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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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out 14

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

28º DOMINGO – A PALAVRA DE DEUS É VIVA –

*Por Monsenhor Paulo Daher - 

NO LIVRO DA SABEDORIA 7, 7-11, o autor diz que recebeu a prudência no espírito de sabedoria, que é mais que a sabedoria humana, mais que as riquezas, pedras preciosas. Mais que a saúde e a beleza. Todos os bens vieram com ela para minha vida.

O Espírito da Sabedoria é um dom divino muito rico que pode envolver toda a vida de uma pessoa e a transformar.

Primeiro parece um dom para valorizar a inteligência humana capacitando-a a orientar para o melhor nossa vida.

De fato, a sabedoria se manifesta mais na atuação de nossa inteligência. Mas ela envolve todo o nosso pensar, sentir, realizar, conviver com os outros, ela é semelhante ao dom do amor.

Faz bem a quem a possui e transforma em bem-estar humano, espiritual a quem é influenciado por sua presença.

Um médico bem formado com experiência bem provada dá segurança à pessoa que precisa de seus cuidados. Ir vê-lo, conversar com ele já é meia-cura.

O valor da verdadeira sabedoria como dom divino é que beneficia a pessoa que a tem e a cultiva e é capaz de transformar o ambiente em que vive e trabalha e as pessoas que com ela convivem.

Somos tão influenciados pelo brilho da vaidade que a vida nos apresenta com seus atrativos e temos pouca experiência da liberdade que o desprendimento das coisas passageiras nos dá que custamos a entender a paz e a segurança que conquistamos por colocar mais nossa esperança no Senhor.

NA CARTA AOS HEBREUS, 4, 12-13, ao Palavra de Deus é viva e penetra no espírito, julga pensamentos e intenções do coração. É a ela que devemos prestar contas.

Todos os seres vivos desde cedo desenvolvem-se comunicando-se com tudo que os cerca, onde recebem o que precisam para amadurecer na vida.

Além deste envolvimento natural, como seres inteligentes e livres, sensíveis, e capacitados para desenvolver nosso lado espiritual, temos um instrumento que facilita um entendimento com os outros seres que são as palavras.

Quase tudo que conhecemos é guardado em nossa memória física e espiritual, como sinal e símbolo do ser e de sua razão de ser que podemos usar para desenvolver mais rapidamente nosso crescimento e amadurecimento.

A memória física do alimento atende à fome como caminho para a saúde. A memória espiritual de pessoas de quem recebo um bem, se apresenta pela palavra, ou por um nome e me aproxima pelo pensamento e sentimento de quem amo, como também a satisfação de ou lembrar ou estar perto da pessoa, alimenta o amor que lhe dedico ou que dela recebo.

Se nossa palavra humana nos causa tanto bem, a Palavra divina que é uma Pessoa, o Filho de Deus, não só nos guia no caminho da felicidade, mas sempre ilumina e transforma todo o nosso ser pelo calor do amor divino que transforma todo nosso viver.

EM MARCOS 19, 17, 30, alguém chamou Jesus de bom mestre e pergunta como ganhar a vida eterna. Jesus lembra os mandamentos e a pessoa diz que seguiu tudo isso desde jovem, E Jesus: “só falta uma coisa: vai, vende o que tens, dá os pobres e segue-me.” Ele ficou triste e foi embora porque era muito rico. Jesus lembra a dificuldade de quem é rico de entrar no reino de Deus. Espantados os discípulos disseram: “então quem vai poder ser salvo?” E Jesus: “para as pessoas é impossível, não para Deus.” Pedro diz: “deixamos tudo para te seguir, e então?” Jesus:” quem deixou tudo por mim receberá cem vez mais nesta vida e no futuro a vida eterna.”

O ser humano é interesseiro... Se tem de decidir o que é preciso para a sua vida, a primeira reação é: qual vantagem vou ter? Egoístas pensando muito mais em bem-estar material pessoal.

Jesus, falou sobre o Reino de Deus, Reino dos céus, Vida eterna.

A maioria das pessoas vive deslumbrada com a vida na terra, mesmo sem tantas benesses, e pensa pouco neste reino, na vida eterna. Muitos santos viveram e falaram sobre a vida que Deus reserva para nós em resposta à vida que tivermos neste mundo.

O que dificulta imaginar ou até ter momentos como será na vida eterna, é o desconhecimento da situação de felicidade eterna.

A experiência que temos na terra por melhor que seja sobre a alegria que a presença de Deus nos dá em nossa vida, é misturada com situações semelhantes, cercadas de sofrimentos ou decepções.

Entendemos pouco quando um santo revela o que viveu em momentos especiais pela presença e amor de Deus.

Seria bom descobrir em nossa vida momentos, em que tudo em volta nada significasse diante da alegria e felicidade que sentimos com a presença amorosa de Deus.

Eu tive esse momento especial quando estava sendo ordenado sacerdote em Roma em 1955, sem ninguém da minha família, mas sabendo que me acompanhavam com suas orações...  Cristo me acolhendo com tanto amor como seu apóstolo, tão feliz me abraçando como só ele é capaz de fazê-lo.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

out 07

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

EM GÊNESIS 2, 18-24, o Senhor deu poder a Adão sobre todos os animais. Mas Adão não encontrou com quem pudesse partilhar sua vida humana. Deus fez cair sobre ele um sono profundo. E da costela que dele tirou formou a mulher. Ao vê-la Adão ficou muito feliz pois era como ele. Afirma-se então: por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher. Os dois serão como um só.

Descrição simples sobre o primeiro homem e o aparecimento da primeira mulher.

Quem observa a vida dos seres sobre a terra consegue perceber suas qualidades, sua finalidade, seu domínio sobre si e sobre outros. Há uma variedade de pessoas com qualidades diferentes que se completam para realizar uma vida harmoniosa e feliz.

As pessoas pelas qualidades que tem, precisam se relacionar com o mundo exterior, com os outros seres iguais a si. Na troca de informações, nas reações com que manifestam vão desenvolvendo seus pensamentos, seus sentimentos e criando também novas situações.

Foi o que aconteceu com o ser humano na terra. Temos conhecimento simples e direto observando sua evolução do uso de novos e facilitadores meios para a vida do homem na terra, desde a vida no campo, em lugares afastados até nas cidades que foram se formando. E as descobertas e o uso das forças físicas, mecânicas, que o progresso foi utilizando no dia a dia da vida do ser humano na terra. A facilidade da comunicação à distância etc.

O destaque do trecho é o plano de Deus sobre o que pensava para vinda de mais seres humanos à terra: o amor entre o homem e a mulher que unidos pelo casamento realizariam a família.

NA CARTA AOS HEBREUS 2, 9-11, o escritor sagrado fala sobre Jesus que veio da parte do Pai como o Salvador esperado, a razão de tudo o que existe e desejou conduzir a todos de volta para o Pai, E foi por meio dos sofrimentos que realizou

O autor sagrado quer ajudar seus irmãos judeus a confirmar sua fé em Deus que cumpre a promessa de enviar o Salvador anunciado pelos profetas, que é o Senhor Jesus. Destaca a maneira como seria realizada a salvação, que não chamava muito à atenção dos judeus: nos conquistará pelo sofrimento.

Houve épocas e há instituições religiosas ainda hoje que quando falam de sofrimento como meio de purificação, dão impressão de masoquismo. È preciso sofrer para conquistar o reino dos céus.

Em nossa maneira de viver embora tenhamos recebido de Deus muitas qualidades e as devamos desenvolver para nosso amadurecimento, sabemos que exigem de nós procura, esforço, conquista que em geral chamamos de sofrimento.

Podemos entender melhor a palavra sofrimento como necessidade de nos mexermos, de buscar, de trabalhar para conquistar o que precisamos para nossa sobrevivência.

Uns operários trabalhavam com pedras preparando-as para coloca-las na construção de um edifício. Um dizia que era árduo seu esforço, sentia-se cansado. O outro declarava que precisava deste trabalho pesado para sustentar sua família. O terceiro, muito alegre e feliz dizia que estava construindo uma Catedral.

O trabalho e esforço eram os mesmos, mas a visão diferente.

EM MARCOS 10, 2-16, os fariseus perguntam a Jesus sobre o divórcio que Moisés permitira no casamento. Jesus responde isto foi por causa da dureza dos corações das pessoas, mas no início não era assim. Por isso o homem não separe o que Deus uniu.

Os fariseus procuravam situações que preocupavam as pessoas e as apresentavam a Jesus. Não para terem resposta, mas para confundir o Senhor que sempre tinha a resposta mais verdadeira.

Nossa busca de uma vida religiosa mais segura, autêntica e com crescimento deve ser sempre sincera. Sem desculpas nem meias verdades. Não tenhamos medo da verdade. Procuremos sempre a melhor solução.

Quem observa a vida humana, a necessidade de poder caminhar com segurança e sentir o valor de nossa participação para nós e para todos que dependem de nós, percebe que tudo começa com a família. Como Deus a programou.

O ser humano é dependente desde que nasce até a hora de sua morte. Essa dependência não nos humilha, nem nos desmerece. O relacionamento entre as pessoas faz parte de nossa natureza que precisa sempre de comunicação com a vida, com os outros em tudo. Não perdemos nossa identidade nem diminui o que somos.

Quando Jesus disse que quem perder sua vida vai ganha-la (Mc 8,35) tem também este sentido. Conviver com as pessoas, buscar união de ideias, de trabalho, de conselhos, faz parte de nosso crescimento. A dependência não nos faz menos gente, pelo contrário dá-nos oportunidade de pertencer a uma grande família.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

set 30

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

26º. DOMINGO COMUM

*Por Monsenhor Paulo Daher –

NO LIVRO DOS NÚMEROS, 11, 25-29, o Senhor retirou seu espirito de Moisés e o deu aos anciãos. E eles começaram a profetizar. Dois homens que estavam no acampamento longe também profetizavam. Avisaram a Moisés. Josué pediu que os proibisse. E Moisés: que todo o povo profetizasse. E que o Senhor lhe concedesse seu espírito.

Deus é Senhor absoluto de vida de cada pessoa e pode se valer de quem Ele quiser para realizar seu plano de amor para com as pessoas. Só ele conhece nossa mente e coração totalmente(Sl 138;139)

Os responsáveis pela vida religiosa das pessoas, tem critério de seleção para a escolha para que atinjam o que pretendem.

Deus pode se valer desses critérios humanos, mas sua sabedoria trabalha o coração de qualquer pessoa. Porque nós nos limitamos demais sobre o que vemos e sentimos hoje e agora até na aparência das pessoas. Deus, não.

A história nos apresenta pessoas que por sua aparência e situação jamais esperaríamos o que de fato depois aconteceu.

João Maria, humilde, com dificuldade nos estudos, adolescente desejou ser padre. Estudava muito. Não conseguia acompanhar os outros. Mas era muito fervoroso, e crescia em sua vida espiritual. Chegou o tempo de ser ordenado padre. O bispo dele não queria. Mas o padre que o acompanhava, disse que ficaria com ele em sua paróquia. Assim foi ordenado padre. Substituiu seu pároco quando este morreu. Depois foi para a pequena cidade de Ars. E aí foi zeloso e atraiu toda a França para se confessar com ele. Ele é São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos.  

NA CARTA DE SÃO TIAGO 5, 1-6, o apóstolo clama contra os ricos. Desvaloriza a riqueza. Seu ouro e prata estão enferrujando... Estão amontoando tesouro com o salário dos empregados sem lhes pagar o que é justo. Seu clamor subiu aos céus. Condenastes o justo.

A Palavra de Deus muitas vezes condena os que adquirem riquezas prejudicando outras pessoas principalmente quando privam pessoas humildes de seu pão de cada dia.

A injustiça social é tão ou mais prejudicial quanto a mentira. E sua gravidade causa um mal direto. E só vai crescendo porque é insaciável. Quanto mais tem, mais quer.   

Os bens da terra são para todos. Mas como de fato precisam ser conquistados, uns lutam e conseguem, outros ou por cultura, ou por falta de oportunidade ficam sempre dependentes dos outros.

Há pessoas a quem se se dá oportunidades vão crescendo e vencendo. Outros não tem tanta garra. Mas nem por isso poderão ser reduzidos a escravos dos mais poderosos.

O dinheiro por si mesmo é mau conselheiro porque causa impressão de poder para quem o tem e sobre as outras pessoas.

Às vezes a riqueza favorece uma vida fácil de prazeres sem se importar com o prejuízo para a própria saúde física e moral. Outras vezes cria um apego tal que se torna avareza, não se gastando nem com o necessário para que no futuro não lhe falte nada. E muitos nem gozam a vida pois pode não alcançar nem futuro.

EM MARCOS 9, 38-43.45.47-48, os apóstolos disseram a Jesus que alguém que não andava com eles estava expulsando demônios. “Nós o proibimos.” E Jesus: “não proíbam... Quem não é contra nós, é a nosso favor. Quem der um copo de água a alguém porque é de Cristo terá sua recompensa. Quem escandalizar um pequeno, seja jogado ao mar. Se teu pé, mão e olhos  te levam a pecar, corta-os. É melhor entrar no céu sem eles do que ir com os dois para o inferno.”

Em qualquer lugar do mundo, tenham ou não religião, podem ser encontradas pessoas que são boas, que respeitam os outros e são responsáveis. Porque cada pessoa possui dons capazes de as iluminar apontando o bem a escolher e o errado a se afastar dele.

A religião cristã tem o equilíbrio para organizar melhor a vida de qualquer pessoa. Na medida de sua participação na vida religiosa a pessoa pode amadurecer e criar condições melhores para viver de sua fé e crescer em seu amor a todos.

Podemos dizer que desde cedo a pessoa pela educação numa família cristã, e na participação na vida religiosa tem mais condições de realizar o ideal de sua vida. Além de facilitar o tempo e a presença mais frequente de Deus em sua vida que lhe dará a felicidade que tanto deseja aqui na terra e depois na eternidade.

Jesus nos chama à atenção para o mau exemplo que os adultos podem dar às crianças ou às pessoas mais simples. E afirma que esta atitude grita aos céus clamando “vingança” divina. Pois a criação deste universo, mas de modo especial do ser humano desde cedo está a exigir um cuidado especial e uma exigência de os mais velhos darem exemplo e jamais prejudicar os mais simples.

_______________________________________________________ *Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

set 23

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

25º DOMINGO COMUM – QUEM QUER SER O PRIMEIRO DEVE SER O ÚLTIMO –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

SABEDORIA 2, 12-.17-20,  afirma que  a presença das pessoas justas  incomoda e reprova as transgressões da lei. O justo é filho de Deus. O Senhor sempre o  livrará dos inimigos. Mesmo sendo provado nas torturas estará sereno com sua paciência. Sempre alguém virá em seu socorro.

Este livro da Bíblia ilustrado pela vivência de pessoas comprometidas com a verdadeira vida apresenta situações e orientações da experiência de tantas pessoas que servem de lição de vida para nós. E iluminada pela sabedoria de Deus ilumina mais ainda os caminhos que devemos seguir para alcançar a felicidade que tanto desejamos.

Temos este dom de Deus que é a consciência: a capacidade de julgar nossos pensamentos, sentimentos e ações. Ela aprova o certo e reprova o errado. Mas este errado é o que mais nos alicia e faz gozar de um bem estar passageiro que nos engana e nos afasta do que é o verdadeiro caminho para nossa felicidade.

Mas como nos enganamos na escolha do melhor caminho e a consciência nos incomoda com sua luz vermelha que nos chama à atenção, assim também nos incomodamos com a luz vermelha da vida das pessoas justas que seguem o caminho certo.

Precisamos ser mais sinceros conosco mesmos e aceitar, mesmo que nos incomode, a orientação mais segura de nossa consciência e do exemplo de pessoas mais tementes a Deus.

Nesta luta moral de escolhas não estamos sozinhos; O Senhor acompanha de perto nossos passos e nos ajuda a sempre buscar o caminho mais certo que nos levará à verdadeira felicidade.

TIAGO 3, 16-4,3, o apóstolo escreve que a inveja e as rivalidades são desordens que levam a fazer ações erradas. O que deve guiar-nos é a sabedoria que vem do alto? Pacífica, cheia de misericórdia sem fingimento. É daí que se consegue a paz. Quando as paixões tomam conta então todos se desentendem. Mas em todas essas dificuldades devem pedir a Deus que nos liberte  e nos una.

As lições práticas deste apóstolo são sempre muito úteis para orientar melhor nossas vidas e nossa convivência com as outras pessoas

O que é a inveja e porque nos deixamos levar por ela? Inveja é vendo o bem que as pessoas fazem ou são, ao invés de nos alegrarmos com elas e as imitarmos no bem que realizam, nos incomodamos talvez por não conseguirmos ser ou seguir o que elas são e seguem.

É a repetição da oração do fariseu(Lc 18,10): eu te agradeço meu Deus porque não sou como a outras pessoas: E aí enumera todos os que erram.

A inveja é um sentimento de mágoa que não leva a nada. Se despertasse uma vontade de fazer o que outros realizam para serem tão bons, valeria a pena.

A inveja levanta um muro entre nós e a pessoa que mostra uma qualidade que talvez não tenhamos. E não temos a humildade de reconhecer que outros sabem seguir o melhor e nós não.

O que cada pessoa é ou tem deve nos estimular a buscar o mesmo ideal e nos alegramos por sermos irmãos de gente tão boa.

MARCOS 9, 30-37.  Jesus prevê sua prisão, sofrimentos e morte, mas afirma que vai ressuscitar. Os apóstolos nada diziam. Mas estavam discutindo pelo caminho. E Jesus pergunta sobre que? É que estavam disputando quem deles seria o maior. Jesus os chama para perto de si e lhes diz que quem quer ser o primeiro deve ser o último, o que serve a todos. Chama uma criança e diz: quem acolher uma criança estará acolhendo a ele mesmo e ao Pai que o enviou.

Somos muito contraditórios como os apóstolos. Ouvimos o que queremos e discutimos o que não podemos ser ou fazer.

Jesus teve muita paciência com os apóstolos, gente simples mas ambiciosa como nós, e talvez até esperançosos por estar com Jesus poderoso e sábio.

Nós até nos consolamos vendo que os apóstolos que estavam

todos os dias com Jesus, fazendo os mesmo milagres que Ele, contentes de seguirem uma pessoa tão poderoso e inteligente, também erravam como nós.

Estar com Jesus por perto e mesmo dentro de nós não é garantia de que somos melhores. Ele sim, é santo e sábio. Mas quem está com Ele só o será se o imitar em tudo. Não há transformação só da parte de Deus se faltar a nossa colaboração e participação.

Jesus apresenta a criança como modelo por sua simplicidade e verdade e seu sincero amor a quem lhe faz bem. Todos conhecemos exemplos de crianças que nos espantam com sua simplicidade verdadeira e seu amor muito sincero. Parece até que elas tem uma certa alegria para o fingimento e o faz de conta de alguns adultos.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

set 16

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

24º. DOMINGO DO TEMPO COMUM – “TU ÉS O MESSIAS!” –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

EM ISAÍAS 50, 5-9, o profeta prediz os sofrimentos de Cristo: os açoites, os tapas, as cusparadas. Apesar das humilhações não se deixará abater. Deus virá em seu auxílio.

Em geral a promessa do Salvador que viria para mostrar o poder de Deus que protege seu povo e o livra de toda a dominação estrangeira é sempre a esperança que vence todos os obstáculos.

O profeta prediz sofrimentos, humilhações derrota. Isso confundia a cabeça dos judeus. Um dia Pedro também reagiu a isso afirmando: Que nada disso vai acontecer, Senhor.(Mt 16,23)

É comum o pensamento de achar que saúde, força, qualidades, posição social, dinheiro, sabedoria, vencer sempre sem obstáculos, isso sim é que é vitória e domínio de toda e qualquer situação.

Estamos habituados a ver cada dia que a superação de qualquer problema, o domínio sobre a vida, não se consegue num estalo de mão mágica. Tudo cada dia custa trabalho, esforço, sacrifício. Como modelo de domínio sobre coisas e fatos deste mundo é a vinda da criança: desde o primeiro momento de sua existência no ventre materno pede cuidados, atenção, sacrifícios e dores até o primeiro grito de choro da criança ao nascer.

A gestação, o parto de nossa vida divina custou muito para Cristo. Mas após sua entrega nas mãos do Pai(Lc 22,46), pode afirmar aos apóstolos e a nós: Confiem, não tenham medo, eu venci a morte.

NA CARTA DE TIAGO 2, 14-18, o apóstolo fala sobre o valor da fé que se fortalece com a caridade, pela atenção às pessoas de modo especial às necessitadas.

Em seus conselhos práticos para uma verdadeira vida cristã este apóstolo caracteriza a fé como uma força, uma virtude ativa, e não só um sentimento de confiança em Deus, fiando-nos em seu poder e colocando-nos em suas mãos divinas.

A fé é o alicerce, a força motriz do que pretendemos fazer e realizar. Não é uma certeza da razão nem a confiança filial e total de que tudo dependa de Deus.

Sim, os braços que nos acolhem, as mãos que seguram nossas mãos são as de Deus. Mas não quer que estejamos sentados, à espera de Ele resolver todos os nossos problemas.  Ele precisa de nossas mãos e de nossos passos na direção dos outros irmãos. Fé sem caridade, acreditar no Deus do amor, sem ter o calor do amor aos outros em nossos corações e em nossas mãos é ilusão.

Amizade sem sensibilidade em relação a tudo o que diz respeito à pessoa amiga é palavra sem sentido. Um provérbio antigo dizia:  O amigo certo comprovamos nas horas incertas.

O pequeno grupo de pessoas ao pé da cruz de Cristo, no momento mais crucial de sua vida, com à frente Maria, ajudou Jesus  (se pudermos assim dizer!) a ser fiel até o fim  à missão que seu Pai lhe confiara.

EM MARCOS 8, 27-35Jesus pergunta sobre a opinião que as pessoas tem sobre Ele. Uns diziam ser João Batista que voltara, ou o profeta Elias ou algum profeta. Jesus pede a opinião deles. Pedro diz: “Tu és o Messias.” Jesus pede para não dizerem nada a ninguém. Jesus  começa a falar sobre os sofrimentos que teria. Pedro reage contra. Jesus pede que se afaste dele com esses pensamentos contrários ao Pai. Termina: “Quem quer seguir-me, tome sua cruz. Quem perder sua vida por mim se salvará.”

Deus conhece nossos pensamentos, sentimentos, desejos, sonhos. Mas como um pai quer que nos expressemos com nossas palavras.

Jesus ficou contente com a definição de Pedro sobre Ele e sua missão. E em São Mateus(16,18) neste momento Jesus promete dar a Pedro a responsabilidade maior de sua futura Igreja.

Há famílias que tem o costume de se encontrar para conviver na alegria, na união, comemorando data festiva. Isto contribui para que todos se sintam mais perto, mais amigos. São momentos de lembrar acontecimentos especiais da vida de cada um e manifestam amor sincero e apoio para situações de sofrimento. É sinal vivo de um amor verdadeiro e à toda prova.

Jesus provocava estes momentos de harmonia, paz, felicidade. Mas tinha de preparar seus apóstolos, tão encantados com seu poder divino a toda a prova, para o que estava para vir, de sofrimentos e “derrotas”.  E não era fácil, como não é fácil para nós quando somos totalmente envolvidos num clima de alegria, felicidade, encantamento quando um fato doloroso bate à nossa porta.

Pedro reagiu como nós também reagimos e nos espantamos: e então, Deus não é todo poderoso? Não somos seus filhos queridos?

A fé não é virtude de descanso: sempre nos convida à luta para conquistarmos, como Jesus: “a luz, pela cruz!”

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

set 09

SEMANÁRIO DOMINICAL – ABRE-TE!

PAULO DAHER - 2018

23º. DOMINGO  - ABRE-TE!

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM ISAÍAS 35, 4-7a, o profeta pede às pessoas deprimidas que criem ânimo sem medo. O Senhor vem para salvar. Os cegos recuperarão a visão, os surdos vão ouvir, os mudos hão de falar, os coxos andarão, a terra se encherá de fontes de água.

Na vida nenhum dia é igual ao outro.  Se os dias fossem iguais seria rotina cansativa. Nosso espírito que reage aos estímulos externos de fatos e pessoas, está sujeito às mais variadas reações.

Para umas pessoas o frio é agradável, para outras não. O calor cansa alguns enquanto a outros estimula. A chuva traz memórias boas ou desagradáveis para certas pessoas. Enfim a vida é um continuo modificar-se crescendo e renovando-se.

O amadurecimento da personalidade acontece com a capacidade que tivermos de ir vencendo os obstáculos olhando sempre para a frente e para o alto.

A depressão e o estado de espírito em que alguém se sente desanimada não pode tomar conta de nossos sentimentos e desejos de ação. Parece alguém que está caminhando de cabeça baixa, curvado, com passos arrastados. Se determinamos chegar a algum lugar devemos levantar a cabeça, firmar os pés e dar passos largos na direção do que queremos e precisamos.

O profeta propõe a quem está desanimado que levante a cabe-ça para o alto, para o Senhor e confie nele sem medo. Terá nova visão de coisas e pessoas. Ouvirá bem e melhor a voz do Pai que nos ama. Caminhará com presteza e alegria em sua direção. A alegria tomará conta de seu rosto feliz, disposto a seguir adiante com a luz de nosso Guia seguro que nos acompanha sempre.

EM TIAGO 2, 1-5, o apóstolo lembra que  não devemos discriminar as pessoas. Tratar a todos como irmãos, somos filhos de Deus. Demos a todos o mesmo tratamento, e atenção respeitosa.

Quando este apóstolo afirma que a fé sem ações é morta (2,17) ele relembra a palavra de Cristo: o amor aos outros confirma que cremos e amamos a Deus.

Discriminar as pessoas é amar a um e desprezar o outro. Favorecer a uns e deixar de lado outros. Se somos todos os irmãos todos merecemos ser amados por todos.

Podemos sentir simpatia de alguém, apreciar suas qualidades e até sua capacidade de trabalho. Mas na convivência como dizia S. Paulo não há judeu, nem grego... somos um em Cristo (Gal 3, 28)

As diferenças de temperamento, de qualidades, de conhecimentos, de cultura, de nível social não devem favorecer  para dividir, mas para ajudar-nos uns aos outros. Foi a proposta e o sinal para o seguidor de Cristo: todos temos o direito e a vocação para servir. (Mt 20,28)

O ser humano mais perfeito que Deus criou e que foi escolhido para ser a Mãe de Jesus, Deus e Homem, quando o anjo Gabriel recebeu sua resposta positiva e voltou para Deus, ela que disse ser a serva do Senhor, foi servir sua prima Isabel grávida. 

EM MARCOS 7, 31-37, trouxeram um homem surdo que falava com dificuldade Jesus afasta o homem da multidão, põe seus dedos nos ouvidos dele, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Disse: “Effatá. Abre-te.”  E o homem se curou. Pediu que não dissessem nada a ninguém. Mas quanto mais proibia, mais divulgavam. Diziam: “Ele tem feito o bem a todos.”

Todos nós sofremos quase sempre de algum tipo de surdez: física, social, moral e espiritual.

Surdez física bem conhecida de todos: quando a pessoa ouve pouco ou nada. A surdez social ou política é a atitude indiferente de responsável pelo bem de trabalhadores e da população em geral.

Surdez moral é não ouvir nem seguir a formação moral que orienta a honestidade de vida, propondo liberdade sem responsabilidade.

A surdez espiritual ou religiosa é não aceitar Deus em sua vida, nem aceitar nenhuma manifestação de fé religiosa.

Todos temos um pouco ou muito de falha nalguma surdez

Podemos dizer que a pior surdez é a religiosa pois sem ouvir Deus perderemos o rumo de nossa vida.

Deus que nos criou. Fez-nos seus filhos, não está ligado a cada um de nós só pelo primeiro instante de seu sopro vital.  O cordão umbilical que nos liga a Deus nunca pode se romper com o risco de desligar-nos da fonte necessária de vida em todos os sentidos. 

A pior surdez é a de quem não quer mesmo ouvir.

Qual é o nosso tipo de surdez? Tem cura? Não é hora de ir ao médico divino e pedir que fale a nossos ouvidos: Efatá! Abre-te!

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* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

set 02

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

22º DOMINGO COMUM –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

NO LIVRO DO DEUTERONÔMIO 4, 1-2.6-8, Moisés recomenda ao povo que ouça as leis ensinadas para entrar na posse da terra prometida. Que os outros povos possam dizer: “esta nação é grande, sábia e inteligente a quem está presente o Senhor Deus que sempre invoca.”

Em nossa vida pessoal, na família, na sociedade o que somos e fazemos tem influência na vida dos outros. Conhecemos o provérbio que ensina: a palavra voa, o exemplo de vida  convence, arrasta.

Além de por convicção e fé os judeus seguissem as orientações que o Senhor lhes dava por meio de seus profetas e justos, os povos vizinhos não podiam deixar de reparar todo o benefício que era eles seguirem sua fé.

Conhecemos famílias e pessoas que com sua vida honesta, por sua vida religiosa são admiradas por outras que sentem dificuldade na convivência com os seus, por lhes faltarem convicções religiosas e vida honesta.

Houve santos que eram de famílias pobres, carentes e até de pouca instrução, mas de participação na vida religiosa. O bem se comunica por si mesmo. Como o mal também. Só  que o bem tem sempre a bênção e presença de Deus.

Devemos sempre semear o bem pelas palavras e com nossa maneira de ser e agir. Mesmo que ambiente em que vivemos seja hostil ou indiferente, Deus não deixa perder a semente do bem que vamos semeando. Fará frutificar.

NA CARTA DE SÃO TIAGO 1, 17-18.21-22.27, o apóstolo lembra que tudo de bom recebemos de Deus, pela palavra da Verdade. Sejamos mais praticantes da Palavra e não só ouvintes. Diante de Deus, ser religioso é servir os órfãos e as viúvas em suas dificuldades e não se deixar contaminar pelo mundo.

São Tiago é simples, direto e firme em suas afirmações. As verdades apresentadas sobre a fé, vida religiosa, bons exemplos, atenção a todos, em especial aos mais abandonados são fáceis de entender e mostram que podemos seguir o que o Senhor nos pede porque Ele está sempre a nosso lado, incentivando-nos para o bem.

O apóstolo fala de dar atenção aos órfãos e às viúvas.  É dar atenção a todo tipo de pessoa que precisa de amparo, proteção, amizade, incentivo e alegria de viver no meio de suas dificuldades e desamparo.

Em geral as pessoas simples e pobres tem vergonha do que são e não se sentem com coragem de se aproximar das pessoas. Como nada fossem e ninguém. Sempre conservamos em nossa mente que a figura de um pobre ou sujo, ou doente cheio de feridas não é ninguém  a quem eu deva dar atenção.

Um senhor doente na enfermaria (meio revoltado) via a religiosa dar assistência a todos os doentes cheios de feridas, mau cheiro. Seu semblante era de paz, alegria, incentivo, com palavras animadoras. Disse-lhe: “eu não faria isso por nenhum dinheiro deste mundo.” E a freira: “eu também não.” “Como assim?” Ela: “Eu me sinto mais irmã de todos que sofrem tanto e agradeço a Deus porque eu tenho tanta saúde.”

EM MARCOS 7, 1-8.14-15.21-23, os fariseus perguntaram a  Jesus porque os apóstolos comiam sem lavarem as mãos como era tradição dos judeus. Jesus responde com o profeta Isaías: “esse povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Abandonam os mandamentos de Deus para seguir seus preceitos humanos.” Disse: “o que torna impuro a pessoa não é o que entra nela mas o que sai de seu coração”.

Várias vezes Jesus comenta e condena o rigor dos fariseus que insistiam no seguimento de leis e tradições que não eram tão importantes para a vida religiosa das pessoas.

Quando se organiza a manifestação religiosa da fé e da caridade em uma paróquia, o padre pede que sejam seguidos hábitos e costumes que ajudam a comunidade a crescer em sua espiritualidade.

Mas todas essas sugestões devem ser práticas e não rígidas para que todos possam seguir com serenidade a manifestação de sua fé junto com os outros.

Infelizmente há gente muito rigorista que cria problemas na insistência de alguns pontos que são livres e que não perturbam o andamento de toda a vida da comunidade.

Isto acontece  quando se vai batizar, casar, e às vezes até na condução da ordem nas missas, nas vestes para as cerimônias religiosas etc.

Não inventemos costumes que nada ajudam a se ter uma cerimônia   bem realizada que cria um ambiente de festa sim, mas de oração e recolhimento. Os padres estão tendo muito atrito com cerimoniários de casamento  que perturbam o bom andamento da cerimônia com suas manias de ostentação...

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

ago 26

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

21º. DOMINGO COMUM – SÓ TU TENS PALAVRA DE VIDA ETERNA - 

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM JOSUÉ 24, 1-2.15-18, Josué reuniu as tribos de Israel, anciãos, juízes diante de Deus e lhes propôs: “se vocês querem servir ao Senhor escolhei hoje. Não façam como seus pais que serviram a deuses. Então: quanto a mim e à minha família serviremos ao Senhor” O povo respondeu: “Não abandonaremos o Senhor. O Senhor é que é o nosso Deus. Que realizou prodígios e nos guardou por onde andamos. Nós também serviremos ao Senhor, porque Ele é nosso Deus.”

A cada um de nós é feito uma proposta fundamental e importante: se queremos seguir o Senhor, é hoje nossa escolha e decisão.

Porque o Senhor é o nosso Deus. Existimos porque um dia ele disse: vem, filho querido, entra pela porta da vida.

Aparecemos em seus braços divinos. Fomos criados por Ele. Sempre amados e queridos.

O preço desta escolha, o bilhete de entrada em sua família, é o nosso sim. Sim à vida. Sim à minha família. Sim às propostas do viver e conviver com todos. Sim ao serviço de todos. Sim a dobrar os joelhos para contemplar seu amor infinito e deixar-nos amar por este Pai pela alegria de nos ter como filhos.

Quando o bebê descobre e pronuncia o nome de seu pai ou de sua mãe, ele não se cansa mais de encher sua boca com este som ainda balbuciante de quem o ama tanto e a quem deseja tanto estar sempre em seu colo, sentir o calor de seu coração corpo a corpo.

Por toda a vida vai ecoar o som que lembra e chama os pais. Por toda a vida, em todos os momentos, tendo descoberto o Pai que é Deus-Amor, jamais se sentirá desamparado, pois o que o sustenta na vida é o coração de Deus Pai que bate forte quando nos vê e nos abraça.

NA CARTA AOS EFÉSIOS, 5, 21-32, sejam cuidadosos uns com os outros. Esposas sejam submissas a seus maridos. Maridos, amem suas mulheres como o Cristo amou sua Igreja e se entregou por ela., tornando-a santa. Somos membros do seu corpo. O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne. É um grande mistério em relação a Cristo e à sua Igreja.

O apóstolo aconselha aos esposos para que se entendam, se ajudem uns aos outros. Pode parecer em primeiro lugar que destaca o papel do marido como quem ”manda” na esposa.

Mas em seguida apresenta o verdadeiro papel do esposo e da esposa, até por uma comparação muito elevada: que o amor entre eles deve ter como  modelo o amor de Cristo por sua Igreja.

A história de nossa Igreja mostra como Jesus em todos os tempos, seja em épocas difíceis sejam nas de prosperidade, assistiu com muito cuidado a caminhada de seu reino.

Pode parecer que a união de duas pessoas no casamento acontece porque se gostam, unem seus sonhos e o amor entre eles garante realizar o que desejam do casamento e da família.

Como na vida, não basta ser amigo de alguém. Se a pessoa se sente bem na companhia da outra, deve alimentar esta amizade.

O casamento que constitui família e que traz novos seres humanos, os filhos, tem suas necessidades para realizar sua finalidade.  Foi Deus quem programou o ser humano e o fez tão rico em qualidades para conviver feliz nesta terra.

Pela fé. pela Palavra de Deus, orientação da Igreja, com a  experiência de santos e sábios e buscando luz e força na oração, o casal pode realizar a felicidade em seu casamento e em sua família.

EM JOÃO 6, 60-69, os apóstolos diziam que era difícil de entender o que Jesus dissera. E Jesus: “e quando vocês virem o Filho do homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida. Entre vocês há alguns que não acreditam.” Muitos discípulos foram embora. Jesus diz aos apóstolos: “e vocês, não vão também?” Pedro respondeu: “a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna. Cremos que tu és  o santo de Deus.”

Nos três últimos anos de sua vida, Jesus falava sobre  assuntos de vida religiosa que iam ajudando de modo especial os apóstolos que o seguiam cada dia, e também ao povo que vinha ouvi-lo.

Às vezes diante de perguntas que fariseus e outros faziam, dava o sentido verdadeiro do que a religião pedia de todos. Usava   histórias, que esclareciam melhor o que estava explicando.

Jesus fala sobre comer sua carne e beber seu sangue... E acrescenta que este é o pão que desceu do céu... quem dele comer viverá para sempre.

Os hábitos ou mentalidade do povo nem sempre correspondiam às exigências que Jesus apresentava como necessárias para seguir o que Ele pedia de cada um. Os apóstolos em sua confiança e simplicidade reagiam quando ou não entendiam ou parecia difícil de seguir. Jesus sem voltar atrás  reforçava o que havia dito.

Alimentemo-nos todos os dias da Palavra de Deus. e nos pontos que forem difíceis de seguir, pedir forças ao Espírito Santo e coragem para aceitar e fazer o que Deus espera de nós.

Houve pessoas que não aceitavam o que ele havia dito e se afastaram. Jesus desafia os apóstolos: vocês também não querem ir embora? E Pedro se adianta e com fé diz que acredita em Jesus, o santo de Deus. Só Ele tem palavras de vida eterna.

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* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.
 

ago 19

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

APOCALIPSE 11, 19a; 12,1,3-6a.10ab, Nossa Igreja se serve desse trecho para aplicar a Nossa Senhora. São imagens que nos lembram dons e qualidades de Maria, a Mãe de Jesus, e a proteção de Deus sobre ela, a escolhida para ser a Mãe de Deus e nossa Mãe.

Nossa Igreja seja nos escritos dos Santos Padres dos primeiros séculos, com reflexões teológicas e considerações expressivas, seja na própria liturgia das festas de Nossa Senhora demonstra um carinho filial ao mesmo tempo uma confiança total na intercessão de Maria, a Mãe de todos os viventes.

 Neste trecho expressões próprias ilustram a figura de Maria. Vestida de sol. O mesmo que “cheia de graça” do anjo Gabriel na Anunciação. A lua sob seus pés, pode significar o céu também: rainha dos anjos, eleita pelos anjos e por todos que já estão junto de Jesus, glorioso, com sua Mãe santíssima.

A coroa de doze estrelas, os doze apóstolos que com Ela se prepararam para a vinda do Espírito Santo iniciando a Igreja de Cristo.  Maria, Mãe da Igreja.

Inspirada na devoção simples do povo cristão o tempo foi tecendo em torno de Maria títulos que expressamos como filhos amados nas ladainhas com que cantamos seus louvores.

NA 1ª. CORÍNTIOS 15, 20-27a, refletindo no poder de Cristo sobre a vida, o apóstolo apresenta como confirmação da missão salvadora de Cristo sua ressurreição. Esta é a prova mais forte para quem ainda está com fé inicial vendo mais o poder divino de Cristo firmado em suas palavras e em seus milagres. Lemos isto nos quatro evangelhos que narram os últimos anos de sua vida.

Em outras cartas o apóstolo analisa os seus sofrimentos e canseiras na realização do reino de Cristo na terra, e sua inspiração e força que vem de Cristo morto na cruz e vitorioso por sua ressurreição.

Jesus o Filho do Deus da vida, crucificado, mais uma vez provou que a vida e a morte estão sempre nas mãos de Deus, que com sua providência, por caminhos que não conhecemos e às vezes nem aceitamos, faz da morte aparecer a vida.

Maria, como o apóstolo Paulo, sendo a Mãe do Filho de Deus que se fez homem em seu ventre imaculado, se submeteu como seu Filho aos sofrimentos. Ele é chamada de Mãe das dores, não no sentido de pessoa que sofre por ser da família humana condicionada a sacrifícios.  A Mãe das Dores é que gerou junto com seu Filho, novos filhos. Sendo Mãe das Dores, Ela por Jesus é Mãe da divina graça.  

EM LUCAS 1, 39-56, esta passagem da vida de Maria apresenta um retrato fiel e resumido de tudo que Maria é para Deus e para os redimidos por Cristo.

Maria, a mais santa das criaturas, a mais perfeita criatura a quem Deus deu a vida, acaba de se tornar a Mãe do Filho de Deus.   

O seu primeiro pensamento, como Jesus irá ensinar, é ir ajudar sua prima de idade na espera do bebê João Batista.

Ela vai se encontrar com sua prima levando consigo o seu  Filho, e abrindo caminho para o Espírito Santo agir.

Mal chegou, já Isabel sentiu seu filho pular de alegria em seu ventre com a saudação de Maria e já soube que Maria era a Mãe de Deus. Não tem palavra para expressar a felicidade desse encontro.

Maria pelas lembranças de ouvir a história de seu povo, de orar de cor sempre os salmos messiânicos, canta um hino de louvor a Deus por tudo o que aconteceu em seu povo pela providência de Deus, e profetiza os bens no futuro que aguarda a humanidade com a presença e ação de seu Filho.

O Magnificat, os louvores de Maria, ressoam pelos séculos, como a oração mais perfeita que lábios humanos cantaram, exaltando sempre o grande amor de Deus por nós que Jesus nos permitiu manifestar.

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* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

ago 12

SEMANÁRIO DOMINICAL – O PÃO QUE DESCE DO CÉU

PAULO DAHER - 2018

19º. DOMINGO COMUM – O PÃO QUE DESCEU DO CÉU –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

NO 1º. LIVRO DOS REIS 19, 4-8, o profeta Elias caminhou deserto adentro. Adormeceu à sombra de um junípero e pediu a morte. Adormeceu. Um anjo o acordou: “levanta-te e come deste pão” Comeu bebeu e dormiu. Aconteceu o mesmo de novo. Acordado, o anjo lhe disse que caminhasse. Ele o fez durante quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, o monte de Deus.

Os profetas e os santos tem também seus momentos de fraqueza e desânimo. São mortais iguais a nós. No tempo de Jesus nem sempre as águas do lago de Genesaré estavam calmas. Algumas vezes os apóstolos foram pegos por tempestade.

O grande profeta Elias era valente, corajoso, enfrentava poderosos, foi perseguido. Nunca faltou à missão que o Senhor lhe deu. Mas a taça de sua vida às vezes transbordava pelo abandono.

Adormeceu. O sono é remédio, pois nos obriga a uma parada silenciosa e acolhedora, fazendo-nos silenciar os sentidos agitados.

Alguns santos e fieis fervorosos buscam em retiros espirituais refazer suas forças religiosas. Nossa Igreja nos propõe cada dia o recolhimento da oração, pela manhã, à noite ou durante o dia.

Esta busca do silêncio interior hoje é muito necessária. Eternas crianças, nossa mente, nossos olhos, nossos pensamentos e memória vivem agitados demais seja com coisas necessárias, seja com preocupações ou distrações inúteis.

Práticas orientais de concentração psicológica tem atraído muita gente. Porque vivemos tão agitados, que se nos olharmos no espelho perguntaremos: quem é este aí? Ficamos irreconhecíveis.

NA CARTA AOS EFÉSIOS 4, 30-5,2, o apóstolo pede que não entristeçam o Espírito Santo. Que não haja amargura, irritação, injúrias. Sejam bons uns para com os outros. Compassivos, perdoem, imitando Deus, vivam no amor como Cristo que se entregou por nós.

O Espírito Santo é o Amor do Pai e do Filho e a fonte de todo o nosso bem querer. Por isso ele também é a origem de toda a alegria e felicidade, como o amor verdadeiro.

Quem é movido pelo amor, que deseja só o bem, que pensa mais no bem que pode proporcionar às outras pessoas, é pessoa feliz e fonte de felicidade para todos.

Irritação, amargura muda nosso humor, faz-nos perder a calma, e enxergar os outros como agressores. É como o fel: o que toca torna amargo e venenoso.

O apóstolo ensina e precisamos aprender de fato: a reação boa e amiga, prazerosa que queremos da parte dos outros é resposta do que somos e fazemos aos outros. O rosto fechado, severo, rancoroso só afasta as pessoas. Seria como um muro que separa.

Quantas pessoas que se comoveram e mudaram de vida para melhor ao contemplar o rosto sangrento, chagado, sofredor do Cristo crucificado e coroado de espinhos. Porque conseguiram divisar seus olhos divinos compassivos e amorosos olhando com misericórdia, aceitando como o fez com Verônica, que pudéssemos limpar este rosto desfigurado e fazer brilhar seu olhar acolhedor.

EM JOÃO 6, 41-51os judeus murmuravam contra Jesus porque dissera que era o pão que desceu do céu. “Nós sabemos quem Ele é e sua família. Como pode afirmar tal coisa.” E Jesus continuava:” ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrair. Quem escutou o Pai e por ele foi instruído vem a mim. Seus pais comeram o maná no deserto e morreram. Eu sou o pão da vida. Eis aqui o pão do céu, quem dele comer viverá para sempre. E o pão que lhes darei é minha carne para a vida de todos.

Jesus insiste na alimento do pão como imagem do que alimenta e sustenta nossa vida. É fácil entender. Diziam os antigos: primeiro viver, depois filosofar. Nossa natureza precisa de alimento para manter em dia as qualidades físicas e também espirituais.

E assim esta imagem leva Jesus não só a pedir que busquemos alimento comum mas também que pensemos em nossa inteligência disposta para conhecer o mundo que nos cerca, a vontade para desejar o que é necessário para viver,  sensibilidade para sermos atraídos pelo que nos agrada e a liberdade para escolher o que de fato possa conduzir com segurança o todo que somos.

E o pão da terra precisa do pão do céu que é Jesus. Tendo alimentado a fome de todas as qualidades que temos, precisamos alimentar nossa vida espiritual cuja origem é o próprio Deus: vida de nossa vida total. Pois não basta ao homem satisfazer tudo o que nossa natureza física e psíquica pede, porque somos também necessitados do alimento espiritual, da presença de nosso Criador e Pai: vida de nossa vida pelo amor.

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* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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