Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: PÁGINA INICIAL

fev 24

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

7ª. DOMINGO ANO C DA  7ª. SEMANA  TEMPO  COMUM

*Por Monsenhor Paulo Daher -           

1 SAMUEL 26, 2-7.9-12-13.22-23Davi com suas tropas chegou ao acampamento de Saul, enquanto todos estavam dormindo.  Entrou na tenda do rei Saul sem que o percebessem e não feriu o rei, pegou só o cantil e a lança dele. Depois de voltar para outro lado da colina gritou para Saul dizendo o que fez e mostrando o que trouxe sem ofender o rei. Este reconheceu a fidelidade de Davi e o elogiou diante de Deus.

Davi o escolhido de Deus mostra mais uma vez a Saul que invejava seus grandes feitos nas batalhas, sua fidelidade ao rei, em nome do Senhor.

É exemplo para nós. Devemos conhecer o que o Senhor pede de nós e orientados por sua vontade mesmo diante de “inimigos” que nos fazem mal, saibamos entender que não somos juízes de ninguém. Sigamos o que conhecemos por nossa consciência e deixemo-nos guiar pelo que o Senhor espera de nós. 

Ainda estejamos atentos a que devemos respeitar as autoridades ou os de quem dependemos em nossos trabalhos. Mas jamais aprovar seus abusos contra nossa consciência.

Às vezes por não seguir os maus exemplos de pessoas a quem

prestamos serviço ou de quem dependemos para o que devemos realizar, além do sofrimento talvez devamos renunciar a este trabalho se quiserem forçar-nos como condição para continuar aí. Podemos até perder bens mas é melhor estar de bem com nossa consciência do que pactuar com a desonestidade.

1ª. CORÍNTIOS 15, 45-49, o apóstolo leva-nos a pensar em nossa condição de seres humanos, do que somos e herdamos dos que nos precederam. Somos criados por Deus, mas infelizmente trazemos conosco a fragilidade que herdamos de nossos pais. Mas somos também herdeiros da riqueza de Cristo que nos assumiu com irmãos e por nós agiu e age diante do Pai.

Mais visíveis são nossas maneiras que agem como herança de nossos pais. Tantos suas qualidades como também características que poderíamos chamar de deficiências ou fraquezas.

Depende de nós, ajudados pela presença e ação de Cristo, conduzir nossa vida como tantas pessoas santas fizeram, movidos pela graça de sermos filhos de Deus resgatados pelo grande amor que o Senhor tem por nós e manifestou de maneira maravilhosa com a presença de seu Filho que veio viver conosco nossa vida.

Na vida todos conhecemos crianças que quase abandonadas por sua família foram assumidas por pessoas que a aceitaram como filhos e lhes deram condição de sobreviver e de se preparar melhor para seu futuro.

Muitas pessoas santas também tiveram oportunidade pela graça de Deus e amor de pessoas de fé de serem educadas na vida humana melhor e vida religiosa que as transformou.

Jovens que moravam no interior sem às vezes a mínima condição de sobrevivência humana, foram acolhidas por religiosas que as educaram e lhes deram condição de até um dia serem superioras desta mesma congregação que as recebeu.

A riqueza que qualquer pessoa traz consigo é uma realidade que precisa ser entendida e aceita quando participamos de um trabalho pastoral numa paróquia ou num movimento.

EM   LUCAS 6, 27-38, Jesus apresenta algo novo quebrando a maneira radical dos judeus. Amem seus inimigos. Orem pelos que o ofendem. Aceitem as ofensas e agressões. É a maneira nova de voltar a aceitar qualquer “irmão” que nos faça sofrer. Não revidar. Não julgar. Não condenar. Perdoar sempre.

Talvez para que não se contaminassem com a vida que muitos tinham como natural na sociedade antiga do tempo dos judeus, para se preservar dos costumes pagãos, se seguia à risca: Olho por olho, dente por dente. Recebeu, deve dar em troca com a mesma moeda.

Jesus insiste na regra de ouro: somos capazes até de mudar a agressividade do outro pela mansidão.

Hoje por causa das injustiças sociais gritantes em relação à discriminação das pessoas por sua cor, condição social, estamos quase voltando ao que havia antigamente. Como dizia um modesto trabalhador:  ataque que eu me defendo. Ou o que alguns pais diziam e ainda dizem a seus filhos: não tragam nenhuma agressão para a casa. Reajam como gente! Não sejam bobos.

Mas Jesus disse que ele era caminho, a verdade e a vida. E continua mantendo seus princípios: perdoem a quem os ofende!

Um dia um padre na missa pediu que tirassem de lá um cão que estava incomodando as pessoas. O dono não gostou e depois na sacristia agrediu o padre com um bofetão. Quando a família soube fiou consternada. Vivia dizendo que ele fosse pedir perdão ao padre que não tinha reagido nem dissera nada a ninguém. Por fim o senhor pediu perdão e depois foi um grande colaborador do padre em seus trabalhos.

__________________________________________________________________________

* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

fev 24

A PALAVRA DO SACERDOTE

ZÉ MARIA-2

VII DOMINGO DO TEMPO COMUM – NÃO JULGAR... PERDOAR –

 *Por Mons. José Maria Pereira –

O Evangelho (Lc 6, 27 – 38) nos convida a ser magnânimos, a ter um coração grande, como o de Cristo. Manda-nos a bendizer aqueles que nos amaldiçoam, orar pelos que nos injuriam..., praticar o bem sem esperar nada em troca, ser compassivos como Deus é compassivo, perdoar a todos, ser generosos sem calculismos. E termina com estas palavras do Senhor: Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo. E alerta-nos: Com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos  (Lc 6, 38).

A virtude da magnanimidade, muito relacionada com a virtude da fortaleza, consiste na disposição de realizar coisas grandes, e São Tomás chama-a “ornato de todas as virtudes”. É uma disposição que acompanha sempre uma vida santa.

O magnânimo (tem alma grande) propõe-se ideais altos e não se encolhe perante os obstáculos, as críticas ou os desprezos, quando é necessário enfrentá-los por uma causa elevada. Não se deixa intimidar de forma alguma pelos respeitos humanos e pelas murmurações; importa-lhe muito mais a verdade do que as opiniões, frequentemente falsas e parciais.

A grandeza de alma demonstra-se também pela disposição de perdoar o que quer que seja das pessoas próximas ou afastadas. Não é próprio do cristão ir pelo mundo afora com uma lista de agravos no coração, com rancores e recordações que lhe amesquinham o ânimo e o incapacitam para os ideais humanos e divinos a que o Senhor nos chama.

Assim como Deus está disposto a perdoar tudo de todos, a nossa capacidade de perdoar não pode ter limites, nem pelo número de vezes, nem pela magnitude da ofensa, nem pelas pessoas das quais nos advém a suposta injúria: “Nada nos assemelha tanto a Deus como estarmos sempre dispostos a perdoar. Na Cruz, Jesus cumpria o que havia ensinado: Pai, perdoa-lhes. E imediatamente a desculpa: porque não sabem o que fazem (Lc 23, 34). São palavras que mostram a grandeza de alma da sua Humanidade Santíssima. E ainda lemos no trecho do Evangelho (Lc 6, 27-28): Amai os vossos inimigos..., orai pelos que vos caluniam.

Vamos nos concentrar num ponto importante do discurso de Jesus: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados” (Lc 6, 37). O sentido não é: não julgueis os homens e assim os homens não vos julgarão; mas antes: não julgueis e não condeneis o irmão e assim Deus não vos condenará.

Quem és tu para julgar um irmão? Somente Deus pode julgar porque Ele conhece os segredos do coração, os “porquês”, as intenções e os objetivos de uma ação. Mas nós o que sabemos daquilo que se passa no coração da pessoa quando faz uma determinada ação? O que sabemos sobre os condicionamentos que influem nessa ação, sobre os meandros de suas intenções? Querer julgar, para nós, é realmente uma operação assaz arriscada, é como lançar uma pedra de olhos fechados sem saber a quem irá atingir: nós nos expomos a ser injustos, impiedosos, unilaterais. Basta olhar para nós: como é difícil julgar a nós mesmos e quantas trevas envolvem nosso pensamento, para entender que é totalmente impossível descer nas profundidades de outra existência, em seu passado, em seu presente, na dor que experimentou...

Diz São Paulo: “Ó homem, tu que julgas os que praticam tais coisas e, no entanto, as fazes também tu, pensas que escaparás ao julgamento de Deus?” (Rm 2, 3). O motivo aduzido por São Paulo é: Tu que julgas fazes as mesmas coisas! É um traço característico da psicologia humana julgar e condenar nos outros, sobretudo, o que nos desagrada em nós mesmos, mas que não ousamos enfrentar. O avarento condena a avareza; o sensual vê, em tudo, pecados de luxúria; o orgulhoso só vê nos outros pecados de soberba. Projeta-se o próprio mal e a própria intenção deturpada nos outros, iludindo-nos, assim, de nos libertar de modo indolor. Mas isto é uma mentira e uma hipocrisia; é uma forma de alienação (alienação de nosso “eu” doentio): Hipócrita –diz Jesus quando assim me comporto -, tira primeiro a trave do teu olho e depois o cisco do olho de teu irmão! (Mt 7, 5). Há pessoas que se assemelham a juízes em sessão permanente: de manhã levantam e sentam no tribunal, permanecendo aí o dia todo emitindo sentenças. Ouvem uma notícia e já têm um julgamento; chega uma pessoa e, apenas sai, lhe jogam nas costas um julgamento.

Mais perto de nós, nos relacionamentos cotidianos, na família e no ambiente de trabalho: não julgar, não condenar! O melhor é falar, expressar com clareza o próprio desacordo, uma desaprovação. Jesus condena o juízo, não a correção; quando você corrige o irmão lhe faz dois favores: mostra que ele é capaz de aceitar a correção e lhe dá uma possibilidade de defesa. Isto não humilha a pessoa, mas lhe dá a certeza de que é valorizada, considerada capaz de aceitar uma crítica e de melhorar.

Em tudo é importante que cultivemos a virtude da magnanimidade, muito próxima da virtude da fortaleza! Ser magnânimo! Ter alma grande!

Jesus sempre pediu esta grandeza de alma aos seus. O primeiro mártir, Santo Estêvão, morrerá pedindo perdão para aqueles que o matam (At 7, 60). E nós não saberemos perdoar as pequenezes de cada dia? E se alguma vez chega a difamação ou a calúnia, não saberemos aproveitar a ocasião para oferecer a Deus algo tão valioso? Melhor ainda seria se, à imitação dos santos, nem sequer chegássemos a ter que perdoar – por nunca nos sentirmos ofendidos.

Santa Teresa dizia: “Não deixeis que a vossa alma e o vosso ânimo se encolham, porque poderão perder-se muitos bens... Não deixeis que a vossa alma se esconda num canto, porque, ao invés de caminhar para a santidade, terá muitas outras imperfeições mais” (Caminho de Perfeição, 72, 1)

A magnanimidade dilata o coração e torna-o mais jovem, com maior capacidade de amar. É virtude que é fruto de um íntimo relacionamento com Jesus Cristo. Uma vida interior rica e exigente, repleta de amor, sempre se faz acompanhar de uma disposição de empreender grandes tarefas por Deus. É uma atitude habitual que se baseia na humildade e que traz consigo “uma esperança forte e inquebrantável, uma confiança quase provocativa e a calma perfeita de um coração sem medo”, que “não se escraviza perante ninguém: é servo unicamente de Deus” (J. Pieper, As Virtudes Fundamentais).

O magnânimo (é generoso) atreve-se ao que é grande porque sabe que o dom da Graça eleva o homem a tarefas que estão acima da sua natureza, e as suas ações ganham então uma eficácia divina: esse homem apoia-se em Deus, que é poderoso para fazer nascer das pedras filhos de Abraão (Mt 3, 9); e é audaz nas suas iniciativas apostólicas, porque é consciente de que o Espírito Santo se serve da palavra do homem como instrumento, mas que é Ele quem aperfeiçoa a obra (Cf. São Tomás, Suma Teológica, 2 – 2, q. 171, a. 2). Caminha e trabalha com a segurança de quem sabe que toda a eficácia procede de Deus, pois, é Ele quem dá o crescimento (1 Cor 3, 7).

A Virgem Maria nos conceda a grandeza de alma que Ela teve nas suas relações com Deus e com os irmãos. Dai e vos será dado... Não nos apouquemos, não nos encolhamos. Jesus presencia a nossa vida!

____________________________________________________

*Mons. José Maria Pereira, Sacerdote da Diocese de Petrópolis, é, também, Professor, Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Niterói e Diocesano de Petrópolis e Vigário Paroquial de Nossa Senhora de Fátima enviando para o Blog, semanalmente, a homilia do domingo.

           

fev 18

EDITORIAL DA SEMANA: TRABALHADORES DO BRASIL

TEMPOS MODERNOS - 2019

TEMPOS MODERNOS – O SÉCULO QUE VIVE NO PASSADO –

Tanto o trabalho manual e repetitivo, ao longo do tempo, quanto o “intelectual”, dependente do preenchimento de formulários e de tomada de decisões previamente estabelecidas (os tais modelos), abrem o caminho mais certeiro para o emburrecimento do trabalhador.”

*Por Luiz Antonio de Moura –

Quando falamos em “tempos modernos”, quase sempre vem à mente a lembrança do jovem Chaplin mergulhado no interior de uma fábrica de montagem de peças, apertando parafusos, em uma atividade tão frenética que,  já no intervalo para o almoço, mostrava as mãos trêmulas e vacilantes, repetindo o mesmo gesto, ainda que sem a chave na mão. Coisa de louco, diriam os jovens de hoje.

Diriam isto porque, muitos dos nossos jovens ainda não mergulharam no famigerado ambiente da produção em série de qualquer um dos objetos que consomem ou compram diariamente, pela internet ou mesmo nas lojas físicas. O trabalho de natureza repetitiva, manual ou intelectual que seja, ao invés de uma saudável prática e uma bem-vinda experiência, traz doenças físicas, mentais e espirituais, muitas das quais perseguem as pessoas pelo resto de suas vidas.

Parece incrível que tais ambientes ainda existam e que, por outra, ainda sejam comandados por pessoas que se revelam dotadas com a mesma mentalidade que vigorava no interior das fábricas das décadas de 1920/1930 do século passado. Porém, existem e estão cada vez mais presentes, tanto nos setores públicos, quanto nos privados. Tanto na produção em série, massificada, quanto no trabalho meramente burocrático e intelectual, dependente de relatórios e de decisões previamente elaboradas (os famigerados modelos), com a simples escusa de acelerar o trabalho, produzir mais e preservar pesquisas e coletas de dados já realizadas.

Tanto o trabalho manual e repetitivo, ao longo do tempo, quanto o “intelectual”, dependente do preenchimento de formulários e de tomada de decisões previamente estabelecidas (os tais modelos), abrem o caminho mais certeiro para o emburrecimento do trabalhador. Num primeiro momento, a simples e ingênua repetição de atos e de formas parece coisa simples, racional e saudável. Entretanto, o tempo se encarrega de mostrar que  chega a hora em que o trabalhador ou a trabalhadora passam a sofrer do vício do trabalho repetitivo, e ficam de tal modo vinculados ao sistema que, se for modificado o conteúdo central do trabalho, ele/ela passará batido e, olhando apenas para a peça e o instrumento ou para o título e para as primeiras linhas, dará o mesmo resultado para a questão posta diante de si, tamanha a lesão cognitiva que já tomou conta do seu precioso cérebro.

Aqui, volta a lembrança do trabalhador Chaplin embrenhado, e indefeso, em meio à multiplicidade de engrenagens, simbolizando muito bem tentáculos de um sistema que devora o ser humano de tal forma que, em pouco tempo, se sente como um verdadeiro dente da engrenagem. E mais: muitos, se veem como um dente muito importante na dinâmica que faz tudo girar ao seu redor. Tão importante que são capazes de tudo para se manterem atrelados ao sistema que, paradoxalmente, devora-os com prazer e satisfação e que, quando os consome totalmente, já tem outro, engrenado, para representar o mesmo papel, em um verdadeiro ciclo vicioso e ceifador de  saúdes e de vidas.

Ainda assim, desconhecendo ou fingindo desconhecer as severas consequências das regras impostas e alimentando todo o sistema, chefes intelectualizados, sindicalistas, trabalhadores e outros que se dizem do ramo, estão verdadeiramente assombrados com tudo o que vem sendo proposto (alguma coisa já foi, inclusive, implantada) no campo dos direitos trabalhistas sem, no entanto, mexerem um dedo sequer para questionar seriamente o condenável sistema produtivo, manual ou mesmo intelectual, no qual estão imersos até o pescoço milhões de trabalhadores, exigindo de subordinados, associados e comandados, apenas, e sempre, mais agilidade no processo produtivo, como que a bloquear ainda mais a capacidade intelectiva do cidadão ou da cidadã que, no dia-a-dia, produzem, de verdade, as grandes riquezas e mantêm, impreterivelmente, os ótimos bônus financeiros e os excelentes salários daqueles que, em posição de comando, estão no topo da cadeia produtiva.

O filme que relata a aflição e a descoloração pessoal daquele operário representado, de forma magistral, pelo jovem Charles Chaplin, não raro, é passado em palestras e em congressos, mundo afora, como modelo de produção a ser fortemente criticado e, de fato rejeitado pelos administradores modernos, haja vista o indizível mal que causa aos trabalhadores. Entretanto, ainda contaminados e, de certa forma embotados, pelo pensamento dominante naquelas já citadas décadas do século passado, todos eles  (líderes, chefes e administradores), com raríssimas exceções, mantêm o mesmo sistema de cobrança e de exigência de agilidade na produção de resultados em seus ambientes de trabalho, caçoando daqueles que afirmam estarem sofrendo e alegando não aguentarem mais o sistema viciante e viciado, ou, o que mais acontece, preparando a substituição do que denominam "maçãs podres".

Atualmente, em certas áreas do serviço público, adota-se o teletrabalho, como a joia da coroa. Diferentemente dos procedimentos similares adotados na iniciativa privada, nacional e estrangeira, líderes que representam estes setores públicos, além de não fornecerem equipamentos adequados e aptos à qualidade do trabalho, de não se responsabilizarem pelos efetivos custos operacionais e de não oferecerem um centavo a mais de incentivo para os trabalhadores, diferentemente do que ocorre no setor privado, ainda se acham no direito de exigir aumento expressivo da produtividade, no que contam, infelizmente, com a concordância dos trabalhadores e das trabalhadoras que, já embotados e incapazes de perceber o quanto estão sendo explorados, lutam para assegurar o que ainda acreditam ser um “privilégio”.

O teletrabalho, na forma em que foi pensado, planejado e executado com relativo sucesso por grandes grupos corporativos, grupos que, querendo ganhar cada vez mais, sabem o quanto é importante o bem estar dos seus empregados, tem por finalidade proporcionar aos trabalhadores e às trabalhadoras a possibilidade de executarem suas tarefas diárias no ambiente que lhes parece mais íntimo: a residência. E, justamente por respeitarem este ambiente íntimo, as grandes corporações fazem questão de encher estes trabalhadores de mimos, como jornada de trabalho inalterada, com respeito aos necessários intervalos regulares para a recomposição física, o fornecimento de equipamentos modernos, sofisticados e altamente eficientes, a manutenção periódica nos referidos equipamentos, serviço de help-desk funcionando de forma efetiva e eficaz, durante 24 horas por dia, além de um bônus salarial visando cobrir ou minimizar os custos de operacionalidade o que, incentiva e estimula tal modalidade de trabalho.

Isto sim, é respeitar o trabalhador e o seu íntimo ambiente residencial. Este sim, é o método que busca acrescentar ganhos pessoais, materiais e espirituais àqueles que asseguram os polpudos bônus financeiros aos sócios e acionistas ou os magníficos salários dos líderes, chefes e administradores. Aqui, sim, justifica que cada trabalhador ou trabalhadora lute com afinco para conseguir este que é um verdadeiro privilégio, totalmente oposto ao que tem sido oferecido aos trabalhadores brasileiros, principalmente, os de alguns setores públicos, cujos chefes e administradores acreditam, ou fingem acreditar, estarem na vanguarda do processo evolutivo do trabalho.

Penso ser chegado o momento de, mais do que direitos codificados, os trabalhadores buscarem formas de trabalho mais humanas e mais humanizadas, de modo que passem a ganhar algo que vale muito mais do que o dinheiro: o verdadeiro bem estar para a vida, com valorização e resguardo aos principais direitos da pessoa, onde quem comanda saiba respeitar o ambiente íntimo e pessoal daquele que lhe assegura os enormes ganhos e, por fim, a própria riqueza.

Caso contrário, o filme do velho-jovem Chaplin continuará a representar uma realidade que teima em não sair de cena. Uma realidade que tem transformado os nossos trabalhadores, ao longo do tempo, em bonecos robotizados, viciados na repetição de atos, de gestos e de comandos, que permanecem ativados e atuantes, mesmo fora do ambiente do trabalho, nas conversas de finais de semana com amigos e familiares, naquele papo que ninguém aguenta mais, mas que todos ouvem até por piedade daquele que se sente um importante dente da engrenagem produtiva na qual está inserido, pois todos percebem o prejuízo mental de que são portadores tais indivíduos. Reflita e, ainda que não concorde, veja se conhece realidade diferente e melhor. Seja feliz, e boa sorte!

_____________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

fev 08

LEITURAS SUGERIDAS PARA O DIA

BÍBLIA - ANTIGO TESTAMENTO

4ª SEMANA DO TEMPO COMUM – SEXTA-FEIRA – 08/02/2019 –

“Na Liturgia da Palavra vamos encontrar a força e o reforço necessários para a jornada que se apresenta diante de nós a cada manhã. Antes de iniciar as atividades do dia, leia e reflita sobre a Palavra que aperfeiçoa individual e espiritualmente” –

PRIMEIRA LEITURA: Hebreus 13,1-8

Irmãos, 1perseverai no amor fraterno. 2Não esqueçais a hospitalidade, pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos sem o perceber. 3Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! 4O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha, porque Deus julgará os imorais e adúlteros. 5Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. 6De modo que podemos dizer com ousadia: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” 7Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e, considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. 8Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

– Palavra do Senhor!

– Graças a Deus.

 SALMO RESPONSORIAL: 26, 1. 3. 5. 8b-9abc

R. O Senhor é minha luz e salvação!

1O Senhor é minha luz e salvação;

de quem eu terei medo?

O Senhor é a proteção da minha vida;

perante quem eu tremerei?

R. O Senhor é minha luz e salvação! 

3Se contra mim um exército se armar,

não temerá meu coração;

se contra mim uma batalha estourar,

mesmo assim confiarei.

R. O Senhor é minha luz e salvação! 

5Pois um abrigo me dará sob o seu teto

nos dias da desgraça;

no interior de sua tenda há de esconder-me

e proteger-me sobre a rocha.

R. O Senhor é minha luz e salvação! 

8bSenhor, é vossa face que eu procuro;

não me escondais a vossa face!

9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo,

9bsois vós o meu auxílio!

9cNão me esqueçais nem me deixeis abandonado.

R. O Senhor é minha luz e salvação!

EVANGELHO: Marcos 6,14-29

 — O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”. 16Ouvindo isso, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. 23E lhe jurou, dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. 24Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.   

– Palavra da salvação!

 – Glória a vós, Senhor.

  FONTES:   https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/   http://liturgiadiaria.cnbb.org.br/app/user/user/UserView.php?ano=2018&mes=4&dia=7  

nov 18

SALMO É LUZ. SALMO É VIDA. SALMO É LOUVOR!

SALMOS - 2017

SALMO DO DIA – DOMINGO – 18/11/2018 – CANTANDO OU RECITANDO, APROXIMA-TE DO SENHOR –

SALMO – Sl 15,5.8.9-10.11

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

5Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,

meu destino está seguro em vossas mãos!

8Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,

pois se o tenho a meu lado não vacilo.

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

9Eis por que meu coração está em festa,

minha alma rejubila de alegria,

e até meu corpo no repouso está tranquilo;

10pois não haveis de me deixar entregue à morte,

nem vosso amigo conhecer a corrupção.

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

11Vós me ensinais vosso caminho para a vida;

junto a vós, felicidade sem limites,

delícia eterna e alegria ao vosso lado!

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

  ____________________________________________   FONTE: http://liturgiadiaria.cnbb.org.br/app/user/user/UserView.php?ano=2018&mes=4&dia=7

ago 31

A PALAVRA DE DEUS CHEGA ATÉ VOCÊ

NOVA LOGO DO BLOG

A PALAVRA PARA VOCÊ –

SEXTA-FEIRA – 31/08/2018 –

II LIVRO DOS REIS - Capítulo 23, 1-11 –

 – JOSIAS RENOVA A ALIANÇA COM DEUS – PARTE I –

1O rei convocou à sua presença todos os anciãos de Judá e de Jerusalém,2e subiu ao templo do Senhor com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, profetas e todo o povo, pequenos e grandes. Leu então, diante deles, o texto completo do livro da Aliança que fora descoberto no templo do Senhor.3O rei, de pé na tribuna, renovou a aliança em presença do Senhor, comprometendo-se a seguir o Senhor, a observar os seus mandamentos, suas instruções e suas leis, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e a cumprir todas as cláusulas da aliança contida no livro. Todo o povo concordou com essa aliança.4O rei ordenou em seguida ao sumo sacerdote Helcias, aos sacerdotes da segunda ordem e aos porteiros, que jogassem fora do templo do Senhor todos os objetos fabricados para o culto de Baal, de asserá e de todo o exército dos céus; fê-los queimar fora de Jerusalém, nos campos do Cedron, e mandou levar as suas cinzas para Betel.5Despediu os sacerdotes dos ídolos que os reis de Judá tinham estabelecido para oferecer o incenso nos lugares altos, nas cidades de Judá e nos arredores de Jerusalém, assim como os sacerdotes que ofereciam incenso a Baal, ao sol, à luz, aos sinais do zodíaco e a todo o exército dos céus.6Mandou tirar do templo do Senhor o ídolo asserá e levá-lo para fora de Jerusalém, para o vale do Cedron, onde o queimaram. Depois de tê-lo reduzido a cinzas, mandou-as lançar sobre os sepulcros do povo.7Destruiu os apartamentos das prostitutas que se encontravam no templo do Senhor, onde as mulheres teciam vestes para asserá.8Convocou todos os sacerdotes das cidades de Judá, profanou os lugares altos onde os sacerdotes tinham oferecido incenso, desde Gabaa até Bersabéia, e destruiu o lugar alto das portas, à entrada da casa de Josué, prefeito da cidade, que ficava à esquerda de quem entra na cidade por essa porta.9Entretanto, os sacerdotes dos lugares altos não subiam ao altar do Senhor em Jerusalém, mas comiam somente dos pães ázimos no meio de seus irmãos.10Profanou também Tofet, no vale do filho de Enom, a fim de que ninguém fizesse passar pelo fogo seu filho ou sua filha em honra de Moloc.11Fez desaparecer também os cavalos que os reis de Judá tinham dedicado ao sol, à entrada do templo do Senhor, junto do pavilhão do eunuco Natã-Melec, no recinto, e queimou os carros do sol.

 

  FONTE: http://claret.org.br/biblia __________________________________________ *Leitura do Livro de Samuel.      

nov 04

UM POEMA PARA REFLETIR

FREI ARIOVALDO -3

E A CASA NÃO CAIU 

*Por Frei José Ariovaldo da Silva, ofm – 

Banho tomado

após suada caminhada,

em minha cama agora espraiado,

do jeito que nasci,

janela aberta para um céu ensolarado

e apressadamente varrido

por louco vento Leste-Oeste, penso eu,

miro blocos de nuvens revoltas, agitadas,

cruzando-se, tropeçando-se em desespero,

empurradas para um rumo que não sabem.

Encantado,

no movimento delas embarquei

e, tomado de súbita ótica ilusão,

senti a casa tombando sobre mim.

Assustei-me e, neste susto mentiroso,

lembrei-me de outros, tantos outros,

que ventos loucos da humana mente

fizeram meu corpo sobre mim cair.

Hoje, depois de tantos medos,

vem a ilusão e me diz

que dela virei aprendiz:

de mim desnudo, na fé,

toquei a orla de meus segredos,

literalmente de pé,

sou livre, feliz.

_________________________________________________
*Frei José Ariovaldo da Silva é frade franciscano (OFM); doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Roma; professor do Instituto Teológico Franciscano (Petrópolis, RJ); membro da equipe de reflexão da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB; membro do Centro de Liturgia “Dom Clemente Isnard”, ligado ao Instituto Pio XI (UNISAL – São Paulo); foi membro da Comissão para Acabamento da Basílica de Aparecida; assessor de Liturgia, conferencista, escritor

out 22

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR. A DEUS O QUE É DE DEUS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 45,1.3-6

Tomei Ciro pela mão direita,

para que submeta os povos ao seu domínio.

Os babilônios tinham levado os judeus para o exílio. Para o povo de Deus tratava-se de uma punição divina por causa dos pecados e infidelidades. Terminado o domínio babilônico, surgiu um novo império, o dos persas. Ciro, o novo rei dos persas, é saudado pelo profeta como o ungido do Senhor, como os reis de Israel. É alguém especialmente escolhido por Javé, apesar de ser pagão, foi chamado para agir em seu nome e permitir o retorno do povo de Deus para a Terra Prometida. A missão de Ciro é submeter os povos a seu domínio, dobrar o orgulho dos reis e abrir um caminho não só para os persas, mas para o Senhor, o Deus de Israel (Is 40,3-5). Os babilônios foram um instrumento de punição nas mãos de Deus para punir o povo infiel; agora, é Ciro o instrumento nas mãos de Deus usa para cumprir os seus planos. Para o profeta, o Deus de Israel é o único e verdadeiro Deus que conduz a história política universal: “Eu sou o Senhor, e fora de mim não existe outro”. –Você acredita que Deus conduz a história conturbada do povo brasileiro, e do mundo inteiro, para o bem e a salvação de todas as pessoas de boa vontade? Confia nele? A sabedoria do povo contém e a fé e a esperança em Deus que está conosco: “Eu dirijo, mas é Deus que me guia!”

SALMO RESPONSORIAL: Sl 95 (96)

Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 1,1-5b

Recordamo-nos sem cessar da vossa fé,

da caridade e da esperança.

A leitura que ouvimos é o início da mais antiga carta de Paulo (pelo ano 51 dC), escrita à comunidade de Tessalônica. De fato, Paulo não permaneceu em Tessalônica mais do que três meses. Como de costume, Paulo ao chegar numa cidade, primeiro procurava a sinagoga judaica local. Ali durante três sábados anunciou Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado ao terceiro dia, como o Messias esperado pelos judeus (At 17,1-15). Vendo que Paulo fazia muitos adeptos, alguns judeus provocaram um tumulto e Paulo teve que sair às pressas da cidade. Por isso comunicou-se logo com a nova comunidade por meio de cartas. Na saudação percebemos que Paulo trabalhava na evangelização em equipe, com Silvano e Timóteo. Lembra as virtudes cardeais que animam a comunidade: fé, caridade e esperança, que os unem a Cristo. Os tessalonicenses, em parte de origem pagã, são os escolhidos em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. Reconhece que mais do que pelas suas palavras a comunidade cresce pela ação do Espírito Santo. Paulo e seus companheiros são instrumentos da ação da graça divina. Eles anunciam o Evangelho por palavras, mas quem forma e reúne a comunidade é a força do Espírito Santo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Como astros no mundo vós resplandeceis,

mensagem de vida ao mundo anunciando,

da vida a Palavra, com fé, proclameis,

quais astros luzentes no mundo brilheis.

3. Evangelho: Mt 22,15.21

Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

A pergunta feita a Jesus pelos discípulos dos fariseus, na presença dos herodianos, era uma armadilha de caráter político. Para captar a simpatia de Jesus eles fazem um elogio: Jesus é verdadeiro, ensina o caminho de Deus e não julga pelas aparências: “É lícito ou não pagar imposto a César?” Se Jesus respondesse “sim”, estaria do lado dos herodianos, que apoiavam os romanos. Neste caso, perderia a simpatia do povo que não gostava de pagar imposto aos dominadores pagãos. Mas, se respondesse “não”, poderia ser acusado de subversivo. Foi esta a acusação feita contra Jesus diante de Pilatos: “Encontramos este homem subvertendo a nação. Proíbe pagar impostos a César...” (Lc 23,2). Ao fazer seus adversários ver a imagem e a inscrição na moeda, Jesus os obriga a reconhecer que César era quem mandava no país. Uma vez que aceitavam usar sua moeda, deveriam também aceitar as regras do jogo político: “Dai a César o que é de César...” Mas, ao acrescentar “Dai a Deus o que é de Deus”, Jesus está sugerindo que, todos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A Ele devemos o tributo do louvor e da adoração. Pelos gestos e pela mensagem de Jesus seus adversários deviam reconhecer a presença de Deus e vinda de seu Reino, que Jesus anunciava. No contexto de uma pergunta de caráter político Jesus dá uma resposta que abrange a vida política e religiosa, que serve de orientação para nossa vida cristã.

Jesus nos ensina a sermos coerentes nas coisas políticas, pagando também os devidos impostos. Mas não podemos esquecer as exigências de Deus. Deus não cobra de nós impostos. Pede, sim, o nosso coração: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração e a teu próximo como a ti mesmo”. Jesus nos propõe a partilha com os pobres. Isso não significa que “o padre deve ficar na sacristia”, nem que o leigo cristão fique escondido na igreja. Por isso: “Dai a Deus o que é de Deus”, e “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”.

___________________________________________________

*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

out 07

LITURGIA DA PALAVRA: TRAÇOS DO SERVIÇO

LITURGIA EM FOCO

LEITURA SUGERIDA PARA HOJE – 26ª SEMANA COMUM – SÁBADO – NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO. MEMÓRIA – 07/10/2017 –

LEITURA DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS – (At 1,12-14) –

Depois que Jesus foi elevado ao céu, 12 os apóstolos voltaram para Jerusalém, vindo do monte das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, a mais ou menos um quilômetro. 13 Entraram na cidade e subiram para a sala de cima, onde costumavam ficar. Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelota e Judas, filho de Tiago. 14 Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus.   

- Palavra do Senhor!

– Graças a Deus.

                                

FONTE: http://www.catolicoorante.com.br/liturgia

ago 27

TU ÉS PEDRO!

LUDOVICO GARMUS

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – TU ÉS O CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: “Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, daí ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 22,19-23

Eu o farei levar aos ombros a chave da casa de Davi.

Isaías denuncia Sobna, que administrava o palácio real (casa real de Davi), por causa de sua política externa equivocada e do desvio de bens públicos. Anuncia que Deus cassará seu ofício e transferirá o “poder das chaves” para Eliacim, que será o novo administrador. – Como o administrador age em nome do rei e participa de seu poder, assim também Pedro participa do poder de Cristo, descendente de Davi, e age em seu nome (Mt 16,19).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 137 (138)

Ó Senhor, vossa bondade é para sempre!

Completai em mim a obra começada!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 11,33-36

Tudo é dele, por ele, e para ele.

Em Rm 9–11. Paulo sente dor e espanto pelo fato de o povo judeu herdeiro legítimo das promessas não ter acolhido Jesus como o Salvador e Messias prometido. Mas vê nisso a sabedoria de Deus, que abriu o caminho da salvação antes para os pagãos, através de seu ministério. Tem esperança, porém, que um dia também os judeus, como povo eleito que são, acolherão a salvação, pois Deus jamais rejeita os que ele escolheu.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja;

E os poderes do reino das trevas jamais poderão contra ela!

3.EVANGELHO: Mt 16,13-20

Tu és Pedro, e eu te darei as chaves do Reino dos céus.

Depois que Jesus foi rejeitado pelos seus conterrâneos em Nazaré (13,54-58) e ficou sabendo da morte de João Batista, procura estar a sós e refletir sobre sua missão (14,1-13). Então, há uma virada na atividade de Jesus. Desacreditado pelos escribas e fariseus (Mt 16,1-4) e mal entendido pelos próprios discípulos (16,5-12), Jesus se retira para a região isolada de Cesareia de Filipe, a fim de dedicar mais à formação dos discípulos. É neste “retiro” que lhes pergunta sobre as expectativas do povo ao seu respeito: “Quem as pessoas dizem que é o Filho do Homem?”

Nas respostas, alguns viam uma continuidade entre a pregação de Jesus e a de João Batista; outros achavam que era o Elias esperado Dia do Senhor, para o fim dos tempos, que traria a renovação total do povo de Deus (Ml 3,22-24); outros viam em Jesus um profeta, corajoso como Jeremias, que enfrentava as autoridades religiosas e civis.

Quando Jesus pergunta: “Quem dizeis que eu sou?” é Pedro que toma a iniciativa e diz: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. – Esta confissão de fé tornou-se a pedra fundamental da Igreja de Jesus Cristo, como lhe prometeu Jesus. Nesta nova Igreja Pedro recebe o poder de “ligar a desligar” (Mt 16,19) e de “apascentar as ovelhas e os cordeiros” (Jo 21,15-17). Exige dele apenas que o ame e seja fiel à sua missão. Pedro, em nome de Jesus, conduzirá a Igreja de Cristo, mas quem vai construí-la é o próprio Cristo. Pois a Igreja é constituída dos que nele creem: “E vós também, como pedras vivas, tornai-vos um edifício espiritual” (1Pd 2,5). – Pedro é um homem como nós, frágil, humano, pecador; mas foi escolhido por Jesus para guiar a sua Igreja. Jurou que seria sempre fiel a Jesus, mas o negou três vezes. Mesmo assim, Jesus o escolheu e rezou por ele para confirmasse seus irmãos na fé (Lc 22,31-34). Eis a missão de Pedro e do Papa Francisco, que também se confessa frágil e pecador e pede nossas orações. Ele nos confirma na fé, como o fez na IMJ e na recente visita aos católicos da Coreia do Sul.

__________________________________________

*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

Posts mais antigos «

» Posts mais novos

Apoio: