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jan 01

ROSAS PARA MARIA – PARTE VI

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE VI -

O sacerdote prosseguiu:

– Catarina cultivava um desejo ardente de ver Maria, nossa mãe. Ela não queria vê-la apenas com os olhos do coração.

– Ela queria ver com os olhos da cara também, não é, padre? – perguntou, serelepe, Maria-Sem-Vergonha.

– Você é mesmo muito engraçada, minha filha! Mas é verdade, Catarina queria ver Nossa Senhora com os olhos do corpo! E ela fazia esse pedido em todas as suas orações, sem jamais se cansar. E o mais importante: ela tinha total confiança de que seu pedido se realizaria!

– E se realizou, padre? – questionou Maria das Dores.

– Tenha calma, minha filha. Ainda há muita história para contar. Quando Catarina tinha apenas doze anos de idade, ela já cuidava dos afazeres da casa. Seus dias eram bastante ocupados, mas ela sempre achava tempo para se dedicar às coisas de Deus! Nunca deixou de rezar e de ter atos bondosos. Catarina sempre visitava a igreja para conversar com Jesus e para pedir a Maria que conservasse a sua alma pura. Catarina fazia mais do que rezar, ela também achava tempo para visitar os doentes e socorrer os pobres em suas necessidades. Catarina tinha um grande chamado que ardia em seu coração!

– Um chamado, padre? Mas quem a chamava? – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Era o próprio Deus que a chamava, minha filha, mas Catarina não sabia como, nem onde deveria estar para responder ao chamado de Deus. Porém, certa noite, Catarina sonhou que estava rezando na capela de Fain-lés-Moutiers. Então, um padre lhe apareceu, estava paramentado para celebrar a Santa Missa. Ele parecia um santo. Terminada a missa, o tal padre fez sinal de que queria conversar com Catarina. 

– O que ele queria falar com ela, padre? – novamente, perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Vejam só, meninas, Catarina ficou com medo e tratou de sair da igreja, nem deixou o padre dizer o que queria. Ao sair da igreja, Catarina se dirigiu à casa de um doente para uma visita. E adivinhem só o que aconteceu?

– Eu já sei! O tal padre chegou lá também para visitar o mesmo doente! – disse Maria-Sem-Vergonha.

– Quase isso, minha querida! Na realidade, o padre misterioso já estava lá quando Catarina chegou. Com muita ternura, ele lhe disse: “Minha filha, é muito bom cuidar dos doentes; agora tu foges de mim, mas um dia tu me procurarás e ficarás feliz por encontrar-me. O bom Deus tem desígnios sobre ti, não te esqueças!”.

– O que são “desigui”, “desino”, desígnios, padre? – perguntou Maria das Dores.

– São propósitos, intenções, minha filha. O bom Deus tinha alguma intenção muito boa para a vida de Catarina.

– O que Deus queria com ela, padre? – curiosa, Maria Vai Com As Outras perguntou.

– Queridas, Catarina era muito simples. Aos dezoito anos, ainda não sabia ler, nem escrever. Vivia mesmo para cuidar da casa, rezar e fazer caridade. Certa vez, indo para a Casa das Filhas da Caridade, em Châtillon-sur-Seine – as meninas caíram na gargalhada com o nome –, Catarina viu uma fotografia na parede da sala de visitas. Era o tal padre que ela tinha visto no sonho. Uma das irmãs lhe explica: “É o nosso pai, São Vicente de Paulo”.  Esse santo homem, São Vicente de Paulo, junto com Santa Luísa de Marillac, fundou a Congregação Religiosa Católica Filhas da Caridade, na qual as irmãs vivem em comunidade, servindo aos pobres nos hospitais, nas escolas e onde mais eles precisarem. Nesse momento, Catarina compreendeu o desígnio de Deus para a vida dela: ela seria uma Filha da Caridade.

– Puxa, que legal, padre! Tomara que um dia eu sonhe com alguém me dizendo o que fazer também! – suspirou Maria Vai Com As Outras.

– Minha criança, Deus tem muitas formas de falar com cada filho. Na hora certa, você saberá o que fazer! 

– Catarina foi embora de casa para viver como uma irmã, padre? – questionou Maria das Dores.

– De imediato, as coisas não foram tão simples assim. O pai de Catarina não deixou a filha sair de casa e ir para um convento. Catarina sofreu muito. Depois de um tempo, refletindo melhor, o pai dela acabou aceitando, pois era uma vocação verdadeira. Então, finalmente, no dia 21 de abril de 1830, Catarina entrou no noviciado das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

– Ah, padre, quantos nomes engraçados! – sorridente, disse Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. É preciso fazer biquinho para falar francês!

As meninas caíram na gargalhada!

– Mas a história não terminou. Três dias depois da chegada de Catarina ao noviciado, ela pôde participar de uma grande solenidade: o corpo de São Vicente de Paulo foi transferido da capela onde estava para outra capela, a dos Padres da Missão. Dias depois, Catarina passou a ir, com frequência, rezar na capela de São Vicente. Quando voltava para a Rue du Bac – risinhos não puderam ser evitados –, ela parou um instante diante de um relicário. Nesse relicário, estava o coração de São Vicente. Por três dias, o coração de São Vicente apareceu para Catarina como uma imagem. Primeiro, ele apareceu branco, simbolizando a paz e a união. Depois, vermelho-fogo, simbolizando a caridade que deve arder nos corações das duas congregações de São Vicente de Paulo. Por último, apareceu preto, como sinal das desgraças que cairiam sobre a França.

– Puxa, padre! Um coração que muda de cor! Eu queria que o meu ficasse rosa, amarelo e verde! – falou Maria-Sem-Vergonha, olhando para o próprio peito.

– Um coração rosa ficaria mesmo muito bonito em você! – disse o padre, achando graça na descontração das crianças, sem que elas percebessem o real significado de cada mensagem.

– Catarina viu mais alguma coisa, padre? – quis saber Maria das Dores.

– Viu sim, minha doce criança. Catarina viu Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar, durante todo o seu noviciado. Ela só não via Jesus nas vezes em que duvidava. Ela não duvidava de que era mesmo a presença de Jesus, ela duvidava de si mesma, pois não se achava digna de ver Jesus. Essa dúvida, queridas crianças, não devemos ter em nossos corações, pois Jesus tem um amor grande por cada um de nós. Ele não fica medindo nossos pecados. Ele quer estar perto de todos nós.

– E Maria, a mãe de Jesus e nossa, Catarina viu também? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Minha querida, esse era o maior desejo de Catarina: ver Nossa Senhora! Ela continuava pedindo! Eis que na noite de 18 para 19 de julho de 1830, véspera do dia de São Vicente de Paulo, Catarina teve a felicidade de ver Nossa Senhora pela primeira vez. Catarina contou que haviam distribuído um pedaço da veste sacerdotal de São Vicente de Paulo para as irmãs. Catarina cortou a metade do pedaço que recebeu e o engoliu. Então, Catarina foi dormir, pedindo a São Vicente que lhe concedesse a graça de ver Nossa Senhora. Todas as irmãs estavam dormindo, mas, às 11 horas e 30 minutos, Catarina ouviu alguém a chamando: “Irmã! Irmã!”. Ela acordou logo e viu um menino com roupa branca, ele era menor do que vocês. Ele disse a ela: “Venha à capela: a Santíssima Virgem te espera!”. Catarina levantou rapidamente, botou uma roupa e seguiu o menino. Catarina notou que por onde eles passavam, as luzes estavam acesas. Chegando na capela, o menino mal tocou a porta, e ela já se abriu. As velas também estavam todas acesas!

O menino, então, conduziu Catarina para perto de uma cadeira, a cadeira de braços do sacerdote. Catarina se ajoelhou, o menino avisou: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina ouviu um barulho, como se fosse alguém se aproximando com um vestido de seda. Logo, viu uma senhora sentando-se na cadeira ao seu lado. Ela parecia não acreditar no que via. O menino repetiu: “Eis a Santíssima Virgem!”. Catarina, emocionada, se jogou aos pés de Nossa Senhora e apoiou as mãos sobre seus joelhos.

– E Nossa Senhora, além de aparecer, também disse alguma coisa para Catarina, padre? – curiosa, questionou Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha filha. Foi o momento mais doce da vida de Catarina. Ela nem conseguia dizer tudo o que sentia. Nossa Senhora aconselhou Catarina a como se conduzir com seu diretor espiritual e muitas outras coisas mais. Mostrando, à sua esquerda, os pés do altar, Nossa Senhora disse: “Minha filha, o bom Deus quer confiar-lhe uma missão. Você sofrerá, será contestada, mas receberá a graça. Não tenha medo... Venha aos pés desse altar. Ali, as graças jorrarão sobre todas as pessoas que mais pedirem com confiança e fervor. As graças serão concedidas aos grandes e pequenos”.

Muitas outras coisas foram reveladas mais tarde, nem tudo era bom. Algumas desgraças viriam para a França e para o mundo inteiro. Nossa Senhora se preocupava também com os abusos e relaxamento nas comunidades de sacerdotes e freiras vicentinas. Mas o consolo viria: Nossa Senhora prometeu, nas horas trágicas, dar sua proteção especial aos filhos e filhas de São Vicente de Paulo.

– Nossa, padre! Eu ficaria com muito medo! – disse Maria das Dores.

– Não, querida, não é preciso ter medo. Devemos vigiar e orar constantemente. Devemos estar sempre atentos aos sinais que Deus e Nossa Senhora nos dão.

– Mais alguém viu Nossa Senhora junto com Catarina, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha querida, mas Nossa Senhora mandou que Catarina fizesse um pedido ao seu confessor, o padre Aladel. Ela desejava que ele fundasse uma Confraria das Filhas de Maria.

– Puxa, que legal! Nós três somos Marias, podíamos participar dessa confraria, não é padre?

– Certamente, minhas crianças! Vocês levariam muita alegria para um convento!

– O que mais Nossa Senhora disse, padre? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Depois disso, Nossa Senhora desapareceu, e aquele menino de veste branca – o anjo da guarda de Catarina -, levou-a de volta ao quarto.

– Nossa Senhora nunca mais voltou, padre? – reiterou Maria Vai Com As Outras.

– Voltou sim, minha querida! A segunda aparição de Nossa Senhora aconteceu num sábado, no dia 27 de novembro de 1830, às 5 horas e 30 minutos daquela tarde. 

– E Catarina estava no quarto de novo, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Não, minha filha. Era um pouco cedo para ela se recolher. Dessa vez, Catarina estava na capela, fazendo suas orações. De repente, ela ouviu aquele mesmo barulho, como se alguém com uma veste de seda se aproximasse. Então, Nossa Senhora apareceu vestida de seda branca. Estava linda! Vestia um véu, também branco, descendo até a barra do vestido.

– Ela devia estar parecendo uma linda noiva! – disse Maria das Dores.

– Sim, minha filha! Os pés de Nossa Senhora estavam apoiados sobre a metade de um globo e esmagavam uma serpente! As mãos dela estavam erguidas na altura do peito e seguravam um globo de ouro, com uma cruz em cima. Ela olhava para o céu! De repente, o globo desapareceu de suas mãos. Então, suas mãos se abaixaram. Catarina logo percebeu que Nossa Senhora trazia, em seus dedos, anéis cobertos de belíssimas pedras, umas grandes, outras menores. Dessas pedras, saiam raios de um brilho intenso! Brilhavam tanto, que o brilho saía dos dedos das mãos e chegava até os pés de Nossa Senhora.

– A serpente não picou Nossa Senhora, padre? – nervosa, perguntou Maria das Dores.

– Não, minha querida. Nossa Senhora é mais forte do que a serpente! A serpente, na verdade, representa o mal. Mas Nossa Senhora, com sua bondade e doçura, é maior do que qualquer mal e está sempre nos defendendo, basta que peçamos a intercessão dela!

– E o globo, padre, é a Terra? Na escola, a professora já mostrou um globo pra gente, mostrou até onde fica o nosso país! – argumentou Maria Vai Com As Outras.

– Sim, minha querida. Nossa Senhora explicou isso para Catarina: “Este globo que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que mais pedem”.

– Então, só temos que pedir, padre? – perguntou, animada, Maria-Sem-Vergonha.

– É exatamente isso, minha querida! Nossa Senhora quer que peçamos graças para ela. Só precisamos pedir e acreditar. Nossa mãe amada quis mostrar para Catarina o quanto ela é generosa para com as pessoas que lhe pedem graças e o quanto ela se alegra em conceder tais graças!

– Eu vou fazer uma lista de coisas para pedir! – exclamou Maria das Dores.

– Mas pense bem no que vai pedir, minha filha! Bom, continuando, formou-se, então, um quadro de forma oval em torno de Nossa Senhora! Nesse quadro, estava uma frase em letras de ouro: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Então, Catarina ouviu uma voz que disse: “Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todas as pessoas que a trouxerem consigo, usando-a em torno do pescoço, receberão grandes graças. Elas serão abundantes para todos que a usarem com confiança”. Depois de alguns instantes, o quadro se virou. Na parte de trás do quadro oval, Catarina viu a letra “M” com uma cruz em cima e dois corações embaixo. O coração da esquerda estava cercado de espinhos. O coração da direita estava transpassado por uma espada. Cercando todos esses elementos, havia doze estrelas distribuídas em forma oval. E, assim, terminou a segunda visita de Nossa Senhora a Catarina.

– De quem são os dois corações que Nossa Senhora queria na medalha, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

CONTINUA EM 08 DE JANEIRO DE 2020

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 *Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

 

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