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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

jul 12

LECTIO DIVINA – POR FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O SEMEADOR SAIU PARA SEMEAR –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo o que é digno desse nome”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 55,10-11

A chuva faz a terra germinar.

Os profetas no AT falam em nome de Deus ao povo de Israel. Aos poucos começam a refletir sobre o efeito, positivo ou negativo, que esta Palavra produz entre o povo. No livro de Isaías (40–55) temos uma reflexão sobre a palavra de Deus criadora, na criação dos astros, da terra, dos céus e do mar (40,26; 48,13; 50,2). Produz frutos também na obra da salvação (42,9; 46,10; 48,5). O texto de hoje (55,10-11) é um exemplo desta teologia. O texto quer mostrar a eficácia da Palavra de Deus. Em Israel, quando, após seis meses de seca, a chuva novamente cai na terra ressequida produz um efeito espetacular de vida. Assim diz o profeta, acontece com a Palavra que Deus envia do céu. Quando absorvida por corações sedentos de Deus, a Palavra sempre produz seu fruto. Deus tem um plano: executar a obra da salvação de seu povo, sofrido e desanimado (Is 40,6-7.27-31), e nada poderá impedi-lo de realizar este plano de salvação. A Palavra de Deus é sempre eficaz. Se nós a acolhemos, produz nossa salvação; se a rejeitamos, causa a perdição. “Escolhe, pois, a vida para que vivas” (Dt 30,19). – A Palavra de Deus é viva e atuante em minha vida?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 64

A semente caiu em terra boa e deu fruto.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,18-23

A criação está esperando ansiosamente

O momento de se revelarem os filhos de Deus.

A Palavra de Deus está sendo semeada no terreno dos filhos e filhas de Deus, que vivem em meio aos “sofrimentos do tempo presente”. Não é sufocando a natureza e a criação pelo consumismo e pelo mito da revolução tecnológica que o ser humano se realiza. O cristão, no entanto, movido pelo Espírito Santo, está todo voltado para frente, para o futuro. Vive a fé e o amor, mas é movido pela esperança. Não só o ser humano tem esta esperança, mas toda a criação é solidária e espera ser libertada da escravidão e assim “participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus”. Paulo diz que nós já temos os primeiros frutos do Espírito; mas estamos gemendo como que em dores de parto, aguardando a nova criação, que vai desabrochar plenamente da semente da Palavra de Deus. Ela atua dentro de nós, pela força do Espírito. O aquecimento global e a pandemia nos mostram que tudo está interligado em “nossa Casa Comum”. A criação, tão maltratada por nós, continua gemendo e esperando que nós, com a força do Espírito Santo, a respeitemos, libertando-a da dura escravidão que lhe estamos impondo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Semente é de Deus a Palavra, o Cristo o semeador;

Todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.

3. EVANGELHO: Mt 13,1-23

O semeador saiu para semear.

A parábola do semeador divide-se em três partes: a parábola como tal (13,1-9); para que servem as parábolas (13,10-17); a explicação da parábola (13,18-23). Percebe-se uma expansão desta parábola original de Jesus (13,1-9). A parte central da parábola parece ser uma reflexão sobre a razão da incredulidade de Israel; a explicação é uma “aplicação” da parábola para a vida da primeira Igreja, que tinha a missão de anunciar a palavra de Jesus. Na primeira parte Jesus fala à multidão e pinta a realidade da experiência da vida de um trabalhador, que semeia a sua semente na esperança de colher o devido fruto. E conclui: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”!

Jesus se apresenta como o semeador escatológico e constata que nem toda a palavra que ele ensina produz fruto, mas quando encontra terra boa, o fruto é abundante (1ª leitura). Esta parte representa um espelho da experiência positiva e negativa de Jesus, o semeador da Palavra. A pergunta dos apóstolos aprofunda e atualiza o sentido da parábola. A segunda parte reflete o mistério da rejeição de Israel à mensagem de Jesus (13,10-17); a terceira parte reflete o efeito na vida dos que crêem (v. 18-23). Uma coisa é certa: a Palavra de Deus não tem a finalidade de trazer o fechamento (a incredulidade), mas trazer a abertura (terra boa) do coração, que resulta em abundantes frutos. É como a chuva que cai, umedece a terra a não volta ao céu sem produzir seu fruto (Is 55,10-11).

A Palavra de Deus, escutada, lida e meditada, certamente produzirá os frutos que Cristo espera de nós.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jul 05

LECTIO DIVINA: POR FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM – EU SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Zc 9,9-10

Eis que teu rei, humilde, vem ao teu encontro.

O texto da primeira leitura é do IV século a.C. A pequena comunidade judaica não tinha mais rei nem autonomia política, mas estava sob o domínio dos governantes da Pérsia. A esperança messiânica de um novo descendente de Davi tinha que ser repensada e reavivada. É o que o profeta Zacarias procura fazer, conclamando o povo de Jerusalém a acolher o seu rei com alegria. Ele já está vindo ao encontro de Jerusalém. O Messias esperado não será como os reis de Israel e de Judá. Será um rei justo, que realmente salvará o seu povo; será um rei humilde e virá montado sobre um jumento, sem a pompa e o aparato militar de um dominador. O Messias eliminará de Jerusalém cavalos e arcos de guerreiros, símbolo das guerras dos impérios dominadores de então. Mesmo assim estabelecerá a paz universal, tão desejada. Mateus, ao descrever a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado num jumento, cita esta profecia de Zacarias (Mt 21,1-11). Jesus veio implantar o Reino de Deus neste mundo, sem aparato bélico, porque seu reino não é deste mundo (Jo 18,36). Como Servo Sofredor, Jesus deu sua vida por este Reino, a fim de estabelecer a paz e a fraternidade entre os povos. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). No mundo injusto e violento em que vivemos Jesus propõe a todos os povos a vida segundo os valores do Reino de Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 144 (145)

Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!

2. LEITURA: Rm 8,9.11-13

Se, pelo Espírito, fizerdes as obras do corpo morrer, vivereis.

Viver segundo a “carne” é viver na autossuficiência, fechado em si mesmo, como os ouvintes que rejeitaram a mensagem de Jesus (evangelho). Paulo fala da oposição entre vida segundo o Espírito e a vida segundo a carne. Vive segundo a carne quem se deixa dominar pelos critérios humanos do consumismo, da dominação sobre o próximo e do ódio, sem o menor senso de solidariedade humana. Vive segundo o espírito quem pertence a Cristo, porque crê no Espírito que mora em cada pessoa. Mas, viver segundo o Espírito, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, é uma “dívida”, diz Paulo; isto é, um desafio permanente na vida cristã. O caminho mais seguro para viver segundo o Espírito é “pertencer” a Cristo e aprender dele, que é “manso e humilde de coração” (evangelho).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra;

Os mistérios do teu reino aos pequenos, Pai, revelas!

3. EVANGELHO: Mt 11,25-30

Eu sou manso e humilde de coração.

Antes do evangelho que ouvimos, Jesus critica as cidades da Galileia, Corozaim, Betsaida e Cafarnaum, que o rejeitam por causa de seu orgulho e autossuficiência (11,20-24). Estas cidades não se converteram porque o modo de ser e de agir de Jesus incomodava. Jesus não veio conquistar adeptos pela violência, mas veio com humildade e mansidão. Veio, “pedindo licença para bater na porta do coração das pessoas” (Papa Francisco na JMJ). Os pequenos, pobres, pecadoras e pecadores, desprezados pelos orgulhosos, o acolheram e continuam acolhendo. Por isso, Jesus louva o Pai que se revela aos pequeninos, isto é, aos profetas cristãos, e se oculta aos grandes.

O evangelho de hoje nos convida a contemplar a imagem do Pai, revelada pelas palavras e gestos de Jesus. Convida-nos a louvar este Deus, que assim se revela. Propõe-nos a agir, com humildade e mansidão, como Jesus agiu com os pequeninos.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jun 28

LECTIO DIVINA: FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – QUEM VOS RECEBE, A MIM RECEBE –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da verdade”.

1. PRIMEIRA LEITURA: 2Rs 4,8-11.14-16a

É um santo homem de Deus, este que passa em nossa casa.

A palavra de Deus deste domingo está centrada na hospitalidade, valor muito apreciado na cultura dos tempos bíblicos. Havia a convicção que Deus olha com carinho para as famílias que acolhem viajantes, peregrinos ou missionários. O profeta Eliseu era considerado um missionário, mensageiro de Deus. Não tinha morada fixa, mas anunciava a Palavra em todos os lugares para onde Deus o enviava. Em suas andanças era sempre acompanhado por um discípulo, Giezi. Quando viajava na Galileia, costumava hospedar-se em Sunam na casa de um casal de certas posses, mas que não tinha filhos. Por iniciativa da mulher, foi até construído um pequeno apartamento no terraço da casa para hospedar o “santo homem de Deus” e seu companheiro. Vendo a bondade com que a mulher os tratava, Eliseu perguntou ao discípulo: “Que se poderia fazer por esta mulher”? E Giezi comentou que ela não tinha filhos. Na despedida Eliseu disse à mulher: “Daqui a um ano, neste tempo, estarás com um filho nos braços” (cf. 2Rs 4,8-17). A mulher tratava com todo o carinho os hóspedes profetas. O que mais desejava era ter filhos e recebeu a promessa de um filho, “uma recompensa de profeta”, como diz Jesus no Evangelho.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 88

Ó senhor, eu cantarei, eternamente, o vosso amor.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 6,3-4.8-11:

Sepultados com ele pelo batismo, vivamos uma nova vida!

O apóstolo Paulo não conheceu o Jesus histórico. O Evangelho que prega baseia-se na tradição apostólica recebida sobre Jesus e que ele sempre transmite: “que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que ressuscitou ao terceiro dia” e apareceu aos apóstolos, a mais de quinhentos irmãos e, por fim, também a ele (1Cor 15,3-11). Na leitura de hoje, Paulo insiste que a vida cristã tem seu fundamento na morte e ressurreição de Cristo. Recorre aos símbolos do batismo que, no seu tempo, se fazia por imersão. No rito do batismo, o catecúmeno descia na grande pia batismal, onde era mergulhado na água, simbolizando a participação na morte redentora de Cristo e sua própria morte para a vida de pecado. Ao emergir doutro lado da bacia, ressurgia para uma vida nova, como participante da glória de Cristo ressuscitado. Por isso Paulo diz: “Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele”.

Hoje, o rito do batismo é mais simples, mesmo assim alguns ritos lembram o que Paulo nos diz sobre o significado do batismo: a vela que os padrinhos acendem no círio pascal lembra a morte e ressurreição de Cristo; a veste batismal lembra a vida nova em Cristo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Vós sois uma raça escolhida, e propriedade de Deus.

Proclamai suas virtudes, pois, de trevas luz ele fez.

3. EVANGELHO: Mt 10,37-42

Quem não toma a sua cruz, não é digno de mim.

Quem vos recebe, a mim recebe.

Domingo passado já ouvimos um trecho do discurso missionário, no qual Jesus animava os apóstolos a enfrentarem as dificuldades no anúncio do evangelho (Mt 10,26-33). O evangelho de hoje conclui o discurso missionário. Antes de escolher os apóstolos e enviá-los em missão, Jesus age sozinho, embora acompanhado por muitos discípulos e pelo povo. Pouco antes (Mt 9,37-42), Mateus dá um resumo da atividade de Jesus: Jesus percorria cidades e aldeias e pregava “o Evangelho do Reino de Deus”. Compadecia-se do povo sofrido, “porque estava cansado e abatido, como ovelhas sem pastor”. E dizia aos discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua colheita”. Logo em seguida, Jesus chama doze entre os discípulos e lhes dá o nome de apóstolos (Mt 10,1-4). E, antes de enviá-los em missão, traça o plano de ação no discurso missionário (10,5-36). O texto do Evangelho divide-se em duas pequenas partes: exigências para a vida do apóstolo missionário (10,37-39) e recomendações para os cristãos oferecerem hospedagem a eles (10,40-42).

Entre as exigências se mencionam: o desapego dos laços familiares que impedem de cumprir com amor e liberdade a missão; tomar a própria cruz e seguir a Jesus Cristo; ser capaz de arriscar a própria vida por amor a Cristo. Como os apóstolos missionários devem deixar sua casa e família a fim de cumprir sua missão, Jesus recomenda aos cristãos que lhes seja dada hospitalidade (primeira leitura). Mais adiante, quando Pedro pergunta a Jesus – “e nós que deixamos tudo e te seguimos que recompensa teremos” –, Jesus responde: “Todo aquele que deixar casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de meu nome, receberá cem vezes mais e possuirá a vida eterna” (Mt 19,27-30). Os que recebem em sua casa os missionários, é a Jesus que recebem (10,41). E quem acolhe as pessoas pobres e desprotegidas, acolhe o próprio Jesus, e receberá como recompensa a vida eterna (Mt 25,34-40).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jun 07

LEITURA ORANTE: POR FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

SANTÍSSIMA TRINDADE – GLÓRIA AO PAI E AO FILHO E AO ESPÍRITO SANTO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei, que professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a unidade onipotente”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Ex 34,4b-6.8-9

Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente.

Moisés desceu do monte Sinai com as placas da Lei e encontrou o povo adorando um bezerro feito de ouro. Irritado, Moisés jogou as duas placas no chão e as quebrou. Deus queria exterminar povo que havia libertado do Egito. Moisés, porém, suplicou em favor do povo infiel e aplacou a ira divina (Ex 32–33). Então Deus ordenou a Moisés que preparasse duas novas placas de pedra, para encontrar-se novamente com Ele no monte Sinai. O texto de hoje narra o que aconteceu no encontro de Deus com Moisés. Sem dúvida, é um dos textos mais lindos de todo o Antigo Testamento. Uma verdadeira síntese da caminhada do povo pecador com Deus misericordioso e libertador. Enquanto Moisés sobe com as placas de pedra, Deus desce ao seu encontro e permanece com ele. No entanto, a permanência é rápida. Enquanto Deus passava na sua frente, Moisés prostra-se por terra em sua presença e exclama: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Apesar dos pecados e infidelidades, o povo de Israel teve uma experiência viva da misericórdia divina em sua história. Por fim, contando com o amor misericordioso do Senhor, Moisés faz três pedidos: caminha conosco, perdoa nossas culpas e acolhe-nos como propriedade tua. Ou seja, como o seu povo escolhido, da nova aliança.

SALMO RESPONSORIAL

A vós louvor, honra e glória eternamente!

2. SEGUNDA LEITURA: 2Cor 13,11-13

A graça de Jesus Cristo, o amor de Deus

e a comunhão do Espírito Santo.

O breve texto desta leitura conclui a 2ª Carta de Paulo aos coríntios. Contém uma exortação (v. 11a), um voto ou promessa (v. 11b), uma despedida (v. 12) e uma bênção final (v. 13). Estes elementos aparecem também em outras cartas paulinas. Na exortação aparecem cinco verbos no imperativo que visam melhorar a vida em comunidade: alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia – isto é, o diálogo – vivei em paz. É o caminho que Paulo traça para construir a paz na comunidade abalada por conflitos e divisões internas. Agindo assim, acontecerá o que o apóstolo deseja: “e o Deus do amor e da paz estará convosco”. A bênção final explica quem é o Deus do amor e da paz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo”. É o Deus Trindade Santíssima, que nos envolve numa comunhão de Amor, como filhos e filhas queridos. Quando vivemos o amor com nossos irmãos, Deus que é amor estará sempre conosco.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Ao Deus que é, que era e que vem,

pelos séculos. Amém.

3. EVANGELHO: Jo 3,16-18

Deus enviou seu Filho ao mundo,

para que o mundo seja salvo por ele.

O Evangelho de hoje faz parte do diálogo de Jesus com Nicodemos (Jo 3,1-21). Nicodemos era um fariseu rico que admirava Jesus. Veio procurar Jesus de noite, porque discordava de outros fariseus que perseguiam a Jesus. Na conversa, Nicodemos reconhece Jesus como um mestre vindo de Deus, por causa dos sinais que fazia. Jesus lhe diz que ele precisava nascer de novo, isto é, nascer de Deus. Em outras palavras, assim como Nicodemos acredita em Jesus como um Mestre vindo de Deus, deveria também acreditar em Jesus como Filho de Deus, e assim nascer de novo, desta vez de Deus. No diálogo Jesus diz a Nicodemos que a chave de entrada na vida eterna é crer (três vezes) no Filho do Homem (3,9-15). A mesma insistência na fé aparece no evangelho de hoje. Deus amou tanto o mundo, que deu/entregou seu Filho unigênito para salvar todos que nele crerem. Deus não enviou seu Filho como juiz, para condenar as pessoas, mas para salvar a todos. A condição para ser salvo é crer no nome Filho unigênito. Este nome é Jesus, que significa “Deus salva”. Deus não condena ninguém. Quem não crê em Jesus Cristo, salvador da humanidade, condena-se a si mesmo.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mai 31

LEITURA ORANTE: FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

PENTECOSTES – RECEBEI O ESPÍRITO SANTO!

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 2,1-11

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar.

João coloca a doação do Espírito Santo no dia da Páscoa, quando Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos reunidos no Cenáculo (Evangelho). O evangelho de Lucas (cap. 24), também, situa no mesmo dia as manifestações de Jesus Ressuscitado aos discípulos de Emaús e aos apóstolos, concluindo com a promessa do Espírito Santo e a Ascensão de Jesus ao céu. Nos Atos dos Apóstolos, porém, a Ascensão acontece quarenta dias após a Páscoa e, dez dias depois, na festa judaica de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo. Na origem, Pentecostes era uma festa agrícola ligada à colheita do trigo, celebrada sete semanas após a festa da Páscoa. Era uma festa de peregrinação. Nesta festa o israelita devia comparecer diante de Deus e apresentar os primeiros frutos da colheita do trigo. No II século a.C., a festa de Pentecostes passou a comemorar a promulgação da Lei de Moisés no Sinai, feita 50 dias após a saída do Egito (cf. Ex 19,1-16). Na teofania do Sinai, a descida de Deus era acompanhada por “trovões, relâmpagos (...), fortíssimo som de trombetas (...) em meio ao fogo” (Ex 19,16-19). Rabi Johanan dizia a respeito: A voz divina “saiu e se repartiu em setenta vozes ou línguas, de modo que todos os povos a entendessem; e cada povo ouviu a voz em sua própria língua”. Lucas conhecia tal tradição. Por isso fala que a doação do Espírito se dá em meio a um “barulho” e “forte ventania”. Com a voz do Sinai, repartida em setenta línguas, a Lei de Moisés tornou-se conhecida em todo o mundo e unia os judeus dispersos no Império Romano. Agora, a partir de Jerusalém (At 1,8), também o Evangelho é pregado a todos os povos, citados em nosso texto. A diversidade das línguas nas quais cada um entendia a mensagem do Evangelho é um convite aos apóstolos e discípulos, impulsionados pelo Espírito Santo, a levarem a mensagem de Jesus a todos os povos e culturas. Quando Lucas escreve, de certa forma, todos os povos do Império Romano estão ouvindo a mensagem do Evangelho, levada pelos discípulos e discípulas que aprenderam ou conheciam suas línguas.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 103

Enviai o vosso Espírito, Senhor,

e da terra toda a face renovai.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Cor 12,3b-7.12-13

Fomos batizados num único Espírito,

para formarmos um único corpo.

Paulo fala longamente para a comunidade de Corinto sobre os dons do Espírito Santo (1Cor 11,2-16; 12,1–14,39). Sem estes dons, nada podemos fazer, nem mesmo dizer: “Jesus é o Senhor”. Os dons ou “carismas” são “atividades”, serviços ou manifestações do Espírito “em vista do bem comum”; cada membro presta serviço para o bem do mesmo corpo. Paulo usa a imagem do corpo que tem muitos membros, mas forma uma única unidade. O Espírito nos unifica num só Corpo com o Cristo: “judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito”. O Espírito Santo distribui seus dons ou carismas em vista do bem da comunidade, e não para distinguir esta ou aquela pessoa. A manifestação do Espírito se dá em todos os membros da comunidade. Não é privilégio do clero, dos religiosos ou de “grupos carismáticos”. O projeto imperial de Babel era de impor o domínio, unindo todas as raças e culturas por meio de uma só língua (Gn 11,1-9: primeira leitura da Vigília). Deus, porém, pôs fim a tal domínio, multiplicando as línguas e culturas. É na diversidade de línguas e culturas que Deus quer ser louvado e adorado. Em Pentecostes Deus refaz a unidade pela mensagem do Evangelho, a ser anunciado a todos os povos, preservando, porém, as diferentes culturas e raças. O que nos une é a linguagem do amor a Deus e ao próximo (Evangelho).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:

Vinde, Espírito Divino,

e enchei com vossos dons os corações dos fiéis;

e acendei nele o amor como um fogo abrasador.

3. EVANGELHO: Jo 20,19-23

Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio:

Recebei o Espírito Santo!

No domingo da Ascensão ouvimos, no evangelho de Lucas, que Jesus prometia aos discípulos enviar-lhes a “força do alto”, o Espírito Santo, antes de começarem a anunciar “a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Hoje, segundo João, Jesus no dia de sua ressurreição, se manifesta aos discípulos e concede o dom do Espírito Santo e a paz. Depois de lhes dizer “a paz esteja convosco”, Jesus se identifica, mostrando-lhes as mãos e o lado perfurados. Ele é o mesmo Jesus crucificado, que cumpriu sua missão, a obra de nossa salvação e volta ao Pai (Jo 20,17). Antes, porém, deixa-nos a tarefa de continuar a sua missão: “Como o Pai me enviou também eu vos envio”. Ao voltar para junto do Pai, Jesus promete estar sempre conosco: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). A presença de Cristo se dá pelo seu Espírito, o Advogado e Consolador, que estará sempre ao lado de seus discípulos. Pelo dom de sua vida Jesus nos reconciliou com Deus, manifestando o amor misericordioso do Pai. O presente da Páscoa que nos deixa é o Amor: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”. Agora confia aos seus discípulos a missão de manifestar este mesmo amor misericordioso: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados...”. O perdão dado e recebido reconstrói os vínculos do Amor, reconstrói a paz. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”, que é Amor (Mt 5,9). Nossa missão é vivermos o que anunciamos aos outros. Para isso recebemos a “força do alto”, o Espírito Santo.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mai 10

UMA LEITURA ORANTE – Fr. LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

5º DOMINGO DA PÁSCOA – EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 6,1-7

Escolheram sete homens repletos do Espírito Santo.

Lucas fala de uma Igreja que cresce, movida pelo Espírito Santo. Não são apenas judeus da Palestina que se convertem, mas também judeus de língua grega, além de pagãos convertidos ao judaísmo (prosélitos). O crescimento provocou uma crise interna de organização. As viúvas de origem grega eram mal atendidas na comunidade. No entanto, fez surgir também um novo ministério, o dos diáconos, encarregados de cuidar dos pobres de origem grega. Para resolver a questão, foram escolhidos sete homens de origem grega. Homens de boa fama, sabedoria e fé, cheios do Espírito Santo. Foram apresentados aos apóstolos, que lhes impuseram as mãos e oraram sobre eles. Surgiu, assim, um novo ministério (serviço) para melhor atender as viúvas de origem grega. Para justificar a criação dos diáconos, Pedro disse: “Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”.

Na prática os cristãos de língua grega passam a formar uma comunidade própria, sob a liderança dos diáconos. Alguns diáconos, como Estêvão e Filipe, além de cuidar das viúvas, começaram a pregar com entusiasmo o evangelho (At 6,8–7,60; 8,4-40). Com isso cresceu muito o número de cristãos em Jerusalém e na Samaria. – É como o Papa Francisco disse: Prefiro uma Igreja que caminha e leva tombo a uma Igreja parada... que não cresce!

SALMO RESPONSORIAL: Sl 32

Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça

da mesma forma que em vós nós esperamos.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Pd 2,4-9

Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino.

O autor desta carta, atribuída ao apóstolo Pedro, escreve para as comunidades cristãs do nordeste da Ásia Menor. Os cristãos eram vítimas de hostilidades, calúnias e desprezo por parte dos pagãos. O autor quer reavivar a fé no Senhor Jesus e elevar sua autoestima como cristãos. Exorta-os a se aproximarem de Jesus, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus como a pedra principal. Sobre ela o Pai quis fundar a sua Igreja (cf. Mt 16,13-20). Os cristãos, perseguidos e desprezados, assemelham-se a Cristo, a pedra viva rejeitada pelos homens. Formam um edifício espiritual e oferecem um sacrifício espiritual, que envolve toda a vida de sofrimentos e, junto com Cristo se torna agradável a Deus. Quem acolhe a Palavra, proclama a Cristo que nos chama à sua luz maravilhosa.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Ninguém chega ao Pai senão por mim.

3. EVANGELHO: Jo 14,1-12

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. No domingo passado Jesus se apresentava como a porta que dá acesso ao Pai e como o bom pastor, capaz de dar a própria vida para que todos tenham vida em abundância. Hoje o texto nos dá a razão porque Jesus é a única porta de acesso ao Pai: Porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O início do texto interpreta o evento pascal, mas em termos de espaço e tempo: Jesus morre, mas não permanece no túmulo e, sim, “volta à casa do Pai”. Ao dizer: “Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”, provoca a pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais. Como poderemos conhecer o caminho?” – Tomé é o discípulo disposto a seguir Jesus no “caminho” para Jerusalém, onde Ele haveria de morrer, e diz a seus companheiros: “Vamos nós também para morrermos com ele” (cf. Jo11,7-16). – Na resposta que Jesus dá não fala mais em “casa do Pai” como algo fora da pessoa, mas de algo existencial, muito próximo e imediato: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Na pessoa de Jesus a distância física e temporal com o Pai é eliminada e substituída pela presença existencial de Deus em sua pessoa e em seus discípulos. Basta conhecer a Jesus para conhecer o Pai. Então Filipe – o único discípulo que Jesus chama diretamente para segui-lo (cf. Jo 1,43-44) – fica impaciente e diz: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta”! E Jesus responde: “Há tanto tempo estou convosco, e não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim”? Na resposta, Jesus insiste três vezes que é preciso ter fé, acreditar. Quem crê em Jesus – Caminho, Verdade e Vida – reconhece o rosto, as palavras e as obras do Pai, que, em Jesus são a fonte da Vida. Moisés queria ver o rosto de Deus: “Deixa-me ver a tua glória” (Ex 32,23), e Deus lhe responde que isso era impossível, pois morreria; só podia “ver Deus pelas costas”, isto é, pelos sinais de alguém que “passou”. Pela fé em Jesus, agora é possível “ver o rosto de Deus Pai”. Não é necessário esperar o fim do mundo para “ver” seu rosto. A presença de Jesus ressuscitado se manifesta agora nas palavras e obras dos fiéis que, animados pelo Espírito Santo, vivem o amor (cf. Jo 14,15-26).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mai 03

LEITURA ORANTE: FREI LUDOVICO GARMUS, ofm

LUDOVICO GARMUS

4º DOMINGO DA PÁSCOA – EU CONHEÇO AS MINHAS OVELHAS –

* Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”.

1. LEITURA: At 2,14.36-41

Não era possível que a morte o dominasse.

No domingo passado, Pedro, em seu primeiro anúncio aos judeus (querigma) no dia de Pentecostes, lembrou o que Jesus fez durante sua vida pública e acusou os chefes que o mataram. Mas, ao terceiro dia, Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e os apóstolos eram testemunhas disso. Jesus, porém, foi exaltado à direita de Deus e derramou o Espírito Santo, conforme prometera. De fato, todos os ouvintes foram atraídos para saber o que estava acontecendo junto ao Cenáculo. – Hoje é retomado o discurso de Pedro no dia de Pentecostes. Pedro apela a todos os ouvintes que reconheçam que “Deus constituiu Senhor e Cristo este Jesus que vós crucificastes”. O anúncio de Pedro provoca um desejo de mudança, por isso a pergunta: “Irmãos, o que devemos fazer?” A resposta de Pedro é clara: Todos devem converter-se, isto é, mudar de vida, batizar-se em nome de Jesus Cristo para receberem o perdão dos pecados, condição para receber o Espírito Santo. Esta proposta/promessa da pregação de Pedro é para os judeus (“vós e vossos filhos”) e para os pagãos (“os que estão longe”), enfim, para todos que “nosso Deus chamar a si”. Naquele dia os que acolheram a mensagem de Pedro, foram batizados, receberam o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo, chegaram a três mil pessoas. Assim teve início a Igreja de Jerusalém, movida pela força do Espírito Santo e o testemunho dos apóstolos (cf. At 1,8).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 22

O Senhor é o pastor que me conduz,

para as águas repousantes me encaminha.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Pd 2,20b-25

Voltareis ao Pastor de vossas vidas.

Pela sua cruz, Cristo “carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça”. Cristo é o bom pastor que vai em busca das ovelhas perdidas, para enfaixar aquelas machucadas (Ez 34,11.16; Lc 15,1-7) e curar suas feridas com o remédio de seu amor: “Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas” (1Pd 2,24-25).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 10,14

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor;

Eu conheço as minhas ovelhas

e elas me conhecem a mim.

3. EVANGELHO: Jo 10,1-10

Eu sou a porta das ovelhas

Cada ano do ciclo litúrgico (anos A, B e C) medita-se neste domingo uma parte da parábola (ou alegoria) do Bom Pastor de Jo 10. Neste ano (A) meditamos a primeira parte da alegoria. O texto se divide em duas partes: uma parábola enigmática do pastor das ovelhas (v. 1-6) e Jesus como a porta das ovelhas (v. 7-10). Há uma oposição entre a figura do ladrão/assaltante e a do verdadeiro pastor das ovelhas. Há também uma diferente reação das ovelhas: elas seguem confiantes ao seu pastor e fogem do estranho, que é o ladrão e o assaltante. A porta tem dupla função: distingue o verdadeiro do falso pastor e serve para a entrada e a saída tanto das ovelhas como do pastor. A porta significa, pois, segurança para as ovelhas durante a noite e chance de sair em busca de pastagens e água durante o dia. A porta do curral exerce, portanto, uma função básica para a vida das ovelhas; possibilita, também, apresentar Jesus como a porta (v. 7-10). Insiste-se agora na distinção entre Jesus e os assaltantes, que ameaçavam as ovelhas no curral. A estes, porém, as ovelhas não ouviram, porque eles vieram para matar, roubar e destruir. Jesus, porém, veio para que todos tenham vida em abundância. Jesus é a porta em relação ao Pai. Ele é o caminho, a verdade e a vida: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).

Com razão o Papa Francisco nos convoca a sermos uma “Igreja em saída”. A Igreja não pode permanecer medrosa, encerrada em si mesma, como os discípulos no Cenáculo antes da manifestação do Espírito. A Igreja de Cristo deve abrir suas portas e janelas, sair em busca das ovelhas desgarradas, perdidas ou machucadas. O verdadeiro pastor vai ao encontro das ovelhas. Ele tem “cheiro de ovelhas”. Assim elas o reconhecem e o seguem em busca de pastagens verdejantes e da água viva, que é o próprio Cristo Jesus (Jo 4,13-14).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

abr 26

LEITURA ORANTE: POR FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

3º DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA – RECONHECERAM-NO AO PARTIR O PÃO –

Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que o vosso pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 2,14.22-33

Não era possível que a morte o dominasse.

No dia de Pentecostes os judeus comemoravam em Jerusalém a doação da Lei de Moisés. Na mesma ocasião estavam reunidos em Jerusalém, também, os apóstolos com dezenas de discípulos e discípulas, no monte Sião. A comunidade estava reunida em oração, com portas e janelas fechadas, por medo dos judeus. De repente, houve um forte ruído do céu, acompanhado de um vento impetuoso e línguas de fogo, enchendo toda a casa onde os discípulos estavam reunidos. Era a manifestação do Espírito Santo prometida por Jesus, antes de sua ascensão ao céu (Lc 24,48). Muitos judeus peregrinos acorreram ao lugar para ver o que estava acontecendo. Em meio a uma imensa alegria, abrem-se as portas e janelas e os discípulos saem da casa. Pedro, então, toma a palavra para explicar ao povo o sentido de tudo o que estava acontecendo. Em seu discurso, Pedro dirige-se aos ouvintes judeus (v. 22-24) e anuncia o “querigma”, isto é, a proclamação da paixão, morte e ressurreição de Jesus, que visa levar os ouvintes à conversão e à fé em Jesus. Os acontecimentos do “querigma” pascal são pura iniciativa de Deus, nome repetido quatro vezes. A ação divina por meio de Jesus é pública: “tudo isso vós mesmos o sabeis”, porque as coisas aconteceram “entre vós”. Mas, a ressurreição de Jesus é presenciada e vivida apenas pelas testemunhas qualificadas (v. 32), os apóstolos e as 120 pessoas reunidas no cenáculo com eles. Pedro cita o salmo 15, argumentando que Davi fala profeticamente da ressurreição de Jesus, “que vós o matastes, pregando-o numa cruz” (v. 25-33). Deus Pai ressuscitou Jesus dentre os mortos (cf. Lc 9,21-22.43-45; 18,31-34) e o exaltou à sua direita na glória do céu. O Pai concedeu a Jesus o Espírito Santo que havia prometido, e Jesus o derramou sobre as testemunhas de sua ressurreição. Os ouvintes estavam presenciando a ação do Espírito Santo derramado sobre as testemunhas.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 15 (16)

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;

junto de vós felicidade sem limites!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Pd 1,17-21

Fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo,

Cordeiro sem mancha!

Desde antes da criação do mundo Deus nos amou e no fim dos tempos enviou seu próprio Filho para nos salvar. Não foi com ouro ou prata que Cristo nos resgatou do pecado e da morte, mas com seu próprio sangue, entregando sua vida como máxima prova de amor. Mas Deus o ressuscitou dos mortos – diz Pedro – e por isso alcançamos a fé em Deus. Pela fé estamos firmemente ancorados em Deus, porque nossa fé e esperança estão guardadas no coração de nosso Deus. É o que cantamos no Salmo responsorial: “Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio”.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Senhor Jesus, revelai-nos o sentido da Escritura;

Fazei o nosso coração arder, quando falardes.

3. EVANGELHO: Lc 24,13-35

Reconheceram-no ao partir o pão.

Lucas coloca três narrativas relacionadas com a ressurreição de Jesus, todas, no primeiro dia da semana, dia especial em que os cristãos celebravam a ressurreição do Senhor (cf. At 20,7). Na primeira, conta como as mulheres, discípulas de Jesus que o acompanhavam desde a Galileia (Lc 8,1-3), e estavam presentes junto à cruz (23,55), dirigem-se ao túmulo levando perfumes, mas não encontram o corpo de Jesus. Dois anjos lhes explicam que o túmulo está vazio porque Jesus ressuscitou, como havia dito. Elas levam a notícia aos discípulos. Mas eles não acreditam na explicação dada pelos anjos. Pedro, no entanto, vai conferir o túmulo vazio e fica apenas admirado. Segue, então, a narrativa sobre os discípulos de Emaús, que hoje escutamos. Após a manifestação do Ressuscitado os dois discípulos voltam imediatamente a Jerusalém para contar sua experiência aos apóstolos, e eles lhes dizem: “O Senhor ressuscitou de verdade e apareceu a Simão”. Segue, então, na noite do mesmo dia semana a aparição de Jesus a todos os que estavam reunidos. – As experiências de Jesus ressuscitado acontecem quando as pessoas estão reunidas e falam dele; recordam e contam o que Ele fez e falou. Os anjos recordam que Jesus ressuscitou conforme havia dito na Galileia. Jesus leva a boa notícia de sua ressurreição aos discípulos tristes e desanimados, recorda as Escrituras e se manifesta a eles ao partir do pão. Partir o pão lembra a multiplicação/divisão dos pães. O coração dos discípulos começa a arder enquanto escutam o Mestre no caminho (mesa da palavra), mas o reconhecem quando parte o pão, gesto típico de Jesus (mesa da eucaristia).

Tudo aponta para a liturgia eucarística que estamos celebrando. A celebração da Eucaristia na comunidade reunida no Domingo, o Dia do Senhor, é o lugar privilegiado para a experiência da presença viva do Cristo Ressuscitado, que nos alimenta com sua palavra e com seu corpo e sangue.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

abr 12

LEITURA ORANTE: POR FREI LUDUVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

DOMINGO DA PÁSCOA – ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 10,34a.37-43

Comemos e bebemos com ele depois que ressuscitou dos mortos.

Lucas traz um exemplo de como poderia ser a pregação inicial dos apóstolos (querigma), testemunhas da ressurreição de Cristo, para os que ouviram falar de Jesus, mas ainda não conheciam a fé cristã. Pedro está na casa de Cornélio, comandante do exército romano, que o convidou para que falasse sobre Jesus de Nazaré algo mais do que ele já conhecia. Por isso, Pedro não perde tempo em falar de coisas já conhecidas: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João”. Invertendo a frase, temos a estrutura dos evangelhos sinóticos: atividade de João Batista, atividade de Jesus na Galileia, paixão e morte de Jesus na Judeia. Pedro afirma que Jesus só andou fazendo o bem por toda a parte, porque “foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder” (v. 38). Apesar do bem que fazia na terra dos judeus e em Jerusalém, acabou sendo morto, pregado numa cruz. Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e Jesus se manifestou a eles. Os apóstolos foram escolhidos como testemunhas qualificadas, porque “comeram e beberam com Jesus depois que ressuscitou dos mortos”. Jesus foi constituído por Deus como Juiz dos vivos e dos mortos. Quem nele crê recebe o perdão dos pecados.

SALMO RESPONSORIAL

Este é o dia que o Senhor fez para nós:

alegremo-nos e nele exultemos.

2. SEGUNDA LEITURA: Cl 3,1-4

Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo.

O autor do texto que ouvimos convida os cristãos a guiarem sua vida pelos valores celestes e não pelos da terra. O cristão deve morrer para tudo que leva ao pecado, para viver uma vida nova em Cristo. Isso é simbolizado pelo batismo: No símbolo da imersão na água batismal morre o homem velho e, ao emergir, nasce o homem novo, para viver uma vida nova em Cristo. Como Cristo ressuscitou e está com Deus, diz o autor, nossa vida “está escondida, com Cristo, em Deus”. Esta vida se manifestará quando Cristo voltar triunfante em sua glória, no fim dos tempos. É o que diz Paulo ao falar da ressurreição dos mortos: “Cristo ressuscitou dos mortos como o primeiro dos que morreram”. Por isso, “assim, em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: Cristo como primeiro fruto, em seguida os que forem de Cristo por ocasião de sua vinda” (1Cor 15,20-23). Quando isso acontecer, “o último inimigo a ser vencido será a morte” (1Cor 15,26). Para Marta, que chorava a morte de seu irmão Lázaro, Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11,25).

SEQUÊNCIA

Cantai, cristãos, afinal: “Salve, ó vítima pascal”!

Cordeiro inocente, ó Cristo abriu-nos do Pai o aprisco.

Por toda ovelha imolado, do mundo lava o pecado.

Duelam forte a mais forte: é a vida que enfrenta a morte.

O rei da vida, cativo, é morto, mas reina vivo!

Responde, pois, ó Maria: no teu caminho o que havia?

“Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado.

Os anjos da cor do sol, dobrado ao chão o lençol...

O Cristo, que leva aos céus, caminha à frente dos seus!”

Ressuscitou de verdade. Ó Rei, ó Cristo, piedade!

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

O nosso cordeiro pascal, Jesus Cristo, já foi imolado.

Celebremos, assim, esta festa, na sinceridade e verdade.

3. EVANGELHO: Jo 20,1-9

Ele devia ressuscitar dos mortos.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena vai de madrugada ao túmulo e encontra a pedra removida. É uma das mulheres que estavam junto à cruz, com a mãe de Jesus e o discípulo que Jesus amava. Não vai ao túmulo para ungir o corpo de Jesus, como as mulheres em Mc 16,1, pois Nicodemos e José de Arimateia já o tinham feito, usando aromas e trinta quilos de mirra e aloés (Jo 19,39-40). Como a mulher do Cântico dos Cânticos (Ct 3,1), bem de madrugada, ainda “no escuro”, ela sai para visitar o sepulcro e chorar o seu amado. Vendo a pedra removida, sai correndo para avisar a Pedro e ao outro discípulo: “Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”. Os dois discípulos também correm para verificar o que aconteceu e buscar uma explicação. Com o Senhor morto e o sepulcro fechado, a vida parecia ter parado. Mas a pedra, que parecia selar para sempre o destino do Mestre, foi removida e o sepulcro estava aberto e vazio. Primeiro entra Pedro e encontra apenas as faixas de linho, que envolviam o corpo, e o sudário, que envolvia a cabeça de Jesus. Depois entra o outro discípulo e encontra as mesmas coisas que Pedro; mas, ele “viu e creu”.

Por que Pedro viu apenas viu um sepulcro vazio e panos espalhados pelo chão? Por que o discípulo amado, a testemunha por excelência, “viu e creu”? Pedro pode ter pensado o que Madalena pensou: alguém roubou o corpo de Jesus, boato mencionado por Mateus. O discípulo amado, fiel a Jesus até aos pés da cruz, acreditou nas Escrituras que anunciam sua ressurreição. Porque amava, viu não apenas um sepulcro vazio, mas também os panos esvaziados, afrouxados, testemunhando a vitória de Jesus sobre a morte, porque tinha o poder de dar sua vida e de retomá-la (10,17-18). Por trás do discípulo amado pode estar a figura do Apóstolo João. Representa, também, todo o cristão iniciado na fé, que ama o Senhor, como Maria Madalena e o discípulo amado e é amado pelo Senhor. É, por excelência, a testemunha de Cristo Ressuscitado. Ele representa pessoas como eu e você, que não viram Cristo ressuscitado, mas crêem. Ele não crê apenas porque “viu” o Cristo Ressuscitado como Maria Madalena e os Apóstolos. Crê porque compreende a Escritura (como os iniciados), “segundo a qual Cristo devia ressuscitar dos mortos”.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

abr 05

LEITURA ORANTE: FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

DOMINGO DE RAMOS – ELE ERA MESMO FILHO DE DEUS –

*Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar como ele em sua glória”.

1. LEITURA: Is 50,4-7

Não desviei o meu rosto das bofetadas e cusparadas.

Sei que não serei humilhado.

O texto de hoje traz as palavras do 3º Cântico do Servo Sofredor. É uma figura profética que está entre os judeus exilados na Babilônia. Ele está convencido de ter recebido uma missão da parte de Deus para levar uma mensagem de conforto para os exilados desanimados. O Servo apresenta-se como um discípulo obediente, atento a cada manhã para receber a mensagem divina que deverá transmitir. Mas, para cumprir esta missão enfrentará o desprezo e o sofrimento.

Embora ameaçado de morte pelos adversários, Jesus entra resolutamente em Jerusalém para cumprir sua missão até o fim. Confiando no auxílio divino, Jesus não se deixou abater, mas foi fiel até a morte de cruz; por isso foi glorificado por Deus, que o tornou “Senhor” (2ª leitura).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 21

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

2. SEGUNDA LEITURA: Fl 2,8-9

Humilhou-se a si mesmo;

por isso, Deus o exaltou acima de tudo.

Jesus, Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder, mas esvaziou-se de si mesmo e assumiu a condição de servo. Apresentando-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), procurou socorrer os mais necessitados (Mt 27,42). Não se identificou-se com a classe dominante, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até a morte de cruz. Por isso o Pai o ressuscitou dos mortos. O exemplo de Cristo tornou-se o caminho do cristão.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Salve, ó Cristo obediente! / Salve, amor onipotente,

que te entregou à cruz/ e te recebeu na luz!

3. EVANGELHO: Mt 26,14–27,66

“Ele era mesmo Filho de Deus”.

Jesus não é entregue à morte contra a sua vontade. Ele se entrega nos sinais do pão e do vinho, na doação livre de sua vida, de seu corpo e de seu sangue. Se quisesse pedir, o Pai lhe enviaria em socorro 12 legiões de anjos. Renuncia ao poder e à violência e se entrega humildemente nas mãos do Pai, para que se cumpram as Escrituras (26,53). É traído por Judas e negado por Pedro, que se arrepende. É condenado à morte pelo Sinédrio porque se apresenta como o Cristo e Filho de Deus. Judas entra em desespero e se enforca. Os sumos sacerdotes entregam Jesus a Pilatos, porque só ele podia condenar alguém à morte.

A acusação diante do governador romano é de caráter político, como se vê na pergunta de Pilatos: “Tu és o rei dos judeus”? Sob pressão da multidão, “sabendo que haviam entregue Jesus por inveja”, Pilatos propõe a escolha entre Barrabás e Jesus que chamam de Messias. O povo, instigado pelos sumos sacerdotes, escolhe Barrabás, preso por suas aspirações messiânicas de caráter político, e rejeita o próprio Messias, Servo do Senhor (27,21-22). – Destacam-se algumas afirmações próprias de Mateus: o sonho da mulher de Pilatos (27,19); Pilatos que lava as mãos, responsabilizando a multidão (27,24-25); o terremoto, a cortina do templo que se rasga, e a ressurreição dos mortos na hora da morte de Jesus (27,51b-53). Os judeus zombam de Jesus como Messias (26,68) e os soldados romanos como rei (27,27-31). Nas zombarias, dirigidas a Jesus na cruz aparece o motivo da destruição do Templo (26,60-62), usado como acusação contra Jesus no processo do Sinédrio; os chefes religiosos lembram a ação salvadora de Jesus, mas agora incapaz de salvar-se a si mesmo; a confiança de Jesus em Deus, que agora abandona seu Filho; a confissão do centurião romano que diz: “Ele era mesmo Filho de Deus”. Por fim, os guardas que os sumos sacerdotes colocam como vigias junto ao túmulo, para que o corpo de Jesus não fosse roubado pelosa discípulos.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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