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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: TEMAS DIVERSOS

ago 11

A SABEDORIA DOS ANTIGOS

FILÓSOFOS ANTIGOSQuase todas as questões intelectuais que envolvem o nosso mundo moderno, no campo da política, do direito, das artes, da poesia, do pensamento, além das inumeráveis indagações sobre o ser enquanto matéria e, depois, quando etéreo, foi motivo de preocupação e de ocupação dos filósofos. Questões que nós, que não somos versados na ciência, ficamos admirados quando somos informados sobre os resultados a que chegaram aqueles homens que, ao menos na nossa visão medíocre, não tinham o que fazer. Sim, porque, para nós, que vivemos a agitação do dia-a-dia, no corre-corre pela sobrevivência, parar para pensar – e não apenas parar, o que poderia ser imaginado como uma paradinha rápida, o que não é o caso – é coisa de quem não tem absolutamente nada para fazer na vida. Entretanto, essa era a rotina dos filósofos, absortos em suas indagações, envolvidos em seus debates e embates e ocupados em ministrar ensinamentos às novas gerações de “pensadores” que os sucederiam.

Nós, como visto, que não somos chegados a tal forma de vida, temos que, pelo menos conhecer algumas das conclusões a que chegaram aqueles bons senhores e, depois de conhecê-los um pouco melhor, apenas dizer admirados: “É verdade, eu nunca pensei sobre isso”. Com esse objetivo, estamos apresentando algumas questões que foram objeto da preocupação e da ocupação de homens que viveram na Grécia entre os séculos VII e III a.C.

Nossa fonte é o livro Primórdios da Filosofia Grega. São Paulo. 2ª edição. Editora Ideias & Letras: 2008. 534 páginas, que agrupa um conjunto de trabalhos de diversos autores, tendo como organizador A.A. Long, que é Professor de Estudos Clássicos e Professor Irving Stone de Literatura na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Do conjunto da obra, vimos por bem divulgar a questão relativa ao interesse sobre a natureza e os limites do conhecimento, tema desenvolvido por J. H. Lesher que, conforme consta da página 12 do livro, é Professor de Filosofia e Estudos Clássicos na Universidade de Maryland, sendo, ainda, o autor de Xenophanes of Colophon (1992), The Greek Philosophers (1998) e de numerosos estudos das teorias gregas antigas sobre o conhecimento. O capítulo 11 do livro apresenta o tema “Os primórdios do interesse pelo conhecimento” e, principiando pelo subtema

“Pessimismo poético e otimismo filosófico”

Os primórdios do interesse pelo conhecimento J. H. Lesher

“Os filósofos gregos não foram os primeiros a refletir sobre a natureza e os limites do conhecimento humano: essa honra cabe aos poetas da Grécia arcaica. No livro XVIII da Odisséia, por exemplo, a incapacidade, mostrada pelos pretendentes de Penélope, de perceber o desastre que os aguarda inspira célebres observações, por parte do disfarçado Odisseu, acerca das capacidades mentais da espécie humana:

Nada mais fraco nutre a terra do que o homem

dentre todas as coisas que respiram e se movem sobre a terra,

pois julga que jamais padecerá dano no porvir

enquanto os deuses granjearem-lhe excelência e joelhos lépidos.

Quando, porém, os bem-aventurados deuses decretam-lhe desgraça,

contrafeito suporta-a com espírito aguerrido,

tal a mente (nóos) dos homens sobre a terra,

como o dia que o pai de homens e deuses lhes prepara. (130-137)

Aqui como alhures nos poemas homéricos[1], os pensamentos dos mortais refletem apenas suas experiências presentes. Os eventos no porvir estão além de seus poderes de compreensão. Conversamente, quando os deuses escolhem dotar um indivíduo com poderes sobre-humanos de compreensão, seu conhecimento se distingue por seu vasto alcance:

Calcas, filho de Testor, melhor dos adivinhos,

que conhece passado, presente e futuro (II. 1.69-70).

Muito mais típicos da espécie são os “tolos, pensadores de um dia” - Aquiles, Agamêmnon e os pretendentes — que não conseguem “pensar o antes e o depois” nem julgam carecer dos sábios conselhos de quem consegue. O mesmo tema perpassa grande parte da poesia grega arcaica: os mortais “pensam aquilo com que se deparam” e não conseguem apreender o esquema mais vasto das coisas:

De tal sorte, Glauco, é a consciência (thymós) dos homens mortais, o que quer que lhes ofereça Zeus para o dia, pois pensa tais coisas apenas quando se lhes depara. (Arquíloco, fr. 70)

Não há mente (noûs) entre os homens, antes vivemos cada dia como o gado que pasta, sem saber (ouden eidótes) como deus os porá fim a cada um (Semônides, fr. I)[2].

Em tais circunstâncias, a “sabedoria humana” consiste em reconhecer as limitações inerentes à nossa existência mortal e “não esperar demais”. Como Epicarmo recomenda: “os mortais devem se preocupar com coisas mortais, não com coisas imortais” (DK 23 B20).

Traços desse “pessimismo poético” podem ser vistos nos ensinamentos dos primeiros filósofos. Duas fontes antigas (Ário Dídimo e Varrão em DK 21 A24) reportam que Xenófanes sustentava que “pertence a deus conhecer a verdade; aos homens, opinar”. Na mesma linha, Alcmeão, contemporâneo próximo de Xenófanes, alerta que:

Os deuses têm clareza (saphéneia) acerca das coisas não-evidentes;

aos homens, [toca] conjecturar a partir de sinais (tekmaíresthai) (DK 24 Bl)[3].        

Heráclito (DK 22 B104), Parmênides (DK 28 B6.4-7) e Empédocles (DK 31 B2.1-8), todos lançam idêntica acusação contra o noûs dos mortais comuns.

Em outros pontos, porém, os ensinamentos e as atividades dos primeiros filósofos gregos refletem uma perspectiva mais otimista. Segundo Aristóteles, Tales foi o primeiro de uma série de investigadores que procuram dar conta de todos os fenômenos naturais referindo-os a uma substância ou princípio material básico [Met. 1.3 983b20). Se aceitarmos a caracterização aristotélica como no mínimo aproximativamente correta, devemos pensar que Tales - e seus sucessores Anaximandro e Anaxímenes — assumem que as causas e os princípios básicos da natureza são acessíveis às descobertas humanas. Visto que as caracterizações propostas pelos milésios evidenciam um refinamento crescente, julga-se que suas investigações representam o início de uma “tradição de racionalidade crítica” no Ocidente[4].4 5 Assim, embora não disponhamos de observações explícitas sobre o conhecimento por parte de qualquer um dos primeiros filósofos-cientistas, parece perfeitamente razoável atribuir-lhes algum grau de “otimismo epistemológico”.

Diversos pensadores exibem igual interesse pelo(s) método (s) de aquisição, alheia ou própria, de conhecimento. Os filósofos jônios são geralmente lembrados pelos escritores posteriores como especialistas “naquela parte da sabedoria a que chamam perquirição acerca da natureza” (taútes tes sophías hèn d'e kaloüsi pen physeos historían)[5] Em DK 21 BI8, Xenófanes parece dar seu apoio à investigação ou “busca”, por oposição à confiança cega em “revelações” divinas:

Não é verdade que desde o início os deuses revelam todas as coisas aos homens,  antes com o tempo, buscando-as (zetoûntes), os homens as descobrem.

No Filebo, Platão faz referência a um método de investigação “por meio do qual vem à luz toda descoberta na esfera das artes e ciências”, atribuindo a descoberta desse método “a Prometeu ou a alguém como ele”:

Tudo o que sempre se disse ser, reza a tradição, consiste de um e muitos, sua natureza possuindo, em conjunto, limite e ilimitado. Assim sendo a ordem das coisas, devemos postular a cada vez uma única ideia... depois duas, se for o caso, senão três ou quantas mais. (16c)

Algumas doutrinas atribuídas a Pitágoras e seus seguidores refletem o método que Platão parece aqui ter em mente: entender a natureza de uma entidade por meio da enumeração de seus componentes[6]. Em algum ponto na segunda metade do século V a.C., o pitagórico Filolau de Crotona apresenta, nessa linha, diversas caracterizações dos fenômenos naturais, identificando “Limitantes” e “Ilimitados” como os dois componentes “do universo como um todo e de todas as coisas nele” (BI e B2) e afirmando que nada pode ser conhecido sem número (B4). A deusa que aparece no poema de Parmênides igualmente promove uma “perquirição”, muito embora se trate de uma perquirição diferente, quando insta seu ouvinte a que afaste os pensamentos da via das experiências familiares e preste atenção em seu élenkhos - seu “teste”, sua “apreciação crítica” - das vias possíveis de perquirição e pensamento acerca d’“o que é”. Ao menos nessas ocasiões, os filósofos pretendem não apenas convencer suas audiências da verdade de suas novas doutrinas como também descrever um processo por meio do qual qualquer um possa descobrir a verdade.

Por último, praticamente todo pensador de que possuímos quantidade relevante de informação abraça o que pode ser chamado de pressuposto básico do otimismo epistemológico: a tese de que os eventos que ocorrem na natureza ocorrem segundo um conjunto de princípios gerais fixos e, portanto, passíveis de serem descobertos. A ideia de um processo regular de mudança pode estar apenas implícita na concepção de Tales de que a água é a substância de que vêm a ser e a que retornam todas as coisas. Todavia, quando Anaximandro afirma que as coisas “se dão segundo necessidade, pois eles [presumivelmente os opostos] pagam um ao outro sanção e retribuição por sua injustiça segundo a disposição do Tempo” (DK 12 A9), estamos diante de uma clara expressão da concepção de que a natureza está sujeita a princípios ordenadores internos[7]. As forças gêmeas de condensação e rarefação em Anaxímenes, a justiça e a Necessidade de Heráclito, o Amor e a Contenda de Empédocles, o poder harmonizador de Filolau, a mente cósmica ordenadora de Anaxágoras e a Necessidade de Demócrito representam variações sobre um mesmo tema milésio originário: a natureza opera de maneira regular e, portanto, inteligível.

Quatro pensadores em particular — Xenófanes, Heráclito, Parmênides e Empédocles - exploram as condições sob as quais o conhecimento - mais especialmente sob a forma de uma vasta compreensão da natureza das coisas - pode ser atingido pelos seres humanos. Essas reflexões não esgotam os primórdios do interesse por questões epistemológicas[8], mas introduzem muitas ideias que figuram de maneira mais proeminente nas caracterizações posteriores do conhecimento.” 

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[1] Cf. II. 1.343-344: "nem [Agamêmnon] pensa o que tem diante de si ou o que ficou para trás, de modo que os aqueus podem combater junto a suas naus"; semelhantemente ll. III. 107-110; XVIII.250; Od. XX.350ss.; XXI.85; e XIV.452.
[2] Cf. Teógnis, 141-142; Sólon, frs. 1, 13, 16; Píndaro, Olímpica VII.25-26; NeméIa VI.6-7; VII.23-24; XI.43-47.
[3] O texto é incerto. DL reza perí tôn aphanéon, perí tôn thnetôn saphéneian mèn theoi ékhonti, hos dè anthrgpois tekmaíresthai, mas outros omitem a expressão perí tôn thnetôn ('a respeito das coisas mortais'). Sigo LSJ ao inserir dédotai ('toca'). Heráclito (DK 22 B78) e Filolau (DK 44 B6a) também contrastam conhecimento humano e conhecimento divino.
[4] Cf. Burnet [20] 3; Guthrie [15] 29; Barnes [14] 5; Uoyd [1 11] 49; McKirahan [10] 73-5; Cohen, Curd & Reeve [7] viii e outros
[5] Platão, Fédon 96a 7-8. Para Anaximandro e historie, cf. Eliano Varia historia 111.17 e Diógenes Laércio II. 1. Para Xenófanes, cf. Hipólito em DK 21 A33.
[6] Entre os quais: harmonias musicais (como em Filolau DK 44 B6a, A24), sólidos geométricos (cf. Aristóteles, Mel. XIV.3 1091 a 15), os poderes n'alma (Filolau BI 3) ou o cosmos como um todo (cf. Aristóteles, Met. 1.5 986a).
[7] Cf. ainda Cherniss [87] 10, Vlastos [186] 82 e G. Vlastos Plato's Universe (Seattle, 1975).
[8] Cf., por exemplo, neste volume, a caracterização de Filolau por Huffman, p. 134, e a discussão das questões epistemológicas suscitadas por Protágoras e Demócrito por Taylor, p. 255-263. Sobre a importância assinalada à veracidade por Homero e Hesíodo, cf. Most, neste volume, p. 278.

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PALAVRAS DE SABEDORIA

 SANTA FAUSTINA KOWALSKA DEUS APROXIMA-SE DA ALMA DUMA MANEIRA ESPECIAL, CONHECIDA APENAS POR DEUS E PELA ALMA. NINGUÉM PERCEBE ESSA UNIÃO MISTERIOSA. NESSA UNIÃO PRESIDE O AMOR E É SÓ O AMOR QUE REALIZA TUDO. JESUS SE COMUNICA COM A ALMA DE FORMA DELICADA E DOCE E, NO SEU ÂMAGO HÁ SUA PAZ. JESUS LHE CONCEDE MUITAS GRAÇAS, TORNA A ALMA CAPAZ DE PARTICIPAR DOS SEUS PENSAMENTOS ETERNOS E, ALGUMAS VEZES, DESVENDA À ALMA SEUS DIVINOS DESÍGNIOS” (SANTA FAUSTINA KOWALSKA – DIÁRIO, 622)

 “O AMOR EXPULSA DA ALMA O MEDO. DESDE QUE AMEI O SENHOR COM TODO O MEU SER, COM TODA A FORÇA DO MEU CORAÇÃO, DESAPARECEU O MEDO, E AINDA QUE ME FALEM DE TUDO SOBRE A SUA JUSTIÇA, NÃO O TEMO, PORQUE VIM A CONHECÊ-LO BEM. DEUS É AMOR – E PAZ O SEU ESPÍRITO. RECONHEÇO AGORA QUE OS MEUS ATOS QUE DECORRERAM DO AMOR SÃO MAIS PERFEITOS DO QUE OS ATOS QUE PRATIQUEI POR TEMOR. CONFIO EM DEUS E NADA TEMO. ENTREGUEI-ME À SUA SANTA VONTADE; QUE FAÇA COMIGO O QUE QUISER, E EU O AMAREI DA MESMA MANEIRA” (SANTA FAUSTINA KOWALSKA, DIÁRIO, 589)

 “FOI NO CORAÇÃO DE JESUS QUE APRENDI QUE, PARA AS ALMAS ESCOLHIDAS, NO PRÓPRIO CÉU EXISTE UM OUTRO CÉU, ONDE NEM TODOS TÊM ACESSO, MAS APENAS AS ALMAS ESCOLHIDAS. FELICIDADE INCONCEBÍVEL EM QUE A ALMA ESTARÁ SUBMERSA. OH! MEU DEUS, NÃO SOU CAPAZ DE DESCREVÊ-LO, AINDA QUE NA MÍNIMA PARTE. AS ALMAS SUBMERSAS NA SUA DIVINDADE, PASSAM DE CLARIDADE EM CLARIDADE, EM UMA LUZ IMUTÁVEL, MAS NUNCA MONÓTONA, SEMPRE NOVA, MAS QUE NÃO MUDA NUNCA. Ó SANTÍSSIMA TRINDADE, DAI-VOS A CONHECER AS ALMAS” (SANTA FAUSTINA KOWALSKA, DIÁRIO, 592)

_______________________________________________________________ PARA SABER MAIS, LEIA: DIÁRIO DE SANTA FAUSTINA KOWALSKA

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