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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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fev 24

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

7ª. DOMINGO ANO C DA  7ª. SEMANA  TEMPO  COMUM

*Por Monsenhor Paulo Daher -           

1 SAMUEL 26, 2-7.9-12-13.22-23Davi com suas tropas chegou ao acampamento de Saul, enquanto todos estavam dormindo.  Entrou na tenda do rei Saul sem que o percebessem e não feriu o rei, pegou só o cantil e a lança dele. Depois de voltar para outro lado da colina gritou para Saul dizendo o que fez e mostrando o que trouxe sem ofender o rei. Este reconheceu a fidelidade de Davi e o elogiou diante de Deus.

Davi o escolhido de Deus mostra mais uma vez a Saul que invejava seus grandes feitos nas batalhas, sua fidelidade ao rei, em nome do Senhor.

É exemplo para nós. Devemos conhecer o que o Senhor pede de nós e orientados por sua vontade mesmo diante de “inimigos” que nos fazem mal, saibamos entender que não somos juízes de ninguém. Sigamos o que conhecemos por nossa consciência e deixemo-nos guiar pelo que o Senhor espera de nós. 

Ainda estejamos atentos a que devemos respeitar as autoridades ou os de quem dependemos em nossos trabalhos. Mas jamais aprovar seus abusos contra nossa consciência.

Às vezes por não seguir os maus exemplos de pessoas a quem

prestamos serviço ou de quem dependemos para o que devemos realizar, além do sofrimento talvez devamos renunciar a este trabalho se quiserem forçar-nos como condição para continuar aí. Podemos até perder bens mas é melhor estar de bem com nossa consciência do que pactuar com a desonestidade.

1ª. CORÍNTIOS 15, 45-49, o apóstolo leva-nos a pensar em nossa condição de seres humanos, do que somos e herdamos dos que nos precederam. Somos criados por Deus, mas infelizmente trazemos conosco a fragilidade que herdamos de nossos pais. Mas somos também herdeiros da riqueza de Cristo que nos assumiu com irmãos e por nós agiu e age diante do Pai.

Mais visíveis são nossas maneiras que agem como herança de nossos pais. Tantos suas qualidades como também características que poderíamos chamar de deficiências ou fraquezas.

Depende de nós, ajudados pela presença e ação de Cristo, conduzir nossa vida como tantas pessoas santas fizeram, movidos pela graça de sermos filhos de Deus resgatados pelo grande amor que o Senhor tem por nós e manifestou de maneira maravilhosa com a presença de seu Filho que veio viver conosco nossa vida.

Na vida todos conhecemos crianças que quase abandonadas por sua família foram assumidas por pessoas que a aceitaram como filhos e lhes deram condição de sobreviver e de se preparar melhor para seu futuro.

Muitas pessoas santas também tiveram oportunidade pela graça de Deus e amor de pessoas de fé de serem educadas na vida humana melhor e vida religiosa que as transformou.

Jovens que moravam no interior sem às vezes a mínima condição de sobrevivência humana, foram acolhidas por religiosas que as educaram e lhes deram condição de até um dia serem superioras desta mesma congregação que as recebeu.

A riqueza que qualquer pessoa traz consigo é uma realidade que precisa ser entendida e aceita quando participamos de um trabalho pastoral numa paróquia ou num movimento.

EM   LUCAS 6, 27-38, Jesus apresenta algo novo quebrando a maneira radical dos judeus. Amem seus inimigos. Orem pelos que o ofendem. Aceitem as ofensas e agressões. É a maneira nova de voltar a aceitar qualquer “irmão” que nos faça sofrer. Não revidar. Não julgar. Não condenar. Perdoar sempre.

Talvez para que não se contaminassem com a vida que muitos tinham como natural na sociedade antiga do tempo dos judeus, para se preservar dos costumes pagãos, se seguia à risca: Olho por olho, dente por dente. Recebeu, deve dar em troca com a mesma moeda.

Jesus insiste na regra de ouro: somos capazes até de mudar a agressividade do outro pela mansidão.

Hoje por causa das injustiças sociais gritantes em relação à discriminação das pessoas por sua cor, condição social, estamos quase voltando ao que havia antigamente. Como dizia um modesto trabalhador:  ataque que eu me defendo. Ou o que alguns pais diziam e ainda dizem a seus filhos: não tragam nenhuma agressão para a casa. Reajam como gente! Não sejam bobos.

Mas Jesus disse que ele era caminho, a verdade e a vida. E continua mantendo seus princípios: perdoem a quem os ofende!

Um dia um padre na missa pediu que tirassem de lá um cão que estava incomodando as pessoas. O dono não gostou e depois na sacristia agrediu o padre com um bofetão. Quando a família soube fiou consternada. Vivia dizendo que ele fosse pedir perdão ao padre que não tinha reagido nem dissera nada a ninguém. Por fim o senhor pediu perdão e depois foi um grande colaborador do padre em seus trabalhos.

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* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

dez 16

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

3º. DOMINGO DO AVENTO – FAZER O QUE É JUSTO –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM SOFONIAS 3, 14-18, o profeta escreve: alegra-te de todo o coração, cidade de Jerusalém, o Senhor está no meio de ti, nunca mais temas o mal, nem desanime. Ele te salva movido pelo amor.

O mesmo sentimento apresentado de maneira humana no início do universo, quando Deus acabava de realizar uma criação nova, diz a Palavra de Deus: Deus viu que tudo estava bem feito!

Percebemos isso num artista que depois de esmiuçadamente compor a sua obra, pintura, escultura, construção, contempla sua arte e se enche de alegria quase como se lhe nascesse então um filho.

A certeza da presença e ação de Deus no meio do povo é causa de alegria para todos. Estão em boas mãos.

Toda a segurança que tenhamos em nossa vida, por razões fortes, garante-nos a paz e a tranquilidade para continuar o que começamos. É a mesma sensação que a experiência de vida nos proporciona quando vamos seguimos o caminho que escolhemos. 

Nossa alegria e satisfação por realizar o que nos propusemos,       confirma em nós que estamos no caminho certo.

A certeza deste sentimento é garantido também e principalmente por sabermos que o Senhor que está conosco nos segue de perto orientando nossa vida.

NA CARTA AOS FILIPENSES 4, 4-7, Alegrem-se todos no Senhor, e muito, porque Ele está perto. Não se preocupem com suas necessidades. Dirijam a Deus orações  e ação de graças. A paz de Deus guardará seus corações e pensamento em Cristo Jesus.

Em toda a apresentação da Palavra de Deus, seja em a narrativa de fatos, seja na palavra dos mensageiros do Senhor, seja mesmo na palavra e manifestação dos “sentimentos” de Deus, sempre aparece a palavra e a reação “ alegria”.

Que seria este sentimento? Em geral é o que toma conta de nós diante de algo que nos agrada ou faz bem. Sejam fatos, objetos, algo da natureza ou mesmo pessoas.

Podemos  até dizer que somos muito voltados para a alegria como um estado de espírito que sustenta nosso físico como nossa vida sentimental e espiritual.

Há muitos momentos na vida que mostram nossas reações diante de coisas e pessoas. Um bebê que vê o pai chegar em casa para fazer-lhe carinho, em cada passo de seu crescimento é momento que merece para os dois uma alegria divina. Uma mãe que velou dias e noites na enfermidade de seu filho, quando tudo se resolve e ele lhe diz: obrigado, mãe seu amor não tem limite.

Por isso no Natal até os anjos em sua infinita alegria no céu, descem para cantar para nós a alegria que também toma conta do céu pelo nascimento do Salvador.

A alegria, a paz, a felicidade se abraçam na noite do Natal.

EM LUCAS 3, 10-18, as multidões vinham a João e perguntavam que deviam fazer. Ele diz: quem tem duas túnicas, e uma, quem tem comida também. Todos pediam como se mostrariam preparados. A cada um sugeria fazer bem o que é justo, Uns até pensavam se João não seria o Messias que esperavam, Ele respondeu: eu batizo em água, mas virá um maior que eu de quem nem sou digno de desatar-lhe as sandálias. Ele vai batiza-los no fogo e no Espírito Santo.    

João Batista realizava um batismo de penitência como preparação para a vinda do Salvador. A cada pessoa fazia pensar em suas faltas e levava-os a se arrependerem delas. Como dizia: era preciso preparar os caminhos para a chegada do Salvador, afastando tudo o que impedia de recebe-lo melhor.

Nossa Igreja relembra o fato e as palavras de João Batista que são úteis também para nós hoje.

Deus que nos deu vida e sermos seus filhos, nunca nos deixa de lado. Embora nos tenha dado tantas qualidades para podermos viver bem nossa vida, sabe de nossa fragilidade que se deixa atrair por tudo que é bom e agradável, nem que seja só pela aparência.

Depois de um certo tempo e vida, analisando o que fizemos, percebemos que no meio de tantas ações boas que realizamos,  em muitas esquecemos a vontade de Deus e seguimos mais nosso ganancioso egoísmo. Isso nos desvia de nosso Senhor e também de nossa verdadeira felicidade

Mesmo assim, nem tudo está perdido. Sempre, aqui na terra no tempo de que dispomos, há possibilidade de retorno.

Assim chegando o Natal, não podemos nos aproximar de Jesus, entrar na gruta onde Ele nos espera, se não acertarmos o caminho para chegar lá.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

dez 09

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

2º. DOMINGO DO ADVENTO – TODOS OS PROFETAS ANUNCIARAM A VINDA DO MESSIAS PROMETIDO –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

EM BARUC 5, 1-9o profeta pede à cidade santa de Jerusalém que se prepare com renovação de sua apresentação porque chegou o Prometido. Que tudo esteja preparado para receber o enviado de Deus. Toda a natureza mostrará por sua renovação porque chegou o desejado das nações.

Antecipando a chegada o Salvador, o profeta já imagina o que irá acontecer quando vier o Salvador.

É comum em nossa vida no que pensamos, planejamos para nós ou para os outros de imaginar a melhor realização possível de nossos sonhos e projetos. Parte pode ser fantasia, parte pode ser conhecer o que já aconteceu com as pessoas que já alcançaram a realização do que pretenderam.

Os profetas não viveram na realidade o futuro que apresentam sobre os bens que irão acontecer quando vier o Messias prometido. O que eles mostram é o que o próprio Deus lhes revelou em visão sobre estes acontecimentos.

Acreditemos em que Deus até quando mostra um futuro cheio de sofrimentos, o sentido não é meter medo e sim fazer-nos. sem o ter experimentado, quanto os caminhos longe de Deus são capazes de prejudicar toda a nossa vida.

Que nosso espírito durante este advento s recolha em mais leitura da Palavra de Deus, orações, exercício da caridade;

NA CARTA AOS FILIPENSES 1, 4-6.8-11, o apóstolo diz que ora sempre por esta comunidade a quem foi anunciado o reino de Deus. A ação de Jesus vai continuar a acompanha-los. Que seu amor cresça na medida de seu conhecimento

São Paulo além de seu incansável zelo apostólico na difusão da Palavra de Deus que é iluminada pela presença e ação e Jesus, mostra sempre grande alegria por fazer Jesus ser cada vez mais conhecido e amado. Sente-se bem por ver a alegria que toma conta dos cristãos por essa entrega nas mãos de Deus.

A mentalidade e a vida social dessas cidades do Mediterrâneo  influenciadas pelos hábitos de vida fácil dos romanos, muda com o conhecimento de Jesus. Por isso de fato encantam o apóstolo o fervor religioso cristão que agora transforma a vida desses cristãos.           

Essa alegria nós percebemos numa professora que recebe alunos mal preparados, mal educados  e depois de um trabalho perseverante nos estudos e na convivência percebe a diferença que a alegra e ao mesmo tempo que transformou a vida das crianças num prazer verdadeiro de poder estudar e aprender tantas coisas.

Quem teve a experiência de como nada impede a graça de Deus de mudar a vida de alguém em quem nada mais esperava, entende esta alegria e satisfação incontidas do apóstolo.

Comprometamos-nos neste Natal para ajudar qualquer pessoa que precise deste apoio e incentivo para encontrar Cristo e poder sentir de perto a felicidade de tê-lo como grande amigo.

EM LUCAS 3, 1-6, a figura de João  movimenta toda a Palestina com o anúncio da boa nova. Preparada pela penitência no deserto e com sua vida austera anuncia a preparação para a chegada do Salvador a começar pelo batismo de penitência. Sua voz pede que melhorem os caminhos, as colinas sejam aplainadas, pois a salvação está chegando.

Os profetas já haviam falado sobre esta figura do precursor. Este se prepararia com vida austera. Os evangelhos nos mostram  as características de sua vida desde o nascimento com seus pais Zacarias e Isabel. Agora adulto, às margens do rio Jordão falava ao povo convidando as pessoas que recebessem o batismo de penitência por seus pecados. Sua personalidade era forte, suas palavras eram diretas. Muitos iam lá se batizar. Jesus também foi e se batizou.

Todos os profetas anunciaram a vinda do Messias prometido como o Salvador de todas as pessoas, mas sem determinarem o tempo. João, como Jesus disse, sendo o último dos profetas, anuncia e apresenta o Salvador presente e o batiza para iniciar sua missão. 

Nossa Igreja coloca no advento esta figura e sua pregação, porque espera também de nós, que já fomos batizados, que nos preparemos com fervor para que Jesus mais uma vez possa fazer parte de nossa vida no Natal.

Quando temos de realizar algo importante, precisamos nos preparar para este momento.

O Natal que nos lembra que Jesus veio à terra para ajudar-nos a buscar os caminhos de Deus que nos levam ao Pai, cada ano pede renovação de vida e preparação espiritual para Cristo que mais uma vez vem visitar-nos com suas graças.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

dez 02

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

1º. DOMINGO DO ADVENTO – ESTEJAM ATENTOS –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

EM JEREMIAS 33, 14-16,  Virão dias em que o Senhor fará cumprir a promessa dos bens futuros. A justiça fará brotar na terra  porque o Senhor é que é a justiça.

Iniciando nossa preparação para o Natal, as leituras trazem-nos à mente uma revisão de vida para melhor preparar-nos para comemorar o novo nascimento de Cristo em nossas vidas.

As promessas de Deus sobre nós pedem nossa participação e preparação. O que nos dificulta um pouco é nossa fragilidade presente, nossa vida pequena  e cheia de empecilhos. Mas olhamos o amanhã e temos certeza de que nossa salvação está mais próxima do que pensamos.

A justiça de que fala o profeta  é a retidão de Deus no que pensa, planeja e realiza. Ele nunca falta à sua palavra.

A lembrança e comemoração do nascimento de Jesus pela fé e com a graça de Deus fazem-nos reviver e participar de ação salvadora de Cristo. Seria como estar presente ao momento da chegada do Senhor.

E assim como os céus comemoraram com a presença e os cantos dos anjos, a terra com a visita dos pastores, a vinda dos santos reis, assim nós também estamos presentes a este aparecimento de Cristo que veio mais uma vez participar conosco em nossa vida.

NA CARTA AOS TESSALONICENSES 3, 12-4,2, o apóstolo deseja que o amor aumente sempre entre eles e dele para com todos. E confirme seus corações na santidade  aos olhos de Deus. Vocês conhecem minhas instruções para progredir em nome do Senhor Jesus.

A descoberta e a ação deste dom que Deus colocou em Paulo e na comunidade entre todos que é o amor, é um sentimento ativo de prazer e alegria que envolve o relacionamento entre os que seguem o Cristo. É também uma força, incentivo para fazer crescer entre todos a união que dá sentido alegre o tudo o que fizerem.

É uma espécie de disposição sempre presente que anima a aceitar o que procuramos viver e a nos sentirmos alegres e felizes de com todos realizar tudo o que temos a fazer. É uma espécie de clima favorável que nos faz bem e dá prazer ao participarmos.

O apóstolo manifesta-se realizado não só pelo bem estar que todos sentem pela união entre eles, mas incentiva a que perseverem nesta participação fraterna crescendo sempre mais.

È pois uma luz, um estado de satisfação que não pode parar mas deve sempre crescer seguindo a maneira nova de viver entre eles com Jesus.

É  o valor da mensagem de Cristo que não só traz uma notícia prazerosa, mas entre em cada um dando novo sentido ao que realizamos no dia a dia de nossa vida.

EM LUCAS 21, 25-28.34-36,  Jesus prevê os dias em que  haverá sinais  no sol, na lua e nas estrelas. O mundo vai ser abalado. Verão o Filho do Homem vindo sobre  uma nuvem com grande poder. Quando acontecerem estas coisas levantem a cabeça porque sua libertação está próxima. Estejam atentos para ficarem de pé diante do Filho do Homem.

Mais uma vez Jesus dramatiza esses tempos finais. É uma maneira muito humana de chamar  a nossa atenção para o sentido trágico,  sim,  do final, mas incentivando-nos a estar sempre atentos e vigilantes para seguir os caminhos certos.

O provérbio: o fim justifica os meios, pode ajudar-nos no melhor sentido a desde já direcionar nossa vida moral, de fé e de amor aos outros, para que nada nos atemorize, pois estaríamos preparados e vigilantes para enfrentar os momentos difíceis que possam advir em nossa vida e no final dos tempos.

A certeza  que deve tomar conta de nossa mente e coração é saber que nunca estaremos sozinhos. Mesmo preparados somos sempre seres humanos frágeis. Mas podemos e devemos contar com a presença de Cristo que veio não para assistir nossos dramas humanos mas para participar também deles conosco. 

É muito útil conhecermos as reações da natureza em seus terremotos, vulcões, enchentes, incêndios, porque confirma em nós a instabilidade das forças físicas deste nosso universo. E assim nos convencemos da presença frágil deste ser inteligente que somos.

No mundo espiritual, moral, social acontece a mesma instabilidade que assim serve de lição para sermos mais cuidadosos e prudentes em tudo o que fazemos.

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 *Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana

nov 25

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

DOMINGO – JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM DANIEL 7, 13-14, na visão o profeta viu o Filho do Homem. Um ancião deu-lhe todo o poder sobre todos os povos.  Tendo passado o tempo de sua missão nesta terra, a apresentação da figura da situação final de seu trabalho, Cristo enfim apresenta-se ao Pai diante de todas as criaturas. 

A Ele  a quem fora dado todo o poder sobre a terra e sobre os céus exercido durante a existência da humanidade nesta terra, agora torna-se total e claro o que fez e quem ele sempre foi: Senhor do céu e da terra.

A ideia desta comemoração litúrgica numa celebração da Eucaristia, ainda agora em que vivemos no tempo, é levar-nos a não esperar o final para reconhecer que Jesus é o centro de tudo o que existe e para quem tudo converge para a aceitação do Pai como responsável pela vida de todas as criaturas.

Devemos sempre reconhecer quem é Deus em si e para nós, quem é Jesus, Filho eterno do Pai, que veio morar no meio de nós.

Os fatos do evangelho relembram a presença e a ação de Deus com seu  povo.  Temos de reconhecer com nossas palavras, sentimentos e ações que acreditamos e aceitamos que Cristo é o Senhor de nossa vida.

Ele sempre continua percorrendo conosco as estradas de nossa vida alegrando-nos com seu amor e misericórdia.

NO LIVRO DO APOCALIPSE DE S. JOÃO 1, 5-8, Jesus é a testemunha fiel, libertou-nos por seu sangue. Ele é o alfa e o ômega , o princípio e o fim, o todo-poderoso.

Mais uma vez com a Palavra de Deus, com S. João, relembramos, afirmamos e aceitamos quem é Jesus para nós.

Em nossa vida humana verificamos o valor que é para cada pessoa, o nosso nome, a nossa família,  e a história da vida dela e a nossa. Como é triste e humilhante para uma criança e também para qualquer pessoa quando perguntados quem são, mal poderem dizer seu nome. Mas quem são seus pais, donde você veio, quem é você?

Pensar e viver na interrogação: quem sou eu? Donde vim? Onde está minha família?  Sou um zé ninguém, sem nome, sem pátria, sem saber quem me colocou nesta terra.

Pela fé, seja eu quem for, sou pessoa importante. Sou filho de Deus. Tenho um Pai maravilhoso que cuida de mim, tenho um Irmão(Jesus) que a toda a hora me abraça e me beija, irmãos que me amam muito.

Lembro: um padre via um senhor simples que todo o dia deixava sua enxada de trabalho na porta da Igreja e ia lá dentro rezar. Não tinha livro, pois não sabia ler. Ficava muito tempo olhando para o sacrário. O padre um dia perguntou: o que você fica fazendo lá na frente diante do altar? Respondeu com sorriso de felicidade: eu olho para Jesus e Jesus olha para mim.

Oração de simplicidade quase mística!...

EM JOÃO 18, 33-37, Pilatos pergunta a Jesus se ele era rei. Jesus responde de maneira diferente, que seu reino não era este mundo. Que veio para dar testemunho da verdade. Que o ouçam.

Em toda a história dos povos verificamos que o ser humano criado à imagem e semelhança de Deus, quando descobre suas qualidades as desenvolve fazendo outros que dependem dele como um servidor.

Rei, senhor, dono, palavras que se originam do orgulho e se manifestam no domínio sobre outras pessoas.

Em nossa mente acanhada gostamos de ter pessoas que nos “obedeçam”, que façam o que nós devíamos fazer por nós mesmos.

Pilatos, homem infeliz,  medroso, serviçal, estremece diante de um pobre homem de Nazaré, porque andam dizendo que ele era rei.

Quantas vezes acontece num trabalho quando alguém começa a se sobressair com seriedade e competência, é alvo de humilhação ou perseguição. Fique onde está. Não vá além das sandálias!

Que significa a resposta de Jesus: veio para dar testemunho da verdade. Já dissera: sigam a verdade e a verdade os libertará.(Jo 8,32)

Somos o que somos, reis de nossa vida, e servidores de nossos irmãos. Somos família no sentido mais divino da palavra e da realidade: nós nos amamos porque em nossas veias corre o mesmo sangue de Cristo que nos fez irmãos amados.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

nov 18

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

33º. DOMINGO DO TEMPO COMUM – ESTAREI CONVOSCO TODOS OS DIAS ATÉ O FIM DOS TEMPOS –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

NO LIVRO DE DANIEL 12, 1-3, o profeta anuncia o que virá quando aparecer o arcanjo Miguel, será um tempo de angústia. Muitos que morreram ressuscitarão. Os sábios brilharão como o firmamento. Os que tiveram ensinado a muita gente serão como estrelas.

É um trecho que podemos chamar também de apocalíptico, isto é revela o mistério do futuro.

Há em nós  junto com a atitude de responsabilidade sobre os atos que praticamos, não só dever agora seguir o que é certo e segundo a verdade. Mas também dentro de nós, a nossa consciência sempre presta atenção ao resultado do que colocamos agora e vai ter também resposta no amanhã.

 Não vivemos por viver, não realizamos trabalho só para ocupar nosso tempo. É normal como acontece com qualquer coisa que eu empreendo que saiba para que estou fazendo isso.

Se alguém vir um lavrador cavando seu terreno e jogando sementes,  regando com água, não vai pensar que ele esteja brincando para passar seu tempo. Se ele voltar tempos depois vai ver um campo todo cultivado. Um milharal, uma série de estacas segurando os pés de feijão ou outra produção.

O ser humano de uma forma ou de outra tem uma finalidade naquilo que faz.

Porque somos iluminados por nossa inteligência, guiados por nossa consciência usando a vontade, a liberdade, tudo o que fazemos tem um sentido real e uma finalidade. E sobre isso somos responsáveis pessoalmente e disso devemos prestar contas a Deus aqui na terra e após nossa morte de maneira definitiva.

NA CARTA AOS HEBREUS 10. 11-14.18, mais uma vez Jesus como sacerdote oferece sacrifícios a Deus em nome dos pecadores e consegue o perdão do Pai e isso uma vez só. Bastaria que cada um de nós reconheça seus pecados e confie em sua misericórdia.

O que esta carta dirigida aos judeus tem como finalidade  relembrar que é este povo de Deus, e sua responsabilidade por oferecer a todos na pessoa de Cristo o Sumo Sacerdote da Nova Lei. Ele apresenta a manifestação clara de oferecer a Deus um sacrifício verdadeiro e infinito para pedir perdão pelos pecados de todas as pessoas..

Às vezes não entendemos o valor total da redenção de Cristo para nós e por nós. É certo que a finalidade de sua vinda à terra fazendo-se homem e sendo o Filho de Deus, é pedir por nós o perdão do Pai por nossos pecados.

Mas não é uma espécie de perdão de anistia. Jesus vai à nossa frente assumir por nós mas não podemos nos desligar dele. Ele vai conosco. Nós temos muita responsabilidade pelo que fazemos, temos de reconhecer nossas culpas e procurar retomar o caminho da verdade e do bem. Ninguém fica só desculpado. Nenhum de nós pode descansar pensando: tem Jesus que paga por mim. O gesto de Cristo é com uma mão dirigir-se ao Pai e com a outra levar-nos com Ele para reparar o mal que fizemos.

EM MARCOS 13, 24-32, Jesus prevê os acontecimentos que irão ter lugar nos fins dos tempos. A natureza de alguma forma se manifestará com acontecimentos extraordinários. Os anjos irão reunir de toda a terra  os eleitos de Deus. Quando tudo isso acontecer saberemos que o fim está próximo, o Filho do Homem aparecerá. Os céus e a terra passarão mas suas palavras, não. Quanto  ao dia e hora deste final, ninguém o sabe, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai.

A sabedoria de Jesus com sua providência quis neste momento falar sobre um futuro não muito sensacional. Penso que foi uma espécie de água fria em todo o, entusiasmo que crescia n meio do povo sobre Jesus suas palavras e milagres.

É de nossa natureza humana quando tudo vai bem hoje, de não precisar de pensar no amanhã; No entanto o que faço agora tem a resposta depois. É a lei da lógica, da vida e talvez queiramos nos enganar julgando que que o que nos agrada agora amanhã será até melhor.

Não cultivemos o pessimismo colocando sempre sombra no presente que está bem. Mas não devemos ser expectadores da vida, mas realizadores de nosso futuro com realidade.

Jesus veio à nossa terra para iniciar-nos no caminho da salvação e mostrar com sua vida como pode isso acontecer. Ele não foi embora mas está sempre ao nosso lado como disse em sua despedida: Eu estarei com vocês todos os dias até o fim dos tempos.(Mt 28,20)

O fim dos tempos não é tudo voltar a zero. É momento também triunfal em que Jesus será reconhecido como nosso Salvador e Rei do universo, de tudo e de todos.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

nov 11

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

32º. DOMINGO – TODOS SOMOS FILHOS DE DEUS E IRMÃOS ENTRE NÓS –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

NO 1º. LIVRO DOS REIS 17, 10-16, o profeta Elias chegou em de Sarepta. Encontrou uma viúva com seu filhinho que recolhia gravetos de árvore. O profeta pediu que ela preparasse um pão para ele. Ela respondeu que o pouco que tinha a ajudaria a preparar um pão para ela e seu filhinho e depois morreriam. Elias disse que ela preparasse um pão para ele. E daí pra frente nunca mais faltou o pão na casa da viúva.

É de grande lição de fé para nós este trecho.

O profeta não conseguia se livrar da rainha Jezabel que o perseguia e fugia de lugar para lugar para cumprir ordens de Deus,

Iluminado por Deus não exigia do Senhor que resolvesse logo a impertinência da rainha. Tinha visão de Deus mas este não queria ainda resolver a situação. Para nós seres humanos julgamos ser o mais certo a decisão de afastar logo esta figura perniciosa para o profeta e para a vida religiosa do povo.

Deus ainda queria faze-lo experimentar sua presença diferente de tudo que ele aprendera até então.

Começou a prova-lo pela fome. E lhe manda uma viúva com seu filhinho mais pobre que ele. Inspirado pede um pão. Ela o prepa-rou e durante um mês sem nada, por milagre tiveram pão cada dia.

Os profetas são sempre para nós exemplo e caminho para realizarmos a vontade de Deus sobre nós e sobre os outros.

Mesmo com poderes extraordinários que são mais em benefício dos outros, eles não se sentem semi-deuses poderosos. Pois bem compreendem que tudo o que o Senhor lhes dá para facilitar a missão de evangelizadores é mais em proveito dos outros. E muitas vezes causam-lhes sofrimento

NA CARTA AOS HEBREUS 9, 24-28, Jesus entrou no santuário não para oferecer sacrifícios por  seus pecados que não os tem, mas pelos nossos. E sua intercessão não precisará se repetir. Ele se ofereceu e se oferece uma só vez por todos como sacrifício perfeito diante do Pai por todos nós.    

O sentido mais espiritual e religioso da vinda de Jesus a este mundo foi e é viver nossa vida, sem pecado e oferece-la em tudo o que Ele fez e por tudo que sofreu, de modo especial por sua crucifixão e morte na cruz, oferecendo-se ao Pai por nós.

Este assim chamado “sacrifício” de sua vida por nós, alcança do Pai o perdão de nossos pecados, ao mesmo tempo que se coloca conosco, na conquista de uma vida espiritual melhor.

É para sempre, por nós, cada um de nós, de uma forma pessoal. Não é um resgate mundial e universal de todas as pessoas. Cada um de nós caminha com Jesus até o Pai.

Esta oferta de sua vida por nós é perfeita. Nos outros sacrifícios religiosos cada um pede primeiro por seus pecados, pois os temos muito. Com Jesus, Ele pede mais por nós, pois Ele jamais pecou.

Quando se afirma que Jesus de uma vez por todas ofereceu-se ao Pai por nós, entendemos que foi e é um gesto que não precisa se repetir para realizar sua missão de Salvador. É que qualquer gesto de Jesus, Deus e homem, é infinito. Não é do passado, não é do presente nem é só do futuro. Esta presença salvadora e divina como qualquer manifestação de Deus é infinita.

Os gestos de Jesus para nós e por nós é sempre presente, como a eternidade. Embora nós estejamos ligados ao passado ao presente e ao futuro, o que Jesus é e faz é sempre presente, eterno.

NO EVANGELHO DE MARCOS 12, 38-44, Jesus observa que os chefes religiosos são vaidosos, escolhem os primeiros lugares, querem ser aplaudidos nas praças, rezam mais para receberem mais dinheiro. Jesus diz aos apóstolos sobre a esmola dos ricos e a esmola da viúva. Essa foi atendida porque deu tudo o que tinha...

Em qualquer posição social em que estejamos, sendo ricos ou pobres, com saúde ou doentes, nossa dignidade é a mesma, porque todos somos filhos de Deus e irmãos entre nós.

A atenção de Deus sobre as pessoas é sem predileções. Quando nos vê, Ele sabe que está lá um filho seu querido. Nada nos faz diferentes como seres humanos: nem sabedoria, nem ignorância, riqueza ou pobreza, nível social ou aparência.

Aliás para contradizer nossos costumes e classificar as pessoas, os que aos olhos das pessoas podem parecer pequenos ou sem valor, muitas vezes na história de nossa salvação é que são escolhidos para realizar seu plano de amor e misericórdia para com todos nós. E mesmo os que são destaque na vida por sua sabedoria, inteligência, maneira prática melhor de viver, quando são escolhidos, percebemos que foi mais por sua humildade e espírito de serviço do que por suas posses, sabedoria ou nível social.

Em nossa convivência social seja fora seja dentro da Igreja, com pessoas religiosas ou não, ricas ou pobres, nossa atitude sempre tem de ser gente que tratam com respeito qualquer pessoa e não exijamos dos outros honrarias ou palavras de exaltação. Basta-nos que nos considerem irmãos queridos e amados.

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 *Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

nov 04

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

DO LIVRO DO APOCALIPSE 7, 2-4.9-14, o apóstolo apresenta o número incalculável dos seguidores de Jesus, o Cordeiro de Deus. Serão de todos os povos. Estarão marcados em suas frontes com o sinal divino de filhos de Deus, com suas veste brancas (lavadas no sangue do Cordeiro) e palmas nas mãos. Saudavam o Cordeiro divino com pessoas de todos os povos juntamente com todos os anjos dizendo: O louvor, a glória, a sabedoria pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém.

O apóstolo tenta com imagens de harmonia e clima de amizade o que será o céu com todas as pessoas que aqui na terra realizaram o bem verdadeiro para si e para os outros, todos guiados por Cristo, cuja figura do Cordeiro imolado lembra o preço desta felicidade: sua crucifixão, resumo de todo o sofrimento humano divino por todas as pessoas.

O célebre artista e pintor Fra Angélico em suas pinturas, inventa mil figuras com que sua imaginação quase infantil tenta retratar a vida de nossa união com Deus, a própria presença de Deus, o céu, o purgatório, inferno, com figuras angélicas representando os sentimentos que transformam as pessoas.

Cada um de nós também, seja em nossa imaginação, seja até em nossos sonhos usa também dessas fantasias para que correspondam à realidade que queremos retratar.

E quem tem muitos filhos ou lida com crianças, seja falando, conversando, ou lendo algum livro fantasioso, buscamos descermos à simplicidade, pureza, ingenuidade das crianças para inventar histórias que sirvam de exemplo de vida para elas.

Alguns santos também nos contam como às vezes imaginam a presença de Deus em suas vidas, para com simplicidade e fé singela se coloquem diante de Deus.

Experimente despojar-se da casca de pessoas adultos já menos sensíveis para ter um encontro semelhante com Deus de bondade, amor, Pai carinhoso e amigo.

DA 1ª. CARTA DE JOÃO, 3, 1-3, o Senhor nos fez seus filhos, mesmo estando ainda no mundo, e ainda nem percebemos toda a riqueza que é sermos tão queridos de Deus nosso Pai. Um dia sentiremos totalmente como este amor divino nos transformará.

Nesta mesma linha de simplicidade a que Santa Teresinha chamava de infância espiritual, apresentemo-nos com humildade e confiança diante de Deus, como as crianças de seu tempo na Palestina. Os apóstolos, homens afeitos á dureza dos combates com as águas do lago em sua pesca, às vezes também ficavam com seus sentimentos meio endurecidos em relação a si mesmos, às pessoas e até a Deus.

A oração pode desarmar nosso espírito, obrigando-nos a ajoelhar com humildade, ou tomar uma posição de ouvinte atencioso, com os braços mais suplicantes que dominadores para nos encontrar com Deus.

Quantas vezes na vida de Jesus encontramos pessoas que vinham a Ele pedir-lhe um favor, uma graça, um milagre e se ajoelhavam e com voz humilde e suplicante se colocavam totalmente nas mãos de Jesus. Às vezes até dizem: Senhor se podes...

É como alguém que está doente e vai ao médico, não vai exigir dele: senhor médico, o senhor precisa me curar, eu preciso... Pelo contrário apresenta-se necessitado, conta seus problemas, suas dores e espera confiante a palavra amiga que oriente sua cura.

EM MATEUS 5, 1-12, neste trecho chamado das bem-aventuranças, isto é, os caminhos da felicidade, Jesus qualifica os gestos das pessoas que entenderam seus mandamentos e seguiram suas orientações para bem viver com todas as pessoas. Pobres, desapegados dos bens desta terra, os aflitos que confiam em Deus, os mansos, os que são justos com todos, os misericordiosos, os de corações puros, os que promovem a paz, os que sofrem por causa d´Ele.

Nossa natureza humana tão cheia de qualidades se desenvolve na medida que vai reagindo a todos os estímulos exteriores, criando hábitos que favorecem nossa saúde física e são suporte para nossa saúde mental.

Tudo em nós converge para atender ao que nossa inteligência apresenta como bem para todo o nosso ser, mas de modo especial para equilibrar nossas ideias, julgamentos, sentimentos e busca realizar o ideal que propomos para nossa vida.

E a parte da religiosidade é caminho e ocasião para que tudo em nós e em torno de nós, em nossas ações, na convivência com outras pessoas na família, no trabalho, na vida social e claro na participação de Deus em nossa vida, crie em nós e em torno de nós o que Jesus chamava de seu Reino, Reino de Deus, reino dos céus.

Uma obra literária expressa num filme pode nos colocar diante de uma imagem aproximada do que é o céu: O Shangri-la.

Seria uma cidade onde tudo se harmonizava no entendimento, na aceitação de todos, na convivência fraterna de felicidade que tomava conta de tudo. Onde tudo era de todos e havia em todos a satisfação de viver nessa harmonia que criava uma paz completa e estável.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

out 28

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – MESTRE, QUERO VER DE NOVO –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM JEREMIAS, 31, 7-9, o Senhor diz: gritem de alegria por Jacó (os da família dos judeus). O Senhor salvou seu povo. Eu os levo de volta todos, o cego, o coxo, as mulheres grávidas. Vou levá-los por caminhos retos, sem tropeço. Eu sou um pai para Israel.

O profeta depois de descrever as dificuldades, os problemas, e anunciar até desgraças por causa da infidelidade do povo e de sua situação de exilados em terra estranha, expressa neste trecho a alegria e felicidade de Deus por poder resgatar ainda que seja um resto, uma parte do povo escolhido.

E promete não só acompanha-lo, mas tirar todas as dificuldades de seus caminhos, cuidando dos que estão situações de fragilidade.

Nesta e em tantas outras passagens da História do Povo de Deus, o Senhor que jamais deseja o mal para ninguém e se sente constrangido quando permite provações, manifesta também a alegria que é sua nota característica quando as pessoas conseguem retornar para o bom caminho.

O que Deus mais deseja é ver nosso rosto alegre e agradecido por suas atenções e carinho.

Várias parábolas e milagres de Jesus manifestam sempre a felicidade de Deus, como um pai cuidadoso, quando as pessoas que se afastaram do caminho do bem ou da saúde, voltam-se para Ele curados e abençoados.

NA CARTA AOS HEBREUS, 5, 1-6, o autor sagrado apresenta o sacerdote que vem do meio do povo para oferecer sacrifícios pelos pecados. Compreende os que erram. Oferece sacrifícios pelos pecados do povo e de seus próprios. Cristo recebeu daquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei... Tu és sacerdote para sempre.

Sacerdote é aquele que oferece algo sagrado a Deus ou transforma a pobre oferta das pessoas como presente sagrado, abençoado, agradável para Deus.

 No início da criação do universo o Senhor deu de presente ao ser humano esta terra com tudo o que ela é, tem, representa e oferece. A palavra usada é que o ser humano domine sobre todas as coisas (Gn 1,26b) como presente valioso em herança para seus filhos.

Por sua inteligência, vontade, sensibilidade e liberdade, o ser humano espiritual acima dos outros seres, seria o sacerdote deste universo. Não é dono do que recebeu, mas tudo está a seu serviço, para com estes presentes ser a voz, o louvor, o agradecimento ao seu Criador, apresentando como oferta sagrada a Deus seu Pai, pelos presentes com que cada dia alegra sua vida.   

Com a desobediência ao Criador e com dificuldade de respeitar este universo e usá-lo para o bem, por ter-se afastado de Deus, o homem precisou de alguém que não desfigurado pelo pecado pudesse de novo se apresentar para oferecer seus presentes ao Pai. Jesus veio para caminhar à nossa frente e ser sacerdote para sempre em nossa vida.

Unidos Ele, o grande e eterno sacerdote, somos bem representados para manifestar ao Pai nossa adoração, louvor e agradecimento com e por todas as criaturas e pelas ações de nossa vida. E também, perdoados de nossos pecados, possamos ser mesmo na casa do Pai sua alegria e felicidade.

EM MARCOS, 10, 46-52, em Jericó o cego Bartimeu estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus estava passando, gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”. Alguns mandavam que ele não gritasse tanto assim. Mas ele mais ainda suplicava ao Senhor.  Jesus parou, mandou chamá-lo. De um pulo foi até Jesus que lhe perguntou: “que quer que eu faça por você?” E ele: “meu Mestre, quero ver de novo.” E Jesus: tua fé te curou. Começando a ver de novo, o cego seguia Jesus.

Muitas lições neste pequeno trecho. Um mendigo, sentado à beira do caminho, excluído da sociedade pela cegueira (tido por muitos como castigo de Deus!) Quantas pessoas havia passado por ali... Mas quando ouve o vozerio da multidão, percebe que é Jesus que estava ali, de quem já haviam falado a ele.

A súplica dele em gritos já é um ato de fé: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim! Expressão que o reconhecia como o Salvador prometido. Mandam que cale a boca, que não incomode, que fique ali com sua cegueira desprezado à beira da estrada.

Imagine perder esta ocasião! Continua a gritar. Jesus manda chamá-lo. Os que foram lhe disseram: coragem! Ele te chama, Levanta-te!  Deixando seu manto, deu um pulo! Confiava tanto que não precisava mais daquele andrajo de mendigo cego. E caminha firme e esperançoso. Jesus ainda o provoca: que quer que eu lhe faça?

Ele, feliz o chama já de meu Mestre!  Mestre em todos os sentidos, senhor de tudo, de minha vida, de minha cegueira! E Jesus o cura por causa de sua fé.

Ele nem pensou duas vezes, em vez de voltar para sua família, para os seus, foi seguindo Jesus pelo caminho!

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

out 21

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

29º. DOMINGO COMUM – NINGUÉM RECEBE QUALIDADES PARA SI –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

ISAÍAS 53, 10-11, é profecia que diz direto sobre Jesus: o Senhor o provou com o sofrimento. Por isso ofereceu sua vida para obter o perdão de suas faltas.    

Muitas vezes as profecias do tempo antes de Cristo sobre o próprio Cristo, Salvador prometido, falam de seus sofrimentos como preço e paga de nossa salvação.

Podemos aproveitar exemplo simples e que se repete muitas vezes como sinal de que o amor aos outros é o maior valor de nossa vida. O amor da mãe por seu filho. Em todos os momentos: de saúde, de alegria, de carinho, de resposta sincera de confiança total da criança à sua mãe, principalmente em momentos de doença.

Em nossa vida humana desenvolvemos nossas qualidades físicas e espirituais por meio de esforços para ir superando os obstáculos, isto é, por uma ação que vá vencendo as dificuldades.

Só conseguimos vencer etapas com esforço e superando os empecilhos. A própria natureza viva dos seres é assim: precisa sair de si mesmo, caminhar, ir ao encontro do que necessita e deseja para se transformar e desenvolver-se.

O que a Palavra de Deus chama de sacrifício como meio de transformação pessoal ou de oferta a Deus para colocar-se em suas mãos para si e para outros, é apresentado como meio de salvação que Jesus realizou por todos nós.

E em seu caso foi sofrimento causado por pessoas religiosas que por inveja o condenaram à morte na cruz.

CARTA AOS HEBREUS 4, 14-16, o escritor sagrado chama Jesus de Sumo Sacerdote porque assumiu a responsabilidade primeira de sacerdote para suplicar a Deus por nós. Por isso foi provado em tudo.  Assim aproximemo-nos com confiança do trono da graça para conseguir misericórdia no momento oportuno.           

Entre os judeus, o sumo Sacerdote era a mais alta autoridade no campo da vida religiosa e administrativa do povo judeu. De alguma forma seria a pessoa que podia e devia apresentar a Deus nas cerimônias religiosas e na condução da comunidade tudo o que dizia respeito ás suas necessidades e ao culto a Deus.

Jesus é o Sumo Sacerdote da Nova aliança que por si e em nosso nome apresenta ao Pai o louvor, a adoração, a oferta do fruto de nossos trabalhos, e a entrega de nossa vida de tudo o que somos e fazemos, ao Pai.

E visto que nem sempre estamos em dia em nosso amor e entrega ao Pai, porque pecamos, Cristo por sua vida, ensinamentos, paixão e cruz intercede em nosso favor, pedindo perdão de nossos pecados e fortalecendo nossa frágil vontade com suas graças, sua presença salvadora, por meio dos sacramentos de sua Igreja que nasceram do lado aberto de Cristo na cruz..

A salvação que nos vem de Cristo começou com sua vida e sofrimentos e continua em sua Igreja de modo especial no Santo Sacrifício da Missa. A diferença do sumo Sacerdote judeu era que ele também pedia por si mesmo, pois era um ser humano com seus pecados. Por isso também, como os outros, necessitava do perdão de Deus para poder louvar, agradecer e adorar o Deus Santo e forte.

MARCOS 10, 35-45, Tiago e João foram pedir a Jesus lugar especial em seu reino. Jesus pergunta se iriam beber do cálice que ele beberia. Disseram que sim. Jesus confirmou que iriam beber sim. Mas que seu pedido só o Pai de Cristo podia conceder. Quando os outros apóstolos souberam do pedido deles ficaram aborrecidos. Jesus lhes diz que entre eles não pode acontecer isso. Quem quiser ser maior deve servir os outros.

Os evangelistas são sinceros e verdadeiros pois apresentam os fatos, dizeres de Jesus, dos apóstolos e do povo como de fato aconteceram. Nada é inventado ou fruto de entusiasmo do momento. E como os apóstolos eram como nós somos, aparecem suas faltas, erros, discussões. Que são oportunidade para Jesus orientar melhor suas vidas agora e depois quando estiverem com as responsabilidades de serem na Igreja evangelizadores.

Algumas vezes Jesus precisava chamar à atenção dos discípulos sobre esta nossa fraqueza e mania de disputa, de querer estar na frente, em evidência.

Santa Madre Teresa de Calcutá estava na cerimônia em que iria receber um prêmio por seu grande trabalho comunitário em favor dos mais necessitados. Depois dos discursos e distribuição dos prêmios todos foram para o coquetel de comemoração. Procuraram a irmã. Tinha sumido. Fora embora com a ajuda para seus pobres.

Para Jesus quem é mais, quem tem mais possibilidade, quem pode mais deve servir aos outros. Ninguém recebe qualidades para si. E quando com esses dons vamos ao encontro dos outros nós nos tornamos mais ricos, mais capazes mais amados e mais felizes.

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* Mons. José Maria Pereira, Sacerdote da Diocese de Petrópolis, é, também, Professor, Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Niterói e Diocesano de Petrópolis e Vigário Paroquial de Nossa Senhora de Fátima  enviando para o Blog, semanalmente, a homilia do domingo.

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