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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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abr 30

SEMANÁRIO DOMINICAL: EM EMAÚS, JESUS PARTE O PÃO NOVAMENTE

PAULO DAHER

3º. DOMINGO DE PÁSCOA – AO PARTIR O PÃO, ELES O RECONHECERAM –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

 EM ATOS 2, 14.22-33, no dia de Pentecostes Pedro com os apóstolos falou à multidão anunciando Jesus, quem foi, o que fez de bem a tanta gente. E foi crucificado. Lembrou as palavras do rei Davi que previam a ressurreição do Salvador.  Jesus ressuscitou e disso nós somos testemunhas. E agora Ele está à direita de Deus. E derramou seu Espírito que fora prometido pelo Pai.

Quem ama procura conhecer sempre mais a pessoa a quem ama.

As primeiras palavras dos apóstolos sobre o novo reino de Deus, era falar de Jesus. Quem foi, o que fez por todos nós, seus sofrimentos, sua morte da cruz e sua ressurreição.

Falar sobre o poder de Jesus, a sabedoria de suas palavras, o fato de atrair multidões para ouvi-lo, curar as enfermidades mais diversas e até ressuscitar mortos, é uma parte da mensagem de Cristo.

A segunda razão é que Deus Pai o enviou à terra para ser o nosso Salvador, assumir sobre si nossos pecados e pedir por nós perdão ao Pai.

A terceira razão é levar-nos de volta para a casa do Pai, de onde fugimos com nossos pecados, para viver o grande presente que recebemos: somos filhos de Deus. E mais somos irmãos entre nós: muito recebemos, muito temos de dar a todos.

Pelo batismo, somos novas criaturas, e recebemos a missão de ir em busca de novos irmãos para o reino de Cristo.

Ninguém dá o que não tem. Se temos de fazer com que outras pessoas conheçam Jesus, nós em primeiro lugar devemos procurar conhecer mais ainda nosso Salvador. Mas não só a história da vida dele que o evangelho nos apresenta.

O conhecimento da pessoa de Cristo só será mais comprometedor se nós “convivermos” com Ele. Pois não podemos só dar notícias dele. Temos de apresentar a experiência pessoal que tivermos de convivência com Ele.

Jesus não é um personagem histórico que viveu há dois mil anos atrás, como tantas pessoas como reis e imperadores daquela época..

Quando rezamos com nossa Igreja: Jesus ressuscitou e está vivo no meio de nós, devemos estar com Ele, ouvindo sua Palavra, orando com Ele e pedindo que ore conosco ao Pai. Temos de ter mesmo um conhecimento pessoal de Jesus. É como dizia. S. João no Apocalipse: Eis que Eu estou à porta e bato. Se escutar minha voz e abrir, virei a ele, cearei com ele e ele comigo(Ap 3,20)

NA 1ª, CARTA DE PEDRO, 1, 17-21, diz quem invoca a Deus como Pai, deve respeitar a Deus nesta vida. Pois fomos resgatados de uma vida sem sentido à procura de bens perecíveis, pelo sangue de Cristo.  Ele já antes da criação do mundo foi destinado para esta missão. Por Ele temos a fé em Deus que o ressuscitou e o elevou à glória. Assim nossa fé e esperança estão em Deus.

O apóstolo começa a valorizar o que Jesus conquistou para nós: podemos invocar a Deus como nosso Pai. Além de tudo o que Cristo falou de seu Pai e do que Ele manda dizer que quer ser Pai para nós, para que ficasse bem gravado em nossa mente e em nosso coração Jesus nos ensinou e pediu que nos expressássemos assim em nossas orações: Pai nosso...

Nós, encantados com tantas coisas desta vida, às vezes nos iludimos pensando que isso é que vida para ser vivida.

Tudo neste mundo passa muito depressa. Nem dá tempo de gozar mesmo o de que é que realmente gostamos. Tudo envelhece rápido.

O doce de algodão é imagem clara do que gostamos e que logo se esvai.

Pela fé em Cristo ressuscitado, por sua presença em nossa vida, fortalecemos a esperança que nos assegura um futuro mais estável em Deus.

Nós mantemos nosso corpo, nosso organismo por meio da alimentação. Esta se transforma em sangue que controla nossa vida.

Em relação à nossa pessoa: o que conquistamos de conhecimento, de amadurecimento de nossa inteligência, de nossa vontade, liberdade e sensibilidade, em toda a nossa vivência psicológica nos transforma em criaturas mais amadurecidas para a vida.

E se juntamente com este enriquecimento, minha vida religiosa de fé esperança e caridade me  colocou envolvido pelo amor de Deus, por uma fraternidade sincera e participativa, estarei mais preparado para viver na eternidade a experiência da felicidade que só Deus é  e pode comunicar, para todo o sempre.

EM LUCAS 24, 13-35,  no dia da ressurreição de Jesus dois discípulos saíram da cidade e foram para Emaús. Iam conversando quando Jesus se aproximou e os foi acompanhando. Não o reconheceram. Perguntou sobre que estavam conversando. Eles se espantaram por ele não saber dos últimos acontecimentos. E Jesus:“que foi?” Eles então falaram sobre Jesus, todo o bem que tinha feito ao povo. Por fim fora crucificado. Algumas mulheres falaram que anjos tinham dito que ele estava vivo, três dias depois de sepultado... Então Jesus começou a falar com eles sobre tudo o que os profetas tinham dito e que se realizara em Jesus... Quando iam chegando à moradia deles, pararam e o convidaram para entrar. E na mesa, quando Jesus benzeu o pão, o reconheceram. Então Ele desapareceu. Na mesma hora voltaram para Jerusalém para contar tudo o que havia acontecido.

Esses discípulos parecem que são de nosso tempo. Gente apressada como nós. O que ouvem, parece que não escutam. Hoje gostamos de estar sempre ligados a tudo e quando percebemos, não estamos nem aí.

Quando criança viajava de trem, o Maria Fumaça. Olhávamos pela janela e víamos a paisagem correr tão depressa. Quando queríamos observar algo que chamava nossa atenção, já havia passado.

Corre, corre, vida! Estou vivendo ou a vida está me arrastando? Vemos e não fotografamos a imagem. Ouvimos e logo esquecemos o que nos disseram. Corremos mais tropeçando no caminho em alguma direção.

Um desconhecido os encontra e caminha com eles, curioso pela sua conversa aflita, pelo ar triste, e Ele lhes pergunta o que foi que aconteceu? Aí eles começam a lembrar passo a passo a vida de Jesus. Incrível foi a apresentação fiel de tudo que era Jesus e do que fizera durante três anos.

A luminosidade de seus olhos quando falavam, se obscureceu quando concluíram com ar triste, desanimados: pois é, ele foi crucificado. Já faz três dias que isto aconteceu... É verdade que umas mulheres vieram dizer que ele está vivo, ressuscitado. Mas a ele mesmo ninguém viu...

Quando nossa fé entra na escuridão da dúvida, do sofrimento, da decepção, esquecemos tudo de bom que aconteceu. E a palavra chave da situação de então foi: nós esperávamos que...

O sentimento mais demolidor é a desesperança, a falta de chão, de confiança em algo que foi a raiz de todo o bem e parece que foi arrancada...

O sacramento da confissão é a imagem deste fato. Deus nos pergunta: que foi? que houve? você estava tão confiante em mim e se deixou levar por seus sonhos loucos egoístas... Aí quando nos abrimos sinceramente ao Senhor despejando tudo o que está azedando nosso espírito, nossa vida...

E Deus: que é que você está dizendo?

Perdeu todo o encanto de ser meu amigo, meu filho?

Você pode mudar, pode escolher outros amores, mas você para mim é sempre meu filho querido. Estou sempre olhando para a estrada de sua vida para ver seus passos retornando à minha casa...

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*Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da  Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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