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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

ago 16

LECTIO DIVINA: POR FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

20º DOMINGO DO TEMPO COMUM – SEJA FEITO COMO TU O QUERES –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, preparastes para quem vos ama bens que nossos olhos não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos ao encontro das vossas promessas que superam todo desejo”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 56,1.6-7

Aos estrangeiros eu conduzirei ao meu monte santo.

A primeira leitura deste domingo inicia a terceira parte do Livro de Isaías (cap. 56–66), escrita após o exílio. A situação na Judeia era de crise. As promessas dos profetas de um retorno feliz a Jerusalém, não se cumpriam. Os chefes não cuidavam do bem-estar do povo desfavorecido, mas buscavam o próprio lucro (Is 56,9-12). O culto e os jejuns para afastar as calamidades de nada adiantavam, porque não se praticava o direito e a justiça (Is 58,1-12). A segunda parte de Isaías (caps. 40–55) conclui com a promessa de um feliz retorno para a Judeia (Is 55,12-13). O texto hoje lido inicia com uma ordem de cumprir o direito e a justiça. Não se trata de uma condição, mas de uma preparação para acolher a salvação que Deus livremente promete: pois “minha salvação está prestes a chegar e minha justiça não tardará a manifestar-se”. Trata-se aqui da justiça divina que salva, porque Deus continua fiel à aliança com Israel, apesar de infidelidades do povo, já punidas pelo exílio (Is 40,2). Mas quem faria parte da salvação e da aliança com Javé? Era a pergunta que vinha da parte dos que se sentiam excluídos do povo da aliança: os eunucos e estrangeiros. Os eunucos eram judeus castrados que estiveram a serviço de reis e de cortes, na diáspora. Estrangeiros poderiam ser judeus nascidos fora da Judeia, ou o resto do Reino de Israel, ou até pagãos convertidos ao judaísmo. A condição para ser salvo e pertencer à religião judaica era observar o sábado e as leis da aliança. Todos serão conduzidos ao “monte santo”, onde poderão oferecer holocaustos e vítimas agradáveis a Deus, na “casa de oração para todos os povos”. A convivência de Israel no exílio da Babilônia e na diáspora com outros povos e nações, levou a alargar a salvação prometida ao povo de Israel para horizontes mais amplos. O judeu já não se define pela descendência de Abraão, mas pela fidelidade à Lei da Aliança.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 66

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,

Que todas as nações vos glorifiquem!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 11,13-15.29-32

O dom e o chamado de Deus são irrevogáveis.

Paulo nasceu na diáspora, mas estudou a Lei em Jerusalém aos pés do mestre Gamaliel (At 22,3). Julgava-se preparado para anunciar Jesus Cristo aos judeus. Com muita dor no coração chega a dizer que gostaria de ter sido separado por Cristo em favor de seus irmãos, os judeus (Rm 9,2-3; cf. 19º Domingo, 2ª leitura). Diante da rejeição sofrida da parte dos chefes das sinagogas, decidiu pregar aos pagãos (cf. At 18,6). Na leitura de hoje, escrevendo aos cristãos de Roma, promete honrar seu ministério de apóstolo dos pagãos. Paulo espera que, evangelizando os pagãos, possa causar ciúme nos judeus e, assim, trazer alguns deles para Cristo. Os judeus tornaram-se desobedientes por terem rejeitado a Cristo. Mesmo assim, continuam sendo o povo escolhido porque Deus não volta atrás nas suas escolhas. Por outro lado, os pagãos, antes desobedientes, acolheram a Cristo e tornaram-se obedientes, alcançando a misericórdia de Deus. E Paulo conclui, cheio de esperança: Como todos foram desobedientes, tanto judeus como pagãos, Deus vai usar de misericórdia para com todos. Neste breve texto Paulo menciona o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É o triunfo da misericórdia da Santíssima Trindade.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mt 4,23

Jesus pregava o Evangelho, a boa notícia do Reino;

E curava seu povo doente de todos os males, sua gente.

3. EVANGELHO: Mt 15,21-28

Mulher, grande é a tua fé!

O texto do evangelho de Mateus está localizado entre duas multiplicações de pães (14,14-21 e 15,32-39). Por outro lado, antes deste texto, Pedro é repreendido pela falta de fé; mas, socorrido por Jesus quando se afogava, reconhece que Ele é “verdadeiramente, o Filho de Deus” (14,22-33). Depois de nosso texto, Pedro confessa que Jesus “é o Cristo, o Filho do Deus vivo” (16,16). O tema do pão e da fé estão presentes no evangelho de hoje. O texto inicia dizendo que Jesus, ao saber da morte de João Batista (Mt 14,1-13), retirou-se para as proximidades de Tiro e Sidônia, uma região pagã. Agora, sai da Galileia para evitar uma possível prisão e refletir sobre qual tipo de Cristo/Messias o Pai do céu queria que ele fosse.

Quando a mulher grita de longe para Jesus em favor de sua filha “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim”, ela o confessa como Filho de Deus (Senhor) e como Messias, descendente de Davi. Jesus parece estar vivendo um dilema: A missão que o Pai lhe confiou estaria limitada apenas aos descendentes de Abraão? – Por outro lado, os discípulos pedem que Jesus mande a mulher embora. – A princípio, Jesus responde que sua missão se restringe “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. A mulher, no entanto, continua gritando com mais insistência ainda. Aproxima-se de Jesus, prostra-se a seus pés e suplica: “Senhor, socorre-me”! Jesus responde que “não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”. Parece uma ironia Jesus falar assim, logo Ele que tinha feito duas multiplicações de pães para alimentar quase dez mil pessoas, com sobras de mais de quinze cestas cheias de pão! No contexto, porém, Mateus ressalta a humildade da mulher pagã, que diz: “mas os cachorrinhos também comem as migalhas da mesa de seus donos”. Jesus se compadece e diz: “Mulher, grande é tua fé! Seja feito como tu o queres”! Na cena do milagre, a mulher cananeia apresenta Jesus como o Messias Salvador para todos, judeus e pagãos. A misericórdia de Deus é sem limites. Atinge judeus e pagãos (2ª leitura), enfim, toda a humanidade (Mt 28,18-20). ____________________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

ago 09

LECTIO DIVINA: POR FREI LUDOVICO GARMUS – OFM

LUDOVICO GARMUS

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – MANDA-ME IR AO TEU ENCONTRO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, par alcançarmos um dia a herança que prometestes”.

1. PRIMEIRA LEITURA: 1Rs 19,9a.11-13a

Permanece sobre o monte na presença do Senhor.

Em seu zelo pelo Deus verdadeiro Elias provocou um massacre dos sacerdotes de Baal, divindade promovida pela rainha Jezabel. A rainha decidiu matar Elias e este fugiu para o deserto; desanimado, desejava morrer. Mas um anjo o socorreu duas vezes com pão e água. Reanimado, Elias continuou andando até o monte Horeb, onde passou a noite numa caverna. No dia seguinte, Deus mandou Elias esperar sua manifestação no alto da montanha. Houve então uma violenta ventania, depois, um terremoto e em seguida um fogo. Deus não se manifestou em nenhum deles, mas numa brisa suave. Ao perceber a presença divina, Elias cobriu seu rosto com um véu e ouviu Deus que lhe falava. Ao falar com Elias, Deus o interroga por que chegou ao monte Sinai. E ele explica que estava desanimada, perdendo a fé, porque a rainha Jezabel havia matado todos os profetas. E Deus confirma o profeta em sua missão. Deus não abandona o seu povo nem o profeta escolhido, mas o fortalece neste encontro silencioso. Deus não se manifesta necessariamente na força, no barulho ou na violência, mas prefere o silêncio, a paz e a suavidade. – Um recado para nossas liturgias barulhentas: Rezamos, falamos para Deus, cantamos e fazemos muito barulho... Será que abrimos um pequeno espaço de silêncio para que Ele nos fale?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 84

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,

E a vossa salvação nos concedei!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 9,1-5

Eu desejaria ser segregado em favor de meus irmãos.

Paulo se lamenta, cheio de dor, pelos seus irmãos de sangue e fé judaica, por não terem aderido à fé em Cristo. Desejava ser o apóstolo no meio deles. Desejava ser escolhido por Cristo em favor de seus irmãos judeus. No entanto, Deus o chamou para falar aos pagãos. Lucas lembra que numa celebração da liturgia o Espírito Santo disse: “Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamo” (At 13,1-3). Paulo e Barnabé foram escolhidos pelo Espírito Santo e pelos cristãos de Antioquia para a missão entre os pagãos. Paulo reconhece a herança comum que os cristãos têm com os judeus e é grato por Cristo ter vindo do judaísmo. Acredita que Israel, o povo escolhido por Deus, continua tendo as portas abertas para sua salvação em Cristo. Também nós somos chamados a ter um relacionamento de gratidão e respeito pelos judeus, pelo muito que do judaísmo recebemos.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor;

Eu espero em sua palavra, Hosana, ó Senhor, vem, me salva!

3. EVANGELHO: Mt 14,22-33

Manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.

Os milagres da natureza (“multiplicação” do pão) e o caminhar de Jesus sobre a água querem nos dizer mais do que, simplesmente, contar um milagre. Mateus, ao contar o milagre da tempestade acalmada (8,23-27), quer mostrar a importância da fé em quem deseja seguir a Jesus. No texto que escutamos (14,22-33), Mateus focaliza a atitude dos discípulos marcada pelo medo e pela falta de fé, para ensinar que Jesus não abandona os que escolheu. Mateus também escreve para Igreja, para as comunidades cristãs sujeitas a perseguições e adversidades. Na barca, símbolo da Igreja, os cristãos precisavam confiar na presença do Senhor ressuscitado. A vida cristã acontece em meio aos sofrimentos e adversidades do dia-a-dia. Na celebração da Missa, quando o sacerdote nos saúda “O Senhor esteja convosco”, nós respondermos “Ele está no meio de nós”. Mesmo assim, em momentos difíceis, pode surgir a dúvida concreta que afligiu o povo de Israel no deserto: “O Senhor está, ou não está, no meio de nós?” (Ex 17,17). Assim aconteceu com o profeta Elias, que fugiu para o deserto, desanimado de lutar pela fé no verdadeiro Deus. No silêncio do deserto, porém, teve um encontro com Deus, que lhe deu forças para continuar sua missão (1ª leitura). A fé na presença de Deus nos torna capazes de fazer coisas incríveis. – Pedro, por exemplo, quando viu Jesus caminhando sobre as águas do mar agitado pediu-lhe para fazer a mesma experiência. Jesus lhe disse: “Vem!” Na presença de Jesus (ressuscitado) parecia fácil e Pedro começou a caminhar. Mas, ao sentir o vento, duvidou da presença do Senhor e, com medo de afundar, pôs-se a gritar: “Senhor, salva-me”! Jesus logo veio em socorro e disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste”? Imediatamente, todos na barca sentiram a presença do Senhor, prostraram-se diante dele e disseram: “Tu és o Filho de Deus”.

Pedro e os discípulos representam a todos nós. Nossa fé pode fraquejar, mas Jesus sempre vem em nosso socorro quando a Ele clamamos. Nele podemos confiar porque verdadeiramente é o Filho de Deus. __________________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

ago 02

LECTIO DIVINA: POR FREI LUDOVICO GARMUS – OFM

LUDOVICO GARMUS

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O HOMEM NÃO VIVE SOMENTE DE PÃO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para elas a vossa criação, e conservando-a renovada”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 55,1-3

Apressai-vos, e comei!

O texto que ouvimos conclui oráculos dos discípulos do profeta Isaías do século VIII (II Isaías), agora dirigidos aos exilados em Babilônia. Um profeta anônimo, pelos anos 550-540 a.C., fala aos netos dos exilados há mais de 50 anos. Jeremias havia escrito uma carta para eles logo que foram exilados, dizendo que o exílio iria durar bastante tempo (Jr 29,1-14). Agora, porém, as circunstâncias políticas tinham mudado e era hora de voltar. Mas como despertar a atenção e o interesse da nova geração que não tinha conhecido o templo nem a terra de seus antepassados? Como despertar uma fome e sede espirituais de um retorno à aliança com Deus, quando eram tentados a abandonar sua fé? Por isso, a mensagem visa animar a fé e a esperança nos desanimados, e despertar uma sede e fome de Deus no fundo de seus corações. É a gratuidade e a força da Palavra de Deus que operará este milagre. Era preciso ouvir os profetas, mensageiros de Deus: “Inclinai o vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida!” Muitos exilados na Babilônia, talvez já tivessem resolvido os problemas básicos materiais: tinham moradia, trabalho e alimentação. Mas, somente o Deus vivo poderia saciar sua fome e sede espirituais, e não os ídolos mortos. Nada melhor do que voltar à terra prometida aos antepassados, uma terra de liberdade e fartura, “onde corre leite e mel” Dt 26,15).

Nos tempos difíceis da pandemia do Covid-19, na qual estamos vivendo, somos convidados a ouvir a palavra de Deus, para renovar nossa fé e esperança em Cristo Jesus, nossa Vida e Salvação.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 144

Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,35.37-39

Nenhuma criatura poderá nos separar

Do amor de Deus manifestado em Cristo.

Paulo experimentou intensamente o amor de Cristo desde sua conversão. Na Carta aos Gálatas chega a dizer: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Quando escreve aos cristãos de Roma, Paulo sente-se envolvido, junto com todos os cristãos, pelo amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, do qual nenhuma força adversa poderá nos separar. Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada que ele e os cristãos sofreram, foram momentos que o fizeram crescer na fé e no amor a Cristo Jesus. As situações extremas de sofrimento vividas por Paulo podem atingir a qualquer um de nós. Que tais sofrimentos façam crescer, também em nossa vida, a fé, a esperança e o amor a Cristo Jesus.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

O homem não vive somente de pão,

Mas vive de toda palavra que sai da boca de Deus.

3. EVANGELHO: Mt 14,13-21

Todos comeram e ficaram satisfeitos.

Após o discurso das parábolas (cap. 13), no evangelho de Mateus, Jesus visita Nazaré, sua cidade de origem, onde é rejeitado pelos conterrâneos. Logo em seguida recebe a notícia do martírio de João Batista, seu precursor. Jesus sentiu a rejeição de seus conterrâneos em Nazaré, sentiu a dor da perda do amigo João Batista e a ameaça que pairava sobre sua pessoa e missão; por isso, retira-se “para um lugar deserto e afastado”. O povo, porém, “sente o cheiro de seu pastor” e o segue a pé (14,13). Jesus, que desejava estar a sós com o Pai, para orar e refletir sobre sua missão, se vê de novo cercado pela multidão. Ao ver a multidão, Jesus “encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”. Era um povo sedento de sua palavra e faminto de seus gestos de amor (1ª leitura). – É interessante que o evangelho não diz que Jesus aproveitou a ocasião para ensinar ao povo. É que Jesus ensina também pelas ações, pelo toque de suas mãos que curam e trazem consolo ao coração. Jesus conversa com as pessoas, com as famílias que apresentavam seus doentes. Jesus “se compadece”, isto é, coloca-se no lugar das pessoas que sofrem e sofre com elas.

Quando chega a tarde os discípulos alertam a Jesus que precisava despedir a multidão, pois era tarde e o povo precisava procurar alimento e um abrigo. E Jesus lhes responde: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles reclamam, dizendo: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Nós sempre pensamos que o pouco não dá para dividir porque vai faltar. Na lógica de Jesus é possível dividir o pouco, porque dividindo, o pouco se multiplica. Jesus multiplicou os cinco pães e dois peixes, dividindo-os. E se muitos dividirem o pouco que têm, todos serão atendidos e acaba sobrando. Este é o milagre que Jesus quis ensinar ao povo. Milagre que vimos acontecer durante a pandemia.

A celebração da missa, na qual temos a mesa da Palavra e a Mesa do Pão, é um constante convite para vivermos o milagre da divisão do pão com os necessitados, em nossa vida prática. Certamente, Jesus, atendendo o povo doente e dividindo os pães e peixes, com poucas palavras, fez um dos discursos que mais mexem com nossa vida de Igreja e provocam a sociedade. _______________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jul 26

LECTIO DIVINA: FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM – DEUS DO CÉU, SENHOR DA TERRA –

ORAÇÃO: “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam para abraçar os que não passam”.

1. PRIMEIRA LEITURA: 1Rs 3,5.7-12

Pediste-me sabedoria.

Salomão, apenas nomeado e ungido rei de Israel e Judá, foi oferecer sacrifícios em Gabaon. Estava preocupado com seu plano de governo, para substituir à altura seu pai Davi no trono. Em sonho, o próprio Deus lhe diz: “Pede o que desejas, e eu te darei”. E Salomão não pediu riquezas nem vida longa, ou a morte de seus inimigos, mas o dom da sabedoria para praticar a justiça. Praticar a justiça para o rei significava julgar os pobres com justiça e coibir a violência e opressão dos grandes e poderosos contra os pequenos: o órfão, a viúva, o pobre e o estrangeiro. Desejava o dom da sabedoria para buscar, sempre melhor, o bem-estar do povo; e foi isso que ele pediu. Logo em seguida conta-se como o rei fez justiça entre duas pobres mulheres (prostitutas), que, tendo morrido o filho de uma delas, disputavam o filho ainda vivo (1Rs 3,16-28).

Estamos vivendo em tempos de graves crises, a nível mundial e em nosso país, agravadas agora pela pandemia. A falta de sabedoria em nossos políticos e governantes provoca o escândalo da injustiça, da corrupção, da divisão e da violência, como estamos vendo em nosso país. Peçamos a Deus que ilumine nossos políticos e governantes com o dom da sabedoria, a fim de que busquem sempre o bem do povo mais pobre e não os interesses pessoais ou de grupos poderosos.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 118

Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,28-30

Ele nos predestinou para sermos conformes à imagem de seu Filho.

Paulo medita sobre o projeto de Deus a nosso respeito. Tudo começa com seu plano de amor para conosco. “Desde sempre”, Deus quis torna-nos conformes à imagem de seu Filho. Deus nos ama como a seus filhos e filhas adotivos e irmãos de Cristo. Quer, assim, que seu Filho seja o primogênito “no meio de uma multidão de irmãos”. Que em nossa vida sejamos espelhos vivos da imagem de seu Filho Jesus Cristo, amando o nosso próximo, como ele nos amou até o fim (Jo 13,1). Deus já glorificou seu Filho Jesus Cristo e quer que nós, irmãos de Cristo e filhos adotivos, participemos da mesma glória.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra:

Os mistérios do teu Reino aos pequenos, Pai, revelas!

3. EVANGELHO: Mt 13,44-52

Ele vende todos os seus bens e compra aquele campo.

O evangelho deste domingo contém as últimas três parábolas (exclusivas de Mateus) e a conclusão do “sermão das parábolas” de Mt 13: parábola do tesouro escondido, parábola da pérola preciosa e a parábola da rede. Jesus continua explicando o que é o Reino dos Céus (Deus). A parábola do tesouro escondido mostra a gratuidade do achado: o homem estava passando por um campo e o “encontra por acaso” e investe tudo que tem para comprar aquele campo, por causa do tesouro escondido. O encontro não era premeditado. É a experiência do deixar-se surpreender por Deus, da qual o Papa Francisco falava aos jovens na JMJ (2013). Deus gosta de nos surpreender... A parábola da pérola preciosa mostra outra faceta: o mercador lidava com pérolas, sabia o que procurava e queria; mesmo assim, é surpreendido por uma pérola que jamais sonhara encontrar. Estas duas parábolas fazem parte da experiência pessoal de Mateus/Levi: Na sua banca de cobrador de impostos lidava com moedas, mas Jesus o surpreende com o convite: “Segue-me”! E Mateus larga tudo, faz uma festa de despedida para seus amigos, larga seus bens e investe toda a sua vida no seguimento de Jesus, porque encontrou o tesouro escondido (Mt 9,9-13; cf. Lc 5,27-29). – O seguimento de Jesus, no reino de Deus, exige de nós um “investimento total” e prioritário: “Buscai o reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será dado de acréscimo” (Mt 6,33). A parábola da rede aponta para o juízo final e se assemelha àquela do joio no meio do trigo, que ouvimos domingo passado.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jul 19

LECTIO DIVINA: FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM – DEIXAI CRESCER UM E OUTRO ATÉ A COLHEITA –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Sb 12,13.16-19

Concedeis o perdão aos pecadores.

O sábio medita e contempla o agir de Deus com os seres humanos. Deus é um juiz poderoso, mas em vez de usar seu poder para punir, prefere cuidar de todas as suas criaturas. Tem força para aniquilar os pecadores, mas controla o princípio da justiça punitiva pela sua clemência. A bondade divina não diminui em nada sua justiça nem seu poder. Ele “ensina ao seu povo que o justo deve ser humano” e nos dá a “confortadora esperança” de que Deus “concede o perdão aos pecadores”. Meditemos e louvemos a “humanidade” de nosso Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 85

Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,26-27

O Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.

Domingo passado Paulo dizia que pelo batismo já recebemos o Espírito Santo que age em nós, suscitando os primeiros frutos do Espírito. No entanto, estamos gemendo como que em dores de parto junto com todas as criaturas dominadas pelo pecado, na esperança de ver desabrochar a nova criação. Pela força do Espírito Deus continua criando e renovando a sua criação (cf. Sl 104,30). Hoje Paulo nos convida a ouvir a voz, os gemidos do Espírito criador. Ele se faz ouvir no âmbito da Igreja, na voz dos leigos, no âmbito político, na voz do povo e no respeito da vida de todas as criaturas (ecologia integral). É o Espírito Santo que convoca todas as religiões e pessoas de boa vontade para o cuidado da vida de todos os seres criados. Como esses gemidos se explicam nas parábolas do joio, do fermento e do grão de mostarda (Evangelho)?

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mt 11,25

Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra:

Os mistérios do teu Reino aos pequenos, Pai, revelas!

3. EVANGELHO: Mt 13,24-43

Deixai crescer um e outro até a colheita.

O evangelho de hoje está unido à primeira leitura pela ideia do julgamento de Deus, justo e indulgente para com todos. Relaciona-se também aos gemidos do Espírito da segunda leitura. Domingo passado, refletimos sobre a parábola do semeador: Jesus (e a Igreja) que anuncia o Reino de Deus e vê resultados diferentes de sua ação. Hoje ouvimos três pequenas parábolas de Jesus, do joio, da mostarda e do fermento na massa. Elas continuam e aprofundam a parábola do semeador. A parábola do joio reflete sobre os fatores que impedem o crescimento da semente: terreno ruim, pedras e espinhos aniquilam o crescimento da semente; a terra boa, por sua vez, produz diferentes resultados na hora da colheita. Além do bom semeador que semeia sementes boas, outras sementes são semeadas pelo inimigo na mesma terra. A sociedade em que vivemos é a terra capaz de receber sementes boas e ruins. Pelos frutos, bons ou maus, conhecemos quem é o semeador e a qualidade da semente semeada. Quem semeia hoje as sementes más da injustiça, da desigualdade, da corrupção e da violência em nossa sociedade? Além da boa semente que os pais procuram semear no coração de seus filhos, quais outras sementes influenciam negativamente a educação dos filhos? E o que dizer da qualidade da semente que os ministros da Igreja semeiam? O que devemos fazer? Tomar atitudes radicais como propunham os trabalhadores ao seu patrão? Sermos impacientes e radicais como João e Tiago, que pediam a Jesus para rogar pragas aos samaritanos que não o acolheram? Ou agir com sabedoria e prudência como o dono da plantação sugeriu (cf. primeira leitura).

As leituras nos convidam a confiar na força criadora do Espírito Santo, que cria e renova todas as coisas. O poder de Deus se esconde no dinamismo de uma pequena porção de fermento, capaz de levedar a massa, e na insignificância de uma sementinha de mostarda que esconde em si uma frondosa árvore. Paulo, ao falar da ação da graça em sua vida, diz: “Pois quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10). – Deus é misericordioso e aguarda com paciência os frutos, como vemos na parábola da figueira estéril (Lc 13,6-9).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jul 12

LECTIO DIVINA – POR FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O SEMEADOR SAIU PARA SEMEAR –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo o que é digno desse nome”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 55,10-11

A chuva faz a terra germinar.

Os profetas no AT falam em nome de Deus ao povo de Israel. Aos poucos começam a refletir sobre o efeito, positivo ou negativo, que esta Palavra produz entre o povo. No livro de Isaías (40–55) temos uma reflexão sobre a palavra de Deus criadora, na criação dos astros, da terra, dos céus e do mar (40,26; 48,13; 50,2). Produz frutos também na obra da salvação (42,9; 46,10; 48,5). O texto de hoje (55,10-11) é um exemplo desta teologia. O texto quer mostrar a eficácia da Palavra de Deus. Em Israel, quando, após seis meses de seca, a chuva novamente cai na terra ressequida produz um efeito espetacular de vida. Assim diz o profeta, acontece com a Palavra que Deus envia do céu. Quando absorvida por corações sedentos de Deus, a Palavra sempre produz seu fruto. Deus tem um plano: executar a obra da salvação de seu povo, sofrido e desanimado (Is 40,6-7.27-31), e nada poderá impedi-lo de realizar este plano de salvação. A Palavra de Deus é sempre eficaz. Se nós a acolhemos, produz nossa salvação; se a rejeitamos, causa a perdição. “Escolhe, pois, a vida para que vivas” (Dt 30,19). – A Palavra de Deus é viva e atuante em minha vida?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 64

A semente caiu em terra boa e deu fruto.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8,18-23

A criação está esperando ansiosamente

O momento de se revelarem os filhos de Deus.

A Palavra de Deus está sendo semeada no terreno dos filhos e filhas de Deus, que vivem em meio aos “sofrimentos do tempo presente”. Não é sufocando a natureza e a criação pelo consumismo e pelo mito da revolução tecnológica que o ser humano se realiza. O cristão, no entanto, movido pelo Espírito Santo, está todo voltado para frente, para o futuro. Vive a fé e o amor, mas é movido pela esperança. Não só o ser humano tem esta esperança, mas toda a criação é solidária e espera ser libertada da escravidão e assim “participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus”. Paulo diz que nós já temos os primeiros frutos do Espírito; mas estamos gemendo como que em dores de parto, aguardando a nova criação, que vai desabrochar plenamente da semente da Palavra de Deus. Ela atua dentro de nós, pela força do Espírito. O aquecimento global e a pandemia nos mostram que tudo está interligado em “nossa Casa Comum”. A criação, tão maltratada por nós, continua gemendo e esperando que nós, com a força do Espírito Santo, a respeitemos, libertando-a da dura escravidão que lhe estamos impondo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Semente é de Deus a Palavra, o Cristo o semeador;

Todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.

3. EVANGELHO: Mt 13,1-23

O semeador saiu para semear.

A parábola do semeador divide-se em três partes: a parábola como tal (13,1-9); para que servem as parábolas (13,10-17); a explicação da parábola (13,18-23). Percebe-se uma expansão desta parábola original de Jesus (13,1-9). A parte central da parábola parece ser uma reflexão sobre a razão da incredulidade de Israel; a explicação é uma “aplicação” da parábola para a vida da primeira Igreja, que tinha a missão de anunciar a palavra de Jesus. Na primeira parte Jesus fala à multidão e pinta a realidade da experiência da vida de um trabalhador, que semeia a sua semente na esperança de colher o devido fruto. E conclui: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”!

Jesus se apresenta como o semeador escatológico e constata que nem toda a palavra que ele ensina produz fruto, mas quando encontra terra boa, o fruto é abundante (1ª leitura). Esta parte representa um espelho da experiência positiva e negativa de Jesus, o semeador da Palavra. A pergunta dos apóstolos aprofunda e atualiza o sentido da parábola. A segunda parte reflete o mistério da rejeição de Israel à mensagem de Jesus (13,10-17); a terceira parte reflete o efeito na vida dos que crêem (v. 18-23). Uma coisa é certa: a Palavra de Deus não tem a finalidade de trazer o fechamento (a incredulidade), mas trazer a abertura (terra boa) do coração, que resulta em abundantes frutos. É como a chuva que cai, umedece a terra a não volta ao céu sem produzir seu fruto (Is 55,10-11).

A Palavra de Deus, escutada, lida e meditada, certamente produzirá os frutos que Cristo espera de nós.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jul 05

LECTIO DIVINA: POR FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM – EU SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Zc 9,9-10

Eis que teu rei, humilde, vem ao teu encontro.

O texto da primeira leitura é do IV século a.C. A pequena comunidade judaica não tinha mais rei nem autonomia política, mas estava sob o domínio dos governantes da Pérsia. A esperança messiânica de um novo descendente de Davi tinha que ser repensada e reavivada. É o que o profeta Zacarias procura fazer, conclamando o povo de Jerusalém a acolher o seu rei com alegria. Ele já está vindo ao encontro de Jerusalém. O Messias esperado não será como os reis de Israel e de Judá. Será um rei justo, que realmente salvará o seu povo; será um rei humilde e virá montado sobre um jumento, sem a pompa e o aparato militar de um dominador. O Messias eliminará de Jerusalém cavalos e arcos de guerreiros, símbolo das guerras dos impérios dominadores de então. Mesmo assim estabelecerá a paz universal, tão desejada. Mateus, ao descrever a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado num jumento, cita esta profecia de Zacarias (Mt 21,1-11). Jesus veio implantar o Reino de Deus neste mundo, sem aparato bélico, porque seu reino não é deste mundo (Jo 18,36). Como Servo Sofredor, Jesus deu sua vida por este Reino, a fim de estabelecer a paz e a fraternidade entre os povos. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). No mundo injusto e violento em que vivemos Jesus propõe a todos os povos a vida segundo os valores do Reino de Deus.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 144 (145)

Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!

2. LEITURA: Rm 8,9.11-13

Se, pelo Espírito, fizerdes as obras do corpo morrer, vivereis.

Viver segundo a “carne” é viver na autossuficiência, fechado em si mesmo, como os ouvintes que rejeitaram a mensagem de Jesus (evangelho). Paulo fala da oposição entre vida segundo o Espírito e a vida segundo a carne. Vive segundo a carne quem se deixa dominar pelos critérios humanos do consumismo, da dominação sobre o próximo e do ódio, sem o menor senso de solidariedade humana. Vive segundo o espírito quem pertence a Cristo, porque crê no Espírito que mora em cada pessoa. Mas, viver segundo o Espírito, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, é uma “dívida”, diz Paulo; isto é, um desafio permanente na vida cristã. O caminho mais seguro para viver segundo o Espírito é “pertencer” a Cristo e aprender dele, que é “manso e humilde de coração” (evangelho).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra;

Os mistérios do teu reino aos pequenos, Pai, revelas!

3. EVANGELHO: Mt 11,25-30

Eu sou manso e humilde de coração.

Antes do evangelho que ouvimos, Jesus critica as cidades da Galileia, Corozaim, Betsaida e Cafarnaum, que o rejeitam por causa de seu orgulho e autossuficiência (11,20-24). Estas cidades não se converteram porque o modo de ser e de agir de Jesus incomodava. Jesus não veio conquistar adeptos pela violência, mas veio com humildade e mansidão. Veio, “pedindo licença para bater na porta do coração das pessoas” (Papa Francisco na JMJ). Os pequenos, pobres, pecadoras e pecadores, desprezados pelos orgulhosos, o acolheram e continuam acolhendo. Por isso, Jesus louva o Pai que se revela aos pequeninos, isto é, aos profetas cristãos, e se oculta aos grandes.

O evangelho de hoje nos convida a contemplar a imagem do Pai, revelada pelas palavras e gestos de Jesus. Convida-nos a louvar este Deus, que assim se revela. Propõe-nos a agir, com humildade e mansidão, como Jesus agiu com os pequeninos.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jun 28

LECTIO DIVINA: FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

LUDOVICO GARMUS

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – QUEM VOS RECEBE, A MIM RECEBE –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da verdade”.

1. PRIMEIRA LEITURA: 2Rs 4,8-11.14-16a

É um santo homem de Deus, este que passa em nossa casa.

A palavra de Deus deste domingo está centrada na hospitalidade, valor muito apreciado na cultura dos tempos bíblicos. Havia a convicção que Deus olha com carinho para as famílias que acolhem viajantes, peregrinos ou missionários. O profeta Eliseu era considerado um missionário, mensageiro de Deus. Não tinha morada fixa, mas anunciava a Palavra em todos os lugares para onde Deus o enviava. Em suas andanças era sempre acompanhado por um discípulo, Giezi. Quando viajava na Galileia, costumava hospedar-se em Sunam na casa de um casal de certas posses, mas que não tinha filhos. Por iniciativa da mulher, foi até construído um pequeno apartamento no terraço da casa para hospedar o “santo homem de Deus” e seu companheiro. Vendo a bondade com que a mulher os tratava, Eliseu perguntou ao discípulo: “Que se poderia fazer por esta mulher”? E Giezi comentou que ela não tinha filhos. Na despedida Eliseu disse à mulher: “Daqui a um ano, neste tempo, estarás com um filho nos braços” (cf. 2Rs 4,8-17). A mulher tratava com todo o carinho os hóspedes profetas. O que mais desejava era ter filhos e recebeu a promessa de um filho, “uma recompensa de profeta”, como diz Jesus no Evangelho.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 88

Ó senhor, eu cantarei, eternamente, o vosso amor.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 6,3-4.8-11:

Sepultados com ele pelo batismo, vivamos uma nova vida!

O apóstolo Paulo não conheceu o Jesus histórico. O Evangelho que prega baseia-se na tradição apostólica recebida sobre Jesus e que ele sempre transmite: “que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que ressuscitou ao terceiro dia” e apareceu aos apóstolos, a mais de quinhentos irmãos e, por fim, também a ele (1Cor 15,3-11). Na leitura de hoje, Paulo insiste que a vida cristã tem seu fundamento na morte e ressurreição de Cristo. Recorre aos símbolos do batismo que, no seu tempo, se fazia por imersão. No rito do batismo, o catecúmeno descia na grande pia batismal, onde era mergulhado na água, simbolizando a participação na morte redentora de Cristo e sua própria morte para a vida de pecado. Ao emergir doutro lado da bacia, ressurgia para uma vida nova, como participante da glória de Cristo ressuscitado. Por isso Paulo diz: “Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele”.

Hoje, o rito do batismo é mais simples, mesmo assim alguns ritos lembram o que Paulo nos diz sobre o significado do batismo: a vela que os padrinhos acendem no círio pascal lembra a morte e ressurreição de Cristo; a veste batismal lembra a vida nova em Cristo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Vós sois uma raça escolhida, e propriedade de Deus.

Proclamai suas virtudes, pois, de trevas luz ele fez.

3. EVANGELHO: Mt 10,37-42

Quem não toma a sua cruz, não é digno de mim.

Quem vos recebe, a mim recebe.

Domingo passado já ouvimos um trecho do discurso missionário, no qual Jesus animava os apóstolos a enfrentarem as dificuldades no anúncio do evangelho (Mt 10,26-33). O evangelho de hoje conclui o discurso missionário. Antes de escolher os apóstolos e enviá-los em missão, Jesus age sozinho, embora acompanhado por muitos discípulos e pelo povo. Pouco antes (Mt 9,37-42), Mateus dá um resumo da atividade de Jesus: Jesus percorria cidades e aldeias e pregava “o Evangelho do Reino de Deus”. Compadecia-se do povo sofrido, “porque estava cansado e abatido, como ovelhas sem pastor”. E dizia aos discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua colheita”. Logo em seguida, Jesus chama doze entre os discípulos e lhes dá o nome de apóstolos (Mt 10,1-4). E, antes de enviá-los em missão, traça o plano de ação no discurso missionário (10,5-36). O texto do Evangelho divide-se em duas pequenas partes: exigências para a vida do apóstolo missionário (10,37-39) e recomendações para os cristãos oferecerem hospedagem a eles (10,40-42).

Entre as exigências se mencionam: o desapego dos laços familiares que impedem de cumprir com amor e liberdade a missão; tomar a própria cruz e seguir a Jesus Cristo; ser capaz de arriscar a própria vida por amor a Cristo. Como os apóstolos missionários devem deixar sua casa e família a fim de cumprir sua missão, Jesus recomenda aos cristãos que lhes seja dada hospitalidade (primeira leitura). Mais adiante, quando Pedro pergunta a Jesus – “e nós que deixamos tudo e te seguimos que recompensa teremos” –, Jesus responde: “Todo aquele que deixar casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de meu nome, receberá cem vezes mais e possuirá a vida eterna” (Mt 19,27-30). Os que recebem em sua casa os missionários, é a Jesus que recebem (10,41). E quem acolhe as pessoas pobres e desprotegidas, acolhe o próprio Jesus, e receberá como recompensa a vida eterna (Mt 25,34-40).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

jun 07

LEITURA ORANTE: POR FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

SANTÍSSIMA TRINDADE – GLÓRIA AO PAI E AO FILHO E AO ESPÍRITO SANTO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei, que professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a unidade onipotente”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Ex 34,4b-6.8-9

Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente.

Moisés desceu do monte Sinai com as placas da Lei e encontrou o povo adorando um bezerro feito de ouro. Irritado, Moisés jogou as duas placas no chão e as quebrou. Deus queria exterminar povo que havia libertado do Egito. Moisés, porém, suplicou em favor do povo infiel e aplacou a ira divina (Ex 32–33). Então Deus ordenou a Moisés que preparasse duas novas placas de pedra, para encontrar-se novamente com Ele no monte Sinai. O texto de hoje narra o que aconteceu no encontro de Deus com Moisés. Sem dúvida, é um dos textos mais lindos de todo o Antigo Testamento. Uma verdadeira síntese da caminhada do povo pecador com Deus misericordioso e libertador. Enquanto Moisés sobe com as placas de pedra, Deus desce ao seu encontro e permanece com ele. No entanto, a permanência é rápida. Enquanto Deus passava na sua frente, Moisés prostra-se por terra em sua presença e exclama: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Apesar dos pecados e infidelidades, o povo de Israel teve uma experiência viva da misericórdia divina em sua história. Por fim, contando com o amor misericordioso do Senhor, Moisés faz três pedidos: caminha conosco, perdoa nossas culpas e acolhe-nos como propriedade tua. Ou seja, como o seu povo escolhido, da nova aliança.

SALMO RESPONSORIAL

A vós louvor, honra e glória eternamente!

2. SEGUNDA LEITURA: 2Cor 13,11-13

A graça de Jesus Cristo, o amor de Deus

e a comunhão do Espírito Santo.

O breve texto desta leitura conclui a 2ª Carta de Paulo aos coríntios. Contém uma exortação (v. 11a), um voto ou promessa (v. 11b), uma despedida (v. 12) e uma bênção final (v. 13). Estes elementos aparecem também em outras cartas paulinas. Na exortação aparecem cinco verbos no imperativo que visam melhorar a vida em comunidade: alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia – isto é, o diálogo – vivei em paz. É o caminho que Paulo traça para construir a paz na comunidade abalada por conflitos e divisões internas. Agindo assim, acontecerá o que o apóstolo deseja: “e o Deus do amor e da paz estará convosco”. A bênção final explica quem é o Deus do amor e da paz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo”. É o Deus Trindade Santíssima, que nos envolve numa comunhão de Amor, como filhos e filhas queridos. Quando vivemos o amor com nossos irmãos, Deus que é amor estará sempre conosco.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Ao Deus que é, que era e que vem,

pelos séculos. Amém.

3. EVANGELHO: Jo 3,16-18

Deus enviou seu Filho ao mundo,

para que o mundo seja salvo por ele.

O Evangelho de hoje faz parte do diálogo de Jesus com Nicodemos (Jo 3,1-21). Nicodemos era um fariseu rico que admirava Jesus. Veio procurar Jesus de noite, porque discordava de outros fariseus que perseguiam a Jesus. Na conversa, Nicodemos reconhece Jesus como um mestre vindo de Deus, por causa dos sinais que fazia. Jesus lhe diz que ele precisava nascer de novo, isto é, nascer de Deus. Em outras palavras, assim como Nicodemos acredita em Jesus como um Mestre vindo de Deus, deveria também acreditar em Jesus como Filho de Deus, e assim nascer de novo, desta vez de Deus. No diálogo Jesus diz a Nicodemos que a chave de entrada na vida eterna é crer (três vezes) no Filho do Homem (3,9-15). A mesma insistência na fé aparece no evangelho de hoje. Deus amou tanto o mundo, que deu/entregou seu Filho unigênito para salvar todos que nele crerem. Deus não enviou seu Filho como juiz, para condenar as pessoas, mas para salvar a todos. A condição para ser salvo é crer no nome Filho unigênito. Este nome é Jesus, que significa “Deus salva”. Deus não condena ninguém. Quem não crê em Jesus Cristo, salvador da humanidade, condena-se a si mesmo.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mai 31

LEITURA ORANTE: FREI LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

PENTECOSTES – RECEBEI O ESPÍRITO SANTO!

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 2,1-11

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar.

João coloca a doação do Espírito Santo no dia da Páscoa, quando Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos reunidos no Cenáculo (Evangelho). O evangelho de Lucas (cap. 24), também, situa no mesmo dia as manifestações de Jesus Ressuscitado aos discípulos de Emaús e aos apóstolos, concluindo com a promessa do Espírito Santo e a Ascensão de Jesus ao céu. Nos Atos dos Apóstolos, porém, a Ascensão acontece quarenta dias após a Páscoa e, dez dias depois, na festa judaica de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo. Na origem, Pentecostes era uma festa agrícola ligada à colheita do trigo, celebrada sete semanas após a festa da Páscoa. Era uma festa de peregrinação. Nesta festa o israelita devia comparecer diante de Deus e apresentar os primeiros frutos da colheita do trigo. No II século a.C., a festa de Pentecostes passou a comemorar a promulgação da Lei de Moisés no Sinai, feita 50 dias após a saída do Egito (cf. Ex 19,1-16). Na teofania do Sinai, a descida de Deus era acompanhada por “trovões, relâmpagos (...), fortíssimo som de trombetas (...) em meio ao fogo” (Ex 19,16-19). Rabi Johanan dizia a respeito: A voz divina “saiu e se repartiu em setenta vozes ou línguas, de modo que todos os povos a entendessem; e cada povo ouviu a voz em sua própria língua”. Lucas conhecia tal tradição. Por isso fala que a doação do Espírito se dá em meio a um “barulho” e “forte ventania”. Com a voz do Sinai, repartida em setenta línguas, a Lei de Moisés tornou-se conhecida em todo o mundo e unia os judeus dispersos no Império Romano. Agora, a partir de Jerusalém (At 1,8), também o Evangelho é pregado a todos os povos, citados em nosso texto. A diversidade das línguas nas quais cada um entendia a mensagem do Evangelho é um convite aos apóstolos e discípulos, impulsionados pelo Espírito Santo, a levarem a mensagem de Jesus a todos os povos e culturas. Quando Lucas escreve, de certa forma, todos os povos do Império Romano estão ouvindo a mensagem do Evangelho, levada pelos discípulos e discípulas que aprenderam ou conheciam suas línguas.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 103

Enviai o vosso Espírito, Senhor,

e da terra toda a face renovai.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Cor 12,3b-7.12-13

Fomos batizados num único Espírito,

para formarmos um único corpo.

Paulo fala longamente para a comunidade de Corinto sobre os dons do Espírito Santo (1Cor 11,2-16; 12,1–14,39). Sem estes dons, nada podemos fazer, nem mesmo dizer: “Jesus é o Senhor”. Os dons ou “carismas” são “atividades”, serviços ou manifestações do Espírito “em vista do bem comum”; cada membro presta serviço para o bem do mesmo corpo. Paulo usa a imagem do corpo que tem muitos membros, mas forma uma única unidade. O Espírito nos unifica num só Corpo com o Cristo: “judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito”. O Espírito Santo distribui seus dons ou carismas em vista do bem da comunidade, e não para distinguir esta ou aquela pessoa. A manifestação do Espírito se dá em todos os membros da comunidade. Não é privilégio do clero, dos religiosos ou de “grupos carismáticos”. O projeto imperial de Babel era de impor o domínio, unindo todas as raças e culturas por meio de uma só língua (Gn 11,1-9: primeira leitura da Vigília). Deus, porém, pôs fim a tal domínio, multiplicando as línguas e culturas. É na diversidade de línguas e culturas que Deus quer ser louvado e adorado. Em Pentecostes Deus refaz a unidade pela mensagem do Evangelho, a ser anunciado a todos os povos, preservando, porém, as diferentes culturas e raças. O que nos une é a linguagem do amor a Deus e ao próximo (Evangelho).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:

Vinde, Espírito Divino,

e enchei com vossos dons os corações dos fiéis;

e acendei nele o amor como um fogo abrasador.

3. EVANGELHO: Jo 20,19-23

Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio:

Recebei o Espírito Santo!

No domingo da Ascensão ouvimos, no evangelho de Lucas, que Jesus prometia aos discípulos enviar-lhes a “força do alto”, o Espírito Santo, antes de começarem a anunciar “a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Hoje, segundo João, Jesus no dia de sua ressurreição, se manifesta aos discípulos e concede o dom do Espírito Santo e a paz. Depois de lhes dizer “a paz esteja convosco”, Jesus se identifica, mostrando-lhes as mãos e o lado perfurados. Ele é o mesmo Jesus crucificado, que cumpriu sua missão, a obra de nossa salvação e volta ao Pai (Jo 20,17). Antes, porém, deixa-nos a tarefa de continuar a sua missão: “Como o Pai me enviou também eu vos envio”. Ao voltar para junto do Pai, Jesus promete estar sempre conosco: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). A presença de Cristo se dá pelo seu Espírito, o Advogado e Consolador, que estará sempre ao lado de seus discípulos. Pelo dom de sua vida Jesus nos reconciliou com Deus, manifestando o amor misericordioso do Pai. O presente da Páscoa que nos deixa é o Amor: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”. Agora confia aos seus discípulos a missão de manifestar este mesmo amor misericordioso: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados...”. O perdão dado e recebido reconstrói os vínculos do Amor, reconstrói a paz. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”, que é Amor (Mt 5,9). Nossa missão é vivermos o que anunciamos aos outros. Para isso recebemos a “força do alto”, o Espírito Santo.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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