhas são as suas travessuras e a sua experiência de vida, se é que assim podemos chamar.

Ela já teve cabelos curtos, médios e longos. Mas não pensem que o corte era uniforme, pois ela mesma fazia questão de cortar os próprios cabelos ou de pedir a um dos irmãos que o fizesse. O resultado era sempre algo muito esquisito, porém bastante original!

Na escola, é a menos inibida, conversa sobre tudo e com todos. Tudo o que a professora pergunta, ainda que ela não saiba o que dizer, levanta o dedinho e logo dá um jeito de responder:

– Muito bem! Agora que todos já ouviram a explicação, eu tenho uma pergunta a fazer – disse a professora.

– Oba! Qual a pergunta, professora? – a turma respondeu em coro.

– De onde vem o brilho da lua?

Mais do que depressa, Maria-Sem-Vergonha levantou o dedo!

– Eu sei, professora! Eu sei!

– Pois diga, Maria-Sem-Vergonha, de onde vem o brilho da lua?

– Dos namorados, professora!

– Como assim: dos namorados? De onde você tirou isso, Maria-Sem-Vergonha?

– Ah, professora! A senhora nunca reparou que os apaixonados vivem olhando para o céu, fazendo músicas e poesias para a lua? Ninguém enxerga o brilho da lua como eles enxergam. São eles que dão brilho a ela!

– É verdade, Maria-Sem-Vergonha, os namorados são os mais encantados com a lua, mas isso não significa que eles têm o poder de iluminá-la, é justamente o contrário: a lua os ilumina, com a luz que vem do sol!

– Está bem professora, esse brilho todo pode até ser culpa do sol, mas eu acho muito mais legal dizer que é culpa dos namorados! Ah, que doce culpa!

A turma inteira caiu no riso. Nem mesmo a professora pôde resistir ao romantismo da pequena criança. Do que ela será capaz aos quinze anos? Talvez traga as estrelas do céu para o chão firme!

Em casa, Maria-Sem-Vergonha não é diferente. Adora receber a visita de amigos e familiares. Gosta de conversar sobre todos os assuntos e, mesmo correndo com a garotada de um lado para o outro, está sempre ligada no que os adultos estão conversando.

Certa vez, Maria-Sem-Vergonha ouviu sua tia e sua mãe numa conversa sobre saúde, tema que muito lhe interessa. Aliás, qual tema não lhe interessa? Ela sempre tem um palpite sobre tudo! Sua tia reclamava de um resfriado e do quanto estava congestionada, cheia de secreções saindo pelas narinas.

– Tia Vera, o que são secreções?

– Maria-Sem-Vergonha, não se aproxime tanto! Do contrário, você será a próxima a sofrer com essas secreções saindo por suas narinas.

– Titia, a senhora pode me dizer a verdade, eu já sou grande, eu entendo das coisas. Secreções são melecas, não são?

– Maria-Sem-Vergonha, tenha modos! – esbravejou sua mãe.

– Não se preocupe, tia Vera. Eu vou ajudá-la a ficar boa rapidinho!

Maria-Sem-Vergonha correu até o banheiro e voltou segundos depois com um enorme pedaço de papel higiênico enrolado em uma de suas mãos.

– Prontinho, tia Vera! É só a senhora assoar aqui e botar toda essa meleca para fora! Mamãe sempre me diz para não puxar a meleca para dentro, mas para botá-la para fora do corpo! Só assim, a senhora vai melhorar!

Tia Vera, por mais sem graça que estivesse, não pôde resistir ao carinho e à espontaneidade de uma criança tão zelosa. Pôs seu nariz na mão pequena, porém gorda de tanto papel higiênico enrolado, e colocou suas secreções para fora, ordenando que Maria-Sem-Vergonha fosse já lavar as mãos.

Com essa disposição, curiosidade e alegria, Maria-Sem-Vergonha vive os seus dias aprontando e encantando. A vergonha não faz parte de suas características, ela diz o que pensa e faz questão de marcar presença por onde passa.

Aprecia, enormemente, marcar presença também nos palcos da escola. Adora uma peça teatral, mas não tem a vaidade de querer ser a protagonista. Até porque, ainda que seja apenas uma árvore no cenário, Maria-Sem-Vergonha dá um jeito de ser a árvore mais graciosa, frutífera e com uma enorme sombra! Uma sombra convidativa, daquelas que temos vontade de deitar embaixo, enquanto lemos um livro.

Era primavera, a escola inteira estava vibrante com a peça que apresentaria naquela tarde! Os pais estariam presentes. Toda a comunidade foi convidada. Maria-Sem-Vergonha não cabia em si de tanta alegria! A peça era sobre um lindo jardim que voltava a florir, depois de um inverno rigoroso. Já era primavera, a estação mais bonita e perfumada!

A tarde chegou! No palco, todas as turmas participando. Maria-Sem-Vergonha dividia o palco com uma infinidade de crianças, inclusive com seus irmãos. O palco estava mesmo florido! Entre rosas, margaridas, cigarras, formigas e diversas árvores, lá estava Maria-Sem-Vergonha representando uma linda jabuticabeira! Suas pernas e pés estavam firmes no chão, como um tronco bem enraizado. Porém, seus braços se mexiam o tempo todo, como se a linda árvore estivesse recebendo uma rajada de vento. O que parecia estranho é que somente a jabuticabeira se mexia daquele jeito! A laranjeira, a macieira, a mangueira e todas as outras árvores estavam calmas, como num dia de céu ensolarado.

A professora havia colado várias bolinhas de gude negras nos galhos da jabuticabeira, representando as saborosas jabuticabas. Os galhos eram os braços de Maria-Sem-Vergonha, envoltos em papel crepom marrom. Estava tudo uma lindeza!

A peça foi transcorrendo de uma maneira delicada, bela e encantadora! Os pais se enchiam de orgulho ao admirarem seus filhos! Mas, como em toda peça infantil que se preze, os imprevistos começaram a aparecer.

Maria-Sem-Vergonha mexia seus braços com tanta graciosidade e energia, que as jabuticabas começaram a cair de seus galhos. A professora tentou improvisar, fazendo sinal para que algumas crianças fingissem estar comendo as jabuticabas que se desprendiam dos galhos.

Mas, quanto mais as crianças colhiam as jabuticabas pelo chão, mais Maria-Sem-Vergonha se empolgava e balançava. Eram muitas jabuticabas rolando pelo chão! As crianças começaram a escorregar, pisando nas bolinhas de gude. A peça virou um alvoroço!

Em poucos segundos, as árvores e as flores estavam todas de pernas para o ar! A plateia ria descontroladamente! Os irmãos de Maria-Sem-Vergonha, já no chão, balançavam a cabeça com ar de reprovação e de quem já sabia que algo assim poderia acontecer.

A cortina foi fechada. Logo, os professores todos subiram ao palco com vassouras, tentando juntar as bolinhas de gude. Ajudaram também os alunos a se levantarem. Em pouco tempo, todos já estavam posicionados novamente, porém assustados e amassados. Não havia muito mais coisa a se fazer. A cortina foi aberta mais uma vez, apenas para que o lindo e tempestuoso jardim pudesse agradecer a presença de todos.

A plateia aplaudiu de pé! Foi realmente uma tarde divertida! Maria-Sem-Vergonha encarou tudo como uma grande oportunidade de mostrar todo o seu talento. Essa menina, realmente, tem uma autoestima rara!

O tempo passava, e Maria-Sem-Vergonha crescia em tamanho, alegria e em novas estripulias.

Numa ensolarada manhã, o telefone da casa tocou. Maria-Sem-Vergonha se apressou em atendê-lo:

– Alô! Aqui é da casa dos Ferreira. Com quem deseja falar?

– Olá, bom dia! Eu me chamo Alfredo e gostaria de falar com a senhora a respeito do nosso novo produto no mercado!

Maria-Sem-Vergonha se empolgou, afinal, não é todo dia que ela recebia uma ligação de alguém que a tratava como senhora, querendo lhe oferecer um produto!

– Bom dia, senhor Alfredo! O seu produto é um novo biscoito no mercado? Adoro os recheados!

– Não, senhora. Meu produto é para ajudá-la nos afazeres domésticos. Trata-se de um novo aspirador de pó, muito mais potente! Ele é capaz de engolir uma caixa grande, caso ela esteja no lugar errado, comportando-se como uma sujeira a ser engolida!

– Mas que produto interessante, senhor Alfredo! Ele engole também material escolar? Ele engole uma mochila inteira?

– A senhora é muito espirituosa! Qual é mesmo a sua graça?

– Ah, eu acho graça em muitas coisas, como quando alguém escorrega, sai tropeçando e cai lá na frente! Claro que vou correndo ajudar, mas não consigo deixar de dar uma boa gargalhada!

– Mas a senhora é realmente divertida! Quando perguntei qual a sua graça, eu quis saber o seu nome!

– Ah, por que não perguntou logo? Até eu já sei o seu nome! Eu sou a Maria-Sem-Vergonha.

– Dona Maria-Sem-Vergonha, acho que o meu novo produto vai ajudá-la muito!

– Senhor Alfredo, eu também acho que esse aspirador vai ser a solução para os meus problemas, principalmente na escola.

– Na escola, dona Maria-Sem-Vergonha? A senhora trabalha na limpeza de uma escola?

– Não, eu não limpo a escola, mas é de lá que vêm todas as minhas tarefas. E se o seu aspirador puder engolir alguns livros, cadernos e até mesmo a minha mochila, vai ser de grande utilidade!

De repente, a conversa foi interrompida pelo pai de Maria-Sem-Vergonha:

– Maria-Sem-Vergonha, com quem você está falando?

– Só um minuto, papai. Eu estou comprando um produto novo no mercado.

– Ah, está mesmo? E com que dinheiro a senhorita pretende pagar?

– Essa parte é com o senhor, papai. Fale aqui com o simpático senhor Alfredo!

O pai de Maria-Sem-Vergonha pega o telefone:

– Bom dia, senhor Alfredo! Não dê tanta bola assim para uma criança de oito anos! No que posso ajudá-lo?

– Criança? Maria-Sem-Vergonha é uma criança?

– Sim, senhor. É minha filha.

– Eu estou impressionado com a desenvoltura dela!

– Ela é mesmo muito carismática! Mas no que posso ajudá-lo?

– Eu estava apresentando para a sua filha o nosso novo produto, uma nova versão do aspirador de pó, muito mais potente, capaz de aspirar objetos grandes e, assim, manter o local limpo e organizado.

– Parece tentador, senhor Alfredo, mas não tenho interesse no momento.

Maria-Sem-Vergonha, inconformada, gritou:

– Mas eu tenho, papai! Peça ao senhor Alfredo para me mandar um aspirador, do tamanho maior e na cor rosa!

O pai de Maria-Sem-Vergonha apenas acenou com a mão, na tentativa de calar a filha, enquanto agradecia e se despedia do senhor Alfredo.

 CONTINUA EM 04 DE DEZEMBRO DE 2019

 _____________________________________________________

 *Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

nov 22

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - 2019

*Por Viviane Gonçalves Noel

No dia 27 de novembro, dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, também conhecida como Nossa Senhora das Graças, daremos início, juntos, a uma peregrinação divertida e comovente rumo ao encontro com Maria das Graças! Conheceremos sua história e aparições na companhia de três outras Marias: Maria-Sem-Vergonha, Maria das Dores e Maria Vai Com As Outras! Que possamos estar unidos nessa linda história de fé e amor, dividida em alguns capítulos leves e cheios de esperança! Até breve!

___________________________________________________

*Viviane Gonçalves Noel, é formada em Pedagogia, pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. Em dezembro de 2014, lançou seu primeiro livro: Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza, pela Editora Chiado. Em maio de 2015, lançou, de forma independente, seu segundo livro, o infantil: O Travesseiro Mágico.

 

out 11

REFLEXÕES DE UM SEXAGENÁRIO

FIM DA ESTRADA

ENFIM, A TERCEIRA IDADE –

*por Luiz Antonio de Moura –

Alguém, talvez sem nada melhor para fazer na vida, decidiu cunhar o termo “terceira idade”, tendo por objeto as pessoas que chegam à casa dos sessenta anos de idade. Deste modo, ao soar o sinal da meia-noite, chega-se ao dia do início da terceira, e última, fase da vida. A coisa tem cara de melancólica, mas, na verdade, depende do ângulo pela qual é observada.

N’outro dia mesmo eu tinha vinte anos de idade e olhava para frente como quem observa uma estrada a ser percorrida. Nunca, realmente, me preocupei muito em saber o que poderia haver depois da próxima curva. Imaginava que, como tudo indicava, depois da curva, a estrada continuava o seu rumo natural. Com esta crença que, na juventude, toma ares de convicção, não via porque dar ouvidos aos mais experientes, quando alertavam para as armadilhas e para os perigos camuflados depois de cada uma das próximas curvas. É engraçado! A gente acredita mesmo que sabe de tudo e que os outros estão fora da época. Mas não, eles têm sempre razão. Maldita razão! Logo após a primeira curva, lá está escondida alguma armadilhazinha, pronta para nos pregar as primeiras peças.

Assim, de peça em peça; de armadilha em armadilha, a gente vai aprendendo que nada na vida é constante, apesar do nosso querer. Esta lógica torna-se tão contumaz na nossa caminhada, que tem gente que passa a sentir falta da próxima curva, porque não consegue viver de forma constante. Necessita da vida sob alerta, sob o risco e sob o perigo. Gente que, depois de algum tempo, a gente identifica como doente de verdade. Sim, porque, apesar de tudo o que a vida nos propõe, imagino ser normal esperar, e até desejar, que depois da próxima curva, sempre exista uma continuidade de tudo o que é bom e, é claro, o fim de tudo o que é ruim, incomoda e traz sofrimentos.

Bem, deixando de lado os doentes e amantes da dor e do sofrimento, o certo é que n’outro dia mesmo, eu tinha meros vinte anos de idade e olhava para frente imaginando, com o tempo, alcançar a velocidade de cruzeiro, a partir de quando, seriam retas, descidas e curvas suaves e mais retas a serem percorridas, até, então, chegar na fase da tal “terceira idade”, com força, experiência, certeza e ares de sabedoria para, enfim, destruir todo aquele cenário pintado por quem já havia concluído aquele percurso e que, sem maiores cuidados, alertava para os buracos e fossos após cada uma das curvas seguintes.

Dos vinte aos trinta anos, a velocidade é boa. A gente sente que o carro está sob controle e imagina poder acelerar um pouco mais, sem medo das tais curvas. Aliás, as curvas costumam ser emocionantes e a gente, é claro, não sente medo delas. Vai que vai! A estrada alterna trechos muito bons com outros meio esburacados, mas, olhando para fora do veículo do tempo, percebe-se que alguém está fazendo os reparos necessários e, então, imagina-se que, aconteça o que acontecer, haja o que houver durante o percurso, sempre haverá alguém fazendo aqueles reparos. Temos segurança e já pensamos em esboçar pequeno sorriso, como quem diz: “não disse que conheço o caminho?”.

Dos quarenta aos cinquenta, um bom trecho já foi percorrido e, conforme previsto, já vimos muita coisa estranha na estrada percorrida. Depois de algumas curvas, pudemos perceber que o carro já não apresenta a mesma estabilidade; já descobrimos que, vez por outra, fomos realmente surpreendidos por situações desagradáveis depois de certas curvas; pudemos experimentar alguns trechos esburacados e cheios de crateras, nos quais nenhum reparo foi ou está sendo feito. Aquele meio sorriso convencido começa a sair dos nossos lábios e passamos a afirmar que, sob certos aspectos, alguns dos alertas recebidos lá atrás, no início da jornada, tinham alguma veracidade e começamos a nos tornar mais espertos, com os olhos mais atentos na estrada. Até porque, nesta fase da vida, muitos de nós já está usando os indesejáveis óculos. “É só para perto”, a gente afirma. Mas, na verdade, muitas coisas, para serem realizadas, dependem dos benditos óculos!.

Dos cinquenta aos sessenta longo trecho já foi percorrido e algumas experiências foram adquiridas. Umas, bem amargas; outras, menos um pouco, mas, no cômputo geral, é possível verificar as marcas deixadas por umas e por outras. Agora já temos consciência de que, depois de cada curva, sempre existe a possibilidade de surgirem pedras pontiagudas, abismos, armadilhas naturais e outras preparadas gentilmente pelos adversários. Já sabemos “por experiência”, que a estrada é perigosa e traiçoeira; que não podemos confiar em ninguém e, então, passamos a pronunciar o nome de Deus com maior frequência: Deus me livre; se Deus quiser; graças a Deus; tenho fé em Deus, e por aí vai. Já aqui estamos plenamente convencidos do quão enganados estávamos lá atrás, quando dos queridos e saudosos vinte anos!

A partir dos sessenta anos, nossa velocidade tende a ser bastante reduzida. Não, por deterioração ou cansaço da máquina, mas, por precaução. Já estamos cansados dos solavancos que antecedem a frenagem antes de cada curva que, agora, sabemos esconderem perigos. Já estamos prevenidos, por experiência própria, dos enormes riscos da entrada em alta velocidade nas curvas e da (in)consequente aceleração após cada uma delas, acreditando, ou mantendo a ilusão de que, após cada curva, as retas são decorrência natural do grande tracejado percurso.

Nesta fase, normalmente, ao olharmos para frente e para trás, sabemos avaliar com bastante probabilidade de acerto, muito do que ainda pode acontecer, caso insistamos em permanecer com a máquina acionada naqueles níveis de outrora. É preciso ir freando lentamente muito antes de cada curva. É preciso sair de cada curva com velocidade próxima do “zero” para, lenta e sabiamente, ir acelerando muito de acordo com as condições apresentadas diante de nós.

Na marca dos sessenta anos, passamos a compreender que o perigo não está escondido depois de cada curva, mas, incrivelmente, nas grandes retas, nas quais levamos o veículo a velocidades verdadeiramente impraticáveis, posto que, em alta velocidade, a brusca frenagem antes de curvas que vão surgindo do nada, causa impactos bastante negativos no corpo e na alma. Então, e somente então, começamos a compreender que, o ideal é percorrer as grandes retas com velocidade média, aumentando esporádica e cautelosamente, entrando nas curvas com boa estabilidade e saindo delas com segurança redobrada. Ah, aprendi os segredos! No entanto, alguém sussurra nos fones que trazemos colados aos ouvidos: “falta pouco para a chegada. Você já percorreu mais da metade do caminho útil. Prepare-se para entrar na reta final”. Agora, como consolo, só resta aos mais sábios e mais conscientes, tirar o pé do acelerador, colocá-lo no freio para, lenta e progressivamente, ir parando o carro porque, logo ali na frente está faixa de chegada!

Finalmente, tomamos consciência de que ainda podemos ser muito úteis, caminhando, agora, como instrutores de pista, alertando os novatos para os grandes perigos da estrada. Eles, porém, assim como nós outrora, não acreditam no que dizemos. Ligam seus veículos e, como loucos, saem em altíssimas velocidades! Lá se vão eles passar por tudo o que passamos, repetir os mesmos erros, ou outros ainda maiores para, no final, aos sessenta, entrarem na fase final da caminhada, na tal da “terceira idade” e, fatalmente, pretenderem ser o que agora queremos ser: instrutores de pista.

Hoje – 11 de outubro de 2019 – chego na marca dos sessenta anos! Entro nesta que chamam de “terceira idade”. Enfim, a terceira idade! Olho para frente e percebo com muita facilidade os riscos, para a saúde e para a vida, de continuar numa velocidade, ainda, ditada por quem está confortavelmente à margem da pista. Para quem não está, de fato e concretamente, na chuva, o guarda-chuva sempre será  uma peça feia, incômoda e inútil.

Chego aos sessenta anos de idade com conhecimento suficiente para saber que, daqui por diante, a estrada começa a ficar cada dia em condições mais desafiadoras, mais perigosas e mais propensas a transformar meu veículo em peça de museu deixando-me, em qualquer próxima curva, à pé. O melhor e mais sábio, para mim, é entrar na próxima à direita, trocar os pneus por uns mais macios e suaves, próprios para a grama, e ir curtir os belos e magníficos jardins que permeiam toda a grande pista da vida, deixando para os mais afoitos, os ainda despreparados e para os novatos, a possibilidade de engalfinharem-se na incrível “corrida maluca” da vida, na qual, além de competirem insaciavelmente uns com os outros, contarão sempre com a presença de certos fantasmas que, apesar do tempo, insistem em permanecer na pista, criando tumultos e fazendo papel de bobos, porque desrespeitam e desconsideram o poder e a força implacável do tempo, sob os mais diversos pretextos.

Posso até vir a ser instrutor de pista, porém, sabendo, de antemão, que, os que estão para iniciar o percurso, só vão, verdadeiramente, compreendê-lo quando puderem, assim como faço hoje, olhar para trás e dizerem o que digo: Enfim, a terceira idade!

Não sou merecedor de grandes congratulações, afinal, segui as regras. Joguei o jogo. Agora, estou arrumando as malas para entrar na verdadeira fase boa da vida. Aquela reservada aos verdadeiramente sábios. A fase a partir da qual, farei longas caminhadas. Não, naquela estrada estonteante, mas, na estrada que conduz aos vestiários, onde trocarei toda indumentária por roupas mais adequadas ao descanso, ao repouso, à leitura, às orações, à meditação e, enfim, aos passos na grande reta, ao fim da qual, espero, receberei de Deus o grande troféu da vida.

________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

out 03

DE DEUS PARA DEUS, SEM ABDICAR DA LIBERDADE PARA PENSAR

DEUS COMO PONTO DE PARTIDA

DEUS COMO PONTO DE PARTIDA E DE CHEGADA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Por mais que devamos prestigiar, e até mesmo fazer valer, a liberdade que temos e o livre arbítrio com o qual somos premiados, não podemos esquecer que estas pérolas, para os crentes, não excluem, de forma alguma, a existência,  a presença e a ação de Deus, na origem e na extensão da nossa caminhada, após esta peregrinação, chamada vida.

Obviamente que este entendimento, conforme destacado, pertence somente aos crentes, não, aos defensores do ateísmo, para os quais a vida começa por acaso e termina com o ocaso, sem maiores consequências, bastando viver intensamente o tempo propiciado, sendo bom ou mal, conforme a aptidão natural de cada um e de acordo com as inclinações adquiridas por meio do contato com o mundo. Depois? Depois, é o fim absoluto. Nada mais.

Entretanto, não é assim que os crentes, professores das mais diversas crenças e tendências espirituais e espiritualistas, pensam e vivem. Cada um a seu modo, crê na existência, tanto de uma origem, como de um destino final, totalmente vinculados à divindade que, de acordo com a crença e com a tradição, recebe nomes distintos.

A crença em uma divindade, seja Deus, Allah, Brahma, Krishna, ou tenha o nome que tiver, não pode servir como agente inibidor para o exercício do livre pensar e do livre agir. A crença, na melhor das hipóteses, deve funcionar, apenas, e tão somente, como instrumento regulador dos atos praticados por nós, seres humanos, na relação de uns para com os outros e, de todos, para com a natureza, mãe acolhedora e mantenedora de todos os seres vivos.

É absolutamente imprescindível, e esta parece ser a vontade de Deus, para a permanente evolução de toda a Criação, que o ser humano não abra mão do direito de pensar, de raciocinar, de questionar, de contestar e, principalmente, de criar e de apresentar sempre, sempre, novos caminhos, novas propostas e novas possibilidades para a vida e para a sobrevivência de todas as espécies. Pensar, contestar e discordar, jamais deve ser tomado como ato de rebeldia, mas, e, sobretudo, como fórmula divina para o aperfeiçoamento da espécie humana, que detém este monopólio sobre todas as demais espécies.

Desta forma, precisamos envidar todos os esforços para não abandonarmos a prática do pensar e do repensar, do criticar e do contestar, em favor da crença cega em discursos cujas origens são, por demais, duvidosas e do seguimento a certos líderes que, de volta e meia, aparecem por aí, com indumentárias e adereços, até mentais, dizendo-se enviados “de cima” para conduzir a humanidade. Para os crentes, é preciso recordar, inclusive, ser esta a forma prevista para o surgimento de todos os anticristos, tanto os que já passaram por aqui, como os que ainda estão e os que ainda virão. Sempre surgem como salvadores de uma pátria na qual, em muitos casos, nem eles mesmos querem viver (estamos cheios destes exemplos). Chegam com as soluções prontas e com palavras muito bem medidas, antes de serem pronunciadas. Tudo, para o arrebatamento de multidões que, infelizmente, creditam a eles todas as possibilidades de vitória.

Ainda que citando Escrituras e Livros Sagrados, estes “líderes” – do menor ao maior – devem ser ouvidos com muito cuidado e tudo o que eles dizem deve ser objeto de pesquisa e de investigação por parte de todos nós, seres humanos, dotados de razão, de inteligência e do tão alardeado livre arbítrio.

Entretanto, é preciso ter em mente, os que creem, evidentemente, que Deus é o nosso porto de partida e o porto para o qual estamos destinados na finitude da matéria humana. Dele viemos e para ele voltaremos, nem que seja para o certeiro ajuste de contas sem, no entanto, termos que abrir mão da nossa liberdade e do livre arbítrio com o qual Ele próprio dotou cada um de nós.

Estudar, pesquisar, contestar e investigar sobre tudo o que ouvimos, de modo algum, ofende o Criador. Pelo contrário, é Seu desejo que o ser humano alcance a plenitude do conhecimento. Não, porém, por intermédio de quem não sabe verdadeiramente o que diz. Mas, por meio do trabalho conjunto voltado para o livre pensar, expressar e agir, a partir de onde e de quando, recebemos dados sempre atualizados para a formação daquilo que podemos denominar como patrimônio intelectual que, acredite, não nos pertence, mas, a todos os seres vivos, inclusive, à ameba!

É bem verdade, que no nosso meio existem homens e mulheres talhados na longa experiência laboratorial da vida. Pessoas nas quais, já nas primeiras palavras, é possível identificar a sabedoria com que são dotadas. Porém, nem por isto, afastam, automaticamente, a nossa reflexão e o nosso procedimento investigativo, até para irmos um pouco mais além do que elas próprias. O desejo de um autêntico e verdadeiro mestre é ver seus discípulos irem além de tudo o que ele ensina. Não, evidentemente, do jeito que vemos por aí. Pessoas estéreis e, ao mesmo tempo, reprodutoras de palavras e de conhecimentos alheios, muitos dos quais absolutamente vazios de conteúdo e de fundamentos.

A propósito, nunca é demais lembrar o Mestre Jesus: “o que crê em mim, fará também as obras que eu faço e fará outras ainda maiores” (Jo 14, 12). Crendo, orando, pensando, investigando e agindo, somos muito mais do que simples descendentes do macaco, ou mera decorrência da evolução da ameba.

Para o que creem, é bom sempre repetir, Deus, quando da Criação, deixou para o ser humano a tarefa de levá-la adiante, expandindo-a e aperfeiçoando-a de forma ilimitada. E Ele espera que façamos a nossa parte! Não, que fiquemos dando razão uns aos outros, ou tirando-a uns dos outros, em nome de “pensadores” arcaicos e aproveitadores. Deus espera que lutemos, sempre em prol da vida. Não, como muitos têm lutado, em favor da morte, das mais diversas formas, com as mais diversificadas armas e com as mais primitivas justificativas.

Lendo este texto, não deposite nele nenhuma crença ou confiança, até que a sua própria inteligência te mostre algum indício de luz. E se, com a sua inteligência, reflexão, investigação e pesquisa, você detectar algum indício de luz, transforme-o em uma verdadeira central elétrica, com energia e potência capazes de energizar e de iluminar, pelo menos, o seu caminho de volta para Deus. Já terá sido muito. Lembre-se sempre do dito popular que diz que, “Para aquele que sabe, de um simples limão sai uma boa limonada”. Seja feliz, e boa sorte.

NAMASTÊ - NOVO _____________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

set 24

EDITORIAL DO MÊS: AO IMITAR JESUS, O PAPA FRANCISCO É EXEMPLO PARA TODOS OS CRISTÃOS

O PAPA NA ÁFRICA

OS CRISTÃOS E O PAPA FRANCISCO: RELAÇÃO A SER APRIMORADA, EXEMPLOS A SEREM SEGUIDOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Lemos, nos dias atuais, toda a batalha que o Papa Francisco tem enfrentado, e muito do que ainda está para enfrentar, simplesmente, porque decidiu fazer o que a Igreja, como um todo, parece desconhecer profundamente: ser imitador de Jesus Cristo. Um Papa que se nivela aos mais pobres, aos doentes, aos humildes e humilhados, aos excluídos e discriminados, aos imigrantes, rechaçados em todas as praças do mundo, aos famintos, aos indígenas e a toda uma casta de pessoas que não se enquadram no perfil desejado pelas cabeças mais coroadas, com o ouro da exploração, de todo o Planeta.

Um Papa que, a exemplo de Jesus, a quem diz representar, quer acolher com todas as prerrogativas concedidas aos mais “santinhos” dos cristãos, todos os filhos de Deus, sem qualquer exceção, mas, que encontra em determinados grupos que se dizem “defensores da Igreja e da Tradição” forte resistência e até mesmo grande rejeição.

No tempo de Jesus, era natural que o povo agisse da forma como agiu, vendo o Mestre nazareno sendo condenado à morte, sem nada fazer, haja vista o baixíssimo grau de instrução reinante. No entanto hoje, em pleno século XXI, apesar de todas as dificuldades relacionadas com o ensino e com a educação, de um modo geral, não se pode comparar este, com aquele povo. Hoje, não dá mais para admitir que os cristãos, como um todo, e os católicos, em particular, possam ficar à distância observando a execração de um homem que, acima de tudo, repete as falas, os gestos e os comportamentos de Jesus, em defesa dos mais pobres, humildes, necessitados, excluídos e perseguidos em razão da condição de vida que têm, voluntária ou involuntariamente.

Pois é o que está acontecendo. O Papa Francisco tem promovido verdadeira devassa nas entranhas da Igreja, o que tem gerado enorme insatisfação interna e externamente. E esta insatisfação, cujas reais causas não veem a público, tem sua razão de ser na visão chamada “progressista” do Pontífice que, olhando para o Cristo, quer defender o meio ambiente e o Planeta Terra, como nave mãe de toda a Criação; quer acolher os excluídos de todas as espécies; quer receber com um caloroso abraço e com um prato de alimento, os imigrantes que, desesperados, partem de suas pátrias para não serem dizimados pela guerra, pelo terrorismo, pela doença e pela fome e procuram abrigo em diversas partes do mundo, sendo acolhidos por uns, presos, maltratados, condenados aos campos de refugiados e rechaçados por outros, como se a Terra pertencesse a uma casta específica. 

O PAPA E O POVO DE DEUS

Papa lamenta que resgatar bancos seja mais importante que salvar refugiados - FONTE: http://relances.blogspot.com/2016/11/papa-lamenta-que-resgatar-bancos-seja.html 

Este Papa, é de se perguntar, é comunista, progressista, esquerdista, terrorista ou, simplesmente, cumpre à risca o exemplo do bom samaritano, tão espetacularmente contado por Jesus? Seria o Papa o errado, ou seriam os seus detratores, que preferem acobertar todas as mazelas do mundo, colocando fogo no paiol com a singela desculpa de estarem queimando o joio para preservarem o trigo?

Quem são os cristãos? São os que dividem, excluem, matam, destroem, perseguem, ideologizam e demonizam, ou são os que deveriam imitar Jesus Cristo em tudo o que fez e ensinou?

Parece ter chegado a hora dos verdadeiros cristãos, daqueles que seguem, não apenas as pegadas, mas, e, sobretudo, as palavras, os gestos e as ações de Jesus, formarem fileiras ao lado do Papa Francisco para, ombro a ombro, postularem mais justiça, mais direitos para os humanos, mais compreensão, mais perdão, mais reconciliação, mais aceitação e tolerância, mais união e mais defesa do ambiente no qual todos estamos inseridos, em resumo: mais amor e mais misericórdia. Não é possível deixar que, mais uma vez, um justo pague por todo o mal praticado por tantos, durante tanto tempo.

Os católicos, de modo especial, precisam tomar consciência de que a Igreja não é apenas o fabuloso conjunto arquitetônico situado na Praça São Pedro, em Roma. Não! A Igreja é o fabuloso conjunto humano que prima pelos mandamentos de Deus, dentre os quais o segundo maior e mais importante é o amor ao próximo como a si mesmo.

Portanto, é dever de todo cristão, e, especialmente, dos católicos, fazer ecoar por toda a Terra as mensagens de paz, de amor, de compaixão e de misericórdia vindas do Papa Francisco para todo o mundo, sem qualquer exceção, dando ele próprio o exemplo nas praças, ruas e avenidas percorridas em todas as Nações por onde tem passado.

Mais do que rezar pelo Papa, os católicos devem replicar tudo o que ele defende, porque, acolher com amor e carinho; receber de braços abertos; sentar-se à mesa e tomar alimentos com os pecadores, com as prostitutas, com os publicanos e com toda espécie de excluídos é repetir Jesus e, se alguém repete o Mestre de Nazaré, não pode ser tachado de inimigo da Igreja, mas, verdadeiramente, um dos seus mais importantes representantes.

Neste momento nebuloso e escurecido por palavras e por ações contra o Sumo Pontífice Católico, que cada homem e cada mulher, jovens ou idosos, façam brilhar a Luz que têm dentro de si, para que seja lançado o máximo de claridade sobre o obscurantismo que, por trás de mantos, capuzes e armas, tenta lançar o Papa Francisco na fogueira ardente da omissão, do silêncio e da conivência. Que se façam ouvir as vozes dos verdadeiros seguidores de Jesus e que o Sol volte a brilhar sobre a Igreja de Cristo e sobre seus fiéis seguidores, em todos os quadrantes do Planeta.

O Papa sozinho não tem condições de modificar as estruturas injustas e carcomidas do mundo. Mas, se todos os homens e mulheres de boa vontade tomarem-no como exemplo e replicarem, principalmente, por meio das tão badaladas redes sociais, seus atos e palavras de fé, de amor, de perdão, de acolhimento, de tolerância, de compaixão e de misericórdia, certamente, ocorrerão mudanças visíveis e sensíveis em todas as partes do mundo.

Apesar de certas ordens, doutrinas e ideologias impostas ao mundo, o conjunto de todos os homens e de todas as mulheres será sempre muito maior e muito mais potente e, portanto, totalmente capaz de fazer o pêndulo da balança inclinar-se para o lado da justiça, do direito, da tolerância, do perdão, da compaixão e da misericórdia, virtudes cunhadas a fogo por Deus ao longo de toda a História e, particularmente, descritas e ensinadas à exaustão, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

É preciso que as pessoas se liguem em tudo o que está se passando ao seu redor, e parem de fazer coro com as vaquinhas do Presépio, acreditando que ir ao templo ou à igreja nos dias e horas designados é o bastante para justificar o título de CRISTÃO e o suficiente para assegurar-lhes uma vida eterna cheia de gozo e de felicidade. Antes, é necessário sentar-se com os pobres, com os desvalidos, com os excluídos e perseguidos de todas as espécies, com os imigrantes famintos e abandonados à própria sorte, com os trabalhadores explorados mundo afora, com os pecadores, com as prostitutas, com os homossexuais, com os indígenas, com os aprisionados sem lei e sem justiça, com os divorciados, com os recasados, com os que não são casados na Igreja, ou seja, com os leprosos do nosso tempo. Mirem-se no exemplo de Jesus e tenham coragem para, assim como Ele, afirmarem que são Filhos do Altíssimo, pouco se importando com as reações do Sinédrio moderno.

Nada disso significa afronta, enfrentamento ou desrespeito à Igreja ou à Tradição mas, e acima de tudo, significa agir como Jesus agiu e, certamente, como agiria, ainda, nos dias de hoje. Não viver desta forma e, ao contrário, ficar em cima do muro jogando pedras e criticando, importa no não seguimento a Jesus e a tudo o que Ele fez, ensinou e praticou. O Papa Francisco é exemplo a ser seguido por todos nós, que nos autoproclamamos cristãos. É bom refletir, repetir e replicar. Seja feliz, e boa sorte!

_______________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.                  

 

mar 04

LEITURAS SUGERIDAS PARA O DIA

BÍBLIA - 2017

8ª SEMANA DO TEMPO COMUM – SEGUNDA-FEIRA – 04/03/2019 –

“Na Liturgia da Palavra vamos encontrar a força e o reforço necessários para a jornada que se apresenta diante de nós a cada manhã. Antes de iniciar as atividades do dia, leia atentamente as leituras sugeridas e reflita sobre a Palavra que aperfeiçoa individual e espiritualmente” –

PRIMEIRA LEITURA

LEITURA DO LIVRO DO ECLESIÁSTICO – (Eclo  17,20-28) – 20Aos arrependidos Deus concede o caminho de regresso, e conforta aqueles que perderam a esperança, e lhes dá a alegria da verdade. 21Volta ao Senhor e deixa os teus pecados, 22suplica em sua presença e diminui as tuas ofensas. 23Volta ao Altíssimo, desvia-te da injustiça e detesta firmemente a iniquidade. 24Conhece a justiça e os juízos de Deus, e permanece constante no estado em que ele te colocou e na oração ao Deus altíssimo. 25Anda na companhia do povo santo, com aqueles que vivem e proclamam a glória de Deus. 26Não te demores no erro dos ímpios, louva a Deus antes da morte; o morto, como quem não existe, já não louva. 27Louva a Deus enquanto vives; glorifica-o enquanto tens vida e saúde, louva a Deus e glorifica-o nas suas misericórdias. 28Quão grande é a misericórdia do Senhor e o seu perdão para com todos aqueles que a ele se convertem!

 – Palavra do Senhor.     

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Marcos 10,17-27

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 17quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” 18Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. 19Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!” 20Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. 21Jesus olhou para ele com amor e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!” 22Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. 23Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no reino de Deus!” 24Os discípulos se admiravam com essas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! 25É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus!” 26Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” 27Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”.

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor.

  FONTE:   https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/    

mar 03

LEITURAS SUGERIDAS PARA O DIA

Closeup of wooden Christian cross on bible

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 03/03/2019 –

“Na Liturgia da Palavra vamos encontrar a força e o reforço necessários para a jornada que se apresenta diante de nós a cada manhã. Antes de iniciar as atividades do dia, leia atentamente as leituras sugeridas e reflita sobre a Palavra que aperfeiçoa individual e espiritualmente” –

PRIMEIRA LEITURA:

LEITURA DO LIVRO DO ECLESIÁSTICO – (Eclo27,5-8) –

5Quando a gente sacode a peneira, ficam nela só os refugos; assim os defeitos de um homem aparecem no seu falar. 6Como o forno prova os vasos do oleiro, assim o homem é provado em sua conversa. 7O fruto revela como foi cultivada a árvore; assim, a palavra mostra o coração do homem. 8Não elogies a ninguém antes de ouvi-lo falar, pois é no falar que o homem se revela.

– Palavra do Senhor! – Graças a Deus.

SALMO RESPONSORIAL: 102(103)

R. Como é bom agradecermos ao Senhor.

1. Como é bom agradecermos ao Senhor / e cantar salmos de louvor ao Deus altíssimo! / Anunciar pela manhã vossa bondade, / e o vosso amor fiel, a noite inteira.

R. Como é bom agradecermos ao Senhor.

2. O justo crescerá como a palmeira, / florirá igual ao cedro que há no Líbano; / na casa do Senhor estão plantados, / nos átrios de meu Deus florescerão.

R. Como é bom agradecermos ao Senhor.

3. Mesmo no tempo da velhice darão frutos, / cheios de seiva e de folhas verdejantes; / e dirão: “É justo mesmo o Senhor Deus: / meu rochedo, não existe nele o mal!”

R. Como é bom agradecermos ao Senhor.

SEGUNDA LEITURA:

LEITURA DA PRIMEIRA CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS (ICor 15,54-58)

Irmãos, 54quando este ser corruptível estiver vestido de incorruptibilidade e este ser mortal estiver vestido de imortalidade, então estará cumprida a palavra da Escritura: “A morte foi tragada pela vitória. 55Ó morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” 56O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. 57Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória pelo Senhor nosso, Jesus Cristo. 58Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, empenhando-vos cada vez mais na obra do Senhor, certos de que vossas fadigas não são em vão, no Senhor.

– Palavra do Senhor!

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Lucas 6,39-45

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 39Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão e não percebes a trave que há no teu próprio olho? 42Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão. 43Não existe árvore boa que dê frutos ruins nem árvore ruim que dê frutos bons. 44Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros nem uvas de plantas espinhosas. 45O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio”.

– Palavra da salvação!

– Glória a vós, Senhor.

    FONTE: https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/    

fev 25

EDITORIAL DA SEMANA: TODA MISSÃO TEM UM FIM!

FRUTOS DA VIDA - 2

MISSÃO CUMPRIDA, É HORA DE OBSERVAR OS RESULTADOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Muitos de nós acreditamos ser portadores de missões que, atribuídas por Deus, pela Lei, pela Cultura ou pela Moral, devem ser cumpridas à risca, fazendo desta, em muitos casos, a razão de ser da nossa existência. Não é pequeno o número de pessoas que só conseguem enxergar a vida sob a ótica da tal “missão” que, não raro, e para estas pessoas, dura por toda a vida.

Da minha parte, não enxergo a coisa exatamente desta forma. Penso que cada um de nós tem diversas missões para serem cumpridas no curso da vida e que, como tais, vão se sucedendo umas às outras, em uma saga contínua e permanente, cujo fim coincide com o término desta existência. Algumas missões são mais prolongadas do que outras; mais espinhosas; mais dolorosas; mais aguerridas; mais cansativas, mas, a todas é reservado um limite, um termo final. Um momento no qual dão-se por esgotadas e, portanto, encerradas, independentemente do resultado produzido. Daí por diante, parte-se para outra missão.

Exemplo que me parece bastante oportuno, principalmente, sob a ótica do momento atual da minha trajetória, é o relacionado com a missão a ser desempenhada com o foco totalmente voltado para os filhos. Trata-se de missão difícil, espinhosa e complicada, sim, mas, que tem tempo para findar. Não é missão de toda uma vida, porque, cumpre a cada pai e a cada mãe, acolher aquele serzinho que chega ao mundo para integrar a família, com todo o amor e com toda a dedicação possível e inimaginável. Chega da forma como todos nós sabemos e conhecemos muito bem: indefeso, inocente e carente de todo tipo de cuidado. Sem nada, completamente nu e absolutamente sozinho. De tudo e em tudo dependente de alguém! É a sina de todos nós, seres humanos: ao nascermos e ao morrermos, dependemos de alguém para nos levar de um lado para o outro!

Àquele pequeno ser que chega ao mundo, a mãe ensina por primeiro o caminho do bico do seio, levando-o à boca, para a primeira alimentação, seiva de continuidade de uma vida gestada em um ambiente propício, no qual nada faltava e tudo chegava da forma mais natural possível. Agora não! Agora ele depende da mãe para iniciar o processo da alimentação, com todos os suplementos e complementos necessários para que aquela vidinha ganhe mais tônus a cada dia, e  em todos os sentidos. Ele ou ela depende de alguém, normalmente, da mãe, para colher-lhe as primeiras (e muitas outras) fezes, trocando-lhe as fraudas e zelando pela manutenção e higiene daquele frágil corpo.

Depois, pouco mais tarde, vem o ensino de inúmeras outras atividades necessárias para o progresso daquele ser que, agora, já sabe pedir o famoso “papá”; já chora, quando não quer alguma coisa; já dá de mãos, com certa irritação, quando se sente objeto de abuso dos adultos corujões. Mas, ainda falta aprender a engatinhar para, em seguida, dar o primeiro grande avanço para a liberdade: os primeiros passos! Todos, na família, aguardam o momento deste pequeno astronauta fazer sua primeira caminhada que, para nós, serão apenas alguns passos, mas, para ele ou para ela, será uma grande caminhada rumo à independência. Daí por diante, ele/ela vai de vento em popa, mas, a missão do pai e da mãe ainda está longe de ser completada.

Vem o momento dramático da escola, dos primeiros contatos sociais com outros pequenos seres tão simples e inocentes quanto o nosso rebento. Mas, novamente estamos lá, ao lado dele ou dela, torcendo, dando força, incentivando e, não raro, também chorando pela insegurança de deixar aquela mudinha de árvore aos cuidados de jardineiros estranhos. Jardineiros e jardineiras que são, obviamente, bem preparados e muito bem treinados, mas, não somos nós! E acreditamos, sinceramente, que ninguém é capaz de fazer por ele ou por ela nada do que somente nós sabemos fazer.

A fase estudantil é uma das mais longas, mais complexas e mais delicadas porque pega nossos filhinhos com dois ou três anos de idade e acompanha-os até a entrada na Universidade. E nós, destemidos que somos, estamos ali firmes, fortes e resistentes. Resistentes às dificuldades por eles encontradas nos primeiros anos; resistentes em relação ao convívio com outros seres iguais que, vindos de outras raízes, possuem perfis, às vezes, bastante diferentes e complexos, assim como os modos de proceder em relação a tudo e a todos à volta. Resistentes às rebeldias da adolescência; resistentes ao ímpeto da juventude e, por fim, e já cansados, resistentes aos enfrentamentos abertos, resultantes do normalíssimo conflito de gerações.

Aqui, neste estágio, e na minha opinião, a missão paterna e materna caminha para o encerramento, porque, a partir do conflito gerado pela visão e consequente compreensão do mundo, quando o filho ou a filha enxerga o mundo e suas dependências com olhar próprio, muitas das vezes, bastante diferente do nosso olhar já treinado, experimentado e, porque não assumir, já viciado, acreditam já serem senhores absolutos dos próprios destinos, dispensando maiores comentários, evitando os diálogos mais aprofundados ou mesmo a necessária e saudável troca de experiências, para a verdadeira transmissão da vida e das suas vicissitudes. O que nós sabemos, ou achamos que sabemos, já não lhes interessa mais. Para eles, passamos a ser seres estranhos e já a caminho da obsolescência, seres de um outro mundo, de uma outra época, com outros valores e portadores de um “conhecimento” que a modernidade, sob muitos aspectos, já não reconhece mais como válido. É, quando acredito, a missão do pai e da mãe está encerrada”. Tudo foi feito, dito e ensinado. Experiências mil foram transmitidas. O que normalmente denominamos por "conselhos", foram distribuídos aos montões. Centenas de exemplos foram tomados como referências e indicativos para o bom e para o mau caminho. Enfim, aquele filho ou filha está preparado para a ação! E, de tão preparados, eles acreditam poder deixar de lado tudo o que receberam, e partir para suas aventuras e experiências próprias.

Dali por diante, é verdade, sempre estaremos prontos para o filho ou para a filha, mas, apenas para o acolhimento, o consolo e, não raro, para o socorro! E, quase sempre, o trunfo vitorioso é o da concordância ou o do silêncio.

É com esta visão e com este sentimento que vejo meu filho chegar aos vinte e um anos de idade! É preciso reconhecer, também, ser esta a primeira experiência pela qual estou passando. Mas ainda sou um menino, um menino que carrega no peito dúvidas, medos e inseguranças. Um menino que, infelizmente, não encontra outro menino para trocar ideias e experiências válidas para ambos, um mais velho, o outro, mais jovem. Tão jovem que, em razão da idade que chega e faz desabrochar toda a impetuosidade da vida, não percebe o valor absoluto, e a importância, do diálogo constante e permanente com este menino que ele já considera velho demais e fora de moda. Ambos são meninos, porém, cada qual refletindo o seu próprio tempo.

Um dia eu também tive vinte e um anos de idade, e como eu sonhei poder ser tratado pelo meu pai como um adulto, um adulto capaz de ter ideias e opiniões próprias e interessantes; um adulto capaz de principiar e de prolongar um diálogo forte, saudável e frutuoso para ambos quando eu, certamente, teria a vantagem de aprender muito mais. No entanto, meu pai, vindo de uma realidade na qual não conheceu o carinho, o acolhimento, o amor, o consolo ou mesmo o socorro de um pai ou de uma mãe, rechaçava, como evita até hoje, o diálogo aberto, franco e sincero com os filhos, por se achar, ele próprio, o senhor absoluto de todas as razões e de todas as verdades.

Do alto destes meus quase sessenta anos olho para os vinte e um anos passados como um raio, e percebo ter cumprido minha missão o que, para mim, é motivo de orgulho, satisfação e consolo pessoal e espiritual muito grande. Cumpri, sim, a missão que me competia como pai. Agora, resta-me apenas sentar na varanda e, tal qual o ancião que tem os olhos perdidos no horizonte, aguardar para apreciar os resultados do extenso plantio que fiz no decorrer destes últimos vinte e um anos esperando, ainda, para ver o que revelarão os anos vindouros.

Aos pais e mães mais jovens, não sirvo de modelo, porque ousei agir bem adiante no tempo, acreditando estar construindo pontes e viadutos pelos quais muitas cargas positivas seriam transportadas de forma permanente, espontânea e inteiramente gratuita. Entretanto, qual não tem sido minha surpresa, quando vejo que, tudo construído e desobstruído para gerar integração plena, assim como a produção de esplêndidos resultados, existe um pedágio a ser pago, instalado pelas artimanhas da vida. Um pedágio que dificulta o fluxo natural do transporte de projetos, planos e experiências, criando obstáculos onde não existem e obscurecendo a visão, impedindo a percepção e, evidentemente, afastando a possibilidade de se preparar, em larga escala, para as armadilhas que o futuro guarda para a totalidade dos seres humanos.

Não importa o quanto está sendo, ou o quanto ainda será, cobrado para a travessia das tais pontes e viadutos. O que realmente importa, para mim, e, talvez, até de forma egoísta, é a convicção de ter cumprido com o papel que me foi designado: o papel de pai! Cumpri-o com altivez e com determinação; cumpri-o com satisfação e com orgulho e, na condição daquele que planta uma árvore frutífera em terras alheias, ou mesmo nas próprias, espero que alguém recolha os frutos que, mais dia, menos dia, não tenho dúvidas, aparecerão. Afinal, o que é a vida, senão um plantar e um colher permanentes? Seja feliz, e boa sorte!

____________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio!

   

fev 24

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

7ª. DOMINGO ANO C DA  7ª. SEMANA  TEMPO  COMUM

*Por Monsenhor Paulo Daher -           

1 SAMUEL 26, 2-7.9-12-13.22-23Davi com suas tropas chegou ao acampamento de Saul, enquanto todos estavam dormindo.  Entrou na tenda do rei Saul sem que o percebessem e não feriu o rei, pegou só o cantil e a lança dele. Depois de voltar para outro lado da colina gritou para Saul dizendo o que fez e mostrando o que trouxe sem ofender o rei. Este reconheceu a fidelidade de Davi e o elogiou diante de Deus.

Davi o escolhido de Deus mostra mais uma vez a Saul que invejava seus grandes feitos nas batalhas, sua fidelidade ao rei, em nome do Senhor.

É exemplo para nós. Devemos conhecer o que o Senhor pede de nós e orientados por sua vontade mesmo diante de “inimigos” que nos fazem mal, saibamos entender que não somos juízes de ninguém. Sigamos o que conhecemos por nossa consciência e deixemo-nos guiar pelo que o Senhor espera de nós. 

Ainda estejamos atentos a que devemos respeitar as autoridades ou os de quem dependemos em nossos trabalhos. Mas jamais aprovar seus abusos contra nossa consciência.

Às vezes por não seguir os maus exemplos de pessoas a quem

prestamos serviço ou de quem dependemos para o que devemos realizar, além do sofrimento talvez devamos renunciar a este trabalho se quiserem forçar-nos como condição para continuar aí. Podemos até perder bens mas é melhor estar de bem com nossa consciência do que pactuar com a desonestidade.

1ª. CORÍNTIOS 15, 45-49, o apóstolo leva-nos a pensar em nossa condição de seres humanos, do que somos e herdamos dos que nos precederam. Somos criados por Deus, mas infelizmente trazemos conosco a fragilidade que herdamos de nossos pais. Mas somos também herdeiros da riqueza de Cristo que nos assumiu com irmãos e por nós agiu e age diante do Pai.

Mais visíveis são nossas maneiras que agem como herança de nossos pais. Tantos suas qualidades como também características que poderíamos chamar de deficiências ou fraquezas.

Depende de nós, ajudados pela presença e ação de Cristo, conduzir nossa vida como tantas pessoas santas fizeram, movidos pela graça de sermos filhos de Deus resgatados pelo grande amor que o Senhor tem por nós e manifestou de maneira maravilhosa com a presença de seu Filho que veio viver conosco nossa vida.

Na vida todos conhecemos crianças que quase abandonadas por sua família foram assumidas por pessoas que a aceitaram como filhos e lhes deram condição de sobreviver e de se preparar melhor para seu futuro.

Muitas pessoas santas também tiveram oportunidade pela graça de Deus e amor de pessoas de fé de serem educadas na vida humana melhor e vida religiosa que as transformou.

Jovens que moravam no interior sem às vezes a mínima condição de sobrevivência humana, foram acolhidas por religiosas que as educaram e lhes deram condição de até um dia serem superioras desta mesma congregação que as recebeu.

A riqueza que qualquer pessoa traz consigo é uma realidade que precisa ser entendida e aceita quando participamos de um trabalho pastoral numa paróquia ou num movimento.

EM   LUCAS 6, 27-38, Jesus apresenta algo novo quebrando a maneira radical dos judeus. Amem seus inimigos. Orem pelos que o ofendem. Aceitem as ofensas e agressões. É a maneira nova de voltar a aceitar qualquer “irmão” que nos faça sofrer. Não revidar. Não julgar. Não condenar. Perdoar sempre.

Talvez para que não se contaminassem com a vida que muitos tinham como natural na sociedade antiga do tempo dos judeus, para se preservar dos costumes pagãos, se seguia à risca: Olho por olho, dente por dente. Recebeu, deve dar em troca com a mesma moeda.

Jesus insiste na regra de ouro: somos capazes até de mudar a agressividade do outro pela mansidão.

Hoje por causa das injustiças sociais gritantes em relação à discriminação das pessoas por sua cor, condição social, estamos quase voltando ao que havia antigamente. Como dizia um modesto trabalhador:  ataque que eu me defendo. Ou o que alguns pais diziam e ainda dizem a seus filhos: não tragam nenhuma agressão para a casa. Reajam como gente! Não sejam bobos.

Mas Jesus disse que ele era caminho, a verdade e a vida. E continua mantendo seus princípios: perdoem a quem os ofende!

Um dia um padre na missa pediu que tirassem de lá um cão que estava incomodando as pessoas. O dono não gostou e depois na sacristia agrediu o padre com um bofetão. Quando a família soube fiou consternada. Vivia dizendo que ele fosse pedir perdão ao padre que não tinha reagido nem dissera nada a ninguém. Por fim o senhor pediu perdão e depois foi um grande colaborador do padre em seus trabalhos.

__________________________________________________________________________

* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

Posts mais antigos «

Apoio: