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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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dez 25

ROSAS PARA MARIA – PARTE V

ROSAS PARA MARIA

 ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE V -

– Meu amor, você estava presente quando eu expliquei. Um bilhete também foi enviado para casa. Você é uma menina tão inteligente, tão esperta, deveria confiar mais em si mesma. Não dê ouvidos para o que os outros dizem. Você é capaz de entender as coisas, é capaz de fazer suas próprias escolhas! Acredite!

Maria Vai Com As Outras saiu pensativa da conversa. De fato, aquela festa tinha sido uma lição e tanto! Mas parecia não ter sido a última...

Na casa de Maria Vai Com As Outras, sua mãe apreciava introduzir novos alimentos nos pratos das filhas. Ela prezava por uma alimentação saudável!

Era um sábado ensolarado, a mesa do almoço já estava posta. Nela, três novos alimentos para as meninas explorarem: brócolis, beterraba e jiló.

– Eu já provei os três anos atrás e não quero saber deles. Estou fora! Vou almoçar na casa da Gabi! – esbravejou Cris, a filha mais velha.

– Ah, mas não vai mesmo! Volte aqui, mocinha! Como você já experimentou os três, comerá um pouquinho de cada um! Quero ver o seu prato bem colorido!

Emburrada, Cris não teve opção. Tratou de voltar à mesa.

– Vamos lá, filhas! Agora é a vez de vocês. Cada uma pode escolher um alimento para provar!

Maria Vai Com As Outras esticou a mão para pegar a beterraba que estava cortada em rodelas na vasilha. Mas Cris logo advertiu:

– Eca! Você vai provar essa coisa? Parece que ela está sangrando, veja essa água vermelha saindo dela!

Maria Vai Com As Outras, por um minuto, se apavorou! Decidiu, então, provar os brócolis, afinal eles eram bonitos, pareciam pequenas árvores! Foi quando sua irmã caçula gritou:

– Você vai comer essa arvorezinha? Deve ser horrível! Das árvores, eu só como as frutas e só as docinhas!

Confusa, Maria Vai Com As Outras desistiu também dos brócolis. Sua mãe, perdendo a paciência com a enrolação das filhas, disse logo:

– Vamos já com isso! Cris, eu quero ver os três no seu prato! Mel, escolha um para provar! Maria Vai Com As Outras, faça o mesmo!

Pressionada, Maria Vai Com As Outras pegou rapidamente o jiló e o provou. Era amargo! Uma grande careta foi inevitável!

– Muito bem, minha filha. É assim que a gente treina o paladar! Por vezes, fazendo careta! Você havia escolhido a beterraba em primeiro lugar, ela é doce, prepararia o seu paladar para que, depois, você provasse os outros alimentos. Mas você preferiu seguir o que diziam as suas irmãs e, assim, provou do amargo em primeiro lugar. Da próxima vez, siga o seu próprio desejo e saboreie a vida do seu jeitinho!

Maria Vai Com As Outras parecia não aprender com as próprias experiências!

No recreio da escola, adorava brincar de pular corda, ora segurando a corda de um lado, ora pulando. E era boa, muito boa em pular corda!

O sino para o recreio tocou! A correria foi total! Já no pátio da escola, as opções de brincadeiras eram muitas. Maria Vai Com As Outras alcançou a corda e saiu convidando seus amigos para pularem com ela:

– Depois a gente pula corda. Vamos brincar de amarelinha agora!

– Está bem, eu vou. Mas depois vamos pular corda, não é?

– Vamos sim!

As meninas pulavam amarelinha entretidas, quando outra amiguinha chegou, convidando para brincar de boneca.

– Vamos, Maria Vai Com As Outras, depois continuamos a amarelinha!

– Mas você prometeu que, depois da amarelinha, nós iríamos pular corda.

– As bonecas são mais legais! Depois pulamos corda, vamos!

E lá se foi Maria Vai Com As Outras brincar de boneca, ainda com a corda na mão. Ao cansarem da brincadeira, Maria Vai Com As Outras disse:

– Agora, vamos pular corda! Vai ser divertido!

– Que nada! Divertido é brincar de gangorra! Vamos!

E, assim, Maria Vai Com As Outras passava seus dias. Sua voz era facilmente calada e seus desejos negligenciados. Não que os outros tivessem, realmente, alguma culpa quanto a isso. Era ela que não se ouvia. Era ela que, mesmo quando sabia o que queria, achava que não sabia.

 Em busca da quarta Maria:

 Agora que as três Marias já foram muito bem apresentadas, cada qual com sua peculiaridade, chegou a hora de sabermos como decorrem os acontecimentos que as mantêm unidas!

É dia de sol, borboletas coloridas dançam pelo ar, bem na frente da casa de Maria-Sem-Vergonha. E como ela não tem vergonha de coisa alguma, decide ir bailar com as borboletas nos jardins de toda a vizinhança!

Bem próximo dali, também faz o mesmo dia de sol, mas Maria das Dores não enxerga as borboletas coloridas. Ela prefere regar as flores do quintal com suas lágrimas de lamentação. E como ela lamenta! Lamenta o que aconteceu e lamenta o que poderia ter acontecido e não aconteceu.

Passeando por essa região, lá vem Maria Vai Com As Outras. E ela vai mesmo! De longe, avista Maria das Dores e, contente, vai ao seu encontro. Mas a alegria dura pouco, tão logo percebe o chororô de Maria das Dores, começa a chorar também!

Em meio a tanto pranto, elas avistam Maria-Sem-Vergonha dando piruetas pelo ar, bailando às gargalhadas, feito uma borboleta que acabou de descobrir que não é mais uma lagarta! Maria-Sem-Vergonha se aproxima e, num instante, contagia Maria Vai Com As Outras, que se junta a ela numa dança feliz, sob o sol do dia! Maria das Dores intensifica o seu choro ao ver tanta alegria! Maria Vai Com As Outras se reveza entre o chororô e o sacolejar de um baile com borboletas!

As três Marias crescem juntas e aprendem a sonhar juntas também! Apesar de não estudarem na mesma escola, elas passam bastante tempo juntas, pois frequentam a mesma comunidade de fé. Entre uma brincadeira e outra no pátio da igreja, as três vão crescendo em amor, amizade e graça!

Maria-Sem-Vergonha tem o desejo de se tornar artista. Ela quer cantar, dançar, passar a vida encantando as pessoas com sua arte!

Maria das Dores quer mesmo é viver de lágrimas, mas não mais de lamentações. Quer arrancar das pessoas lágrimas de emoção e de felicidade com suas poesias!

Já Maria Vai Com As Outras, esta não sabe muito bem o que quer. Ora se deslumbra com o desejo de ser artista de Maria-Sem-Vergonha, ora deseja arranjar rimas para as poesias de Maria das Dores. Ela ainda precisa descobrir o que fala alto dentro do seu próprio coração!

Bem próximo à cidadezinha onde as três Marias habitam, há uma vila onde se ostenta uma simples, mas bela igrejinha no alto da colina. É um lugar de peregrinação para os devotos de Nossa Senhora das Graças.

Quando as três Marias ouviram os relatos e a história de Nossa Senhora das Graças, ficaram absolutamente encantadas e emocionadas! Desejaram, com todo o fervor, os raios graciosos dessa Senhora que, como elas, também se chama Maria. Maria das Graças!

As férias estavam se aproximando! As três Marias iam muito bem na escola, não ficariam de recuperação, o que significa que, logo, terão dias livres para brincar e, quem sabe, até para fazer uma peregrinação!

As três Marias, ansiosas, aguardavam as férias e, enquanto esperavam, buscavam saber mais sobre Maria das Graças, a Mãe do Menino Jesus e de todos nós. Elas foram juntas até a igreja mais próxima, a comunidade onde frequentam, e pediram ao sacerdote que lhes contasse a história de Maria das Graças.

Sorridente, o sacerdote disse:

– Que maravilha é ver três crianças juntas, tendo gosto em saber sobre as coisas do alto!

– Coisas do alto, padre? Mas eu tenho medo de altura! – exclamou Maria das Dores.

– Minha querida, as coisas do alto são as coisas de Deus! E elas estão dentro do coração de cada um. Você não precisa temer as coisas de Deus, pois Deus é amor!

Maria das Dores, aliviada, deu um suspiro!

– Bem, vocês querem saber mais sobre Nossa Senhora das Graças, não é mesmo?

– Sim, padre. Como nós, ela também se chama Maria, Maria das Graças! Queremos saber tudo sobre ela! – disse Maria-Sem-Vergonha.

O sacerdote olhou bem nos olhos de Maria Vai Com As Outras, dizendo:

– Minha filha, você está tão quietinha! Você também tem curiosidade em saber quem é Maria das Graças?

– Sim, padre. Se minhas amigas querem saber, eu também quero!

– Muito bem, então vamos lá! Para vocês entenderem quem é Maria das Graças, precisam, antes, conhecer uma mocinha chamada Catarina Labouré.

– Catarina o quê, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha entre risadas.

– Labouré! Mas não se preocupem com o sobrenome, crianças! Catarina era francesa, não falava a mesma língua que nós falamos.

– Puxa, que legal, padre! Catarina era filha de Maria das Graças? – continuou Maria-Sem-Vergonha.

Maria das Dores logo exclamou:

– Claro que não! Maria das Graças é mãe de Jesus! Só de Jesus, não é padre?

– Sim, Maria das Graças é mãe de Jesus! Mas a mãe de Jesus também é a mãe de todos nós!

Confusa, Maria Vai Com As Outras decide perguntar:

– Como ela pode ser a mãe de todos nós, se nós já temos as nossas mães?

– É verdade, todos nós nascemos de uma mãe. Cada um tem a sua. Só os irmãos têm a mesma mãe. Mas há algo muito especial que preciso contar a vocês! Todos nós temos a mesma mãe no céu e dentro dos nossos corações! Jesus, quando estava morrendo na cruz, deixou a mãe dele para nós. Maria, a mãe de Jesus, é também a nossa mãe! Nós podemos falar com ela sempre que quisermos.

– Podemos, padre? Mas como ela poderá nos ouvir? – perguntou Maria das Dores.

– É muito simples, minha querida. Uma oração é sempre uma conversa. Nós podemos conversar com Maria através das nossas orações.

– Mas como ela irá nos responder? – indagou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Maria nos dá muitos sinais! Ela nos responde através da voz que sai dos nossos próprios corações. Ela também pode nos falar por meio de outras pessoas que chegam para nos dizer exatamente aquilo que precisamos ouvir. São muitos os sinais!

– E Catarina sabia que Maria das Graças também era sua mãe? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– É justamente essa história que eu quero contar para vocês. No dia 2 de maio de 1806, nasceu Catarina Labouré!

– Padre, padre! Eu nasci no mesmo dia que ela! – exclamou Maria Vai Com As Outras.

– Só não nasceu no mesmo ano, não é? Senão, você estaria aqui, conversando com a gente em forma de caveira! – disse Maria-Sem-Vergonha às gargalhadas.

Nem o padre pôde deixar de rir. Até mesmo Maria das Dores esboçou um sorriso.

– Mas vocês me deixarão contar a história ou não?

– Sim, padre! – responderam as três meninas em coro.

– Pois muito bem, continuemos. Vou dizer um nome difícil aqui, mas não é para vocês me questionarem, pois eu já disse que Catarina era francesa e a língua francesa não é como o nosso português! Catarina nasceu em Fain-lès-Moutiers, aldeia de Borgonha, na França. Catarina vivia uma vida simples no campo, junto de seus pais e de seus irmãos. Seus pais eram cristãos muito dedicados, amavam a vida simples que levavam e realizavam seu trabalho com grande alegria. Quando Catarina tinha nove anos – apenas um ano a mais do que vocês três –, sua mãe morreu.

Imediatamente, Maria das Dores pôs-se a chorar copiosamente. Maria Vai Com As Outras chorou também. Maria-Sem-Vergonha abriu o berreiro, sem vergonha alguma! O sacerdote não sabia o que fazer para conter todas aquelas lágrimas. Foi, então, que ele interrompeu o choro, dizendo:

– Acalmem-se, meninas! Eu sei que é triste perder a mãe, sobretudo quando se é tão jovem, mas não se preocupem tanto, pois Catarina encontrou uma mãe eterna!

– Uma mãe eterna? – perguntou Maria das Dores.

– Sim, uma mãe eterna! Catarina, olhando para uma imagem de Nossa Senhora, subiu em uma cadeira para poder alcançá-la e, chorando, disse: “Agora, tu serás minha mamãe”.

As três Marias, ainda com lágrimas em seus rostos, pareciam se animar com a presença dessa mãe.

CONTINUA EM 01 DE JANEIRO DE 2020

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

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