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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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fev 01

PROGRAMA DE REJUVENESCIMENTO PARA ADULTOS

AS DIVERSAS IDADES

A VIDA E AS IDADES DOS SERES HUMANOS: UM DESAFIO CONSTANTE –

A questão relativa à idade acompanha os seres humanos desde a mais tenra infância até a mais alta longevidade a que possa alcançar. E, em cada uma das etapas, métodos, critérios e desafios são propostos e, como tais, precisam ser objeto da máxima atenção, de modo a que a pessoa atinja o ponto mais alto possível, e sempre nas melhores condições possíveis.

Hoje vamos apresentar um pouco do trabalho desenvolvido pelas americanas Julia Cameron e Emma Lively que, no livro “Nunca é tarde demais” tratam da “vida criativa e cheia de propósito depois dos 50”[1], propondo um curso de doze semanas, fundamentado naquilo que denominam como “quatro ferramentas básicas”, a saber: o hábito diário das Páginas Matinais, um Programa Artístico semanal, uma Caminhada solitária duas vezes por semana e, por último, a elaboração de uma Autobiografia. Assim, ambas dão início ao trabalho:

“Nunca é tarde demais é um curso de doze semanas para qualquer um que queira explorar a própria criatividade. Não foi feito apenas para os que se consideram artistas. O público-alvo é formado por aque­les que estão entrando em um novo estágio — deixando para trás a antiga vida, com outra à espera de ser criada. Para alguns, isso signifi­ca se aposentar do mercado formal de trabalho, enquanto para outros significa ter uma casa vazia depois de criar os filhos, e para outros ainda é uma forma de rejuvenescer o espírito criativo depois de ser subitamente rotulado como “idoso”.

A cada semana, você lerá um capítulo e fará as atividades propos­tas. O trabalho se dará com quatro ferramentas básicas: o hábito diário das Páginas Matinais, um Programa Artístico semanal e uma Caminha­da solitária duas vezes por semana. A Autobiografia será escrita ao longo dessas doze semanas, enquanto você revisita sua história de vida de forma ordenada, uma parte por vez.

Doze semanas — ou três meses — podem parecer muito tempo, mas pense em tudo isso como um investimento de algumas horas por semana em nome de uma nova fase de sua vida.

FERRAMENTAS BÁSICAS

PÁGINAS MATINAIS: Três páginas de escrita livre à mão, seguindo seu fluxo de consciência, logo depois de acordar, para você e mais ninguém.

AUTOBIOGRAFIA: Um processo semanal e guiado para ativar a memória e revisitar sua vida em blocos de vários anos.

PROGRAMAS ARTÍSTICOS: Um passeio semanal a sós para experimentar alguma coisa divertida.

CAMINHADA: Um percurso de vinte minutos a sós duas vezes por sema­na, sem cachorro, sem companhia e sem celular.

PÁGINAS MATINAIS

É a ferramenta fundamental para recuperar a criatividade: três páginas de escrita livre à mão sobre nada em particular. Devem ser produzidas logo de manhã e não podem ser mostradas a ninguém. Não existem erros ao fazê-las. Gosto de pensar nelas como limpadores de para-brisa, que varrem para longe tudo o que se coloca entre você e uma visão clara e cristalina de seu dia.

Esse exercício pode parecer insignificante ou trivial —“Me esqueci de comprar alpiste.” “Não gostei desse detergente novo.” “Preciso renovar minha carteirinha do clube.” “Acabou o papel da impressora.” “Tenho que ligar para meu irmão” —, mas pavimenta o caminho para atividades mais criativas.

Essas páginas informam a nós mesmos e ao universo exatamente o que se passa em nossa cabeça. Tendo a encará-las como uma forma de meditação ativa. Outra maneira de vê-las é como um pequeno es­panador que retira uma camada de pó de todos os recantos de nossa vida. Com frequência, as pessoas resistem à ideia de escrever suas Pá­ginas Matinais alegando falta de tempo, porém logo fica claro que exis­te tempo de sobra para isso.

Não se engane: as Páginas Matinais são ideais para aposentados.

É então que a frase “Julia, eu não tenho tempo” se transforma em “Julia, tenho tempo, sim, mas quero usá-lo de outra forma”. Costumo dizer que esse exercício funciona como uma espécie de radiotransmissor espiritual. Quando escrevemos sobre ressentimentos, medos, ale­grias, dúvidas, sonhos e desejos, dizemos ao universo quem realmente somos. Ao escrever livremente, nos tornamos mais livres, enxergamos escolhas no dia a dia que antes não pareciam existir. Começamos a captar as respostas que o universo nos manda. Usamos nossa intuição para decidir o que fazer a seguir. Passamos a nos portar de forma aten­ciosa e benéfica. Muitas vezes, as Páginas Matinais são amigas sinceras e implacáveis. Se estivermos adiando ou evitando uma decisão impor­tante, elas vão nos atormentar até aceitarmos suas sugestões.

“Julia, fiz as Páginas Matinais e parei de beber”, escuto com fre­quência.

“Julia, fiz as Páginas Matinais e comecei a repensar meus hábitos alimentares e exercícios físicos. Perdi mais de vinte quilos.”

É muito difícil reclamar de uma situação manhã após manhã, pá­gina após página, e não tomar uma atitude a respeito.

As Páginas Matinais nos levam a um contato consciente com nos­so Criador. Formam uma ponte que podemos atravessar rumo a uma nova vida, mais sintonizada com nossos sonhos e aspirações.

“Julia, tenho medo dessas páginas”, ouço de vez em quando. Elas não fazem mal, asseguro aos mais tímidos.

“Não vejo como isso pode funcionar”, dizem os mais céticos.

“Experimente”, incentivo. Não existe erro ou acerto na hora de escrevê-las. Trata-se de uma ferramenta baseada na experimentação. Quanto mais praticamos, mais acreditamos nela.

Quando viajamos de avião, muitos só percebem a velocidade a que estamos num trecho de turbulência. Da mesma forma, as pessoas po­dem não se dar conta da velocidade de seu progresso com as Páginas Matinais. É impossível que não surtam nenhum efeito. Mesmo assim, alguns as veem como um mero aborrecimento, um exercício tedioso.

“Continue escrevendo”, digo aos mais resistentes. “Mais cedo ou mais tarde vai perceber um avanço.”

“Mas, Julia, sério mesmo. Não está acontecendo nada”, às vezes ouço de alguém que, aos meus olhos, está progredindo na velocida­de da luz. Muitas vezes, a recuperação da criatividade permanece oculta porque está nos levando a direções inesperadas. Já vi muitos escritores começarem a pintar, advogados começarem a escrever, professores começarem a cantar. Costumo dizer que, quando você usa essas ferramentas, está sacudindo uma macieira, mas o universo derruba laranjas.

Nem todos os desbloqueios acontecem no campo das artes. Carol se tornou voluntária de um programa de alfabetização de adultos. Isso lhe dava grande alegria, e preenchia seu tempo livre. Anthony come­çou a fazer aulas de xadrez. Monty entrou em um clube de bridge. A descoberta de novos hobbies com frequência é fruto das Páginas Mati­nais. Então, da próxima vez que achar que “nada” está acontecendo, pense melhor.

[...]

As Páginas Matinais devem ser escritas à mão. Por quê? Toda vez que dou uma aula, algum aluno argumenta que escreve muito mais depressa no computador. Não seria mais produtivo se...?

Não, acho que não.

Escrever à mão é fundamental. Faz com que avancemos em um ritmo adequado para registrar nossos pensamentos com precisão. No computador, caminhamos a passos largos, despejando coisas na página. À mão, é como se dirigíssemos a sessenta por hora. “Ah”, nós dizemos, “é aqui que eu preciso entrar. E veja só... uma loja de conveniência.”

No computador, é como se estivéssemos a 120 por hora. “Ah, nos­sa... era ali que eu precisava entrar? Aquele posto de gasolina tinha uma loja de conveniência?” Nossa percepção se torna rasa. Não temos certeza do que estamos vendo ou sentindo. Perdemos detalhes e sinais indicativos importantes. À mão, sabemos exatamente o que estamos fazendo. Isso nos leva a uma vida tratada com esmero. Nosso objetivo não é a velocidade. Escrevemos à mão para nos conectar com precisão ao que estamos pensando e sentindo. Usando o computador, apressa­mos as coisas, dizendo a nós mesmos que está “tudo bem”. Mas o que isso de fato significa?

É essa a resposta que obtemos ao escrever à mão.

Se estou triste, o que escrevo à mão me diz por quê. Sinto falta da minha cadela Tiger Lily, que morreu dois meses atrás. Estou com sau­dade da minha filha, que está em Nova York visitando o pai. Existem coisas específicas que me fazem falta: ver minha cadela cochilando no tapete; a voz doce da minha filha me contando sobre sua vida. Não, não está “tudo bem”. Esse “tudo bem” é uma cortina de fumaça, uma névoa que me separa da realidade. Da caneta para o papel, minha sin­ceridade é concreta. Em termos comparativos, pode demorar mais que digitar, porém entro em contato direto com meus questionamentos — e minhas respostas —de forma muito mais acelerada.

As Páginas Matinais nos ensinam a ter paciência quando atraves­samos uma fase difícil em nossos relacionamentos e nos ensinam a ter resistência quando abraçamos novos projetos e objetivos.

TAREFA

PÁGINAS MATINAIS

Todas as manhãs, o mais cedo possível depois de acordar, escreva três páginas sobre absolutamente nada. Elas devem ser preenchidas apenas na parte da frente, para você e mais ninguém. Sugiro usar papel de tamanho menor, o que vai ajudar a condensar os pensamentos. Es­creva à mão — não é a mesma coisa quando usamos algum dispositivo, por mais que possa parecer mais rápido. Muitas vezes me perguntam se devemos escrever antes do café. Como adoro um cafezinho, sei que não é aconselhável inserir uma barreira entre uma pessoa e seu combustí­vel matinal. Eu só aconselharia não gastar 45 minutos na refeição. Co­mece a escrever o quanto antes, assim o efeito será mais benéfico.

Não mostre essas páginas para familiares ou amigos. Esses escri­tos são privados, completamente livres, e seguem um fluxo de cons­ciência. São uma espécie de alongamento espiritual para nos preparar para o dia que teremos pela frente. Não devem ser encarados como “textos” nem como diário, nos quais existe a tendência de explorar um único tema de forma estruturada. As Páginas Matinais removem os detritos psicológicos que se interpõem entre nós e o dia que estamos prestes a viver. Se escritas de forma constante e consistente, são capa­zes de alterar nossa trajetória de vida.”[2]

CONTINUA EM BREVE

___________________________________________________________ [1] CAMERON, Julia e LIVELY, Emma – NUNCA É TARDE DEMAIS: A VIADA CRIATIVA E CHEIA DE PROPÓSITO DEPOIS DOS 50 – São Paulo. Fontanar: 2016. 296 páginas. [2] Op. Cit. págs. 17-22

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