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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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out 21

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

29º. DOMINGO COMUM – NINGUÉM RECEBE QUALIDADES PARA SI –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

ISAÍAS 53, 10-11, é profecia que diz direto sobre Jesus: o Senhor o provou com o sofrimento. Por isso ofereceu sua vida para obter o perdão de suas faltas.    

Muitas vezes as profecias do tempo antes de Cristo sobre o próprio Cristo, Salvador prometido, falam de seus sofrimentos como preço e paga de nossa salvação.

Podemos aproveitar exemplo simples e que se repete muitas vezes como sinal de que o amor aos outros é o maior valor de nossa vida. O amor da mãe por seu filho. Em todos os momentos: de saúde, de alegria, de carinho, de resposta sincera de confiança total da criança à sua mãe, principalmente em momentos de doença.

Em nossa vida humana desenvolvemos nossas qualidades físicas e espirituais por meio de esforços para ir superando os obstáculos, isto é, por uma ação que vá vencendo as dificuldades.

Só conseguimos vencer etapas com esforço e superando os empecilhos. A própria natureza viva dos seres é assim: precisa sair de si mesmo, caminhar, ir ao encontro do que necessita e deseja para se transformar e desenvolver-se.

O que a Palavra de Deus chama de sacrifício como meio de transformação pessoal ou de oferta a Deus para colocar-se em suas mãos para si e para outros, é apresentado como meio de salvação que Jesus realizou por todos nós.

E em seu caso foi sofrimento causado por pessoas religiosas que por inveja o condenaram à morte na cruz.

CARTA AOS HEBREUS 4, 14-16, o escritor sagrado chama Jesus de Sumo Sacerdote porque assumiu a responsabilidade primeira de sacerdote para suplicar a Deus por nós. Por isso foi provado em tudo.  Assim aproximemo-nos com confiança do trono da graça para conseguir misericórdia no momento oportuno.           

Entre os judeus, o sumo Sacerdote era a mais alta autoridade no campo da vida religiosa e administrativa do povo judeu. De alguma forma seria a pessoa que podia e devia apresentar a Deus nas cerimônias religiosas e na condução da comunidade tudo o que dizia respeito ás suas necessidades e ao culto a Deus.

Jesus é o Sumo Sacerdote da Nova aliança que por si e em nosso nome apresenta ao Pai o louvor, a adoração, a oferta do fruto de nossos trabalhos, e a entrega de nossa vida de tudo o que somos e fazemos, ao Pai.

E visto que nem sempre estamos em dia em nosso amor e entrega ao Pai, porque pecamos, Cristo por sua vida, ensinamentos, paixão e cruz intercede em nosso favor, pedindo perdão de nossos pecados e fortalecendo nossa frágil vontade com suas graças, sua presença salvadora, por meio dos sacramentos de sua Igreja que nasceram do lado aberto de Cristo na cruz..

A salvação que nos vem de Cristo começou com sua vida e sofrimentos e continua em sua Igreja de modo especial no Santo Sacrifício da Missa. A diferença do sumo Sacerdote judeu era que ele também pedia por si mesmo, pois era um ser humano com seus pecados. Por isso também, como os outros, necessitava do perdão de Deus para poder louvar, agradecer e adorar o Deus Santo e forte.

MARCOS 10, 35-45, Tiago e João foram pedir a Jesus lugar especial em seu reino. Jesus pergunta se iriam beber do cálice que ele beberia. Disseram que sim. Jesus confirmou que iriam beber sim. Mas que seu pedido só o Pai de Cristo podia conceder. Quando os outros apóstolos souberam do pedido deles ficaram aborrecidos. Jesus lhes diz que entre eles não pode acontecer isso. Quem quiser ser maior deve servir os outros.

Os evangelistas são sinceros e verdadeiros pois apresentam os fatos, dizeres de Jesus, dos apóstolos e do povo como de fato aconteceram. Nada é inventado ou fruto de entusiasmo do momento. E como os apóstolos eram como nós somos, aparecem suas faltas, erros, discussões. Que são oportunidade para Jesus orientar melhor suas vidas agora e depois quando estiverem com as responsabilidades de serem na Igreja evangelizadores.

Algumas vezes Jesus precisava chamar à atenção dos discípulos sobre esta nossa fraqueza e mania de disputa, de querer estar na frente, em evidência.

Santa Madre Teresa de Calcutá estava na cerimônia em que iria receber um prêmio por seu grande trabalho comunitário em favor dos mais necessitados. Depois dos discursos e distribuição dos prêmios todos foram para o coquetel de comemoração. Procuraram a irmã. Tinha sumido. Fora embora com a ajuda para seus pobres.

Para Jesus quem é mais, quem tem mais possibilidade, quem pode mais deve servir aos outros. Ninguém recebe qualidades para si. E quando com esses dons vamos ao encontro dos outros nós nos tornamos mais ricos, mais capazes mais amados e mais felizes.

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* Mons. José Maria Pereira, Sacerdote da Diocese de Petrópolis, é, também, Professor, Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Niterói e Diocesano de Petrópolis e Vigário Paroquial de Nossa Senhora de Fátima  enviando para o Blog, semanalmente, a homilia do domingo.

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