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mar 06

PLATÃO E O CRISTIANISMO

PLATÃO - 2019PLATÃO: O FILÓSOFO QUE ENCANTOU O CRISTIANISMO  

A filosofia, dizem com razão os sábios, é coisa dos gregos e nasceu, segundo alguns, do pensamento de homens que não tinham muito o que fazer e que viviam olhando para o céu e para a natureza, formulando perguntas sobre perguntas. Em alguns casos, encontravam respostas bastante razoáveis. Em outros, porém, as respostas eram tão polêmicas que atravessaram séculos e perduram até os dias de hoje. Não cabe aqui, nesse pequeno espaço, enumerar os filósofos mais famosos, haja vista que todos eles, em maior ou em menor grau, contribuíram de forma decisiva para a elucidação de muitas questões que perturbavam a alma dos seus contemporâneos. Aliás, por falar em alma, vamos aproveitar a deixa para contar um pouco sobre a compreensão de Platão sobre a alma. 

Para Platão existiam dois mundos: o das ideias e o da percepção e a ponte entre esses dois mundos é o artífice e as almas inteligentes. Para ele, a alma é a fonte do movimento e o universo todo contém uma alma moldada pelo artífice, que é a alma do mundo, a formar uma criatura viva e inteligente. Nesse aspecto, as estrelas e os planetas, por terem seus movimentos ordenados, possuem almas inteligentes. Humanos e mundo seriam portadores de almas. Os primeiros, com almas inteligentes. Segundo Platão, a matéria é organizada em quatro tipos básicos: terra, ar, fogo e água, que consistem em várias proporções de formas geométricas. Desse modo, tudo o que surge deles (tipos básicos) é perfeitamente proporcional ou racional, sendo todo o universo direcionado para o bem. 

Diferentemente de Pitágoras e do orfismo (religião surgida na Grécia por volta do séc. VI a.C.), que afirmavam que a alma está fadada à reencarnação, a menos que possa purificar-se e retornar ao mundo divino, Platão defende a preexistência da alma e sua sobrevivência à morte do corpo, com ênfase para a necessidade de escapar da reencarnação por meio de uma vida boa sobre a terra. Para ele, “felicidade perfeita é conhecer o padrão supremo sobre o qual o mundo é modelado”1. Ele considera a alma imortal, tendo como bem-aventurança o conhecimento do mundo das ideias, considerando como imperativo o nosso desvio do mundo sensível, literalmente falando, para uma mudança em nosso ser interior (metanoia), a fim de buscarmos o conhecimento da realidade suprassensível da qual este mundo depende”2. 

Aqui, vale a pena transcrever na íntegra o pensamento de Diogenes Allen e Eric. Springsted sobre a forma que Platão utiliza para descrever, valendo-se de lendas: 

 No Fedro, Platão narra na forma de mito a preexistência da alma. Ele usa a imagem da alma como uma carruagem puxada por dois cavalos, um branco e um preto. A alma possui três aspectos distintos: a inteligência, que guia a pessoa; desejos honrosos e apetites e desejos desonrosos. A carruagem representa a inteligência; o cavalo branco, os apetites honrosos; e o cavalo preto, os apetites desonrosos e desregrados. Os cavalos têm asas, que puxam a carruagem através do céu e para voar através de uma abertura na abóbada que circunscreve os céus, ou pelo menos, elevar-se alto o suficiente para dar uma olhada rápida através da abertura na abóbada, na realidade suprassensível que fica do lado de fora da abóbada dos céus. Mas visto que os dois cavalos têm desejos contrários, é difícil para o cocheiro conseguir subir alto o suficiente para ver de relance através da abertura na abóbada. Quando finalmente fica claro ser impossível fazê-lo voar alto o suficiente, a alma não consegue obter o sustento provido por um relance na verdadeira realidade que se encontra além da abóbada. Sem esse sustento, as penas das asas dos cavalos caem e eles não podem mais voar, de modo que a alma cai na terra – e encarna”3  

 Platão entende que, uma vez encarnada, a alma está pronta para retornar ao lar de origem, graças à memória das ideias que acumulou pelo costume de olhar de relance através da abertura da abóbada que, segundo ele, é uma memória latente. Em decorrência dessa memória latente, a alma vive de modo a desejar, ainda que de forma inconsciente, o retorno ao berço de origem, onde sabe que encontrará a felicidade interrompida com a queda na terra. 

  Voltaremos ao tema, na próxima edição. Não percam! 

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