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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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out 28

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – MESTRE, QUERO VER DE NOVO –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM JEREMIAS, 31, 7-9, o Senhor diz: gritem de alegria por Jacó (os da família dos judeus). O Senhor salvou seu povo. Eu os levo de volta todos, o cego, o coxo, as mulheres grávidas. Vou levá-los por caminhos retos, sem tropeço. Eu sou um pai para Israel.

O profeta depois de descrever as dificuldades, os problemas, e anunciar até desgraças por causa da infidelidade do povo e de sua situação de exilados em terra estranha, expressa neste trecho a alegria e felicidade de Deus por poder resgatar ainda que seja um resto, uma parte do povo escolhido.

E promete não só acompanha-lo, mas tirar todas as dificuldades de seus caminhos, cuidando dos que estão situações de fragilidade.

Nesta e em tantas outras passagens da História do Povo de Deus, o Senhor que jamais deseja o mal para ninguém e se sente constrangido quando permite provações, manifesta também a alegria que é sua nota característica quando as pessoas conseguem retornar para o bom caminho.

O que Deus mais deseja é ver nosso rosto alegre e agradecido por suas atenções e carinho.

Várias parábolas e milagres de Jesus manifestam sempre a felicidade de Deus, como um pai cuidadoso, quando as pessoas que se afastaram do caminho do bem ou da saúde, voltam-se para Ele curados e abençoados.

NA CARTA AOS HEBREUS, 5, 1-6, o autor sagrado apresenta o sacerdote que vem do meio do povo para oferecer sacrifícios pelos pecados. Compreende os que erram. Oferece sacrifícios pelos pecados do povo e de seus próprios. Cristo recebeu daquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei... Tu és sacerdote para sempre.

Sacerdote é aquele que oferece algo sagrado a Deus ou transforma a pobre oferta das pessoas como presente sagrado, abençoado, agradável para Deus.

 No início da criação do universo o Senhor deu de presente ao ser humano esta terra com tudo o que ela é, tem, representa e oferece. A palavra usada é que o ser humano domine sobre todas as coisas (Gn 1,26b) como presente valioso em herança para seus filhos.

Por sua inteligência, vontade, sensibilidade e liberdade, o ser humano espiritual acima dos outros seres, seria o sacerdote deste universo. Não é dono do que recebeu, mas tudo está a seu serviço, para com estes presentes ser a voz, o louvor, o agradecimento ao seu Criador, apresentando como oferta sagrada a Deus seu Pai, pelos presentes com que cada dia alegra sua vida.   

Com a desobediência ao Criador e com dificuldade de respeitar este universo e usá-lo para o bem, por ter-se afastado de Deus, o homem precisou de alguém que não desfigurado pelo pecado pudesse de novo se apresentar para oferecer seus presentes ao Pai. Jesus veio para caminhar à nossa frente e ser sacerdote para sempre em nossa vida.

Unidos Ele, o grande e eterno sacerdote, somos bem representados para manifestar ao Pai nossa adoração, louvor e agradecimento com e por todas as criaturas e pelas ações de nossa vida. E também, perdoados de nossos pecados, possamos ser mesmo na casa do Pai sua alegria e felicidade.

EM MARCOS, 10, 46-52, em Jericó o cego Bartimeu estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus estava passando, gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”. Alguns mandavam que ele não gritasse tanto assim. Mas ele mais ainda suplicava ao Senhor.  Jesus parou, mandou chamá-lo. De um pulo foi até Jesus que lhe perguntou: “que quer que eu faça por você?” E ele: “meu Mestre, quero ver de novo.” E Jesus: tua fé te curou. Começando a ver de novo, o cego seguia Jesus.

Muitas lições neste pequeno trecho. Um mendigo, sentado à beira do caminho, excluído da sociedade pela cegueira (tido por muitos como castigo de Deus!) Quantas pessoas havia passado por ali... Mas quando ouve o vozerio da multidão, percebe que é Jesus que estava ali, de quem já haviam falado a ele.

A súplica dele em gritos já é um ato de fé: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim! Expressão que o reconhecia como o Salvador prometido. Mandam que cale a boca, que não incomode, que fique ali com sua cegueira desprezado à beira da estrada.

Imagine perder esta ocasião! Continua a gritar. Jesus manda chamá-lo. Os que foram lhe disseram: coragem! Ele te chama, Levanta-te!  Deixando seu manto, deu um pulo! Confiava tanto que não precisava mais daquele andrajo de mendigo cego. E caminha firme e esperançoso. Jesus ainda o provoca: que quer que eu lhe faça?

Ele, feliz o chama já de meu Mestre!  Mestre em todos os sentidos, senhor de tudo, de minha vida, de minha cegueira! E Jesus o cura por causa de sua fé.

Ele nem pensou duas vezes, em vez de voltar para sua família, para os seus, foi seguindo Jesus pelo caminho!

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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