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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jan 08

ROSAS PARA MARIA – PARTE VII

ROSAS PARA MARIA

ROSAS PARA MARIA!

*Por Viviane Gonçalves Noel –

*Este livro foi criado por Viviane Gonçalves Noel e os fatos históricos sobre as aparições de Nossa Senhora das Graças foram pesquisados no “Devocionário a Nossa Senhora das Graças”, EDITORA CANÇÃO NOVA, São Paulo, SP, Brasil, 2010.

PARTE VII –

– Ah, esses dois corações são muito importantes, minha querida! O que estava cercado de espinhos é o coração de Jesus, lembrando a coroa de espinhos que foi colocada em sua cabeça. Jesus se doou, porque nos ama muito. O coração que estava transpassado por uma espada é o de Maria, pois ao ver seu filho sendo cruelmente crucificado, Maria sentiu uma dor no coração, era como se alguém ferisse o coração dela com uma espada!

– A letra “M” é a letra do nome de Maria, não é padre? – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– Isso mesmo, minha filha! E a cruz é a cruz de Cristo, Nosso Senhor! A letra “M” e a cruz estão entrelaçadas, mostrando o quanto mãe e filho estão ligados no amor e na dor! Nós também podemos e devemos unir nossos corações aos corações de Jesus e de Maria.

– E as estrelas, padre? – perguntou Maria das Dores.

– As doze estrelas representam os doze apóstolos de Jesus. Representam a igreja também. Todos nós somos convidados a sermos luz para o mundo!

– Eu quero ser uma estrela, padre. Ou, talvez, um vagalume! Assim, posso sair voando por aí, iluminando o caminho! – disse Maria-Sem-Vergonha.

Tanto as meninas quanto o padre não puderam deixar de rir. Maria-Sem-Vergonha sabia como alegrar qualquer história!

– Meninas, agora eu vou contar sobre a última visita que Catarina recebeu de Nossa Senhora!

– Ah, não, padre! Já vai ser a última? – lamentou Maria das Dores. 

– Sim, minha filha. Mas não lamente, pois, todos os dias, Nossa Senhora visita cada um de nós, basta que pensemos nela e peçamos a sua intercessão, sobretudo na oração do terço! Pois muito bem, vamos à última visita! Em dezembro de 1830, Catarina estava, como da última vez, fazendo suas orações às 5 horas e 30 minutos da tarde. De repente, Catarina ouviu aquele mesmo barulhinho gostoso de alguém com uma roupa de seda se aproximando. Nossa Senhora apareceu junto ao tabernáculo, com os mesmos raios luminosos. Ela confirmou a missão que Catarina recebeu de mandar cunhar a medalha. Catarina foi orientada a pedir ajuda ao seu confessor, o padre Aladel. Catarina contemplava, admirada e feliz, a Santa Virgem. Então, ouviu uma voz em seu coração que dizia: “Estes raios são o símbolo das graças que eu obtenho para as pessoas que mais pedem”. Ela obtém essas graças de Jesus! A mãe pede, e o filho concede!

– A minha lista de pedidos vai ser a maior de todas! – exclamou Maria-Sem-Vergonha. 

– Posso imaginar o tamanho da sua lista, minha querida! Veja lá o que vai pedir, hein! Continuando, Catarina reparou que não saiam raios de algumas pedras dos anéis de Nossa Senhora. Imediatamente, ela ouviu uma voz que lhe esclareceu tudo: “Estas pedras das quais não sai luz são as graças que os homens se esquecem de me pedir”. Logo depois, Nossa Senhora lhe disse: “Você não me verá mais”.

Catarina contou tudo ao padre Aladel e pediu a ele que guardasse segredo de sua identidade. Ela não queria que as pessoas soubessem que esses recados de Maria foram dados a ela. Catarina não contou nem mesmo para suas irmãs de comunidade. O padre guardou esse segredo por 46 anos.

– Então, padre, temos que pedir sempre! Nossa Senhora que mandou! – concluiu Maria-Sem-Vergonha, ainda pensando em sua lista de pedidos.

– Não posso negar isso, minha querida! Temos uma mãe muito generosa!

– Padre, Catarina fez a medalha que Nossa Senhora pediu? – curiosa, Maria Vai Com As Outras perguntou.

– Vou contar agora! Terminado o tempo de noviciado de Catarina, ela recebeu o hábito! No dia 5 de fevereiro, chegou ao Asilo d’Enghien, em Reuilly, um bairro bastante pobre de Paris. Lá, ela serviu aos pobres por 46 anos, cuidando dos idosos, dos que viviam na miséria e dos feridos na guerra e nas revoluções.

O padre mal pôde terminar de contar, pois as meninas cochichavam e riam, colocando a mão na boca.

– Ora, meninas, o que foi desta vez?

Maria-Sem-Vergonha se apressou em responder:

– O senhor está sempre falando esses nomes engraçados! Fez até biquinho para falar o nome do lugar para onde Catarina foi!

– Ah, mas vocês não têm jeito mesmo! Vamos, façam biquinho comigo, vamos aprender algumas palavras em francês!

Terminada a brincadeira, o padre prosseguiu:

– Vocês se lembram a quem Catarina deveria recorrer para fazer a medalha?

– Eu me lembro, padre! Ela deveria pedir ajuda ao seu confessor, o padre sei lá o quê! – exclamou Maria das Dores.

– Muito bem! Foi isso mesmo! Catarina deveria recorrer ao seu confessor, o padre Aladel. Nossa Senhora disse: “Ele é meu servidor”.

– E ele ajudou a fazer a medalha, padre?  – perguntou Maria Vai Com As Outras.

– No início, o padre Aladel não acreditou no que disse Catarina. Ela insistiu por dois anos. Então, o padre Aladel resolveu procurar o arcebispo de Paris, Dom Quélen, para pedir sua autorização. Em 20 de junho de 1832, o arcebispo autorizou a cunhagem de duas mil medalhas, seguindo as instruções de Nossa Senhora. A primeira medalha foi dada à irmã Catarina!

– Nossa! Quantas medalhas! – exclamou, admirada, Maria das Dores.

– Ah, minha querida, isso não é nada! Em 1836, mais de dois milhões de medalhas haviam sido cunhadas!

– Nossa! – exclamaram em coro as três meninas.

– E as graças começaram a ser proclamadas, crianças! Quando as primeiras medalhas foram cunhadas, uma terrível epidemia de cólera chegou até Paris. O tormento começou no dia 26 de março de 1832 e foi até o meio do ano. Até o fim da epidemia, mais de 18.400 pessoas morreram.

Maria das Dores começou a chorar!

– Não chore, minha criança! Eu sei que, muitas vezes, a vida é mesmo dura, mas lembre-se de que temos uma mãe muito amorosa intercedendo por nós! No dia 30 de junho, as primeiras 1.500 medalhas foram dadas para as religiosas Filhas da Caridade. Elas tinham, por missão, distribuir todas essas medalhas aos doentes. No mesmo momento em que as medalhas começaram a ser distribuídas, a epidemia parou. Era Nossa Senhora cumprindo o que havia prometido! Várias pessoas se converteram. Foram muitos os relatos de proteção e de cura. Em poucos anos, a medalha ficou conhecida em todo o mundo! O povo deu a ela o nome de “Medalha Milagrosa” ou “Medalha de Nossa Senhora das Graças”. A partir de 1830, a invocação que estava inscrita na medalha passou a ser repetida milhares de vezes por cristãos do mundo inteiro: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. E, mais lá na frente, no dia 8 de dezembro de 1854, o papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição! Maria, por uma graça especial, é sem pecado desde o começo de sua concepção!

– Que maravilha, padre! – suspirou, aliviada, Maria das Dores.

– Sim, minha filha, podemos sempre recorrer à intercessão de Maria. Diante do fato que relatei, o arcebispo de Paris, Dom Quélen, mandou que se fizesse uma investigação sobre a origem e os efeitos da medalha. A conclusão foi que o enorme número de medalhas cunhadas e distribuídas, tendo como resultado muitos benefícios e graças admiráveis, parecia mesmo sinais do Céu, confirmando as aparições e a verdade do que Catarina dizia. A Medalha Milagrosa continuou sendo distribuída para milhares de pessoas, em várias partes do mundo!

– A Medalha Milagrosa é um presente que Nossa Senhora quer que usemos no pescoço, bem perto do coração, não é padre? – disse, animada, Maria Vai Com As Outras.

– É sim, minha querida! Um presente especial de uma mãe que cuida de nós! Vocês se lembram de que Maria havia pedido ao padre Aladel que fundasse uma confraria?

– Eu me lembro, padre! A Confraria das Filhas de Maria! – disse Maria das Dores, toda prosa!

– Isso mesmo, minha filha! Pois bem, no dia 8 de dezembro de 1838, nasceu em Beaumé a Confraria das Filhas de Maria!

– E Catarina viu tudo isso acontecer, padre? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Viu sim, minha querida! Somente na primavera de 1876, Catarina sentiu que sua hora de ir para o Céu estava próxima. No dia 31 de dezembro, num domingo, chegou o dia em que Catarina se encontraria com Jesus e com Maria! Viveria eternamente feliz! Antes, porém, Catarina ainda deixou um conselho: “A Santíssima Virgem está penalizada, porque não apreciam o tesouro que legou à comunidade na devoção à medalha milagrosa. Não sabem aproveitá-la devidamente. Mas está penalizada, sobretudo, porque não rezam o terço como convém rezá-lo. A Santíssima Virgem prometeu conceder graças particulares aos que rezassem na capela, principalmente um aumento de pureza de espírito, de coração e de vontade, que é o puro amor”. O último suspiro de Catarina foi doce e suave, no momento em que terminava de rezar a ladainha da Imaculada Conceição!

A madre superiora só ficou sabendo que Catarina tinha sido, por Maria, a escolhida para tão nobre missão, pouco tempo antes de sua morte.

– Catarina morreu feliz, não é padre? – questionou Maria Vai Com As Outras.

– Sim, minha filha. Muito feliz! Em 1933, o papa Pio XI beatificou Catarina! O corpo dela foi exumado por ordem do arcebispo. Para surpresa de todos, o corpo dela estava perfeitamente conservado, até os olhos dela estavam perfeitos! Então, o corpo de Catarina foi colocado num caixão de cristal, embaixo do altar das aparições.

– Então, quem visitar a igreja da Medalha Milagrosa, em Paris, poderá ver Catarina? – perguntou Maria-Sem-Vergonha.

– Sim, minha querida. Todos nós podemos vê-la! Em 1947, depois de um processo de investigação das aparições, o papa Pio XII declarou Catarina como Santa. Então, minhas queridas, temos mais uma Santa no Céu, intercedendo por nós! Salve Santa Catarina Labouré! E eu tenho outra novidade que vocês vão gostar: em 1894, o papa Leão XIII aprovou a missa da festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa! E ela é celebrada em todo o mundo no dia 27 de novembro de cada ano! Portanto, todo ano, podemos festejar o dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa ou, como muitos preferem, o dia de Nossa Senhora das Graças!

– Oba, oba, oba! – festejaram as três Marias!

Terminada a história, o amável sacerdote abraçou cada uma das meninas, desejando que elas nutrissem uma amizade verdadeira com Maria Santíssima!

Mais um tempo se passou e pronto: as férias chegaram! A preocupação das três Marias não era com o banho de piscina, nem com o escorregar do alto do morro, sentadas em pedaços de papelão. O que ardia forte nos corações dessas três amigas era o desejo de encontrar a quarta Maria, a das Graças.

O dia da peregrinação chegou! Um grupo de romeiros se organizou e pôs-se a caminhar, ainda de madrugada, seguindo a luz das estrelas e da linda e gigante lua que brilhava no céu, aguardando o calor do nascer do sol!

Junto ao grupo, as três Marias caminhavam animadas, pensando no encontro que estava por vir. Todos cantavam canções de louvor a Deus e a Maria das Graças. Entre uma canção e outra, um comentário era feito. Alguém gritou:

– Vocês sabem por que Nossa Senhora das Graças está de braços abertos?

Outro alguém respondeu:

– Eu sei! Para nos acolher. Ela espera por nós!

Outro romeiro disse:

– Mas o que mais me emociona é contemplar os raios que saem dos dedos das mãos de Nossa Senhora das Graças!

Então, Maria-Sem-Vergonha, sem vergonha alguma, gritou lá do meio da multidão em peregrinação:

– E por que não saem raios de alguns anéis nos dedos das mãos de Maria das Graças?

Maria Vai Com As Outras sorriu, imaginando se mais alguém saberia a resposta!

– É mesmo! Por que só saem raios de alguns dedos? – curioso, perguntou mais um dos romeiros.

Maria das Dores não resistiu e dissipou a dúvida:

– Os raios são símbolos das graças que Maria derrama sobre nós e sobre toda a Terra! Os dedos, dos quais não saem graças, simbolizam as graças que Maria deseja nos ofertar, mas nós não as pedimos. 

Então, dona Ceci – uma romeira muito devota e amorosa –, com os olhos arregalados e o coração disparado, logo gritou:

– Maria das Graças deseja que peçamos a ela graças para nossas vidas?

Maria das Dores respondeu emocionada:

– É exatamente isso! Precisamos pedir com fé, esperança e amor, e Maria, que sempre guardou tudo no coração, vai guardar nossos pedidos também, vai apresentá-los a Jesus e vai nos ajudar a realizar o desejo mais lindo que Deus plantou em nossos corações.

CONTINUA EM 15 DE JANEIRO DE 2020

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*Viviane Gonçalves Noel é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. É autora dos livros "Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza", "O Travesseiro Mágico" e "Ouse Escutar a Voz do Seu Coração - um livro para refletir e colorir". Atua como dramaturga na Satura Companhia de Teatro e é terapeuta em Cura Prânica, credenciada pelo Instituto Inner Sciences.

 

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