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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jan 28

QUEM CONHECE ESTE HOMEM?

JESUS - UMA PERSONALIDDE - 2

UM HOMEM SEM IGUAL –

*Por Luiz Antonio de Moura –

            Ninguém conhecia aquele homem que, feito caminhante, viajava por entre as montanhas e as planícies conversando com todos os que se dispunham a dar-lhe alguma atenção. Era bom de conversa, alegre, disposto, feliz como quem tem de tudo e em grande abundância. No entanto, ninguém conhecia a sua origem, sua profissão, seu endereço.

            Por onde passava, ele chamava a atenção de tantos, e com tal vigor, que muitos deixavam tudo de lado para segui-lo, só pelo prazer de ouvi-lo contar diversas histórias. Histórias simples, mas que traziam embutidas esperanças, perspectivas e, o mais atraente, uma paz e uma serenidade jamais vistas por qualquer um daqueles homens e mulheres.

        Havia naquela sociedade uma casta de pessoas totalmente desprestigiada e desprezada mesmo, pessoas que, sequer, podiam aproximar-se das demais: eram os portadores da terrível lepra, uma doença incurável e segregacionista. Via-se um leproso, imediatamente corria-se na direção oposta, evitando-se qualquer forma ou possibilidade de comunicação, contato ou mesmo de aproximação.

            No entanto, para aquele homem especial, nada disso tinha importância. Quando via um leproso, ele tomava a iniciativa de se aproximar do infeliz e, mesmo a contragosto do pobre coitado, fazia questão de estar próximo, de tocar, de abraçar e de, no final de tudo, de livrá-lo daquela maldição. Seus seguidores ficavam estupefatos, admirados por presenciarem cenas de tamanha dedicação ao semelhante.

        Também naquele tempo, a religiosidade era extremamente forte e excludente, graças ao conceito exacerbado do pecado. Os pecadores, para os religiosos daquela época, deviam ser evitados a todo custo, a fim de evitar-se a contaminação espiritual.

         Mas, aquele homem tinha predileção pelos pecadores. Andava com eles, comia nas casas deles, bebia com eles e, quase sempre, perdoava os pecados de todos eles, coisa que profanava o templo sagrado daquela religiosidade forjada na hipocrisia.

            Apesar de tudo, aquele homem pregava o amor a Deus e ao próximo; defendia o perdão sempre e em qualquer circunstância; exortava a todos a busca incessante pelo Reino de Deus; chamava de bem aventurados os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos, os perseguidos por causa da justiça e os caluniados por serem seus amigos e seguidores; curava os enfermos; fazia ver, o cego; falar, o mudo; andar, o aleijado; sorrir, o triste e desanimado; acreditar na vida, o pecador excluído.

        Mortos, retornaram à vida por suas mãos. Famílias voltaram a sorrir depois de terem seus membros libertos do maligno, graças à intervenção daquele homem. E, mais que tudo isto, ele prometeu a vida eterna a todos os que nele cressem.

      Homem igual jamais existiu. No entanto, um dia foi traído, preso, interrogado, condenado, açoitado, crucificado e, por fim, morto em uma cruz de madeira.

         Sepultado na cavidade de uma rocha, retomou a vida por obra do Pai, que jamais o abandonou.

        Hoje, aquele homem ainda caminha no meio do povo sem ser reconhecido, pede pão e água; trabalho e morada; igualdade e respeito, liberdade e reconhecimento; justiça e inclusão e, no entanto, viramos as costas para Ele todos os dias.

         Mas, não passaremos imunes, se não conseguirmos enxerga-Lo e socorrê-Lo, na pessoa dos nossos semelhantes, porque Ele mesmo disse: “Tudo o que fizerdes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim estarão fazendo”.

         Bem aventurados os que ouvem a Palavra do Caminhante, seguem seus passos, observam seus mandamentos e imitam seus gestos e atitudes. Ainda temos tempo. Precisamos agir enquanto podemos, seguindo a exortação do Apóstolo Paulo Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”  (Gl 6,10).

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*Luiz Antonio de Moura é graduado em Direito (Universidade Católica de Petrópolis), pós-graduado em Direito do Trabalho (Universidade Estácio de Sá) e em Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas-RJ), trabalha no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - RJ e, atualmente, é aluno de Teologia no Instituto Teológico Franciscano - ITF, em Petrópolis-RJ. Administra o site www.lisaac.blog.br e a página Sementes de vida: É tempo de semear, no Facebook.

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