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jan 15

ROSAS PARA MARIA – PARTE FINAL

MEDALHA MILAGROSA - 3

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

F I N A L –

Assim que terminou de falar, Maria das Dores pôs-se a chorar de emoção! Imediatamente, começou a compor, em versos, o pedido que faria a Maria das Graças:

Maria das Graças, nossa Mãe querida!

Hoje, quero lhe ofertar a minha vida!

Descobri que posso fazer o meu pedido

E encontrar, nas minhas lágrimas, um sentido!

Quero chorar de alegria

Distribuir poesia!

Colocar em cada verso

Um pedaço do universo!

Quero juntar todas as dores

E transformá-las em flores!

Quero oferecer um buquê a Deus

E pedir a Ele que realize os sonhos meus!

Quero saborear mangas, subindo numa mangueira,

E lá do alto admirar a água cristalina da cachoeira!

Quero alimentar cada amizade

E colher felicidade!

Quero correr de braços abertos pelo caminho

E abraçar todos os seres com carinho!

Enquanto Maria das Dores fazia seu pedido em versos, Maria-Sem-Vergonha ensaiava seu pedido em forma de dança. Ela levantava os braços para o alto, imaginando que estava tocando as mãos de Maria das Graças. Ela rodopiava sorrindo, levava as mãos até o peito, como se estivesse guardando no coração as graças recebidas. Rodopiava mais uma vez e cantarolava uma canção criada no improviso:

Maria das Graças, nossa Maria!

Era por ti que eu procurava por onde eu ia!

Quero levar arte a cada coração,

Quero falar de Deus em cada canção!

Quero pegar Jesus pela mão e sair a rodopiar,

Quero pular, correr, brincar e dançar!

Desta vez, Maria Vai Com As Outras não quis pegar carona nas ideias das outras Marias. Não quis buscar rimas para os versos de Maria das Dores, nem quis rodopiar e cantar com Maria-Sem-Vergonha. Ela preferiu meditar sobre tudo o que havia aprendido e decidiu, por si só, guardar tudo no coração. Se fosse para imitar alguém, desta vez, ela escolhia imitar a Mãe de Jesus. No silêncio do seu coração, ela foi deixando espaço para que Deus pudesse tocá-la. 

As três Marias se deram as mãos e, sorrindo, se puseram a caminhar ainda mais rapidamente, saltitantes! Olhavam para o céu e se deixavam guiar pelo brilho das estrelas. Como os três Reis Magos, que foram ofertar presentes ao Menino Jesus, as três Marias caminhavam em direção aos braços de Maria das Graças, onde ofertariam suas próprias vidas, seus dons e seus corações!

O dia amanheceu lindo, iluminado pelo sol, sem nuvens e perfumado pelas flores do caminho! Flores essas onde os passarinhos coloridos faziam a festa, confraternizando com borboletas e diversos outros tipos de insetos!

Uma parada para um piquenique foi solicitada! Uma grande toalha xadrez foi estendida na relva e deliciosos pães, bolos, frutas e sucos foram distribuídos sobre a toalha. Todos se sentaram ao redor. Antes de o banquete ser servido, uma canção de agradecimento a Deus foi entoada. A alegria daquele momento parecia algo que ficaria eternizado!

Enquanto todos comiam e bebiam, as três Marias corriam felizes por entre as flores do lugar. Havia um roseiral bem ali, com rosas brancas, amarelas e vermelhas. As três Marias se entreolharam, como se tivessem tido o mesmo pensamento. Naquele instante, cada uma delas correu em direção a uma rosa, com a intenção de levá-la para Maria das Graças.

Maria-Sem-Vergonha correu para a rosa amarela. Maria das Dores foi em direção à rosa vermelha, e Maria Vai Com As Outras, sem pestanejar, foi de mãos abertas na direção da rosa branca!

Quando, finalmente alcançaram as rosas, as três Marias foram espetadas pelos espinhos! Maria das Dores começou a chorar. Maria-Sem-Vergonha foi pedir ajuda aos romeiros para retirar um dos espinhos que ficou agarrado em seu dedo. Maria Vai Com As Outras, sem entender o porquê de tanta dor num simples gesto de querer ofertar rosas para a Mãe de Deus, preferiu meditar e guardar tudo no coração.

A romaria prosseguiu, as três Marias levavam as rosas em suas mãos, levavam também o leve ferimento dos espinhos. Maria das Dores já havia parado de chorar, Maria-Sem-Vergonha já havia se livrado do espinho preso em seu dedo, e Maria Vai Com As Outras, essa continuava meditando e descobrindo que Deus nos fala também através da dor.

As três Marias foram percebendo que a beleza da vida está na intenção de cada coração e não na ausência de espinhos pelo caminho! Elas não pararam na dor, continuaram seguindo e confiando nas graças que, continuamente, pediam a Maria das Graças.

Já era possível avistar a igrejinha lá no alto da colina. Uma enorme alegria tomou conta dos corações de todos os romeiros, especialmente dos corações das três Marias!

As três Marias correram em disparada e começaram a subir a colina. Faltava muito pouco! Cada vez menos! Poucos passos! Pronto: chegaram!

Ofegantes, as três Marias entraram na igreja e foram direto ao altar. Elas mal conseguiam acreditar que estavam lá, juntas e de joelhos, diante de Jesus no sacrário e de Maria das Graças no altar, sempre de braços abertos e olhar doce.

Num ímpeto, as três Marias se levantaram! Maria-Sem-Vergonha segurou numa das mãos de Maria das Graças e pediu, com fervor, a graça de ser artista! Maria das Dores segurou na outra mão de Maria das Graças e pediu, com muita fé, a graça de ser poetisa! Maria Vai Com As Outras colocou suas duas mãos no coração de Maria das Graças e disse a ela, com grande esperança, que ainda não sabia o que queria fazer da vida, mas que gostaria de fazer a vontade de Deus!

As três Marias se olharam emocionadas e se abraçaram com a força e a ternura que só os verdadeiros amigos conhecem! Então, entregaram suas rosas e suas vidas a Nossa Senhora!

Nesse lindo momento, apareceram três mulheres desconhecidas, elas também visitavam a igreja. Cada uma delas se dirigiu a uma das três Marias, ofertando uma medalha e uma rosa:

– Maria-Sem-Vergonha, Maria das Graças lhe oferece esta rosa amarela e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço! Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho! Cante, dance e encante o mundo com a alegria do Senhor!

 – Maria das Dores, Maria das Graças lhe oferece esta rosa vermelha e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Escreva, transforme as dores em versos e se inspire com a linda poesia que há na criação de Deus!

 – Maria Vai Com As Outras, Maria das Graças lhe oferece esta rosa branca e esta medalha milagrosa para que a use em seu pescoço. Ao se lembrar de Nossa Senhora, tenha força para vencer os espinhos do seu caminho. Não tenha pressa em saber o caminho a seguir. Ele lhe será revelado aos poucos, como o foi para a própria mãe de Deus e para Catarina. Ouça mais os seus próprios desejos e vá guardando tudo no coração!

As três Marias, radiantes e ainda tontas com tanta emoção, se colocaram em oração e agradeceram a Deus pela graça de poderem sentir, como Jesus sentiu, o colo acalentador de Maria!

Era a mãe de Deus, a nossa mãe, numa revelação tão sublime, numa declaração total de amor, dando a certeza de que ela nos acompanha e intercede por nossos sinceros desejos!

Assim, em estado de graça, as três Marias retornaram para casa e para seus afazeres de meninas. A rotina era a mesma, mas havia algo novo que permaneceria para todo o sempre e que seria passado de geração em geração: a certeza de que não estamos sós, de que há uma mãe que intercede por nós e que quer nos ajudar a viver os sonhos mais lindos que Deus plantou em nossos corações!

Pendurada em seus pescoços de crianças, a medalha milagrosa brincava de um lado para o outro, distribuindo grandes graças, pois a fé e a devoção eram ardentes e sinceras!

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

     

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