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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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out 29

RETRATOS DA FAMÍLIA

FAMÍLIA PÓS MODERNA

A FAMÍLIA NA PÓS-MODERNIDADE

 
*Por Pastor Elton Pothin

                               A noção do que seja uma família tradicional (pai, mãe, filhos, avós, tios e tias) se perdeu na poeira do tempo. Ainda que ela permaneça talvez como um ideal a ser alcançado, ela sofreu muitas mudanças. 

                               A mídia, de forma especial as telenovelas, se encarregaram de difamar a família. Há sempre brigas tanto entre marido e mulher como entre pais e filhos, traições, confusões. A paz em família é o que menos se vê nas telenovelas. Assim, vivemos em uma época em que os critérios que regem uma família não estão mais ligados à fidelidade (é difícil encontrar um casal onde um não tenha traído o outro), ao amor (é difícil encontrar um casal que ainda se ama com o passar dos anos – há brigas, desentendimentos e desinteresse entre o casal) à confiança e à construção de uma história de vida (a casa ou apartamento passou a ser “dormitório”, onde cada um vai para dormir – pois as refeições são feitas fora - onde muitas vezes marido e esposa, pais e filhos já não se encontram devido aos horários de trabalho ou estudo diferentes). Assim, muitas vezes já não sabem mais o que dizer um ao outro quando se encontram e o diálogo na família cessa, dando lugar à televisão, à internet, ao celular. Cada um na sua, marido e mulher, pais e filhos dividindo o mesmo espaço físico, mas já não dividindo uma história de vida comum. 

                               Há algum tempo, era importante a família pertencer a uma Igreja Cristã. E a vida era organizada a partir da fé cristã: batismo, primeira comunhão, crisma (na Igreja Luterana, a confirmação), casamento, bodas, sepultamento cristão. Os jovens depois da confirmação ou da crisma iam na juventude da Igreja. Hoje, é difícil ver uma família indo junta para a Igreja. O pai e a mãe são de Igrejas diferentes. Ou um vai à Igreja e o outro não vai. O filho/a não acompanha os pais ou um dos pais, pois estes não tem mais autoridade sobre os filhos e estes fazem o que bem querem. No Natal, na Sexta-Feira da Paixão, na Páscoa, todos iam à missa ou ao culto! Hoje, muitos “aproveitam” o feriado para viajar! 

                               Pertencer a uma família era conhecer os nomes e a origem dos avós e bisavós, era conhecer os tios e tias. Padrinhos e madrinhas de batismo eram pessoas importantes. Hoje, os familiares mal se conhecem, nem se visitam mais! Não há mais tempo para isso! E nem mesmo interesse, pois os jovens não tem mais interesse em fazer as visitas familiares “chatas”! Afinal, o que fazer com primos e primas que mal a gente conhece? E, quando acontecem estes encontros, cada um fica na sua, ou no seu celular, na sua ilha, sem interagir com os familiares. Para a geração jovem, quase tudo é “chato” e “sem graça”! 

                               Outro aspecto assustador: os pais perderam sua autoridade! E por responsabilidade deles mesmos! O pai, em especial, perdeu sua função como educador! As mães passaram a ter a responsabilidade de educar os filhos. Mas nem isso é mais possível, porque o mundo moderno jogou a mulher no mercado de trabalho e não há mais tempo para educar o filho/a. Assim, a educação dos filhos ficou terceirizada, ficando por conta da babá, da creche, da escola. Ou melhor, ficou por conta de ninguém! Porque a babá não pode dizer nada para a criança porque vai ser processada por ter “ofendido ou maltratado o meu filho”, e ai da creche ou da escola que dizem qualquer coisa para meu filho! – processo na hora! – “Porque o meu filho não mente, o meu filho não briga, o meu filho não diz palavrão!” – e é o que mais faz isso! Assim, a criança não é mais educada, não se colocam limites, não se colocam valores. Igreja, Deus, ética, honestidade, verdade, família, educação, respeito pelos mais velhos, respeito pelos professores, respeito pelas autoridades não existe mais! Jovens fazem o que querem em nossa sociedade e nem mesmo a autoridade policial pode pôr limites! A geração jovem perdeu seus limites por responsabilidade dos próprios adultos, dos próprios pais que “passam a mão na cabeça”, tudo desculpam, tudo justificam e não colocam limites. E depois se queixam que “o filho não obedece mais” ou “não sabem o que acontece que essas crianças são tão desobedientes.” 

                               Outro aspecto a considerar é que os filhos não são mais educados para serem pessoas honestas, cidadãos de bem, pessoas cristãs. Na época em que vivemos, o que importa é o sucesso. O que importa é que meu filho tenha sucesso na vida, que se dê bem, tenha um bom salário. Os pais querem ter orgulho dos filhos, mas não porque é uma pessoa de bem, que é honesto, que vai na Igreja, mas porque conseguiu um trabalho ou meio de vida que lhe proporciona um bom rendimento financeiro e uma vida confortável. Os pais querem projetar nos filhos o que eles mesmos gostariam de ser e ter, mas que não conseguiram. Assim, o filho se transforma em um produto de consumo dos pais, que eles têm orgulho em exibir! E aqui entra a mídia. Filhos que são expostos excessivamente no facebook como se fossem troféus! O filho é a conquista, é o sucesso a ser mostrado! O limite ético é aquilo que atrapalha o sucesso. Em outras palavras, não há limites para que o caminho esteja livre para o sucesso! A palavra usada para esse comportamento é narcisismo – paixão sem limites por si mesmo. 

                               Até agora problematizamos e vimos diversos aspectos preocupantes nas famílias de nossos dias. Sabemos que voltar ao passado não é mais possível. A história não anda para trás. No próximo artigo, veremos ainda alguns outros aspectos e iremos conversar sobre alternativas do que se pode fazer para que valores éticos, cristãos ainda possam estar presentes na nossa vida.

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*Pastor Elton Pothin, é natural de Arroio do Tigre-RS, formou-se em Teologia pela Faculdade de Teologia da Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em São Leopoldo/RS, em julho de 1993. Atuou como Pastor nas Comunidades de Teutônia/RS; Martin Luther (Joinville/SC) e, ultimamente, está à frente da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Petrópolis-RJ.
 

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