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Sementes da Palavra, É tempo de semear

Arquivo por categoria: TEMAS DIVERSOS

jun 01

CONHECENDO UM POUCO MAIS

BENTO XVI - SILÊNCIO

SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA – 

Dando continuidade ao Magistério do Papa Emérito Bento XVI, hoje vamos iniciar o ciclo de catequeses, durante o qual Sua Santidade expõe um pouco da vida e da obra das principais personalidades da Igreja Nascente, com ênfase para Santo Inácio de Antioquia:

"Caros irmãos e irmãs, 

Em nosso novo ciclo de catequeses que ora iniciamos, estamos revendo as principais personalidades da Igreja nascente. 

Na semana passada falamos sobre o Papa Clemente I,        terceiro Sucessor de São Pedro. Hoje falamos de Santo Inácio, que foi o terceiro bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107, data do seu martírio. 

Naquele tempo, Roma, Alexandria e Antioquia eram as três grandes metrópoles do império romano. O Concilio de Niceia fala de três “primados”: obviamente o de Roma, mas também havia Alexandria e Antioquia que, em certo sentido, se orgulhavam de seu “primado”. Santo Inácio era bispo de Antioquia, que hoje se situa na Turquia. Aqui, em Antioquia, como sabemos pelos Atos dos Apóstolos, surgiu uma comunidade cristã florescente: o primeiro bispo foi o apóstolo Pedro, assim diz a tradição, e ali, “pela primeira vez, os discípulos começaram a ser tratados pelo nome de cristãos” (At II,26). Eusébio de Cesareia, historiador do século IV, dedica um capítulo inteiro de sua História Eclesiástica à vida e à obra literária de Inácio (3,36). “Da Síria - escreve - Inácio foi enviado a Roma para ser lançado às feras, por causa do seu testemunho a Cristo. Em sua viagem através da Ásia, sob a vigilância severa dos guardas” (que ele batiza de “dez leopardos” em sua Carta aos Romanos 5,1), “nas várias cidades por onde passava, com pregações e admoestações, ia consolidando as Igrejas; sobretudo exortava, com muito fervor, a evitar as heresias, que então começavam a se espalhar, e recomendava que não se desvinculassem da tradição apostólica”. A primeira etapa da viagem de Inácio rumo ao martírio foi a cidade de Esmirna, onde era bispo São Policarpo, discípulo de São João. Ali Inácio escreveu quatro cartas, respectivamente às Igrejas de Éfeso, de Magnésia, de Tralli e de Roma. “Tendo partido de Esmirna”, prossegue Eusébio, “Inácio chega a Trôade, e de lá enviou novas cartas”: duas às Igrejas de Filadélfia e de Esmirna, e uma ao bispo Policarpo. Eusébio completa, assim, a lista das cartas que chegaram até nós como um precioso tesouro. Lendo esses textos percebe-se o vigor da fé da geração que conheceu os apóstolos. Sente-se também nessas cartas o amor ardente de um santo. Finalmente, de Trôade o mártir chegou a Roma, onde, no Anfiteatro Flávio, foi lançado às feras.

 Nenhum Padre da Igreja expressou com a intensidade de Inácio o anseio pela união com Cristo e pela vida nele. Por isso, lemos o trecho do Evangelho sobre a vinha, que, segundo o Evangelho de João, é Jesus. Na realidade, afluem em Inácio duas “correntes” espirituais: a de Paulo, que tende totalmente para a união com Cristo, e a de João, concentrada na vida nele. Por sua vez, essas duas correntes desembocam na imitação de Cristo, várias vezes proclamado por Inácio como “o meu” e “o nosso Deus”. Assim, Inácio suplica aos cristãos de Roma para que não impeçam o seu martírio, porque está impaciente por “unir-se a Jesus Cristo”. E explica: “É bom para mim morrer indo para (eis) Jesus Cristo, em vez de reinar até os confins da terra. Procuro a Ele, que morreu por mim, quero a Ele, que ressuscitou por nós... Deixai que eu seja imitador da Paixão do meu Deus! ” (Aos Romanos 5-6). Pode-se captar nessas expressões fervorosas de amor o elevado “realismo” cristológico típico da Igreja de Antioquia, como nunca atento à encarnação do Filho de Deus e à sua verdadeira e concreta humanidade: Jesus Cristo, escreve Inácio aos Esmirnenses, “pertence realmente à estirpe de Davi”, “realmente nasceu de uma virgem” e “realmente foi crucificado por nós” (1,1).

 A propensão irresistível de Inácio para a união com Cristo funda uma verdadeira “mística da unidade”. Ele próprio se define como “um homem ao qual foi confiada a tarefa da unidade” (Aos Filadelfenses 8,1). Para Inácio, a unidade é, antes de tudo, uma prerrogativa de Deus, que existindo em três Pessoas é Uno em absoluta unidade. Ele repete muitas vezes que Deus é unidade, e que só em Deus ela se encontra no estado puro e original. A unidade a ser realizada nesta terra pelos cristãos é apenas uma imitação, o mais possível conforme com o arquétipo divino. Dessa forma Inácio chega a elaborar uma visão da Igreja que se aproxima de algumas expressões da Carta aos Coríntios de Clemente Romano.

 “É bom para vós, escreve aos cristãos de Éfeso, proceder (...)".

  CONTINUA EM BREVE ____________________________________________________________________

*BENTO XVI. Os Padres da Igreja.  De Clemente Romano a Santo Agostinho. Paulus. São Paulo.  2012. Págs. 15-17 

  CONTINUA EM BREVE!

jun 01

O PAPA FRANCISCO E A MÃE-TERRA

PLANETA TERRA - 2

A MÃE TERRA ESTÁ SOFRENDO: SOMOS OS RESPONSÁVEIS! – PARTE I –

A preocupação com o destino da humanidade passa, necessariamente, pela preocupação com a vida do planeta terra, nossa nave mãe. Há muito, que a comunidade científica mundial vem tentando alertar para a necessidade, e a responsabilidade, que todas as nações têm de racionalizar tanto a exploração dos bens naturais produzidos pela Terra, quanto com o entulho descartável e danoso para a vida desta mesma Terra. Diante dos fenômenos naturais observados de modo crescente e assustador, nas últimas décadas, o ser humano está se dando conta de que tudo é mesmo verdade e que, não apenas a racionalidade nos usos e nos costumes, mas, até mesmo a responsabilidade por tudo isso, é comum a todos os habitantes do planeta.

Em compasso com esta visão e com a urgência do tema, a Igreja publicou recentemente a Encíclica “Laudato Si” , Sobre o Cuidado da Casa Comum, do Papa Francisco. O documento, pelo tema e atualidade, pela origem e pela autoridade moral do subscritor, merece ser lido atenciosamente por todos os condôminos deste gigantesco condomínio, chamado Terra.

Nesta edição estamos publicando os trechos iniciais da referida Encíclica, com a finalidade de levar ao público em geral, e aos nossos leitores em especial, o conhecimento acerca deste documento tão atual, útil e, mais do que nunca, tão necessário e tão urgente.

CARTA ENCÍCLICA LAUDATO SI’ DO SANTO PADRE FRANCISCO SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM

1. «LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras».[1]

2. Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que «geme e sofre as dores do parto» (Rm 8, 22). Esquecemos-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.

[…]

São Francisco de Assis

10. Não quero prosseguir esta encíclica sem invocar um modelo belo e motivador. Tomei o seu nome por guia e inspiração, no momento da minha eleição para Bispo de Roma. Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior.

11. O seu testemunho mostra-nos também que uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contato com a essência do ser humano. Tal como acontece a uma pessoa quando se enamora por outra, a reação de Francisco, sempre que olhava o sol, a lua ou os minúsculos animais, era cantar, envolvendo no seu louvor todas as outras criaturas. Entrava em comunicação com toda a criação, chegando mesmo a pregar às flores «convidando-as a louvar o Senhor, como se gozassem do dom da razão».[19] A sua reação ultrapassava de longe uma mera avaliação intelectual ou um cálculo econômico, porque, para ele, qualquer criatura era uma irmã, unida a ele por laços de carinho. Por isso, sentia-se chamado a cuidar de tudo o que existe. São Boaventura, seu discípulo, contava que ele, «enchendo-se da maior ternura ao considerar a origem comum de todas as coisas, dava a todas as criaturas – por mais desprezíveis que parecessem – o doce nome de irmãos e irmãs».[20] Esta convicção não pode ser desvalorizada como romantismo irracional, pois influi nas opções que determinam o nosso comportamento. Se nos aproximarmos da natureza e do meio ambiente sem esta abertura para a admiração e o encanto, se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo, então as nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos. Pelo contrário, se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude. A pobreza e a austeridade de São Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objeto de uso e domínio.

12. Por outro lado, São Francisco, fiel à Sagrada Escritura, propõe-nos reconhecer a natureza como um livro esplêndido onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade: «Na grandeza e na beleza das criaturas, contempla-se, por analogia, o seu Criador» (Sab 13, 5) e «o que é invisível n’Ele – o seu eterno poder e divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras» (Rm 1, 20). Por isso, Francisco pedia que, no convento, se deixasse sempre uma parte do horto por cultivar para aí crescerem as ervas silvestres, a fim de que, quem as admirasse, pudesse elevar o seu pensamento a Deus, autor de tanta beleza.[21] O mundo é algo mais do que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor.

O meu apelo

13. O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados sectores da atividade humana, estão a trabalhar para garantir a proteção da casa que partilhamos. Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos.”

CONTINUA

Fonte:http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

 

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