Lisaac

Sementes da Palavra, É tempo de semear

«

»

fev 01

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO: VIDA E OBRA

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO - 2020

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO: O QUE SABEMOS SOBRE ELE –

Berthold Altaner e Alfred Stuiber, pelas Edições Paulinas, trouxeram a público, nos idos de 1972 a 2ª edição do livro “Patrologia”, por meio do qual tratam das vidas e das obras do chamados Pais da Igreja. Para início de conversa, ambos fazem questão de apresentar logo a definição, e as distinções, dos termos “Patrologia” e “Patrística”, ensinando que o primeiro (Patrologia) está intimamente relacionado com a história das obras literárias, tanto dos Padres da Igreja, quanto dos autores não eclesiásticos. Deste modo, falar em “Patrologia”, é falar do estudo e da pesquisa literária produzida, de um modo geral, pelos primeiros autores, eclesiásticos ou não, da Igreja nascente. A “Patrística”, por sua vez, refere-se à vida, ao testemunho, às pregações e aos dogmas expostos e defendidos pelos primeiros Padres da Igreja.

Dos escritos de B. Altaner e de A. Stuiber[1], vamos falar, hoje, sobre João Crisóstomo, nascido em Antioquia, entres os anos 344 e 354 d.C. e falecido no ano de 407:

“À semelhança de outros insignes Padres da Igreja do séc. IV, João só recebeu o batismo já adulto (372). No prin­cípio, levou vida ascética na casa de sua mãe; depois passou 4 anos sob a direção de velho eremita, e logo em seguida viveu, durante dois anos, como monge anacoreta, nas montanhas vizi­nhas de Antioquia. Desde o batismo iniciara-se nos estudos teoló­gicos, juntamente com Teodoro (mais tarde bispo de Mopsuéstia), tendo por mestre Diodoro (depois bispo de Tarso). Sua saúde precária obrigou-o a regressar à cidade, onde foi ordenado diácono em 381 e, em 386, presbítero. Até 397 exerceu o ofício de pregador na igreja principal de Antioquia; aí pronunciou também suas melhores homílias exegéticas, firmando sua reputação de orador. Sua eloquência se patenteou particularmente nas 21 homílias pro­nunciadas em 387, por ocasião do motim em protesto contra o aumento dos impostos, durante o qual foram derrubadas as está­tuas do imperador (homílias das estátuas). Na última homilia, no dia de Páscoa, João pôde anunciar que o bispo Flaviano obteve em Constantinopla plena anistia do imperador para a cidade.

For ordem do imperador Arcádio e graças a um ardil, João foi levado, em 397, a Constantinopla e apesar de seus protestos, foi designado sucessor de Nectário, o patriarca defunto; Teófilo de Antioquia, a contragosto, sagrou-o bispo (26-2-398). João levava vida muito simples em Constantinopla, cuidando zelosamente dos pobres e enfermos. Esforçou-se por abolir toda espécie de relaxa­mento da Igreja; entre outras medidas, fez depor, no Sínodo de Éfeso, vários bispos simoníacos. Em consequência das perturba­ções e intrigas políticas, depois da queda do poderoso ministro Eu- trópico (399), João atraiu sobre si o ódio da imperatriz Eudóxia. Seus adversários principais foram Severino, bispo de Gábala, Acácio de Beréia, Antíoco de Ptolemaida e, mais que todos, Teófilo de Alexandria, ambicioso e ávido de poder, que tentava salvaguardar a preeminência de sua Igreja no Oriente, ameaçada, sem dúvida, desde 381, pelo bispo da metrópole imperial.

Quando Teófilo teve de justificar-se em Constantinopla (402) de diversas acusações levantadas contra ele pelos monges do deserto da Nítria, imputou a culpa a João e passou ao contragolpe. Em agosto de 403, no Sínodo do Carvalho, — assim denominado por causa da propriedade rural de Drus, situada perto de Calcedônia — composto por 30 bispos, Teófilo moveu processo contra João e fê-lo depor devido à sua tríplice recusa de comparecer; o impe­rador o desterrou.

Logo depois, sucedeu um acidente no palácio, aterrorizando a imperatriz. No dia seguinte, João recebeu ordem de voltar. Dois meses mais tarde, a imperatriz sentiu-se ofendida por um sermão de João, de modo que seus adversários tinham de novo campo livre para intrigas. Na noite de Páscoa, a solene administração do batismo foi impedida à força armada, e simultaneamente procuraram assassinar a João. Mais uma tentativa de depô-lo por novo síno­do, foi frustrada; não obstante, os bispos adversários obtiveram do imperador outro decreto de exílio. João entregou-se imediata­mente (9-6-404), a fim de evitar tumultos. O primeiro desterro foi para Cucuso, na Armênia; três anos mais tarde, ao ser exi­lado para a longínqua cidade de Pitiunte, na margem oriental do mar Negro, João faleceu durante a viagem, em Comana, no Ponto (14-9-407).

Neste ínterim, seus adeptos, os “joanitas”, foram perseguidos em Constantinopla, por se negarem a entrar em comunhão eclesial com os novos patriarcas Arsácio (f 405) e Ático (†425). O papa Inocêncio I e todo o Ocidente tomaram o partido de João e reti­raram Constantinopla, durante certo tempo, da comunhão com a Igreja.

O imperador Teodósio II, filho de Eudóxia, mandou transla­dar os despojos do santo e sepultá-los na igreja dos Santos Apósto­los, em Constantinopla.

A herança literária de João é mais ampla que a de todos os outros escritores orientais, porque se conservam suas obras. Dos ocidentais, só Agostinho se lhe pode equiparar. Com relação ao conteúdo, seus escritos oferecem material muito rico não apenas ao teólogo, mas também para a história da civilização. João Crisós­tomo, por ser antes de tudo pregador e pastor de almas, bem realista, é o mais exímio orador sacro da Igreja grega. A maior parte de seus escritos consta, portanto, de homílias e outros ser­mões, frequentemente apanhados por estenógrafos, e só mais tarde publicados; há, outrossim, sermões que foram, provavelmente, só escritos e não pronunciados realmente. Suas homílias, que dura­vam, às vezes, duas horas, não fatigavam seus ouvintes gregos por causa de sua excepcional exposição e seu vigoroso efeito orató­rio. Pareciam-lhes magistralmente vivazes pelo emprego de ima­gens e semelhanças, pelo nexo com situações concretas da época e digressões interessantes.”[2]

CONTINUA

 

______________________________________________________________ [1] ALTANER, Berthold e STUIBER, Alfred – PATROLOGIA – São Paulo – Paulinas: 1972. 540 páginas. [2] Op. Cit. págs. 324-326.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: